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Justiça Federal do Amapá mantém autorização para testes de perfuração de petróleo na Foz do Amazonas

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Foz do Amazonas. Imagem: Reprodução/Google Maps

A Justiça Federal do Amapá rejeitou a ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Petrobras. A decisão, divulgada na sexta-feira (12), manteve a autorização para a Avaliação Pré-Operacional (APO) no bloco FZA-M-59, localizado na Bacia da Foz do Amazonas.

Leia também: Licença para pesquisa da Petrobras na Bacia da Foz do Amazonas é aprovada pelo Ibama

O juiz Anselmo Gonçalves da Silva, da 1ª Vara Federal Cível, considerou improcedentes os pedidos do MPF e reconheceu a legalidade do despacho do Ibama que permitiu os testes. A sentença também validou os atos seguintes, como a realização da APO e a emissão da licença para perfuração.

Segundo o magistrado, decisões técnicas devem ser avaliadas pelos órgãos ambientais especializados, sem substituição pelo Judiciário. Ele destacou a importância de garantir segurança jurídica nos processos e respeitar a separação dos poderes.

Na análise do mérito, o juiz afirmou que o despacho do Ibama tem validade técnica e jurídica. Explicou que a APO é uma etapa experimental, usada para verificar, em ambiente controlado, a eficácia dos planos ambientais antes da perfuração.

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O magistrado considerou que havia justificativas técnicas suficientes para autorizar a APO, incluindo medidas corretivas apresentadas pela Petrobras. Ressaltou ainda que divergências internas no Ibama não configuram irregularidade, desde que a decisão final esteja fundamentada.

Sobre a ausência da Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS), o juiz afirmou que o instrumento não é obrigatório para este tipo de licenciamento, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Também considerou correta a delimitação da área de influência, feita com base em impactos reais, sem incluir regiões que só seriam atingidas em caso de acidentes de baixa probabilidade.

Sonda de perfuração NS-42, no Amapá. Foto: Divulgação/Foresea
Sonda de perfuração NS-42, no Amapá. Foto: Divulgação/Foresea

Consulta prévia a povos indígenas no Amapá

A sentença reconheceu a importância da consulta prévia aos povos indígenas do Amapá, prevista na Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e na Constituição. Porém, o juiz entendeu que, na fase atual do licenciamento, não havia impacto direto sobre comunidades indígenas ou tradicionais e, por isso, a consulta não era obrigatória.

De acordo com a decisão, a consulta só deve ocorrer quando houver medidas capazes de afetar diretamente essas comunidades. Como a APO é apenas uma simulação pré-operacional, anterior à perfuração, não havia essa exigência.

O magistrado também ressaltou que o processo já contou com audiências públicas e reuniões em municípios do Amapá, com participação de representantes indígenas. Para ele, a consulta será obrigatória apenas em fases futuras, quando houver impactos concretos sobre territórios ou modos de vida. Caso isso não ocorra, a questão poderá ser reavaliada judicialmente.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

3 locais que protegem documentos históricos do Amazonas

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Foto: Walter Mendes/Acervo Jornal do Commercio

Documentos são registros que guardam informações sobre o passado e ajudam a compreender como sociedades, instituições e pessoas atuaram ao longo do tempo. No Amazonas, esses materiais estão espalhados em diferentes arquivos e acervos, formando fontes de pesquisa fundamentais para historiadores, estudantes e cidadãos que buscam entender a memória regional.

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A produção e a conservação de documentos no Amazonas remontam ao século XIX, período no qual as instituições públicas começaram a registrar informações administrativas, legais e sociais de maneira mais sistemática. Esses documentos variam de decretos, legislações, registros administrativos, até periódicos e atas oficiais.

O acesso a esses materiais, em muitos casos, depende de políticas de preservação e digitalização desenvolvidas por órgãos públicos e iniciativas de pesquisa. A organização desses acervos, no entanto, é trabalhosa e demanda recursos técnicos para que os papéis antigos possam ser consultados sem risco de dano físico, sendo digitalizados quando possível.

Neste contexto, alguns dos documentos mais antigos do Amazonas foram identificados em três localidades: Manaus, Tefé e Parintins. Conheça:

Manaus: arquivos centenários e documentos do período imperial às primeiras décadas republicanas

Em Manaus, a capital do estado, o Arquivo Público do Estado do Amazonas é uma das principais instituições que guarda documentos antigos referentes à administração e à história do Amazonas. Criado em 1897, esse arquivo tem como missão coletar, organizar, armazenar e recuperar documentos que preservam a atividade pública estadual desde o período imperial brasileiro até os anos iniciais da República.

Entre os documentos mais antigos estão peças datadas do início do século XIX, incluindo materiais do período imperial que abrangem leis, decretos e registros administrativos que datam de 1821 e 1852, conforme relatado em iniciativas de reorganização do acervo.

Além disso, o acervo público em Manaus conta com edições históricas do Diário Oficial do Estado que remontam à década de 1890, antes mesmo da formalização do próprio Arquivo Público, evidenciando séries documentais contínuas que registram atos oficiais do governo estadual ao longo de mais de um século.

Tefé: registros históricos e organização de acervos paroquiais e municipais

Os documentos do Acervo de Tefé estão sob a guarda da prelazia de Tefé, no prédio da Rádio Rural. Foto: Divulgação/ Fapeam

No município de Tefé, no interior do Amazonas, projetos de pesquisa e programas de organização de acervos têm resgatado documentos que remontam ao século XIX, integrando fontes que compõem a memória local. A pesquisa sobre o acervo bibliográfico e documental dessa região inclui materiais que registram eventos e informações históricas importantes para a compreensão das transformações sociais e econômicas.

Livro de batismo da Vila de Ega em 1800, nome atigo dado ao município de Tefé é umas das obras presentes no acervo de Tefé. Foto: Revista Confluências – Luciano Teles, Tenner de Abreu e Alcemir Teixeira

Esses documentos, muitos deles ligados a instituições locais tais como igrejas e órgãos municipais, incluem registros de natureza civil e paroquial, que foram sendo reunidos e organizados ao longo do tempo por meio de iniciativas que visam higienizar, catalogar e disponibilizar o acervo para consulta pública e acadêmica.

Um dos documentos é o Livro de Batismo da Vila de Ega (1800) — Vila de Ega sendo a Tefé colonial — um registro paroquial conservado no acervo da Prelazia de Tefé e frequentemente citado por pesquisadores como fonte primária para a reconstrução da história local; esses livros documentais contêm nomes, datas, filiação e informações sociais essenciais que ajudam a mapear famílias, vínculos sociais e até aspectos da escravidão e da demografia regional nos séculos XVIII–XIX, por isso são usados em estudos históricos e genealógicos sobre a região.

O acervo de Tefé não se limita aos arquivos oficiais, pois documentos relacionados à vida cotidiana, atividades comunitárias e descrições de eventos importantes da região também fazem parte das coleções que estão em processo de preservação.

Os documentos estão sob a guarda da prelazia de Tefé, no prédio da Rádio Rural. O projeto de intervenção do acervo está sob a direção de uma equipe composta por três professores da área de História e estudantes de graduação do curso de Licenciatura em História, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Parintins: museu eterniza a história da cidade

Foto: Centro de Cultura e Memoria de Parintins (CCMP) – Divulgação

O Museu da Cidade de Parintins, instalado no Palácio Cordovil — um dos mais importantes patrimônios públicos do município, é um dos espaços mais modernos dedicado à preservação e à apresentação da memória local. O prédio, que já sediou o Poder Executivo em 1969, compõe um conjunto arquitetônico histórico ao lado da Praça Eduardo Ribeiro, reunindo elementos que auxiliam na compreensão da trajetória política e cultural da cidade.

O acervo do Museu da Cidade de Parintins reúne peças que preservam a história e a identidade cultural da ilha Tupinambarana, com destaque para fotografias, objetos, indumentárias e artesanatos relacionados ao folclore dos bois-bumbás muito além dos bois que competem em junho, mas especialmente do Caprichoso e do Garantido, que simbolizam a tradição local e a memória coletiva da cidade. Entre os itens do acervo estão peças doadas pelas próprias agremiações Boi Campineiro, VeludinhoAz de OuroDiamante NegroEstrela de Fogo e Marronzinho.

De acordo com a historiadora e administradora do museu, Larice Butel, o espaço reúne dois ambientes estruturados a partir de áreas distintas do antigo prédio público. O Paço Municipal, tombado e oficializado em 1968, integra a área mais recente, enquanto o setor correspondente ao antigo fórum de Parintins preserva detalhes arquitetônicos ecléticos que foram mantidos durante o processo de adaptação do imóvel. Essa combinação permite que o visitante tenha contato tanto com documentos e materiais históricos quanto com aspectos estruturais que representam períodos diferentes da construção da cidade.

Ao todo, o museu possui sete salas organizadas por temas, como cultura popular, história do município, influência de grupos estrangeiros e uma sala audiovisual com capacidade para 25 pessoas. O funcionamento ocorre diariamente, com horários ampliados nos fins de semana, especialmente para atender o aumento do fluxo turístico durante o Festival de Parintins. A primeira sala, destinada a exposições provisórias, apresenta obras do artista visual parintinense Evanil Marciel, que retrata elementos do cotidiano local por meio de técnicas como a pintura com espátula e o hiper-realismo. As obras expostas, que permanecem por seis meses antes de serem substituídas por novas mostras, destacam situações da vida tradicional de bairros como a Francesa e representações religiosas, como o milagre da multiplicação dos peixes.

Leia também: Arquivo Público do Pará é reaberto ao público

A exposição também aborda a presença dos povos indígenas que compõem a origem histórica de Parintins. Artefatos dos Sateré-Mawé, como porantins, inhanbés, luvas e formigas do ritual da Tucandeira, ocupam a segunda sala e permitem ao visitante conhecer elementos da cosmogonia e tradições desse povo. Em outra seção, os bois-mirins Estrelinha, Tupi e Mineirinho dividem o espaço com os bois Garantido e Caprichoso, exibindo fantasias utilizadas por artistas como Paulinho Farias e Arlindo Júnior. Entre os itens expostos, destacam-se o boi Caprichoso utilizado em visitas a torcedores durante o período de isolamento na pandemia e o boi Garantido que evoluiu no centenário do festival.

A história multicultural de Parintins também está representada no museu por meio dos objetos e documentos de famílias estrangeiras que contribuíram para o desenvolvimento local. Entre eles, itens pertencentes às famílias Minami e Sato, figuras influentes na cidade em décadas passadas. O acervo inclui ainda peças relacionadas ao promotor público Marcos Salomão Zagury (1883–1938), cuja sala reúne objetos pessoais organizados sob curadoria de Leão Azulai. Com essa diversidade de materiais, o Museu da Cidade de Parintins se consolida como um espaço onde diferentes épocas e influências socioculturais são preservadas, oferecendo ao público acesso a importantes referências sobre a formação do município.

Livro celebra mulheres negras da história de Mato Grosso

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Livro enaltece a história de mulheres negras de Mato Grosso. Foto: Divulgação / UFMT

Obra escrita e ilustrada por Cristina Soares, com roteiro organizado por Everson Constantino, e publicada pela Editora KOFA, o livro ‘Mulheres na História Africana em Mato Grosso‘ foi lançado em Cuiabá no dia 9 de dezembro. O livro reúne, por meio de pesquisa histórica, texto e arte visual, as trajetórias de três mulheres essenciais para a história do estado: Tereza de Benguela, Mãe Bonifácia e Maria Taquara.

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O livro convida o público a valorizar memória, ancestralidade e protagonismo feminino negro em Mato Grosso. A primeira edição, lançada digitalmente pela UFMT em 2022, alcançou ampla circulação na mídia local e nacional, atraindo leitores, educadores e pesquisadoras da história afro-mato-grossense.

O lançamento ocorreu no Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado de Mato Grosso (SINTUF-MT).

Leia também: Publicitária de Porto Velho cria primeiro banco de imagem de mulheres negras

Livro impresso

A chegada da versão impressa celebra um ciclo de criação que integra arte, pesquisa e ancestralidade. A escolha da UFMT como espaço do lançamento reforçou sua importância institucional, já que a obra nasce de pesquisa realizada no âmbito do Mestrado Profissional em História – ProfHistória.

Em 2025, o livro recebeu o Prêmio Marília Beatriz Figueiredo, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), que reconhece obras que fortalecem a literatura e a memória cultural do estado.

*Com informações da Universidade Federal do Mato Grosso

Brasil lidera número de povos isolados, mas há lacunas na proteção

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Brasil lidera número de povos isolados. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) registra 115 povos indígenas isolados em todo o país, mas o Estado brasileiro só confirma a existência de 29 desses grupos, uma vez que 86, o equivalente a 75%, ainda estão em fase de validação ou em etapas anteriores de análise. 

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“Existe um passivo gigantesco em relação ao reconhecimento da existência desses povos isolados. São registros que constam no banco de dados da Funai, mas não foram confirmados pelo Estado. Isso é muito grave”, diz o antropólogo e coordenador executivo do Observatório de Povos Indígenas Isolados, Fábio Ribeiro. 

Um levantamento da organização não governamental Survival International aponta que em todo o globo existem 196 povos isolados. O Brasil está no topo do ranking, com 115 desses povos isolados. Para Fábio Ribeiro, entretanto, a lacuna entre registros e confirmações aumenta a vulnerabilidade dos indígenas.

povos isolados
Estado brasileiro só confirma a existência de 29 desses grupos. Foto: Reprodução/Funai

“A gente sabe que a política de proteção desses territórios chega na medida em que a Funai consegue gerar provas suficientes para falar ‘tem um povo indígena isolado ali, a gente precisa proteger aquele território’, explica Fábio Ribeiro, que antes de coordenar a OPI, já foi funcionário da Funai.

Políticas de proteção

Entre as políticas de proteção, ele cita ações como a construção de postos e bases de vigilância em locais estratégicos, sobrevoos, articulações institucionais e a presença da própria Funai e da Secretária de Saúde Indígena (Sesai). 

O coordenador geral de Povos Isolados e de Recente Contato da Diretoria de Proteção Territorial da Funai, Marco Aurélio Milken Costa, reconhece a lacuna. “Há sim um passivo do Estado brasileiro com relação a esses registros. Há registros que precisam ser trabalhados e as limitações institucionais fazem com que a gente não consiga trabalhar com todos os registros que a gente precisa trabalhar”. 

No entanto, ele discorda que a ausência de confirmações torne esses grupos mais vulneráveis. “Não são somente os registros na categoria de referência confirmada que estão dentro de áreas protegidas. Nós temos vários registros que estão dentro de áreas protegidas, sejam elas restrição de uso, sejam elas unidades de conservação ou terras indígenas. Quando tem algum tipo de empreendimento, alguma exploração que afete esses territórios, o registro já se encontra em um nível adequado de proteção”, explica.

indígenas isolados
Povos isolados do Brasil. Foto: divulgação

No Brasil

No Brasil, o Vale do Javari, onde atuava o indigenista Bruno Pereira, assassinado junto com o jornalista britânico Dom Philips em 2022, concentra a maior parte dos povos indígenas isolados do país, além das fronteiras com o Peru e com as Guianas. 

Fábio Ribeiro, no entanto, alerta que “os povos isolados mais vulneráveis não são esses, porque esses ainda vivem em áreas contínuas de florestas monumentais”. 

“Os mais vulneráveis são os povos que vivem no Arco do Desmatamento, porque esses territórios já foram totalmente fragmentados, vivem em ilhas de floresta. Então, esse pessoal vive cercado por estradas, empreendimentos,  mineração, cidades, rodovias, fazendas, projetos de concessão florestal, então é uma situação muito complicada”, afirma.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a nova fronteira do desmatamento?

