Os serviços geológicos do Brasil (SGB) e da Colômbia (SGC) assinaram, no dia 2 de dezembro, um ‘Acordo de Cooperação Técnica’ (ACT) com o objetivo de desenvolver ações para ampliar o conhecimento geológico e aprimorar as capacidades técnicas e científicas das instituições. A assinatura ocorreu na sede do SGB em Brasília (DF), com a participação do diretor-presidente interino do SGB, Valdir Silveira, e do diretor geral do SGC, Julio Fierro Morales.
A parceria prevê intercâmbio de informações e de profissionais, além de pesquisas colaborativas em temas diversos, como mapeamento geológico, pesquisas minerais, geoconservação e patrimônio paleontológico, prevenção de desastres e fortalecimento de rotinas laboratoriais. Essa iniciativa não envolve a transferência de recursos financeiros.
“Esperamos avançar no conhecimento tanto naquelas áreas onde temos afinidade, quanto nas áreas de fronteira e nas pesquisas aplicadas em vários temas de interesse comum. Há uma janela de oportunidade para também avançar nas pesquisas laboratoriais em ambas as instituições. Portanto, é um momento ímpar e que vai trazer muitos frutos para nossos países”, reforçou o diretor-presidente interino do SGB, Valdir Silveira, durante a assinatura do ACT. Silveira também ocupa o cargo de diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB.
O diretor geral do Serviço Geológico Colombiano, Julio Fierro Morales, ressaltou que a parceria permitirá avançar em temas emergentes:
“Iremos trabalhar em linhas tradicionais de minerais, geotermia e riscos geológicos, mas também linhas mais novas que os serviços geológicos de todo o mundo estão trabalhando e que as geociências são fundamentais, como geologia oceânica e paleoclima. Com isso, nós pretendemos fortalecer nossos serviços geológicos em projetos de cooperação que nossos países estão realizando. Uma latinoamérica unida é um futuro melhor para os outros países”.
Foto: Igor Estrela/SGB
Próximos passos do acordo
Após a assinatura do acordo, o diretor geral e a diretora de Recursos Minerais do SGC, Juanita Sierra Salamanca, visitaram as instalações do SGB. Na ocasião, conheceram o Laboratório de Microanálises da instituição.
O próximo passo no âmbito do ACT será a elaboração de planos de trabalho, sendo o primeiro sobre ações conjuntas no Projeto Ouro Brasil do SGB – iniciativa que contribui para identificar a origem do ouro no país, permitindo a rastreabilidade e apoiando ações para combate à cadeia ilícita do minério.
Em setembro, as pesquisadoras Maisa Abram, chefe Departamento de Recursos Minerais (DEREM); e Stella Bijos, coordenadora do Projeto Ouro Brasil, participaram de missão técnica à Colômbia. Na ocasião, apresentaram ao Serviço Geológico Colombiano as ações e resultados do projeto.
Os diálogos para formalizar um acordo iniciaram em abril de 2025, durante a 30ª Assembleia Geral da Associação de Serviços de Geologia e Mineração Ibero-americanos (ASGMI), realizada em Cusco, no Peru, com a participação do assessor de Assuntos Internacionais do SGB, Rafael Duarte.
Essa aproximação permitiu identificar os principais pontos de convergência e as propostas de trabalho em potencial entre o SGB e o SGC.
A Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) está utilizando inteligência artificial (IA) de forma inédita para estudar o comportamento reprodutivo do pirarucu (Arapaima gigas). A pesquisa, desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), adapta técnicas já usadas na análise comportamental de roedores para a realidade da aquicultura. O objetivo é aumentar a previsibilidade da reprodução do maior peixe amazônico e abrir caminho para novas aplicações tecnológicas na criação.
O uso de IA na piscicultura ainda é muito recente no Brasil. A maior parte das pesquisas em inteligência artificial está concentrada em áreas como saúde, agronegócio de grãos, pecuária e estudos biomédicos.
“Aplicações em piscicultura, especialmente com espécies nativas como o pirarucu, representam uma nova fronteira”, destaca o professor da UFMG Cleiton Aguiar, parceiro do projeto.
Ele acrescenta que esse tipo de abordagem de rastreamento comportamental automatizado no País coloca o projeto em uma posição pioneira na integração de tecnologia de ponta com a produção aquícola.
Ao rastrear automaticamente os movimentos do pirarucu em gravações ininterruptas de vídeos, a IA possibilita mensurar comportamentos como deslocamento, tempo de atividade, interações e até detectar padrões relacionados ao estado de saúde ou ao ambiente de cultivo.
Em vez de depender apenas da observação humana, que é limitada e subjetiva, a inteligência artificial gera dados quantitativos, contínuos e padronizados, facilitando o acompanhamento da produção e a tomada de decisões no manejo.
Pesquisador segurando um pirarucu. Foto: Cleiton Aguiar/Acervo pessoal
No caso da pesquisa da Embrapa, 12 câmeras foram instaladas em 12 viveiros escavados, filmando durante o período de luz solar, das 6h às 18h. A cada subida do pirarucu – que é um peixe de respiração aérea – a IA detecta e faz uma marcação com um ponto na imagem do viveiro.
“A máquina conta quantas vezes o pirarucu sobe e faz uma planilha de Excel com dia, hora e as coordenadas do viveiro onde houve a aparição do peixe”, explica Lucas Torati, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura (foto à direita). “Mas antes de chegar a esse ponto há um longo caminho de aprendizado de máquina”, complementa.
O projeto é financiado com recursos do consórcio de pesquisa internacional Aquavitae, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT) e de emenda parlamentar do senador do Tocantins, Eduardo Gomes.
Redes neurais profundas
O modelo adota treinamento de redes neurais profundas para que a máquina consiga identificar automaticamente a subida do pirarucu na superfície.
Primeiro, são marcados os quatro cantos do viveiro e onde o peixe aparece na superfície. Isso é feito para várias imagens e, na sequência, a rede é treinada para aprender o que é um pedaço do peixe e o que é um canto do viveiro.
“É como treinar um cérebro virtual, a partir de cerca de 200 quadros. Essa técnica de aprendizado de máquina, ou machine learning, faz com que ela consiga analisar os vídeos com base nos padrões ensinados, que são os viveiros e as partes do corpo dos peixes (cabeça, tronco e cauda)”, explica Torati.
Ele acrescenta que durante esse trabalho de aprendizado de máquina, deve-se levar em conta ias variações climáticas e de luminosidade dos viveiros para que a máquina consiga fazer a análise das imagens em todas as condições.
“Para isso, é necessário utilizar imagens com diferentes condições de incidência luminosa (manhã, sol do meio-dia e entardecer) e quadros em diferentes condições climáticas (sol nublado, chuva, céu aberto). É um treinamento longo e minucioso para que a máquina possa depois analisar vídeos em todas essas condições”, pontua o pesquisador.
Segundo o professor da UFMG, as redes neurais profundas (deep neural networks) são modelos computacionais inspirados no funcionamento do cérebro, compostos por várias camadas de processamento que permitem aprender representações complexas a partir de dados.
“No contexto do projeto, essas redes são treinadas com vídeos do pirarucu: primeiro, um conjunto de imagens é anotado manualmente (marcando pontos de interesse no corpo do peixe) e, em seguida, a rede aprende a reconhecer automaticamente esses pontos em novos vídeos”, afirma o professor. Ele observa ainda que esse processo é feito com o auxílio do software open source DeepLabCut (DLC), uma ferramenta de aprendizado profundo amplamente utilizada para rastreamento de animais. “Assim, a rede vai ficando cada vez mais precisa em identificar e acompanhar o movimento dos peixes em diferentes condições”, reforça Aguiar.
No Laboratório de Neurociências Comportamental e Molecular (LANEC) da UFMG, a inteligência artificial é utilizada, principalmente, para análise de sinais neurofisiológicos e de comportamento em roedores. Nesse contexto, o DLC tem a função de rastrear movimentos dos ratos durante tarefas de aprendizagem. Os estudos contam com a colaboração da engenheira e doutoranda Natália Martínez, do Programa de Pós-Graduação em Neurociências da UFMG.
A mesma ferramenta está sendo usada para o monitoramento do pirarucu. A diferença principal está no objeto de estudo e na conjuntura: em roedores, o foco é compreender os mecanismos de formação de memória e aprendizagem utilizando ratos como modelos animais, enquanto na piscicultura a IA é empregada para monitorar padrões comportamentais dos animais na superfície da água que possam refletir de alguma forma o seu bem-estar, crescimento e comportamento reprodutivo, com impacto direto na produção e manejo sustentável.
Detecção precoce de alevinos
Na pesquisa da Embrapa, a ideia é mapear a formação do ninho formado pelo casal de pirarucus. Esse momento é crucial para os produtores, que preferem recolher os alevinos o mais cedo possível. “Após a implantação de hormônio nos peixes, eles se reproduzem e foram o ninho para que a fêmea possa depositar ovos, a serem fertilizados pelo macho”, esclarece Torati.
Na sequência, há um comportamento típico da espécie, que é o do cuidado parental, em que o macho e a fêmea ficam sempre no mesmo lugar. Outro sinal é que o casal não busca mais comida. Com a inteligência artificial será possível identificar o momento exato em que esse processo acontece, de forma precoce.
“Se fosse possível, a coleta de ovos recém-fertilizados, certamente, aumentaria a taxa de sobrevivência. Geralmente, os produtores têm uma perda de milhares de alevinos, pela demora em retirá-los do viveiro”, ressalta o pesquisador.
O uso de IA na aquicultura não se restringe a estudos de reprodução do pirarucu. Os resultados obtidos nessa pesquisa abrem portas para outros tipos de explorações científicas com a espécie, como, por exemplo, avaliar como fatores relacionados à temperatura da água e á quantidade de oxigênio e de amônia podem interferir na frequência de respiração do pirarucu.
Também será possível pesquisar qual é o período em que o pirarucu é mais ativo, o quão estressado o peixe fica após o manejo, durante a biometria; será possível pesquisar o reflexo de cada doença no comportamento do peixe, entre outras aplicações.
“A IA também permite monitorar a eficiência alimentar e o consumo de comida dos peixes, de forma automática, sem necessidade de contagem manual. Quem sabe, em um futuro próximo, consigamos calcular automaticamente a biomassa desses animais (saber o quanto engordaram) a partir da biometria por meio de fotos propiciada pela inteligência artificial. Isso minimizaria muito o estresse e todo o trabalho de manejo de um peixe que pode chegar a mais de 100 quilos”, projeta Torati.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa
Real Forte Príncipe da Beira, em Costa Marques (RO). Foto: Reprodução/6º Batalhão de Infantaria de Selva
O Real Forte Príncipe da Beira, em Costa Marques (RO), ganhou no início deste mês o reconhecimento internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O monumento histórico passou a ter Proteção Reforçada, um título raro que garante prioridade máxima em ações de preservação e destaca o Forte como um patrimônio de valor único para a humanidade.
Com a alta classificação, o Forte passa a fazer parte de um conjunto de patrimônios mundiais reconhecidos pelo Direito Internacional Humanitário que merecem mais proteção.
Construído no século XVIII às margens do Rio Guaporé, o Real Forte Príncipe da Beira é considerado uma das maiores fortificações coloniais da América do Sul. Ele foi erguido pelos portugueses como parte da estratégia de defesa das fronteiras da Amazônia Ocidental. O local deveria ser usado para defender as terras já conquistadas por Portugal durante a disputa com a Espanha.
De acordo com o Exército Brasileiro, para conseguir esse reconhecimento da UNESCO, o Brasil teve que mostrar que o Forte tem importância histórica para o mundo, que existem leis garantindo sua preservação e que o espaço não é usado para fins militares.
Atualmente, considerado um sítio arqueológico, o Forte está sob responsabilidade do 6º Batalhão de Infantaria de Selva, que cuida da vigilância e conservação.
Segundo o Exército Brasileiro, o reconhecimento da UNESCO reforça a importância do Forte Príncipe da Beira como parte da história do país. O monumento é visto como um testemunho da formação do território brasileiro e uma referência para entender a engenharia militar, a ocupação da Amazônia e os processos que ajudaram a construir o país.
Real Forte Príncipe da Beira
O forte tem uma dimensão de 970 metros e é considerado a maior edificação militar portuguesa construída fora da Europa, durante o período do Brasil Colonial. A construção fica distante aproximadamente 730 km da capital Porto Velho.
No Real Forte Príncipe da Beira foram construídos quatro baluartes de 59 metros de largura. Os baluartes foram chamados de “Nossa Senhora da Conceição, Santo Antônio, Santa Bárbara e Santo André Avelino”. Cada um tinha espaços para canhões, que com o passar do tempo foram furtados.
Parte do forte foi construído com pedras retiradas do rio Guaporé. Ele também continha um calabouço que adiante seria usado como celas para prender os chamados “degradados”.
Atualmente com mais de 230 anos de história, o monumento arquitetônico é diariamente visitado por turistas. Ele foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1950 e é de propriedade do Exército Brasileiro.
Foto: Reprodução/6º Batalhão de Infantaria de Selva
Lendas
Em 2022, A construção foi associada a uma suposta cidade perdida: Ratanabá, uma civilização secreta no coração da Amazônia. Segundo as postagens, que viralizaram no TikTok, no Twitter e no Instagram, a cidade seria “maior que a Grande São Paulo”, e era “a capital do mundo” e “esconde muita riqueza, como esculturas de ouro e tecnologias avançadas de nossos ancestrais”.
Porém essas informações são consideradas sem fundamento. De acordo com o arqueólogo Eduardo Goés Neves, professor do Centro de Estudos Ameríndios da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Laboratório de Arqueologia dos Trópicos do Museu de Arqueologia e Etnologia da mesma instituição, “tudo isso é um delírio”.
O evento ‘Fortalecimento da Rede em Prol das Áreas Protegidas nos Países do Escudo das Guianas’ ocorreu em Macapá. Foto: Divulgação/ICMBio
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) divulgou que, no fim de novembro, voltou a contribuir no tema do Escudo das Guianas, comprometendo-se e assinando a ‘Carta de Macapá‘, um protocolo de intenções para proteção da região e um plano de ação para os próximos passos da iniciativa.
A assinatura foi resultado do evento ‘Fortalecimento da Rede em Prol das Áreas Protegidas nos Países do Escudo das Guianas’, que ocorreu em Macapá (AP), nos dias 24 e 25 de novembro. O convite partiu do Parc Amazonien de Guyane ao Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (AP) como fruto das ações da Carta de Intenções Brasil-França, assinada entre os parques nacionais em março de 2024 visando ações cooperativas entre as duas áreas protegidas.
Composta por participantes de Suriname, Guiana Francesa, Guiana e Brasil, a oficina estabeleceu os objetivos para a segunda fase do Projeto Renforesap, de abordagem transnacional entre os gestores de áreas protegidas da Guiana Francesa, do Suriname e da Guiana. A primeira fase aconteceu durante os anos de 2018 a 2021, mas o Brasil, embora convidado, não participou.
O projeto envolve a gestão de áreas protegidas na região e em sua primeira etapa vinha sendo implementado pelo Parque Amazônico da Guiana Francesa (Guiana Francesa); pela Comissão de Áreas Protegidas (Guiana); pelo Ministério do Planejamento, Ordenamento Fundiário e Florestal (Suriname); e pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (Suriname). A nova fase incluirá o Brasil por meio da participação do ICMBio e de outras instituições nacionais.
Localizado ao longo da costa norte da América do Sul, o Escudo é uma formação geológica de aproximadamente 1,7 bilhão de anos. Com 270 milhões de hectares, a região engloba a Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela e partes da Colômbia e do Brasil, incluindo os estados brasileiros de Roraima, Amapá, Pará e Amazonas. Em sua totalidade, o Escudo corresponde a 40% da área do bioma amazônico.
As ações específicas para se alcançar estes objetivos são a organização de oficinas regionais reunindo os gestores das áreas protegidas e a produção de encontros temáticos participativos, que buscam delinear uma visão geral acerca da melhor forma de se apoiar o desenvolvimento local em áreas isoladas em termos de desenvolvimento do ecoturismo. Adicionalmente, busca-se fomentar a ciência participativa para o manejo sustentável dos recursos naturais no ambiente amazônico, desenvolver estratégias de controle contra as ameaças de mineração ilegal de ouro e promover a transmissão do conhecimento tradicional e do patrimônio cultural.
“O Escudo das Guianas é umas das regiões mais preservadas da Amazônia e de efetiva contribuição para o controle climático do planeta, mas sua sociobiodiversidade, ainda pouco estudada, vem sofrendo pressões de atividades econômicas degradantes. Então, essa iniciativa é, sem dúvida, um passo importante para que os governos dos países que compõem o território pensem, planejem e executem ações integradas para proteção das paisagens e povos que habitam a região”, destacou Carla Lessa, gerente regional do Norte pelo ICMBio (GR1)
Além da participação da gerente regional, o ICMBio esteve também representado pelos coordenadores territoriais de Belém e Manaus, Willian Fernandes e Wilzer Cristiane Gonçalves, pelo coordenador geral de Proteção (CGPRO/DIMAN), Ricardo Brochardo, e pela chefe do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Amapá Central, Fernanda Brandão. O NGI inclui o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque.
Participaram também integrantes da Secretaria de Meio Ambiente do Amapá e instituições civis como a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e o Instituto Panthera.Servidores do ICMBio que compuseram o evento.
O território amazônico tem sido marcado pela intensificação de atividades ilegais que ameaçam a integridade dos ecossistemas, entre as quais a mineração clandestina se destaca pela amplitude de seus impactos. Como mostra a Figura 1, grande parte dessa pressão ocorre em áreas próximas ou sobrepostas às Terras Indígenas, evidenciando a vulnerabilidade desses espaços frente à expansão do garimpo.
Figura 1. Delimitação dos Estados da Amazônia Legal e das Terras Indígenas Demarcadas
Fonte: MapBiomas – Plataforma de Mineração, versão 9.0 (2023).
Ao longo das últimas décadas, o avanço da mineração ilegal aprofundou processos de degradação ambiental associados ao desmatamento, à contaminação por mercúrio, ao assoreamento de cursos d’água e à perda de biodiversidade. Além dos danos ecológicos, a atividade também afeta diretamente as populações indígenas e ribeirinhas, que enfrentam riscos sanitários, conflitos territoriais e desestruturação de modos de vida tradicionais. Esse conjunto de impactos exige análises que articulem a dimensão ambiental com dinâmicas históricas e territoriais de ocupação da Amazônia.
Nesse contexto, este estudo tem como objetivo examinar a evolução espacial e temporal da mineração ilegal na Amazônia Legal, no período de 1985 a 2023, destacando como a intensificação dessa atividade representa um obstáculo crescente à conservação ambiental na região. Para isso, utiliza-se a série histórica disponibilizada pelo MapBiomas, que permite identificar padrões de expansão, estados mais pressionados e mudanças na intensidade da atividade ao longo dos últimos 38 anos.
Ao revelar tendências e concentrações territoriais, a análise busca contribuir para o debate sobre os desafios contemporâneos da conservação ambiental na Amazônia, evidenciando a necessidade urgente de ações integradas de fiscalização, gestão territorial e proteção dos ecossistemas.
A análise apresentada nesta seção baseia-se na série histórica disponibilizada pelo MapBiomas, uma das plataformas mais completas para o monitoramento sistemático do uso e cobertura da terra no Brasil. Considerou-se exclusivamente o recorte geográfico da Amazônia Legal, abrangendo os estados do Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O estado do Acre não aparece nos resultados por ausência de registros de mineração — industrial ou garimpeira — na base consultada, o que explica sua exclusão das comparações posteriores.
1. Evolução da área minerada (1985–2023)
A série histórica analisada, que se estende de 1985 a 2023, permite acompanhar de forma contínua a evolução da mineração na região e identificar tanto sua expansão territorial quanto as mudanças em sua intensidade ao longo do tempo. Entre os indicadores disponibilizados pela plataforma, destacam-se dois: a área anual ocupada pelas diferentes classes de mineração, expressa em hectares, e a proporção relativa dessas áreas no conjunto da Amazônia Legal. Esses elementos são fundamentais para compreender o ritmo de expansão e a escala dos impactos ambientais associados.
Embora o recorte fundiário — como Terras Indígenas e Unidades de Conservação — não esteja discriminado nos dados do MapBiomas, é amplamente reconhecido que boa parte da mineração ilegal ocorre justamente nesses territórios, que figuram entre os mais vulneráveis da região. Isso torna ainda mais relevante observar como a atividade se distribui espacialmente ao longo da Amazônia, considerando que grande parte do avanço garimpeiro incide sobre áreas oficialmente protegidas.
