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Pela primeira vez, queimadas autorizadas e não autorizadas conseguem ser diferenciadas em Tocantins

Foco de queimada controlado. Foto: Fernando Alves/Governo do Tocantins 

Graças à inovação implantada em 2025 pelo Centro de Inteligência Geográfica e Gestão Ambiental (Cigma), órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), pela primeira vez, o Governo do Tocantins passou a classificar de forma sistemática os focos de queimadas e incêndios florestais com base na natureza da queima: prescrita, controlada ou não autorizada.

A nova metodologia cruza dados geoespaciais, autorizações emitidas por órgãos competentes e registros de campo, permitindo uma leitura mais precisa e contextualizada dos focos registrados.

“A medida representa um avanço na governança ambiental do fogo, diferenciando com clareza o uso legal e estratégico do fogo — utilizado, por exemplo, para manejo em unidades de conservação — das ocorrências irregulares ou não autorizadas”, explica o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Marcello Lelis.

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A iniciativa vem junto com outro resultado: de janeiro a maio deste ano, o estado registrou uma redução de 24,9% no número de focos, quando comparado ao mesmo período de 2024. Isto, apesar de o Estado apresentar, historicamente, uma tendência natural de aumento dos focos de calor a partir de março — especialmente por conta das condições climáticas favoráveis à propagação do fogo.

Foram registrados um total de 1.392 focos de queimadas este ano, de acordo com dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) contra 1.854 focos do ano passado.

O secretário do Meio Ambiente destaca que esse resultado positivo é reflexo direto de uma série de ações de planejamento, monitoramento e prevenção promovidas pelo Governo do Tocantins, por meio da Semarh, e em colaboração com outras instituições estaduais e federais. “O governo seguirá investindo em inovação, capacitação e monitoramento, promovendo uma gestão ambiental moderna e eficiente”, ressaltou.

  • O secretário ressalta ainda que o Estado tem adotado práticas de manejo integrado do fogo (MIF), com destaque para as ações de:
  • Queima prescrita – conduzida de forma técnica e autorizada dentro de unidades de conservação, como estratégia preventiva para a redução de incêndios florestais de grande porte;
  • Queima controlada – realizada por proprietários rurais que solicitam autorização prévia ao Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins),

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Cigma

De acordo com a análise do CIGMA, no período de janeiro a maio de 2025, cerca de 27,6% dos focos de queimadas registrados no Tocantins ocorreram de forma autorizada. Desses, aproximadamente 23,1% foram identificados como queima controlada e 4,5% como queima prescrita.

Segundo o coordenador do Cigma e professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Marcos Giongo, esses dados mostram que uma parcela importante dos registros está associada a atividades regulares devidamente autorizadas e fiscalizadas.

Com inovação implantada em 2025 pelo Cigma-Semarh, o governo do Tocantins passou a classificar os focos de queimadas e incêndios florestais com natureza prescrita, controlada ou não autorizada. Foto: Ana Alice/Governo do Tocantins

“Quando se observa especificamente o mês de maio, que concentrou o maior número de focos do ano até agora, essa proporção aumenta ainda mais: 34,6% dos focos ocorreram em áreas onde havia autorização para queima controlada ou onde estavam sendo conduzidas práticas de manejo do fogo, especialmente nas unidades de conservação”, explicou.

O coordenador destaca ainda que ao sistematizar e classificar os tipos de ocorrência, o CIGMA amplia a transparência das ações do poder público e oferece dados mais precisos para subsidiar a tomada de decisão, o planejamento de ações emergenciais e a formulação de políticas públicas”.

“É importante destacar ainda que parte significativa dos focos registrados neste primeiro semestre ocorreu em áreas sob gestão ou atuação direta de órgãos públicos estaduais e federais, como parte de programas de prevenção, manejo e controle”.

Isso significa que boa parte das ocorrências está diretamente associada a ações organizadas, planejadas e integradas, com objetivos ambientais claramente definidos, ressalta.

Essas intervenções, segundo o professor Giongo, são fundamentais para evitar que incêndios de grande porte se alastrem durante os meses mais críticos, geralmente entre julho e setembro, quando as temperaturas são mais elevadas e a umidade do ar atinge níveis críticos. Giongo complementa que o trabalho técnico e estratégico do Cigma tem se mostrado essencial para essa nova abordagem na gestão do fogo no Tocantins.

“A capacidade de diferenciar tecnicamente os tipos de queima, utilizando geotecnologias e bases de dados atualizadas, coloca o Estado em posição de vanguarda no Brasil no que diz respeito à qualificação das informações ambientais. A experiência tocantinense demonstra que é possível combinar prevenção, tecnologia, conservação ambiental e produção rural em uma abordagem integrada, colaborativa e baseada em evidências”, afirmou.

*Com informações do Governo do Tocantins

Curro Velho: o matadouro que se tornou ‘nascedouro’ em Belém

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Curro Velho, em Belém, é espaço de formação artística. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

O Núcleo de Oficinas Curro Velho, em Belém (PA), por mais de três décadas tem sido uma referência na formação cultural e intelectual de muitos jovens. Hoje é um ambiente em que a iniciação artística busca transformar realidades, como a sua própria. Isso porque o local, de estrutura arquitetônica com influências neoclássicas, antes era destinado a ser um matadouro (daí a palavra ‘curro’, referente a curral, onde se confina o gado) e hoje é um ambiente educacional.

Situado no bairro do Telégrafo, às margens da Baía de Guajará, o prédio é de meados do século XIX (1861) e foi construído para abrigar o primeiro matadouro de Belém. Em 1991 foi restaurado e adaptado para sediar a então Fundação Curro Velho, fundada pelo ex-governador Hélio Gueiros (1925-2011) e, posteriormente, tornou-se o Núcleo de Oficinas Curro Velho, para formação e qualificação em educação não formal.

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Assim, de acordo com o informações do Núcleo, hoje o local é “uma incubadora de talentos artísticos, um ‘nascedouro’, enfim, para grande parte da classe artística de Belém nas mais diversas linguagens”, pois mantém um ciclo de oficinas de iniciação em arte e ofício em diferentes linguagens – artes visuais, música, artes cênicas e cursos de capacitação no Núcleo de Práticas de Ofício e Produção -, qualificando jovens e adultos para oportunidades de emprego e renda.

Jovens e adultos são atendidos pelo Núcleo de Oficinas Curro Velho. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

Artesanato, reciclagem, customização, reaproveitamento são algumas atividades oferecidas pelo Curro Velho em oficinas. Mas uma de suas marcas mais conhecidas é a Escola de Samba Crias do Curro Velho, que celebra o encontro da comunidade com os resultados obtidos no decorrer das oficinas.

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Dados do núcleo informam que o ensino é voltado prioritariamente para um público de estudantes de escola pública, populações de baixa renda e comunidades tradicionais (quilombolas, indígenas, e ribeirinhas), alcançando um atendimento médio de 12.500 pessoas por ano.

É por conta desse conjunto de ações que, rotineiramente, realiza espetáculos cênicos e musicais, exposições, palestras, rodas de conversa e debates.

O Curro Velho está localizado na Rua Professor Nelson Ribeiro, n° 287, no bairro Telégrafo. Conta com salas, teatro, anfiteatro, biblioteca e o Núcleo de Práticas de Ofício e Produção para a realização de oficinas, cursos, espetáculos e programações diversas.

As vagas e cursos disponíveis são divulgadas periodicamente pelo Curro Velho ou pela Fundação Cultural do Pará com as orientações para inscrições. Para mais informações: (91) 3251-2986/ 3251-2987.

*Com informações da Fundação Cultural do Estado do Pará

Sete urnas funerárias milenares descobertas no Amazonas revelam práticas indígenas ancestrais

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Foto: Márcio Amaral

Um importante achado arqueológico no interior do Amazonas vem revelando novas pistas sobre modos de vida indígenas ancestrais na região do Médio Solimões. Sete urnas funerárias cerâmicas, duas delas de grande volume, foram encontradas recentemente sob as raízes de uma árvore tombada em uma área de várzea no município de Fonte Boa

O sítio arqueológico, identificado como Lago do Cochila, integra um conjunto de ilhas artificiais construídas por povos originários há séculos ou milênios, em áreas alagáveis que foram elevadas artificialmente com terra e fragmentos de cerâmica para sustentar moradias e atividades sociais mesmo no período das cheias. 

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A descoberta foi possível graças à colaboração entre arqueólogos do Grupo de Pesquisa em Arqueologia e Gestão do Patrimônio Cultural da Amazônia do Instituto Mamirauá e membros das comunidades locais, especialmente os moradores da comunidade São Lázaro do Arumandubinha.

A metodologia empregada no trabalho é considerada inovadora, tanto do ponto de vista técnico quanto social: a escavação foi realizada com participação ativa dos comunitários e exigiu adaptações logísticas complexas devido à localização remota e ao contexto fluvial da região. 

“Essas ilhas artificiais são estruturas arqueológicas levantadas em áreas de várzea mais altas, com material removido de outras partes e misturado com fragmentos cerâmicos, intencionalmente posicionados para dar sustentação”, explica o arqueólogo Márcio Amaral. “É uma técnica de engenharia indígena muito sofisticada, que mostra um manejo de território e uma densidade populacional expressiva no passado”.

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Urnas revelam práticas funerárias e rituais alimentares

As urnas encontradas apresentaram características inéditas para a região. “São de grande volume, sem tampas cerâmicas aparentes, o que pode indicar o uso de materiais orgânicos para selamento, hoje já decompostos. Elas estavam enterradas a 40 cm de profundidade, provavelmente sob antigas casas”, detalha a pesquisadora Geórgea Layla Holanda.

Fragmentos de ossos humanos, peixes e quelônios foram encontrados no interior das urnas, indicando práticas funerárias associadas a rituais e a alimentação. 

Foto: Geórgea Holanda

A descoberta só foi possível graças ao envolvimento direto da comunidade. O manejador de pirarucu Walfredo Cerqueira foi quem primeiro levou a informação adiante. “Alguns comunitários viram os potes quando uma árvore caiu e deixou as raízes expostas, mas não deram muita importância. Quando vi as fotos, procurei o padre Joaquim, que encaminhou ao arqueólogo Márcio Amaral. A partir daí, começamos a planejar a ida ao sítio”, conta.

Walfredo mobilizou outros cinco comunitários e sua esposa, Nádia Silva, que ficou responsável pela alimentação da equipe durante os acampamentos no local. “Foi uma experiência ótima, pelo respeito e simplicidade dos pesquisadores. Trabalhar com eles foi muito bom”, relata Nádia. 

Escavação suspensa foi um marco logístico e técnico 

Devido ao espaço e condições que as urnas foram encontradas, as escavações tiveram que ser realizadas em uma estrutura elevada, construída com madeira e cipós pelas próprias comunidades locais.

“Nunca tínhamos escavado assim, a 3,20 m do chão, com a instalação de um dátum (espécie de régua) de elevação para controle estratigráfico. Foi um trabalho totalmente colaborativo e inédito”, afirma Márcio. 

O transporte das urnas até a sede do Instituto Mamirauá, em Tefé, também exigiu um esforço coordenado e cuidadoso, envolvendo canoas, acampamentos e técnicas artesanais de proteção. O município de Fonte Boa, onde as urnas foram descobertas, fica a cerca de 190 km de Tefé em linha reta, mas o trajeto fluvial entre os dois pontos pode durar de 10 a 12 horas, dependendo das condições do rio e do tipo de embarcação. Além disso, o sítio arqueológico onde as urnas foram encontradas fica a várias horas de viagem da comunidade mais próxima, exigindo deslocamentos por igarapés e áreas alagadas. 

Foto: Geórgea Holanda

“Os comunitários demonstraram um cuidado e uma habilidade que muitas vezes superam os carregadores urbanos. Graças a esse trabalho minucioso, as urnas chegaram intactas”, destaca Geórgea Holanda.

“Não digo intacto por sorte, mas por método. Usamos filme plástico, depois atadura gessada para estabilizar, depois plástico bolha e, por fim, suporte de madeira com cordas. Foi uma logística extremamente pensada”, completa a pesquisadora.

Material raro pode indicar nova tradição cerâmica 

O material recolhido está em processo de análises e curadoria no laboratório em Tefé. As análises iniciais mostram uma variedade de cerâmicas que indicam um horizonte multicultural ainda pouco conhecido na região. Um dos destaques é o uso de uma argila esverdeada, já identificada em outros sítios do Alto Solimões, mas ainda rara.

Fragmentos com engobos (pasta de argila que se aplica na parte externa de uma peça de cerâmica para disfarçar a cor natural) e faixas vermelhas também foram observados, embora não se tenha ainda vinculação direta com tradições cerâmicas conhecidas, como a Tradição Polícroma da Amazônia

A descoberta amplia o conhecimento sobre os modos de ocupação em áreas de várzea da Amazônia e reforça a importância da colaboração entre ciência e comunidades tradicionais. Os achados revelam a complexidade das práticas culturais de povos ancestrais que habitaram a região, como o uso ritual das urnas, a construção de ilhas artificiais e os processos de sepultamento associados à alimentação.  

Essas evidências contribuem para questionar a visão tradicional de que áreas de várzea eram apenas locais de passagem ou de ocupação esporádica, indicando, ao contrário, uma presença contínua e altamente adaptada ao ambiente alagável.  

Os pesquisadores ressaltam que o envolvimento respeitoso com os saberes locais foi fundamental para o sucesso do trabalho.

“Essa foi uma arqueologia de dentro para fora. Participamos do manejo do pirarucu, acampamos juntos, seguimos o ritmo deles. E aprendemos muito, desde comportamento animal até usos de plantas. É uma via de mão dupla”, afirma Márcio.  

A pesquisa reforça a importância da colaboração entre ciência e comunidades tradicionais. E, mais do que isso, mostra que a proteção do patrimônio arqueológico depende do reconhecimento de que o conhecimento se constrói no diálogo com quem vive o território. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá, escrito por João Cunha

Torneio de futebol em Unidade de Conservação no Amazonas converte penalidades em mudas de árvores

Competidores da 1ª Liga Ribeirinha Sustentável. Foto: Noir Miranda/Sema

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista, gerida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) do Amazonas, realizou a primeira edição da Liga Ribeirinha Sustentável, iniciativa inédita que une esporte, meio ambiente e fortalecimento comunitário. A final do campeonato de futebol ocorreu no fim de maio, na comunidade Pagodão, em Manaus.

Além do espírito esportivo, o torneio tem um diferencial ambiental: faltas e penalidades aplicadas durante os jogos são convertidas em mudas de árvores nativas.

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Organizada pela Associação de Povos e Comunidades Tradicionais (APCT) da RDS, a competição contou com apoio do Projeto de Recuperação Ecológica e Implantação de Sistemas Agroflorestais Multifuncionais, o Reflora, iniciativa do Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê).

“Isso mostra que as ações de educação ambiental e as atividades que são desenvolvidas pela Sema com o apoio do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) estão surtindo efeito nas Unidades de Conservação, ainda mais que muitos dos jogadores são Agentes Ambientais Voluntários ou participam do monitoramento da biodiversidade da Unidade”, afirmou a gestora da UC, Shayene Rossi.

As mudas, que incluem 10 espécies locais, foram doadas ao Reflora. Atuando há um ano na RDS, o projeto promove a recuperação de áreas degradadas, implantando viveiros e capacitando moradores. Cerca de 8 mil mudas já foram plantadas com o apoio das comunidades.

“O Projeto tem um objetivo bastante audacioso, que é a restauração de 200 hectares de áreas desmatadas, queimadas, ou ambientes que têm um certo tipo de vegetação mais empobrecida. A ideia é trazer essas espécies nativas, tanto madeireiras quanto frutíferas, novamente para esses locais”, explicou a engenheira florestal do projeto Reflora, Ananda Rebelo.

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Foto: Noir Miranda/Sema

Esporte e educação ambiental

O campeonato contou com a participação das 17 comunidades da RDS. Com início em fevereiro, a liga envolveu equipes masculinas e femininas em sete rodadas, além das etapas eliminatórias de quartas de final e semifinal. Os jogos reuniram times e torcedores das comunidades da RDS, movimentando a economia e o entretenimento local.

“Todas as penalidades são pagas com mudas frutíferas e mudas nativas, para reflorestar as áreas que foram degradadas, e outras para enriquecer a agricultura familiar, ou áreas de Sistema Agroflorestal (SAF). Estamos com o planejamento, já finalizando agora, de dar continuidade nessa liga para o ano que vem, se Deus quiser com mais parceiros, onde a gente quer envolver também a participação das crianças”, declarou Raimundo Leite, gestor da APCT.

O troféu das finais foi esculpido no formato de uma muda de jatobá, utilizando uma tora de madeira trabalhada pelo Agente Ambiental Voluntário e monitor da biodiversidade, Jovenilson Souza Corrêa, o “Tico”. Ele, que é agricultor e coordenador geral da Liga, foi o idealizador do campeonato.

“A gente começou numa rodada de bolão. Eu vi que as comunidades não estavam mais jogando futebol. Aí a gente começou, fizemos 16 rodadas de encontro. Aí eu pensei na ideia ‘por que não a gente fazer um campeonato diferente?’. Então eu levei a ideia para o Raimundo, de tentar unir uma potência por necessidade e uma potência por prazer e lazer, que é o esporte”, contou.

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Além da doação de mudas, Tico juntou os quatro times finalistas da liga masculina para fazer um mutirão de limpeza dos rios e igarapés da Reserva. “A gente se surpreendeu com o que tem jogado nos nossos rios, e olha que a população é pequena. Eu mensurei garrafa pet, a gente juntou, só na nossa área, a faixa de 1 mil garrafas PETs em uma ação de meio dia”, contou.

O Agente Ambiental mora na reserva desde que nasceu, há 31 anos. Segundo ele, antigamente o pensar em relação à preservação ambiental era diferente dos dias de hoje. Com a mudança de pensamento das pessoas, ele entende que a Amazônia representa muito mais para as comunidades da forma que ela é: preservada e viva.

“A gente tem que valorizar essa natureza que a gente tem ao nosso redor, tentar de alguma forma repor o que a gente já tirou dela, para que ela se torne para os nossos filhos, nossos netos, o que um dia foi para a gente no início”, finalizou.

O time América foi o vencedor da 1ª Liga Ribeirinha Sustentável. Foto: Noir Miranda/Sema

Áreas Protegidas

A atividade foi financiada por recursos do Programa ARPA (Áreas Protegidas da Amazônia), uma iniciativa conjunta patrocinada por agências governamentais e não governamentais para expandir a proteção da floresta amazônica.

Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática, tem o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) como gestor e executor financeiro. No Amazonas, é executado por meio da Sema, em 24 Unidades de Conservação do Estado.

*Com informações da Sema

Felicidade é coisa séria!

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

O objetivo era aproveitar a convenção anual da empresa para introduzir o tema Felicidade. A alta direção tinha consciência de que promover a felicidade no trabalho, em todos os níveis, é uma questão estratégica, capaz de reforçar ainda mais os resultados positivos que a companhia vem conquistando nos últimos anos.

Trata-se de uma multinacional, presente em 23 países e com ações na bolsa de valores de sua terra natal. Está na sua terceira geração familiar, em mais de cem anos. Além da holding na matriz, sua estrutura é composta por sedes nos diferentes continentes. A do Brasil abrange a América Latina e, nos anos mais recentes, avançou por outros países, dentre eles a Argentina, Colômbia e Chile. Nos últimos três anos, incorporou duas empresas nacionais, atuantes no mesmo segmento, mas com linhas de produtos complementares. Nestes novos negócios, a operação segue com seus fundadores, e a participação da nova controladora se dá, principalmente, a nível de conselho, preservando a sua cultura. A integração ocorre de maneira gradual e cautelosa.

Seu desempenho financeiro, que é um recorde histórico, se destaca dentro do próprio grupo. Nem todas as sedes vão tão bem, e a do Brasil se diferencia, mesmo diante de toda a conjuntura econômica e política, que não favorece o setor. Talvez seja motivo de questionamentos internos. O que acontece na sede do Brasil que não ocorre nas outras, em mercados bem mais promissores?

Olhando de fora, me chamam a atenção duas coisas: o foco na eficácia operacional e resultados financeiros e no olhar para as pessoas. Quanto a este último, não estou me referindo ao chamado bem-estar, que considero básico, mas há algo que vai além, o interesse estratégico no desenvolvimento das pessoas e na sua felicidade.

Neste momento, há muitas empresas que atuam no Brasil e que respiram aliviadas com a notícia de que a nova NR01 só será cobrada em maio de 2026, dando tempo para se adaptarem às novas regras. Algumas saíram do pânico de algumas semanas atrás e voltarão ao pânico semanas antes da cobrança se transformar em multas. Suas crenças as farão adiar as ações e se prender apenas ao que a legislação exige. Elas não enxergam a saúde mental, o bem-estar e a felicidade como oportunidades estratégicas. Atuarão na defesa e não no ataque. A questão é que quem não ataca não faz gol e quem só se defende acaba sofrendo.

Não é o caso da empresa a que me refiro. A agenda da convenção anual demonstra isso. Há momentos de humor e de leveza, incluindo uma festa ao final. Mas há dois momentos em que o assunto é sério: quando são tratados os resultados e as metas para o período anual seguinte e quando é abordado o assunto Felicidade.

Há claramente a mensagem de que não se trata de euforia, de oba-oba e velhos clichês sobre a felicidade. São compartilhados e tratados seriamente os conceitos mais atualizados sobre os estudos da filosofia, da neurociência e da psicologia positiva e como eles se relacionam entre si e com a vida prática. Ou seja, há hoje um forte embasamento científico que, não sendo o mais importante, serve como um forte argumento para os mais céticos. Pessoas e resultados caminham juntos.

Interessante é destacar que a convenção marca também o lançamento de algo mais amplo, que convida os colaboradores, de forma opcional, a participar de um programa que ensina como construir felicidade para si e para outras pessoas. Parece estranho falar em ensinar a construir felicidade, mas é a realidade. Aprendemos muita coisa na escola, mas não a ser felizes, o maior objetivo do ser humano e que é uma responsabilidade do indivíduo, como já dizia Sócrates há mais de 2.000 anos. Como sempre lembro, há modelos mentais e práticas que nos aproximam da felicidade. E isso pode ser ensinado e aprendido.

Não cabe à empresa fazer os seus líderes e colaboradores felizes, mas a ela cabe oferecer o básico, o tal bem-estar. Quando ela vai além e trata a felicidade como coisa séria, todos ganham, e isso se reflete nos sorrisos e nos resultados. Nunca é demais lembrar: fazer o bem é um bom negócio, e a felicidade, como coisa séria, é um excelente investimento.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Acreana transforma luto em artesanato com materiais reciclados: ‘A arte me salvou’

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Valdiza Muniz é servidora pública e fez da arte uma aliada à sustentabilidade e ao bem-estar pessoal. Foto: Yuri Marcel/Arquivo pessoal

Em meio à dor, veio a criação, o olhar aguçado e a vontade de contribuir com o desenvolvimento sustentável por meio da arte. Assim ocorreu com a acreana Valdiza Moniz, de 52 anos, que encontrou no artesanato o refúgio para enfrentar o luto pela morte do pai, no início de 2020, e o isolamento social ocasionado pela pandemia de Covid-19.

Ela é professora e servidora pública do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC). No mês em que o planeta é convocado a preservar o meio ambiente, Valdiza contou ao Grupo Rede Amazônica como o uso sustentável da natureza na arte mudou a vida dela, bem como a forma de enxergar o mundo e a de lutar, inclusive, contra os próprios medos.

Sem formação na área ou patrocínio inicial, a artista começou a recolher resíduos naturais e recicláveis nas ruas de Rio Branco e a transformá-los em peças únicas de artesanato sustentável, algumas já reconhecidas e enviadas para fora do estado.

“Eu troquei meu carro fechado por uma caminhonete só para poder catar com mais facilidade. Saía do tribunal e ia direto pra rua. Meus colegas até brincavam. No começo eu catava sem saber o que ia fazer. Agora não: eu olho e já vejo o que aquilo pode virar. É como se o olhar fosse se educando”, falou.

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Arte que vem do chão

Buriti, castanha, sementes, folhas secas, cascas de côco, palha de milho e até partes de móveis descartados. Nada escapa do olhar da artista, que foi sendo treinado aos poucos. O que para muitos seria lixo, para ela são insumos criativos.

“Antes disso, eu não tinha todo esse olhar para a natureza, eu não via [que] tanta coisa que vai para o lixo poderia virar renda, emprego. Eu vejo possibilidade, sim, de desenvolvimento sustentável com peças que são feitas com tudo o que a gente tem aqui, de forma bem abundante”, complementou.

Leia também: Povo Yawanawá realiza maior exposição de artesanato de sua história no Acre

E é a partir desse olhar artístico e consciência ambiental que Valdiza produz quadros, arranjos florais com folhas desidratadas e até presépios temáticos com animais da fauna amazônica. Um deles, feito sob encomenda para uma clínica veterinária, incluiu capivaras, gatos e cachorros.

“Eu faço todo o processo: recolho, higienizo, impermeabilizo. É demorado, mas essencial. Um quadro como o mapa do Acre, por exemplo, leva cerca de cinco horas de produção, desde que o material já esteja limpo”, explicou.

Aliado ao bem-estar

Atualmente, Valdiza tem um ateliê. Mas o começo de tudo não foi assim. Todo o processo, que inclui o preparo do material até a confecção, era feito na própria residência dela. A inspiração, segundo ela, é a peça-chave para a produção.

“No pós-pandemia, todo mundo ficou no cenário de sobreviventes de guerra. Eu me identifiquei tanto com o artesanato que eu vi nele uma possibilidade de, por trabalhar muito com a mente, dar uma aliviada nos meus pensamentos. Consigo controlar a ansiedade quando estou criando, quando estou pensando”, falou

Após ver que familiares e amigos o apoiaram com a prática, ela começou a querer empreender com as artes. Então, Valdiza participou do projeto Inova Amazônia em 2021, iniciativa focada no fomento à bioeconomia e inovação na região amazônica, por meio de exposições de negócios e discussões de práticas que respeitem os ecossistemas e as comunidades locais.

Leia também: Madeira de manejo se transforma em peças utilitárias e decorativas pelas mãos de artesão acreano

“No final de 2020, eu passei num processo seletivo do Inova Amazônia, do Sebrae. E aí, tivemos toda a questão de palestras, oficinas e uma espécie de incentivo para que a gente desenvolvesse uma startup. Eu segui nessa linha do artesanato com os recursos da natureza, desidratados, cascas de palmeiras. Então, hoje eu faço de tudo”, complementou.

Valdiza produz, dentre as artes, o mapa do Acre. Foto: Valdiza Moniz/Arquivo pessoal

Como parte do projeto, ela passou a ministrar cursos para compartilhar a arte e ajudar mais mulheres a desenvolver o dom do artesanato. As oficinas, todas gratuitas, são formas de democratizar o conhecimento, gerar renda para outras mulheres e de espalhar uma nova cultura de consumo.

“Nunca cobrei pelas oficinas, nem pelo material. Tenho tudo armazenado em várias etapas. A ideia é mostrar que é possível criar coisas lindas com o que temos aqui […] é uma forma de mostrar que o Acre também produz arte com identidade própria. Minhas peças, ninguém vai encontrar igual por aí”, diz.

Conexão com o meio ambiente e com o futuro

Com o passar dos anos, a partir das experiências obtidas, Valdiza melhorou as técnicas e, nesta nova fase da vida, não se vê mais sem o artesanato.

“Eu acho que essa possibilidade de você criar no olhar, isso não tem preço. A arte me salvou, e agora quero que ela salve outras pessoas também”, disse.

Peças são comercializadas por meio de encomendas. Sonho de Valdiza é aumentar equipe. Foto: Valdiza Moniz/Arquivo pessoal

A história dela mostra que da perda pode nascer propósito, e da simplicidade, inovação. Mais que peças artesanais, ela produz identidade, pertencimento e uma nova forma de se conectar com o meio ambiente por meio de descartes naturais.

“Quero compartilhar o que sei. Que outras pessoas, especialmente mães que precisam complementar renda, possam também produzir e vender. Eu fico com as peças mais exclusivas, e elas com as mais comerciais. Todo mundo ganha”, complementou.

Por Renato Menezes, da Rede Amazônica AC

Banana, tucupi e pirarucu: aprenda a fazer ceviche com toque regional

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

O ceviche é um prato baseado em peixe cru ou camarão marinado em suco de limão ou outro cítrico, reconhecido pela UNESCO como expressão da culinária tradicional peruana e patrimônio cultural imaterial da humanidade.

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Na Amazônia brasileira, o prato já ganhou diversas versões, como o que usa banana pacovã, tucupi e pirarucu. Os “toques regionais” foram dados pelas mãos do chef Fernando Souza, que criou o prato há oito anos. Confira a receita:

Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

Ingredientes

1 banana pacovã (comprida, da terra)
1 lombo de pirarucu
meia cebola roxa
meia cebola branca
500 ml de tucupi
100 ml de suco de limão
150 ml de azeite
pimenta dedo de moça a gosto
jambu a gosto
coentro a gosto

Modo de preparo

Pique a banana e reserve em uma vasilha com água e limão para ela não escurecer.

Para o molho: coloque meia cebola branca cortada, o tucupi, o suco de limão, o azeite, uma colher de sobremesa de pimenta dedo de moça, coentro e talos de jambu a gosto no liquidificador e bata até obter um molho homogêneo. O tempero pode ser ajustado conforme seu gosto.

O ideal é que o pirarucu seja feito com o lombo com a menor quantidade possível de gordura e fibra. Corte em cubos. Deixe-o marinar por pelo menos 5 minutos no molho feito com os demais ingredientes.

Retire a banana do caldo de limão e misture no molho com peixe. Sirva o ceviche em um prato ou cuia e acrescente coentro picado e cebola roxa cortada em tiras de meia lua.

Roraima lidera proporção de adeptos de tradições indígenas no Brasil, mostra Censo 2022

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Xamãs durante ritual na região de Palimiú, na Terra Yanomami. Foto: Samantha Rufino/Rede Amazônica RR

Roraima é o estado com maior proporção de adeptos de tradições indígenas do país, segundo novos dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No total, 8.488 declararam seguir tradições indígenas — número que representa 1,7% da população roraimense.

O estado também é proporcionalmente o estado mais indígena do Brasil, com 97.320 pessoas autodeclaradas. No entanto, o número dos adeptos das tradições indígenas é onze vezes menor do que o total de pessoas indígenas no estado.

Leia também: Amazonas e Roraima se destacam com maiores índices de população indígena

No Brasil todo, seguidores de tradições indígenas representam 0,1% da população. Destes, 74,5% se declaram indígenas. No Censo de 2022, para mapear o número em áreas indígenas, a pergunta foi feita de maneira diferente, como explica o Assessor Técnico Especializado em Roraima, Eduardo Frigério.

“Nos setores regulares da cidade, a pergunta era: qual é sua religião ou culto. Quando a o recenseador tava dentro da terra indígena, a pergunta era: qual a sua crença ritual indígena ou religião? Para ele entender que poderia escolher também alguma opção da crença do que ele vivencia lá na na comunidade”, disse.

Amajari é um município do norte do estado de Roraima em uma região que tem 8 Terras Indígenas, totalizando 19 comunidades indígenas, inclusive é famosa por conta da Serra do Tepequém. Foto: Reprodução/Prefeitura de Amajari

Em Roraima, Amajari é o município com a maior proporção de habitantes que seguem tradições indígenas: 25,38% da população, o que equivale a 2.540 pessoas. A região abriga oito Terras Indígenas, onde estão distribuídas 19 comunidades.

Em seguida vem Alto Alegre, com 23,58% da população — 3.588 pessoas — vinculada às tradições indígenas. O território do município inclui parte da Terra Indígena Yanomami.

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Além disso, o censo apontou que em números reais, 86.216 roraimenses não tem uma religião. Apesar disso, o catolicismo ainda é o mais praticado no estado: são 192.821 fiéis, o que corresponde a 30% da população — 636.707 habitantes.

A evangélica é a segunda religião com mais adeptos em Roraima, com 174.801 pessoas. A Umbanda, religião afro-brasileira, tem a menor concentração no estado, são apenas 1.551 praticantes declarados.

O estado também tem a maior proporção de pessoas com outras religiosidades: 7,8%. Os demais roraimenses estão divididos entre os que se declaram espíritas (3.245) e os que não sabem (518).

Em todo o Brasil, a proporção de brasileiros que se declaram católicos caiu ao menor nível já registrado desde 1872. Apesar da queda, o catolicismo ainda é a maior religião no país, seguido pela religião evangélica.

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O Censo

O Censo é uma pesquisa realizada pelo instituto para fazer uma ampla coleta de dados sobre a população brasileira. Ela permite traçar um perfil socioeconômico do país, já que conta os habitantes do território nacional, identifica suas características e revela como vivem os brasileiros.

No total, 8.488 declararam seguir tradições indígenas — número que representa 1,7% da população roraimense. Estado também é proporcionalmente o estado mais indígena do Brasil, com 97.320 pessoas autodeclaradas.

*Com informações da Rede Amazônica RR

Bosque Estadual Vandete Rocha reúne lazer, educação e sustentabilidade em Manaus

Foto: José Narbaes/Ipaam

Um refúgio verde em plena zona centro-sul de Manaus (AM): assim pode ser definido o Bosque Estadual Vandete Rocha, localizado na sede do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), na Avenida Mário Ypiranga, nº 3.280, bairro Flores. Aberto ao público de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, o bosque reúne lazer, educação ambiental e atividades voltadas à sustentabilidade.

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O Bosque Vandete Rocha ocupa uma área de 3 hectares de floresta equatorial, que inclui ambientes de terra firme e de charco, à margem do igarapé do Bindá. O espaço conta com espécies nativas e trilhas ecológicas que fazem alusão a lendas amazônicas, utilizadas em atividades de educação ambiental.

A proposta é aproximar a sociedade da natureza e promover a conscientização sobre a importância da preservação ambiental, valorizando também a cultura e os saberes tradicionais da região.

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Foto: José Narbaes/Ipaam

Criado a partir do aproveitamento desse fragmento florestal existente dentro da própria sede do Ipaam, o bosque é o primeiro do tipo implantado pelo Governo do Amazonas em uma área urbana.

A inauguração aconteceu dentro da programação ‘Junho Ambiental‘ do Ipaam, campanha anual que neste ano trabalha com o tema ‘Somos o Clima que Criamos’.

Segundo o Ipaam, a proposta do bosque é clara: reconectar a população com a natureza, mesmo em meio à cidade. “O bosque é uma oportunidade de resgatar essa convivência das pessoas com o meio ambiente, sem sair da cidade. Ele representa o compromisso do Governo do Estado com o futuro. É um espaço que educa, acolhe e inspira”, afirmou o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço.

Atrativos

  • Entre os atrativos do Bosque Vandete Rocha estão:
  • trilhas ecológicas em meio à vegetação nativa,
  • uma quadra de areia para práticas esportivas,
  • parquinho infantil,
  • academia ao ar livre,
  • mirante com vista da copa das árvores,
  • biblioteca infantil com foco em temas ambientais,
  • uma maloca com exposição de brinquedos e miniaturas feitas de materiais recicláveis,
  • lanchonete
  • e um viveiro de mudas, com espécies nativas como açaí, cupuaçu e andiroba.
Foto: José Narbaes/Ipaam

A analista ambiental do Ipaam, Maria do Carmo, destaca a importância do espaço como ferramenta de educação e bem-estar: “A ideia é mostrar como é importante termos esse tipo de espaço dentro da área urbana, não só na zona rural. Isso contribui para melhorar nossa qualidade de vida e saúde”.

Além da visitação livre durante a semana, o bosque também abriga atividades educativas, feiras sustentáveis, mutirões ambientais e visitas escolares.

Homenagem

Homenagem à servidora pública Vandete Rocha, que dedicou grande parte de sua vida profissional ao Ipaam e à causa ambiental no Amazonas, o bosque também representa um tributo ao legado daqueles que trabalharam pela preservação do meio ambiente.

Escolas interessadas em agendar excursões ou visitas guiadas podem entrar em contato diretamente pelo número (92) 98455-6013, da Gerência de Educação Ambiental do Instituto, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h.

*Com informações do Ipaam

Professora ganha prêmio por tese sobre práticas curandeiras entre mulheres em Oiapoque

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Professora é premiada por trabalho que destaca práticas curandeiras tradicionais. Foto: Evelanne Silva (Ilustrações de Igum Djorge)

Evelanne Silva é professora do curso de História no campus binacional da Universidade Federal do Amapá (Unifap), em Oiapoque, fronteira com a Guiana Francesa. A docente levou o título de vencedora da melhor tese no Prêmio Emanoel Gomes de Moura de Teses e Dissertações da Universidade Estadual do Maranhão (Uema).

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Na tese ‘Vovó me disse que isso também cura!: práticas populares de cura entre mulheres em Oiapoque – Amapá. Contribuição para uma educação escolar insurgente’, e o produto ‘Vovó me disse que isso também cura!’, a professora aborda a tradição curandeira de sua própria ancestralidade.

“A ideia foi por causa da minha vida pessoal, que eu sou neta de mulheres que usavam esses saberes. Isso estava presente na minha desde a infância, sempre vi elas curarem, benzerem […]. Minha bisavó por parte de pai era parteira também. Então isso sempre me chamou a atenção”, explicou Evelanne ao Grupo Rede Amazônica.

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Professora Evelanne e o barbatimão, um dos materiais usados para práticas curandeiras. Foto: Evelanne Silva/Acervo pessoal

O produto em questão se trata de um e-book, que está disponível na internet de forma gratuita. O novo formato de trabalho surge como uma ferramenta educacional tecnológica, para que o saber tradicional possa ser trabalhado de forma lúdica em sala de aula.

Confira a tese AQUI e leia o livro AQUI.

O trabalho foi desenvolvido pela doutora por meio do primeiro Doutorado Profissional do Programa de Pós-graduação em História da Uema (PPGHist). São destacadas as práticas como:

  • Puxações;
  • Benzimentos;
  • Rezas;
  • Interdições alimentares;
  • Confecção de remédios.

Uma infinidade das experiências passadas de geração para geração também são destacadas. A ideia da abordagem surge a partir da perspectiva da professora de que o assunto das práticas antigas não era tão abordado na educação da fronteira franco-brasileira.

Ausência do assunto na educação é citada na obra. Foto: Evelanne Silva (Ilustrações de Igum Djorge)

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Reconhecimento dos saberes tradicionais

A professora notou que os saberes indígenas são presentes na população e circulam diariamente de forma comum, mas, são pouco discutidos em sala de aula.

“Quando fui trabalhar na docência, trabalhei no ensino básico antes de trabalhar no ensino superior, percebi a ausência dessa abordagem que tem a ver com saberes étnicos, saberes ancestrais, de matriz africana, indígena, saberes afro indígenas […] Então percebi essa ausência, apesar das leis que defendem a cultura indígena e africana”, disse.

A professora explicou que o estudo busca acima de tudo, suprir uma lacuna educacional. Visto que, mesmo com a lei 10.639/03 que torna obrigatório os estudos da história e cultura africana nas escolas, ampliada pela lei 11.645/08 que inclui os povos indígenas, ainda há obstáculos na prática.

“Materiais didáticos e literários ainda carecem de circular para o auxílio dos professores. O meu objetivo foi, a partir do estudo da fronteira-brasileira contribuir para superar essa lacuna […] Encontrar formas de viabilizar através de produtos técnicos e tecnológicos que isso circule na educação de uma maneira mais ampla”, disse.

Trecho do produto da pesquisa produzida por Evelanne. Foto: Evelanne Silva (Ilustrações de Igum Djorge)

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Evelanne destacou ainda que apesar de receber o prêmio de grande relevância acadêmica, o ganho maior é o reconhecimento da riqueza étnica e cultural dos povos que residem na fronteira.

“A gente sente que cumpriu o dever de dar lugar aos sujeitos que antes não apareciam nos livros de história. Então, eu sinto um reconhecimento do trabalho e sinto que é uma colocação merecida para esses sujeitos que vivem aqui no Amapá”, completou.

Descoberta sobre a Mãe Luzia

Durante as pesquisas, a professora descobriu novas informações sobre a figura emblemática no Amapá que dá nome à Maternidade do estado, Mãe Luzia. Evelanne revelou que além de lavadeira e parteira, Mãe Luzia era perita em crimes sexuais contra mulheres.

“A partir dos estudos documentais dos arquivos do Tjap, no fórum de Macapá, eu descobri então que ela era perita em crimes sexuais contra mulheres [..] Então é um papel social que não se sabia, é uma faceta da Mãe Luzia que a gente não conhecia, e através dessa pesquisa foi possível perceber isso”, destacou a professora.

Durante as entrevistas com mulheres curandeiras de Oiapoque para a pesquisa, Evelanne conseguiu perceber o quão os saberes tradicionais ainda são presentes, não somente no local de sua área de atuação, mas na Amazônia como um todo.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP