Foto de capa: Bruno Cecim/Agência Pará
Entre os meses de dezembro e junho, a região Norte enfrenta um período de chuvas intensas e prolongadas, tradicionais do chamado inverno amazônico. Nesta época, as chuvas além de contribuírem para diversas ocorrências como alagações e transbordamento de rios, também afetam a rede de abastecimento e esgoto das cidades que dispõem desses serviços.
Isso acontece porque o excesso de chuva acaba causando problemas como aumento no fluxo de água em rios e mananciais, quedas de energia elétrica e sobrecarga nos equipamentos dos sistemas.
Para a engenheira sanitária e ambiental, Gabriela Fragoso, as condições obsoletas das redes de água e esgoto ampliam ainda mais as dificuldades impostas pelo inverno amazônico.
“Se tratando de uma região metropolitana no meio do Amazônia, onde ocorre essa intensidade de chuvas, os sistemas são antigos e subdimensionados, e a população das cidades cresceu muito. Então, isso contribui para alagamentos e extravasamentos, que é quando essa água que vem das ruas não escoa de forma adequada e acaba indo para dentro do sistema. É como se ela não tivesse para onde ir, e aí acaba retornando para as galerias, podendo inclusive voltar para a casa dos clientes”, explicou a engenheira, referindo-se à cidades como Belém (PA).
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Outro problema que contribui, segundo a engenheira, são as ligações irregulares de água, que acabam impactando na sobrecarga das redes durante o inverno amazônico.
“Ligações clandestinas e ligações irregulares também contribuem, durante o inverno amazônico, para o maior volume de água nas tubulações, tanto drenagem quanto esgoto, causando sobrecarga nos sistemas, que como eu citei antes, são sistemas antigos e subdimensionados. Isso sem falar de outras ações, como a gestão inadequada de lixo e resíduos”, pontuou Fragoso.
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Importância das manutenções preventivas
A especialista explica que a realização de manutenções preventivas durante o inverno amazônico são fundamentais para identificação e solução de problemas, além de garantir o fornecimento dos serviços à população.
“As manutenções preventivas facilitam que essa água das chuvas escoem, evitando assim os extravazamentos e protegem os equipamentos, além de identificar e corrigir problemas antes que eles se agravem diante das fortes chuvas decorrentes do inverno amazônico”, frisou.

Saneamento é uma responsabilidade conjunta
A engenheira reforça que, apesar do inverno amazônico ser um evento natural, o escoamento da água das chuvas faz parte do saneamento básico das cidades, atribuição do poder público juntamente com a população.
“É importante mencionar a responsabilidade. A Águas do Pará é responsável apenas pelo abastecimento e esgotamento, o saneamento é uma responsabilidade compartilhada entre estado e prefeitura. O saneamento básico é uma ação integrada, não é só água, esgoto ou drenagem, é uma responsabilidade compartilhada entre o poder público, empresas privadas e a população, principalmente na gestão consciente e descarte correto de resíduos”, afirmou Gabriela.
“Um bom saneamento básico impacta na saúde da população e na proteção do meio ambiente. Tem uma pesquisa do Instituto Trata Brasil que apontou o quanto de crianças que se afastam das escolas por não ter água para tomar banho, fazer comida e até sair de casa. A população precisa se conscientizar que é preciso fazer a diferença neste período de inverno amazônico”, completou.
Águas que transformam
A entrevista com Gabriela Fragoso faz parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 29 de abril.
O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.

Com apresentação da jornalista Ize Sena, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Confira a entrevista completa (a partir de 1:17):