O Gráfico 1 sintetiza a evolução das áreas ocupadas por mineração industrial e garimpo entre 1985 e 2023. Os dados revelam um padrão inequívoco: ao longo de quase quatro décadas, o garimpo se consolidou como a modalidade dominante na Amazônia Legal, tanto em extensão territorial quanto em velocidade de expansão. Desde 1985, quando já ocupava cerca de 22 mil hectares, a atividade avançou de forma contínua, alcançando mais de 264 mil hectares em 2023.
Gráfico 1. Evolução da Área Ocupada por Mineração Industrial e Garimpo na Amazônia Legal (1985-2023)
Fonte: Elaboração própria com base em dados do MapBiomas – Plataforma de Mineração, versão 9.0 (2023).
Em contraste, a mineração industrial apresentou crescimento muito mais lento e moderado: passou de aproximadamente 8 mil hectares em 1985 para cerca de 59 mil hectares em 2023. Como resultado, sua proporção relativa diminuiu ao longo do período, representando apenas cerca de 22,5% da área ocupada pelo garimpo no último ano da série.
Essa disparidade evidencia não apenas o caráter expansivo da mineração ilegal, mas também a fragilidade institucional no controle e fiscalização das frentes garimpeiras, especialmente após 2016, quando se observa uma aceleração expressiva da atividade. O intervalo entre 2016 e 2021, em particular, marca um dos períodos de crescimento mais intenso da série, refletindo a intensificação de redes ilegais, a valorização do ouro no mercado internacional e a redução das ações de fiscalização ambiental.
Por outro lado, a mineração industrial — por estar sujeita a processos mais rígidos de licenciamento e controle — apresenta um comportamento mais estável, com variações graduais ao longo do tempo. O contraste entre as curvas reforça o papel crítico do garimpo como principal vetor de pressão ambiental na região.
A Tabela 1 apresenta a distribuição da área ocupada por diferentes classes de garimpo no ano de 2023, totalizando 264.227 hectares. A composição revela forte concentração na categoria de garimpo metálico, que representa 96,23% de toda a área garimpada. Dentro desse grupo, destaca-se amplamente o garimpo de ouro, que sozinho responde por 232.261 hectares — o equivalente a 91,34% da extração ilegal registrada.
Tabela 1. Distribuição da Área Ocupada por Classe de Garimpo na Amazônia Legal em 2023
Garimpo Classes
264227
100,00
Metálicas
254274
96,23
Manganês
690
0,27
Estanho
21322
8,39
Ouro
232261
91,34
Não Metálicas
7506
2,84
Minerais Classe 2
7506
100,00
Pedras preciosas e rochas ornamentais
2446
0,93
Pedras preciosas
2058
84,14
Rochas ornamentais
388
15,86
Fonte: Elaboração própria com base em dados do MapBiomas – Plataforma de Mineração, versão 9.0 (2023).
Minerais metálicos como estanho (8,39%) e manganês (0,27%) aparecem em proporções muito inferiores, evidenciando sua participação residual na dinâmica garimpeira da Amazônia. A extração não metálica representa 2,84% da área total, concentrada principalmente em Minerais Classe 2. Pedras preciosas e rochas ornamentais ocupam uma área bastante reduzida, reforçando que o garimpo amazônico segue predominantemente orientado à exploração de metais de alto valor no mercado.
Esse perfil demonstra um padrão consolidado e historicamente estável: o garimpo de ouro permanece hegemônico, impulsionado tanto pela facilidade de extração quanto pela demanda crescente no mercado global. Tal predominância intensifica os danos ambientais, dado que a extração aurífera costuma envolver dragas, maquinário pesado e uso intensivo de mercúrio — um dos principais contaminantes dos ecossistemas amazônicos.
3. Distribuição espacial do garimpo entre os estados
O Gráfico 2 compara a área ocupada pelo garimpo em 2023 com a média histórica calculada para o período 1985–2023. Os resultados apontam para fortes assimetrias territoriais. O Mato Grosso aparece como o epicentro da atividade, com 68.354 hectares garimpados em 2023 — valor significativamente superior à sua média histórica (40.096 hectares). A magnitude dessa diferença revela uma intensificação recente da atividade no estado, que já era, historicamente, o principal polo minerário da região.
Gráfico 2. Distribuição da Área Ocupada pelo Garimpo na Amazônia Legal por Estado, 2023
Fonte: Elaboração própria com base em dados do MapBiomas – Plataforma de Mineração, versão 9.0 (2023).
O Amazonas ocupa a segunda posição, com 16.046 hectares, também muito acima de sua média histórica (4.303 hectares). Rondônia (10.758 hectares) e Maranhão (6.872 hectares) apresentam comportamento semelhante, com valores recentes que ultrapassam com folga suas médias históricas, indicando um avanço acelerado do garimpo nesses estados.
Amapá e Roraima registram áreas menores em termos absolutos, mas ambas também apresentam valores superiores às médias históricas, evidenciando que o crescimento da atividade é um fenômeno disseminado por toda a Amazônia Legal, ainda que em diferentes intensidades.
Por outro lado, Pará e Tocantins aparecem com as menores áreas ocupadas — 384 e 78 hectares, respectivamente — embora ainda acima de suas médias históricas, sugerindo um crescimento mais discreto, porém ainda presente.
O conjunto desses resultados mostra que a expansão garimpeira recente não se concentra apenas nos estados tradicionalmente mineradores, mas se dissemina por toda a região, alcançando inclusive áreas onde a atividade historicamente era menos expressiva. Isso reforça a tendência de interiorização do garimpo ilegal e a ampliação de sua área de influência territorial.
4. Análise conjunta dos efeitos espaciais e temporais
Para compreender de forma integrada a influência das diferenças territoriais e das mudanças ao longo do tempo, realizou-se uma ANOVA de dois fatores, avaliando simultaneamente o impacto do Estado e do Ano sobre a área anual de mineração. Como a variável dependente não atendia plenamente ao pressuposto de normalidade, aplicou-se a transformação logarítmica natural. Ainda assim, a heterogeneidade de variâncias levou ao uso de estimativas robustas (HC3) no SPSS.
Os resultados mostram efeitos altamente significativos tanto para o fator Estado quanto para o fator Ano. O primeiro apresenta a maior magnitude, indicando que a localização geográfica é determinante para explicar a variação observada na área de mineração. O fator temporal também é significativo, embora com menor impacto, mostrando que a atividade experimentou mudanças importantes ao longo das quase quatro décadas analisadas.
O modelo como um todo explicou 98% da variabilidade da variável transformada, com baixo erro residual, o que confirma sua forte capacidade explicativa. O elevado coeficiente de determinação reforça a robustez da análise e evidencia que os fatores espaciais e temporais atuam de forma articulada na expansão da mineração ilegal.
