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Casal paraense mapeia águas nas fronteiras do país durante viagem de motocicleta

Casal percorre fronteiras do Brasil em motocicleta. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

Para celebrar o Dia dos Namorados, Nesta quinta-feira (12), o Grupo Rede Amazônica conta a história do casal paraense Antonino Alves Brito, de 50 anos, e Maria José Brito, de 47 anos. Eles decidiram dar uma pausa na rotina e partir para uma aventura: viajar o Brasil inteiro em uma motocicleta. A parada da vez é o Amapá.

Eles já visitaram nove cidades do Brasil e pretendem percorrer mais de 15 mil quilômetros de fronteira terrestre e 7 mil quilômetros de fronteira marítima.

Maria é nutricionista e Antonino era secretário adjunto de educação na cidade em que morava. Mas, a rotina mudou quando o motociclista decidiu que era hora de juntar a paixão antiga pela estrada, com um projeto diferente e que contribuísse com melhorias para a sociedade.

“Como nós somos do Pará, de Parauapebas, aquilo ficou na minha cabeça. E viajar de moto é interessante porque tá só você, o capacete e a estrada. Então você tem muito tempo para pensar”, disse Antonino.

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A jornada do casal iniciou há 12 anos, apenas por diversão. Mas há 6 meses, os dois deram início à expedição ‘Água de fronteiras’, um levantamento sobre a qualidade das águas na fronteira do país. Ao final, um relatório será apresentado na COP30, que acontecerá em Belém este ano.

Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

Quando Maria conheceu Antonino, ele já era um aventureiro das estradas. A mulher embarcou na aventura e seguiu com a criação do projeto em conjunto com o amado, movida pela pesquisa e pelo amor.

“Foi paixão também, por ser companheira dele […] São duas coisas bem importantes, o amor e confiança na pessoa. Isso me fez caminhar junto com ele e fazer esse trabalho, juntos”, disse.

Ele e a companheira se tornaram inseparáveis, enfrentando desafios e desfrutando de momentos incríveis em suas jornadas. Antonino falou que a companhia da esposa é indispensável nos momentos de pesquisa e aventura, o que torna todo o movimento ainda mais especial.

Os dois levam dos lugares onde passam, apenas as memórias um com o outro e as fotografias. As caixas na lateral da moto são o guarda-roupa do casal.

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Antonino contou ainda que muitos momentos foram vividos nas estradas. Apesar dos cenários lindos e marcantes como a passagem entre Paraguai e Uruguai, o casal já passou por momentos de sufoco na estrada.

“Passamos por um quase acidente no Nordeste em 2016. Por volta daquelas 18h, difícil de enxergar e chovendo […] muitos animais na pista. E naquele momento nós nos deparamos com três jumentos no meio da pista. Maria teve que gritar pra que eu pudesse despertar. Que eu tava vendo na realidade dois e eram três”, disse.

No Amapá, os aventureiros já visitaram Macapá, a cidade de Amapá, a Vila de Sucuriju, Calçoene, Oiapoque e Serra do Navio. O próximo destino é Santarém, no Pará.

Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

“A gente está gostando muito do estado. É muita riqueza natural, muita água, muita gente interessante para a gente conversar. Nós gostamos muito daqui, muito bacana. É muita área ambiental preservada também. Um dos estados da Amazônia Legal que menos foi explorado. Então isso é bem interessante”, disse.

No início da vinda ao estado do Amapá, o motociclista contou que algumas pessoas o desencorajaram. Ele disse que o coração chegou a apertar ao ouvir sobre as dificuldades na estrada.

A gente tem se surpreendido com algumas falas como: “É muito difícil, não vai lá, é muito complicado”. E a gente vai lá e é um negócio diferente, é bacana. A estrada estava tranquila”, explicou.

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Em um vídeo, o casal registrou o momento de ida à praia do Goiabal, no município de Calçoene. Nas imagens é possível ver que uma cachoeira se abriu no meio da estrada. O casal fica com receio de atravessar devido à força da água.

Mesmo não sendo da área, casal buscou se especializar em recursos hídricos. Os dois apresentaram o projeto em fevereiro à Universidade do Estado do Pará (Uepa).

Casal segue viagem após visita ao Amapá. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

A Uepa fornece o apoio técnico-científico e orienta as análises hídricas com a utilização dos equipamentos corretos, para que o trabalho seja validado.

“O princípio foi apreensivo, por ser um projeto muito grande, abrangente, mas graças a Deus hoje eu fico muito feliz. Também estou estudando sobre recursos hídricos, fazendo uma especialização e isso está abrindo os olhos cada vez mais sobre a importância que tem a água para todos nós, sobre o nosso meio ambiente, que a gente deve tanto cuidar”, disse Maria.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Fraseologias demonstram “jeitinho paraense” de se expressar quando o assunto é namoro

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Foto: Reprodução/Design by Freepik

Se o paraense se apaixona, se casa, está interessado por alguém ou se é infiel, pode ter certeza de que ele tem um jeito bem específico de expressar isso. Quem nunca ficou ‘encegueirado’ ou ‘virou canoa’ por alguém? Ou tem um amigo que não pode namorar que já ‘quer se amigar’?