O caso dos Ituna-Itatá, no Pará, é um exemplo. Apesar da restrição de uso, o território enfrentou uma escalada de invasões entre 2016 e 2019 e chegou a ser a terra indígena mais desmatada do país, segundo relatório produzido pela Coiab e Opi. 

Indígenas isolados do Brasil. Foto: Reprodução/Funai

E em 2022, só teve a portaria de restrição de uso renovada depois de uma decisão do ministro e atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que determinou que todas as áreas indígenas onde vivem grupos isolados sejam protegidas por restrições de uso. 

Para o diretor da Funai Aurélio Milken, “a pressão sobre os territórios ocupados por [povos] isolados vai aumentar exponencialmente, tendo em vista a alteração climática e também o avanço das frentes de exploração, porque onde estão esses povos são os redutos derradeiros de recursos naturais”.

Quando Milken fala em recursos derradeiros não é qualquer coisa. Um levantamento do telejornal Repórter Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), mostra que dos 55 registros de povos isolados já confirmados ou em estudo, 80% estão cercados por pedidos de autorização para mineração de terras raras e minerais críticos. 

“A instituição [Funai] precisa estar fortalecida e preparada para enfrentar o aumento desses desafios”, defende. Povos isolados são grupos que sabem da existência de outros povos, indígenas ou não indígenas, e optam pelo isolamento, geralmente, em função de experiências de extrema violência. 

Indígenas isolados do Brasil. Foto: Divulgação

“Eles não aceitam uma relação permanente com o Estado brasileiro. Por várias razões, mas principalmente porque são sobreviventes de massacres, correrias, chacinas. Ou seja, o isolamento está estritamente ligado à ideia do genocídio”, explica Fábio Ribeiro. 

Por isso também, a confirmação da existência de povos isolados é um processo complexo. Como o princípio é o do não contato, essa confirmação costuma ser feita por meio de evidências como a presença de malocas, roças, ferramentas, pegadas em trilhas, avistamentos visuais e, com sorte, registro de imagens.

“É muito assimétrica a carga probatória entre você demarcar uma terra e você liberar essa terra para o empreendimento. Se de um lado, exige que a Funai quase tire uma foto ao lado dos indígenas isolados para provar [que eles existem], basta um despacho afirmando que em determinado lugar não tem indígenas isolados para essa terra [ser liberada para empreendimentos]”, explica Fábio Ribeiro. 

Saiba mais: Entenda as etapas de demarcação de terras indígenas

“Tem uma questão de experiência, de formação, que requer essa capacidade de leitura dos vestígios dos indígenas isolados e também as condições físicas para um deslocamento terrestre que é extenuante”, diz Aurélio Milken, para explicar porque o maior desafio no trabalho com povos isolados não está apenas na restrição orçamentária, mas principalmente na formação de profissionais habilitados para atividade. 

Hi Merimã – Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato. Foto: divulgação

“A gente está falando de expedições, monitoramentos, deslocamentos terrestres, por muitos dias em regime de selva, regime de floresta, sem acesso a qualquer tipo de conforto, e enfrentando as mais diversas dificuldades logísticas e também os perigos inerentes a esse tipo de atividade dentro da floresta”. 

Hoje, a Funai conta com 12 equipes de campo de frente de proteção etnoambiental. Mas segundo Aurélio Milken, nem todos os profissionais têm condições de executar atividades junto a povos isolados. 

Segundo ainda Aurélio Milken, neste momento, a Funai está no processo de contratação de 1 mil servidores temporários. A promessa é de que a maioria dos contratos será de servidores indígenas. Na primeira edição do Concurso Nacional Unificado (CNU), em 2024, foram oferecidas 502 vagas na Funai para cargos de nível médio e superior. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Radioagência Nacional, escrito por Eliane Gonçalves

Trilha Amazônia Atlântica consolida o Pará no mapa do ecoturismo brasileiro

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Foto: Divulgação

A Trilha Amazônia Atlântica conquistou, nos últimos dias, o segundo lugar no Prêmio Nacional de Turismo 2025, na categoria “Trilhas de Longo Curso como Vetores de Desenvolvimento Turístico”.

O percurso ecológico é uma iniciativa da Rede Brasileira de Trilhas, apoiada pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), e foi celebrado como um dos mais relevantes do país na promoção do ecoturismo, da conservação e da cidadania ambiental.

Leia também: Trilha Amazônia Atlântica passa a integrar Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso 

O reconhecimento foi recebido com entusiasmo pelo presidente da Rede Brasileira de Trilhas e gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio, Júlio Meyer. Ele destacou que o prêmio simboliza o esforço conjunto entre sociedade civil, governos e iniciativa privada na construção de uma rota sustentável e inclusiva.

“A premiação é um reconhecimento importantíssimo para uma iniciativa que nasce de uma rede de parcerias incrível e que competiu com trilhas de grande destaque em todo o território nacional”, afirmou.

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Presidente da Rede Brasileira de Trilhas e gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio, Júlio Meyer. Foto: Divulgação

Meyer também ressaltou que 2025 marcou a primeira vez em que trilhas de longo curso foram incluídas na premiação nacional, o que reforça a maturidade do setor e o avanço das políticas públicas voltadas ao turismo sustentável. Para ele, o destaque conquistado amplia o protagonismo do Pará na agenda do ecoturismo.

“A Trilha Amazônia Atlântica fortalece o papel do Estado no cenário brasileiro, fazendo com que o Pará seja reconhecido com o posicionamento que merece”, completou.

Referência

A rota, que se tornou uma das principais referências ambientais apresentadas na COP30, em Belém, ganhou atenção mundial ao ser oficialmente lançada diante de pesquisadores, autoridades, ambientalistas e visitantes internacionais. Com quase 460 quilômetros de extensão, ela recebeu, no último dia 14 de novembro, o título de maior percurso sinalizado da América Latina, resultado de anos de trabalho colaborativo entre comunidades tradicionais, voluntários, órgãos públicos e instituições parceiras.

A construção da trilha contou com a participação decisiva do Ideflor-Bio, responsável pela maior parte da sinalização — etapa essencial para garantir segurança a caminhantes e ciclistas e assegurar respeito à fauna e à paisagem.

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O projeto integra a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas) e prevê atrair, já no primeiro ano, mais de dez mil visitantes. Ao longo do trajeto, sete unidades de conservação são atravessadas, entre elas o Parque Estadual do Utinga e o Refúgio de Vida Silvestre Metrópole da Amazônia, além de seis territórios quilombolas que oferecem cultura, hospitalidade e modos de vida preservados.

trilha amazônia
Foto: Divulgação

Atrativos no evento Trilha Amazônia

A Amazônia que se revela no caminho vai além das florestas. A trilha atravessa municípios que conectam Belém a Viseu — passando por Ananindeua, Castanhal, Santa Izabel do Pará, Capanema, Bragança e muitos outros. Cada trecho apresenta um mosaico de paisagens naturais e modos de vida, permitindo experiências autênticas com artesãs, agricultores familiares, cozinheiras tradicionais e jovens empreendedores que encontram no ecoturismo novas oportunidades de renda e valorização cultural.

Para o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, a conquista representa um marco histórico que consolida o papel do Pará no desenvolvimento de rotas sustentáveis.

“Depois de cinco anos, inauguramos durante a COP30 a Trilha Amazônia Atlântica. Ela envolveu população, municípios, Governo Estadual e Governo Federal. Participamos da capacitação e da montagem da maior parte da sinalização, fundamental para os usuários. É uma trilha que preserva a ecologia, apoia a população local e também é peregrina: leva romeiros de Bragança a Belém no Círio de Nazaré e retorna para a festa de São Benedito. É completa e nos enche de felicidade”, celebrou.

Somando inovação ao esforço comunitário e ambiental, a plataforma digital eTrilhas, selecionada pelo EmbraturLAB, passou a integrar o projeto como ferramenta de apoio aos viajantes. Pelo aplicativo, será possível localizar hospedagens, restaurantes, serviços e empreendedores ao longo do percurso.

O acesso será facilitado por QR Codes instalados nos estabelecimentos parceiros, estimulando a circulação de renda, fortalecendo negócios locais e garantindo uma experiência ainda mais conectada e transparente para quem embarcar nessa jornada pela Amazônia paraense.

*Com informações da Agência Pará e Ideflor-Bio

Gente do Norte Empresas: saiba quem é Kilze Krauss

Kilze Krasuss. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Filha de Antônio Gomes de Araújo e Érica Krauss de Araújo, Kilze Krauss é natural de Manaus (AM) e nasceu dia 25 de dezembro de 1970.

A empresária é co-fundadora da Casa dos Espelhos, autorizada e franqueada pela marca Blindex.

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empresa cde
Casa dos Espelhos. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Origem da Empresa CDE

A CDE foi criada em 1978 pelos pais de Kilze e foi um empreendimento familiar até 2016. Na época se chamava LDE e devido à questões motivacionais dos familiares, resolveu-se separar os caminhos. Foi quando Kilze assumiu a liderança e fundou a CDE Blindex.

“Empreender na Amazônia é acreditar que temos novas possibilidades diante dos desafios”, declara Kilze.

A loja começou com apenas 12 funcionários e atualmente conta 80 colaboradores em nove anos. A estrutura da atual conta com três setores: área administrativa, área comercial e área de produção.

Leia também: Gente do Norte Empresas: saiba quem é João Gonçalves

CDE antigamente. Foto: Kilze Krauss/Acervo pessoal

Sustentabilidade

De acordo com a empresária, atualmente, todos os vidros da CDE são 100% reciclados. A iniciativa começou a partir da preocupação em reaproveitar pequenos pedaços de vidro que, até então, eram destinados ao descarte. Com esse olhar voltado à sustentabilidade, a empresa passou a estruturar processos específicos para o reaproveitamento integral do material.

Nesse contexto, surgiu a linha de produtos “Erika Glass”, criada em homenagem à sua mãe, com a produção de cantoneiras e prateleiras. Além disso, a CDE estabeleceu parceria com uma fábrica de argamassa, responsável por reaproveitar o restante do material que anteriormente seria encaminhado para o lixo.

E a CDE segue “a todo vapor” . A empresa conta em seu portfólio com soluções desenvolvidas para atender diferentes necessidades. Entre elas está o Vidro Habitat, fabricado exclusivamente pela CDE em Manaus, que se destaca pelo conforto térmico de até 70% de redução de calor e pela contribuição para ambientes mais agradáveis e protegidos, aliando tecnologia, eficiência e bem-estar.

Outro destaque é o Box Slim Blindex®, um modelo tradicional e funcional, ideal para ambientes compactos, que proporciona melhor aproveitamento de espaço sem abrir mão da segurança, da estética e da qualidade já reconhecida da marca.