As comparações post hoc mostraram que o Mato Grosso supera significativamente todos os demais estados, enquanto Tocantins e Pará integram o grupo com menores médias. Amapá e Maranhão formam um par sem diferença estatística significativa, sugerindo dinâmica semelhante. Roraima e Pará também exibem valores próximos, ainda que com diferença significativa.
O Gráfico 3 ilustra essas diferenças, destacando a posição de liderança do Mato Grosso e a ampla distância que o separa de estados com menor presença minerária. As posições intermediárias de Amazonas, Maranhão e Amapá reforçam a ideia de que o garimpo se distribui de forma marcadamente desigual pela Amazônia Legal.
Gráfico 3. Médias Marginais Estimadas da Área Anual Ocupada por Classe de Mineração na Amazônia Legal (LN), por Estado (1985-2023)
Fonte: Elaboração própria com base em dados do MapBiomas – Plataforma de Mineração, versão 9.0 (2023), e análise realizada no IBM SPSS Statistics
Além disso, observa-se uma forte queda nas médias marginais estimadas para o Pará, seguida de um novo aumento em Rondônia, o que evidencia oscilações significativas entre estados vizinhos e demonstra que a atividade garimpeira não segue um padrão linear na região.
Roraima apresenta um comportamento intermediário, mas ainda inferior ao registrado em Rondônia, enquanto Tocantins aparece com o menor valor da série, encerrando o gráfico com a média marginal mais baixa. Esse conjunto de variações revela que, embora o Mato Grosso concentre a maior pressão minerária, a atividade se manifesta de maneira heterogênea e irregular ao longo de todo o território amazônico.
5. Implicações para a conservação ambiental na Amazônia Legal
Os resultados apresentados permitem afirmar que a expansão do garimpo ilegal na Amazônia Legal não é apenas um fenômeno de crescimento econômico informal, mas um processo de reconfiguração territorial com profundas consequências para a conservação ambiental. A predominância do garimpo sobre a mineração industrial ao longo de quase quatro décadas (Gráfico 1), a hegemonia da extração de ouro (Tabela 1) e a forte concentração da atividade em determinados estados (Gráficos 2 e 3) ajudam a dimensionar a escala das pressões exercidas sobre os ecossistemas amazônicos.
A centralidade do Mato Grosso e o avanço recente em estados como Amazonas, Rondônia e Maranhão indicam que grandes áreas de floresta estão sendo convertidas em frentes de extração mineral, muitas vezes em regiões de cabeceiras de rios e áreas de alta sensibilidade ecológica. Nesses contextos, o desmatamento associado à abertura de clareiras, estradas vicinais e acampamentos garimpeiros provoca fragmentação de habitats, perda de cobertura vegetal e alteração de ciclos hidrológicos, comprometendo serviços ecossistêmicos essenciais, como regulação climática, proteção de solos e manutenção da biodiversidade.
A predominância do garimpo de ouro adiciona outra camada de gravidade à situação. A utilização recorrente de mercúrio nos processos de beneficiamento contamina cursos d’água e cadeias alimentares, afetando peixes, fauna silvestre e populações humanas que dependem desses recursos para sua subsistência. Assim, as áreas mapeadas pelo MapBiomas não representam apenas manchas de uso econômico do solo, mas também zonas potenciais de risco toxicológico, muitas vezes sobrepostas a Terras Indígenas e territórios de comunidades tradicionais, como já sinalizado pela distribuição geográfica evidenciada na Figura 1.
A desigualdade espacial identificada pela ANOVA e pelas comparações post hoc também tem implicações diretas para a gestão ambiental. Estados com maior intensidade de garimpo concentram impactos mais profundos e complexos, exigindo estruturas robustas de fiscalização, monitoramento e recuperação ambiental. Já aqueles com participação relativa menor, mas em crescimento, demandam políticas preventivas capazes de evitar que novas frentes de expansão reproduzam o mesmo padrão de degradação observado nas áreas historicamente mineradas.
Do ponto de vista da conservação, os resultados indicam três desafios centrais. O primeiro é a necessidade de integrar informações de monitoramento, como as fornecidas pelo MapBiomas, às estratégias de comando e controle, permitindo respostas mais rápidas às novas frentes de garimpo e aos focos de expansão ilegal. O segundo é fortalecer a proteção de territórios vulneráveis, especialmente Terras Indígenas e Unidades de Conservação, que se encontram na linha de frente da pressão minerária. O terceiro diz respeito à urgência de articular políticas ambientais com alternativas econômicas sustentáveis, capazes de reduzir a dependência de atividades de alto impacto e baixa sustentabilidade.
Em síntese, a dinâmica espacial e temporal da mineração ilegal na Amazônia Legal evidencia um processo contínuo de intensificação das pressões sobre a floresta e seus povos. A consolidação do garimpo como forma dominante de ocupação minerária reforça o caráter estrutural do problema e demonstra que a conservação ambiental na região depende, de maneira crescente, da capacidade do poder público e da sociedade de enfrentar essa atividade em múltiplas frentes: monitoramento, fiscalização, ordenamento territorial e promoção de modelos de desenvolvimento que preservem a integridade dos ecossistemas amazônicos.
Com a colaboração de:
Prof. Dr, Yunier Sarmiento Ramírez possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade do Estado do Amazonas, mestrado em Gestão de Empresas pela Universidad de Holguín – Cuba e doutorado em Economia pela Universidade Federal de Rio Grande do Sul. Atualmente é professor da Universidade Federal do Amazonas no Departamento de Economia e Análise – DEA e no Programa de Pós-Graduação em Serviço Social e Sustentabilidade na Amazônia – PPGSS. Desenvolve pesquisas na área de Economia aplicada, teoria econômica e métodos quantitativos
Sobre o autor
Prof. Dr, José Barbosa Filho possui graduação em Engenharia de Pesca pela Universidade Federal do Ceará (1989), mestrado em Economia Rural pela Universidade Federal do Ceará (1992) e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2005). Atualmente é professor Titular da Universidade Federal do Amazonas. Desenvolve pesquisas na área de Contabilidade Ambiental, Matemática Financeira e Econometria, com ênfase em Gestão Ambiental, atuando principalmente nas seguintes áreas: valoração ambiental, desenvolvimento sustentável, avaliação de impactos ambientais e gerenciamento de processos.
O tema justiça climática ganhou força e vez durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA) entre 10 e 21 de novembro. O assunto, que consiste numa repartição histórica das desigualdades sociais e econômicas decorrentes das mudanças climáticas, foi amplamente discutido nos espaços de debate da conferência mundial.
A advogada em direito ambiental e membra da Diretoria de Mudanças Climáticas e de Desenvolvimento Sustentável da OAB-RJ, Cristiane Jaccoud, enalteceu a amplitude dos debates sobre justiça climática durante a COP30 e destacou a importância do assunto para o futuro das discussões climáticas.
“A questão da justiça climática, embora seja um tema antigo, está mais acirrada agora, a partir do momento que as questões climáticas se agravam e as formas de tentar enfrentar a crise climática ganham maior proporção. A minha percepção é que nessa COP, a questão está muito enfatizada, a gente observou muitos espaços paralelos à COP, Belém ampliou significativamente esses espaços para o debate acalorado e possibilitar essas arenas de informação é sempre o primeiro passo para caminhar em direção às ações mais efetivas”, pontuou Jaccoud.
Para o advogado e professor de direito ambiental da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Dr. Talden Faria, o debate da justiça climática é fundamental para a distribuição igualitária dos benefícios e malefícios decorrentes das mudanças climáticas para os países.
“Eu diria que a justiça climática é a chave de toda a discussão climática, porque envolve a repartição dos benefícios e malefícios do processo de desenvolvimento que gerou o fenômeno das mudanças climáticas. O nível de consumo, a emissão de gases do efeito estufa, tudo isso gera produtos, bens e serviços, mas nem todo mundo tem acesso a isso. Ou seja, o ônus e o bônus são distribuídos de forma totalmente desproporcional, em outras palavras, as populações tradicionais, os mais pobres sofrem muito mais com os impactos ambientais do que pessoas e países mais ricos”, pontuou Talden, que também é vice-presidente da União Brasileira da Advogacia Ambiental (UBAA).
Bioeconomia também entra em foco
Outro tema amplamente debatido na COP30 foi a implementação da bioeconomia como o novo modelo socioeconômico e sustentável. O sistema deriva da utilização de recursos biológicos renováveis como plantas, animais e microrganismos, favorecendo a redução da dependência de combustíveis fosses e a diminuição de impactos ambientais.
Para Juliana Lopes, diretora técnica de Natureza e Sociedade do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o início das discussões da bioeconomia durante a COP30 já é algo inédito e um dos principais avanços do tema.
“Uma das maiores contribuições brasileiras foi inserir a bioeconomia em fóruns internacionais como a COP30. Começou no G-20 no ano passado, com a aprovação dos 10 Princípios de Auto Nível sobre Bioeconomia, que foi a base conceitual importante para os diálogos entre os países que detém grandes ativos naturais, numa oportunidade de converter esses ativos em condições de vida e prosperidade econômica, principalmente para aqueles que contribuem com a floresta em pé, que são os povos indígenas, comunidades tradicionais, entre outros”, explicou a diretora.
Juliana citou alguns avanços significativos acerca da bioeconomia na COP30 como o lançamento da Bioeconomy Challenge, uma plataforma internacional e multissetorial criada para transformar os princípios globais da bioeconomia em ações concretas e soluções escaláveis até 2028. Além disso, foi elaborado o documento “O Brasil que vem“, com diversas propostas de governo e, entre elas, a criação da Política Nacional de Bioeconomia.
“A próxima década vai ser marcada pela implementação da bioeconomia e a COP30 será lembrada por isso”, afirma Juliana, que é colíder da Força-Tarefa Bioeconomia, uma das partes do movimento Coalização Brasil.
Juliana Lopes, diretora técnica de Natureza e Sociedade do CEBDS, afirma que debate sobre bioeconomia já é um avanço. Foto: Reprodução/Youtube-CBN Amazônia
Especial COP30
As entrevistas dos advogados Cristiane Jaccoud, Talden Farias e da diretora técnica Juliana Lopes fazem parte de uma sequência especial dedicada à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – Conferência das Partes (COP30) do programa ‘Bate-papo na CBN’, da rádio CBN Amazônia Belém (102,3 FM ).
Com o olhar de quem vive na região, o programa reuniu informações e entrevistas sobre toda a movimentação da 30ª edição do encontro mundial realizado em Belém (PA), realizado entre os dias 10 e 22 de novembro.
Especialistas em direito ambiental enaltecem amplitude do tema sobre justiça climática na COP30. Foto: Reprodução Youtube/CBN Amazônia
Com oito episódios, os programas da rádio, apresentados pela jornalista Brenda Freitas, também ganharam versões especiais no canal Amazon Sat e no Portal Amazônia.
Assista as entrevistas completas no sétimo episódio da edição especial do programa:
A iniciativa Banzeiro da Esperança é uma parceria entre Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Fundação Rede Amazônica (FRAM) e Virada Sustentável, com patrocínio do Banco da Amazônia (BASA). Esta edição do Banzeiro da Esperança é uma jornada de conexão, troca de saberes e transformação com foco na COP30.
Na região amazônica, onde os rios moldam o cotidiano das comunidades, os peixesnão são apenas alimento: representam símbolos da identidade e da cultura.
Por isso, festejos em homenagem aos peixes estão relacionados com a preservação ambiental ou com tradições ancestrais, que incluem música, culinária e manifestações artísticas.
Esses festejos transformam os peixes em protagonistas fundamentais na economia e no ecossistema da região. Conheça cinco que homenageiam os peixes regionais:
Eco-Festival do Peixe-Boi de Novo Airão
O Eco-festival do Peixe-Boi, realizado em Novo Airão, no Amazonas, foi criado em 1989, com a missão de reforçar a importância da preservação do peixe-boi, mamífero aquático símbolo da região e ameaçado de extinção. O evento reúne arte, música e educação ambiental na Lagoa do peixe-boi, no Centro Cultural de Novo Airão.
A festa é conduzida pelas agremiações Peixe-Boi Jaú e Peixe-Boi Anavilhanas, inspiradas nos parques nacionais presentes no município.
O Peixe-Boi Jaú homenageia o Parque Nacional do Jaú, área de floresta tropical protegida, com as as cores verde e preto e apresentações conhecidas pela forte conexão com a natureza.
Enquanto o Peixe-Boi Anavilhanas homenageia o Parque Nacional de Anavilhanas, famoso pelo arquipélago fluvial no Rio Negro, com as cores verde e branco e perfomances conhecidas pela conexão com a fluidez das águas e a beleza das paisagens aquáticas.
Durante os anos de 1989 e 1992, as duas agremiações que hoje disputam o festival não existiam. Nesse período era realizada apenas a encenação da Lenda do peixe-boi por um grupo teatral de jovens da época, acontecendo sempre no mês de junho. A partir de 1993, um novo modelo do festival foi criado: chamado de Eco-Festival e realizado sempre no mês de outubro. O novo formato deu origem às duas agremiações.
Atualmente, nove jurados avaliam 17 itens, entre eles apresentador, cantor, batucada, mensagem ecológica e a tradicional Lenda do Peixe-Boi. Além disso, o Jaú soma 11 títulos, enquanto o Anavilhanas acumula 9.
Festival do Peixe Ornamental de Barcelos
Sempre no último fim de semana de janeiro, o município de Barcelos, também no Amazonas, sedia o Festival do Peixe Ornamental (Fespob), reunindo criadores, pesquisadores, comerciantes, artistas e turistas na Arena Piabódromo para uma celebração anual da biodiversidade e da cultura amazônica.
