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Dossiê evidencia protagonismo de povos tradicionais na luta contra direitos ‘sequestrados’

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A capa do boletim tem design de Júlia Goulart e a foto é de Luiza Mastop (2024). Imagem: Montagem criada pelo MPEG

Descobrir e cultivar a memória de povos tradicionais, dos conhecimentos ancestrais, é algo basilar para a identidade de qualquer país. Isso porque a cultura e a história de cidadãos indígenas, quilombolas e ribeirinhos na Amazônia ou em qualquer outro bioma do mundo podem e devem funcionar como referência sólida para a busca da justiça social e o desenvolvimento sustentável, como fontes de conhecimento. E, por incrível que pareça, essas sociedades não têm podido divulgar e compartilhar de forma abrangente e perene seus saberes para as novas gerações no Brasil.

Daí ser oportuno o acesso do público ao conteúdo da nova edição do Boletim Ciências Humanas do Museu Paraense Emílio Goeldi (Vol. 20, nº 3 – setembro/dezembro 2025), com o dossiê “Direitos ‘sequestrados’ aos povos tradicionais: possibilidades de compreensão”. Essa publicação reúne artigos de intelectuais indígenas e quilombolas de vários estados do Brasil com novos olhares sobre temáticas estruturais para a construção do futuro da sociedade brasileira.

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A organização do dossiê, que reúne 15 contribuições, é dos pesquisadores José Heder Benatti, Rosani Kamury Kaingang (Rosani de Fatima Fernandes), Uwira Xakriabá (William César Lopes Domingues), Almires Martins Machado, Flávia Silva dos Santos e Jane Felipe Beltrão.

A foto da capa do boletim mostra uma criança indígena sorrindo para a câmera, ao lado de uma mulher adulta, ao se banhar em um rio. A imagem foi captada por uma das autoras do dossiê, a antropóloga Luiza Mastop, e tem significados múltiplos. Um deles, como se vê na publicação, é o de que os povos tradicionais  seguem produzindo novos conhecimentos, a serem desfrutados em territórios do futuro, contra o ‘sequestro’ de seus direitos.

Sustentabilidade, educação e linguística

De início, pode-se ler sobre como os conhecimentos tradicionais proporcionam uma agricultura indígena sustentável, sem obedecer a concepções eurocentradas. Trata-se do artigo “Territórios indígenas, conhecimentos tradicionais e sustentabilidade nas Amazônias”, escrito pelos pesquisadores Jane Felipe Beltrão, Gutemberg Armando Diniz Guerra e Tallyta Suenny Araújo da Silva.

A educação escolar diferenciada como fator decisivo para a valorização e a perpetuação desse conhecimento tradicional é abordada em artigo da pesquisadora Rosain Kamury: “Educação Escolar Indígena e Educação Escolar Quilombola: movimentos de luta pelo direito à escola”. Nesse mesmo contexto, os meandros da educação e da identidade do povo Aikewara são expostos no artigo “Construindo memórias com Arihera: educação e identidade Aikewara em foco”, assinado por Luiza de Nazaré Mastop-Lima e Arihera Suruí.

Em outra face da temática do dossiê da revista científica do MPEG, a língua de um povo mostra-se um elemento estratégico para a resistência dos integrantes de um povo diante de ameaças sucessivas. Isso pode ser conferido no artigo dos pesquisadores Lucivaldo Costa e Bekroti Xikrín: “Escrita em língua materna e fortalecimento etnolinguístico”.

Saúde mental e letramento racial

A saúde mental e o bem-viver encontram nas concepções indígenas significados capazes de gerar novas perspectivas sobre esses temas tão presentes no debate das sociedades contemporâneas. Essa temática é acessada pelo leitor no estudo feito pelos intelectuais indígenas Idjarrury Sompré e Eliane Rodrigues Putira Sacuena, intitulado “Bem-viver psicoanimista como alternativa ao conceito de saúde mental: uma proposta a partir de cosmologias indígenas brasileiras”, produzido 0a partir da atuação profissional em coletivos indígenas.

O artigo “A cartilha de letramento racial como forma de enfrentamento ao racismo”, de autoria dos pesquisadores Andrew Rêgo Benjó e Celyne da Fonseca Soares, traz uma proposta de posicionamento concreto frente ao racismo praticado cotidianamente contra os povos originários brasileiros, em particular, o povo negro. Nesse documento, é abordada a aplicação prática do conhecimento acadêmico no enfrentamento de situações de segregação e desrespeito aos povos tradicionais no dia a dia.

Leia também: Povos indígenas ganham manual de orientação para situações de conflitos fundiários

Mulheres e descolonização

Já na seção Debate, Almires Martins Machado, em coautoria com Divina Lopes Guarani e Yvy Mirim (nome civil: Priscila Guarani), traz o artigo “Kunangue Tenondetá: indígenas mulheres Guarani em movimento” com foco nas ações dessas duas lideranças indígenas mulheres para sustentar as possibilidades do bem-viver guarani, ou seja, cuidar dos saberes do povo, inclusive, por meio da língua materna, na coexistência com pessoas não guarani, sem perder a identidade indígena.

E o boletim ainda traz um ensaio fotográfico de José Ubiratan Sompré, intitulado “Kátia Tônkyre, a guerreira que se forjou na luta”. Esse trabalho versa sobre Kátia Silene Valdenilson (nome civil), a primeira cacica de seu povo, os Akrãtikatêjê, que mantém a luta na defesa dos direitos indígenas, como herdeira de seu pai, o líder Hõpryre Ronoré Jopikti Payaré. Ele jamais desistiu de lutar contra o deslocamento forçado quando da construção da Hidrelétrica de Tucuruí.

O boletim também traz três resenhas. Uma delas é “Descolonizar metodologias é necessário, alerta Linda Smith, pesquisadora maori”, de Rita Carneiro. A autora  explana sobre os princípios da obra “Descolonizando metodologias: pesquisa e povos indígenas”, lançada por Linda Smith em 1999, como referência para compreensão do universo dos povos tradicionais no Brasil.

“Fatumbi: o oráculo do olhar”, de Daniely Rosário, mostra a essência antropológica das religiões afro-descendentes no Brasil, a partir de trabalhos históricos de Alex Baradel e de Pierre Edouard Léopold Verger (1902-1996). E ainda “Povos indígenas e audiovisual: memórias e resistências no Xingu”, de Camille Castelo Branco, fala sobre o trabalho organizado por Takumã Kuikuro e Guilherme Freitas. Referenciada por autoridades indígenas e não indígenas, como Ailton Krenak, Carlos Fausto, Naine Terena e Watatakalu Yawalapiti, a obra versa sobre a importância dos registros audiovisuais para a concretização de uma vida digna aos povos indígenas.

povos do Xingu
Povo do Xingu. Foto: Kamikia Khisêtjê/ISA 

Artigos científicos 

Além do Dossiê “Direitos ‘sequestrados’ aos povos tradicionais: possibilidades de compreensão”, esta edição do Boletim Ciências Humanas do Museu Paraense Emílio Goeldi traz ainda aos leitores sete artigos científicos e uma seção Memória. 

  • Os três primeiros artigos têm como títulos:
  • “A terra do ‘grande senhor Aparia’ e seus descendentes: sobre os Omágua/Kambeba à margem da História”, de Ferran Cabrero;
  • “A (morfo)fonologia das consoantes oclusivas orais em Proto-Tupi-Guarani: problemas em aberto, problemas resolvidos e novos problemas”, de Fernando O. de Carvalho;
  • e “Evidências arqueopalinológicas de atividades e relações de populações pré-coloniais com o ambiente semiárido, Bahia, Brasil”, de José Orlando Bispo dos Santos, Cristiana de Cerqueira Silva-Santana e Francisco Hilder Magalhães-e-Silva.

Os outros títulos dos artigos são:

  • “Términos comparativos y de parentesco en la zoonimia y fitonimia de los toba del oeste de Formosa (Argentina)”, escrito por Pastor Arenas e Nicolás M. Kamienkowski;
  • “Modelagem fotogramétrica de sítios arqueológicos e geração de produtos cartográficos: suporte à pesquisa e divulgação do patrimônio cultural de Serranópolis, Goiás, Brasil”, de Paulo Rodrigo Simões, Edilson Teixeira de Souza, Luis Augusto Koenig Veiga e Marcio Schmidt;
  • “Tecnologías y resiliencia en el Valle de Lambayeque: perspectiva desde el complejo arqueológico Ventarrón y Collud”, de Marcia Arcuri Suñer, Fabiola Andréa Silva, Marcelo Fagundes e Néstor Ignacio Alva Meneses;
  • e “Habitar os sertões: arqueologias e materialidades sertanejas na comunidade de Floresta, São João da Serra, Piauí”, de Vinícius Melquíades.

Memória

Na seção Memória, o leitor confere artigos, como “Paiakan, líder Kayapó: assassinado pelo Estado brasileiro”, de Uwira Xakriabá, acerca dessa liderança kayapó no Pará, Bepkororoti, conhecido mundialmente como Paulinho Paiakan, com atuação marcante pelos direitos dos povos indígenas a partir do município de Altamira, no Pará, em dois momentos de luta contra o Estado.

Já no texto “Memória cotidiana do quilombo Rio Genipaúba”, o pesquisador Amilton Bitencourt Azevedo apresenta as dificuldades de se construir um relato histórico sobre uma comunidade negra. Isso por conta do racismo que atinge esse núcleo populacional na área de várzea do município de Abaetetuba, no Pará.

A experiência milenar de ser cidadãos ribeirinhos diante da falta de apoio governamental para manifestações culturais que fortalecem a identidade de uma comunidade na cidade de Ponta de Pedras, no Arquipélago do Marajó, também é tema de leitura no dossiê do MPEG. Trata-se do artigo “Espaço cultural Casa do Poeta: saraus, performances e a palavra como transformação”, de autoria do pesquisador Marcos Samuel da Costa Conceição. Desse relato memorial surge a pergunta: “Como ribeirinhas/os, não temos direitos culturais?”.

Ainda na seção Memória, com o título “Prazer, meu nome é Galdino Ramos’: uma biografia científica de um pioneiro da identificação forense no Brasil”, Gabriel Angelo da Silva Gomes, Maria Cláudia Santiago e Raul Yukihiro Matsushita relatam a trajetória do médico brasileiro Galdino Ramos e defendem sua significativa contribuição para as ciências forenses no Brasil, especialmente no âmbito da medicina legal e da identificação forense.

Acesse AQUI o boletim mais recentes e outras edições. 

*Com informações do Museu Goeldi

Você conhece as mascotes dos times de futebol da Região Norte?

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Você que vai a um estádio de futebol acompanhar o seu time favorito ou assiste os jogos pela televisão, com certeza já se deparou com uma figura bem animada, geralmente um animal ou objeto fictício, sempre na beira do gramado interagindo com jogadores e a torcida. São as chamadas mascotes, personagens que representam a história e identidade de um clube.

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As mascotes de time são uma tradição no mundo, não só no futebol, mas em todo ambiente esportivo, pois elas são fundamentais para a representação do processo cultural de uma agremiação. A ideia nasceu há muito tempo, com registros de tribos e clãs que usavam símbolos para representar suas crenças e identidades, mas se popularizou no futebol somente no século XX.

Leia também: Primeira partida de futebol do Brasil aconteceu na Amazônia; descubra onde

Na Região Norte, os clubes de futebol profissional também têm mascotes, que vão desde animais da fauna amazônica até símbolos que descrevem qualidades ou fatos históricos dos times.

Confira uma lista das mascotes de alguns times de cada estado da Região Norte e seus significados:

Você conhece as mascotes dos times de futebol da Região Norte?

Jogo sobre investigação ambiental criado no Acre será apresentado na Alemanha em 2026

Jogo acreano Carbon-0, do gênero puzzle, será apresentado na Alemanha em 2026. Foto: Cedida

Onze estudantes do curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Acre (Ufac) desenvolveram um jogo de puzzle (variação de quebra-cabeça) que acompanha os irmãos Ícaro e Maria em uma investigação ambiental e que será apresentado na Alemanha em 26 de agosto de 2026.

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O projeto, chamado ‘Carbon – 0’, garantiu a vaga após na categoria escolha do público da Mostra Competitiva de Jogos da Amazônia Legal, durante a Headscon 2025, em Rio Branco. A premiação também contou com R$ 21,5 mil para os desenvolvedores.

No game, os personagens buscam pistas para provar a inocência do pai e precisam invadir e expor empresas envolvidas em crimes ambientais. A proposta foi criada ao longo do ano pelos estudantes, que dividiram o desenvolvimento com as rotinas de aulas e trabalhos acadêmicos.

Como o prêmio oferece apenas uma vaga para representar a criação no exterior, o grupo escolheu o estudante André Siqueira, de 25 anos, para viajar.

“Quando anunciaram que nosso jogo tinha ganhado, a gente gritava, pulava. Foi um sentimento que eu não sei se vou sentir de novo”, disse.

Leia também: Encontre o menino do Acre: desaparecimento inspira jogos

Ele afirma ainda que a conquista reforça o caminho que o grupo tem seguido. “Significa que o nosso trabalho está no caminho certo e que devemos continuar, agora em um ritmo mais rápido para entregar o que esperam da gente”, explicou.

Com quase um ano até agosto de 2026, os estudantes já planejam refazer grande parte do game, com novas mecânicas, melhorias na arte e ajustes de narrativa.

Criação do jogo

O desenvolvimento do game também trouxe desafios típicos da rotina acadêmica. Como todos os desenvolvedores ainda estão na graduação e tinham pouca experiência prática, a equipe enfrentou dificuldades na programação e precisou conciliar o projeto com aulas, provas e trabalhos.

Thiago Costa, que também integra o grupo, explicou que o interesse em criar jogos começou no ano passado, quando participou de um evento com outras pessoas e tentaram criar um jogo digital do zero.

“Apareceram na Ufac falando do evento e eu me inscrevi com alguns amigos. Ficamos em terceiro lugar. A partir daí, nosso grupo só aumentou e nossa fome por fazer jogos também”, relembrou.

Leia também: 3 jogos que levam a Amazônia para a telinha dos celulares

estudantes que vão representar o jogo
Jogo acreano sobre investigação ambiental garante vaga em evento na Alemanha. Foto: Reprodução

Ele acredita que o destaque do game Carbon – 0 veio da combinação entre narrativa e apresentação do grupo durante a Headscon 2025.

“A simplicidade da gameplay junto da narrativa acabou chamando muita gente, principalmente crianças e quem não tem tanto contato com jogos. Mas, pra mim, o ponto chave foi o carisma da equipe”, completou.

Além disso, a ida à Alemanha também abriu novas expectativas para o grupo. Os estudantes veem o evento como uma oportunidade de apresentar o game para um público mais amplo, conhecer tendências do mercado e construir conexões com estúdios e desenvolvedores internacionais.

*Por Jhenyfer de Souza, da Rede Amazônica AC

SAFs de açaí são alternativa alimentar para enfrentamento da crise climática

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Foto: Vanessa Monteiro/Ufra

O açaí, fruto essencial para a cultura e alimento base da população amazônica, tem enfrentado um dilema crescente: sua ascensão como alimento global tem gerado pressão pela produção e ameaçando a biodiversidade da região. O Pará é responsável por cerca de 90% da produção nacional do fruto.

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Segundo o professor Marcos Antônio Souza dos Santos, que atua na área de Economia Agrária e dos Recursos Naturais na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), nos últimos cinco anos, os preços da rasa de açaí (um cesto de 28 quilos) no Pará têm crescido aproximadamente 6% ao ano já descontado o efeito da inflação, revelando uma forte tendência de valorização.

“Esse comportamento dos preços chama a atenção, pois tem ocorrido mesmo diante do aumento médio de cerca de 5% ao ano na produção de açaí cultivado em áreas de terra firme, o que, somado à produção extrativista, deveria exercer pressão de baixa nos preços”, diz.

O pesquisador destaca que isso está ocorrendo em função de o açaí ter se consolidado nas últimas décadas como o principal produto da bioeconomia amazônica, com forte inserção nos mercados nacional e internacional.

“O fruto, que antes atendia o consumo local e regional, passou a integrar cadeias produtivas globais na indústria alimentícia, cosmética e de suplementos nutricionais. Essa expansão de mercado tem feito a demanda crescer em ritmo superior ao da oferta, sustentando os preços em níveis elevados, mesmo com a expansão da produção”, alerta.

Ele diz que essa dinâmica exige a ampliação da adoção de boas práticas de manejo nos sistemas de cultivo em terra-firme e nas áreas de extrativismo.

“Nos cultivos em terra-firme, a adoção de técnicas de irrigação eficiente, manejo nutricional, produção em sistemas agroflorestais diversificados são fundamentais para incrementar a produtividade e sustentabilidade dos sistemas de produção. Já nas áreas de várzea e de extrativismo, é fundamental promover o manejo adequado dos açaizais nativos, garantindo manutenção da biodiversidade e a regeneração natural das espécies”, afirma. 

Leia também: Pesquisa analisa espécies de açaí encontradas na Amazônia

Sistemas agroflorestais (SAFs)

Uma das alternativas diante desse cenário são os Sistemas Agroflorestais (SAFs), solução encontrada para garantir tanto a produção local quanto a preservação, como defende o professor José Sebastião Romano, do campus Ufra Capitão Poço. 

O professor José Romano diz que implementação de SAFs oferece uma alternativa para que as comunidades garantam o seu próprio açaí e consumo local, combatendo a ameaça de ficar sem o produto devido à exportação e à monocultura.

safs de açaí
Foto: Marcos Antônio Souza dos Santos/Acervo pessoal

“Nesses sistemas, o agricultor consegue congregar em uma mesma área, não somente o açaí, mas outras espécies que os nossos antepassados já produziam nos tradicionais sítios. Essa agrobiodiversidade se traduz em inúmeras vantagens. Mesmo que o açaí seja o produto principal, ou o carro-chefe, o sistema mantém a diversificação”, diz o professor. 

Ele destaca que o maior benefício que os SAFs proporcionam é comida de verdade. “Isso garante a soberania alimentar, que é o conceito de saber de onde vem o alimento e consumir produtos naturais gerados na própria comunidade, como o açaí, o cupuaçu, cacau, pupunha, entre outros. A implementação de SAFs oferece uma alternativa para que as comunidades garantam o seu próprio açaí e consumo local, combatendo a ameaça de ficar sem o produto devido à exportação e à monocultura”, afirma.

O professor coordena o Núcleo de Agricultura Familiar e Agroecologia (NEA/UFRA), onde pesquisadores e alunos atuam junto aos agricultores, aprendendo e ensinando sobre novas tecnologias de adubação, manejo das árvores, empreendedorismo e cooperativismo. “Quando você escuta o agricultor, ele vai falar muito mais do que você pergunta. E aí que está a diferença do nosso trabalho”, afirma.

Além de agricultores do município de Capitão Poço, os trabalhos também envolvem agricultores de Irituia, São Domingos do Capim, São Miguel do Guamá, Mãe do Rio, Ourém, São Domingos do Capim, bem como outras localidades do entorno. Só no município de Irituia, o professor diz que já foram catalogados cerca de 500 pessoas com SAFs ( quintais produtivos).

Leia também: Sistemas Agroflorestais impulsionam produção agrícola em município do sudeste paraense

Segundo o professor, os SAFs são um sistema dinâmico, que torna possível garantir o consumo e ainda geram produtos para comercialização. Foto: Marcos Antônio Souza dos Santos/Acervo pessoal

O professor coordena o Núcleo de Agricultura Familiar e Agroecologia (NEA/UFRA), onde pesquisadores e alunos atuam junto aos agricultores, aprendendo e ensinando sobre novas tecnologias de adubação, manejo das árvores, empreendedorismo e cooperativismo. “Quando você escuta o agricultor, ele vai falar muito mais do que você pergunta. E aí que está a diferença do nosso trabalho”, afirma.

Além de agricultores do município de Capitão Poço, os trabalhos também envolvem agricultores de Irituia, São Domingos do Capim, São Miguel do Guamá, Mãe do Rio, Ourém, São Domingos do Capim, bem como outras localidades do entorno. Só no município de Irituia, o professor diz que já foram catalogados cerca de 500 pessoas com SAFs ( quintais produtivos).

Diversidade

Segundo o professor, os SAFs são um sistema dinâmico, que torna possível garantir o  consumo e ainda geram produtos para comercialização. Ele explica que em um quintal agroflorestal amazônico, há uma enorme biodiversidade de espécies frutíferas, como açaí, biribá, limão, goiaba, cacau, cupuaçu, além de espécies oleaginosas, arbóreas e maderáveis. Um tipo de diversidade que garante o que chama de sazonalidade produtiva, ou seja, em cada época do ano, o agricultor tem uma fruta diferente para colher.

“Além disso, os SAFs proporcionam o controle biológico natural de insetos, utilizando a diversidade de seres presentes, como passarinhos que comem lagartas e minhocas que melhoram o solo”, diz.

Turma de Agronomia (Forma Pará/Irituia). Foto: Marcos Antônio Souza dos Santos/Acervo pessoal

E cita um exemplo de um agricultor do município de Limoeiro do Ajuru, onde foi ministrar aula. O agricultor produzia e vendia açaí, a partir de um SAFs. “Ele tinha um plantio imenso de açaí, mas também tinha andirobeira, taperebazeiro, caju, tinha outras espécies de palmeiras, em uma área altamente diversificada, mas o açaí era o principal”, diz.

O professor diz que cada agricultor tem dinâmicas diferentes. “O que para uns é difícil, o outro já faz assim maravilhosamente bem. Em São Domingos do Capim, por exemplo, diziam que na beira do rio não se produzia “nada”.  Mas eles não só produzem, como fazem o manejo do açaí e vendem na entresafra. Ou seja, a entressafra é época que eles ganham mais dinheiro”, lembra.

Leia também: Sistemas Agroflorestais do Pará promovem integração da floresta com agricultura

Crise climática

O Professor defende que os Sistemas Agroflorestais são a uma alternativa não só para a Amazônia, mas para o mundo, especialmente para enfrentar a questão climática. Ele explica que os SAFs conseguem gerar uma série de serviços ambientais, como o Sequestro de Carbono, pois quando há diversidade de espécies na mesma área, o sequestro de carbono é maior; microclimas, pois o sistema torna a área mais adequada para a agricultura e controle da erosão e proteção do solo, já que as árvores ajudam a controlar a erosão.

“Além disso, a decomposição das folhas e galhos proporciona a proteção e melhoria natural do solo, mostrando que as árvores são auto-sustentáveis”, diz. E por fim o professor cita a proteção das fontes hídricas, pois a diversidade de espécies em torno das nascentes dos igarapés garante que a água não seque. “Eu defendo a produção com conservação”, afirma.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela UFRA, escrito por Vanessa Monteiro

Pesquisador mostra que segurança na posse da terra reduz desmatamento no Acre​

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Fragmento da floresta amazônica acreana. Foto: Reprodução/Agência Acre

Um estudo liderado pelo professor João Paulo Santos Mastrangelo, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), Ufac, concluiu que propriedades rurais com maior segurança na posse da terra reduz desmatamento e cumprem mais o Código Florestal no estado do Acre. O artigo foi publicado na revista científica internacional World Development e analisa o papel da governança fundiária na contenção do desmatamento na Amazônia brasileira.​

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Código Florestal?

A pesquisa utiliza uma base de dados inédita, com informações em nível de propriedade para 35.067 imóveis rurais privados registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) do Acre, que juntos somam cerca de 5,9 milhões de hectares, o equivalente a 36% do território estadual.

Os autores avaliam o desmatamento ocorrido entre 2009 e 2018, período que inclui tanto a fase de queda quanto a retomada recente das taxas de desmatamento na Amazônia.

O trabalho considera dois resultados principais:

  • a proporção da área desmatada em cada propriedade
  • e a probabilidade de cumprimento do Código Florestal, que em geral limita o desmatamento a 20% da área dos imóveis rurais na Amazônia, distinguindo ainda imóveis em situação fundiária regular de áreas ocupadas de forma irregular.​

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O estudo adota como indicador de segurança na posse da terra a ausência de sobreposição de polígonos no CAR, isto é, a inexistência de disputas aparentes por uma mesma área na base georreferenciada. Propriedades sem sobreposição de limites foram classificadas como tendo maior segurança fundiária, enquanto imóveis com áreas sobrepostas foram considerados em situação de insegurança.

Os resultados mostram que imóveis com segurança na posse apresentam uma proporção de área desmatada entre 1 e 2,6 pontos percentuais menor que propriedades semelhantes em situação de insegurança, dependendo da metodologia estatística utilizada.

Em termos relativos, isso significa que o desmatamento pode ser até cerca de um terço menor em áreas com segurança fundiária, quando comparadas a propriedades com sobreposição de reivindicações de terra.​

Além de reduzir o desmatamento, a segurança na posse da terra aumenta a probabilidade de os produtores rurais cumprirem os limites de desmatamento previstos no Código Florestal. Entre imóveis que não tinham ultrapassado 20% de desmate até 2008, propriedades com segurança fundiária apresentaram taxas de conformidade entre 5 e 11 pontos percentuais maiores do que aquelas sujeitas a sobreposição de área.

desmatamento localizado com drone no Acre foto do batalhao de policiamento ambiental do acre
Foto: Reprodução/Acervo Batalhão de Policiamento Ambiental do Acre

Ufac no combate do desmatamento

O estudo também analisa o comportamento de imóveis que já haviam desmatado mais de 20% antes de 2008 e foram anistiados pela mudança do Código Florestal em 2012, mostrando que, mesmo nesses casos, a segurança na posse está associada a maior probabilidade de não ampliar o desmatamento após o período de anistia.​

Para chegar aos resultados, os autores utilizaram diferentes estratégias econométricas, incluindo modelos com efeitos fixos por proprietário e métodos de ponderação por escore de propensão, capazes de controlar diferenças observáveis e não observáveis entre as propriedades analisadas. A convergência dos resultados entre os modelos reforça a evidência de que a segurança na posse da terra tem efeito causal relevante na redução do desmatamento.

O artigo argumenta que a simples emissão de títulos individuais não é suficiente para garantir conservação florestal se não vier acompanhada de uma governança fundiária eficaz, capaz de evitar sobreposições, grilagem e conflitos pela terra. Nessa perspectiva, o CAR se destaca como ferramenta central não apenas para monitoramento ambiental, mas também como indicador das falhas e avanços na governança de terras na Amazônia.​

Autores do artigo que reduz desmatamento. Foto: Divulgação / Ufac

A pesquisa destaca o Acre como caso importante no debate sobre desenvolvimento e conservação, lembrando tanto a trajetória histórica de resistência de movimentos sociais da floresta quanto o fato de o estado integrar uma nova fronteira recente de desmatamento na região amazônica.

Ao usar dados detalhados em escala de propriedade, o estudo contribui para qualificar o debate sobre políticas de regularização fundiária, combate à grilagem e fortalecimento das instituições de controle do desmatamento no Brasil.

O trabalho reforça a mensagem de que investir em segurança na posse da terra, com regras claras e instituições capazes de garanti-las, é componente essencial das estratégias de redução do desmatamento e de promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia.

*Com informações da Universidade Federal do Acre

Casas ecológicas serão erguidas com tijolos de caroços de açaí em ilha de Belém

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Ilha do Combu, cenário do novo modelo construção. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

O Governo do Pará, por meio da Companhia de Habitação (Cohab), vai construir casas ecológicas na região das ilhas de Belém, utilizando mais de 150 mil tijolos produzidos com caroços de açaí. A obra utilizará o benefício habitacional do Projeto ‘Sua Casa COP30 Sustentável’, para viabilizar a construção de 45 moradias sustentáveis, com recursos para compra de materiais de construção e pagamento da mão de obra.

Os tijolos ecológicos devem reduzir as emissões em torno de 28 toneladas de CO₂ na atmosfera. Parte das casas ecológicas serão construídas no modelo palafita, que se enquadra no conceito de habitação vernacular da Amazônia.

Leia também: Quatro ilhas para conhecer quando viajar para Belém

Caroços de açaí, geralmente descartados na natureza, agora ganham destaque na construção de moradias ecológicas. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

Leia também: Dicas de férias ecológicas e sustentáveis para o cuidado com o meio ambiente

O economista Cassiano Figueiredo Ribeiro, um dos responsáveis pelo Projeto na Cohab, detalha que o ‘Sua Casa COP30 Sustentável’ leva em consideração a integração arquitetônica com o ‘Minha Casa, Minha Vida’ – programa do governo federal -, para se adequar ao padrão vernacular de construções ribeirinhas, as palafitas, mantendo as características do ‘Programa Sua Casa’.

Foi definida como solução mais adequada a Unidade Habitacional Sustentável (UHS), feita com tijolos ecológicos do tipo solo-cimento, sem queima. Nos tijolos é utilizada a tecnologia de adição de granulados com tratamento térmico, obtidos a partir do caroço do açaí.

“Levando em conta que a unidade integrada do ‘Minha Casa, Minha Vida’ já possui dois quartos, o projeto da Cohab tem 18 metros quadrados (m²), no formato de uma suíte, com uma pequena área de serviço e integração, sendo assim pensada como mais um cômodo para as famílias que serão beneficiadas, além de servirem para estimular o turismo de vivência ecológica e de base comunitária, aplicando o conceito moderno de habitação frente à adaptação climática, onde, para além da proteção, uma moradia digna deve estar ligada à garantia do sustento dos seus moradores, reforçando o tripé econômico da sustentabilidade ambiental, econômico e social”, informa Cassiano Figueiredo Ribeiro.

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Material garante isolamento térmico e acústico de casas ecológicas. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

Suporte 

As famílias contempladas contam com a Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (Athis), assegurada pela Lei Federal nº 11.888/2008. O Programa garante suporte gratuito de arquitetos, engenheiros e assistentes sociais durante a construção e melhoria das moradias ecológicas. 

Para Adriele Mota, que nasceu na Ilha do Combu – um das 39 ilhas da capital paraense -, ter acesso à casa própria é realizar um sonho.

“Eu tenho um filho, e estou grávida de outro, que já nascerá na casa dele. Estou muito feliz e grata em ter minha casa”, diz Adriele.

Leia também: Bioconstruções: construções sustentáveis são alternativa diante da crise climática

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Tijolo sustentável com material típico da Amazônia. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

Identidade amazônica 

Engenheiro civil da Cohab, Sérgio Soares enfatiza que o “COP30 Sustentável” é mais do que um projeto de habitações ecológicas, “pois a gente traz para a região das ilhas um projeto com inovação tecnológica e identidade amazônica, utilizando tijolos com caroço de açaí, que fazem captura de dióxido de carbono”.

Ele acrescenta que o “projeto traz isolamento térmico, acústico e geração de renda. Enfim, é um projeto que traz inúmeras reduções de impactos ambientais, minimizando questões de assoreamento e alagamentos do solo, entre outros”.

O uso de tijolo ecológico permitirá redução de até 30% no tempo de construção em relação à alvenaria tradicional, além de oferecer conforto térmico, maior isolamento acústico e economia de até 40% nos materiais. O tijolo reduz consumo de água (90%), cimento (80%), ferro (50%) e elimina o uso de madeira, diminuindo resíduos sólidos e emissões de gases de efeito estufa.

Fabricação de tijolos usados na construção de casas ecológicas. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

Leia também: Desenvolvimento sustentável: como o fator social pode auxiliar na preservação ambiental?

A construção terá ainda telhas ecológicas, que reforçam a sustentabilidade, oferecendo maior durabilidade e aproveitamento de materiais reciclados. Também serão instalados biodigestores para tratamento de resíduos orgânicos, gerando biogás e biofertilizante.

Inspiração na COP30

Para o diretor-presidente da Cohab, Manoel Pioneiro, a iniciativa de viabilizar a construção das 45 moradias sustentáveis surgiu pela necessidade de um reposicionamento da Companhia em 2025, quando completou 60 anos, em relação à crise climática, e também para atender à determinação do Governo do Pará de desenvolver projetos inspirados na COP30, que deixassem legado à população.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Caroços de Açaí utilizados na construção de casas ecológicas. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

“O projeto tem parceria da Cooperativa Mista da Ilha do Combu (Coopmic) e da Central de Movimentos Populares (CMP), que estão executando um projeto habitacional na região das ilhas de Belém, inédito no Brasil, ao construírem as primeiras casas do ‘Programa Minha Casa, Minha Vida’, do governo federal, feitas de madeira e no padrão ribeirinho, possibilitando assim uma sinergia entre os dois projetos. O ‘Programa Sua Casa’ fornece ao beneficiário um cheque para aquisição de materiais de construção, além de um auxílio para o pagamento da mão de obra”, explica Manoel Pioneiro.

O ‘Sua Casa’ é uma política habitacional criada pelo governador Helder Barbalho em 2019, e já beneficiou mais de 156 mil famílias nas 12 regiões de Integração do Pará.

*Com informações da Agência Pará

Marinha e Ministério da Integração firmam protocolo para prevenir desastres no Amapá

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Protocolo busca unir forças da Marinha e do Ministério no enfrentamento de catástrofes climáticas. Foto: Mariana Ferreira/Rede Amazônica AP

A Marinha do Brasil e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) assinaram, no dia 8 de dezembro, na sede da Marinha no Amapá, em Santana, um protocolo de intenções para reforçar a prevenção e resposta a desastres naturais em todo o país.

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O documento busca unir forças da Marinha e do Ministério no enfrentamento de catástrofes climáticas. A escolha do Amapá para a assinatura foi simbólica, como forma de destacar a proteção e o investimento na região amazônica.

Segundo o ministro Waldez Góes, o protocolo vai trazer mais rapidez nos atendimentos. A iniciativa surgiu após tragédias recentes, como a registrada no Rio Grande do Sul.

“Com o protocolo, basta uma requisição simples. Se o ministério precisar de homens, navios ou lanchas, a Marinha estará pronta para ajudar o governo do Brasil”, disse Góes.

O vice-almirante Adriano Marcelino Batista, comandante do 4º Distrito Naval, lembrou que o Brasil tem várias áreas vulneráveis, com rios e comunidades isoladas. Para ele, a cooperação é essencial.

“Os desastres naturais são um flagelo, e a melhor maneira que temos de atuar é prevenindo. Esses acordos buscam que o país tenha a capacidade de minimizar principalmente as mortes ou os flagelos causados pelos desastres naturais” afirmou o Vice-Almirante.

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Marinha e Ministério da Integração firmam protocolo para prevenir desastres no Amapá. Navio HMS Bulwark foi comprado da Marinha Real Britânica
Marinha do Brasil compra o navio HMS Bulwark, da Marinha Real Britânica. Foto: Divulgação/Marinha do Brasil

Além do protocolo

Como parte das ações na Amazônia, a Marinha comprou o navio HMS Bulwark, que será incorporado à frota em 2026 com o nome Navio-Doca Multipropósito Oiapoque.

A embarcação será o segundo maior navio da Esquadra e o principal para resposta a desastres naturais. Ele vai reforçar operações de defesa, apoio humanitário e proteção da Amazônia Azul — área marítima estratégica e rica em recursos naturais.

Com o protocolo, a ideia é que os custos do navio sejam divididos entre a Marinha e outros órgãos. De acordo com o comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, o navio ficará no Rio de Janeiro, mas sua primeira parada será no Amapá.

“Ele chega no meio do ano que vem e o primeiro porto será aqui. Queremos responder mais rápido e fortalecer a proteção da Amazônia”, disse Olsen.

Com a exploração de petróleo na costa do Amapá, a expectativa é que a presença da Marinha na região seja ampliada.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Aneel determina conexão efetiva de Roraima ao Sistema Interligado Nacional de Energia

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Obras do Linhão de Tucuruí, em Boa Vista. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou no dia 9 de dezembro a efetiva interligação de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de janeiro de 2026.

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Isso significa que o estado começará a receber as instalações de transmissão e distribuição necessárias para a interligação plena dos sistemas. O estado era o único do país que estava isolado da rede nacional e dependia da energia gerada por usinas termelétricas.

Além disso, a Aneel determinou que os agentes geradores concluam a implantação e operacionalização dos Sistema de Medição para Faturamento (SFM), assim como a adesão, cadastramento e modelagem dos ativos na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), até, no máximo, 20 de junho de 2026.

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Aneel determina conexão efetiva de Roraima ao Sistema Interligado Nacional de Energia
Foto: Emily Costa/Rede Amazônica RR

A CCEE também deve contabilizar a energia que flui entre o Sistema Boa Vista e o SIN, considerando que a geração das usinas abaterá a carga da distribuidora, tanto a das termoelétricas como a geração das usinas cujas autorizações competem à Roraima Energia.

Na decisão, a Aneel também determinou que a Roraima Energia conclua a separação dos seus ativos até o dia 1º de julho de 2027.

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Conexão de Roraima ao sistema do país

Em setembro, o governo federal deu início do processo de energização da Linha de Transmissão Manaus – Boa Vista, conhecida como Linhão do Tucuruí. Após anos de impasse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou uma ordem de serviço para o início das obras.

A linha de transmissão liga Manaus a Boa Vista e vai conectar Roraima ao SIN. A obra era pedida há anos pelo governo do estado, que sofre frequentemente com a falta de energia.

Durante mais de 18 anos a energia de Roraima foi fornecida pela Venezuela. No entanto, o país parou de enviar energia ao estado em março de 2019. Desde então, a energia elétrica consumida pelos 15 municípios do estado é fornecida pela Roraima Energia.

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O parque térmico do estado é formado por 17 Centrais Geradoras Termelétrica (UTE) e uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH), que geram uma média diária de 200 megawatt. Ao todo, são quase 176 mil consumidores que dependem da empresa no estado.

A obra do Linhão de Tucuruí começou em 2022, quando os indígenas Waimiri Atroari aceitaram a proposta de compensação do governo federal, pois 122 km de torres passam pelo território indígena. Durante a construção, foram gerados cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos, segundo o governo.

*Por Mariana Assis, da Rede Amazônica RR

Prêmio Delacir celebra escolas de Boa Vista que mais se destacaram em 2025

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Escola Raimundo Eloy Gomes conquista dois prêmios e recebe R$ 45 mil para investimentos. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

A 13ª edição do Prêmio Gestão Escolar Profª Delacir de Melo Lima foi marcada por muita emoção. O evento, que ocorreu nesta última quarta-feira, 10, no Parque do Rio Branco, reuniu educadores, gestores e equipes pedagógicas em reconhecimento às 15 escolas que mais se destacaram em áreas como gestão, resultados pedagógicos e práticas inovadoras de ensino ao longo do ano.

A grande vencedora desta edição foi a Escola Municipal Raimundo Eloy Gomes, que conquistou dois primeiros lugares e recebeu R$ 45 mil, destinados exclusivamente a investimentos pedagógicos e administrativos. A unidade foi premiada na categoria Destaque Alfabetização, com R$ 20 mil, e na categoria Ensino Fundamental – Grande Porte, com R$ 25 mil.

“É a primeira vez que a escola conquista dois pódios no Prêmio Delacir. Estou muito feliz e honrada em representar uma comunidade escolar com mais de 1.200 alunos. Temos uma equipe empenhada em garantir educação de qualidade. Este ano, trabalhamos fortemente a conexão entre saberes, família, SAEB e alfabetização”, afirmou a gestora Edinar Castro.

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O Prêmio Delacir é considerado o “Oscar da Educação” em Boa Vista. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

Escolas avaliadas por desempenho pedagógico e indicadores de gestão

Nesta edição, 80 escolas municipais participaram do prêmio, distribuídas nas categorias: Educação Infantil – Creche; Educação Infantil – Pré-Escola; Indígena e do Campo (até 300 alunos); Ensino Fundamental – Médio Porte (até 900 alunos) e Ensino Fundamental – Grande Porte (a partir de 901 alunos).

Já o Prêmio Destaque Alfabetização é voltado para turmas do 1º e 2º ano, com a participação de 19 unidades. Segundo o secretário municipal de Educação e Cultura, Lincoln Oliveira, foram levados em consideração um conjunto amplo de indicadores, como o dossiê com autoavaliação e visita técnica, relatórios pedagógicos das Macroáreas, além do relatório financeiro de aplicação dos recursos, entre outros itens.

“A educação municipal só tem a ganhar. Avaliamos tudo: o acompanhamento pedagógico das crianças, a aplicação dos recursos, o funcionamento da alimentação escolar. Cada critério contribui para melhorar o desempenho das unidades. E quem ganha, no fim, são nossas crianças”, destacou o secretário.

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Secretário Lincoln Oliveira destaca que a avaliação do prêmio considerou dossiê, visita técnica e relatórios pedagógicos e financeiros. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

Premiação aos Destaques de 2025

As premiações variam de R$ 25 mil a R$ 15 mil para investimentos pedagógicos e administrativos nas escolas, além de um repasse correspondente a um mês de remuneração para todos os servidores da unidade.

Na categoria Indígena e do Campo, a vencedora foi a Escola Leila Maria da Silveira. A gestora, Jocinaira Costa, que assumiu a unidade no ano passado, contou que esta foi sua primeira participação no prêmio.

“Toda a equipe se mobilizou para participar e hoje conquistamos esse resultado com muita honra. Focamos bastante na alfabetização e vamos seguir fortalecendo essa metodologia. A ideia é investir os recursos em novos projetos de aprendizagem”, afirmou.

Gestora Jocinaira Costa celebra com a equipe escolar sua primeira participação no prêmio. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

As premiações seguem o seguinte formato:

1º lugar: R$ 25 mil para a escola, além de R$ 5 mil para o gestor e uma viagem de intercâmbio nacional para ele e um coordenador, com foco em conhecer boas práticas educacionais;

2º lugar: R$ 20 mil para a escola e R$ 3 mil para o gestor;

3º lugar: R$ 15 mil para a unidade e R$ 2 mil para o gestor.

No Destaque Alfabetização, a escola recebe R$ 20 mil e o gestor, um coordenador pedagógico e um professor representante do 1º ou 2º ano são contemplados com uma viagem de intercâmbio e/ou Congresso na área de educação a um Estado da Federação.

Confira as escolas vencedoras da 13ª edição do Prêmio Delacir, por categoria:

I – Destaque Alfabetização – edição 2025

Escola Municipal Raimundo Eloy Gomes

II – Educação Infantil: Creche

1º Lugar – Núcleo Cidadão

2º Lugar – Núcleo Nova Cidade

3º Lugar – Núcleo Senador Hélio Campos

III – Educação Infantil: Pré-Escola

1º Lugar – E. M. Waldinete de Carvalho Chaves

2º Lugar – E. M. José Arnóbio da Silva

3º Lugar – E. M. Eunice Queiroz de Faria

IV – Indígena e do Campo

1º Lugar – E. M. do Campo Leila Maria da Silveira

2º Lugar – E. M. Indígena Vovô Jandico da Silva

3º Lugar – E. M. Indígena Clemente dos Santos

V – Ensino Fundamental Médio Porte (até 900 alunos)

1º Lugar – E.M. Maria Teresa Maciel da Silveira Melo

2º Lugar – E. M. Balduíno Wotrich

3º Lugar – E. M. Jael da Silva Barradas

VI – Ensino Fundamental Grande Porte (acima de 901 alunos)

1º Lugar – E. M. Raimundo Eloy Gomes

2º Lugar – E. M. Newton Tavares

3º Lugar – E. M. Juslany de Souza Flores

Licenças para garimpo com mercúrio não serão emitidas no Amazonas, diz Ipaam

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No garimpo, mercúrio geralmente é utilizado para separação do ouro. Área degradada pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Foto: Divulgação/HAY

Licenças ambientais para atividades de garimpo que utilizem mercúrio não serão mais concedidas no Amazonas, segundo o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). A decisão atende recomendação do Ministério Público Federal (MPF) e tem como objetivo reduzir os riscos de contaminação de rios e comunidades da região.

De acordo com o MPF, três autorizações de mineração de ouro já foram suspensas de forma cautelar. Os responsáveis terão 30 dias para comprovar, com documentação técnica, que não usam mercúrio nos processos de beneficiamento. Caso contrário, as licenças podem ser anuladas.

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Uma norma específica deve ser publicada em até 30 dias para formalizar a proibição do uso da substância na mineração de ouro no estado. O texto vai exigir que empreendedores detalhem, desde o início, quais técnicas de beneficiamento serão aplicadas e comprovem que são ambientalmente seguras.

O que está previsto:

  • Nenhum novo pedido de licença será aceito se houver previsão de uso de mercúrio.
  • Licenças já concedidas poderão ser revistas e canceladas.
  • Só haverá exceções se houver autorização do Ibama.
garimpo ilegal
Mercúrio é usado em garimpos ilegais. Foto: Divulgação/Ipen

Amazonas e o garimpo

Segundo a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), o Amazonas está entre os principais pontos de entrada de mercúrio contrabandeado na América do Sul. O órgão apontou que o estado é atravessado por rotas clandestinas que ligam países vizinhos, como Peru e Colômbia, ao interior do Brasil, abastecendo garimpos ilegais com o metal pesado usado na extração de ouro.

A recomendação do MPF buscou garantir maior controle sobre atividades minerárias que utilizam mercúrio, devido aos graves riscos ambientais e à contaminação de rios e populações amazônicas.

O uso da substância no garimpo é considerado uma das principais fontes de poluição e representa ameaça direta à saúde pública, especialmente a comunidades ribeirinhas e indígenas.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM