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Projeto levará energia elétrica limpa a aldeia Kaxinawá

Aldeia Kaxinawá vista de cima. Foto: Reprodução/ Ibama.

O projeto Sisol Kaxinawá, da Universidade Federal do Acre – Ufac, coordenado pelo professor Rárison Roberto Acácio Fortes, em parceria com a empresa Huawei, levará energia elétrica limpa, eficiente e contínua à aldeia indígena Kaxinawá, no seringal Nova Aliança, no alto rio Purus.

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A iniciativa prevê a criação e implementação de um sistema híbrido de geração de energia elétrica, controlado por inteligência artificial (IA) e alimentado por painéis solares, geradores a diesel e baterias de alta performance.

Aldeia Kaxinawá. Foto: Josy Pinheiro

Com duração de um ano, de abril deste ano a abril de 2026, o sistema foi projetado para atender às demandas específicas da comunidade, respeitando sua cultura e realidade geográfica, garantindo confiabilidade energética mesmo em períodos de baixa insolação.

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O diferencial do Sisol está na utilização de IA para otimizar o uso das fontes de energia disponíveis, prever falhas, adaptar-se às condições climáticas locais e minimizar o consumo de diesel. O sistema contará ainda com interface em português e na língua kaxinawá, promovendo inclusão digital e autonomia na operação.

“Além de melhorar significativamente a qualidade de vida da comunidade, possibilitando avanços em saúde, educação e produção agrícola, o projeto gerará conhecimento científico de ponta e poderá ser replicado em outras comunidades isoladas da Amazônia”, disse o coordenador do projeto, Rárison Roberto Acácio Fortes.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Universidade Federal do Acre.

Pesquisadora analisa como é produzido instrumento típico do São João do Maranhão

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Zulma Alves, pesquisadora da UFMA. Foto: Reprodução/UFMA.

Ainda em ritmo de São João, a pesquisa acadêmica amplia os estudos dos elementos que fazem parte da tradição maranhense. Dessa vez, o trabalho foi dedicado na origem do instrumento que ecoa cultura, arrepia o corpo e acelera o coração de muitos maranhenses, a matraca.

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Sabemos que a matraca é um instrumento de percussão tradicional do Maranhão, feito com dois pedaços de madeiras e presente no bumba meu boi. Mas já parou para pensar que cada matraca tem sua própria “assinatura vegetal”? Seguindo essa perspectiva, a estudante do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Zulma Guadalupe Alves Pinheiro desenvolveu um estudo intitulado ”Identificação botânica das plantas utilizadas nos rituais religiosos de matriz africana em São Luís, Maranhão”.

como é produzido instrumento típico do São João do Maranhão
como é produzido instrumento típico do São João do Maranhão. Foto: Reprodução/ UFMA

Segundo Zulma Alves, a ideia de estudar a relação entre as plantas e os instrumentos do bumba meu boi surgiu a partir da sua vivência nesse meio. Estudar essa relação é uma forma de unir minha paixão pela cultura popular com o meu amor pela botânica e pela valorização do conhecimento tradicional:

“A ideia de estudar a relação entre as plantas e os instrumentos do bumba meu boi surgiu da minha vivência dentro da própria brincadeira. Sou uma pessoa diretamente envolvida com as manifestações culturais, e participo ativamente do bumba meu boi como brincante, estando presente nos ensaios, nas apresentações e no dia a dia da organização. Isso despertou em mim a curiosidade de entender mais sobre essas espécies, seus usos e o saber tradicional por trás da escolha de cada material” compartilhou a estudante.

Os sotaques de matraca e da baixada são grupos de bumba meu boi que se destacam na presença das matracas, que, tradicionalmente, são confeccionadas com madeiras nativas. O ipê amarelo, o jatobá e a maçaranduba são as principais espécies utilizadas na produção desse instrumento, permitindo a diferenciação das características físicas e simbólicas, geralmente escolhidas por um saber tradicional construindo ao longo das gerações.

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como é produzido instrumento típico do São João do Maranhão. Foto: Reprodução/UFMA

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“A escolha das madeiras leva em conta diversos fatores. A sonoridade é central, os mestres e artesãos sabem exatamente qual madeira oferece o timbre ideal, seja mais seco, grave ou estalado, dependendo do sotaque do boi. Mas também entram em jogo a durabilidade, já que o instrumento sofre impactos constantes, e a disponibilidade da planta no território”.

“Algumas madeiras são mais fáceis de talhar, outras resistem melhor ao tempo e à umidade. Em sua maioria, as madeiras são nativas do Maranhão e da Amazônia. Essa relação reforça o vínculo entre a manifestação cultural e o território. Ao utilizar espécies locais, os grupos mantêm uma relação de cuidado com o meio ambiente, muitas vezes, aproveitando árvores já caídas ou sobras de madeira”, contou a pesquisadora.

Os diferentes sotaques do bumba meu boi têm sonoridades e ritmos próprios, influenciando na escolha das espécies de madeira. O jatobá é comum no sotaque de matraca, visto que essa espécie possibilita batidas que produzem sons firmes e prolongados.

Do contexto cultural para o contexto laboratorial do instrumento

O Laboratório de Estudos Botânicos da UFMA é um espaço dedicado para estudos da área de florística e fitossociologia de restingas e dunas, taxonomia de fanerógamos, etnobotânica e divulgação científica e atua para a conservação da biodiversidade da vegetação litorânea do Maranhão.

Com a missão de contribuir com a formação dos estudantes na área de botânica, o LEB foi palco para a elaboração do estudo que contou com a participação de profissionais que trabalham na área da etnobotânica e com o apoio de especialistas em determinadas famílias botânicas.

Entre os métodos utilizados, a pesquisadora buscou coleções botânicas, bibliografia etnobotânica, entrevistas com comunidades locais e comparações com amostras de referência para auxiliar na identificação e no entendimento dos usos da madeira. Nessa perspectiva, Eduardo Bezerra enfatiza o intuito dos trabalhos que evidenciam a utilidade das plantas.

“Quando pensamos nas matracas, é para mostrar que, até nas nossas festividades de São João, há a presença de planta, e não percebemos as variedades. Nós queremos trazer as curiosidades da planta para a pessoa falar ‘Como assim isso aqui é de um caule e eu nunca parei para prestar atenção?’, porque às vezes a gente não percebe isso. O nosso intuito é mostrar que tem plantas em todos os lugares, nós só precisamos saber reconhecer para entender e para valorizar”, pontuou a pesquisadora.

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Foto: Reprodução/UFMA

A união da ciência e da cultura popular proporciona a visão e o entendimento de eixos que geralmente são despercebidos e desvalorizados, como argumenta Zulma Alves.

“A etnobotânica nasce justamente desse diálogo entre ciência e saber tradicional. No nosso caso, a pesquisa não busca apenas identificar espécies, ela reconhece e valoriza os conhecimentos dos artesãos, que conhecem profundamente a natureza em virtude de sua prática e vivência. Quando a Universidade se aproxima com respeito e escuta ativa, ela amplia sua missão e contribui para o fortalecimento de culturas que resistem e se reinventam todos os dias”, afirmou.

Além dos “matraqueiros” — brincantes que tocam matraca —, maranhenses e turistas também utilizam a matraca para celebrar a cultura, mas geralmente não sabem a origem e o valor simbólico desse objeto. Com isso, Eduardo Bezerra esclarece o processo de produção da matraca.

“Tem muita gente matraqueira, e, quando ocorrem as festividades, está todo mundo tocando matraca e estamos querendo chamar a atenção que ali são duas madeirinhas que vieram de um caule, que era uma planta e que tem todo um cuidado na hora de se preparar essa matraca, porque, dependendo da madeira, o som vai ser diferente, a textura, o peso vai ser diferente, os cuidados que vão ter com a matraca é diferente, para ter mais tempo de conservação etc”.

Os estudos para a pesquisa continuam, os pesquisadores buscam aprofundar a bibliografia com referências da literatura e pretendem conversar com artesãos que produzem matracas, possibilitando uma percepção ampliada sobre a temática. 

A pesquisa é resultado do esforço e da mente sagaz da estudante e futura bióloga, Zulma Alves, que, por meio de suas experiências de vida, observou a essência de estudar um instrumento fundamental da tradição maranhense e suas raízes botânicas, que vão para além da nossa localidade.

A matraca não se resume a apenas “dois pedaços de madeira que produzem um som”, ela representa a história de uma cultura marcada pelo conhecimento tradicional que, por meio do estudo desenvolvido, conquistou um espaço que documenta os saberes de sua confecção, fortalecendo a conexão entre cultura e biodiversidade.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Universidade Federal do Maranhão e escrito por Aline Vitória.

Dia do Rock: conheça bandas em destaque de cada estado da Região Norte

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O rock brasileiro possui uma longa tradição marcada por movimentos e estilos distintos em cada região do país. Na Região Norte, embora menos presente nas grandes mídias, o gênero também floresceu e segue ativo por meio de bandas que misturam o peso das guitarras com influências culturais amazônicas. Com propostas musicais originais, algumas dessas bandas conquistaram reconhecimento nacional e internacional ao longo dos anos, provando que o Norte também tem um papel significativo na cena do rock brasileiro.

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Foto: Divulgação

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Entre os estados nortistas, Amazonas, Pará e Rondônia se destacam por abrigar bandas que, mesmo surgindo longe dos grandes centros urbanos, conseguiram espaço e relevância com sonoridades autorais e forte ligação com o ambiente amazônico. Mas por ser um estilo mundialmente acompanhando por fãs, cada estado possui pelo menos um representante. O Portal Amazônia destacou uma banda por estado dos sete da Federação.

Os Playmobils (Amazonas)

A banda Os Playmobils surgiu em Manaus (AM) no início dos anos 2000 e rapidamente se tornou uma das principais representantes do rock independente no estado. Misturando influências de rock alternativo, pop rock e punk, o grupo se destacou pelo tom irreverente de suas composições e por apresentações energéticas em festivais regionais.

Ao longo dos anos, Os Playmobils lançaram álbuns e EPs com letras bem-humoradas e críticas sociais, abordando o cotidiano da juventude manauara. O grupo participou de eventos como o Festival Música Independente (FMI) e teve canções incluídas em coletâneas de música alternativa do Norte e Nordeste.

Apesar das mudanças de formação, a banda permaneceu ativa no circuito local até 2020 mas mantém presença nas redes sociais e plataformas de streaming, contribuindo para manter vivo o cenário do rock amazonense.

Banda Madame Saatan (Pará)

Originária de Belém (PA), a Madame Saatan é uma das bandas de rock mais conhecidas da Região Norte. Fundada em 2003, o grupo se destacou por sua sonoridade agressiva e letras politizadas. A mistura de rock pesado com ritmos regionais como carimbó e guitarrada tornou a banda uma referência em experimentação sonora no cenário alternativo brasileiro.

Comandada pela vocalista Sammliz, a banda lançou seu álbum de estreia homônimo em 2007. O disco foi bem recebido pela crítica especializada e colocou o grupo em festivais importantes, como o Abril Pro Rock e o Porão do Rock. O segundo álbum, Peixe Homem, de 2011, consolidou a proposta sonora da banda e aprofundou ainda mais os temas sociais em suas composições.

A trajetória da Madame Saatan também abriu portas para artistas nortistas em outros segmentos do rock, provando que há público e espaço para expressões musicais fora do eixo Rio-São Paulo.

Banda Versalle (Rondônia)

De Porto Velho (RO), a banda Versalle se destacou nacionalmente após sua participação no reality show musical SuperStar, da TV Globo, em 2015. Com influências de rock alternativo e indie rock, o grupo conquistou jurados e público, chegando à final da competição.

Formada em 2009, a Versalle alcançou uma base sólida de fãs e gravou seu primeiro álbum, Distante em Algum Lugar, pelo selo da gravadora Som Livre. As músicas da banda tratam de temas existenciais, amorosos e sociais, com uma estética moderna e bem trabalhada. A exposição nacional impulsionou a carreira do grupo, que passou a fazer turnês por várias capitais do país.

A banda também tem investido em videoclipes e parcerias com artistas de outras regiões, ajudando a projetar o nome de Rondônia no mapa do rock nacional. Com novo trabalho previsto, a Versalle segue como um dos principais nomes do gênero oriundos da Região Norte.

Los Porongas (Acre)

Los Porongas é uma banda que surgiu no Acre em 2003, se mudou para São Paulo em 2007. O grupo, originalmente formado por acreanos, hoje conta Diogo Soares (voz), Márcio Magrão (baixo), João Leão (teclados) e com dois cearenses em sua formação, Carlos Gadelha (guitarra) e Xavier Francisco (bateria)

Sistema Tucujú (Amapá)

A banda Sistema Tucuju foi formada em 2024 por um grupo de amigos que compartilhavam a paixão pelo rock nacional brasileiro. Composta por cinco membros – PH (vocalista e membro fundador), Alê (guitarrista solo e membro fundador), Marco Antonio (Guitarrista Base e membro fundador), Wey (baixista e membro fundador) e Paulinho (baterista membro remanescente) -, a banda começou a se apresentar em bares de Macapá e hoje já tem realizado shows em várias partes do país.

Garden (Roraima)

Com 25 anos de estrada, a Banda Garden – formada por Siddhartha Brasil (voz), Rodrigo Baraúna (Guitarra), Neto Baraúna (Baixo) e Nekinhu Amaro (Bateria) é uma das mais atuantes no cenário do rock roraimense. A Lei Aldir Blanc proporcionou em 2021 o primeiro registro profissional em vídeo da banda.

Com o investimento do edital, o grupo apresentou um show ‘Garden Live – Estúdio Parixara’. O repertório contou com músicas dos dois discos da banda, o autointitulado – lançado em 2006 e ‘Quarto Branco’, lançado em 2016. O material está disponível em todas as plataformas digitais. (Spotfy, Deezer, Google Play, iMusic).

Centavos (Tocantins)

Uma das banda de rock mais famosa de Tocantins é a Centavos, formada em Araguaína (cidade distante 376 quilômetros da capital Palmas). Eles são conhecidos por sua música de rock com letras originais e riffs psicodélicos, explorando o gênero stoner rock.

O rock na Amazônia e seus desafios

Show em Belém. Foto: Divulgação

O surgimento de bandas de rock no Norte do Brasil enfrenta obstáculos característicos da região, como o isolamento geográfico, dificuldades de acesso a grandes centros culturais e escassez de casas de shows específicas para o gênero. Apesar disso, artistas e coletivos culturais têm se mobilizado para manter a cena viva, promovendo festivais independentes e criando selos alternativos para gravação e distribuição de música.

Além disso, muitas bandas nortistas incorporam elementos locais em sua produção — seja na letra, na estética ou nos arranjos — criando um som que carrega a identidade amazônica e rompe com padrões mais tradicionais do rock nacional. Esse hibridismo tem sido uma marca distintiva e também um atrativo para o público fora da região.

Assim, bandas como Madame Saatan, Os Playmobils e Versalle representam não apenas a força criativa da juventude nortista, mas também o potencial do rock como expressão cultural na Amazônia.

XTERRA terá provas de resistência na floresta Amazônica

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Considerado o maior circuito off-road do mundo, o XTERRA volta ao Amazonas após o sucesso da edição do ano passado. A iniciativa vai reunir nos dias 25 e 26 de julho atletas da elite e amadores em três modalidades: corrida em trilha (5, 10 e 21 quilômetros), triatlo e natação em águas abertas. As disputas acontecerão no Sítio Bom Futuro, em Paricatuba, no coração da selva amazônica.

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XTERRA
É considerado o maior circuito off-road do mundo. Foto: Divulgação

Trilhas desafiadoras conduzirão os participantes por uma imersão na selva, com sons, aromas e paisagens que só a Amazônia pode oferecer. A essência do XTERRA é incentivar a prática do esporte, preservando a natureza e movimentando as economias locais. Ao longo de sua história, o evento passou por mais de 45 países, com aproximadamente 70 mil participantes e 300 mil espectadores.

Considerado o maior circuito off-road do mundo também é realizado em diversas regiões. Foto: Divulgação

“Nosso objetivo vai muito além do simples uso dos locais pelos quais passamos. Acreditamos que temos responsabilidades ambientais e sociais. A prática esportiva envolve cuidar dos lugares e das comunidades que nos cercam nessa jornada, é um compromisso com as futuras gerações”, ressalta Mauricio Leal, Gerente de Projeto da X3M Entretenimento, que organiza e promove o XTERRA no Brasil: “Temos o orgulho de dizer que limpamos mais de 80 quilômetros de trilhas por edição”.

Entrega dos Kits do evento. Foto: Divulgação

Segundo os organizadores, mais de 300 pessoas são contratadas a cada edição do XTERRA, incluindo treinamentos e capacitação de moradores. Além disso, um ganho valioso que a iniciativa proporciona aos lugares por onde passa é o fomento das economias locais, com o crescimento do turismo – incluindo hotéis, restaurantes e prestação de serviços.

Indígenas da etnia Araweté lançam Plano de Gestão Territorial e Ambiental

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Garantir a proteção do território, a valorização do modo de vida tradicional e o fortalecimento da autonomia comunitária do povo indígena Myde Araweté são alguns dos objetivos do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) da Terra Indígena (TI) Araweté do Igarapé Ipixuna, no Sudoeste do Pará.

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O processo de construção do PGTA teve início em 2023 e incluiu oficinas temáticas, encontros comunitários, atividades de etnomapeamento e etnozoneamento, análise de ameaças, além da identificação de estratégias para fortalecer áreas essenciais, como saúde, educação, cultura, organização social e política, atividades de subsistência e o território, representando uma conquista para as 167 famílias que vivem nas 33 aldeias do território.

Leia também: Povo Asurini lança Plano de Gestão Ambiental e Territorial da Terra Indígena Koatinemo, no Sudoeste do Pará

Lançamento do Plano de Proteção Territorial (PPT). Foto: Jéssica Santana

“O PGTA é muito importante para nós, porque temos uma segurança de que nossa terra será protegida. Foram dois anos de trabalho, envolvendo as aldeias, os anciões, os agentes, todos atuando para construir o mapa das aldeias. Atingimos esse objetivo graças à parceria da Norte Energia, que ajudou a gente a desenvolver esse documento. Eu estou muito feliz de ver esse plano homologado”, conta o cacique, Awinhoo Araweté.

Essa é a terceira Terra Indígena a receber o documento na região do Médio Xingu. Além da TI Araweté, as TIs Koatinemo, Paquiçamba e Arara da Volta Grande do Xingu receberam o PGTA. Todo o planejamento e elaboração contou com apoio técnico da Norte Energia, por meio do Plano Básico Ambiental do Componente Indígena (PBA-CI) da Usina Hidrelétrica Belo Monte.

O documento foi orientado pelos conhecimentos tradicionais dos povos, em diálogo com lideranças, caciques, professores, pajés, jovens e outros representantes da comunidade, com base na Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), instituída pelo Decreto nº 7.747/2012.

Leia também: Indígenas realizam plantio com o objetivo de restaurar áreas devastadas em Roraima

Plano de Proteção Territorial

Além do PGTA, os indígenas também lançaram o Plano de Proteção Territorial (PPT), que tem o objetivo de promover ações estratégicas para resguardar o território contra invasões, desmatamento, pesca ilegal e abertura de ramais clandestinos. O documento é composto por três eixos: controle, prevenção e gestão participativa. O PPT é um instrumento técnico, que expressa a responsabilidade ancestral de cuidar da floresta e fortalece a autonomia do povo Araweté.

Indígenas da etnia Araweté lançam Plano de Gestão Territorial e Ambiental.
Indígenas da etnia Araweté lançam Plano de Gestão Territorial e Ambiental. Foto: Jéssica Santana

Leia também: Povo Panará lança PGTA para garantir o futuro de seu território e de seus modos de vida

“A gente vai repassar para os nossos filhos, netos, o que é o PGTA e Plano de Proteção Territorial, e como isso contribui para proteger nossa terra”, ressalta o cacique.

Para a construção do Plano de Proteção Territorial, dez agentes ambientais, escolhidos pelos indígenas, participaram da elaboração do documento, que reafirma o compromisso com as futuras gerações, unindo conhecimento tradicional e articulação comunitária em defesa da terra.

Edison Rodrigues, coordenador socioambiental do componente indígena da Norte Energia, explica como os documentos contribuem para a preservação cultural e o fortalecimento territorial.

“Alinhada à Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial Indígena, a Norte Energia contribui com esses instrumentos de governança da Terra Indígena Araweté. As ações revelam a sintonia entre o licenciamento ambiental e os objetivos desse povo. Esses são importantes ferramentas para proteção territorial e de todos os aspectos necessários à autonomia do povo Araweté”, apontou Rodrigues.

Parque Natural de Porto Velho: um refúgio verde para curtir o fim de semana com tranquilidade

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Parque Natural Raimundo Paraguassu de Oliveira. Foto: Jhon Silva

No coração da zona norte de Porto Velho, ao final da avenida Rio Madeira, está um dos maiores patrimônios naturais da cidade: o Parque Natural Raimundo Paraguassu de Oliveira. Com uma área de 390 hectares de mata nativa preservada, o espaço oferece uma alternativa de lazer saudável, gratuita e acessível para quem deseja se conectar com a natureza, aprender sobre o meio ambiente ou apenas respirar ar puro com a família.

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Dona de casa e moradora da capital, Larami Moreira visitou o local com a família, após anos, e se surpreendeu com as mudanças. “Achei legal, interessante. Quando vim pela primeira vez, era criança e aqui funcionava um zoológico. Agora que virou um parque natural, ficou muito bonito e agradável. Um espaço realmente para todas as idades”, afirmou.

Leia também: 8 parques da Amazônia para entrar em contato direto com o meio ambiente

Parque Natural de Porto Velho
Larami Moreira visitou o local com a família. Foto: Jhon Silva

Atrativos

Trilha a pé: 3 quilômetros de extensão pela floresta. Acontece aos finais de semana e feriados, com saídas às 9h e 15h, acompanhadas por agentes ambientais. Cada grupo pode ter até 30 visitantes, que recebem equipamentos de segurança e uma breve orientação antes do percurso.

Trilha a pé tem 3 quilômetros de extensão pela floresta. Foto: Jhon Silva

Trilha suspensa: Um caminho de 900 metros elevado no meio da mata, proporcionando uma imersão segura e emocionante na floresta amazônica

Espaços de lazer e convivência: playground coberto, área para piquenique, tirolesa, internet gratuita e água potável

Museu

Com mais de 150 itens, o Museu do Acervo Biológico apresenta espécies da fauna amazônica em técnicas de taxidermia e preservação úmida. É um passeio educativo e surpreendente para crianças, jovens e adultos.

Viveiro Municipal

Viveiro abriga cerca de 26 mil mudas de mais de 70 espécies diferentes. Foto: Jhon Silva

Os visitantes podem levar para casa até 50 mudas por CPF, de diversas espécies nativas e frutíferas. O atendimento acontece de 8h às 11h30 e de 14h às 17h, mediante cadastro com nome, CPF e endereço.

O viveiro abriga cerca de 26 mil mudas de mais de 70 espécies diferentes, entre elas: ipês (amarelo, branco, rosa e roxo), açaí-de-touceira, bacaba, cerejeira, angelim, ingazinha, jacarandá-mimoso, acerola, cupuaçu, caju, jambo, jenipapo, graviola, uvaia, dentre outros.

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Acesso e Funcionamento

O parque funciona de terça a domingo, das 8h às 17h, inclusive em feriados. O acesso também pode ser feito por transporte público: a linha de ônibus Nova Esperança passa pela entrada do parque com frequência de uma hora.

Natureza que transforma

Para o secretário adjunto da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema), Renato Muzzolon, o Parque Natural representa mais do que uma alternativa de lazer: é um investimento direto na saúde e bem-estar da população.

Museu do Acervo Biológico apresenta espécies da fauna amazônica. Foto: Jhon Silva

“É um equipamento de grande importância para a qualidade de vida do porto-velhense. O contato com a natureza é cientificamente comprovado como benéfico: reduz o estresse, a ansiedade e a pressão. Muitos buscam remédios, e aqui temos uma solução prática, gratuita e acessível”, destacou.

Já o educador ambiental David Souza ressalta a relevância do espaço para a educação ambiental e para o convívio familiar: “O meio ambiente é tudo. Ter um lugar assim dentro da cidade, que muitas vezes é poluída, é uma oportunidade para que famílias possam respirar um ar mais puro, aprender, brincar e viver momentos especiais juntos”, afirmou.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema), ressalta que por ser uma unidade de conservação, não é permitido o ingresso de animais domésticos (pets) no Parque Natural.

*Com informação da Prefeitura de Porto Velho

Passo a Paço 2025 celebra 10 anos com megafestival de cultura e arte no Centro Histórico

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Festival Passo a Paço. Imagem: Divulgação/Secom

Manaus se prepara para viver sua maior imersão artística e cultural da história. Nos dias 5, 6 e 7 de setembro, o Centro Histórico da capital amazonense será palco da 10ª edição do #SouManaus – Passo a Paço, o maior festival gratuito de artes integradas do Brasil.

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Comemorando uma década de realizações, o #SouManaus – Passo a paço deste ano terá dimensão inédita, reunindo arte, música, gastronomia, moda e manifestações culturais em 63 mil metros quadrados de ocupação urbana, com 17 palcos distribuídos por ruas, praças e espaços históricos da cidade.

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Manaus se prepara para viver sua maior imersão artística e cultural da história. Foto: Divulgação

Segundo o diretor-presidente da Manauscult, Jender Lobato, o festival é o resultado de uma visão estratégica de valorização da cultura, da ocupação urbana e do fomento à economia criativa.

“Chegar à 10ª edição do Sou Manaus Passo a Paço é uma conquista de toda a cidade. Este não é apenas um festival, é um movimento de transformação cultural, de afirmação da identidade manauara e de inclusão. Trabalhamos o ano inteiro com planejamento, curadoria e diálogo com a classe artística para fazer deste evento o maior da história. A Prefeitura de Manaus, sob a liderança do prefeito David Almeida, investe na cultura como vetor de desenvolvimento, turismo e orgulho coletivo. Manaus vai pulsar arte em cada esquina”, declarou Lobato.

A coordenação do evento também prepara uma programação intensa com mais de 2 mil artistas regionais e projetos culturais locais, reforçando o protagonismo da cultura amazônica e a proposta do festival como movimento de valorização da identidade manauara.

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Palcos temáticos e experiências únicas

Seis palcos principais darão o tom da festa: Mangueirão, Coreto, Alfândega, Malcher, Espaço Cultura Urbana e Espaço Moda, cada um com identidade própria, trazendo desde grandes nomes da música brasileira até performances de rua, teatro, dança e exposições visuais.

Festival Passo a Paço. Imagem: Divulgação/Secom

Além disso, outros 11 palcos alternativos garantirão o espaço e a visibilidade de coletivos e artistas da cena cultural local.

As atrações confirmadas incluem nomes como Ivete Sangalo, Gusttavo Lima, Ludmilla, Paralamas do Sucesso, Joelma, Simone Mendes, Fernandinho, Calcinha Preta, Bruno e Marrone, entre outros.

A diversidade de estilos contempla do gospel ao forró, do rap ao pop, da MPB à música eletrônica – refletindo a pluralidade cultural que é marca do festival.

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Uma cidade viva no #SouManaus Passo a Paço

Muito mais que uma maratona de shows, o #SouManaus – Passo a Paço é uma vivência. Durante os três dias de evento, as ruas do centro se transformarão em um verdadeiro corredor de experiências sensoriais, com intervenções urbanas, oficinas criativas, feiras de moda e design, áreas gastronômicas com sabores regionais e espetáculos a céu aberto.

Em 2024, o festival bateu recordes de público, arrecadação de alimentos e número de artistas locais contemplados, consolidando-se como uma plataforma de impacto social, cultural e econômico.

Festival Passo a Paço. Imagem: Divulgação/Secom

Este ano, a estrutura será ainda mais robusta, com ações voltadas à acessibilidade, incluindo áreas reservadas para pessoas com deficiência, sinalização adequada e intérpretes de Libras em palcos selecionados.

A segurança do público será reforçada com a atuação da Guarda Municipal, que utilizará câmeras de reconhecimento facial em pontos estratégicos do evento, monitorando o fluxo e garantindo a tranquilidade dos participantes.

A infraestrutura ainda contará com espaços para comercialização de alimentos e artesanato, fomentando a economia criativa, e com ações de sustentabilidade, como coleta seletiva e campanhas de conscientização ambiental.

*Com informações da Prefeitura de Manaus.

Justiça exige cronograma para titulação de território quilombola no Amapá; entenda

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Comunidade Kulumbu do Patuazinho. Foto: Reprodução/ Universidade Federal do Amapá.

Depois de esperar por 14 anos o andamento do processo de titulação do território quilombola, a comunidade Kulumbú do Patuazinho, no Oiapoque, Amapá, conseguiu na Justiça Federal uma liminar que estabelece o prazo de 30 dias para a União apresentar um cronograma de cumprimento das etapas.

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A decisão é resultado de uma ação civil pública movida após ameaças ao território com o andamento do processo de exploração de petróleo na bacia da Foz do Amazonas.

De acordo com a liminar emitida pelo juiz Pedro Brindeiro do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, foram apresentadas como provas imagens, vídeos e notícias divulgadas na página do Ministério Público que comprovam ataques ao território quilombola. 

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Comunidade quilombola Kulumbú do Patuazinho. Foto: Reprodução/ Universidade Federal do Amapá.

A decisão também destaca o relato dos autores da ação civil: “nota-se que indivíduos não quilombolas destroem hortas, plantações de subsistência, desmatam a vegetação local, realizam queimadas para ali construírem moradias e assim, muitos fixaram-se no local por meio de ameaças à integridade física das famílias tradicionais e ameaças às suas tradições culturais e religiosas.”

Ao reconhecer o direito da comunidade Kulumbú do Patuazinho à propriedade definitiva e o dever do Estado de emitir o título, o magistrado decidiu que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Fundação Cultural Palmares e a própria União Fedreal deverão apresentar.

Leia também: Acordo judicial garante permanência de quilombolas em PARNA no Amazonas

“cada qual no limite e no âmbito de suas atribuições”, os prazos definidos para a realização de todas as etapas pendentes até a regularização fundiária, “inclusive comprovando a previsão orçamentária e aporte de recursos para o efetivo cumprimento no tempo”, destaca a decisão.

Desde 2009, os moradores de Kulumbú do Patuazinho são certificados pela Fundação Palmares como comunidade quilombola, processo necessário para o início da tramitação da titulação do território. Em 2011, a comunidade deu entrada no processo junto a superintendência regional do Incra no Amapá, mas o pedido não avançou.

“É inaceitável que órgãos públicos continuem retardando um direito garantido pela Constituição. A morosidade administrativa e o racismo institucional continuam sendo obstáculos diários para milhares de comunidades quilombolas em todo o país”, declarou por meio de nota a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

Constituída na década de 1990, a comunidade quilombola Kulumbú do Patuazinho se estabeleceu no território do município de Oiapoque, nas fronteiras entre o Brasil e a Guiana Francesa. Liderado por Benedito Furtado, o pai Bené, um pequeno grupo familiar migrou de outra comunidade quilombola localizada em Pindaré-Mirim, no Maranhão, em busca de melhores condições de vida.

Após peregrinação em outros estados da Região Norte, pai Bené orientado por guias espirituais de matriz africana localizou o lugar aos pés de uma Sumaúma onde deveriam ser estabelecidos o Santuário de São Benedito de Aruanda, e o assentamento de uma nova comunidade.

quilombola

Com o passar dos anos, a proximidade com o perímetro urbano do município e o avanço da possível exploração de petróleo na costa da região, os moradores relatam um crescimento de conflitos territoriais “a ponto de adentrarem em área considerada sagrada e destruírem a escultura denominada ‘Pedreira de Xangô’, construída pelo patriarca da comunidade, Sr. Benedito, que a deixou como legado, reservada para a realização do culto à espiritualidade, localizada na parte conhecida por ‘Caminho dos Orixás’, descreve outro trecho do relato destacado na decisão.

Leia também: Livro busca valorizar plantas medicinais em comunidades quilombolas do Tocantins

De acordo com o Incra, atualmente o processo de titulação na fase de elaboração do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), que é a primeira etapa realizada para regularização fundiária. Nesse estágio são produzidos estudos técnicos e científicos de caracterização espacial, econômica ambiental e sociocultural do território quilombola, “devidamente fundamentado em elementos objetivos, contendo informações cartográficas, fundiárias, agronômicas, ecológicas, geográficas, socioeconômicas, históricas, etnográficas e antropológicas da comunidade quilombola e do território reivindicado”, informa a instituição por meio de nota.

Segundo o comunicado, na próxima semana, dois servidores estarão na área para uma visita técnica. “Em relação à determinação Judicial, a Superintendência do Incra no Amapá atua para apresentar resposta à demanda dentro do prazo estabelecido”, conclui a nota.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil e escrito por Fabíola Sinimbú. 

Três das dez unidades de conservação mais populosas estão no Maranhão

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As dez unidades de conservação mais populosas do país concentram 4,2 milhões de habitantes. Isso quer dizer que abrigam mais de um terço (36%) do total de pessoas que vivem nessas regiões instituídas pelo poder público, com objetivos de conservação e limites definidos.

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O Greenpeace Brasil realizou sobrevoo no sul do Amazonas e no norte de Rondônia em Unidades de Conservação. Foto: Greenpeace Brasil

Dentre estas dez unidades de conservação mais populosas, três estão no Maranhão, somando mais de um milhão e trezentos mil habitantes.

A constatação faz parte de um suplemento do Censo 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os recenseadores identificaram 11,8 milhões de habitantes (5,82% da população) em 1.138 unidades de preservação espalhadas por 1.375 municípios. Essas regiões delimitadas incluem áreas como reservas biológicas, extrativas, florestas, parques e Áreas de Proteção Ambiental (APA).

A região abriga uma biodiversidade única. Foto: Greenpeace Brasil

Confira a lista das dez unidades de conservação mais populosas – São Paulo e Maranhão se destacam:

  1. APA do Planalto Central (DF/GO): 601.773 habitantes
  2. APA da Baixada Maranhense (MA): 583.882 habitantes
  3. APA de Upaon-Açu / Miritiba / Alto Preguiças (MA): 509.977 habitantes
  4. APA Sistema Cantareira (SP): 495.859 habitantes
  5. APA Jundiaí (SP): 449.143 habitantes
  6. APA Piracicaba Juquerí-Mirim Área II (SP): 430.934 habitantes
  7. APA da Bacia do Rio São Bartolomeu (DF): 360.760 habitantes
  8. APA Serra da Ibiapaba (CE): 352.779 habitantes
  9. APA de Petrópolis (RJ): 242.034 habitantes
  10. APA das Reentrâncias Maranhenses (MA): 240.498 habitantes

Unidades de conservação por estado

O suplemento do Censo 2022 classificou o número de habitantes por unidades da federal (UF). São Paulo é o estado com maior quantidade de pessoas vivendo em unidades de conservação.

População de unidades de conservação colhendo açaí.
Imagem: Acervo IBGE

Confira a lista das cinco UFs com maior número de pessoas em regiões de preservação:

  • São Paulo: 2.483.199 habitantes
  • Maranhão: 1.555.668 habitantes
  • Bahia: 1.354.144 habitantes
  • Rio de Janeiro: 1.118.507 habitantes
  • Distrito Federal: 1.103.325 habitantes

Em relação à proporção da população, o Distrito Federal ocupa o topo, seguido pelo Maranhão. Das dez UFs que lideram o ranking, nove se situam acima da proporção do Brasil (5,82%):

  • Distrito Federal: 39,16%
  • Maranhão: 22,96%
  • Bahia: 9,58%
  • Alagoas: 8,90%
  • Piauí: 8,50%
  • Mato Grosso do Sul: 7,96%
  • Pará: 7,11%
  • Rio de Janeiro: 6,97%
  • Amazonas: 6,64%
  • São Paulo: 5,59%

*Com informações da Agência Brasil

Pesquisa revela que florestas do Amapá possuem as maiores densidades de biomassa da Amazônia

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As florestas do estado do Amapá podem ser fundamentais para diminuir as consequências das mudanças climáticas na região amazônica por possuírem os maiores estoques de biomassa por área – incluindo carbono – em toda a bacia Amazônica. A descoberta inédita foi divulgada recentemente na revista científica Sustainability.

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Flona do Amapá. Foto: Divulgacão

Os dados da pesquisa apontam que as florestas amapaenses, em grande parte localizadas em áreas protegidas, alcançam valores de biomassa substancialmente acima da média amazônica. A biomassa florestal é constituída de toda matéria vegetal proveniente de áreas florestais, como madeira, galhos, folhas, carbono.

Segundo o estudo, a concentração de biomassa nas florestas do Amapá está em torno de 537 toneladas por hectare. Cada hectare equivale a 10 mil metros quadrados, quase do tamanho de 1 campo e meio de futebol. A pesquisa identificou que cerca de 48.5% da biomassa é composta de carbono, essas florestas estocam 260 toneladas do elemento por hectare. Isso é mais que o dobro (124%) da média para a região amazônica, que é de apenas 116 toneladas por hectare de carbono.

“Essa maior biomassa aqui no Amapá está associada a florestas bem estruturadas e a maior densidade de árvores de grande porte – eu acho que todo mundo já ouviu falar das nossas árvores gigantes. Com isso, esses resultados só reforçam o papel estratégico do Amapá como uma importante reserva de carbono no mundo, elemento fundamental para regulação climática global”, observa José Douglas Costa.

José Douglas Costa, ex-aluno do Mestrado em Ciências Ambientais e autor do artigo. Foto: Arquivo pessoal.

Leia também: Nova lei busca reduzir vulnerabilidade das florestas no Amapá

Esforço conjunto

Além de José Douglas Costa, a pesquisa é fruto do envolvimento de outros 11 pesquisadores da Unifap, do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), da Embrapa-AP, da Universidade do Estado do Amapá (Ueap), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (AM e RR), da Universidade Estadual de Roraima (UERR) e da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A coordenação geral do estudo é do docente do Mestrado em Ciências Ambientais, Prof. Dr. José Júlio de Toledo.

A intenção da pesquisa foi criar um banco de dados mais amplo de inventários florísticos (estudo detalhado das espécies de plantas presentes em uma determinada área) para toda a floresta densa do Amapá.

“Pensamos em criar uma estimativa para uma área maior do estado, pois essa quantificação era feita apenas fragmentada (em áreas pequenas), com dados apenas de um pesquisador. Assim, veio a ideia do esforço conjunto de 12 pesquisadores de diferentes instituições”, explica Costa.

Os pesquisadores utilizaram dados de levantamentos florísticos e técnicas de modelagem espacial avançada. “Depois aplicamos técnicas de geoestatística correlacionadas com variáveis ambientais como a tipologia florestal, a precipitação, e com isso conseguimos modelar a biomassa florestal, resultando em um mapa de biomassa com resolução de hectare”, detalha o autor do artigo.

Floresta em pé

Os resultados da pesquisa demonstram a importância de desenvolver ações e políticas públicas de desenvolvimento sustentável no estado que possam prever alternativas econômicas que agreguem valor às florestas amapaenses que têm sido preservadas – o Amapá é o estado brasileiro com maior cobertura florestal preservada do país, com 21 unidades de conservação, segundo o recém-lançado Atlas Geográfico Escolar do Amapá.

“Apesar do manejo florestal madeireiro ser considerado de baixo impacto, a atividade reduz drasticamente o reservatório de carbono porque retira principalmente as árvores grandes (acima de 1 metro de diâmetro) que possuem maior densidade de carbono”, afirma o coordenador da pesquisa, Prof. Dr. José Júlio de Toledo.

Prof. Dr. José Júlio de Toledo. Foto: Arquivo pessoal

Toledo destaca a urgência de promover uma transição na economia local, substituindo a exploração madeireira por esquemas de pagamento por serviços ambientais, créditos de carbono e produtos florestais não madeireiros (PFNM). “Essas alternativas econômicas não apenas agregam valor à floresta em pé, como também incentivam sua conservação, mantendo a biodiversidade, as comunidades locais e os serviços ecossistêmicos, em especial a regulação climática”, adita o pesquisador.

José Douglas Costa ressalta que a conservação dos estoques de carbono deve ir além da manutenção de áreas protegidas.

“[Devemos] fortalecer a proteção de reservas, restringindo a exploração madeireira em áreas de uso sustentável, promovendo uma forte fiscalização contra o desmatamento ilegal e apoiando a implementação de projetos de REDD+ [sigla para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal, mecanismo que permite a remuneração dos países que mantêm suas florestas em pé]. Essas ações são cruciais para evitar perdas substanciais de estoque de carbono e para reduzir as emissões de gases de efeito estufa desta região”, conclui Costa.