Home Blog Page 260

Armando Sõpre Xerente é o 1° de seu povo a alcançar título de doutor em Educação na Amazônia, pela UFT

0

Armando Sõpre Xerente durante evento cultural no Centro de Ensino Médio Indígena Xerente (Cemix). Foto: Cesar Diniz/Cemix

O dia 29 de maio de 2025 vai ficar marcado na história da etnia Xerente, no Tocantins. Nesta data, Armando Sõpre Xerente tornou-se o primeiro doutor em Educação na Amazônia, pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) via Programa de Pós-Graduação em Educação na Amazônia (PGEDA/Educanorte).

A tese de Sõpre é sobre ‘A educação tradicional do povo Akwẽ e o processo de formação dos jovens na era Warã’. Sõpre frisa que é preciso incluir os anciões no processo educativo formal.

“Eles (os anciões) são doutores no conhecimento tradicional”, defende Sõpre.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O novo doutor pela UFT diz que “antigamente, os anciões é que eram os professores nas aldeias. Eles tinham que contar tudo, ensinar aos jovens. É por isso que me interessei de pesquisar esse tema, para que possamos trazer de volta esses anciões, para o ensino no mundo moderno”.

Sõpre defende a reintegração formal da figura dos anciões no currículo escolar. “Até porque a nossa escola é um centro de ensino médio (o Centro de Ensino Médio Indígena Xerente Warã – Cemix) e precisamos de nossos anciões lá dentro”, defende.

Desafios linguísticos e tradução

Sõpre contou que seu maior desafio foi o de traduzir da língua materna xerente para o português os diversos conceitos relacionados ao ensino das tradições orais de seu povo. “

Eu tive de me concentrar bastante, pegando a informação da língua materna e traduzindo para a língua portuguesa. Tive de me deslocar para ir coletar os dados diretamente com os anciões sobre o warã. Foi o maior desafio que enfrentei”, diz.

Leia também: Educação em língua indígena: fortalecimento da cultura dos povos originários da Amazônia

O novo doutor indígena levou para a execução de sua tese a experiência de colaborar na tradução do Novo Testamento (da Bíblia) para o povo xerente. Ele, juntamente com outros indígenas, ajudou na correção e tradução do Novo Testamento que foi desenvolvida por missionários batistas (pastor Günther Krieger e sua esposa Vanda Krieger; e pastor Rinaldo de Matos – falecido recentemente – e sua esposa Gudrum).

Armando durante a defesa da tese. Foto: Reprodução

Ele conta que foi a partir desse trabalho de auxílio na tradução que decidiu fazer graduação na área de Letras. “Fiz Ciência da Linguagem na Universidade Federal de Goiás (UFG); continuei estudando e decidi também fazer mestrado na área, para conhecer mais a estrutura da língua portuguesa. Os pastores Gunther e Rinaldo foram instrumento para mim, me incentivaram a estudar”, diz Sõpre.

Ele acredita que seu trabalho de doutorado vai ajudar no desenvolvimento de políticas públicas para incluir os anciões e beneficiar a educação escolar indígena.

“Esse trabalho, inédito, serve também para provocar as autoridades, para servir de base para educação escolar indígena de nosso povo, e buscar a reintegração do ancião, como antigamente, com direito a receber salário, como nós; afinal, eles também são mestres e doutores”, enfatiza Armando Sõpre.

Defesa em solo natal

A defesa da tese de doutorado de Sõpre não ocorreu entre quatro paredes, nas dependências da Universidade. A escolha do local, com anuência da coordenação do programa de pós-graduação, foi no Centro de Ensino Médio Indígena Xerente Warã (Cemix), no território indígena que fica município de Tocantínia, cidade a 86 quilômetros de Palmas.

Ele diz que a escolha foi estratégica, no sentido de também incentivar os jovens indígenas a continuarem estudando. “A comunidade me acolheu, os pais dos alunos, enfim, e a imagem influencia, é a minha imagem de professor em que os alunos podem se espelhar com minha trajetória e os desafios que enfrentei para chegar até aqui”, pontua.

A orientadora da tese, professora Dr.ª Neila Osório, também coordenadora do programa de extensão Universidade da Maturidade (UMA/UFT), destacou a importância da abertura da Universidade para outras formas de conhecimento: “A universidade precisa aprender a se abrir para outras formas de comunicação e expressão, linguagem, conhecimento e metodologia. Quem mais ganha com isso, nesse momento, certamente é a universidade”.

Segundo a professora Jocyléia Santana, coordenadora do Doutorado em Educação, PGEDA/UFT, a evasão de estudantes indígenas ainda é um grande desafio, especialmente na graduação. “Na pós-graduação, o perfil do estudante é mais maduro, mas as dificuldades ainda são grandes: deslocamento, custo de vida nas cidades, exigências acadêmicas elevadas e o racismo institucional”, aponta.

Ela ressalta que a UFT, tem se destacado nacionalmente pela formação de indígenas na graduação e, agora, com maior presença também na pós-graduação. No entanto, as estruturas institucionais ainda precisam se adaptar para acolher as singularidades de cada estudante.

Além da orientadora Neila, participaram da banca de Sõpre os professores: Dr. Luiz Sinésio Silva Neto (coorientador); Dr. Djanires Lageano Neto de Jesus (membro externo/UEMS/Profeduc); Dr. Rui Miguel Duarte Santos (membro externo/Instituto Politécnico de Leiria/Programa de Pós-Graduação em Direção de Organizações de Intervenção Social); Dr.ª Rosilene Lagares (membro interno/UFT-PGEDA) e Dr.ª Reijane Pinheiro da Silva (membro interno/UFT).

*Com informações da UFT

Saiba quais são as três cobras mais venenosas da Amazônia

0

Fotos: Reprodução

Atualmente, somente em Rondônia são conhecidas mais de 118 espécies de serpentes, das quais 18 são consideradas peçonhentas. Mas você sabe quais delas são as mais venenosas? O Grupo Rede Amazônica conversou com o biólogo Adriano Martins, especialista em herpetologia, que explicou características que destacam a Jararaca-da-Amazônia (Bothrops atrox), Surucucu-pico-de-jaca (Lachesis muta) e Coral-verdadeira (Micrurus spp.) como as cobras mais perigosas e temidas da região.

Leia também: Portal Amazônia responde: Cobra e serpente são diferentes?

Segundo Adriano, as cobras venenosas têm glândulas que produzem veneno e dentes especiais que conseguem injetá-lo, o que pode causar acidentes. Na Amazônia, três delas lideram a quantidade de acidentes ofídicos.

Jararaca-da-Amazônia (Bothrops atrox)

A Bothrops atrox é a principal causadora de acidentes ofídicos em Rondônia e em toda a Amazônia brasileira. É uma serpente de hábitos terrestres, geralmente encontrada em áreas de floresta, margens de rios, roçados e até mesmo em áreas urbanas periféricas.

Saiba mais: Conheça as cobras mais encontradas em áreas urbanas da Amazônia e entenda os perigos

Veneno: proteolítico e coagulante, causa dor intensa, inchaço, necrose, sangramentos e, em casos graves, choque e insuficiência renal.

Comportamento: geralmente noturna, pode atacar se ameaçada ou surpreendida.

Importância médica: representa mais de 70% dos acidentes ofídicos na região.

Jararaca-da-Amazônia também é conhecida como jararaca-do-norte. Foto: Vanessa Gama/MUSA

Surucucu-pico-de-jaca (Lachesis muta)

Conhecida por ser a maior serpente peçonhenta das Américas, podendo ultrapassar 3 metros de comprimento, a surucucu é rara e perigosa. Vive em áreas de floresta densa e pouco alterada, sendo mais difícil de ser encontrada.

Veneno: semelhante ao da jararaca, com ação hemorragia e necrose, mas também com efeitos cardiovasculares (hipotensão).

Comportamento: pode vibrar a cauda como forma de alerta. Costuma evitar o contato humano.

Curiosidade: ao contrário da maioria das serpentes peçonhentas da América do Sul, a Lachesis é ovípara (bota ovos).

Surucucu-pico-de-jaca é vista com menos frequência na natureza. Foto: Willianilson Pessoa/Arquivo pessoal

Coral-verdadeira (Micrurus spp.)

As corais verdadeiras são serpentes de pequeno porte, coloração vibrante (anéis vermelhos, pretos e brancos), e comportamento discreto. Apesar de não serem responsáveis por muitos acidentes, seu veneno é altamente tóxico.

Veneno: neurotóxico, age diretamente no sistema nervoso, podendo causar paralisia muscular e respiratória.

Comportamento: fossorial (vive enterrada), tímida e raramente entra em confronto com humanos.

Perigo: acidentes são raros, mas potencialmente letais se não tratados rapidamente.

Coral-verdadeira (Micrurus frontalis) é considerada a cobra mais letal do Brasil, pela toxicidade de seu veneno. Foto: Josh Vandermeulen/iNaturalist

Onde vivem as serpentes?

O estado de Rondônia, na região Norte do Brasil, é reconhecido por sua expressiva diversidade biológica, integrando o bioma amazônico, um dos ecossistemas mais ricos do planeta. É nessa diversidade de ambientes que vivem as serpentes.

Segundo Adriano, elas estão nos mais variados nichos ecológicos, como florestas densas, áreas alagadas, campos abertos e bordas de matas.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

“Por conta disso, a maioria dos acidentes ocorrem em áreas rurais, durante atividades como a agricultura, coleta de frutos, caça ou pesca”, explica o especialista.

Apesar do risco do contato direto com essas espécies, Adriano ressalta que as serpentes são fundamentais para o equilíbrio da natureza, sendo responsáveis pelo controle natural de pragas, além de servirem como alimentos para aves de rapina, felinos e outros.

“A extinção dessas espécies causaria desequilíbrio na cadeia alimentar. Sem serpentes, populações de roedores, por exemplo, cresceriam descontroladamente, afetando plantações e a saúde pública”, afirma.

Contribuições à ciência

As serpentes peçonhentas contribuem significativamente para a ciência. Atualmente, elas auxiliam no desenvolvimento de medicamentos anti-hipertensivos, como o captopril, derivado do veneno de jararaca.

Segundo Adriano, também há estudos em andamento sobre o uso de venenos para promover a coagulação e a regeneração tecidual, além de pesquisas sobre o uso das neurotoxinas para tratar doenças neurológicas e dores crônicas.

Leia também: Guia ilustrado de serpentes da Amazônia encanta crianças e até pesquisadores

Cuidados ao acessar áreas de mata

Entre as maneiras mais eficientes de evitar acidentes com serpentes peçonhentas estão:

  • Usar botas e perneiras;
  • Caminhar com atenção, evitando folhas secas e troncos caídos;
  • Não colocar as mãos em buracos ou sob pedras;
  • Evitar sair à noite em áreas de mata densa;
  • Manter-se atento ao ambiente e evitar manusear serpentes.

Orientações do que fazer caso seja picado por uma cobra:

  • Lavar o local da picada com água e sabão
  • Ficar deitado com o membro picado elevado
  • Afastar-se da cobra
  • Tentar ficar calmo e parado
  • Retirar qualquer joia, acessório ou roupa apertada da área mordida
  • Não cortar, furar, fazer compressas ou torniquetes no local da mordida
  • Não usar nenhum medicamento local ou por via oral, na tentativa de aliviar os sintomas
  • Manter a pessoa hidratada
  • Procurar o serviço médico mais próximo
  • Se possível, leve o animal ou tente tirar uma foto da cobra para que ela possa ser identificada.
  • É recomendado o repouso de 10 à 14 dias após a picada de cobra.

*Por Agaminon Sales, da Rede Amazônica RO

Sem floresta, não há água: o alerta que o Brasil precisa ouvir

0

Foto: Olímpio Guarany/Acervo pessoal

Por Olímpio Guarany

Os dados divulgados nesta semana pelo INPE revelam uma verdade incômoda: o desmatamento voltou a crescer na Amazônia. A área sob alertas de desmatamento aumentou 92% em maio, comparado com maio/2024, atingindo 960 km². Após meses de tímidos sinais de desaceleração, o ritmo da destruição aumentou — e com ele, a urgência de repensarmos nossas escolhas.

A floresta não é apenas um conjunto de árvores. É um sistema vivo, pulsante, que regula os ciclos da água e do clima em grande parte do território brasileiro. Cortar a floresta é secar o futuro.

A máxima “sem floresta, não há água” não é retórica — é ciência. O bioma amazônico produz seus próprios rios voadores: massas de umidade que se formam a partir da evapotranspiração das árvores e que alimentam as chuvas em todo o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Quando a cobertura vegetal é destruída, esse ciclo se rompe. E o que vem depois é estiagem, colapso hídrico, perdas na agricultura, impacto direto na vida das pessoas.

Não é por acaso que, mesmo com o atual período de chuvas, especialistas já alertam para o risco de uma estiagem severa no segundo semestre. Os sinais estão aí — visíveis no leito mais baixo dos rios, no atraso das chuvas, na instabilidade do clima. E os dados do INPE apenas confirmam que não estamos fazendo o suficiente para mudar essa rota.

Seca na Amazônia. Foto: Reprodução/Arquivo Rede Amazônica

Preservar a floresta não é um gesto simbólico. É uma estratégia de sobrevivência.

É preciso retomar com força os programas de controle do desmatamento, apoiar as comunidades que protegem a floresta de dentro para fora, e, sobretudo, construir uma governança das águas que integre ciência, saberes tradicionais e vontade política.

A Amazônia não precisa de discursos. Precisa de compromisso.

Cada hectare preservado é um reservatório de chuva que se mantém.

Cada nascente protegida é uma comunidade que segue viva.

Os povos da floresta, os cientistas e os movimentos sociais já entenderam isso. Falta o restante do país entender também. Porque a Amazônia não é um problema distante — é o centro da vida brasileira.

Ainda dá tempo. Mas o relógio corre.

E o futuro — como a água — pode escorrer pelas nossas mãos.

Sobre o autor

Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). Atualmente é apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.

*O conteúdo é responsabilidade do colunista

Festival dos Povos da Floresta encerra primeira etapa em Porto Velho: cultura viva

0

Festival contou com 11 dias de programação. Foto: Divulgação/Rioterra

Após 11 dias de intensa programação artística e formativa, o Festival dos Povos da Floresta concluiu sua estreia em Porto Velho (RO) com um público estimado em 35 mil pessoas. Diversas atividades gratuitas – entre shows musicais, exposições, oficinas, apresentações indígenas e rodas de conversa – foram realizadas e o evento marcou o início de uma jornada nacional que reconhece e celebra a produção cultural viva, múltipla e contemporânea da Amazônia.

Leia também: ‘Festival Povos da Floresta’ quer conectar cultura amazônica com o Brasil e o mundo

Idealizado pelo Centro de Inovação da Amazônia Rioterra e apresentado pela Petrobras através do programa Petrobras Cultural, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal, o Festival dos Povos da Floresta se firma como uma iniciativa essencial para promover a justiça cultural e o protagonismo amazônico em escala nacional.

O evento propõe uma mudança de paradigma: a Amazônia não como um espaço apenas de preservação ou extração, mas como centro de criação e protagonismo cultural.

De acordo com a organização, esse tipo de iniciativa representa “um avanço concreto na valorização de artistas da floresta que, até então, tinham pouca ou nenhuma visibilidade fora de seus próprios territórios. Ao oferecer uma plataforma de alcance nacional, o Festival permite que suas vozes, sons, imagens e histórias alcancem novos públicos e circulem em contextos mais amplos”.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Para a população local, o evento também é transformador, pois gera pertencimento, promove o orgulho da identidade regional e amplia o acesso à cultura de qualidade, fortalecendo laços entre tradição e contemporaneidade.

Cantor Lenine participou do evento em Porto Velho. Foto: Divulgação/Rioterra

A programação diversa atraiu milhares de pessoas ao Palco Petrobras, com apresentações de artistas como Gabriê, Patrícia Bastos, Ernesto Melo, Nilson Chaves, Quilomboclada e dos povos Gavião, Arara, Aruá, Tupari e Zoró, além do show de encerramento com Lenine, que selou a conexão entre o Brasil urbano e as vozes da floresta.

Leia também: Em passagem por Porto Velho, cantor Lenine visita balneário: ‘Pronto pra semana’

Na exposição Juvia, encerrada em 8 de junho, o público teve acesso a um retrato plural da arte amazônica, com obras de artistas indígenas, coletivos locais e nomes consagrados como Gustavo Caboco e Paula Sampaio. Oficinas, vivências e rodas de conversa completaram a experiência, integrando formação de público, escuta ativa e fortalecimento de identidades coletivas.

Exposição Juvia em Porto Velho. Foto: Divulgação/Rioterra

Segundo Fabiana Gomes, diretora de projetos da Rioterra, “o impacto dessa primeira edição vai além dos números. Ele está na potência dos encontros, na visibilidade conquistada pelos artistas e mestres da floresta, e na abertura de caminhos para que a cultura amazônica seja reconhecida como parte central da identidade brasileira”.

Leia também: Festival dos Povos da Floresta celebra a diversidade amazônica em Porto Velho

Com uma trajetória itinerante, o Festival dos Povos da Floresta agora se prepara para sua próxima parada: Boa Vista (RR), onde seguirá promovendo intercâmbios culturais, protagonismo indígena e valorização dos territórios tradicionais.

As demais etapas ocorrerão em Macapá (AP), Belém (PA) e o encerramento será em Brasília (DF), consolidando um circuito cultural inédito e de alcance nacional. As datas ainda serão anunciadas.

“Ao reunir artistas, mestres da tradição e novos criadores, o Festival dos Povos da Floresta revela que a Amazônia é também um território de arte, invenção e futuro. É um Brasil que precisa ser escutado com atenção e respeito”, afirma a curadora Aline Moraes.

Redes comunitárias fornecem sementes do Xingu para restauração ambiental

0

Homem carregando saco de sementes. Foto: Reprodução/OTCA

Vera Oliveira, como toda amante da natureza, adora observar e ter contato com as plantas. Moradora de Nova Xavantina, Mato Grosso, essa ex-doméstica de 55 anos, encontrou, na coleta de frutos e sementes, não apenas uma forma de viver em contato com o meio ambiente, como também sua única fonte de renda.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

“Eu me criei na fazenda. Quando a gente era pequenininho, papai sempre ensinava o nome das árvores. Então eu já tinha um conhecimento da natureza e gostava muito de sair andando pelo mato”, conta Vera.

Há quase uma década, Vera começou a trabalhar junto com uma rede de coletores na região do Xingu, que, juntos, fornecem sementes para projetos de restauração florestal.

Leia também: Coleta de frutos e sementes oleaginosas movimenta economia na Ilha das Cinzas

Redes comunitárias fornecem sementes
Colheita de sementes em Porto Velho. Foto: Felipe Ribeiro/Prefeitura de Porto Velho

“Faço essas coletas dentro da cidade, na área urbana e área rural também, na beira de estrada. A gente vai até Pindaíba, que é uma cidade mais próxima, até perto de Água Boa, Campinápolis. E a gente coleta também nessas redondezas, nas fazendas”, conta.

Ela é uma das 700 pessoas que coletam para a Rede de Sementes do Xingu (RSX), rede que nasceu em 2004, a partir de uma campanha para restaurar as margens degradadas do rio Xingu, que nasce entre as serras do Roncador e Formosa, no Mato Grosso, e desemboca próximo à foz do rio Amazonas, no estado do Pará. Nesse trajeto, flui pelos biomas do Cerrado e da Amazônia.

“A Rede de Sementes do Xingu surge como resultado da busca por uma solução para cuidar da saúde do rio. O que a gente podia ser feito para cuidar da saúde do Rio? Plantar às margens e nas cabeceiras do rio. E para plantar, era preciso ter sementes”, conta Lia Domingues, da coordenação da rede.

Em 2007, a campanha, coordenada pelo Instituto Socioambiental (ISA), se transformou em uma rede de sementes que, com o passar do tempo, passou a fornecer esse material também para empresas, fazendeiros e instituições interessadas em realizar restaurações florestais.

Leia também: Estudo sobre sementes busca auxiliar restauração da Amazônia e do Cerrado

...
Sementes. Foto: Ronaldo Rosa/VALE

A proposta da rede é fornecer insumos para restaurações realizadas a partir da semeadura de uma mistura de sementes de diferentes espécies, técnica conhecida como “muvuca de sementes”. Uma vez coletadas e entregues aos compradores interessados na restauração ambiental, as sementes misturadas são espalhadas pelo terreno a ser restaurado.

“O modelo de plantar com mudas, que é uma técnica possível de restauração ecológica, não apresentava bons resultados aqui na região. Então o pessoal começou a experimentar uma outra técnica, que é a semeadura direta de muvuca de sementes”, conta Lia.

O trabalho é feito ao longo de todo o ano. No início de cada ano, os coletores, que se estruturam em diferentes grupos, informam à coordenação da rede, qual é o potencial de coleta daquele ano, em relação tanto às espécies quanto à quantidade de sementes.

A rede então cria um catálogo de sementes disponíveis, que são repassados aos interessados nas restaurações ambientais. A partir das encomendas feitas pelas empresas, fazendeiros e outras instituições, os coletores passam alguns meses recolhendo as sementes.

Leia também: Coleta de sementes é essencial para restauração da floresta amazônica

Restauração

Depois da coleta, essas sementes são separadas por espécie e, posteriormente, misturadas em lotes de muvucas, que estão prontas para serem dispersadas no solo.

“Esse plantio imita muito o processo natural do meio ambiente. As espécies nascem quando há um ambiente propício para isso. Não é como a muda que a gente coloca lá e acaba tendo uma grande mortalidade. [Na semeadura por muvuca], a gente joga todos os grupos funcionais de espécies e, conforme encontram o ambiente propício, vão crescendo no seu melhor momento”, explica a engenheira florestal e mestra em Ecologia e Conservação, Aline Ferragutti.

Sementes de açaí. Foto: divulgação

Aline trabalha como analista técnica do Redário, projeto do Instituto Socioambiental que articula 27 redes de sementes dos biomas da Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, entre elas a RSX.

Ela explica que, como a mistura de sementes inclui espécies com diferentes formas e ciclos de vida, o processo de restauração por meio da muvuca simula uma regeneração que a própria natureza faria, de forma mais demorada, se tivesse oportunidade.

Fazem parte da mistura, por exemplo, espécies sazonais como o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), feijão-guandu (Cajanus cajan), abóbora (Cucurbita sp.), gergelim (Sesamum indicum) e girassol (Helianthus annus). A maioria dessas espécies nem sequer é nativa do Brasil, mas elas germinam mais rápido e servem para impedir a profusão de outras plantas que atrapalham o processo de restauração, como capins invasores africanos.

E, como são espécies de ciclo de vida curto, que dura alguns meses, elas não permanecerão na vegetação permanente. Uma vez finalizado seu ciclo de vida, seu material orgânico ajuda a adubar o solo, contribuindo para a germinação das sementes de espécies nativas, que também integram a muvuca de sementes e que permanecerão no local.

O que acontece em seguida é um processo de sucessão ecológica natural. As plantas que crescem primeiro criam um ambiente para que outras possam germinar e prosperar.

“Além da facilidade na implantação, da possibilidade de inserir espécie de diferentes ciclos de vida, como arbustos e ervas, na restauração e do grande número de plantas estabelecidas por área, uma das vantagens da semeadura é que, diferente do plantio de mudas, as espécies não são plantadas do mesmo tamanho no mesmo momento. Primeiro há a germinação da adubação verde, que fará a cobertura do solo e deixará ele mais rico para o estabelecimento das demais espécies, seguido das pioneiras e secundárias, conforme a sucessão ecológica.”, afirma Aline.

Empresas

Em 2024, as redes comercializaram, com a ajuda do Redário, 18,5 toneladas de sementes de 186 espécies. Mas nem todas as negociações com empresas restauradoras ocorrem através do Redário.

No ano passado, a RSX comercializou, de forma independente, uma quantidade considerável de suas sementes coletadas. No total, a rede forneceu 30 toneladas, ou seja, até mais que o próprio Redário.

Sementes diversas. Foto: Divulgação

Para as empresas, a compra de sementes dessas redes é uma forma eficaz e barata de fazer a restauração de áreas degradadas. Por meio de um projeto do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), chamado de Floresta Viva, a empresa de energia Energisa aproveitou para restaurar 700 hectares de vegetação nativa na região do Xingu.

“A gente tem uma atuação muito forte dentro da Amazônia e a gente direcionou o nosso foco para esse bioma. Apesar de a gente ter um negócio que dialoga muito com a transição energética, a gente sabe que existem impactos. A nossa existência [como pessoa] gera impacto, imagina um negócio. Então a ideia é mitigar aquilo que que está gerando impacto negativo”, afirma a coordenadora de Gestão da Sustentabilidade da empresa, Michelle Almeida.

Renda

Além de fornecer insumo para instituições interessadas na restauração ambiental, as redes de sementes têm um outro lado, a geração de renda para famílias de indígenas, quilombolas, agricultores familiares e até mesmo moradores de cidades, como é o caso da dona Vera, do início da nossa reportagem.

“Tem famílias hoje em dia que têm, na renda das sementes, a maior renda deles. Tem pessoas que conseguiram comprar carros. As indígenas falam muito que hoje elas conseguem usar óculos, porque elas conseguem na cidade comprar os seus óculos para ter conseguir trabalhar e viver melhor”, explica Aline.

Segundo Lia Domingues, a coleta de sementes não apenas gera renda para as comunidades, mas como impacta outras dimensões da vida dessas pessoas.

“A gente está fazendo um levantamento agora com as mulheres de como a rede de sementes cria redes de afeto e de amizade, elas aprendem muitas coisas novas, muitas delas desenvolvem qualidade de liderança, elas viajam, tem uma dimensão espiritual da coleta também, sobretudo dentro das comunidades indígenas. É bom para saúde mental delas”.

Dona Vera conta que hoje a coleta de sementes e frutos garante a segurança financeira de sua família.

“Quando eu parei de trabalhar como doméstica, minha filha achou que a gente ia passar fome. Com as sementes, eu consegui comprar uma bicicleta nova, depois uma moto e um carro. E também arrumei minha casa. Foi aí que minha filha passou a acreditar que a gente não ia mais passar fome”.

*Com informações da Agência Brasil

Empreendedora roraimense transforma cera de abelha em arte, negócio sustentável e até terapia

Artesã Jadiça Iris Alves trabalha com cera de abelha. Foto: Carlos Barroco/Rede Amazônica RR

Há mais de 20 anos, a empreendedora e artesã Jadiça Iris Alves encontrou na cera de abelha italiana uma maneira de empreender em Boa Vista (RR). Pioneira no uso do material, cria peças artesanais, entre elas flores, bijuterias e até licores, para garantir renda própria e até como terapia para encarar o luto da perda do marido. No ateliê, montado em casa, Jadiça mantém o negócio sustentável e inovador, o “Império do Mel”.

A artesã garante o sustento com a cera de abelha e lucra, em média, R$ 1.800 por mês. Os produtos chegam a clientes em Roraima e também em estados do Nordeste, incluindo Pernambuco e Maranhão.

O trabalho começa na cozinha de casa, com a cera sendo aquecida na panela. É o início da produção artesanal que Jadiça realiza há mais de duas décadas. O material vem do favo de mel, por isso é chamado de cera de abelha.

Leia também: Própolis de abelha nativa da Amazônia cicatriza feridas e reduz inflamação

Na panela, a cera é derretida e depois despejada sobre uma tábua para resfriamento. Ao raspar a superfície, surgem as placas de cera prontas para serem moldadas com ferramentas em diferentes formatos.

Arranjos feitos pela artesã Jadiça Iris Alves, em Boa Vista. Foto: Carlos Barroco/Rede Amazônica RR

Jadiça usa as placas para criar pétalas de rosa ou moldes em formato de folha, dependendo da peça que está fazendo. Após os retoques, a peça final vai para as prateleiras, onde estão reunidos outros produtos feitos com a mesma técnica. Há itens de diversos tamanhos e usos, além de licores produzidos a partir do mel de abelha.

“Tem os vasos decorados, tem os arranjos e tem também o licor de mel que eu faço, de sete ervas, gostam muito”, conta, explicando detalhadamente como é o processo criativo das peças.

“Tem que ir para o fogo em banho Maria para poder derreter a cera. Tem que derreter ela porque não pode botar diretamente na panela. Agora para ficar assim tem que aviolar [dar forma ou textura à cera]”, resumiu Jadiça.

Apoio emocional diante do luto

No ateliê, Jadiça produz velas, porta joias, brincos, ímã de geladeiras – uma infinidade de produtos. A cera de abelha, matéria-prima fundamental para os itens, ela adquire numa cooperativa do estado.

O trabalho, além de atrair clientes pela maneira como é feito, também a ajudou emocionalmente quando, há dois anos, o marido Aroldo Batista faleceu. Ele fazia uma cirurgia de ponte de safena no coração e não resistiu.

“Perdi meu marido e minha terapia foi mais o artesanato. É uma terapia muito grande, se não for esse, faço outro tipo de artesanato. Na época da Covid mesmo, na pandemia, trabalhei os dois anos direto em casa com artesanato e isso ajudou muito” , lembrou.

Juntos, o casal teve dois filhos e um casal de netos. O trabalho foi um dois pilares que a sustentou sã: “Ajudou muito, muito, muito”, frisou.

A psicóloga clínica Alessandra Augusto, que é pós-graduada em Terapia Cognitiva Comportamental e em Neuropsicopedagogia, explica que fazer trabalhos artísticos como os de Jadiça pode ser uma ferramenta terapêutica no luto, tendo em vista que proporciona uma maneira criativa e produtiva de lidar com o sofrimento e a perda.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

“O trauma nos cala. E o artesanato e a arte acaba falando, acaba sendo uma forma de você expressar essa fala. Ajuda a transformar essa dor, dando cor, fazendo essa criação. Então, é muito válido nas questões do trauma, para uma ressignificação. Principalmente na separação e no luto”, explicou.

Alessandra ainda acrescentou que esses trabalhos mais manuais funcionam como meditação ativa e ajudam pacientes que estão com estado de ansiedade, além de auxiliar na autoestima.

Jadiça no ateliê com as peças que produz a partir da cera de abelha. Foto: Carlos Barroco/Rede Amazônica RR

“Quando o paciente presencia a obra feita e finalizada se sente mais capaz, consegue entender a força, talento e esforço que tem e isso melhora muito a autoestima”, reforçou a psicóloga.

E trabalhar com a cera, para a Jadiça, é mais que artesanato: é uma maneira como ela consegue explorar a própria criatividade pôr em prática sempre novas ideias. “Penso em criar mais artes com a cera. É muito importante e é uma coisa diferente. É um trabalho inédito”.

Desafios do empreendedorismo feminino

O empreendedorismo feminino ainda enfrenta dificuldades para avançar. Isso porque elas ainda enfrentam desafios situações cotidianas ter jornadas triplas como obrigações diárias, tanto como empreendedoras, como mães, como donas de casa, conforme o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebre) em Roraima. Diante disso, a instituição oferta oferta o projeto “Sebrae Delas”, que é um programa específico para encarar as dificuldades e fazer com que mulheres saiam informalidade.

“É exclusivo para mulheres. Nós incentivamos o empreendedorismo feminino com mulheres já formalizadas e também com mulheres que já empreendem mas ainda não têm seu negócio formalizado. É um projeto que vem pra trazer capacitação, consultorias, acesso ao mercado, feiras e muitas outras soluções do empreendedorismo para essas mulheres”, explicou Kamyla Brasil, Gestora do projeto Sebrae Delas.

*Por Carlos Barroco e Rânia Barros, da Rede Amazônica RR

‘Concerto de Quintal’: documentário de Rondônia é selecionado para festival internacional

0

Documentário Concerto de Quintal. Foto: Divulgação

O documentário Concerto de Quintal, produzido em Rondônia, foi um dos selecionados para a 17ª edição do Festival Internacional do Documentário Musical (In-Edit Brasil), que acontece entre os dias 11 e 22 de junho, em São Paulo.

A produção teve sua primeira exibição gratuita no dia 16 de abril, no Mercado Cultural de Porto Velho. O filme nasceu a partir de uma pesquisa aprofundada sobre a música produzida na capital rondoniense, destacando suas influências, transformações e a construção da identidade sonora local ao longo do tempo.

Leia também: Boto, Matinta Perera e Curupira: conheça documentário sobre lendas amazônicas produzido em Rondônia

Ao Grupo Rede Amazônica, o diretor do filme, Juraci Júnior, informou que é a primeira vez que vai participar de um festival. A história se constrói a partir de uma paixão pela memória musical da cidade e do desejo de preservar e valorizar o patrimônio cultural local.

“O que nos motivou a contar a história da música de Porto Velho é o fato de que nós sempre olharmos com muito carinho e afeto para a memória da cidade. E a música tem um papel importantíssimo, ela pauta gerações, ela conta histórias, ela apresenta a cidade no decorrer dos anos, das décadas e de uma maneira artística”, disse.

De acordo com Juraci, o filme se aprofunda graças ao acervo raro guardado pela família do músico Silvio Santos, o Zé Katraca. Silvinho, seu filho, preservou fitas cassete com gravações inéditas, que mostram a riqueza cultural da região. O documentário acompanha Silvinho buscando se reconectar com a memória do pai.

“Ele ganha um corpo mais robusto com o acervo de fitas cassete do Silvinho Santos, filho do Silvio, com composições inéditas e encontros dos anos 80 e 90. O filme parte dessa memória de um filho que busca se reconectar com o pai pela música”.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Festival In-Edit Brasil

O In-Edit Brasil é um festival internacional de documentários musicais que tem como objetivo valorizar e divulgar produções audiovisuais com a música como tema central. Criado em 2003, em Barcelona (Espanha), o festival chegou ao Brasil em 2009 e, desde então, se consolidou como uma das principais vitrines do gênero no país.

Nesta 17ª edição, o Panorama Brasileiro apresenta estreias e filmes inéditos em cinco mostras diferentes. Entre os destaques, estão documentários sobre artistas como Cazuza, Leci Brandão, Letieres Leite, Julio Reny, Aldo Bueno, Hyldon, Ave Sangria e Azulão. A programação também inclui produções dedicadas a nomes cultuados da música brasileira, como Júpiter Maçã, Cachorro Grande, Maria Alcina e Toquinho.

*Por Amanda Oliveira, da Rede Amazônica RO

Phelippe Daou Júnior: a trajetória de um empresário das comunicações na Amazônia

Phelippe Daou Júnior, CEO do Grupo Rede Amazônica. Foto: Reprodução/LinkedIn

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

A trajetória do empresário das comunicações Phelippe Daou Júnior é reveladora de seus múltiplos compromissos com a vida e com a Amazônia, ancorado no trabalho por dias melhores trazendo consigo a experiência acumulada nos ensinamentos de seu pai.

Nasceu em São Paulo, Estado de São Paulo, no dia 31 de maio de 1965, é filho do também empresário das comunicações jornalista Phelippe Daou e da senhora Magdalena Arce Daou. Trilhou os primeiros caminhos do conhecimento no Jardim da Infância Adalberto Valle, tendo continuado os estudos no Colégio Militar de Manaus, logo transferindo-se para São Paulo, onde formou-se em Engenharia Eletrônica, pela Escola de Engenharia Mauá, com ênfase na área de Telecomunicações.

Ainda nesta trajetória participou dos cursos em Telefonia, Engenharia de Programas, Sistemas de Comunicação de Dados, Codificação e Tecnologia da Informação e Engenharia de Software.

Sua determinação em busca da conquista do conhecimento já estava presente em sua vida desde a adolescência, destacando-se sempre com boas notas. Assim, graduou-se também, no curso do Programa de Direção Estratégica de Tecnologia da Informação, na Escola de Administração de Empresas, de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, concluiu MBA em Gestão Financeira e Estratégias Corporativas na mesma Instituição. 

Formatura no Jardim da Infância. Foto: Acervo de família

Phelippe Daou Júnior compreendeu os ensinamentos de seus pais do poder de transformação conquistado através do saber, do triunfo e da vontade de vencer. Sua vida é alicerçada na crença de que o maior patrimônio que poderia legar aos seus filhos é o conhecimento. Jovem e empreendedor defende a convicção de que o homem é o mestre de seu próprio destino, o grande homem olha o mundo e percebe que há nele a presença de algo que o desafia a uma nova missão.

A história da ocupação do espaço amazônico está ligada a certos aspectos e ao crescimento demográfico resultante do “rush” do látex. Foi um período importante no processo econômico e social como expressão de soberania da Amazônia, na produção da goma elástica. Hoje podemos destacar que as comunicações são, sem dúvida, um lugar comum na história econômica do território amazônico. 

Phelippe Daou Junior aos 3 anos de idade. Foto: Acervo de família

Com mais de três décadas de trabalho no Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior contribuiu efetivamente para a implantação da expansão das emissoras de rádio e televisão pertencente ao Grupo, em especial na ativação da TV Cruzeiro do Sul (AC), da Rádio Amapá FM (AP), da Sucursal de Brasília (DF) e do Amazon Sat em 1992. Participou efetivamente na reestruturação técnica e administrativa da TV Acre em 1995, o mesmo ocorrendo com a TV Roraima em 1996. Sua dedicação e trabalho, na busca de dias melhores foi escolhido para gerenciar a ‘Serviços de Comunicação da Amazônia’ (SCAM), empresa a época responsável pela prestação de serviços de internet, paging e trunking.

É nesse ambiente de efervescência econômica e das comunicações que sai na frente na implantação de uma das maiores ferramentas de comunicação via internet da Amazônia, implantando efetivamente o Portal Amazônia, hoje com milhares de acessos e com grandes nomes de intelectuais que semanalmente postam seus textos no Portal Amazônia.

Também foi o responsável pela reestruturação técnico-administrativa do Centro de Documentação da Amazônia (CEDAM), então departamento que era responsável pela gestão e armazenamento de todo conteúdo produzido pelo Grupo Rede Amazônica, e da antiga Amazon Video Graphics (AVG). 

Phelippe Daou Júnior com a professora no Colégio Adalberto Valle. Foto: Acervo de família

É neste contexto, que o empresário Phelippe Daou Júnior já contribuiu de forma notável e empreendedora como CEO do canal de televisão Amazon Sat, empresa produtora e distribuidora de conteúdos sobre a região amazônica, cuja proposta de valor é ser “A Cara e a Voz da Amazônia e do Amazônida”, bem como hoje ainda é visionário e sonhador.

Phelippe Daou Júnior é um empreendedor preocupado com a ocupação das comunicações da Amazônia e agora encontra-se atuando em quase toda Amazônia legal. 

Phelippe Daou Júnior, Magdalena Arce Daou e Phelippe Daou. Foto: Acervo de família

Phelippe Daou Júnior sempre se destacou pelo seu perfil intelectual multifacetado como administrador no ramo das comunicações.

Atualmente dedica seu tempo efetivamente como CEO do Grupo Rede Amazônica, a maior empresa de comunicação da Amazônia, cuja proposta de valor é defender a Amazônia e os Amazônidas, um legado compromisso defendido e deixado pelo seu pai, o jornalista Phelippe Daou.

Aniversário de 5 anos, Phelippe Daou Júnior e Cláudia Daou. Foto: Acervo de família

Fruto do seu esforço e dedicação à Amazônia, seu trabalho tem merecido a atenção de entidades e instituições dedicadas à cultura, valendo-lhe o reconhecimento, já recebeu, entre tantas, as seguintes homenagens: 

  • Comenda da Ordem do Mérito Comercial da Amazônia no Grau de Oficial.
  • Medalha do Mérito Empresarial – J. G. Araújo.
  • Medalha do Mérito Cultural Péricles de Moraes da Academia Amazonense de Letras.
  • Medalha Amigo da Marinha.
  • Medalha Almirante Tamandaré – Ministério da Marinha.
  • Medalha do Mérito Senador Bernardo Cabral da Associação de Delegados de Polícia do Estado do Amazonas.
  • Medalha Grandes Amazônidas da Associação PanAmazônia.
  • Medalha do Prêmio Samuel Benchimol.
  • Medalha do Mérito dos Lojistas – CDL Manaus.
Phelippe Daou Júnior, aluno Coronel do Colégio Militar de Manaus. Foto: Acervo de família
  • Reconhecimento Honoris Causa – Humanitare das Nações Unidas.
  • Mérito Cultural do Conselho Municipal de Cultura.
  • Mérito Cultural da Assembleia Legislativa do Amazonas.
  • Diploma de Reconhecimento por Serviços Prestados ao Estado do Acre – Governo do Estado do Acre.
  • Mérito Cultural da Câmara Municipal do Macapá.
  • Mérito Cultural da Câmara Municipal de Rondônia.
  • Mérito Cultural na Comunicação Científica, tecnológica e inovadora na Amazônia – INPA.
  • Mérito Cultural FUCAPI.
  • Mérito Ambiental do Instituto Brasileiro de Defesa da Amazônia.
  • Medalha Amigo da Marinha – Comando do 9° Distrito Naval.
  • Moção de Louvor e Reconhecimento da Câmara Municipal de Rio Branco – Acre.
  • Diploma amigo do CMA.
  • Título de Cidadão de Rio Branco – Acre (cidadania Riobranquence).
  • Diploma e Medalha Exército Brasileiro Ação destacada em prol do interesse do Exército Brasileiro.
  • Placa do Reconhecimento Maçônico da Grande Benemérita Loja Simbólica União e Perseverança do Oriente de Rondônia.
  • Placa de Moção de Aplausos pela colaboração, parceria e reconhecimento aos relevantes trabalhos realizados na área de comunicação, bem como em prol da Maçonaria Rondoniense e Universal do Grande Oriente do Brasil – Rondônia.
  • Medalha e Diploma Tiradentes da Polícia Militar do Estado do Amazonas.
  • Grande Loja Maçônica do Estado de Rondônia. Comenda Jorge Teixeira de Oliveira.
  • Diploma amigo do Colégio Militar de Manaus.
  • Diploma da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas.
  • Título de Cidadão Itacoatiarense, Itacoatiara – Amazonas.
  • Título Notável Saber Concedido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas – CIESA.
  • Certificado de Honra ao Mérito Concedido pela Câmara Municipal de Manaus por Relevantes Serviços Prestados a Cidade.
  • Ordem do Mérito da Jaqueira.
  • Ordem do Mérito do Trabalho Getúlio Vargas – Comenda no Grau de Oficial.
  • Medalha do Centenário da Academia Amazonense de Letras.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Amazonas: carências e vulnerabilidade de ontem e de hoje

0

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

“O Amazonas enfrenta grandes desafios a partir da necessidade de criação de uma estrutura nos municípios que faça com que quem lá habite tenha orgulho de estar lá, quem esteja lá não sinta a necessidade de migrar para a capital do Estado a fim de poder oferecer a seus filhos ensino médio de qualidade moldado na inclusão digital, infraestrutura de conectividade que, acima de tudo, aproxima as pessoas, muda a realidade e proporciona bem estar. Imagine-se se tivéssemos uma estrutura de conectividade de excelência, em que o cidadão pudesse ter acesso expedito a serviços de telessaúde; em que um adolescente, cursando, no interior, o ensino médio que lhe permitisse acesso a módulos de preparação para o sistema de avaliação da Universidade Estadual ou Federal. Certamente, em tais circunstâncias, o êxodo rural em direção a Manaus não teria a expressão demográfica de hoje, resultando na superpopulação da cidade a pressionar serviços de educação, saúde pública, saneamento básico, infraestrutura viária, transporte, etc”.

Estas preocupações foram manifestadas pelo vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza, em entrevista recente à rádio BandNews, quando esboçou realístico quadro conjuntural político, social e econômico do Estado. Para ele, o grande desafio da classe política é fazer com que haja uma estrutura mínima no interior do Estado, observando: “não se vive sem o arranjo econômico industrial criado há mais de cinco décadas (a Zona Franca de Manaus), que ora demanda diversificação por meio de outros veios, de alternativas complementares e integrantes voltadas ao fortalecimento do interior e da própria economia do Estado”. Se o Amazonas tivesse em operação o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), por exemplo, na região do Purus e do Madeira, certamente conseguiríamos diminuir o arco do desmatamento e potencializar as vocações naturais da região por meio de atividades agropecuárias, da piscicultura, da mineração, do turismo ecológico ou do manejo florestal sustentável, ressaltou.

O vice-governador amazonense propõe a definição de regras técnicas a partir da regularização fundiária e da estrutura de fiscalização ambiental que respeite a necessidade de expansão das atividades rurais por meio da legalização das propriedades e de programas de crédito especializado. Enquanto isso, afirma, “devido a essas carências, convivemos com um setor primário bastante limitado dependente de políticas públicas ajustadas à conjuntura que nos ajudaria a sair dessa perplexidade, que é comprar fécula de mandioca do Pará; proteína de peixe de Rondônia e de Roraima ou cheiro verde, numa determinada época vindo do Nordeste”.

Tadeu de Souza observa cotidianamente, por outro lado, “esforço da Secretaria de Meio Ambiente e da Sedecti trabalhando para vencer esses desafios, sem, contudo, contar com espaço fiscal, orçamentário, visto tratar-se de políticas públicas muito dispendiosas”. Enquanto isso, “o Estado consome orçamento com demandas políticas algumas vezes desconectadas da necessidade de melhorar a vida das populações interioranas”. Além do mais, inserida numa realidade latente em todo o país, grave e crescente proliferação de organizações criminosas a contaminar setores estratégicos.

Dos 27 estados da federação, o Amazonas depara-se com uma particularidade importante: faz fronteira com os três únicos países do mundo produtores de drogas, os países andinos, de onde provêm 75% de toda a cocaína e maconha que chega à Europa, à Ásia e aos Estados Unidos por meio das hidrovias amazonenses. Portanto, ressalta, “o arranjo de segurança pública, as forças domésticas, não são suficientes para o efetivo combate do tráfico e assim precisa urgentemente ser socorrido pelo governo Federal por meio de uma estratégia nacional de segurança pública”. Há áreas no Brasil em que o crime nunca antes chegou a dominar, como a área financeira, as fintechs, hoje, porém, seriamente contaminadas por organizações criminosas”, ressalta.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Governo do Peru anuncia criação de área protegida em floresta de Putumayo

Foto: Divulgação/Agência Andina

O Governo peruano emitiu o Decreto Supremo nº 010-2025-MINAM estabelecendo a Área de Conservação Regional (ACR) do Médio Putumayo Algodón, localizada na província de Putumayo, região de Loreto, na Amazônia peruana, no dia 6 de junho. Nesse sentido, o Ministério do Meio Ambiente (MINAM) destacou que a iniciativa foi promovida pelo Governo Regional de Loreto e contou com o apoio técnico do Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (Sernanp), refletindo o trabalho colaborativo entre ambos os níveis de governo.

Com esta designação, Loreto adiciona sua quinta área de conservação regional e, junto com Cusco, consolida sua posição como uma das regiões com maior número de ACRs no país, demonstrando um forte compromisso com a proteção da biodiversidade, do conhecimento ancestral e dos meios de subsistência sustentáveis. O processo foi acompanhado de uma consulta prévia realizada entre junho e outubro de 2023, que envolveu 16 comunidades nativas dos povos Bora, Murui-Muinani, Ocaina, Kichwa, Maijuna, Yagua, Kukama e Secoya.

Leia também: Entenda a diferença entre Amazônia Legal, Internacional e Região Norte

O Ministério do Desenvolvimento Nacional e Meio Ambiente (MINAM) destacou que durante a Etapa de Diálogo, realizada em San Antonio del Estrecho, foram alcançados acordos históricos sobre a delimitação, zoneamento e cogestão da área, estabelecendo a inclusão de representantes indígenas no futuro Comitê Gestor.

ACR Médio Putumayo Algodón

Este ACR protege um extenso mosaico de florestas e também serve como um elo estratégico no Corredor de Conservação do Putumayo, uma paisagem transfronteiriça de mais de 3,5 milhões de hectares que conecta áreas protegidas no Peru, Equador e Colômbia.

Este corredor fortalece a resiliência às mudanças climáticas e garante a mobilidade de espécies emblemáticas como a onça-pintada, a ariranha, o peixe-boi da Amazônia e o gavião-real.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a porcentagem que os países da Amazônia Internacional possuem do bioma?

Foto: Divulgação/Agência Andina

O novo zoneamento respeita as atividades tradicionais das comunidades (pesca, caça de subsistência, coleta e silvicultura), que serão regulamentadas por meio de planos de gestão comunitária e monitoramento participativo, garantindo a sustentabilidade dos recursos. Da mesma forma, abre-se a possibilidade de implementar mecanismos de compensação por serviços ecossistêmicos e projetos de bionegócios, aumentando a renda direta das famílias locais.

Por fim, o Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais (MINAM) indicou que, com esta medida, o Peru caminha para atingir a meta 30×30, que busca conservar pelo menos 30% dos ecossistemas terrestres do planeta até 2030. Loreto, mais uma vez, está na vanguarda.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Números do ACR Medio Putumayo Algodón:

  • Área protegida: 283.594,76 ha (equivalente ao dobro da área da cidade de Lima)
  • Corredor Putumayo: mais de 3,5 milhões de hectares conectados entre Peru, Equador e Colômbia
  • Fauna em destaque: lobo-de-rio, peixe-boi-da-amazônia, onça-pintada, gavião-real
  • Processo participativo: 9 oficinas informativas e 1 encontro de diálogo com 16 comunidades nativas
  • Loreto e Cusco: regiões líderes em áreas de conservação regional no país.

*Com informações da Agência Andina