Kilze Krauss é uma das convidadas do programa Gente do Norte – Empresas, do canal Amazon Sat:

Quem é María Corina Machado? Venezuelana é a escolhida do Prêmio Nobel da Paz em 2025

María Corina venceu o Prêmio Nobel da Paz em 2025. Foto: Reprodução/Instagram – @marinacorinamachado

María Corina Machado Parisca nasceu em 7 de outubro de 1967, em Caracas, na Venezuela, país que faz parte da Bacia Amazônica e por consequência, torna María uma mulher amazônida. A engenheira industrial, professora e política, é reconhecida como uma das principais líderes da oposição ao governo ditatorial venezuelano e ganhou ainda mais notoriedade após ser escolhida para receber o prêmio Nobel da Paz de 2025

A ativista é formada pela Universidade Católica Andrés Bello e com mestrado em finanças pelo Instituto de Estudos Superiores de Administração (IESA). E ela também já atuou como empresária e professora antes de se engajar na política. 

Seu comprometimento com a sociedade começou ainda jovem e se transformou em uma carreira política marcada por confrontos com o poder dominante na Venezuela

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María na política

María Corina Machado liderou a luta pela democracia diante do crescente autoritarismo na Venezuela. Ela iniciou sua jornada social com a criação da Fundação Atenea, para ajudar órfãos e crianças carentes da cidade de Caracas. Foi também presidente da Fundação Oportunidades. 

Ela fundou a Súmate, em 2002, um grupo voluntário que promove direitos políticos e fiscaliza os períodos eleitorais, em conjunto com Alejandro Plaz, que incentiva eleições livres e justas e realiza treinamentos e monitoramento eleitoral. 

Foi eleita para a Assembleia Nacional da Venezuela, com recorde de votos, no ano de 2010. O regime autoritário na Venezuela a destituiu do cargo em 2014.

Liderou o partido de oposição Vento Venezuela e, em 2017, ajudou a fundar a aliança Soy Venezuela, que une forças pró-democracia no país, transcendendo as divisões políticas.

Em 2023, ela anunciou sua candidatura à presidência nas eleições presidenciais de 2024. Quando foi impedida de concorrer, apoiou o candidato alternativo da oposição, Edmundo González Urrutia. A oposição mobilizou-se amplamente e coletou documentação sistemática que comprovava sua verdadeira vitória nas eleições. O regime declarou vitória e consolidou seu poder.

María Corina encontrando o ex-presidente dos Estados Unidos, George Bush, para discutir sobre o Súmate. Foto: Eric Draper / Wikipédia

Luta pelos direitos básicos para os venezuelanos

A engenheira estava na linha de frente das manifestações contra o regime autoritário na Venezuela em 2014. O congresso da Venezuela, em 18 de Março, solicitou uma investigação criminal de María por crimes, incluindo traição por seu envolvimento nos protestos anti-governo.

Ela respondeu às acusações legais feitas contra ela dizendo, para um jornal local: “Em uma ditadura, quanto mais fraco o regime é, maior a repressão”.

Desde seu mandato cassado, juntamente com seus eleitores, iniciaram uma marcha em 1° de abril em direção ao centro de Caracas em protesto contra a expulsão dela, quando ela tentou retornar a seu assento na Assembleia Nacional. Os manifestantes foram impedidos de sair pela Guarda Nacional, que os dispersou com gás lacrimogêneo.

María Corina em manifestação no ano de 2024. Foto: Daga95 / Wikipédia

Prêmio Nobel da Paz

María Corina recebe o Prêmio Nobel da Paz, antes de tudo, por seus esforços para promover a democracia no país venezuelano. Segundo o site oficial do Prêmio Nobel, “a democracia também está em retrocesso internacionalmente. A democracia – entendida como o direito de expressar livremente a própria opinião, de votar e de ser representado em governos eleitos – é o alicerce da paz tanto dentro dos países quanto entre eles”. 

Corina venceu o Prêmio Nobel da Paz  “por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”, de acordo com o comitê norueguês do Nobel.

A líder da oposição vive escondida na Venezuela desde seus problemas políticos com Nicolas Maduro. E, por isso, María Corina não esteve presente na cerimônia de entrega do prêmio, que foi recebido por sua filha Ana Corina Sosa Machado.

A escolhida chegou a Oslo, somente na noite do dia 10 de dezembro, após a cerimônia de entrega do Prêmio. Esta foi a primeira aparição pública da líder da oposição venezuelana em 11 meses.

“Como líder do movimento pela democracia na Venezuela, Maria Corina Machado é um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos últimos tempos”, afirmou o presidente do Comitê, Jørgen Watne Frydnes, em Oslo.

O Prêmio Nobel da Paz entregue é avaliado em 11 milhões de coroas suecas – cerca de R$ 6,2 milhões.

*Contém informações do site oficial do Prêmio Nobel e Agência Brasil

Pará reduz em 19% os casos de Doença de Chagas Aguda em 2025

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Foto: Daiane Mendonça/Secom RO

O governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), encerrou no dia 10 de dezembro, o V Encontro Estadual dos Representantes de Doença de Chagas do estado, realizado no auditório da própria Secretaria. O evento, promovido anualmente desde 2021, reuniu representantes das 13 Regionais de Saúde, gestores municipais, instituições parceiras e especialistas para discutir estratégias de prevenção, vigilância, diagnóstico e resposta ao agravo, especialmente na forma aguda transmitida por via oral, que segue como o maior desafio no Estado.

Leia também: Doença de chagas: especialista responde principais dúvidas

Ao longo de dois dias de programação, os participantes apresentaram resultados locais, debateram fluxos de investigação, ações de segurança alimentar e rastreabilidade do açaí, além de pactuarem metas e responsabilidades para 2026. A programação também contou com trilhas temáticas de Nutrição, Gestão e Ensino-Pesquisa-Assistência, além de mesas-redondas envolvendo o Ministério Público, a Vigilância Sanitária, a Adepará, pesquisadores e representantes da cadeia produtiva do açaí.

De acordo com o coordenador estadual de Doença de Chagas, Éder Amaral, o estado apresentou avanços importantes ao longo do ano.

“Em 2025, registramos uma redução de 19% nos casos de Doença de Chagas Aguda por transmissão oral, com diminuição também em números absolutos. Esse resultado está diretamente ligado ao aumento da suspeição clínica pelos profissionais de saúde, aos fluxos aprimorados de diagnóstico e à garantia de tratamento para 100% dos pacientes com resultado positivo”, destacou.

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Pará reduz em 19% os casos de Doença de Chagas Aguda em 2025
Foto: Divulgação/Sespa

Ele lembrou ainda que houve ampliação do número de batedeiras licenciadas e treinadas para realizar corretamente o branqueamento do fruto, etapa essencial de prevenção contra a contaminação.

Pará segue em alerta

Mesmo com os avanços, Éder reforçou que o Estado continua em alerta permanente.

“O Pará segue como o Estado da Amazônia com maior número de episódios de Doença de Chagas Aguda, predominantemente relacionados à ingestão de alimentos contaminados, como o açaí. Nosso papel é fortalecer continuamente a vigilância e assegurar que municípios, produtores, órgãos de fiscalização e serviços de saúde atuem de forma integrada”, afirmou.

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Entre os destaques de 2025, a Sespa consolidou ações técnicas e operacionais, como a realização de seminários e capacitações regionais, atualização de materiais orientadores e missões em diversos municípios, fortalecendo o trabalho territorial de prevenção, vigilância e resposta ao agravo.

Com foco no planejamento para 2026, o encontro encerrou com pactuações voltadas ao fortalecimento das ações de base territorial. “Nossa prioridade é reduzir os surtos domiciliares, especialmente nas comunidades ribeirinhas, por meio da educação em saúde, treinamento dos batedores de açaí domésticos, melhoria da notificação ativa e do fluxo de envio das amostras para investigação. Saímos deste encontro com compromissos escritos e operacionais, cronogramas definidos e uma agenda de capacitações que vai permitir avançar ainda mais no próximo ano”, afirmou Éder Amaral.

As prioridades pactuadas incluem: intensificar a fiscalização sanitária e o cumprimento das boas práticas de processamento do açaí; fortalecer ações intersetoriais envolvendo vigilância, Adepará e setores agrário e ambiental; aprimorar a resposta rápida a surtos; e ampliar estratégias de comunicação comunitária para prevenção da transmissão oral.

O V Encontro Estadual dos Representantes de Doença de Chagas concluiu mais um ciclo de integração entre Estado e municípios, reafirmando o compromisso da Sespa em aprimorar continuamente as estratégias de prevenção, vigilância e controle do agravo em todo o território do estado.

*Com informações da Agência Pará

Livro ‘O Tabelião e o Ministro’ resgata a história da família Coelho na Amazônia

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Livro narra a saga da Família Coelho, presente na região do Vale do Rio Madeira — no sul do Estado do Amazonas, atual divisa com Rondônia — desde o século 19. Foto: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Nesta sexta-feira (12/12), a cidade de Porto Velho (RO) foi palco de um evento cultural de grande relevância, com o lançamento do livro “O tabelião e o ministro”, de autoria do escritor Júlio Olivar. O evento foi organizado pela Emeron (Escola da Magistratura de Rondônia), que idealizou e editou o livro, distribuído gratuitamente — impresso e em formato digital.

O evento, realizado no Museu da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, um local icônico da história da capital rondoniense, reuniu autoridades, personalidades, estudantes, imprensa e amantes da historiografia regional. O presidente da Emeron, desembargador Alexandre Miguel, que fez a apresentação do livro sobre a família Coelho, foi o primeiro a se pronunciar, enaltecendo o papel da entidade que mantém projetos editoriais e o Centro Cultural e de Memória.

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O livro, que narra a saga da Família Coelho, presente na região do Vale do Rio Madeira — no sul do Estado do Amazonas, atual divisa com Rondônia — desde o século 19, é um tributo à memória do tabelião Francisco Plínio Coelho, avô do ministro do STJ, Raul Araújo, e pioneiro em Humaitá que presenciou o surgimento da cidade de Porto Velho. Entre os membros da família Coelho, destacou-se o ex-governador do Amazonas Plínio Coelho, que foi uma das maiores lideranças do Norte do país entre as décadas de 1950 e 1980.

Durante o cerimonial, o autor entregou simbolicamente um exemplar da primeira edição do livro sobre a família Coelho ao ministro Raul Araújo, que se mostrou emocionado com a homenagem e falou em nome de sua família. As presenças do ministro e outras autoridades, incluindo o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, o presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia, Raduan Miguel, e o presidente da Academia Rondoniense de Letras, Diego Vasconcelos, deram um tom de importância ao evento.

Livro O Tabelião e o Ministro sendo entregue a membro da família Coelho. Foto: Divulgação

A manhã de autógrafos foi um sucesso, com a presença de pessoas de várias faixas etárias e personalidades que apreciam a historiografia regional. Além disso, os convidados tiveram a oportunidade de fazer um passeio na maria-fumaça, um charme que remete ao passado ferroviário da cidade.

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Foto: Divulgação

O lançamento de “O tabelião e o ministro” é um exemplo de como a cultura e a história podem ser celebradas de forma criativa e envolvente. O livro sobre a família Coelhoestá disponível gratuitamente para download no link: https://emeron.tjro.jus.br/images/Ebooks/O_Tabeliao_e_o_Magistrado_09_10.pdf; é uma leitura obrigatória para todos aqueles que se interessam pela história de Rondônia, da Amazônia e do Brasil.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Novo acordo visa agilizar esforços de proteção da floresta amazônica

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Anta é um dos animais encontrados na Amazônia. Foto: Zoológico FollyFarm

A Declaração de Mamirauá é um “compromisso unificado para proteger a inigualável biodiversidade e patrimônio cultural da Amazônia”. Trinta organizações de todo o mundo assinaram o acordo em um evento que ocorreu durante a cúpula. O Instituto Mamirauá, a Universidade Politécnica da Catalunha e a Fundação XPRIZE lideraram os esforços para coordenar e promover a declaração que ajuda a floresta amazônica.

“A declaração é um chamado para reunir governos, ONGs, povos indígenas, comunidades locais e o setor privado para medir o pulso da floresta”, disse Emiliano Ramalho, diretor técnico-científico do Instituto Mamirauá, à Mongabay. “Olhando de cima, é possível dizer que a floresta está ali, mas para ver se ela está pulsando ou não, é preciso ir até lá e monitorar, e essa é a ideia-chave da declaração”.

Sob uma estrutura unificada, a declaração tem como objetivo reunir iniciativas de longo prazo, porém dispersas, que vêm monitorando a floresta amazônica há anos. Um de seus maiores destaques é a participação ativa de povos indígenas e de comunidades locais nos esforços de monitoramento. A declaração também pede mais capacitação nos países que compõem a Bacia Amazônica.

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Novo acordo visa agilizar esforços de proteção da floresta amazônica
A declaração foi assinada por trinta organizações de todo o mundo para agilizar o monitoramento da biodiversidade na Floresta Amazônica. Foto: Fundação XPRIZE

“Normalmente, são instituições do Norte Global obtendo dados do Sul Global e analisando esses dados”, disse Ramalho. “Precisamos promover a análise de dados realizada localmente e a construção de infraestrutura local em parceria com organizações de base comunitária e instituições nacionais de pesquisa”.

Embora o mecanismo da estrutura tenha sido desenvolvido nos últimos meses, sua base está em um projeto transfronteiriço e interdisciplinar que instalou sensores no Brasil, no Peru e na Bolívia para monitorar a biodiversidade por meio da coleta de imagens, áudio e outros dados ambientais. O The Providence Project foi um dos seis finalistas da XPRIZE Rainforest Competition, um concurso de US$ 10 milhões para identificar tecnologias que poderiam automatizar o monitoramento de florestas tropicais. A competição, que durou cinco anos, foi concluída no ano passado.

Mudanças no clima da floresta tropical: qual o impacto na Amazônia Legal?
Floresta Amazônica. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

“Isso nos permitiu integrar técnicas complementares à nossa própria abordagem”, disse Michel André, diretor do Laboratório de Bioacústica Aplicada da Universidade Politécnica da Catalunha (UPC-BarcelonaTech), à Mongabay.

“Nosso trabalho de monitoramento da biodiversidade em longo prazo em Mamirauá [Reserva de Desenvolvimento Sustentável localizada no Amazonas] reforçou a convicção de que poderíamos ampliar esse modelo e promovê-lo como uma estrutura unificada para enfrentar os desafios que a floresta amazônica enfrenta”.

A declaração, que está aberta à adesão de outras organizações de todo o mundo, será implementada em três fases. A primeira é compreender a governança dos esforços existentes. “Agora precisamos construir a estrutura operacional, um passo que levará de um a dois anos para ser concluído”, disse André.

Em seguida, haverá sua implementação em níveis nacionais, depois da qual será implementada de forma simplificada em toda a Amazônia.

Desafios a serem enfrentados para proteger a floresta amazônica

Pôr do sol na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas. Foto: Odjair Nascimento Baena via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

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Por um lado, captar recursos suficientes para fazer isso em larga escala não é uma tarefa fácil. Também será necessário o esforço para fazer com que os países trabalhem de forma coordenada. “Estamos falando de muita diplomacia e multilateralismo”, disse Ramalho. “Portanto, um dos desafios é fazer com que todos estejam na mesma página”.

Tanto Ramalho quanto André, porém, expressaram esperança de que tudo se concretize nos próximos anos.

Daqui a cinco anos, “espero mostrar a você uma plataforma onde você poderá ver qualquer informação que quiser sobre a biodiversidade na Amazônia”, disse Ramalho. “E saber o que está acontecendo sob o dossel em tempo real”.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Abhishyant Kidangoor e editado por Xavier Bartaburu