Floresta Amazônica vista de cima. Foto: Adriano Gambarini
O licenciamento ambiental é o procedimento administrativo realizado junto aos órgãos ambientais, que podem ser definidos ao nível do município (como, por exemplo, a Semmas Clima, em Manaus), ao nível de estado (como o IPAAM, no Amazonas) e ao nível do governo federal (como o IBAMA e o ICMBio).
“O licenciamento ambiental é um procedimento administrativo exigido pelo órgão municipal, estadual ou federal questionando do empreendedor como ele vai diminuir e mitigar os impactos ambientais”, explicou o doutor em Geografia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Deivison Molinari, ao Portal Amazônia.
De acordo com o professor, todo empreendimento, como a construção de um shopping em uma cidade, vai precisar de diversas autorizações, por exemplo: o alvará de funcionamento da prefeitura. Nesse contexto, os órgãos ambientais também solicitam documentos e laudos para validar a viabilidade do empreendimento em questão.
Ao conceder o licenciamento ambiental, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), em Manaus (AM), exige que o responsável pelo empreendimento detalhes como o destino do esgotamento sanitário do local. A medida inclui a definição sobre para onde serão encaminhados os dejetos dos banheiros, bem como a água utilizada em pias e outros pontos de consumo.
O objetivo é garantir que esses resíduos sejam tratados de forma adequada, sem causar danos ao meio ambiente. O plano apresentado deve indicar o sistema de coleta, transporte e tratamento dos efluentes, respeitando as normas técnicas e ambientais em vigor.
Fiscalização também faz parte do licenciamento. Foto: Reprodução/Arquivo Ipaam
Etapas do Licenciamento Ambiental
A Resolução CONAMA nº 237/97 informa sobre os procedimentos e critérios para o licenciamento ambiental, bem como sobre as atividades e os empreendimentos sujeitos a esse tipo de licença, como: Atividades agropecuárias (agricultura, florestas, caça e pesca), Mineração, Obras civis, entre outros.
O licenciamento ambiental possui três etapas básicas, conforme a legislação:
a licença prévia,
a licença de instalação
e a licença de operação.
A licença prévia é responsável pela documentação do empreendimento (plantas e mapas).
Já a licença de instalação é a fase em que a obra está funcionando, quando profissionais da construção civil já estão trabalhando e as máquinas funcionando. Nesse momento, é solicitado o laudo de estudos de impacto ambiental, para saber quais os danos que serão causados e como se vai mitigar e diminuir esses impactos.
A terceira fase é a licença de operação, nessa fase são entregues os documentos de monitoramento de impactos para os órgãos ambientais, renovada a cada dois anos.
O objetivo do licenciamento, segundo Deivison Molinari, é compatibilizar o desenvolvimento econômico social com um meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Raimundo Nonato Pereira do Nascimento, conhecido como ‘Nonatinho’, nasceu em 26 de fevereiro de 1936, e entrou para a história do Teatro Amazonas quando participou da restauração do maior cartão postal de Manaus (AM). O servidor teve a morte confirmada nesta terça-feira (3) em anúncio feito pelo governador do estado, Wilson Lima.
Nonato atuava como pedreiro desde os 14 anos e, em 1974, foi contratado para trabalhar na restauração da cúpula do Teatro. Com a carteira assinada pela Fundação Cultural do Amazonas, desde então ele passou a atuar como porteiro, bilheteiro, assistente técnico, agente administrativo e cenotécnico. Foram mais de cinco décadas dedicadas ao Teatro Amazonas.
Em 2019, foi eternizado como ‘Nonatinho’, personagem da vinheta de abertura dos espetáculos, além de uma placa ao lado de grandes nomes que marcaram a história do teatro.
Raimundo faleceu aos 89 anos, a causa da morte ainda não foi revelada. O velório acontece no Teatro Amazonas até às 10h de quarta-feira (04/06), e a partir daí o corpo segue para o sepultamento no Cemitério Recanto da Paz, em Iranduba.
A Secretaria de Cultura do Estado fez uma homenagem com as contribuições de Nonato em toda sua trajetória:
Apresentações do Boa Vista Junina 2025 serão transmitidas pelo Amazon Sat. Foto: Katarine Almeida/PMBV
Começou o mês de junho e com ele a agitação das festas juninas que está chegando no canal Amazon Sat. Entre 3 e 8 de junho, a 25ª edição do Boa Vista Junina, evento que movimenta a capital de Roraima, será transmitido ao vivo pelo canal.
A transmissão da competição, no horário de Roraima, acontece nos dias 3 (terça), 4 (quarta), 5 (quinta) e 6 (sexta) de 19h à 1h, e no dia 8 (domingo) de 19h às 22h, a celebração das vencedoras.
Segundo o coordenador de conteúdo e programação do Amazon Sat, Lemmos Ribeiro, a cada ano de transmissão é possível mostrar um pouco mais da rica cultura de Boa Vista.
“Sempre trabalhamos para manter o nível da transmissão e levar o melhor da região para cada vez mais pessoas conhecerem o quão vasta é a nossa cultura”, afirma.
A apresentadora Deborah Lima acompanha mais uma vez a tradicional festa de pertinho. “Fico muito feliz em participar de mais uma edição do Boa Vista Junina, ainda mais em um momento de celebração dos 25 anos do Maior Arraial da Amazônia. E também em poder ter o privilégio de apresentar a tradicional competição de quadrilhas, um movimento tão importante para enaltecer a cultura do estado e que traz maior visibilidade para a nossa região Norte. Vai ser lindo e cheio de novidades”, assegura.
Por falar em novidades…
Conhecido como o “maior arraial” da Amazônia, o evento acontece mais uma vez na Praça Fábio Marques Paracat, localizado no Centro da cidade. Mas este ano a Arena Junina está grandiosa: com capacidade para receber mais de 5 mil pessoas.
A competição contará com a participação de 24 grupos – 12 do Grupo Especial e 12 do Grupo de Acesso. O concurso, com apresentações de até meia hora, segue de 3 a 6, a apuração está marcada para o dia 7 e a apresentação das campeãs será no dia 8, quando o evento encerra. Além de troféu, a vencedora do Grupo Especial também garantirá um pacote com passagens aéreas para representar Roraima no cenário nacional de quadrilhas.
Além disso, entre as novidades que marcam os 25 anos da competição, está a premiação técnica individual, com troféus para os três primeiros colocados nas categorias de visagismo, cenografia e iluminação cênica
Para o diretor executivo do Concurso de Quadrilhas Juninas, Chiquinho Santos, a edição comemorativa de 2025 será um verdadeiro espetáculo da cultura popular. “O público pode esperar ainda mais brilho e emoção este ano. Ampliamos a capacidade da Arena Junina, atendendo a um pedido antigo da comunidade. Também aumentamos o tablado para mais de 700 metros quadrados, garantindo mais liberdade de criação para os grupos. Tudo isso para celebrar os 25 anos de história do Boa Vista Junina com a grandiosidade que ele merece”, disse.
Evento acontece mais uma vez na Praça Fábio Marques Paracat. Foto: Richard Messias/PMBV
Programação
Terça-feira (3) – A partir das 19h:
Abertura e Premiação dos Destaques Juninos
Grupo Acesso
Joaninha Caipira (Tema: Amazônia, o pulmão do mundo: em busca do equilíbrio dos quatro elementos) Coração de Estudante (Tema: O Contador de Histórias em “A Nossa Vila Nordestina”) Namoro Caipira (Tema: Eu Sou o Tempo) – Grupo Acesso
Grupo Especial
Espantalho Junino (Tema: Na trilha do Sertão, onde coragem é lei e liberdade e paixão) Explosão Caipira (Tema: 25 anos – É Festa no Reino de São João!) Eita Junino (Tema: A Arte de Quem Vive da Fé)
Quarta-feira (4) – A partir das 19h:
Grupo Acesso
Coração Alegre (Tema: Brado de um povo guerreiro) Sinhá Benta (Tema: Quilombo) Matuta Encantá (Tema: Um amor a seguir, o começo de uma nova história)
Grupo Especial
Escola Forrozão (Tema: Asas da liberdade) Garranxê (Tema: A Lágrima que floresce) Amor Caipira (Tema: Sucupira – Um lugar onde tudo pode acontecer)
Quinta-feira (5) – A partir das 19h
Grupo Acesso
Estrela Junina (Tema: Meu São João é Assim)- Grupo Acesso Evolução Junina (Tema: Mulheres, coragem, luta e democracia) Arrasta Pé (Tema: A cor da minha pele não te diz quem sou)
Grupo Especial
Tradição Macuxi (Tema: Um matuto na Marquês de Sapucaí) Xamego na Roça (Tema: Café com aroma de mulher) Zé Monteirão (Tema: Anacrônico, enquanto há tempo)
Sexta-feira (6) – A partir das 19h
Grupo Acesso
Luar do Sertão (Tema: Casamento Matuto) Coração do Sertão (Tema: Meu São João de Todos os Tempos) Filhos de Makunaima (Tema: Zerbine Araújo: O legado de um forrozeiro apaixonado)
Grupo Especial
Furacão Caipira (Tema: O São João é que encanta o seu olhar) Coração Caipira (Tema: Caboclo romeiro de São Pedro) Agitação (Tema: O sagrado feminino é junino)
Sábado (7)
Maior Paçoca do Mundo 18h – Apuração e Premiação 20h45 – Cabelos de Prata 21h10 – Juventude na Roça (Projeto Crescer) 21h30 – Forrozinho 22h – Criança Caipira (Mirim) 22h30 – Casal de Noivos 22h40 – Grupo de Dança Folclórica Tribo Waiká 23h10 – Campeã Emergente
Domingo (8)
19h – Conviver 19h30 – Xameguinho (Mirim) 20h – Coraçãozinho (Mirim) 20h30 – Campeã do Grupo de Acesso 21h10 – Campeã do Grupo Especial
Amazônia é explorada por perfil no Instagram. Foto: Reprodução/Google Maps
A Amazônia é cheia de mistério, não é mesmo? Com mais de 50 mil seguidores, o perfil @exploradordaterra, no Instagram, tem conquistado muitos seguidores ao utilizar tecnologia para explorar os cenários mais curiosos e, muitas vezes, enigmáticos do mundo. E, claro, a imensidão da floresta amazônica não ficou de fora desse “mapeamento digital”.
Por meio do Google Maps — plataforma que oferece imagens de satélite e mapas de todo o mundo —, os administradores da página compartilham registros de locais surpreendentes, alguns até misteriosos, escondidos no coração da Amazônia.
Veja algumas das descobertas que mais chamaram a atenção dos internautas:
Pirâmide escondida na floresta
Uma formação em formato de pirâmide foi identificada no meio da densa floresta amazônica. A imagem intrigante gerou muitos questionamentos nas redes. De acordo com a publicação, pesquisas arqueológicas recentes já identificaram mais de 400 geoglifos e estruturas semelhantes ocultas sob a vegetação da Amazônia, o que reforça a hipótese de antigas civilizações que habitaram o território.
Em meio à vastidão verde, a página localizou uma casa isolada na Amazônia, aparentemente construída em madeira, próxima a um leito de rio. Na legenda, os administradores especulam que o imóvel possa ter servido como abrigo para pescadores, ribeirinhos ou exploradores que se aventuraram pela região.
Uma extensa pista de pouso surge em uma área completamente desabitada na Amazônia, sem qualquer sinal de infraestrutura por perto. “O que uma pista desse tamanho tá fazendo aqui onde não existe absolutamente nada?”, questiona a legenda da publicação, levantando teorias entre os seguidores sobre sua real função.
Outro achado curioso é uma clareira com contornos quase perfeitos, moldada como um quadrado no meio de uma das florestas mais densas do planeta. A simetria chama atenção e gera dúvidas: seria obra da natureza, de antigos povos ou de atividades recentes?
A página também compartilhou imagens de uma formação que aparenta ser uma aldeia isolada, completamente cercada pela floresta. A descoberta levanta questões sobre populações indígenas que vivem em relativo isolamento e os desafios da preservação cultural e ambiental.
Pouca gente sabe, mas o Vulcão Amazonas, localizado na região do Escudo das Guianas, entre os estados do Amapá e Pará, na Amazônia, é considerado o vulcão mais antigo do planeta. Situado próximo à fronteira com a Guiana Francesa, ele não é ativo e representa um marco geológico de mais de 1,9 bilhão de anos.
A cratera de impacto mais impressionante da América do Sul
O Google Maps também revelou imagens da imponente Cratera de Araguainha, resultado do impacto de um meteoro há cerca de 250 milhões de anos. Com aproximadamente 40 quilômetros de diâmetro, ela se estende entre os municípios de Araguainha (MT) e Ponte Branca (MT/GO), sendo a maior cratera do tipo na América do Sul.
Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br
Vou escrever sobre uma pessoa, sem mencionar o nome. Quando digo “uma pessoa”, posso estar me referindo a uma empresa. Trabalhamos no MCI com esta metáfora, pois toda empresa tem uma biografia própria, vive um momento e tem um futuro que será construído a partir de suas escolhas. Além disso, cada uma possui uma identidade que é única. Empresas do mesmo setor, porte, recursos etc. serão diferentes não por um ou outro aspecto, mas por serem identidades diferentes. Em nossos processos de consultoria, tratamos empresas como pessoas.
Mas voltemos à tal pessoa a que estou me referindo. Não importa se é uma pessoa humana ou uma pessoa-empresa. Trata-se de alguém especial. Em alguns anos, ela se transformou completamente. Tinha uma atuação tímida, restrita à sua cidade natal. Seu nome não era conhecido por muita gente e quem aparecia mesmo era um parceiro de negócios, que tinha grande projeção. Era como se o nome do parceiro fosse o sobrenome dessa pessoa. Apesar de trabalhar bastante e buscar sempre a melhor qualidade, tinha dificuldades de ser reconhecida, sendo o mérito, mais uma vez, dirigido ao tal parceiro, já que ele era, sim, uma referência de qualidade.
Por falta de tempo para parar e dar uma respirada, a tal pessoa vivia correndo, sem saber ao certo para onde estava indo. Não existia pensar no futuro, já que o urgente era o que gritava mais alto. Os resultados aconteciam. Essa pessoa obtinha crescimento de renda ano a ano, mas se mantinha no mesmo lugar. “Ir para onde?” era uma pergunta que nem chegava a se fazer. A ordem era viver e ir em frente.
Timothy Gallwey, considerado como o pai do coaching profissional moderno, fala que todos temos dentro de nós dois seres, que ele chamou de Self 1 e Self 2. De forma resumida, o Self 1 é o nosso lado racional, controlador e crítico, e o Self 2, a nossa parte mais livre, leve e relaxada. Os dois disputam entre si, ora prevalecendo um, ora o outro, e ambos se complementam. Quando o Self 1 predomina, cometemos menos erros. Mas é quando o Self 2 atua que fazemos uso de nosso maior potencial.
Fiz este longo parágrafo para dizer que a tal pessoa a que me referia passou por uma grande disputa interna entre esses dois seres, e isso foi decisivo para a sua vida. Não se sabe bem por que, mas ela se forçou a parar. Destinou um tempo e parou para buscar dentro de si mesma respostas para perguntas incômodas do tipo: “Mesmo sendo jovem, qual é a minha história e o que me trouxe até aqui? Como está a minha vida hoje? Para onde eu quero ir?”.
Essa pessoa foi provocada, então, a pensar na sua Missão, sinalizada pelos talentos que sabia que tinha e no seu percurso até ali. Vários acontecimentos serviram para que ela tivesse um verdadeiro “eureca”, um insight sobre a sua razão de existir, o que veio fazer aqui. Refletiu sobre os seus reais Valores, ou seja, o que era inegociável para ela, e foi capaz, então, de desenvolver um Propósito. Nesse momento, seu espírito vibrou mais uma vez, e ela ganhou uma nova razão para viver, produzir, crescer e se realizar. Ganhar dinheiro e obter sucesso seria uma consequência, não um fim em si mesmos.
A partir de todas essas reflexões internas, essa pessoa teria muito o que fazer externamente. Trouxe tudo para o papel, definiu estratégias, criou projetos e atraiu outras pessoas para as suas ideias. Tem acolhido e ajudado essas pessoas a se desenvolverem. Valorizou o seu nome, com força e orgulho, mas sem arrogância. Permitiu se expor e valorizar-se por si mesma, ainda que sem deixar de valorizar o parceiro, que seguia junto. Outros se aproximaram e sinalizaram seu interesse e reconhecimento. A tal pessoa continuou a trabalhar intensamente, a buscar ainda mais qualidade, a inovar e a investir em seu próprio autodesenvolvimento.
Passaram-se apenas alguns anos, e a tal pessoa atua hoje em vários lugares do país e é reconhecida internacionalmente, inclusive conquistando importantes prêmios. Está feliz e com novos desafios. De outras pessoas que encontra pelo caminho, ouve com frequência uma pergunta que não tem uma única resposta, mas que revela muito da percepção de quem pergunta: “O que está por detrás do seu sucesso?”.
Sabemos que, por detrás de toda trajetória bem-sucedida, existe aquilo que só conhece quem percorre o caminho.
E, no seu caso, o que existe por detrás do seu sucesso até aqui?
Sobre o autor
Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.
Pesquisas foram conduzidas nas florestas inundadas do Fan Pastaza, no Peru. Foto: Reprodução/Agência Andina
Seis espécies de flora e fauna amazônicas consideradas novas para a ciência foram descobertas por cientistas do Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP) em um recente inventário de caracterização biológica e sociocultural conduzido nas florestas inundadas do Fan Pastaza, um dos sítios Ramsar ou zonas úmidas mais importantes do planeta.
Assim afirmou Manuel Martín Brañas, diretor de Sociodiversidade do IIAP, entidade vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, que liderou a equipe multidisciplinar de 23 a 26 pessoas, entre pesquisadores e assistentes de pesquisa, que se aventurou na bacia alta do rio Tigrillo, afluente do rio Chambira, que por sua vez deságua no rio Marañón, para desenvolver o estudo em estreita colaboração com as comunidades do povo Urarina da Amazônia.
Esta pesquisa biológica e social, que exigiu aproximadamente 25 dias de trabalho de campo em abril deste ano, destacou o alto valor ecológico desta área, bem como o papel fundamental desempenhado pelos povos indígenas na conservação da biodiversidade amazônica peruana.
“Em abril, realizamos um inventário das características biológicas e sociais do povo Urarina, que vive em toda a bacia do rio Chambira. Ficamos na área por aproximadamente 25 dias, incluindo o tempo de viagem e as estadias. É uma área bastante remota, exigindo quase dois dias de viagem para chegar lá, tanto por terra até a cidade de Nauta quanto por rio, percorrendo os rios Marañón, Chambira e Tigrillo”, disse ele em entrevista à Agência Andina.
Ele mencionou que uma equipe multidisciplinar de 23 a 26 pessoas participou deste projeto de pesquisa do IIAP, composta por cientistas de diversas áreas, incluindo botânicos, ornitólogos, especialistas florestais, cientistas sociais e outros.
“Havia um amplo grupo de pesquisadores e assistentes de pesquisa. Nossa intervenção foi precedida por duas viagens de 15 dias, durante as quais informamos as comunidades, por meio de duas das federações Urarina da região, sobre o trabalho que queríamos realizar e os benefícios que as comunidades obteriam com ele. Desenvolvemos o mecanismo de consentimento prévio informado. Realizamos pesquisa para o desenvolvimento, portanto, a pesquisa não pode ser isolada das motivações da população para o seu próprio desenvolvimento”, afirmou.
Ela observou que apenas 2% das mulheres urarinas falam espanhol e, embora mais homens falem espanhol, eles não o falam perfeitamente. Sua língua nativa e comumente usada é o urarina. “Em alguns casos, pode ser difícil iniciar uma pesquisa, mas no IIAP temos estratégias e protocolos para alcançar e dialogar com as comunidades”, afirmou.
Os pesquisadores do IIAP que participaram deste inventário de caracterização sociobiológica pertencem à Diretoria de Sociodiversidade, Diretoria de Diversidade Biológica, Diretoria de Florestas e Mudanças Climáticas, Programa Aquared, entre outros.
“O importante deste trabalho é uma proposta de pesquisa abrangente em áreas extremamente frágeis e vulneráveis, tanto ecológica quanto culturalmente. Ele oferece uma perspectiva institucional sobre essas paisagens bioculturais extremamente frágeis e, portanto, muito importantes”, enfatizou.
Pesquisadores devem seguir com estudos para validar descobertas. Foto: Reprodução/Agência Andina
Ele acrescentou que, embora o IIAP tenha experiência com inventários anteriores, faltava-lhe a integração de uma perspectiva social. Esses ecossistemas, que são extremamente importantes, não existiriam sem os sistemas de conhecimento das populações indígenas locais.
“Foi feito um trabalho conjunto em uma área onde era necessário ter diferentes perspectivas de diferentes disciplinas para ter uma visão completa desse ambiente biocultural”, disse ele.
Novas espécies de flora e fauna
O pesquisador do IIAP enfatizou que o inventário identificou pelo menos seis espécies que, segundo especialistas, são novas para a ciência.
“Há certeza de que novas espécies existem, pois pelo menos seis foram identificadas, incluindo peixes, anfíbios e plantas, que vivem neste ecossistema de várzea. Há duas espécies de plantas zâmia, que até agora só eram encontradas em áreas com água limitada. Agora, foi identificada uma zâmia que cresce em áreas de várzea. Esta é uma descoberta interessante que revela a importância ecológica desta área específica da Amazônia peruana”, enfatizou.
Ele explicou que, para ter certeza absoluta de que se trata de novas espécies, é preciso seguir um processo, principalmente taxonômico, além de consultar bancos de dados internacionais. Também é preciso realizar uma análise de DNA para verificar efetivamente se essas espécies não são encontradas em outras partes do mundo.
“Os especialistas têm muita certeza de que são espécies novas, mas para certificar que são realmente novas, ainda temos que seguir o processo científico de identificação taxonômica e de DNA”, disse ele.
Conservação graças às comunidades indígenas
Martín Brañas afirmou que o interessante da integração do trabalho biológico com o trabalho social é que ficou demonstrado que esses ecossistemas estão muito bem preservados. “E parte dessa conservação recai sobre as comunidades Urarina que administram esse território. É por isso que vemos a importância dos povos indígenas na conservação dos ecossistemas amazônicos”, enfatizou.
“Somente a população Urarina vive nesta área específica, enquanto a população Achuar vive na parte alta do rio Chambira e a população Kukama vive na parte baixa”, acrescentou.
Ele explicou que essas populações indígenas têm uma ligação muito próxima com seu território. “As comunidades dependem dos ecossistemas, e os ecossistemas, por sua vez, dependem das comunidades, porque são elas que gerenciam adequadamente os recursos ali”, acrescentou.
Ele argumentou que o povo Urarina é uma comunidade com uma língua viva, mas que enfrenta ameaças significativas, como extração de petróleo, desmatamento e extração seletiva de espécies das florestas.
“Para nós, é de extrema importância, por meio deste inventário, destacar também o importante papel que as comunidades Urarina desempenham na conservação desses ecossistemas de várzea. O pensamento indígena é holístico. Ele possui um sistema de conhecimento bastante complexo que introduz a possibilidade de relações sociais com os seres que vivem na floresta. Esse tipo de crença, essa convicção, de que as florestas não são vazias, mas sim habitadas e pertencem a certas entidades que podem ser não humanas, como aquelas que eles chamam de mães ou ‘nevas’ na língua Urarina. Ou seja, elas têm grande importância espiritual e cultural”, enfatizou.
Ele acrescentou que, para aproveitar os recursos da Amazônia, é preciso dialogar e respeitar certas normas ou regras de conduta para que esses seres da natureza não causem doenças ou qualquer tipo de dano. “Esse ponto é crucial porque é basicamente o respeito que o povo Urarina tem pelo seu entorno. Esse é um fator fundamental para que essas florestas permaneçam de pé”, observou.
Pesquisadores passaram quase um mês na floresta. Foto: Reprodução/Agência Andina
Ele afirmou que as comunidades Urarina são pouco povoadas, com uma população entre 150 e 200 habitantes, portanto, não exercem pressão sobre os recursos naturais. Além disso, possuem um conhecimento ecológico extremamente específico, ou seja, sabem quando caçar determinados animais para não prejudicar a reprodução daquela espécie. “Basicamente, eles diversificam a forma como usam a floresta por meio de um calendário ecológico muito particular e específico que o povo Urarina possui”, disse ele.
O cientista do IIAP explica que esses aspectos da cosmovisão dos povos indígenas se unem para gerar o que vemos hoje: uma das florestas mais bem preservadas da Amazônia.
“Por exemplo, nos aguajales [buritizais], que são grandes extensões de palmeira-aguaje, ela é dioica, ou seja, há palmeiras fêmeas, que dão frutos, e palmeiras machos. Em outras florestas de aguajales em Loreto, a proporção de palmeiras fêmeas é menor do que de palmeiras machos porque essas palmeiras são cortadas para a extração dos frutos “, afirmou.
“Isso não acontece no caso do povo Urarina, porque a proporção de palmeiras femininas e masculinas é igual, o que revela que não há extração destrutiva dos frutos do aguaje, e isso torna essas florestas importantes para a região de Loreto, porque estão muito bem preservadas, mas também para o Peru e para todo o planeta”, comentou.
Desenvolvimento sustentável das comunidades
O cientista observou que a missão do IIAP é continuar trabalhando pelo desenvolvimento sustentável das comunidades. “Por meio da Diretoria de Sociodiversidade que lidero, continuaremos visitando e trabalhando com as comunidades porque queremos continuar promovendo e apoiando empreendimentos econômicos baseados em práticas tradicionais do povo Urarina. Por exemplo, a fibra de aguaje usada pela comunidade para fazer cestos. Queremos continuar fortalecendo o papel que as mulheres Urarina desempenham nesse tipo de empreendimento”, afirmou.
Ele acrescentou que também há aspectos mais educacionais, como monitoramento eficaz de poços de água em florestas de várzea e treinamento contínuo para moradores de Urarina para lidar melhor com os efeitos das mudanças climáticas.
Martín Brañas anunciou que um relatório preliminar estará pronto em breve, e o relatório final sobre o inventário da caracterização biológica e social do Alto Tigrillo estará disponível até o final do ano. ” Estamos considerando divulgar o relatório por meio de uma publicação altamente visual que também apresente com clareza a riqueza biológica e cultural”, afirmou.
Ele anunciou que o relatório final da investigação será compartilhado com as comunidades de Urarina, suas federações e a sociedade nacional.
“Porque acredito que é muito importante que todos os peruanos saibam da grande importância desses ecossistemas e que todos nós temos que fazer a nossa parte para conservá-los”, observou.
População indígena Urarina ajuda a conservar a região. Foto: Reprodução/Agência Andina
Projetos de pesquisa futuros
Martín Brañas anunciou que o IIAP continuará realizando mais inventários de caracterização biológica e sociocultural. “Em julho próximo, iniciaremos um no departamento do Amazonas com o povo Awajún, seguindo os mesmos princípios desenvolvidos com o povo Urarina. Uma paisagem biocultural de extrema importância ecológica, mas também cultural. Continuaremos trabalhando com e para as comunidades amazônicas, levando a mensagem do Ministério do Meio Ambiente”, concluiu.
Cientistas de cinco países e especialistas indígenas uniram esforços e conhecimentos para inventariar animais, plantas, saberes e vivências do Alto Rio Içá, região no extremo oeste do Amazonas que integra a bacia Putumayo-Içá e abrange Brasil, Colômbia, Peru e Equador. A região possui alta diversidade de espécies e conservação excelente. Nos últimos anos sofre ameaças de garimpo, extração de madeira e tráfico de animais que podem colocar a perder a biodiversidade e os modos de vida dos povos originários.
Os resultados da expedição chamada ‘Inventário Rápido Biológico e Social nº 33’ realizada pelo Field Museum of Natural History de Chicago (EUA), em estreita parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e outras instituições, durante 20 dias de maio, foram apresentados em Seminário no dia 28 de maio no Inpa, em Manaus. O Alto Rio Içá compreende uma área de 463,8 mil hectares de florestas públicas não destinadas ao longo do rio Içá e onde vivem muitas comunidades indígenas.
No Seminário, os pesquisadores apontaram a necessidade de ações integradas de conservação e preservação imediatas com o reconhecimento do território como Terra Indígena. A expectativa é que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) inicie em breve o processo e que os dados do inventário subsidiem o processo de reconhecimento. A área solicitada vai do Lago do Corrêa até a fronteira com Colômbia e Peru, onde moram povos como os witoto, kaixana, kokama e tikuna.
Foto: Carol Sackser/Ascom Inpa
Conforme o levantamento botânico do inventário, a região do Alto Rio Içá é formada por cerca de 80% de florestas de terra firme e quase 20% de áreas alagáveis (várzeas e igapós) e menos de 1% de campinarana, um ecossistema amazônico também de área alagável, mas com solos arenosos e pobres em nutrientes, revelando a importância estratégica para a conservação da biodiversidade.
O inventário ocorreu em seis comunidades indígenas e envolveu 71 pessoas, entre cientistas de dez instituições de cinco países diferentes e especialistas indígenas Kokama, Tikuna e Kambeba. Para a pesquisadora do Inpa e coordenadora brasileira da expedição, a bióloga Fernanda Werneck, o inventário deve representar um marco para a ciência brasileira, para as parcerias institucionais com as comunidades tradicionais e para a valorização da sociobiodiversidade da região.
“A expedição ter transcorrido com sucesso é o nosso principal resultado, dada toda a logística envolvida, mas todos tinham o mesmo objetivo que é entender de maneira colaborativa a diversidade biológica, cultural e social da região em prol de uma causa comum que é preservar o alto Rio Içá e os modos de vida e o território dos povos tradicionais. Além do estreitamento da parceria social-biológica entre as instituições e com as comunidades tradicionais pela proteção da Amazônia”, destaca Werneck.
Fernanda Werneck. Foto Carol Sackser
A expedição registrou mais de 2.800 espécies, entre coletas, fotografias e captações de som, alguns são registros novos para o Brasil, entre eles o passarinho formigueiro-de-Pelzeln, que não tinha nome popular e os cientistas aproveitaram para chamar a ave de formigueiro-do-Içá. Os cientistas já apontam uma quantidade significativa de espécies novas para a ciência, algumas conhecidas pelos indígenas. Entre as descobertas estão dez potenciais espécies novas de peixes, como um tetra Pristella que é um peixinho de uso ornamental, e dez de anfíbios, incluindo pererecas e salamandras.
Percnostola jensoni. Foto Cameron Rutt/ Field Museum
Chama atenção também a riqueza de recursos da biodiversidade utilizada pelos povos originários para várias finalidades, totalizando mais de 400 espécies identificadas pelos nomes populares (etnoespécies). Delas, 135 plantas e 177 animais são utilizados na alimentação, aproximadamente 80 espécies na construção, medicinas entre outros usos. O inventário identificou uma longa história de uso e ocupação do território, do saber ancestral vivo, riquíssimo e visível na continuidade e formas de morar e se relacionar no território e nas redes de relações.
Segundo a cacica da comunidade indígena Raízes da Ayahuasca, Milena Kokama, a expedição representa a união necessária dos conhecimentos científicos e indígenas para fortalecer a luta pelo reconhecimento do direito dos povos tradicionais sobre seus territórios com a demarcação da TI e um passo importante para a conservação da biodiversidade Amazônica, garantindo o equilíbrio ecológico e o futuro da vida no planeta.
“A expedição é muito importante para nós, indígenas e organizações indígenas, porque as pesquisas realizadas vêm para validar o nosso conhecimento tradicional. O conhecimento ocidental e o ancestral devem andar juntos. Preservar a mãe natureza é compromisso e responsabilidade de todos, pois sem ela não existe vida nem futuro”, declara a cacica.
Estiveram na mesa de abertura do seminário a Secretária Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pesquisadora do Inpa, Rita Mesquita, as lideranças das comunidades indígenas do Alto Rio Içá, Higino Chota, Milena Kokama, Jackson Morães, Eraldina da Costa Tikuna, com moderação da especialista em articulação com Povos Indígenas da WCS Brasil, Ana Luiza Melgaço.
Cacique de Mamuriá II. Foto Carol Sackser
A área sofre com pressões e ameaças, como conta o cacique da comunidade Mamuriá II Higino Chota. “As pessoas chegam lá dizendo que nós não temos direito no nosso território, e nós não temos documento, não temos nada pra provar que é nossa. Tem muitos invasores de madeira, de lago, garimpeiros, tudo chega lá. Então nós procuramos correr atrás e fazer esse reconhecimento porque nós temos direito sim ao nosso território”, afirmou Higino Kokoma.
Rita Mesquita destacou a importância das TI na conservação da biodiversidade, mesmo que este não seja o objetivo primário do reconhecimento de uma terra indígena, que é o reconhecimento do direito originário de um povo sobre o território. Também lembra que estudos mostram que as TI são mais efetivas para conter o desmatamento que parques nacionais, e isso é levado em consideração na agenda nacional de conservação da biodiversidade do MMA.
“No caso do Rio Içá, aquela região possui grandes áreas de glebas federais não destinadas, e sabemos que o grosso do desmatamento na Amazônia ocorre justamente em cima dessas áreas, porque é quase como se fosse uma terra de ninguém. Portanto, avançar com o processo de reconhecimento é muito importante também para contribuir com a conservação da biodiversidade e com o combate ao desmatamento, e para o MMA isso é muito importante”, destaca Mesquita.
Foram apresentados os resultados iniciais em dez áreas biológicas e sociais da expedição: geologia, botânica, ictiologia (peixe), herpetologia (anfíbios e répteis), aves, mastozoologia (mamíferos), história socioambiental, etnoconhecimento, uso de recursos naturais e governança e conflitos socioambientais. As coletas biológicas vão enriquecer os acervos do Programa de Coleções Científicas Biológicas do Inpa.
Segundo o coordenador da expedição pelo Field Museum, o antropólogo Jeremy Campbell, o conhecimento gerado e registrado pelo Inventário vão auxiliar nos processos de proteção dos territórios indígenas e de designação de áreas de conservação. A expectativa é que os dados consolidados estimulem mais produção científica e mais parcerias entre as instituições brasileiras, internacionais e as comunidades tradicionais da Amazônia.
“Fizemos o levantamento multidisciplinar da área registrando os animais presentes na parte brasileira da bacia, registramos inclusive novas espécies para a ciência e principalmente registramos a presença humana dessa região que existe há décadas ou milênios, encontramos sítios arqueológicos importantes, e o sistema de manejo que os moradores usam. Tudo isso vai ser compilado em um relatório executivo que ficará disponível e vamos fazer também uma devolutiva nas comunidades do Alto Rio Içá que é uma região bem desconhecida, mas que tem pessoas orgulhosas do que têm, da natureza e dos seus conhecimentos”, adianta Campbell.
Jeremy Campell. Foto Carol Sackser
O inventário mostrou que os sistemas agroecológicos indígenas, que envolvem pesca, caça, agricultura rotativa e manejo das florestas, são importantes para manter a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas. Os membros das comunidades têm um conhecimento profundo sobre o ambiente onde vivem e usam estratégias de uso da terra que foram passadas de geração em geração. Essas estratégias são baseadas na experimentação, na cooperação entre as pessoas e na preservação da cultura, e as comunidades dependem diretamente do equilíbrio ecológico local para sua subsistência.
Levantamento
O Inventário Rápido do Field Museum é um tipo de levantamento que considera a vida das pessoas e a do território (florestas e águas) uma só vida, entendendo que a vida natural e social não estão divididas. O inventário traz recomendações integradas para a conservação ambiental e o bem-estar das populações locais, dirigidas a governos e outras autoridades relevantes.
A expedição foi realizada em maio por uma equipe multinacional e interdisciplinar liderada pelo Field Museum of Natural History (Museu Field/ EUA) em estreita parceria com o Inpa, contando com a participação de diversos alunos e pesquisadores do Instituto. A Wildlife Conservation Society – Brasil (WCS), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), o Núcleo de Estudos Socioambientais do Amazonas (Nesam), a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
O projeto é uma iniciativa do Instituto Serra da Valéria. Foto: Divulgação
O Programa de Pós-Graduação em Educomunicação e Linguagens da Amazônia (PPGEL-Amazônia), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam-Parintins), participou do projeto Palafita & Arte, desenvolvido na Boca da Valéria, zona rural de Parintins.
O projeto é uma iniciativa do Instituto Serra da Valéria, presidido pelo artista Freyzer Andrade, e tem como objetivo transformar a comunidade ribeirinha em um museu à céu aberto, com a pintura de casas, com a aplicação de desenhos de pássaros em extinção na fauna amazônica, por artistas de várias partes do mundo.
O projeto é uma iniciativa do Instituto Serra da Valéria. Foto: Divulgação
“A proposta do Projeto Palafita & Arte é promover um impacto positivo por meio de ações colaborativas e da autoexpressão dos jovens envolvidos, permitindo que estes não só desenvolvam suas habilidades artísticas e de trabalho em equipe, mas também fortaleçam a sua voz e presença no mundo. Além disso, a iniciativa incentiva a participação ativa dos próprios alunos na construção e na coloração das suas casas, simbolizando um processo de empoderamento e pertencimento comunitário”, explica o artista natural da Valéria.
A parceria com o PPGEL-Amazônia surgiu após uma participação de Freyzer Andrade em uma aula do Mestrado, na disciplina Epistemologia da Educomunicação, convidado pela Profa. Dra. Marina Magalhães (UFCG-UFAM). Na ocasião, o artista apresentou os projetos educomunicativos empreendidos pelo Instituto Serra da Valéria e a primeira turma de discentes do programa mostrou interesse em contribuir com as atividades de intervenção na região.
O projeto é uma iniciativa do Instituto Serra da Valéria. Foto: Divulgação
“O projeto Palafita & Arte e o Programa de Pós-Graduação em Educomunicação e Linguagens na Amazônia têm alguns princípios muito parecidos, voltados para a construção e elaboração de uma autonomia dos jovens parintinenses, da juventude local. Essa parceria tem muito a acrescentar tanto para os estudantes do programa de Mestrado, como também para a comunidade atendida, por ser uma possibilidade de ampliar a reflexão sobre as práticas artísticas como caminho para a leitura e o pensamento crítico da comunicação e representação da nossa cultura e do nosso território”, afirma a Profa. Dra. Cândida Nobre, docente permanente e coordenadora do PPGEL-Amazônia, da UFAM – Parintins.
A comitiva Parintins-Serra da Valéria será formada pelos professores doutores Corina Vasconcelos (UFAM), Marcelo Rodrigo (UFPB/UFAM) e Marina Magalhães (UFCG/UFAM), docentes permanentes do PPGEL-Amazônia, e pelos mestrandos Alice Alencar, Jonas Santos, Rodrigo Pinheiro, Brena de Moraes Pereira, Ana Paula dos Santos e Chiara Marques Reis.
O Programa de Pós-Graduação em Educomunicação e Linguagens na Amazônia (PPGEL-Amazônia) é o primeiro mestrado acadêmico stricto sensu de Parintins e da região do Baixo Amazonas, e o primeiro do Brasil na área da Educomunicação.
Programa de Pós-Graduação em Educomunicação e Linguagens na Amazônia
O programa busca fortalecer a área interdisciplinar de Ciências Sociais e Humanas, considerada estratégica tanto para o Baixo Amazonas quanto para a Região Norte como um todo, dada a grande diversidade linguística (de línguas e dialetos) e de linguagens (artes e comunicação em geral) da Amazônia brasileira e os processos próprios de educar do povo amazônida.
O programa foi criado por meio da portaria nº 674, de 22 de julho de 2024, e sua primeira turma de mestrado iniciou em 2025, sendo composta por 11 alunos. O objetivo do curso é formar pesquisadores capazes de trabalhar com as diferentes mídias, tecnologias de comunicação e linguagens digitais, tanto para a educação como para a formação cidadã no contexto amazônico. Mais informações AQUI.
O Instituto Serra da Valéria é uma associação civil, sem fins lucrativos, dedicada às causas sociais, com atuação na região da Valéria, município de Parintins-AM. A associação realiza projetos que reúnem pessoas de todas as idades com um propósito comum: fortalecer comunidades por meio da arte e da colaboração.
O projeto é uma iniciativa do Instituto Serra da Valéria. Foto: Divulgação
“Consideramos que o Instituto Serra da Valéria é um ponto de luz e transformação na Amazônia, que tem como propósito romper o ciclo da vulnerabilidade social por meio de uma ação transformadora envolvendo educação, arte e cultura. O nosso trabalho é a prova viva de que, quando a arte encontra o propósito social, ela não apenas emociona, mas emancipa. Onde muitos só veem a carência, nós procuramos ver o potencial, que dia após dia, está transformando a vida dos moradores da comunidade”, conclui Freyzer Andrade, idealizador e presidente do Instituto.
Comunidade Indígena Taxí 2 entra na rota do etnoturismo. Foto: Divulgação/JPavani
A Comunidade Indígena Taxí 2, localizada em Pacaraima, no interior de Roraima aderiu ao Programa Estadual de Etnoturismo da Secult (Secretaria de Cultura e Turismo). A decisão foi consolidada após uma visita técnica realizada em maio deste ano pelo Detur (Departamento de Turismo) para sensibilizar os moradores sobre os benefícios da iniciativa.
O etnoturismo, voltado à visitação em terras indígenas e conduzido pelas próprias comunidades, é uma das vertentes mais consolidadas do turismo de base comunitária. Em Roraima, a prática foi iniciada em 2019, na Comunidade Raposa I, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, e desde então vem sendo ampliada para outras regiões do estado.
Comunidade Indígena Taxí 2 entra na rota do etnoturismo. Foto: Divulgação/JPavani
Durante a visita, o diretor do Detur, Bruno Muniz, ressaltou a relevância da atividade. “O etnoturismo não apenas valoriza a cultura local, mas também gera oportunidades de renda e desenvolvimento sustentável para as comunidades”, afirmou.
Com paisagens marcadas por corredeiras, quedas d’água, campos naturais, savanas e afloramentos rochosos, a região de Taxí possui grande potencial turístico. A comunidade agora se prepara para elaborar seu plano de visitação, que irá mapear atrativos, organizar roteiros e identificar elementos que tornem a experiência dos visitantes ainda mais enriquecedora, como as trilhas ecológicas e a observação de aves.
Comunidade Indígena Taxí 2 entra na rota do etnoturismo. Foto: Divulgação/JPavani
Além de Pacaraima, a iniciativa também beneficia Uiramutã, município que possui a maior população indígena de Roraima. A localidade é composta majoritariamente pelas etnias Macuxi e Taurepang.
A cultura desses povos é preservada e transmitida pelos anciãos, registrada em inscrições rupestres e nas urnas que guardam os restos mortais dos antepassados, relíquias que mantêm vivos os segredos de Makunaima.
O Programa de Etnoturismo foi criado a partir da regulamentação da atividade, estabelecida pela Instrução Normativa nº 03/2015 da Fundação Nacional dos Povos Indígenas, que reconhece os indígenas como protagonistas na gestão de seus territórios.
Comunidade Indígena Taxí 2 entra na rota do etnoturismo. Foto: Divulgação/JPavani
A iniciativa do governo de Roraima ganhou destaque nacional e foi premiada com o segundo lugar no Prêmio Nacional do Turismo 2023, na categoria Gestão e Governança do Turismo, promovido pelo Ministério do Turismo.
A instrução Normativa estabelece normas e diretrizes relativas às atividades de visitação para fins turísticos em terras indígenas. Veja a norma nº 03/2015 AQUI:
O etnoturismo é uma forma de turismo voltada para a valorização da diversidade cultural de povos e comunidades locais. Por meio dela, turistas têm a oportunidade de imergir em costumes, história, gastronomia, rituais e estilo de vida desses grupos, como indígenas e quilombolas.
De acordo com o doutor em Geografia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Deivison Molinari, essa prática está em expansão em diversas regiões do mundo, principalmente na Amazônia.
Comunidade Indígena. Foto: AmazonasTur
“Essa forma de turismo é muito presente na Amazônia e em vários lugares do mundo, pois permite um contato e uma imersão na cultura de povos originários indígenas e quilombolas”, declarou Molinari.
Além de fortalecer a identidade cultural dessas comunidades, o etnoturismo também é uma importante ferramenta para o desenvolvimento sustentável, contribuindo com a geração de renda e o incentivo à preservação local.
Roraima conquista status histórico de Estado livre de febre aftosa. Foto: Ascom/Aderr
O Estado de Roraima alcançou no dia 29 de maio, um marco histórico para a agropecuária regional ao receber oficialmente, em Paris, o certificado de zona livre de febre aftosa sem vacinação, concedido pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal).
A entrega do documento ocorreu durante a 92ª Assembleia Geral da entidade, e simboliza um salto qualitativo na imagem sanitária roraimense perante o mercado internacional.
Roraima conquista status histórico de Estado livre de febre aftosa. Foto: Ascom/Aderr
Representantes do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) estiveram na solenidade. O diretor de Defesa Animal do Ministério, Marcelo Motta, recebeu o certificado, selando um processo que vem sendo construído há mais de meio século, desde as primeiras ações de controle da doença.
O Estado de Roraima, que integra a nova zona reconhecida, celebra o reconhecimento como uma conquista estratégica, abrindo caminho para a valorização da produção local e ampliação das exportações.
“Grande conquista para todos nós. Uma vitória do nosso trabalho de décadas e uma virada de página para a pecuária de Roraima. É a confirmação de que o investimento feito trará não apenas saúde animal, mas desenvolvimento econômico real. É um marco histórico”, comemorou o governador Antonio Denarium.
Roraima conquista status histórico de Estado livre de febre aftosa. Foto: Ascom/Aderr
Durante os anos de criação da Aderr muitas etapas foram vencidas para tornar Roraima livre da doença. Foram realizadas várias campanhas de vacinação, Agulha Oficial nas terras indígenas, estabelecidas parcerias com produtores e comerciantes, visitas às propriedades rurais, repasse de informações relevantes para orientar os pecuaristas sobre a doença, sensibilizando sobre a importância da imunização do rebanho, além de colocar à disposição, Unidades de Defesa Agropecuária e Escritórios de Atendimento à Comunidade em todos os municípios do Estado para atender de forma rápida e precisa.
O presidente da Aderr, Marcelo Parisi, destacou o compromisso do governador Antonio Denarium na retirada da vacina. “Esse é um dia importante para a pecuária do nosso Estado. Todos nós tínhamos consciência do que iria acontecer, porque o trabalho do Governador Antonio Denarium, por meio da Agência, foi bem feito. Estamos todos felizes com essa conquista”, destacou Parisi.
Histórico de Roraima em relação à febre aftosa nos últimos anos
Não livre da doença: em 2008 era considerado alto risco, já em 2014 passou para médio risco até alcançar, em 2018, o status de área livre de febre aftosa com vacinação.
Roraima conquista status histórico de Estado livre de febre aftosa. Foto: Ascom/Aderr
A certificação internacional ocorre um ano após Roraima suspender oficialmente a vacinação contra a febre aftosa, cumprindo rigorosamente as exigências da OMSA, como a ausência de casos clínicos e a proibição da entrada de animais vacinados durante o período de transição, um esforço coletivo que envolveu técnicos, pecuaristas e o Governo do Estado.
Até então, o status livre de febre aftosa sem vacinação era restrito a Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia e partes do Amazonas e do Mato Grosso. A nova classificação inclui agora uma extensão significativa de território nacional, ampliando o alcance da carne brasileira a mercados mais exigentes, como Japão e Coreia do Sul.