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Asfalto transforma a vida de produtores e comerciantes na zona rural de Boa Vista

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Investimento de R$ 27 milhões leva 30 km de asfalto às vicinais da região do Bom Intento. Foto: Rebeca Lima/PMBV

Com trabalho contínuo e investimentos que fazem a diferença, a Prefeitura de Boa Vista consolida ações que melhoram a mobilidade urbana e rural do município. Na região do Bom Intento, foram investidos R$ 27 milhões em obras de infraestrutura, com a implantação de 30 km de asfalto em trechos das vicinais BVA-349, BVA 346-B, Brasileirinho e Carrapato.

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Somente na região do Bom Intento, a prefeitura já recuperou as três principais pontes da BVA-349, até o igarapé Água Boa. Foram implantados mais de 44 km de asfalto, sendo 9,13 km na BVA-344 (vicinal do Carrapato), 22,5 km na BVA-347 (vicinal do Brasileirinho) e, com a conclusão da obra em andamento, a BVA-349 passará a totalizar 22 km de vias asfaltadas. Com todas as intervenções, a região do Bom Intento contará com 54 km de estradas pavimentadas, fortalecendo o desenvolvimento local e melhorando a mobilidade rural.

Mais de 44 km de asfalto implantados nas vicinais Carrapato, Brasileirinho e BVA-349. Foto: Rebeca Lima/PMBV

Pavimentação melhora o acesso e impulsiona a economia local

Quem comemora a chegada do asfalto é o produtor rural José Rodrigues, de 66 anos, que cultiva uma variedade de hortaliças, como cheiro-verde, cuchá, maxixe, quiabo, tomate e batata. Parte da produção é comercializada na própria propriedade e o restante é levado para a cidade.

“É um sonho realizado. Estou muito feliz com a prefeitura implantando asfalto próximo da minha propriedade. Tiro o chapéu para o trabalho que vem sendo feito no Bom Intento”, afirmou.

O comerciante Jeferson Vieira, de 25 anos, morador da região há cinco anos, também destaca os benefícios dos investimentos em infraestrutura. “Só o fato de a prefeitura ter elevado a estrada e feito a terraplenagem já melhorou muito. Agora, com o asfalto, muda tudo, principalmente para o movimento do meu comércio. Antes, o trajeto até a cidade levava cerca de uma hora; hoje faço em aproximadamente 30 minutos”, relatou.

Comerciante Jeferson Vieira destaca que o asfalto reduziu o tempo de deslocamento e impulsionou o comércio local. Foto: Francisco Sena/PMBV

Infraestrutura que alcança mais comunidades

O Projeto de Assentamento Nova Amazônia, na região do Murupu, também foi contemplado com melhorias na infraestrutura. No local, a prefeitura executou serviços nas vicinais 1, 3, 4 e 7, dentre eles, foram feitos recomposição asfáltica e tapa-buraco, como também, implantação de talvegues e galerias em pontos críticos de alagamento, assegurando mais segurança, melhor trafegabilidade e acesso contínuo aos moradores.

Moradora da região há mais de 15 anos, Cláudia Cristina aprovou as obras. “Às vezes, precisávamos fazer um trajeto maior para sair da vicinal, mas agora que arrumaram e colocaram as galerias, melhorou muito. Foi uma ajuda grande, inclusive para quem trabalha com soja. Ficou mais fácil para os produtores escoarem a produção para a cidade”, disse.

Leia também: Mais de 54 mil alunos iniciam o Ano Letivo 2026 em Boa Vista

PA Nova Amazônia recebeu recomposição asfáltica, tapa-buracos e obras de drenagem em vicinais da região do Murupu. Foto: Giovani Oliveira/PMBV

Mais de 228 km de estradas recuperadas na zona rural

Desde o início da atual gestão, a Prefeitura de Boa Vista tem intensificado os investimentos em infraestrutura rural, atendendo regiões como Bom Intento, Urubuzinho, Água Boa, Barra do Vento, além dos Projetos de Assentamento Nova Amazônia, Truaru e Murupu.

Ao todo, já foram recuperados mais de 228 km de estradas rurais, distribuídos em 23 trechos, além da pavimentação de 77 km de vias em 12 trechos distintos. Outro avanço importante foi a implantação de 28 galerias, que substituem antigas pontes de madeira e garantem mais segurança e mobilidade às comunidades durante todo o ano.

#Série – Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia: o que é lombriga?

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Na última parte da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, o Portal Amazônia buscou informações sobre uma das doenças mais conhecidas: a lombriga. Com apoio da médica generalista Júlia Edwirges, explicamos o que é a ascaridíase, infecção intestinal causada pelo Ascaris lumbricoides, verme que vive em regiões de clima quente e sem saneamento básico.

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O nome lombriga deriva do latim lumbricus e significa minhoca, daí a associação popular à doença, por conta das características físicas dos vermes causadores da ascaridíase (corpo cilíndrico, de extremidades finais e geralmente longos), semelhantes aos anelídeos.

O que é lombriga?

Também chamada de ascaridíase, a lombriga é uma doença intestinal causada pelo verme nematelminto Ascaris lumbricoides. Tal parasita se reproduz no ser humano, único hospedeiro da doença, e está presente em alimentos ou água contaminados ou locais sem saneamento básico e condições de higiene inadequadas.

Verme adulto do Ascaris lumbricoides podem atingir até 40 cm de tamanho. Foto: Reprodução/Site MD Saúde

Isso porque a ascaridíase se desenvolve quando uma pessoa ingere os ovos do verme através do consumo de alimentos crus ou manipulados em água contaminada com fezes de humanos ou até mesmo no contato direto da pele com os excrementos.

Tal cenário é comum em locais de condições sanitárias precárias, sem acesso à água potável e rede de tratamento de esgoto.

Embora possa afetar pessoas de todas as idades, as crianças são geralmente as mais acometidas pela ascaridíase, pois a maioria costuma brincar em solos contaminados. As mãos sujas podem levar os ovos diretamente para a boca ou contaminar brinquedos e objetos que entrarão, posteriormente, em contato com a boca de outras crianças. Já os adultos, geralmente se infectam ao ingerir água ou alimentos contaminados.

A falta de saneamento básico contribui para a contaminação de doenças como a ascaridíase. Foto: Reprodução/Instituto Trata Brasil

Causas

Após a ingestão, os vermes parasitas migram para o intestino e ficam instalados até eclodirem seus ovos, período que dura até 20 dias para desenvolverem suas larvas. Desenvolvidas, as larvas entram em contato com as paredes do intestino, onde as fêmeas podem produzir até 200 mil ovos por dia.

Os ovos produzidos são liberados na natureza novamente através das fezes humanas, o que propicia a infecção de novos indivíduos. Este ciclo, desde a ingestão dos ovos até a saída de larvas pelas fezes, pode variar de 60 a 75 dias. Já a duração média de vida do verme adulto é de 12 meses.

Ciclo reprodutivo da Ascaris lumbricoides, a popular lombriga, dentro do corpo humano. Arte: Infoescola/DPDx

Leia também: Quebranto, peito aberto e mau-olhado: conheça 6 doenças tratadas pelas benzedeiras da Amazônia

Sintomas

Na maioria dos casos, a ascaridíase é assintomática, mas pode apresentar sinais intestinais e respiratórios. Os principais sintomas intestinais da ascaridíase são dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, perda de peso e falta de apetite, além do cansaço excessivo.

Em casos mais intensos, a infecção pode levar a complicações mais graves como tosse seca, irritação na garganta, obstrução intestinal e problemas respiratórios.

Tais quadros ocorrem porque as lombrigas podem invadir a mucosa intestinal, alcançar as vias sanguíneas e chegar em outros órgãos como fígado, coração e pulmões.

Diagnóstico

Exames como o patológico de fezes ajudam a diagnosticar a ascaridíase. Foto: Reprodução/Blog Amor e Saúde

O aparecimentos dos sintomas é o primeiro passo para buscar ajuda médica. O clínico geral, gastroenterologista ou pediatra (em caso de crianças), pode diagnosticar a lombriga por meio da eliminação de vermes visíveis ao olho nu através da boca, nariz e ânus. Um exame patológico de fezes também pode ser indicado para verificar a existência de ovos ou lombrigas adultas.

Outros exames como radiografias de tórax podem demonstrar manchas no pulmão típicas de lombrigas ou hemograma, já que as larvas também podem aparecer no escarro e o procedimento pode apontar um aumento de eosinófilos, glóbulos que desempenham papel importante no sistema imunológico combatendo infecções parasitárias.

Tratamento

O tratamento da lombriga é com o uso de medicamentos para aliviar os sintomas e também para eliminar os vermes. Existem remédios específicos para a doença, porém eles só devem ser prescritos por um médico por conta de seus efeitos colaterais e interações medicamentosas.

Por vezes, o médico pode optar pela associação de medicações para um tratamento seguro, já que as lombrigas podem se multiplicar em grande quantidade e tem a capacidade de causar obstruções ou migrar de forma desordenada pelo organismo.

Nos casos mais severos, pode ser necessário realizar cirurgia para remover obstruções intestinais causadas pelo acúmulo excessivo de vermes.

Prevenção

A prevenção da ascaridíase está ligada a boas práticas de higiene e saneamento. Algumas das principais medidas são: 

  • Lavar bem as mãos após usar o banheiro e antes de manusear alimentos. 
  • Consumir alimentos bem lavados e, preferencialmente, cozidos. 
  • Garantir o tratamento adequado da água consumida e da utilizada no preparo de alimentos. 
  • Evitar o consumo de alimentos crus ou mal preparados, cozidos em locais com saneamento precário.   
  • Manter os ambientes limpos e livres de fezes de animais ou pessoas infectadas.  
Lavar as mãos é uma medida fundamental para prevenir a contaminação da ascaridíase. Foto: Couleur via Pixabay

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

Leia mais da série:

Por pouco! Encontrei uma jararaca na trilha e quase sofri um acidente

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Foto: Flávio Terassini/Acervo pessoal

As jararacas são viperídeos de uma família que pertence também a cascavel e a surucucu-pico-de-jaca. Mas a jararaca é a mais abundante, mais comum e a que mais causa acidentes no Brasil. De cada dez acidentes causados por serpentes, sete são causados por jararacas.

Elas são bem comuns, principalmente nessa época de chuvas na Amazônia. A incidência entre janeiro, fevereiro e março aumenta, chegando até três acidentes por dia no estado de Rondônia. E, na Amazônia, dezenas de acidentes e mais de 70 acidentes por dia no Brasil, só pela serpente jararaca.

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Acidente com jararaca

O acidente com uma jararaca acontece do seguinte modo: ela inocula um veneno que causa muita dor, hemorragia, equimose (mancha roxa, azulada ou avermelhada na pele causada pelo rompimento de pequenos vasos sanguíneos e extravasamento de sangue sob a pele) e dor intensa. Um hospital tem que ser procurado o mais rápido possível.

É muito importante tirar a foto do animal para a sua identificação e para que o médico tome as atitudes corretas, pois para cada cobra existe um soro específico.

Cuidados

Ao entrar numa área de mata, seja para pescar, passear ou caminhar, é muito importante usar bota, perneira, calça fechada, camisa de manga longa, não colocar a mão em buracos debaixo de tronco de árvore, entulhos, e prestar bastante atenção onde anda, principalmente no período noturno que é quando as jararacas estão em maior atividade aqui na Amazônia.

serpente jararaca encontrada em trilha em Rondônia
Foto: Flávio Terassini/Acervo pessoal

Ao ver o animal, não mate porque elas também são muito importantes para o meio ambiente: elas se alimentam de roedores, de outros animais, então controlam a população desses animais da floresta desempenhando um papel fundamental na cadeia alimentar.

Além de ser predadoras de roedores que causam doenças, elas também servem de alimentos para outros animais como as aves, os gaviões e até outras serpentes. Por isso elas são muito importantes.

Segue a dica: ao encontrar uma jararaca, muito cuidado, não tente colocar a mão nela porque ela vai se defender inoculando veneno. Fotografe e sempre preste muita atenção ao entrar em áreas de floresta.

Leia também: Gigante: aranha-golias é um dos animais amazônicos que impressionam

Sobre o autor

Ticksman é o Flávio Aparecido Terassini, biólogo, professor universitário desde 2006, mestre em Ciências pela USP e doutorando pelo Bionorte.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Lendas transformam pôr do sol em momento de conexão espiritual em cidade do Amazonas

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Pôr do sol em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

O pôr do sol em São Gabriel da Cachoeira, às margens do Rio Negro, no Amazonas, é mais do que um espetáculo de cores para os povos originários da região. Entre os Tukano e os Baniwa, duas lendas diferentes dão sentido ao momento em que o sol se despede do dia, transformando o fenômeno natural em um ritual sagrado.

A ligação entre as visões ancestrais com a cultura do município amazonense se justifica: São Gabriel da Cachoeira é a terceira cidade mais indígena do Brasil, segundo Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com 93,2% da população pertencente às etnias distribuídas no município. Para a maior parte dos habitantes, o pôr do sol segue sendo um dos símbolos mais fortes da união entre mito e realidade.

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O céu tingido de laranja, vermelho e roxo reflete nas águas escuras do rio e impressiona moradores e turistas. Mas, para os povos indígenas, o espetáculo vai além da estética: é um momento de respeito e silêncio, em que se reafirma a conexão espiritual com os antepassados.

Relatos da beleza do pôr do sol

De acordo com a Secretaria de Cultura do Município, na tradição Tukano, o sol mergulha nas águas do Rio Negro para descansar e renovar suas forças, sendo acompanhado por espíritos que garantem a continuidade da vida.

A visão da etnia sobre o fenômeno natural já foi alvo de estudos internacionais. O antropólogo britânico Stephen Hugh-Jones, esteve na Amazônia em 1979, e passou um tempo com o povo Tukano.

A experiência resultou na publicação sobre a lenda no estudo ‘From the Milk River: Spatial and Temporal Processes in Northwest Amazonia‘ (Do Milk River: Processos Espaciais e Temporais no Noroeste da Amazônia, em tradução literal).

“O sol é visto como um operador do tempo e do espaço, responsável por ordenar o ciclo da vida e garantir o equilíbrio entre o dia e a noite”, diz trecho do estudo.

o pôr do sol é lindo em São Gabriel da Cachoeira
Município de São Gabriel da Cachoeira. Foto: Divulgação/Amazonastur

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Já para os Baniwa, o pôr do sol simboliza a passagem do tempo e a harmonia entre os mundos, com os ancestrais guiando o astro em sua travessia para assegurar equilíbrio entre natureza e humanidade.

“O pôr do sol entre os Baniwa é também um marcador de tempo, que orienta práticas sociais e agrícolas, funcionando como um mapa cosmológico”, explica a pesquisadora da Universidade Federal do Amazonas, Silvana Rossélia dos Santos.

O pesquisador americano Robin Wright, especialista na cosmologia Baniwa, destacou no estudo “História Indígena e do indigenismo no Alto Rio Negro”, a crença indígena sobre o fenômeno:

“Cada pôr do sol é entendido como um ritual de passagem, em que os ancestrais conduzem o sol para o mundo espiritual, reafirmando a ligação entre presente e passado”.

A comunicadora Yngrid Duarte, que saiu de Brasília para acompanhar uma comitiva que levou donativos para comunidades indígenas na cidade, ressaltou a experiência vendo o pôr do sol:

“O pôr do sol foi muito bonito, parecia que estava saindo faísca do céu, teve várias rajadas, foi mágico, encantado. Acho que isso explica muito sobre a cidade”.

Guias locais costumam compartilhar essas histórias durante passeios de barco, destacando a importância da preservação cultural e ambiental.

Ambas as tradições reforçam que o pôr do sol é mais do que um fenômeno natural — é um momento sagrado de conexão entre mundos.

*Com informações de Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Fotógrafo realiza ensaio em lixão de Macapá e chama atenção para causa ambiental

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O fotógrafo e ambientalista Mário Barilá realizou um ensaio no aterro sanitário de Macapá como parte do projeto Água Vida. Foto: Mário Barilá/Reprodução

O fotógrafo e ambientalista Mário Barilá realizou um ensaio no aterro sanitário de Macapá como parte do projeto Água Vida, que existe há mais de 10 anos e busca destacar questões sociais e ambientais.

Os bailarinos Agesandro Rego e Alana Lins posaram em meio às montanhas de lixo. A proposta foi mostrar o contraste entre a vida urbana e a arte, evidenciando a urgência da causa ambiental e a presença da humanidade mesmo em cenários de abandono.

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Em uma das imagens, uma montanha de lixo aparece ao fundo com urubus sobrevoando. Para Barilá, o registro simboliza “a montanha dos pássaros gigantes”.

O fotógrafo explica que o objetivo não era retratar o lixo, mas sim os bailarinos dançando diante dele.

“Queremos chamar atenção para erradicar o lixão ou dar outro destino a esse material”, disse.

Durante a produção, um caminhão chegou para despejar resíduos e catadores correram para recolher o material. Para Barilá, a cena reforça a mensagem do ensaio sobre a necessidade de políticas públicas voltadas às famílias que vivem no entorno.

Além das fotos, o projeto promoveu o plantio de mudas frutíferas próximo ao lixão. A ideia é oferecer alternativas de renda e alimentação para a comunidade.

“Eles vão produzir frutas locais e vender o excedente. O problema do lixão cabe aos governantes resolver. Nós levantamos essa bandeira”, afirmou o fotógrafo.

Foto: Mário Barilá

Leia também: Lixão a céu aberto em cidade peruana contamina rio que deságua no Amazonas

Ensaio faz parte do projeto Água Vida

O Projeto Água Vida une arte e preservação ambiental. A iniciativa realiza o plantio de árvores nativas em áreas ameaçadas e usa a fotografia como forma de conscientização.

O projeto já atuou em locais como Brumadinho (MG), após o rompimento da barragem, na Ilha do Mel (PR) e no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO).

Além de recuperar áreas degradadas, busca sensibilizar comunidades e visitantes sobre a importância da preservação da natureza.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Corante natural produzido por fungo da Amazônia pode ser utilizado em cosméticos

Imagem: Juliana Barone Teixeira/FCFAr-Unesp

Os testes iniciais com um corante natural produzido pelo fungo Talaromyces amestolkiae, encontrado na Amazônia, demonstram que é possível desenvolver cosméticos ecológicos como cremes faciais, bastões em gel e xampus, alcançando ação antioxidante e antibacteriana.

A descoberta é importante porque os colorantes microbianos – ainda pouco explorados na área da pesquisa em cosmética – podem ser alternativa sustentável aos sintéticos.

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O fungo produz corantes vibrantes que variam do vermelho ao amarelo e têm alto potencial industrial. Nos últimos anos, diversos países têm proibido e restringido o uso de alguns tipos de corantes sintéticos na medida em que têm sido associados a alergias e outros problemas de saúde. Com isso, a demanda por produtos ecologicamente corretos e saudáveis vem aumentando cada vez mais.

De acordo com os dados, o extrato conseguiu diminuir em mais de 75% as substâncias que reagem com o oxigênio ao entrar em contato com a pele, ou seja, reduziu compostos que podem causar danos celulares. Além disso, os testes também mostraram que mais de 60% das células permaneceram vivas, indicando que o produto não compromete a saúde da pele. Os dados foram publicados na revista ACS Ômega.

A pesquisa foi desenvolvida por Juliana Barone Teixeira e orientada por Valéria de Carvalho Santos-Ebinuma, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (FCFAr-Unesp), campus de Araraquara, em parceria com Joana Marques Marto, da Universidade de Lisboa.

O estudo também contou com contribuições de pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP) e teve apoio FAPESP (processos 23/13069-023/01368-324/19904-124/16647-824/16477-5 e 21/06686-8).

“Nós conseguimos demonstrar que esse colorante pode ser aplicado em formulações cosméticas mantendo a segurança, a funcionalidade, a textura e o desempenho de forma geral, sem causar nenhum impacto na formulação e na experiência dos possíveis clientes”, explica Teixeira, primeira autora do artigo. “O que chamou atenção para esse fungo, inicialmente, foi a cor. A partir daí começamos uma série de estudos. Foram mais de dez anos até chegar nessa etapa de produção”, conta Ebinuma.

Leia também: Nem todo fungo é vilão: a importância de sua preservação ao longo da BR-319 

corante feito com extrato produzido por fungo da amazônia
Corante demonstra manter funcionalidade para formulações cosméticas. Imagem disponível em: ACS Omega 2025, 10, 50, 62300-62311

De acordo com as pesquisadoras, estudos na área de marketing vêm mostrando como a cor é um dos principais fatores que influenciam a compra dos produtos, por isso, algumas estratégias de venda, inclusive, evocam a emoção a partir dessas sensações para atrair os consumidores.

“Nós buscamos um parceiro que trabalhasse com a parte dos cosméticos, por isso a professora Joana da Universidade de Lisboa nos ajudou com diferentes formulações”, explica Ebinuma.

“Nem todo microrganismo causa mal, gera problemas para a saúde. Alguns produzem compostos que trazem benefícios. Essa é uma área que cresceu e é onde justamente nós trabalhamos com a biotecnologia, o emprego desses seres vivos ou de componentes desses seres vivos para o benefício da sociedade”, destaca a pesquisadora.

“Em vez de avaliarmos o colorante de forma isolada, nós buscamos estudá-lo dentro de uma formulação final considerando tudo o que deve ter em um produto colocado em prateleira”, ressalta Teixeira.

A descoberta que levou ao corante

De acordo com Ebinuma, os estudos com o fungo Talaromyces amestolkiae começaram ainda no seu doutorado, quando conheceu a professora Maria Francisca Simas Teixeira, curadora da Coleção de Culturas do Departamento de Parasitologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), uma das maiores referências nos estudos da área da micologia do país, que faleceu no ano passado.

Foi ela que o encontrou, com seus alunos, espalhado pelas árvores do campus, e o colocou em sua coleção. De lá para cá, a espécie T. amestolkiae tem despertado o interesse dos pesquisadores porque é capaz de produzir colorantes que vão desde amarelos e laranjas intensos até os vermelhos.

“Quando começamos a estudar, verificamos que ele produzia essa coloração vermelha. Ele é um fungo encontrado na natureza, mas que gosta de condições específicas, por exemplo, as altas temperaturas de Manaus. Então, o que nós fizemos foi simular uma temperatura próxima à de Manaus para que ele produzisse esse corante vermelho também em laboratório”, explica Ebinuma.

Diante da descoberta, a professora destaca ainda a importância de continuar estudando as espécies nativas, porque há muito o que se descobrir na biodiversidade amazônica. “Pode ser que existam outras espécies parecidas”, comenta a cientista.

Leia também: Conheça o fungo amazônico que come plástico

Próximos passos

Atualmente, cerca de 20 estudantes de graduação e pós-graduação estão envolvidos nos estudos do grupo de pesquisa. Alguns desses trabalhos, segundo Ebinuma, buscam entender a aplicação do corante em tecidos ou em alimentos, como gelatinas. “Temos várias frentes para esse fungo e também estamos estudando outros”, conta.

De acordo com a pesquisadora, um dos principais objetivos agora é tentar melhorar todos os processos que envolvem a produção do corante. “Hoje eu produzo 1 grama [g] desse tipo de corante, mas o objetivo é chegar a 10 g. Qual é o caminho que podemos percorrer de 1 g até 10 g? Por isso há uma rede de alunos e de professores envolvida nisso”, diz a pesquisadora.

O artigo Redefining red: Microbial polyketides in eco-friendly cosmetic development pode ser lido em: pubs.acs.org/doi/10.1021/acsomega.5c10255.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, escrito por Cristiane Macedo

CEO do Grupo Rede Amazônica recebe medalha Forte São Joaquim, maior honraria de Roraima

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CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior recebeu a medalha nesta segunda-feira (9). Foto: Marcelo Vila Real/Rede Amazônica RR

CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior, recebeu a medalha da Ordem do Mérito Forte São Joaquim, a mais alta honraria de Roraima. A cerimônia ocorreu nesta segunda-feira (9) no palácio Senador Hélio Campos, sede do governo estadual, em Boa Vista.

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Após receber a homenagem, Phelippe Daou Júnior disse que a comenda representa o trabalho de 51 anos feito pela Rede Amazônica em Roraima, o que motiva a emissora a aprimorar cada dias mais os serviços prestados à comunidade.

“Receber essa comenda, a medalha Forte São Joaquim, para mim, não só para mim, para a nossa empresa, é uma grande honra. É claro que isso representa todo o trabalho de 51 anos que nós estamos realizando aqui no estado de Roraima. Ter esse reconhecimento, entre tantos outros empresários e investidores aqui no estado, para nós, é muito importante”, afirmou.

Leia também: Phelippe Daou Júnior: a trajetória de um empresário das comunicações na Amazônia

Vídeo: Reprodução/Agiliza.agromkt

Além do CEO, o presidente da Guiana, Mohamed Irfaan Ali, também recebeu a medalha. Na fronteira com o Brasil, o país tem sido estratégico para Roraima “para fortalecer sua posição no comércio internacional”, segundo o governo do estado. As honrarias foram entregues pelo governador Antonio Denarium (PP).

“A Guiana valoriza profundamente sua relação com o Brasil. Uma parceria baseada no respeito mútuo, na coexistência pacífica e em um compromisso comum com o desenvolvimento”, disse o presidente.

Leia também: Você sabe quais são as diferenças entre as Guianas na Amazônia internacional?

Outras 18 pessoas também foram homenageados:

  • Ana Karoliny Siqueira Calleri – empresária responsável pelo projeto Imeru café;
  • Aniceto Campanha Wanderley Neto – empresário de piscicultura;
  • Antônio Cabrera Mario Filho – ex-ministro da agricultura;
  • Aluizio Nascimento da Silva – secretário de atração de investimentos do estado de Roraima;
  • Blairo Borges Maggi – ex-ministro da agricultura e ex-governador do Mato Grosso;
  • Creuzival Neris Vasconcelos – presidente da Coophorta;
  • Damian Popolo – diretor de relações externas e sustentabilidade na Enel Brasil ;
  • Emerson Carlos Baú – diretor-superintendente do Sebrae Roraima;
  • Geraldo Falavinha – empresário agroindustrial;
  • Getúlio Alberto de Souza Cruz – radialista, economista, professor e empresário;
  • Irineu Boff – fundador e presidente do conselho administrativo da oleoplan;
  • Jaime Benchimol – presidente da Fogás;
  • José Geraldo Ticianeli – reitor da Universidade Federal de Roraima;
  • José Lopes Primo – ex-deputado estadual;
  • Lino Lopes Cançado – ceo da Eneva;
  • Luiz Carlos Brito – empresário do setor da construção civil;
  • Roberto Paulo da Silva Santos – delegado da receita federal de Roraima;
  • Vitor Hugo Perin – empresário.

A comenda homenageia o Forte São Joaquim, construído pela coroa portuguesa às margens do Rio Branco para garantir a proteção do território durante o período colonial.

A ordem do mérito reconhece pessoas físicas e jurídicas, nacionais ou estrangeiras, que prestaram serviços relevantes ao estado de Roraima. Os graus de distinção da comenda são: Grã-Cruz; Grande-Oficial; Oficial; Comendador e Cavaleiro.

CEO do Grupo Rede Amazônica recebe medalha Forte São Joaquim, maior honraria de Roraima
Foto: Reprodução/Agiliza.agromkt

Mais sobre o CEO do Grupo Rede Amazônica

O CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior, nasceu em São Paulo, e é filho do jornalista e fundador da Rede Amazônica, Phelippe Daou e de Magdalena Arce Daou. A filial da emissora foi implantada em Roraima em 1975, há 51 anos.

Phelippe é o criador e embaixador do projeto “Amazônia Que Eu Quero“. Ele é formado em engenharia eletrônica com ênfase na área de telecomunicações.

*Por Nalu Cardoso, da Rede Amazônica RR

Primeira unidade de soberania alimentar é inaugurada na Terra Indígena Yanomami

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Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

A primeira unidade de soberania alimentar na Terra Indígena Yanomami foi inaugurada, no dia 2 de fevereiro, na comunidade de Sikamabiu, localizada na região do Baixo Mucajaí, em Roraima. A iniciativa do Governo do Brasil marca um passo focado na recuperação ambiental e no fortalecimento da segurança alimentar das comunidades indígenas, com o avanço da retirada do garimpo ilegal da região.

A estrutura implantada em Sikamabiu faz parte de um projeto mais amplo, que prevê a instalação de outras sete unidades de soberania alimentar ainda neste ano, beneficiando 18 comunidades indígenas nas regiões de Surucucu, Homoxi, Xitei, Lasasi, Ajarani, Olomai e Uxiu.

As unidades demonstrativas combinam produção de alimentos, recuperação ambiental e capacitação comunitária, contribuindo para a reconstrução das áreas degradadas pelo garimpo ilegal.

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A unidade recebeu investimento de R$ 90 mil do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e contou com a presença do ministro Wellington Dias.

Os recursos investidos pelo MDS integram um Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado com a Embrapa Roraima, responsável pela execução do projeto, com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima (IFRR) participa da iniciativa por meio da capacitação dos moradores da comunidade.

Leia também: Indígenas criam peixes em tanques para garantir alimento seguro após garimpo contaminar rios na Terra Yanomami

Também foi construído um tanque escavado de 440 metros quadrados para criação de peixes destinados ao consumo da comunidade. Foto: Divulgação/MDS
Foto: Divulgação/MDS

Produção sustentável 

Na área inaugurada, foram implantados um aviário com 100 galinhas, um viveiro com capacidade para 2 mil mudas de espécies nativas, como açaí e cacau, além de tanques de compostagem para a produção de adubo natural.

As roças comunitárias contam com o cultivo de mandioca, batata e arroz, além da implantação de Sistemas Agroflorestais voltados à recuperação das áreas degradadas.

Também foi construído um tanque escavado de 440 metros quadrados para criação de peixes destinados ao consumo da comunidade. Além disso, dois açudes que haviam sido utilizados pelo garimpo ilegal foram recuperados e transformados em criadouros.

Testes realizados confirmaram a ausência de contaminação por mercúrio, permitindo a reintegração dessas áreas ao sistema produtivo. Ao todo, os três espaços abrigam cerca de 4 mil filhotes de peixes.

Autonomia da população

A comunidade de Sikamabiu reúne aproximadamente 30 famílias, totalizando quase 400 indígenas. Onde antes operavam dragas, motores e outras estruturas do garimpo ilegal, hoje é possível produzir alimentos de forma sustentável, fortalecendo a segurança alimentar e a autonomia da população local. 

Além da ação coordenada pelo MDS, a comunidade de Sikamabiu também recebeu apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), com a instalação de 10 tanques elevados com revestimento impermeável para criação de tambaqui, que abrigam outros 4 mil filhotes.

A ação do MPA conta com a parceria do IFRR e inclui a formação de 34 indígenas, que serão responsáveis pelo manejo dos tanques, garantindo a autonomia da comunidade na criação dos peixes. A estimativa dos técnicos envolvidos é que a produção de proteína animal alcance cerca de 1 tonelada até o final de 2026.

Outras entregas

A agenda do Governo do Brasil em Roraima incluiu outras entregas no território Yanomami e na capital Boa Vista, como a inauguração do Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana, coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, voltado ao atendimento especializado e à proteção contra violações de direitos humanos.

Todas essas iniciativas integram o Plano de Ação para o Desenvolvimento Sustentável da Terra Indígena Yanomami, liderado pela Funai, que articula ações de diferentes ministérios e órgãos federais com o objetivo de promover o bem viver dos povos Yanomami e Ye’kwana. A Terra Indígena Yanomami tem 9,6 milhões de hectares e abriga aproximadamente 31 mil indígenas, sendo a maior terra indígena do Brasil em extensão territorial.

*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Caprichoso e Garantido divulgam calendários de eventos da temporada bovina 2026; acompanhe

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Agremiações já divulgaram cronograma de datas dos ensaios e eventos tradicionais da temporada bovina de 2026. Foto: Yesid Rodrigues/ João Guilherme/ Creative Commons

A menos de cinco meses do 59º Festival Folclórico de Parintins, os bois Caprichoso e Garantido divulgaram os calendários oficiais de eventos para a temporada bovina de 2026. A programação, divulgada nas redes sociais das respectivas agremiações, conta com as datas dos ensaios técnicos e oficiais, além das tradicionais festividades, visando a preparação para o maior espetáculo cultural do planeta, que acontece nos dias 26, 27 e 28 de julho.

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Neste ano, o boi Garantido terá o tema ‘Parintins: Portal do Encantamento’, enquanto o Caprichoso apresenta ‘Brinquedo que canta seu chão’. Do lado do Touro Negro, o cronograma de datas está sujeito a alterações, em razão da participação da cunhã-poranga Marciele Albuquerque no BBB26 e do calendário do Governo do Amazonas.

Confira:

Calendário Caprichoso

Leia também: Ilha da Magia: confira 7 curiosidades sobre Parintins

Desembargador Felismino Francisco Soares: Sereníssimo Grão-Mestre 1961 a 1962

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Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

O Desembargador Felismino Francisco Soares por diversas vezes foi Venerável Mestre da Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n.º2. Tendo sido iniciado na mesma Loja, no dia 9 de março de 1935, foi elevado ao grau de companheiro, em 25 de abril de 1935 e Mestre Maçom, em 20 de julho de 1935.

Dotado de grande conhecimento jurídico, era respeitado pela sua qualidade de gestor e de hábil conciliador entre irmãos. Coube a ele encontrar o caminho do equilíbrio institucional em uma época de grandes convulsões sociais, como foram os anos de 1960. Ponderado, justo e discreto soube manter a GLOMAM fora das paixões políticas de então. Foi seu Eminente Grão-Mestre Adjunto Manoel Ribeiro.

Felismino Francisco Soares, filho do velho campeador Domingos Francisco Soares e Maria Rebelo Soares. Realizou os estudos de nível secundário na Escola Normal em Manaus, tendo colado grau como professor em 1920 e, onde exerceu posteriormente o cargo de secretário. Lecionou no interior do estado do Amazonas e depois no Rio de Janeiro.

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Como mestre em Manaus teve destacada atuação, lecionando História Universal e História do Brasil, na Escola Normal, hoje Instituto de Educação do Amazonas e Caligrafia, Legislação Fiscal e Prática do Processo Civil e Comercial na Escola Municipal de Comércio Solon de Lucena. Foi também assistente técnico do Departamento de Educação e Cultura do Estado do Amazonas.

Em 1927 fundou a Escola Noturna União Operária, pertencente à União Operária Amazonense. Em 1932 graduou-se em Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e filiou-se ao Partido Trabalhista Amazonense, tendo sido eleito Deputado Estadual em 1935, cujo mandato foi interrompido em 1937, em função do golpe de estado que foi instaurado no país, a chamada Ditadura Vargas.

Sua participação na advogacia foi marcante e dinâmica sendo considerada clássica. Inteligente, ágil de raciocínio, pouco precisou para ganhar a simpatia dos obreiros da maçonaria amazonense. Posteriormente foi Desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas, Corregedor de Justiça, Vice-presidente e Presidente. Exerceu em comissão a função de Chefe de Polícia do Estado.

Militou na imprensa local nos jornais Estado do Amazonas, O Liberal e O Trabalhista, tendo colaborado em jornais e revistas do Rio de Janeiro, como a Revista O Malho e Jornal dos Moços. Dedicou-se à música e a poesia. Foi autor de composições que alcançaram êxito, como a valsa Meiga Recordação. De sua lavra em prosa e verso, destacam-se: Jubileu em Florilégio, Contos e Poesias, Resposta, Cartilha Trabalhista, Doutrinação Política que constituiu em sua plataforma de conduta.

Casou-se duas vezes: a primeira em 1927 com a senhora Dídia de Amorim Soares, e a segunda em 1968, com a senhora Haydée de Amorim Soares, irmã da primeira esposa. Teve nove filhos dos quais sobreviveram apenas sete que se destacaram em nosso cenário como médicos, advogados, oficiais do exército nacional, bacharéis em administração pela Fundação Getúlio Vargas e professores.

Nasceu no dia 23 de julho de 1902 e faleceu no dia 1 de janeiro de 2000, deixando uma grande lacuna na Jurisprudência e na maçonaria amazonense.

Desembargador Felismino Francisco Soares: Sereníssimo Grão-Mestre 1961 a 1962
O Desembargador Felismino Francisco Soares. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Segundo o escritor Robério Braga, assim o descreve:

Felismino Francisco Soares, um dos grandes amigo de meu pai, Lourenço da Silva Braga, desde as lides político partidárias, em 1933, a tal ponto das famílias se tornarem fraternas e solidarias até os dias atuais. Era filho de Domingos Francisco Soares e Maria Ribeiro Soares, nascido em Urucurituba em 23 de julho de 1902. Casou-se com Dídia de Amorim Soares (1927) e com Haydee de Amorim Soares (1968).

Em 1913 estava no Ginásio Amazonense Pedro II. Em 1916 foi aprovado em exames na Escola Normal, sendo colega de Benedito Sidou, Ruth Pires, Dulce Caminha, Lucila Caminha, Lucinha Nelson, Amazônia Sidou, Cecilia Santos, dentre outros alunos. Formou-se em professor normalista em 1920, acompanhado de Raimundo Comte de Carvalho Leal, Ruth Pires dos Santos e Dulce da Silveira Caminha. Logo lecionou em escolas do interior do estado, na capital, no Rio de Janeiro e na Escola de Comércio de Manaus, depois Escola Solon de Lucena, aplicando várias disciplinas como Historia Geral, Historia do Brasil, Caligrafia, Legislação Fiscal, Pratica de Processo Civil e Pratica Comercial.

Foi auxiliar do diretor do Colégio Rayol, precisamente do seu proprietário, o professor Alexanddre Rayol (1927), ano em que exerceu a direção da Escola da Sociedade União Operaria, onde ajudou a fundar.

Formado em 1932 pela Faculdade de Direito do Amazonas. Atuou na advocacia sindical, ampliando sua influência na politica local. Foi suplente e em 1946 foi cogitado a ser candidato a governador em eleição simulada pelo Jornal do Commercio, fase em que foi eleito presidente do diretório municipal do PTB, em 1947 tornou-se Deputado Federal pelo partido Partido Trabalhista Nacional.

Como Desportista foi Secretário do Paiçandu Sport Clube, de Manaus 1918, líder e presidente do Princesa Isabel Esporte 1944, presidente da Liga Amazonense pró Liberdade de Consciência 1959. No serviço publico, foi técnico do Departamento de Educação e Cultura do Estado e Chefe de Polícia.

Encontra-se na imprensa artigos de sua lavra em O Trabalhista, O Estado do Amazonas, O Liberal, Jornal das Moças e revista O Malho, estes dois últimos, no Rio de Janeiro e muitos outros.

Em 1947 foi desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas e presidente em 1951. Escreveu Plaqueta tratando do tema trabalhismo e proletarismo, editada no Rio de Janeiro, noticiada em Manaus com o título de Cartilha Trabalhista. Como poeta publicou algumas poesias no Jornal do Commercio, as quais reunidas pelos filhos constituíram no livro Jubileu em Florilégio, comemorativo dos seus cinquenta anos de vida.

Membro ativo da Maçonaria Amazonense, alcançou elevação em vários graus da Sublime Ordem e foi eleito Grão-mestre do Grande Oriente Estadual.

Leia também: Desembargador Gaspar Antônio Vieira Guimarães: Sereníssimo Grão-Mestre 1923 a 1935

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista