Catedral Sagrado Coração de Jesus em Porto Velho. Foto: Hosana Morais/Arquivo/G1
Do outro lado do mundo até o coração da Amazônia, padres cruzam fronteiras para manter viva a fé em Porto Velho. Com apenas 11 sacerdotes formados na capital, a igreja conta com missionários de vários países para ajudar nas paróquias e comunidades espalhadas.
A Arquidiocese de Porto Velho atende 13 municípios com uma estrutura de 29 paróquias e 6 áreas missionárias. Com poucos padres formados na própria região, o reforço vem de longe: Indonésia, Bélgica, Itália, Camarões e outros países enviam missionários que hoje atuam no estado.
Bandeira do estado de Rondônia. Foto Daiane Mendonca/Secom-RO
“São poucos padres para os municípios que a arquidiocese atende, por isso os padres missionários ajudam”, explica Anaely Roberto, da comunicação da Arquidiocese.
A formação de um pároco na arquidiocese leva quase oito anos. Tudo começa com a entrada na casa vocacional, depois passa pela faculdade de Filosofia e Teologia no Seminário Maior São João XXIII. Após esse período, o jovem é ordenado diácono e vive uma experiência prática, que pode durar até oito anos.
“Eles são ordenados diáconos, onde passam um período de experiência. São ordenados padres pelo bispo e depois o bispo encaminha para qual paróquia ele vai ser transferido”, explica Anaely.
Padres na cerimônia de abertura do Congresso Eucarístico Arquidiocesano. Foto: Pascom Arquidiocesana/PVH
A discussão sobre a escassez de sacerdotes ganha destaque durante a celebração dos 100 anos da Arquidiocese de Porto Velho, marcada pelo Congresso Eucarístico Arquidiocesano, que acontece até este domingo (13). O evento reúne missas, procissões, simpósios teológicos, apresentações culturais e uma feira ecológica.
Com o tema “Do céu para o altar da Amazônia”, o congresso reflete sobre o papel da fé na região e celebra um século de história da Igreja Católica em Rondônia, ressaltando a importância do trabalho dos missionários que cruzam o mundo para fortalecer a comunidade local.
Preparar a mala com cuidado é fundamental para garantir segurança, conforto e minimizar o impacto ambiental em uma viagem de ecoturismo, destaca o PlanetaEXO, plataforma referência em experiências sustentáveis no Brasil. Desde a escolha de roupas adequadas até produtos biodegradáveis, cada item é decisivo para explorar com responsabilidade destinos naturais como Amazônia.
Com o crescimento da procura por aventuras em parques nacionais, trilhas remotas e reservas ambientais, aumenta a necessidade de viajar de forma responsável, sem abrir mão da segurança e do conforto. Lucas Ribeiro, fundador do PlanetaEXO, reforça que “montar uma mala responsável não significa abrir mão de conforto e segurança. Pelo contrário: escolher bem o que levar é essencial para estar preparado para as condições da natureza e, ao mesmo tempo, reduzir o impacto da sua viagem”.
Entre os itens essenciais para uma mala de ecoturismo estão roupas leves, respiráveis e de secagem rápida, além de segunda pele para regiões frias ou com variações de temperatura. A capa de chuva ou anorak é indispensável para enfrentar mudanças climáticas inesperadas. Chapéu ou boné ajudam na proteção contra o sol, enquanto tênis ou botas de trilha já amaciados garantem segurança nos percursos. Para o pós-trilha, sandálias ou chinelos resistentes são recomendados.
Produtos biodegradáveis, como protetor solar e repelente, são indicados para evitar impactos negativos no meio ambiente. A hidratação deve ser feita por meio de garrafas reutilizáveis ou cantis, acompanhadas de talheres, copo e prato reutilizáveis para evitar o uso de descartáveis. O viajante também deve levar um saco de lixo pessoal para recolher seus próprios resíduos.
Para garantir praticidade e segurança, a lanterna de cabeça com pilhas recarregáveis e um kit básico de primeiros socorros são fundamentais. A mochila de ataque, leve e pequena, é ideal para o dia a dia, e documentos pessoais, seguro viagem e cartão do SUS não podem faltar. Em áreas alagadas, recomenda-se o uso de saquinhos estanques para proteger celulares e documentos. Os produtos de higiene, como sabonete ou shampoo biodegradável em barra, completam a lista.
Além dos itens, a escolha consciente dos produtos contribui para a diminuição da pegada ambiental. Evitar cosméticos com microplásticos, reduzir o uso de embalagens plásticas e dar preferência a produtos com menor processamento industrial são atitudes simples e eficazes.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) alerta que o aumento do turismo em áreas naturais deve ser acompanhado por um esforço coletivo para preservar esses espaços. Lucas Ribeiro destaca que “organizar a mala, portanto, vai além do aspecto prático, é um ato de consciência ambiental. Em tempos de emergência climática, cada detalhe importa.”
O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo dedicada a conectar viajantes do mundo inteiro a experiências sustentáveis e autênticas no Brasil. Com o compromisso de apoiar comunidades locais e proteger o meio ambiente, o PlanetaEXO promove o turismo como uma força transformadora para a conservação e o desenvolvimento sustentável. Por meio de parcerias com operadoras locais, a empresa divulga as belezas naturais do Brasil para o mundo, com foco em promover um turismo mais consciente e responsável.
A aldeia Roosevelt, localizada no município de Espigão do Oeste e habitada pelo povo Cinta Larga, foi palco de mais uma importante ação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Indígena. Mais de R$ 2,5 milhões foram destinados pelo governo de Rondônia, com recursos federais, para a aquisição de alimentos produzidos por comunidades indígenas, beneficiando diretamente os povos originários. A ação marca a quarta etapa de compras do programa em 2025.
Nesta quarta compra, foram entregues itens como banana, mandioca, milho, abóbora e batata-doce à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), responsável pela distribuição. O investimento total já soma R$ 2,5 milhões, oriundos de recursos federais, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri) e da Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO).
O governador de Rondônia, Marcos Rocha, ressaltou a priorização da implementação de políticas públicas voltadas à inclusão produtiva, valorização cultural e desenvolvimento sustentável das comunidades tradicionais. “O PAA Indígena é uma política pública que promove cidadania e justiça social. Por meio de uma atuação técnica, séria e humanizada, conseguimos promover o desenvolvimento sustentável e a valorização da identidade cultural, a preservação dos recursos naturais e a segurança alimentar”, ressaltou.
O PAA Indígena permite a compra direta de alimentos produzidos por comunidades indígenas, com pagamento justo e logística garantida, assegurando geração de renda, segurança alimentar e reconhecimento dos saberes tradicionais. Os produtos adquiridos são destinados a instituições socioassistenciais, enquanto os produtores recebem diretamente os recursos.
O diretor-presidente da Emater-RO, Luciano Brandão, acompanhou de perto a ação e destacou a importância da assistência técnica no fortalecimento da produção sustentável e na comercialização dos alimentos. “A Emater está presente, lado a lado com os povos indígenas, levando assistência técnica, respeitando sua cultura e promovendo dignidade”, afirmou.
Emater-RO está presente, lado a lado com os povos indígenas, levando assistência técnica. Foto: Eduardo Henrique
Esse trabalho inclui desde a organização comunitária e emissão de documentos, como o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF), até o planejamento da produção adaptado às realidades culturais e ambientais de cada etnia.
Atualmente, a aldeia conta com um técnico exclusivo, no entanto, a demanda crescente demonstra a necessidade de ampliar o número de profissionais em campo.
“Muitos depoimentos dos nossos produtores indígenas ressaltam os avanços do programa, mas também cobram mais técnicos da Emater. A vontade de produzir de forma sustentável é evidente, e o que vemos aqui é um exemplo de que é possível aliar geração de renda com preservação cultural e ambiental”, destacou o diretor-presidente da Emater-RO.
A expectativa do governo de Rondônia é ampliar o alcance do programa para outras regiões indígenas, fortalecendo cadeias como a fruticultura, a olericultura e o extrativismo sustentável. Com isso, o estado se consolida como referência nacional na execução de políticas públicas voltadas aos povos originários.
Mais do que um instrumento de compra institucional, o PAA Indígena é um marco de valorização cultural, inclusão social e respeito aos modos de vida tradicionais. E a presença ativa da Emater-RO em cada etapa garante que os frutos dessa política continuem alimentando corpos, sonhos e tradições. Trata-se de uma política que respeita o passado, transforma o presente e constrói um futuro mais justo.
* O conteúdo foi originalmente publicado no Portal do Governo do Estado de Rondônia, escrito por Wania Ressutti e com fotos de Eduardo Henrique.
A luta pela dignidade das pessoas acometidas pela hanseníase está marcada na história do município de Marituba, no Pará. Em meados do século XX, mais exatamente a partir do ano de 1942, foi instalado no município o controverso Hospital Colônia de Marituba, que funcionou até 1986.
A hanseníase é uma doença crônica infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que se multiplica lentamente e pode levar de cinco a dez anos para dar os primeiros sinais. A doença afeta principalmente os nervos periféricos e está associada a lesões na pele, como manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, ressecamento e perda de sensibilidade.
Quem sofre com a doença, além de todos os problemas de saúde, ainda precisa conviver com o estigma e o preconceito.
A antiga cidade hospital foi construída, em Marituba, na Era Getúlio Vargas, no período de 1930, quando foram fomentadas as construções de asilos-hospitais que abrigariam os infectados pela então denominada lepra. O Hospital Colônia de Marituba foi direcionado à segregação de pessoas infectadas e ficava distante 12 quilômetros da capital Belém e cinco minutos da então Vila Operária de Marituba.
De acordo com dados da prefeitura da cidade, “o local foi idealizado para abrigar 1000 doentes em uma área de 375 hectares de terras em mata virgem. As florestas serviriam como barreiras naturais, objetivando conter qualquer tipo de fuga”.
Foi no ano de 1942 que o local, conhecido vulgarmente como leprosário, foi inaugurado. No total, os pavilhões contavam com 28 leitos, cada um com 14 quartos, com portas externas e sem janelas, organizados por faixa etária e por sexo.
Edmilson Picanço, filho de hansenianos, foi separado de seus pais ainda recém nascido e somente retornou para a família aos oito anos de idade. Infelizmente sua mãe faleceu cinco meses após o retorno do filho.
Instituído como política de saúde no Brasil até a década de 1980, o isolamento compulsório das pessoas atingidas pela hanseníase foi responsável pela separação de milhares de famílias brasileiras – prática repudiada pela Comissão de Direitos Humanos da ONU.
Edmilson explica que na Colônia de Marituba, os pacientes eram internados de forma compulsória onde teriam sofrido segregação por medida profilática do Governo Federal com o objetivo de impedir a propagação da doença.
“O que foi errado, já que desde 1949 já havia sido sinalizada a cura para a hanseníase, então não há justificativa para terem fechado as colônias somente no ano de 1986. Assim como nós, filhos de pacientes, não deveríamos ter sido separados de nossos pais. Foram medidas profiláticas equivocadas”, declara.
Edmilson é coordenador em Marituba do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), uma entidade sem fins lucrativos fundada em 6 de Junho de 1981.
O modelo de casa originária da Colônia de Marituba
Mas, em Marituba, o processo só teve final em 1986 após a visita de João Paulo II que fez o pedido ao Governo para quebrar a corrente das colônias (fato que remete às grossas correntes que ficavam na entrada da Colônia que hoje se chama avenida João Paulo II).
Nesta mesma época o governador Almir Gabriel revitalizou as colônias no Estado do Pará. A partir daí as pessoas passaram a não estar mais segregadas, porém continuaram dentro da colônia. Muitos constituíram famílias. Outros foram abandonados pela família e não tinham mais para onde ir.
Outros ficaram totalmente dependentes dos profissionais de saúde, por causa das sequelas graves, e tiveram que ficar no Abrigo João Paulo II, cuja finalidade era prestar total assistência médica e social aos pacientes oriundos da colônia que não tinham condições de serem reinseridos por total incapacidade física e abandono familiar.
Muitos venderam suas propriedades, alguns ampliaram suas casas e mantiveram a estrutura original. As estruturas que constituíram a antiga Colônia de Marituba ainda permanecem pelos mais de 300 hectares, até a rodovia BR 316 onde ficavam as correntes que separavam a colônia da sociedade.
Assim se forma o bairro que hoje se chama Dom Aristides. O nome é uma homenagem a Aristides Pirovano, nascido na Itália, bispo católico, membro do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras e que foi Capelão Auxiliar na Colônia de Hansenianos de Marituba, desde 1978 e falecido em 1997, em sua terra natal. Ele é considerado pai benfeitor dos hansenianos e atribuem a ele a visita do Papa João Paulo II na colônia.
Centro de Referência
Marituba possui atualmente um centro de referência especializado na hanseníase, a Unidade Regional Especializada (URE) Marcello Cândia, centro especializado no atendimento e tratamento da hanseníase, que presta assistência ambulatorial aos infectados e oferece treinamento para os profissionais de saúde no controle da hanseníase no Estado.
Marcello Cândia foi um empresário italiano da rede de medicamentos e que fundou vários centros de acolhida e assistência aos enfermos de hanseníase e ainda casas e igrejas para acolher e promover o trabalho de evangelização missionária para leigos e religiosos.
URE Marcello Cândia. Foto: Reprodução/Prefeitura de Marituba
Ao morrer, Marcello Cândia deixou toda sua fortuna para a Fundação Marcello Cândia em favor das pessoas atingidas pela hanseníase no Brasil. Para vencer o preconceito e para garantir atendimento digno a esses pacientes.
O bairro abriga atualmente um complexo operacional para atender os pacientes. Dele fazem parte: o Abrigo João Paulo II, a URE Marcello Cândia, o Hospital da Divina Providência, a Creche Nossa Senhora de Nazaré e a Paróquia Nossa Senhora de Nazaré.
Da controvérsia sobre as medidas profiláticas de combate à hanseníase até a formação populacional do município, que faz parte da Região Metropolitana de Belém, Marituba se tornou referência no combate à doença, que tem cura.
No artigo anterior “O que o Universo nos traz hoje?” fiz algumas considerações sobre as sincronicidades, citando pensadores como Carl Jung, Mokiti Okada e o empresário Steve Jobs. Destaquei que não fomos educados para entender a linguagem utilizada pelo Universo, que parece estar tentando se comunicar conosco durante todo o tempo, emitindo sinais. Ao final, propus: “Com base nos acontecimentos desta semana: o que Universo pode estar tentando lhe dizer?”.
Talvez esta provocação não tenha chegado a você. Ou talvez tenha e você não tenha dado uma maior importância. Ou ainda, você topou tentar identificar os sinais e simplesmente esqueceu. Seriam fatos normais e constatar isso não implica nenhum julgamento. Mas se você ligou as suas antenas, é provável que você tenha conseguido fazer algumas conexões. Talvez algumas poucas, talvez pequenas conexões.
Se você prosseguir neste exercício, vai começar a perceber cada vez mais sentido nas correlações. Não é assim que se aprende uma nova língua? No início, parecem apenas ruídos, depois percebemos palavras soltas, até que conseguimos entender uma frase inteira. Na persistência, seremos capazes de entender todo um filme, mesmo que não saibamos todo o vocabulário. Um dia estaremos aptos para dialogar, compreender e sermos compreendidos em uma linguagem que, no início, parecia apenas um conjunto de ruídos. Com a linguagem do universo não é diferente.
Falando em línguas estranhas, o que significa para você a palavra kannagara? É provável que nada, assim como para mim, até que li que no xintoísmo ela significa algo como “caminho da Grande Natureza”. Segundo Mokiti Okada esta seria uma outra expressão para se se referir à Vontade do Universo ou ainda à Vontade de Deus, expressa nas leis que se manifestam na natureza e nas nossas vidas, em todos os setores dela.
Assim, após fazer o nosso melhor, aplicar o kannagara poderia ser interpretado como: confia no universo, confia no processo (expressão muito utilizada em processos de coaching), segue o fluxo natural, faz e solta com desapego, segue o seu coração, ouve a sua intuição”, “o aparentemente mal trouxe o bem”, “doença que purifica e traz a saúde, perdas que trazem ganhos, problemas que geram aprendizados, gratidão em qualquer situação, menos ego e mais cuidado com o outro, confiança no Universo, confiança em Deus.
Buscar entender a linguagem do universo é semelhante ao surfista que observa o mar antes de se lançar às ondas. Se ele se integra ao fluxo, poderá fazer o melhor uso de sua técnica (livre arbítrio), sem querer mudar a direção da onda, que não deixará de seguir o seu caminho. As Leis da Grande Natureza são imutáveis e seguem o seu fluxo, kannagara.
Crianças querem porque querem e choram se não forem atendidas. Adultos aprenderam que não adianta “dar murro em ponta de faca”. Alguns podem demorar um pouco mais para aprender, principalmente, se não compreendem como estas grandes leis se manifestam em nosso dia a dia, na família, no trabalho, nos relacionamentos, na saúde e até no nosso dinheiro. Kannagara.
O universo está em Ordem, como nos ensina Mokiti Okada. O caos é uma limitação do ponto de vista. Por todos os lados existem as sincronicidades, sinais que podem servir de apoio para reflexões e uso de nosso livre arbítrio na construção de felicidade consciente para nós e para o nosso redor.
Para finalizar, renovo a pergunta, acrescentando mais um ponto. Com base nos acontecimentos desta semana, o que Universo pode estar tentando lhe dizer? O que seria nesta situação seguir o fluxo da Grande Natureza, kannagara, fazendo uso do seu livre arbítrio”?
Sobre o autor
Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.
Empreendedoras e pesquisadoras do projeto Elas na Ciência. Foto: Arquivo pessoal/ Inara Regina Costa.
Impulsionar o empreendedorismo feminino em ciência e tecnologia na era digital foi o objetivo do projeto “Pesquisadoras e Empreendedoras conectadas pela Ciência e Tecnologia na Amazônia”, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
Coordenado pela professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e coordenadora do Laboratório de Comunicação e Conexão Estratégicas (LabConEst), o projeto visou valorizar e fortalecer o trabalho de mulheres na ciência e tecnologia na Amazônia, usando a divulgação científica para mostrar suas pesquisas e incentivando o empreendedorismo feminino.
Inara Regina Costa, Coordenadora do projeto. Foto: Arquivo pessoal/ Inara Regina Costa.
A iniciativa gerou a série de podcasts “Elas na Ciência” e o livro “Ciência e Empreendedorismo: experiências de pesquisadoras na Amazônia”.
“Trata-se de importantes projetos de pesquisas que estão alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e suas descobertas geram impacto social, ambiental e econômico”, comentou Inara Costa.
A série distribuída em dez episódios de cerca de 30 minutos abordou entre os temas, a contribuição da ciência para o desenvolvimento social do Amazonas, empreendedorismo feminino e a comunicação pública da ciência, por meio de reflexões sobre o trabalho desenvolvido por pesquisadoras na Amazônia, assim como estudos para a elaboração de projetos de leis e políticas públicas nas áreas ambiental, econômica, científica e tecnológica.
As pesquisadoras convidadas estão vinculadas a instituições de ensino, como a Ufam, Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Instituto Federal do Amazonas (Ifam), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Fundação Oswaldo Cruz – Instituto Lêonidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e Embrapa Amazônia Ocidental.
Apresentado por Inara Regina Costa e pela jornalista e empreendedora Edilene Mafra, os episódios do podcast detalham a construção da cidadania por meio da ciência e a importância da divulgação de projetos de pesquisa para a sociedade.
As entrevistadas deram depoimentos sobre os desafios regionais da área da ciência, o protagonismo das mulheres cientistas, e soluções inovadoras para problemas tecnológicos, culturais e sociais no Amazonas.
Inara Regina Costa, Coordenadora do projeto. Foto: Arquivo pessoal/ Inara Regina Costa.
“Recebemos feedbacks de estudantes, professores e de profissionais autônomos. Nosso desejo é divulgar mais projetos de pesquisas inéditos, lançando a segunda temporada do podcast “Elas na Ciência”, ampliando o alcance dessas vozes femininas que transformam a Amazônia com ciência e inovação”, afirmou Inara Regina Costa.
Ela reforça que o desenvolvimento de uma parceria entre jornalistas e cientistas contribui para o compartilhamento de dados importantes de projetos que podem melhorar a qualidade de vida da população.
Para a pesquisadora, o conteúdo dos episódios do podcast tem o potencial de formar um público interessado em Ciência e Tecnologia, apresentando possíveis novos caminhos para a geração de renda. Entre as outras atividades executadas, foi realizada uma roda de conversas com mulheres empreendedoras e lideranças científicas, durante a Feira do Empreendedor do Sebrae, em setembro de 2024.
Sobre o livro “Ciência e Empreendedorismo: experiências de pesquisadoras na Amazônia”, este apresenta relatos das cientistas entrevistadas no podcast, e seus projetos de pesquisa relacionados aos ODS. A obra está disponível gratuitamente no link. Os episódios do “Elas na Ciência” estão disponíveis no Spotify e em formato de vídeo no YouTube.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Fapeam, escrito porKevin Moraes, com fotos do arquivo pessoal da pesquisadora Inara Regina Costa.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) instalou em Roraima uma Estação Transportável de Radiovideometria (ETR) para interceptar comunicações de aeronaves irregulares que sobrevoam a Floresta Nacional de Roraima (Flona-RR). A iniciativa, coordenada pelo escritório local, reforça o apoio ao Plano de Desintrusão e Enfrentamento da Crise Humanitária na Terra Indígena Yanomami.
A superintendente de Fiscalização da Anatel, Gesiléa Teles, destacou a parceria estratégica com a Força Nacional, responsável pela operação da estação. “O conhecimento e a experiência de nossos agentes de fiscalização, aliados à tecnologia dos nossos equipamentos, são decisivos no suporte a esta ação coordenada em defesa da comunidade Yanomami”, afirmou.
Membros da Força Nacional foram capacitados pela Anatel para monitorar comunicações aeronáuticas em 12 canais distintos na faixa do Serviço Limitado Móvel Aeronáutico (SLMA). Essas frequências haviam sido previamente identificadas por equipamento de monitoramento instalado em uma unidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Estado de Roraima. Foto: Divulgação
O gerente da Anatel em Roraima, Augusto Queiroz, reforça que “a tecnologia e o conhecimento técnico da agência reguladora são fundamentais não apenas para a proteção ambiental e humanitária, mas também para apoiar as forças de segurança no combate ao uso indevido do espectro de telecomunicações em atividades ilícitas”.
O escritório da Anatel em Roraima mantém diálogo permanente com as instituições envolvidas no Plano de Desintrusão e está à disposição da Casa de Governo do Estado de Roraima, vinculada à Secretaria Especial de Articulação e Monitoramento da Casa Civil da Presidência da República, para atender às necessidades das ações coordenadas na região.
BR-319 Fica entre Amazonas e Rondônia. Foto: Observatório BR-319
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Em liminar expedida pela juíza Maria Elisa Andrade, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) restabeleceu na quarta-feira (2), os efeitos da medida judicial que havia suspendido a validade da licença prévia emitida em 2022 pelo Ibama para as obras de reconstrução e asfaltamento da BR-319(Manaus-Porto Velho). A liminar, decisão judicial de caráter provisório com objetivo de garantir direitos requeridos na ação, antes que seja proferida a decisão no final do processo, atende a um pedido feito pelo Observatório do Clima (OC), alegando que a licença concedida pelo DNIT e Ibama em 2022, desconsiderou dados, análises científicas e estudos de impactos climáticos.
A nova decisão do TRF-1 contraria frontalmente o parecer do relator, o desembargador federal Flávio Jardim, que, em outubro de 2024 havia concedido decisão favorável a um recurso da União, do Ibama e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) à continuidade das obras. Ora, como respeitar tão estapafúrdios argumentos considerando, por outro lado, que o “Observatório” nada tem a ver com a Amazônia? Aqui não vive nem mantém representações, e, por conseguinte, absolutamente distanciado das circunstâncias sociais, econômicas, culturais e ambientais da região e das agruras impostas ao povo amazonense pela falta de uma rodovia que, sob todos os aspectos, é essencial ao complemento e integração do modal de transporte estadual.
Vale observar, por outro lado, que o grupo OC, criado em 2015, dedica-se a promover, segundo a ONG, “uma cobertura da realidade brasileira a partir do olhar de jornalistas negros e produz conteúdo em diferentes formatos sobre assuntos variados da vida nacional”.
Se estivesse agindo de boa vontade, preocupado com a preservação do bioma e com os interesses relacionados à exploração sustentável do nosso bioma, esse grupo estaria aqui ajudando o governo estadual, a universidade, os centros de pesquisa, as representações políticas e empresariais, o próprio governo federal na busca de soluções pragmáticas capazes de conciliar a proteção do bioma, aos argumentos, à razão e aos fundamentos determinantes da absoluta importância da Manaus-Porto Velho para o desenvolvimento dos estados de Roraima e do Amazonas, única unidade da federação brasileira não conectada rodoviariamente ao resto do país.
Sem qualquer preocupação de verificar in-loco, de examinar a questão com o governo estadual, a Federação da Agricultura e Pecuária (FAEA), a FIEAM e com entidades que, voluntariamente, dedicam-se no dia a dia em supervisionar o lamentável e vergonhoso estado em que se encontra a rodovia, como se ainda vivêssemos nos tempos de Cabral. Mesmo assim, numa demonstração de completo alheamento aos interesses do amazonense, o TRF1 aceitou precipitados argumentos de que a concessão traria “riscos de danos irreversíveis à floresta amazônica (…) ao criar cenário para viabilidade ambiental das obras da BR-319, para que não se transforme em forte vetor de intenso desmatamento da floresta amazônica”.
Br319. Foto: Divulgação
Enquanto isso, a magistrada aceita, sem consulta ao governo amazonense ou ao poder Legislativo sobre a argumentação da ONG de que “a licença gera uma expectativa de que a estrada será construída. Esse efeito por si só já estimula o desmatamento que, de fato, está acontecendo”. Ora, a estrada já existe desde 1976! E continua ambientalmente protegida, com pequenos assentamentos e vilas instaladas aqui e acolá.
Nada semelhante à absurda afirmativa da OC de que “neste momento o aumento de ramais não autorizados, impulsionados pela expectativa de que, assim que a obra for retomada, esses acessos facilitarão a ocupação e um explosivo processo de desmatamento”. Governo e povo do Amazonas, representações políticas, empresariais, estudantis e sindicais a hora é de decisão, de fazer prevalecer os interesses do Amazonas sobre quaisquer outros.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Disputas tradicionais com cavalos em arenas têm ganhado espaço na vivência esportiva no campo. Em Roraima, provas como laço em dupla, três tambores e corridas vêm reunindo atletas de diferentes idades, com uma preparação que vai muito além da pista. O desempenho depende de treinos intensos, conexão com o animal e atenção à saúde dos cavalos.
Para quem participa das provas, o vínculo entre cavaleiro e cavalo é o que define o sucesso. “A adrenalina é única. Quem corre não quer parar. A gente cuida de tudo: do cavalo, dos alunos, da gente mesmo. É uma dedicação completa”, diz o treinador Gustavo Henrique, que cresceu em meio aos cavalos e hoje comanda treinos de jovens atletas.
Cavalos de Roraima. Foto: Jorge Macedo
A paixão, segundo ele, vem de berço. “De geração em geração. Meu pai mexia, meu irmão mexe, é algo que a gente escolheu desde pequeno pra trabalhar. É uma profissão que a gente quer se desenvolver, tá se destacando muito, e o cavalo em si é uma terapia muito boa, então, acaba mexendo mais ainda pro sentimento da gente, a gente fica cada vez mais apaixonado.”, conta.
O cuidado com os animais é levado a sério. Assim como em outros esportes, os cavalos passam por um cronograma de treinos, recebem suplementação alimentar e acompanhamento veterinário.
“Acompanhamento veterinário, muita ração, muito capim, é isso o ano inteiro. Quando chega no período de competição, a gente suplementa. Então tem vários suplementos que a gente usa, como se fosse um atleta se preparando para ir para uma olimpíada, por exemplo, ou um fisiculturista”, explica Rafael Andrade, que atua na organização de competições e na gestão de equipes.
Modalidades como o laço em dupla exigem alto nível de técnica — tanto do cavalo quanto do cavaleiro. O trato com o desempenho do animal pode resultar em bons resultados, dentro e fora das pistas.
Cavalos de Roraima. Foto: Jorge Macedo
“O Treinamento começa desde a hora que vai arrear o cavalo, a primeira montada. Primeiro círculo, aí vem vários vários manobras para o cavalo chegar até na competição de ser um cavalo profissional de laço. Um cavalo tem que ser bem domado pra ele chegar na competição, que ele vai virar um atleta, porque o cavalo na competição é 80%, o laçador só é 20%, em uma competição de laço, por exemplo.” explica Danilo ‘Coroa’, juiz de provas de laço.
O esporte equestre também tem atraído jovens e crianças, muitas vezes iniciados ainda na infância. Equipes como a do treinador Ítalo Albuquerque investem na formação técnica e emocional dos pequenos competidores.
“A gente tá aqui para aperfeiçoar as nossas práticas, a modalidade, trazer melhoramento, claro. A gente sempre quer buscar que as nossas atletas tenham o melhor desempenho dentro da pista, não só os nossos atletas crianças e adolescentes, como também os animais, que são atletas de primeiro nível”, explica ele
Mesmo com os avanços nas técnicas de treinamento e nutrição, o universo das provas equestres mantém uma base tradicional. O vínculo com o passado do campo ainda é forte. Um resgate da vivência rural tem atraído mais participantes e incentivado o crescimento das competições no estado.
Cavalos de Roraima. Foto: Jorge Macedo
Em Roraima, a prática das provas equestres vem se consolidando como parte da rotina esportiva no campo. A participação crescente de atletas e o investimento em estrutura refletem esse movimento. Para muitos, o objetivo é que mais pessoas conheçam e se envolvam com a cultura equestre.
“Essas provas equestres elas remetem dos tempos atrás, onde não tinha essa tecnologia, por exemplo, a pessoa não levava o gado no curral porque não tinha um brete ali, ela tinha que laçar o gado para curar o gado ali no meio do pasto mesmo. Então por isso que isso mexe tanto com a emoção e que isso cria tanto valor, agrega tanto valor, porque remete ao nosso passado, remete ao nosso coração ali. Então assim, tem muito valor agregado e tem crescido muito aqui em Roraima”, finaliza Rafael.
Cerca de 261 mil pessoas vivem em Unidades de Conservação no Amazonas, revela IBGE. — Foto: Janailton Falcão/FAS
O Amazonas possui 92 Unidades de Conservação (UCs), onde residem 261.816 pessoas, segundo dados do Censo 2022 divulgados pelo IBGE. Esse número representa 6,64% da população que vive em UCs no Brasil.
As Unidades de Conservação são áreas protegidas por lei para preservar a natureza e seus recursos. No estado, essas áreas incluem diferentes categorias, como Áreas de Proteção Ambiental, Parques Nacionais, Reservas Extrativistas e Florestas Estaduais, entre outras.
Das 92 UCs no Amazonas, 61 têm moradores. As mais populosas são:
Foto: Reprodução/ICMbio
Área de Proteção Ambiental Tarumã/Ponta Negra, com 110.094 habitantes;
Área de Proteção Ambiental Margem Direita do Rio Negro – Setor Paduari-Solimões, com 47.068 moradores;
Área de Proteção Ambiental Presidente Figueiredo – Caverna do Morroa, com 21.074 residentes.
No total, 153.585 pessoas vivem em áreas urbanas dentro das UCs, enquanto 108.231 residem em áreas rurais. Entre os municípios com maior número de moradores em UCs estão Manaus (118.031), Iranduba (36.328) e Presidente Figueiredo (21.054).
Categorias das Unidades de Conservação
As UCs são divididas em dois grupos principais:
Unidade de Conservação. Foto: Fernando Frazão/Agencia Brasil
Proteção Integral: áreas que visam preservar a natureza, permitindo apenas uso indireto dos recursos, como Parques Nacionais e Reservas Biológicas. Cerca de 2,47% da população do Amazonas que vive em UCs está nessas áreas.
Uso Sustentável: áreas que combinam conservação ambiental com uso sustentável dos recursos, como Áreas de Proteção Ambiental e Reservas Extrativistas. A maioria dos moradores do Amazonas (96,48%) vive em UCs dessa categoria.
Quanto à administração, 118.669 pessoas vivem em UCs municipais, 114.480 em estaduais, e 24.802 em federais.
Dados sociais e infraestrutura
O Censo 2022 aponta que a taxa de alfabetização entre moradores de UCs no Amazonas é de 90,44%. Na área urbana, a taxa sobe para 96,10%, enquanto na área rural é de 81,61%. A população amarela tem a maior taxa de alfabetização (95,99%), seguida pela branca (94,59%) e parda (91,32%). As menores taxas foram entre pretos (88,04%) e indígenas (76,67%).
Sobre o abastecimento de água, dos 71.966 domicílios em UCs no estado, 71,8% têm água canalizada ou encanada dentro da residência. A média de moradores por domicílio é 3,63, sendo um pouco maior nas casas chefiadas por mulheres (3,67) em comparação com as chefiadas por homens (3,59).