Festival do Peixe Ornamental. Foto: Reprodução/Instagram-fespob
Os grandes destaques do festejo são os espetáculos dos peixes Acará-Disco, famoso por suas cores vibrantes, e Cardinal, um dos peixes ornamentais mais exportados do Amazonas. Além disso, o festival conta também com a participação de artesãos indígenas, shows musicais e outras atividades culturais.
Festival do Bodó com Farinha em Iranduba
Ainda no Amazonas, foi criado em Iranduba o Festival do Bodó com Farinha, pelo empresário Juvenal Monteiro da Silva e pelo músico José Cassiano da Silva. O festival foi criado com o intuito de acabar com o preconceito que se tem em relação ao bodó, em função de sua aparência.
Reunindo gastronomia, música e concursos culturais, o festival também conta com a escolha da rainha do evento. Além disso, durante a festa pratos com bodó são vendidos a preços populares, como:
Bodó assado
Caldeirada de bodó
Bodó à milanesa
Ki-Bodó (kibe de bodó)
Vatapá de bodó
Sanduíche de bodó
Bodó à casaca
Lasanha de bodó
Maionese de bodó
Festival de Peixes da Amazônia em Rondônia
O Festival de Peixes da Amazônia, realizado em Rondônia no mês de abril, tem como objetivo valorizar a diversidade e as riquezas regionais da região, com destaque para as várias espécies de peixes dos rios da Amazônia. O evento acontece em Porto Velho e explora temas como ciência e pesquisa, pesca esportiva, turismo e sustentabilidade.
Foto: Irene Mendes/Secom RO
A festa inclui oficinas, palestras, demonstrações culinárias, exposições de peixes vivos em aquários e esculturas gigantes, além da orientação para visitantes sobre a pesca esportiva, os mapas dos rios, as espécies e as marinas.
Festival Internacional do Tambaqui da Amazônia
Ainda em Rondônia, um dos peixes típicos mais populares da Amazônia tem um evento só seu: o tambaqui. O evento celebra e promove o consumo do peixe amazônico em várias cidades de Rondônia, com foco em vendas, jantares e conscientização sobre o peixe, com apoio do governo.
Foto: Esio Mendes/Governo de Rondônia
O Festival começou em 2017, em Ariquemes, durante a Expovale, evento com exposição e comercialização de produtos de municípios do Vale do Jamari.
Logo, a ideia se espalhou e ganhou a adesão de outras cidades do interior de Rondônia e chegou, em 2019 na inédita iniciativa de assar 4 mil bandas de Tambaqui em plena Esplanada dos Ministérios em Brasília. Além disso, edições também já foram realizadas em Nova Iorque e Miami, nos EUA, em 2022 e 2023 respectivamente.
Festival do Pirarucu no Pará
Organizado pela Associação Comunitária de Santa Maria do Tapará (ASCOSAMTA), o festival do Pirarucu tem o objetivo de fortalecer o manejo do pirarucu e celebrar a recuperação da população da espécie, que antes era ameaçada.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém
A programação combina gastronomia, apresentações cívicas, artesanato, pesca com arpão e noite cultural. Além disso, a festa conta também com a exposição do histórico do festival e do manejo do pirarucu, fotografias, escolhas das rainhas do pirarucu e palestras da Capitania dos Portos em Santarém para crianças da comunidade.
Entre as iguarias gastronômicas estão o pirarucu frito, desfiado, churrasco de pirarucu, mojica, entrecha e Vatapá. Os peixes são capturados no Lago do Purús, onde a comunidade possui um acordo de pesca que determina os períodos adequados para a pesca, com a finalidade de manter o estoque da espécie ameaçada.
*Com informações de G1 Amazonas, Sebrae, Prefeitura de Porto Velho e Prefeitura de Santarém
Com o fim da COP30 e de mais um ciclo de negociações internacionais sobre a crise climática, experiências locais reforçam que as respostas urgentes também precisam nascer dos próprios territórios. Em Belém (PA), o OBx (Observatório das Baixadas) surge com essa missão: fomentar debates sobre os desafios que marcam o cotidiano das baixadas e periferias amazônicas, valorizando o conhecimento científico e tecnológico produzido por quem vive esses espaços.
Assim, o Observatório das Baixadas se dedica a compreender e discutir as questões sociais, ambientais e as dinâmicas que estruturam a vida periférica.
Em meio às discussões da COP30, iniciativas como o Observatório das Baixadas ganham relevância por atuarem de forma próxima às comunidades e por produzirem informações acessíveis e conectadas às realidades locais. Nesse cenário, experiências como a do OBx aparecem como caminhos possíveis para aproximar diretrizes nacionais e internacionais das necessidades cotidianas de territórios vulneráveis, como os de Belém.
Foto: Divulgação/ Ipam Amazônia
“O desfecho da COP deixa claro que a adaptação climática só pode avançar de fato quando parte das realidades mais expostas à crise, especialmente aquelas onde seus efeitos já são sentidos no presente. Em periferias e baixadas como as de Belém, os impactos se manifestam em alagamentos constantes, calor extremo, falta de água e infraestrutura frágil. Apesar de acordos internacionais e promessas de financiamento, permanece um grande descompasso entre os recursos anunciados e o apoio que realmente chega às comunidades que enfrentam esses desafios todos os dias”, explica Waleska Queiroz, cofundadora e coordenadora de Relações Institucionais do Observatório das Baixadas.
Ações práticas para a Amazônia
O Observatório das Baixadas desenvolve ações voltadas à justiça climática nas periferias amazônicas, produzindo dados que evidenciam como a crise climática afeta esses territórios. Iniciativas como o Atlas das Baixadas, iniciado em 2024 e o Censo Climático, que terá inicio em janeiro de 2026, ajudam a identificar áreas mais vulneráveis e orientar prioridades de adaptação, ao mesmo tempo em que fortalecem a formação de jovens pesquisadoras e pesquisadores periféricos em temas como clima, raça, gênero, território e tecnologia.
Foto: Divulgação/ Ipam Amazônia
O trabalho também envolve atividades de educação ambiental, mobilização comunitária e pesquisa aplicada, incluindo oficinas, rodas de conversa, cartografias sociais e incidência política para inserir as demandas das baixadas nos debates públicos. Além disso, o Observatório das Baixadasrealiza monitoramento ambiental e levantamento de riscos, considerando saberes ancestrais, natureza e modos de vida locais como partes essenciais para construir soluções climáticas mais justas e adequadas ao território.
“Quando a comunidade participa das atividades do Observatório, passa a integrar diretamente a construção coletiva do nosso trabalho, que nasce sempre do diálogo com os territórios. Moradoras e moradores contribuem ao relatar situações como alagamentos, ondas de calor, falta d’água e falhas de infraestrutura, permitindo que essas vivências se convertam em informações úteis para instrumentos como o Atlas das Baixadas e para a formulação de políticas públicas. Além disso, o apoio pode vir de diferentes formas: doações de equipamentos, disponibilidade de tempo, troca de conhecimentos ou participação nas campanhas digitais, que ajudam a ampliar a visibilidade das pautas e a fortalecer a pressão por ações mais justas para as periferias”, diz Waleska.
O futuro no Observatório das Baixadas
O projeto dará início à primeira fase do Censo Climático, no bairro da Terra Firme em Belém, com um levantamento detalhado de informações sobre os impactos climáticos, infraestrutura, áreas de risco, acesso à água, saúde e espaços verdes. A partir desses dados, serão elaborados indicadores que refletem a realidade climática das baixadas, configurando um projeto piloto construído junto à própria comunidade.
Enquanto isso, paralelamente, o programa “Atlas das Baixadas” seguirá sendo atualizado, incorporando novas camadas, com a participação ativa da população, além de avançar na sua expansão para outras regiões do país.
Ao mesmo tempo, o Observatório das Baixadas continuará promovendo o projeto de simulação da COP30 em escolas e comunidades, ampliando a compreensão sobre negociações climáticas entre jovens e moradores. Novas ações serão desenvolvidas com foco nas mulheres, por meio do Grupo de Trabalho de Raça e Gênero, reforçando a perspectiva interseccional na construção da agenda climática das baixadas e fortalecendo a participação comunitária na busca por soluções mais justas e efetivas.
O projeto, lançado oficialmente em setembro de 2024, nasceu a partir da iniciativa de Waleska Queiroz e Andrew Leal, jovens moradores de Belém, e contou com a co-fundação de Thuane Nascimento (PerifaConnection) e Jean Ferreira (COP das Baixadas).
Juntos, eles desenvolveram uma plataforma independente voltada para acompanhar, fortalecer e amplificar a voz das periferias amazônicas frente aos desafios climáticos. Para conhecer mais sobre o projeto, é possível entrar em contato pelo Instagram @observatoriodasbaixadas ou acessar o site www.observatoriodasbaixadas.org.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM Amazônia
Lançado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), o manual é uma ferramenta inédita desenvolvida no âmbito do projeto Land Restitution and Peacebuilding in Indigenous Territories (Restituição Fundiária e Construção da Paz em Territórios Indígenas).
Manual orienta povos e comunidades indígenas a acionarem as autoridades em situações de risco. Foto: Reprodução
De acordo com o Secretário-Executivo do MPI, Eloy Terena, o documento é um guia prático para situações de risco e que sistematiza o funcionamento de órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), o Ministério Público Federal, Defensorias Públicas, Polícia Federal, Polícias Militares estaduais e forças de segurança ambiental.
Em casos de emergência, o material orienta as comunidades a acionarem as autoridades, priorizando a FUNAI como órgão central para a proteção territorial. Além disso, esclarece direitos fundamentais relacionados à demarcação, invasões, crimes ambientais e ameaças a lideranças.
Notas técnicas do manual
Além do manual, que apresenta de forma clara e acessível os órgãos competentes para o acionamento institucional, os mecanismos de denúncia e as responsabilidades de cada entidade envolvida na proteção territorial, a iniciativa compreendeu ainda a elaboração de um conjunto de seis notas técnicas sobre temas estratégicos para a atuação do MPI.
As notas são sobre:
Invasões de terras indígenas com ênfase em dinâmicas de grilagem e desmatamento;
Empreendimentos de infraestrutura que afetam os povos indígenas;
Arrendamentos de áreas no interior de terras indígenas;
Mineração e garimpo no interior e entorno de terras;
Ameaças às lideranças indígenas e medidas protetivas;
e Emprego da Força Nacional de Segurança Pública em terras indígenas.
Todo o material foi elaborado pelo Centro de Trabalho Indigenista (CTI). No marco da mesma parceria, ainda se encontra em desenvolvimento, pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), uma plataforma para monitoramento de conflitos funcionários envolvendo povos indígenas.
Gergelim é cultivado em propriedade no Bonfim, município ao Norte de Roraima. Foto: Raquel Maia/Rede Amazônica RR
O primeiro plantio voltado para a produção de sementes de gergelim em Roraima começou em uma fazenda na região da Serra da Lua, em Bonfim, município ao Norte do estado, e ocupa cerca de 230 hectares. A área concentra três variedades que devem abastecer produtores do estado e de outras regiões.
Rico em nutrientes e vitaminas, o gergelim é uma das oleaginosas mais antigas usadas pelo homem. A semente pode ser usada em pães e como tempero, e o óleo de gergelim traz benefícios para a saúde.
Cultivo do gergelim em Roraima
Segundo o agricultor Tiago Fonseca, proprietário da fazenda onde a semente começou a ser plantada, as cultivares usam tecnologia israelense e foram desenvolvidas para regiões com clima semelhante ao de Roraima.
“Decidimos fazer os testes e estamos bastante satisfeitos com o resultado. O plantio se desenvolveu muito bem e, em poucos dias, vamos começar nossa colheita”, afirmou o agricultor.
Roraima começa a produzir sementes de gergelim. — Foto: Raquel Maia/Rede Amazônica
Cultivo em Roraima
O cultivo de gergelim em Roraima tem chamado atenção devido ao clima favorável e ao potencial produtivo da cultura. Essas condições têm atraído investimentos, como o da empresa do diretor comercial Bruno Pellicciotti, que iniciou operações no estado para fornecer sementes nas próximas safras.
“Nós vimos que Roraima estava crescendo muito na agricultura e como aqui tem um clima quente e o gergelim produz bem nessas condições decidimos trazer nossa empresa para o estado”, disse Pellicciotti.
A empresa também planeja produzir gergelim para exportação. Segundo Pellicciotti, as regiões produtoras devem ser beneficiadas com a abertura do mercado chinês e com o aumento da demanda internacional pelo produto, que é usado principalmente pela indústria alimentícia.
Em Roraima, o gergelim pode ser consolidar como uma alternativa rentável desafrinha, a segunda safra do ano. O plantio ocorre logo após a colheita da safra principal, geralmente a da soja.
Segundo Valdinei Sofiatti, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Algodão, o gergelim atrai produtores em várias regiões do país por ter baixo custo de produção e exigir poucos investimentos adicionais.
“É possível aproveitar toda infraestrutura usada na safra principal. Com alguns ajustes a mesma máquina que planta e colhe soja pode ser usada na semeadura do gergelim”, explicou.
O pesquisador ressalta que, apesar das vantagens, a planta exige um manejo adequado para garantir boa produtividade. O controle de pragas e doenças, junto com a adubação correta, é essencial para alcançar bons resultados na produção.
No Brasil, a produtividade média varia entre 500 e 600 quilos por hectare. Em áreas mais tecnificadas, porém, pode ultrapassar mil quilos por hectare.
Para o secretário de Atração de Investimentos de Roraima, Aluizio Nascimento, o cenário é otimista. Projeções indiciam que o estado pode superar 10 mil hectares de gergelimem 2026.
“Para nós é uma nova alternativa que vem somar, pensando principalmente no mercado internacional que é um grande consumidor de gergelim. É possível ser produzido pela agricultura familiar e agricultura indígena fortalecendo a produção roraimense”, destacou.