Na ciência, essas expressões são chamadas de “fraseologias”, construções linguísticas formadas por, no mínimo, duas palavras, que se instituem pelo uso, pela frequência e não pedem permissão da gramática normativa para existir.

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Uma forma de resistência, já que as fraseologias emergem de um contexto social que deve ser valorizado, como explica a professora Carlene Salvador, do curso de Letras-Língua Portuguesa, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), campus Belém (PA). A professora coordena o projeto de pesquisa ‘Banco de Dados fraseológicos do Pará’ e já reuniu mais de duas mil fraseologias no estado.

“Muitas vezes essas expressões nascem a partir de um grau de informalidade e se fazem entender completamente, com uma linguagem que chega na população, que a identifica, mas que são discriminadas pela norma culta. O que se percebe é que as fraseologias emergem independente do nível de formação do falante e algumas extrapolam a bolha de onde costumam emergir”, diz.

Quando o assunto é relacionamento, ela explica que o paraense tem formas específicas e objetivas de se expressar: “Fraseologismos são revestidos de dois troncos, a metáfora e metonímia. Então o falante vai buscar, nessas unidades, refletir como é o seu dia a dia, como são seus sentimentos, atividades no trabalho. Ele vai representar nessas unidades essa configuração mais regional, que é como a fraseologia representa parte da vida desse indivíduo, quando ele diz, por exemplo, “tu é canoa”, é porque a ponta da canoa é guiada por alguém que não está na ponta, mas atrás. O falante vai usar unidades que estão dentro do seu campo lexical”, diz.

Já outras fraseologias surgem como uma forma de fugir do comum e ser original.

“Algumas fraseologias da nossa região são muito relacionadas à sexualidade. E esse caráter metafórico eu vejo como um sentido de burlar um tabu, de ser direto em uma unidade que trata desse assunto. Há formas consideradas ‘mais sensíveis’ de falar sobre o ato sexual. Mas quando o paraense usa fraseologias ao invés de dizer “fazer amor”, por exemplo, é uma forma de sair do tabu”, diz.

Dependendo da região, algumas fraseologias são mais frequentes ou recebem influências de outros estados. “Existem expressões ditas em Belém que não são frequentes no sul do Pará e vice-versa. As comunidades linguísticas se comportam de forma diferente de acordo com a localização geográfica. O território implica no falar e na valorização da língua”, diz Carlene Salvador.

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Mesmo rica na forma de se expressar, a professora explica que na região Norte ainda há uma escassez de trabalhos na área fraseológica.

“Nós queremos institucionalizar essas fraseologias, estudá-las, colocá-las em dicionários. Essas expressões são deixadas à parte, porque são consideradas apenas como gírias. E não são simplesmente gírias, são nossa cultura. O estudo que estamos fazendo não é apenas uma contribuição para a linguística, mas uma valorização cultural da parte descritiva, não só normativa. É preservação da língua, daquilo que só tem aqui, e emergiu daqui”, diz a professora.

O projeto tem três fases: coleta, análise e catalogação. E 22 municípios já tiveram o mapeamento realizado.

Confira cinco fraseologias mapeadas no projeto:

“Tá encegueirado” – Muito apaixonado, que não enxerga mais nada além da pessoa amada

“Tu é muito canoa” – Gosta de estar sempre acompanhado do parceiro, o parceiro que guia as atividades

“Bora se amigar” – Se juntar, morar juntos

“Levaram a moleca do irmão” – Traição, infidelidade

“Tu já quer” – Se interessar por algo ou alguém

*Com informações da UFRA

Focos de calor no Amazonas têm nova queda: 37,5% em maio de 2025, informa Ipaam

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Monitoramento realizado pelo Ipaam no estado registrou queda dos focos de calor. Foto: Reprodução/Arquivo Ipaam

O Amazonas registrou uma queda no número de focos de calor em maio de 2025, de acordo com o Instituto de Proteção Ambiental do estado (Ipaam). O órgão informou que, do dia 1º até 31 de maio, foram identificados 25 focos de calor, enquanto no mesmo período do ano passado haviam sido registrados 40, o que representa uma redução de 37,5%.

Focos de calor são pontos de alta temperatura em um determinado local. São detectados por satélites de monitoramento e usados para identificar possíveis queimadas ou incêndios, mas não representam necessariamente um incêndio florestal.

Leia também: Registro de desmatamento e focos de calor cai no Amazonas em março, aponta Ipaam

O número de áreas desmatadas também apresentou uma redução. No último mês, foram identificados 9.649 hectares de desmatamento, enquanto no ano anterior o total foi de 12.229 hectares, resultando em uma diminuição de 21,09%.

A coordenadora do Centro de Monitoramento Ambiental e Áreas Protegidas (CMAAP), Priscila Carvalho, ressaltou a cautela na análise dos dados sobre focos de calor e destacou a cooperação entre os entes ambientais e as Forças de Segurança

“O Ipaam monitora as áreas desmatadas e acompanha os focos de calor, colaborando com os bombeiros na atuação e prevenção. A integração entre os órgãos ambientais e as autoridades competentes é fundamental para garantir a proteção da nossa floresta e a redução desses índices”, explicou.

Dados e multas

Os municípios que lideraram os registros de focos de calor em março foram, segundo o Ipaam:

  • Manicoré: 14
  • Autazes: 3
  • Iranduba: 2

Já em relação aos municípios com as maiores áreas desmatadas foram:

  • Apuí – 4.015 hectares
  • Lábrea – 1.342 hectares
  • Novo Aripuanã – 851 hectares

O desmatamento ilegal, conforme o Decreto Federal nº 6.514/2008, pode resultar em multas de R$ 5 mil por hectare ou fração da área afetada. Esse valor pode ser dobrado em caso de uso de fogo ou incêndios ilegais. Além disso, as áreas desmatadas podem ser embargadas e os equipamentos utilizados na prática ilegal podem ser apreendidos.

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Queimadas não autorizadas em áreas agrícolas, destinadas à renovação de pastagens ou cultivo, também são passíveis de autuação, com multas de R$ 3 mil por hectare, conforme o mesmo decreto.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Os hábitos franceses em Porto Velho do início do século 20

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Avenida Sete de Setembro, seus botequins, cafés, cinema, saraus, boemia, moda, poesia e um coreto em plena via pública. Foto: Autor desconhecido/CDH-RO

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Durante a Belle Époque Tropical (1871-1920), o francês era a língua da sofisticação, símbolo de cultura, arte, moda e gastronomia em todo o mundo. Em Porto Velho – assim como em Manaus e Belém –, esse refinamento europeu encontrou solo fértil, impulsionado pelo Ciclo da Borracha e a prosperidade da época, moldando costumes e comportamentos.

As mulheres adotavam vestidos ajustados com cinturas bem marcadas, mangas volumosas e adornos delicados, como rendas e bordados. O espartilho era indispensável, assim como a moda do “peignoir” e da anágua. Sombrinhas e bengalinhas complementavam os trajes femininos.

“Chegaram pelo último vapor, de Paris e Hamburgo, chapéus e enfeites os mais modernos para senhoras. Tem sempre um grande sortimento de toucas e véus para luto”. Foto: Reprodução/Acervo Alto Madeira

Já os homens preferiam vestimentas formais: calças justas, coletes, casacos refinados e “cravates”, sendo comum a venda de colarinhos avulsos. O chapéu era um item essencial para ambos os sexos, com modelos adornados para as mulheres e estilos europeus para os homens. As crianças também seguiam a tendência: os meninos vestiam fatinhos e “bonets”, enquanto as meninas ostentavam vestidos enfeitados com fitas e laços.

Essa atmosfera requintada fomentou o surgimento de modistas e alfaiates especializados em tecidos nobres. Acessórios como leques, bengalas e chapéus eram indispensáveis.

Entre ceroulas e discos para gramofone, a última moda para homens em Porto Velho. Foto: Reprodução/Acervo Alto Madeira

O estilo de vida também incluía perfumes sofisticados, cinema, instrumentos musicais e uma gastronomia refinada, elementos que promoviam uma valorização da vida e da autoestima.

Um dos reflexos desse cenário foi a loja Au bon marché, que comercializava perfumes, armarinhos e calçados. Seu nome era uma homenagem à Le Bon Marché de Paris, considerada uma das primeiras lojas de departamento do mundo e pioneira na transformação do varejo desde sua fundação em 1838. Inicialmente propriedade de Salin Bouez, a filial porto-velhense passou posteriormente para Abdon Jacob Atallah, consolidando-se como um ponto de referência na cidade.

Propaganda da época. Foto: Reprodução/Acervo Alto Madeira

Cafés à moda parisiense

O Café Central, embora administrado inicialmente por espanhóis, trazia fortes referências aos hábitos franceses e se destacava como o mais movimentado. Concorria com estabelecimentos igualmente requintados, como a Rivas – que combinava café e restaurante – e o Café Rio Branco, conhecido por suas exclusividades: sorvete, água gelada da marca Astra, proveniente de uma fonte paraense, o renomado café Moka e uma seleção de importados, incluindo avelãs, passas e outras iguarias exóticas.

Outro reduto de elegância e convívio era a Phenix, um botequim-cafeteria de origem portuguesa, que oferecia uma variedade de sabores e experiências. Seus frequentadores desfrutavam de bilhares, aperitivos finos, frios, frutas, mariscos, coalhada, queijos e requeijões mineiros, além dos irresistíveis doces de cupuaçu e araçá-do Pará. A atmosfera era enriquecida por música ao vivo todos os dias, interpretada por um terceto. O local mantinha ainda uma parceria estratégica com a empresa Fontinelle & Cia, de Manaus, que viabilizava a operação de um cinema, tornando a experiência ainda mais completa.

A elite porto-velhense também cultivava o gosto por eventos refinados. Reuniões privadas, conhecidas como soirées, eram comuns nas residências da cidade, oferecendo jantares requintados, vinhos selecionados e o popular creme de chocolate, verdadeira sensação da época. O termo francês soirée designa encontros sociais realizados à noite, onde música, dança, literatura, teatro e boas conversas fluíam naturalmente.

Além dos cafés e botequins, os bailes de máscara, à fantasia e de carnaval eram promovidos pelo Clube Internacional, celebrando o glamour e o espírito festivo da cidade. Concursos elegiam as donzelas mais belas de Porto Velho por meio de votos impressos em cupons fornecidos pelo jornal local. A música desempenhava papel fundamental nesses eventos, com a Orquestra Filarmônica de Santo Antônio marcando presença e enriquecendo as celebrações com suas apresentações memoráveis.

Esses cafés e encontros sociais não eram apenas espaços de convívio, mas verdadeiros cenários onde a sofisticação e o charme europeu se manifestavam, moldando um período de requinte e transformação cultural na nascente cidade, surgida em 1907 com a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e instalada, oficialmente, em 1914.

A chegada das bebidas e o florescimento do cinema

A boemia porto-velhense ganhou um novo encanto em 1912 com a introdução de duas marcas genuinamente manauaras: o Chope Amazonense e a Cerva XPTO. Essas bebidas rapidamente conquistaram os paladares da cidade. O responsável por apresentar essas novidades foi Carolino Corrêa, representante vindo de Manaus, que ajudou a consolidar a cultura da cervejaria na região.

O rótulo da famosa XPTO. Abreviação de “ΧΡΙΣΤΟΣ” (Christos), que significa “Cristo” em grego. Era também uma gíria equivalente a “Ok” em Portugal. A indústria foi adquirida pela Brahma em 1972. Foto: Reprodução/Blog do Rocha

Desde 1912, Porto Velho contava com o Cine Caripuna, inicialmente chamado Lé Cinéma, fundado pela influente Família Bouez. Já em 1917, a cidade viu crescer o prestígio do Cine Phenix, que se tornou a principal casa de espetáculos e também servia como auditório para apresentações musicais.

Equipado com tecnologia da empresa francesa Pathé Fréres, adquirida pela Fontinelle & Cia, de Manaus – parceira dos Irmãos Rosa –, o local mantinha uma sofisticada cafeteria e bar ao lado. Em seus salões, os concertos ao bandolim dos músicos Hormisdas Oliveira e João Pinto da Silva, em 1917, foram recebidos com grande entusiasmo.

Os irmãos Rosa. Foto: Divulgação

O envolvimento dos Irmãos Rosa no cenário cultural de Porto Velho foi marcante. Em 1923, inauguraram o Cine-Bar Rosa, vinculado ao Café Phenix, onde arrendaram equipamentos da Fontinelle, sediada em Manaus. O avanço continuou após a Belle Époque. Em 1925 surgiu o Cine-Bar Ypiranga, que além das projeções cinematográficas, abrigou o Grêmio Dramático Pela Pátria, fomentando eventos artísticos e encontros sociais. No mesmo ano, foi fundado o Cinema Avenida, ampliando as opções de lazer na sempre festeira cidade de Porto Velho.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Milton Cunha comanda programa em parceria com a UEA no Festival de Parintins 2025

Milton Cunha apresentará o programa ‘Toada do Milton’. Foto: Gustavo Rodrigues/Ascom UEA

Com imersão na tradição da maior festa folclórica a céu aberto do mundo, pela primeira vez Milton Cunha comandará um programa direto de Parintins, nos três dias do Festival Folclórico amazonense.

O programa ‘Toada do Milton’ será transmitido, ao vivo, da praça da Catedral, na ilha tupinambarana, com duração de 3 horas pelo canal oficial do YouTube da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), nos 3 dias do festival (27 a 29 de junho), com diversos quadros que foram pensados para regionalizar as entrevistas e transportar os convidados a uma viagem na história dos bumbás Caprichoso e Garantido, além de outros setores da cultura local.

Leia também: Milton Cunha: conheça o paraense com coração de carnavalesco

O projeto é realizado pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em parceria com o Governo do Amazonas, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas e a Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur).

Para o reitor da UEA, Prof. Dr. André Zogahib, a ação — que integra um projeto de extensão da universidade — no Festival de Parintins, vai movimentar o município durante a festa dos bumbás:

“É com muita honra que anuncio a presença do artista Milton Cunha que, além de ser carnavalesco, reconhecido e renomado nacionalmente, tem uma série de formações acadêmicas. Inclusive, ele é doutor, com pós-doutorado em diversas segmentações culturais na Universidade Federal do Rio de Janeiro, da qual ele, também, é professor. Então, o acadêmico Milton Cunha estará presente nesse grande movimento festivo e cultural que é o Festival de Parintins”.

Já Milton Cunha destaca que o programa proporcionará, ao público, uma série de visões, entrevistas, ângulos de pensamento sobre o espetáculo, porém fora do bumbódromo e no período da tarde.

“A alegria de voltar a Parintins e me deparar, novamente, com a opulência da manifestação dos bumbás, agora está acrescida desse orgulho de estar num projeto acadêmico popular que lança a luz sobre os outros horários da ilha. Feliz de estar participando disso, de levar para o Brasil essa riqueza de pensamentos sobre quem está ali no entorno do espetáculo dos bois. Será um espaço de outra fala, uma outra visão”, pontuou.

Leia também: Milton Cunha visita galpões de Caprichoso e Garantido em Parintins

O titular da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Caio André, destacou a participação da UEA na difusão do conhecimento: “A UEA é a nossa principal formadora no campo das artes (na Música, no Teatro, na Dança, nos produtores culturais). E trazer o Milton Cunha, que é referência na cultura popular brasileira, para que deixemos para gerações futuras um documentário registrado, e um programa maravilhoso, é algo que nos engrandece e fortalece a nossa identidade cultural. E tem tudo para dar certo”.

‘Toada do Milton’

Milton Cunha receberá os convidados em um estúdio que foi pensado para que, além dos telespectadores do canal, os visitantes da ilha também possam acompanhar, de perto, vivenciando o clima de festividade que invade Parintins no mês de junho e que, agora, fará parte do programa.

O programa, além de ser uma ferramenta que mostrará a importância da formação de pesquisa de extensão universitária no cotidiano do festival, servirá como base para a produção do terceiro pós-doutorado de Milton Cunha pelo Museu Nacional e Laboratório de Estudos do Discurso Imagem e Som (Labedis).

A UEA fará, na mesma estrutura do estúdio, uma exposição universitária com projetos desenvolvidos por professores, alunos e colaboradores da instituição durante os 25 anos de fundação da universidade.

*Com informações da UEA

Pesquisa aponta que marabaixo e tecnobrega são práticas culturais dominantes em Macapá

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Marabaixo é eleito principal evento cultural do estado. Foto: Gabriel Penha/Fundação Marabaixo

Uma pesquisa nacional aponta que em Macapá, o marabaixo, technobrega, Fortaleza de São José e o açaí (na gastronomia) são as práticas culturais dominantes entre os moradores. O levantamento foi apresentado no dia 10 de junho, no Centro de Cultura Negra do Amapá.

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A pesquisa é feita pela Jleiva Cultura & Esporte, em parceria com o instituto Datafolha. Em Macapá, 600 pessoas a partir de 16 anos de diferentes regiões e níveis econômicos foram entrevistadas entre 19 fevereiro e 22 de maio de 2024.

Ao total , a pesquisa já realizou 19.500 entrevistas nas 26 capitais brasileiras. Os dados servem como um parâmetro para a melhor compreensão das culturas locais, que revelam as tendências e nova possibilidades para impulsão do setor cultural no estado.

João Leiva, que é o coordenador da pesquisa Cultura nas Capitais, explicou que as conclusões do levantamento mostram que houve queda no acesso à cultura no meio das pessoas mais velhas.

“Nos países desenvolvidos isso começa a acontecer a partir dos 60 ou 70 anos muitas vezes. No Brasil, isso começa a partir de 50 anos e isso bate com a questão das políticas culturais, porque boas partes dessas políticas são voltadas para os jovens”, disse.

Leia também: Arraial, sertanejo, tacacá: pesquisa nacional revela preferências culturais em Rio Branco

Dados das práticas culturais

O marabaixo foi o mais votado como o principal evento cultural de Macapá, por 21% da população. Dados superam o das festas juninas (10%), carnaval (8%) e outros eventos musicais (3%).

“Houve uma pesquisa séria sobre o setor cultural e eu fiquei muito feliz […] O marabaixo foi uma das culturas que mais cresceram. Para nós marabaxeiras, que têm esse pertencimento, que têm essa ancestralidade, só tenho a agradecer”, disse Elisia Congó, coordenadora do Centro de Cultura Negra Raimundinha Ramos.

Leia também: Marabaixo é usado para ensinar a história afro-amapaense em escola no Amapá

A Fortaleza de São José foi eleita o o espaço cultural mais visitado e o ritmo technobrega é a maior preferência local, com 17%. A porcentagem de preferência do ritmo é maior que a média nacional, de 1%.

Fortaleza de São José de Macapá. Foto: Camila Karina Ferreira

O açaí foi escolhido com o principal prato típico de Macapá, por 35% dos macapaenses. O número supera o de Belém, onde o prato foi apontado por 16% dos entrevistados.

Os dados coletados são usados no desenvolvimento de ações concretas e inclusivas, conforme às necessidades específicas dos diversos grupos avaliados.

*Por Isadora Pereira e Raylana Dantas, da Rede Amazônica AP

Negócio da floresta: mulheres ribeirinhas criam biojoias e geram renda local

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Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

“Somos a primeira marca que sai da comunidade do Carão. Eu quero que a marca seja referência da região amazônica”.

É dessa forma que a empreendedora Regina Ramos, uma mulher cabocla ribeirinha, fala da Sapopema Biojoias, um negócio inovador que utiliza matéria-prima da floresta para fabricação de acessórios de moda sustentável, garantindo geração de renda para seu território, principalmente para mulheres artesãs, e contribuindo para a proteção da Amazônia.

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A Sapopema atua na comunidade ribeirinha do Carão, localizada no município de Iranduba (a 27 quilômetros da capital amazonense) – Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, na Região Metropolitana de Manaus.

Leia também: Artista plástica amazonense especialista em biojoias destaca importância de eventos sustentáveis

mulheres ribeirinhas criam biojoias
Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

A ideia nasceu em 2017. Na época, Regina sofria com síndrome do pânico e ansiedade generalizada, além de ser mãe solo, enquanto o artesanato ajudava como terapia ocupacional. Ali, ela enxergou a oportunidade de iniciar o próprio negócio: a Sapopema.

“As pessoas [amigos, vizinhos] foram querendo comprar as peças, porque eram diferentes. Isso começou a ser minha fonte de renda”, explica a fundadora, designer e CEO do negócio.

Desde então, a empresa passou a fabricar colares, brincos, pulseiras e outros itens de moda sustentável, duráveis e que representam a essência do ribeirinho e do caboclo. Tudo isso a partir de elementos da floresta, como sementes, fibras naturais, frutos secos e outros elementos, que são extraídos de forma sustentável e sem qualquer agressão ao meio ambiente.

Leia também: Saiba quanto o mercado de biojoias fatura no Pará

Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

Segundo ela, os primeiros momentos foram desafiadores. Mesmo com um variado catálogo de produtos, Regina não tinha sucesso na hora de fidelizar clientes e não conseguia fazer muitas vendas.

Isso não é um cenário isolado, pelo contrário, muitos empreendimentos enfrentam essa realidade. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) aponta que 56,56% das startups brasileiras não possuem faturamento, o que resulta em uma falência precoce logo nos primeiros anos de operação. Há várias razões para isso, mas especialistas apontam que falta equilíbrio entre o produto/serviço oferecido e a demanda do mercado.

Em um determinado momento, Regina cogitou encerrar as atividades da Sapopema e fazer da fabricação de biojoias apenas uma renda extra ou somente uma terapia ocupacional. Mas o aceite recebido pela primeira Chamada de Negócios do “Lab de Impacto”, coordenado pelo Impact Hub, mudou tudo.

Leia também: Artesão une sementes e sobras de madeiras nativas da floresta a ouro e prata para criar biojoias

Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

“Havia muitas portas fechadas enquanto biojoias. Queria migrar para um outro negócio que me desse mais autonomia, queria investir em turismo. Foi quando me inscrevi para o ‘Lab de Impacto’, porque queria migrar para este novo negócio. Quando me fizeram a proposta de continuar a Sapopema, eu fiquei um pouco receosa, mas fiz. Passei a investir mais em marketing, em estratégias de negócio e no processo de reconhecimento da marca. Ainda não terminou, estamos trabalhando nestes pontos”, enfatiza Regina

No decorrer de quatro meses, no Lab de Impacto, a Sapopema foi contemplada com formações especializadas, mentorias, conexões estratégicas com outros atores do mercado e um capital semente de R$ 30 mil para alavancar os resultados.

Ao longo da formação, a empreendedora da floresta viu as oportunidades, antes sem possibilidade, começaram a se abrir. Atualmente, o negócio possui mais de três mil seguidores no Instagram, exporta seus produtos para todo o Brasil e oportuniza renda para outras mulheres artesãs da comunidade. Além disso, o negócio já teve suas peças expostas em feiras e eventos nacionais e internacionais, conquistando quem acredita e valoriza os produtos da floresta.

Leia também: Estudante representa o Amapá com projeto ‘Biojoias da Amazônia’ nos EUA

Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

“O valor da Sapopema está na essência originária que cada peça de moda carrega. Eu quero que seja uma marca referência da região amazônica. Meu foco principal é fazer com que seja a voz do Norte através da biojoia, a voz do ribeirinho através da biojoia”, finaliza Regina.

Mais sobre o Lab de Impacto

O Lab de Impacto é um programa de aceleração coordenado pelo Impact Hub Manaus. A iniciativa apoia negócios de impacto socioambiental nos nove estados da Amazônia Legal, oferecendo formação especializada, mentorias, conexões estratégicas e capital semente que varia entre R$ 30 mil e R$ 100 mil.

Negócio da floresta cria biojoias e gera renda para mulheres ribeirinhas. Foto: Instagram Sapopema

Ao longo de três edições, o programa recebeu 319 inscrições de negócios em fase de Piloto ou MVP (Minimum Viable Product). Atualmente, mais de 20 iniciativas seguem ativas com apoio do Lab, atuando em setores como alimentação, piscicultura, gestão de resíduos, turismo e moda sustentável.

O Lab de Impacto é uma realização do Impact Hub Manaus, em parceria com a Bemol, Singulari Consultoria e Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA).

‘Garanchoso’ em Paris: o dia em que Garantido e Caprichoso se uniram para representar o Brasil

Arte gerada por Inteligência Artificial

A rivalidade entre os bois-bumbás de Parintins, Caprichoso e Garantido, sempre foi marcada pela impossibilidade de mistura entre cores, símbolos, e outros detalhes que marcam cada agremiação folclórica. Mas você sabia que em julho de 1998, em uma apresentação em Paris, capital da França, em comemoração aos 500 anos do Brasil, os dois bois se tornaram um? Um só corpo, com apenas um tripa e que ficou popularmente conhecido como “Garanchoso“.

A fim de reunir os dois bois unicamente para a apresentação especial, um boi foi construído com metade do seu corpo com as características do Caprichoso e a outra metade do Garantido. Uma união improvável para a época, mas que tinha o objetivo de apresentar ao mundo em um curto tempo, a existência do Festival Folclórico de Parintins em um evento realizado pela Rede Globo.

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Ao Portal Amazônia, o cantor Tony Medeiros, escolhido para cantar em Paris, no estádio Parque dos Príncipes, palco da final da Copa do Mundo de Futebol Masculina em 1998, conta sobre a trajetória inusitada do boi “Garanchoso”:

“Era Copa do Mundo e nós recebemos um convite naquela época da Globo. Foram contratados eu, Arlindo Júnior e David Assayag, e eu fui representar o nosso festival e o Brasil. E naquela época o Garantido e o Caprichoso foram representados por metade de cada boi, porque era difícil levar os dois bois. Então nós fizemos assim, a construção de um boi: metade era Garantido e metade era Caprichoso, no mesmo boi. Então quando quisesse representar o Caprichoso virava de um lado, e quando quisesse representar o Garantido, mudava de lado”, destacou Tony Medeiros ao Portal Amazônia.

Tony Medeiros destacou ainda que, para a apresentação em Paris, a letra não fazia alusão nem ao Garantido e nem ao Caprichoso. A toada cantada naquela apresentação foi construída unicamente para o evento, em cima da toada ‘Vermelho’, composta por Chico Da Silva. Foi aí que surgiu ‘Coração Brasileiro’, para representar a Amazônia.

“O Aloysio Legey, que era um dos maiores produtores que a Globo tinha na época, me pediu para que fosse feito uma toada que tivesse o título ‘Coração Brasileiro’ para o especial de 500 anos do Brasil. E a toada ‘Vermelho’, do Garantido, era a música que estava fazendo muito sucesso, inclusive antes do sucesso do Carrapicho para o mundo”, destacou Tony.

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Coração Brasileiro

O evento no Parque dos Príncipes foi uma das várias iniciativas realizadas para celebrar os 500 anos do Brasil, reunindo artistas, intelectuais e líderes de diversas partes do mundo para refletir sobre a história e o futuro do país. A apresentação de Tony Medeiros, inclusive, além de permanecer como um marco na promoção da cultura amazonense e brasileira no cenário internacional, trazia em sua letra a mensagem que o evento buscava.

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Ele afirma que essa apresentação também marcou a sua carreira como artista, por dividir o palco com diversas personalidades brasileiras como a artista Daniela Mercury e o futebolista Pelé.

“Lá eu fiquei ao lado de todo mundo, de artistas como o Leonardo, Daniela Mercury, Ivete Sangalo. O Pelé estava lá. Então a gente estava no meio de todas aquelas pessoas que estavam fazendo sucesso naquela época. Pra mim foi uma grande honra”, disse Medeiros.

Garanchoso fez sua participação durante o especial de 500 anos do Brasil. Foto: Reprodução/Rede Globo

Fora do festival de 1998

A ida de Tony Medeiros para apresentação fez com que o Garantido colocasse outro amo do boi em seu lugar, já que a apresentação em Paris e o festival acontecerem em datas próximas. Para substituí-lo, foi convocado o cantor e compositor Emerson Maia, amigo de Tony, como ele lembra: “O Emerson Maia tinha a vontade de ser amo do Garantido pelo menos em um festival e ele conseguiu, o que me deixou muito feliz”.

Desde então, o termo “Garanchoso” passou a fazer parte do “vocabulário”, principalmente se referindo aos novos adeptos da cultura do boi-bumbá parintinense que ainda não escolheram – ou foram escolhidos -, por um dos bois: o azul ou o vermelho.

*Por Hector Muniz, do Portal Amazônia

Startup gera renda para ribeirinhos com calçados feitos do látex de seringueiras da Amazônia

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Startup do AP gera renda para ribeirinhos com calçados feitos do látex. Foto: Vanda Pororoca/Arquivo pessoal

Famosa em vários períodos da história e dona de uma seiva riquíssima, a árvore da seringueira é um dos símbolos da Amazônia. Apesar da popularidade, muitos ribeirinhos não sabem realizar o manuseio desta matéria-prima que pode gerar renda para as comunidades.

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Da seiva são produzidos pneus, luvas, preservativos, em geral, produtos derivados da borracha. Pensando nisso, a startup Amazon Pororoca capacitou ribeirinhos do município de Epitaciolândia, no Acre, para a produção de calçados. O valor das vendas retorna para esses trabalhadores.

A indígena Vanda Pororoca, da etnia Galibi Marworno e moradora da Comunidade Ubussutuba, na Ilha da Caviana, no Pará, é responsável pela empresa. Ela afirma que este trabalho é uma “liberdade” para essas comunidades que vivem em lugares classificados por ela como “Amazônia isolada”.

“Sabemos que nos lugares remotos da Amazônia Isolada, até hoje nós vivemos num momento em que as pessoas ainda não têm acesso à educação, médicos, não tem nada. A iniciativa de negócio nem chega perto delas. Então, quando eu chego numa comunidade assim, tem comunidades que eu vou que nunca viram água potável” afirma.

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No Amapá, a Amazon Pororoca apresenta os produtos em exposições e feiras de negócios do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

“Eu começo a colocar na cabeça deles que eles podem ter liberdade, que eles podem ganhar o dinheiro deles e que dá para fazer essa rotatividade do produto na cidade. No primeiro momento, eu trago, mas só que o foco é que elas venham, que eles mesmos possam sair de lá. […] Esse sapato que eu trouxe, que foi lá para o Sebrae, foi um boom. As pessoas bateram foto, empresas de São Paulo também ficaram muito interessadas, então eu gravei, e mostrei para eles, e eles ficaram: nossa, gostaram das nossas coisas, com aquele olhinho brilhando. Isso é meu pagamento!”, disse Vanda.

Foto: Vanda Pororoca/Arquivo pessoal

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Sobre a produção

O trabalho é desenvolvido por nove mulheres e três homens. A produção é realizada num local característico da Amazônia: em uma casa de madeira que é iluminada durante o dia com a luz do sol.

A ideia da Amazon é que esses moradores possam desenvolver produtos de maneira simples, usando os recursos disponíveis na região. O incentivo à bioeconomia é feito em diversas regiões da Amazônia pela startup (veja vídeo da produção mais abaixo).

“Cada comunidade que eu vou tem espinha de peixe. Tudo que eu vejo que dá dinheiro eu pego exemplos e mostro para eles. E tem umas pessoas que já tem o talento natural, que nunca estudou, por exemplo, esse senhor que faz o sapato, ele é analfabeto”, comentou Vanda.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Círio Musical 2025 anuncia Junho Chu, cantor e missionário católico sul-coreano, como atração internacional

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Foto: Reprodução/Instagram-paroquiagloriafor


A Diretoria da Festa de Nazaré (DFN) divulgou a programação do Círio Musical 2025, que ocorre durante a quinzena nazarena com shows diários na Concha Acústica, da Praça Santuário, no período de 12 a 25 de outubro, a partir das 20h. Diversas atrações católicas que já participam do evento há bastante tempo retornarão este ano, mas há uma novidade: a atração internacional Junho Chu.

O cantor, compositor e missionário católico sul-coreano é conhecido por suas interpretações de músicas religiosas como ‘Oração da Mãe’ e ‘Terra Seca’, além de colaborações com outros artistas católicos. O sul-coreano também utiliza plataformas digitais para compartilhar sua mensagem de fé e esperança, alcançando uma audiência global.

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Entre as atrações nacionais deste ano para a ação durante o Círio de Nazaré estão bandas já consagradas no cenário musical católico, como Anjos de Resgate e Rosa de Saron. Outras atrações confirmadas pela Diretoria da Festa de Nazaré são Eliana Ribeiro, Thiago Brado, Ministério Seráfico, Missionário Shalom, Vida e Cruz, Adoração e Vida, Adriana Arydes, Tony Alyson, Padre Cavalcante, Sementes do Verbo, Dunga (ex- vocalista da Canção Nova) e Flavio Vitor.

O encerramento será com o Padre Francisco Cavalcante e Ministério de Música da Guarda de Nossa Senhora de Nazaré, no dia 25 de outubro.

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Círio Musical

De acordo com a Diretoria da Festa de Nazaré, o Círio Musical ocorre durante as noites da quinzena da Festividade de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém. As apresentações são sempre às 20h, na Concha Acústica da Praça Santuário, no bairro de Nazaré.

Círio Musical atrai muitos jovens. Foto: Ícaro Farias/Ascom Basílica Santuário

A programação todos os anos reúne milhares de pessoas, principalmente o público jovem. Na primeira edição do Círio Musical, em 2004, a programação durou apenas três dias e contou com a presença de três artistas católicos nacionais. Desde 2006, o evento acontece durante toda a quadra nazarena e leva multidões ao espaço da Praça Santuário. O Círio Musical 2025 tem patrocínio do Banco da Amazônia e Estácio.

Programação

12/10 – Anjos de Resgate
13/10 – Eliana Ribeiro
14/10 – Semente do Verbo e Vida e Cruz
15/10 – Dunga
16/10 – Ministério Seráfico
17/10 – Junho Chu
18/10 – Thiago Brado
19/10 – Flávio Vitor
20/10 – Missionário Shalom
21/10 – Rosa de Saron
22/10 – Adoração e Vida
23/10 – Tony Alysson
24/10 – Adriana Arydes
25/10 – Padre Cavalcante e Ministério de Música da Guarda de Nossa Senhora de Nazaré

*Com informações da Diretoria da Festa de Nazaré