Mesmo já tendo superado a marca de 500 mercados internacionais abertos para alimentos nacionais, o governo brasileiro segue investindo na diversificação de destinos para esses produtos. A mais nova habilitação foi oficializada pelo Serviço Nacional de Sanidade Agrária do Peru (Senasa), que liberou 36 novas unidades brasileiras para exportação de material genético.
Do total, 31 são voltadas à genética de aves e cinco ao material genético bovino. Com as novas habilitações, o setor avícola dobra o número de estabelecimentos autorizados a exportar para o Peru. No segmento de material genético bovino, a inclusão de cinco unidades representa um aumento de 83% na lista de estabelecimentos aptos, com foco no atendimento à pecuária de corte e de leite.
Além das novas inclusões, a autoridade peruana estendeu até o fim de 2028 as licenças de exportação de todos os estabelecimentos do segmento que já operavam no país. A medida visa conferir maior previsibilidade às operações comerciais entre os dois países.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) do Brasil, a decisão do Senasa foi tomada com base em critérios técnicos e reforça o reconhecimento do controle sanitário e das medidas de biosseguridade adotadas pelo Brasil na produção e exportação de material genético animal.
No último ano, o vizinho latino-americano importou mais de US$729 milhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para produtos florestais, carnes, cereais, farinhas e preparações.
Dentre os 12 países da América do Sul, o Peru é sexto maior comprador dos produtos do agronegócio brasileiro.
Foto: Gabriel Resende/Embrapa
Material genético
Dos 525 novos mercados abertos para itens agropecuários brasileiros desde 2023, 79 foram para material genético animal. A subcategoria é a segunda com maior fatia na iniciativa, com 15% do total, atrás apenas de proteínas animais, de acordo com o painel interativo do Mapa, que contabiliza a operação.
Quase metade dessas autorizações foram para material genético de bovinos e bubalinos. As informações orgânicas de aves (18), ovinos (9) e caprinos (8), aparecem na sequência.
Jogo ajuda na aprendizagem dos conceitos da termoquímica. Foto: Divulgação/Acervo pessoal
Professor e alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Estadual Padre Seixas, localizada no munícípio de Barreirinha, no Amazonas, decidiram inovar no ensino e aprendizagem dos conceitos da termoquímica. Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), o grupo criou o jogo de tabuleiro ‘Caminho termoquímico’.
O jogo didático contém um trajeto dividido em 30 casas numeradas, além de mais duas casas indicando o início e o fim do percurso. As regras são simplificadas, o que incentiva o processo educativo com conceitos-chave relacionados ao conteúdo de termoquímica, que estuda as trocas de calor (energia térmica) em reações químicas e transformações físicas.
“A aplicação do projeto propiciou o desenvolvimento da criatividade e do processo de ensino e aprendizagem de maneira natural e prazerosa. Essa estratégia pedagógica demonstrou ser um recurso motivador, e permitiu o desenvolvimento de várias competências”, explicou o coordenador, Evaldo Valente Belo.
O projeto, chamado “Caminho termoquímico: Proposta de jogo didático para trabalhar a Termoquímica em turmas da Educação de Jovens e Adultos”, realizado no âmbito do Programa Ciência na Escola (PCE), edital n° 002/2024, foi desenvolvido por 18 alunos na faixa etária de 18 a 62 anos e coordenado pelo professor da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar, Evaldo de Jesus Valente Belo.
No tabuleiro, cada casa é representada por placas igualmente numeradas, além disso cada placa possui uma pergunta. No total são 34 perguntas divididas em: cartas azuis (carta pergunta), cartas vermelhas (volte uma casa) e cartas verdes (carta-da-sorte), além de duas cartas amarelas que simbolizam a saída e a chegada.
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal Evaldo de Jesus Valente Belo
A construção, o estudo e a aplicação do jogo foram praticadas em oito aulas de 40 minutos, que totalizaram oito semanas. Após a conclusão do jogo, foram realizados momentos de debates com os alunos, no qual eles conversaram sobre a compreensão do conteúdo abordado, relacionando-o às aulas expositivas e lúdicas.
O professor aponta que a dificuldade de aprendizagem está, muitas vezes, relacionada ao distanciamento entre os conceitos químicos e a realidade social dos alunos. A expectativa, a longo prazo, é de que as atividades teóricas com práticas lúdicas tornem o processo de aprendizagem mais dinâmico e significativo.
“Acreditamos que a aplicação do jogo nas aulas de Química será uma excelente ferramenta pedagógica para proporcionar aos educandos maior assimilação do conteúdo de termoquímica, sendo uma boa estratégia de auxílio para o ensino”, destacou o coordenador.
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal Evaldo de Jesus Valente Belo
Ao transformar conceitos abstratos em experiências interativas, o jogo contribui para uma maior assimilação do conteúdo, estimula a participação ativa dos educandos e fortalece o processo de ensino-aprendizagem, aproximando o conhecimento científico do cotidiano dos estudantes e promovendo uma educação inclusiva e transformadora.
Apoio da Fapeam
Para o coordenador, o PCE incentiva a formação de futuros cientistas e a popularização da ciência no interior do Amazonas, e o apoio da Fapeam é fundamental para a ampliação desse conhecimento.
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal Evaldo de Jesus Valente Belo
“A Fundação impulsiona o desenvolvimento de projetos de iniciação científica, inovação tecnológica e artísticos na educação básica. Sua fundamental importância está na promoção do avanço do conhecimento e na formação de professores e alunos, impactando positivamente na qualidade do ensino e na divulgação do conhecimento científico produzido no ambiente escolar”, explicou Evaldo Valente Belo.
Programa Ciência na Escola
O Programa Ciência na Escola (PCE) é direcionado à participação de professores e estudantes de escolas públicas estaduais do Amazonas e municipais de Manaus e Tefé em projetos de pesquisa científica e de inovação tecnológica a serem desenvolvidos nas escolas. O PCE apoia a participação de estudantes do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental e da 1ª à 3ª série do Ensino Médio, incluindo modalidades como educação de jovens e adultos, educação escolar indígena, atendimento educacional específico e Projeto Avançar.
Na Amazônia, o encontro com uma onça-pintada ou parda pode ser mais comum do que a maior parte das pessoas imagina. O grupo liderado pelo professor Rogério Fonseca, no âmbito da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Amazonas (FCA/UFAM), nasceu em 2017 com a missão de produzir conhecimento científico e promover educação ambiental sobre esses animais.
Concretizada por meio do Laboratório de Interações Fauna e Floresta (LaIFF), a atuação dos pesquisadores e extensionistas inclui hoje colaborações interinstitucionais, ações de educação ambiental junto a comunidades locais, presença nas redes digitais e outras estratégias de visibilidade.
Segundo esclarece o docente da Ufam, ainda que tenha sido criado há menos de uma década, o LaIFF acabou incorporando projetos de extensão que já estavam em andamento desde 2008, como o Projeto Amigos da Onça e o Observatório de Imprensa, Avistamento e Ataques de Onças (OIAA Onça), que monitora ataques de onças. Essas atividades de extensão levam a pesquisa muito além dos muros da Universidade.
O embrião desse projeto surgiu na região Sul do estado, onde já existem informações mais abrangentes sobre o manejo e o controle de danos causados por onças em áreas de criação de animais de produção, especialmente gado e galinhas, mas também outras aves. Essas áreas incluem, além do Sul do Amazonas, eixos rodoviários como a BR-319 e a BR-230.
Enquanto o Projeto Amigos da Onça tem o objetivo de educar os produtores rurais sobre o manejo e controle de danos no intuito de reduzir o conflito entre as onças e os animais de produção, o OIAA Onça se caracteriza por ser o único grupo de pesquisa no Brasil que, desde 2008, monitora e analisa ataques de onças, incluindo aqueles envolvendo humanos. “No LaIFF, já existem muitas pesquisas consolidadas sobre ataques de onças”, destaca o professor Rogério Fonseca ao elencar as duas iniciativas mais conhecidas pelo público.
“Hoje o nosso trabalho tem várias frentes, sendo a principal delas o observatório ‘OIAA Onça’. Nós monitoramos a imprensa globalmente, acompanhando qualquer menção a onças, incluindo onça-parda, onça-pintada, jaguatirica, gato-maracajá, gato-do-mato e gato-do-mato-pequeno. Estamos cientes de que essas discussões ocorrem não apenas no Brasil, mas também em outros países, e participamos ativamente de várias redes de colaboração com pesquisadores do mundo todo, incluindo zoológicos internacionais. A colaboração nos permite trocar experiências e aprender, visto que os conflitos entre os grandes felinos e humanos são um desafio global”, detalha o líder do grupo.
O professor Rogério Fonseca explica que o Projeto Amigos da Onça atua diretamente com os produtores rurais para compartilhar técnicas de manejo que protejam o gado e as galinhas, reduzindo os prejuízos e a necessidade de abater os felinos após eventual ataque. “Uma vez que fornecemos informações, eles se tornam os principais divulgadores do conhecimento da Universidade no campo”, afirma ele.
Integrantes do projeto ajudam em educação ambiental. Foto: Divulgação / Ufam
O LaIFF monitora a distribuição das onças-pintadas em toda a cobertura do solo brasileiro, ou seja, consegue cobrir 5.568 municípios. Entre os achados, o grupo observa a presença crescente de onças-pardas em áreas urbanas. Uma das pesquisas é uma tese de doutoramento cuja proposta central é compreender os habitats das onças-pintadas e identificar o principal elemento paisagístico que elas utilizam, que pode ser área de floresta, uma área de preservação ambiental, uma reserva legal, monocultura, um sistema agroflorestal ou de silvicultura pastoril. As técnicas empregadas na investigação incluem a realização de entrevistas com moradores locais em todo o País e ainda a comparação entre os relatos dessas pessoas e as notícias publicadas pela imprensa.
O trabalho ganha força em regiões críticas, como no sul do Amazonas e ainda nos eixos da BR-319, rodovia federal de 885 quilômetros que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), e da BR-230, conhecida como Transamazônica, com aproximadamente 4.260 quilômetros de extensão entre as cidades de Cabedelo (PB) e Lábrea (AM).
O pesquisador explica que, em municípios como Humaitá, Manicoré e Lábrea, a incidência de ataques de onças à fauna doméstica é alta, o que muitas vezes gera um sentimento de vingança por parte dos proprietários em relação à espécie nativa.
No Amazonas, os municípios com as principais ocorrências estão concentrados na porção mais ao Sul do estado, ao longo do eixo rodoviário da BR-230, no trecho que vai de Humaitá até a cidade de Lábrea, passando por Manicoré.
“No Brasil, a maior concentração de ocorrências é na Amazônia Legal, como em algumas regiões da Amazônia brasileira que têm o pulso de inundação. Nessas áreas, as onças coexistem com gado e humanos, e ocasionalmente ocorrem conflitos. Os dois principais biomas onde temos ocorrências divulgadas pela imprensa são o Pantanal e a Amazônia”, esclarece o coordenador do LaIFF.
Em relação ao Cerrado brasileiro, o pesquisador afirma que, apesar de ser rico em biodiversidade, o bioma enfrenta uma redução drástica na população de onças-pintadas. Isso se deve sobretudo à conversão da vegetação nativa em áreas para agricultura e pecuária como resposta à pressão internacional pelo incremento da produção de alimentos.
“A opção por converter a floresta de savana, adaptada para a convivência com animais silvestres, em plantios de monocultura, como a soja, impacta diretamente o habitat das onças. Essa prática resulta no confinamento das onças em unidades de conservação, áreas de preservação permanente ou nas reservas legais, localizadas sobretudo nas grandes propriedades rurais”, completa o professor.
“Pescando onça”
Foto: Divulgação / Ufam
Na Amazônia, o monitoramento não se limita à floresta: o laboratório utiliza dados da imprensa global e relatos recebidos via WhatsApp e Telegram para mapear a presença desses animais também na área urbana. Nesses anos todos de dedicação ao estudo das onças-pintadas, um dos marcos históricos a darem mais visibilidade ao trabalho do grupo foi o que Rogério Fonseca batizou como a primeira “pesca de uma onça-pintada” no mundo, ocorrida no Rio Negro, num local próximo da ponte que liga as cidades de Manaus e Iranduba.
O trabalho de resgate se desenrolou no âmbito de uma operação logística envolvendo diversos órgãos de segurança pública e de proteção ambiental, os quais contaram com a expertise dos pesquisadores e extensionistas da Universidade.
“A ocorrência da onça-pintada do Rio Negro teve início quando um cidadão avistou o felino no rio e acionou a Polícia Militar pelo 190. A PM, por sua vez, acionou o Batalhão Ambiental, que entrou em contato com a Ufam. Vale ressaltar a participação da Polícia Rodoviária Federal e dos Corpos de Bombeiros Militares na ocorrência. Essas instituições atuam diretamente em contato com a população e desempenham um papel fundamental na conservação ambiental. O Batalhão Ambiental providenciou logística para que os nossos equipamentos chegassem junto com a Secretaria de Estado de Proteção Animal. Por meio de seu pelotão fluvial do Comando de Policiamento Ambiental, o Batalhão realizou a pesca”, relata o especialista no tema das onças-pintadas.
Educação ambiental
O foco principal das ações é a parcela mais jovem da população. Os extensionistas têm a compreensão de que os principais agentes de mudança, quando se trata da aquisição de hábitos intra e interfamiliares, concentram-se nas faixas etárias iniciais.
“A Amazônia permanece em pé porque o povo amazônico tem opções alimentares diferentes do resto do Brasil. […] Acreditamos que pescar por seis meses e caçar por seis meses nos permite interagir com a fauna de forma sustentável, promovendo a interação entre a fauna e a floresta que tanto enfatizamos”, sustenta o pesquisador, segundo o qual a difusão do conhecimento científico no ambiente escolar é uma importante frente de atuação dos pesquisadores. “É o povo que reduz as emissões, evita o desmatamento e promove o manejo integrado entre floresta e fauna, e vice-versa”, enfatiza.
Foto: Divulgação / Ufam
Para o professor Rogério Fonseca, a conservação da floresta deve ser compreendida a partir de uma ligação com a própria identidade do povo amazônico, que historicamente interage com a fauna regional de forma sustentável. “Nosso objetivo é fazer com que a realidade da Amazônia se torne a identidade dessas pessoas com as quais estamos compartilhando informações úteis e indispensáveis por meio da educação ambiental”, frisa o docente da Ufam a respeito das ações realizadas junto aos comunitários. Os projetos comportam iniciativas voltadas aos produtos rurais e à sociedade como um todo.
Do ponto de vista institucional, podem atuar nos projetos estudantes de todos os cursos da Ufam – da Medicina até as formações em Ciências Humanas. O enfoque aqui é no aspecto abrangente e acolhedor, com potencial de reforçar a ideia básica de que a proteção da biodiversidade é uma missão plural e universal, e não só de ativistas ambientais.
Tecnologia aplicada
A sociedade pode colaborar diretamente com as pesquisas através do aplicativo OIAA Onça. A ferramenta permite registrar avistamentos e ocorrências, ajudando a alimentar um banco de dados nacional que orienta políticas de preservação e segurança. Para conhecer o histórico completo das ações e entender como o projeto evoluiu de uma iniciativa no sul do Amazonas para uma rede de colaboração global, acesse: oiaaonca.ufam.edu.br.
‘Consagrada Cunhã’ é o nome da toada que homenageia Marciele Albuquerque. Foto: Reprodução / Boi Caprichoso
O Boi-bumbá Caprichoso, do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, lançou a nova toada da sua cunhã-poranga, que agora é participante do Big Brother Brasil (BBB 26), Marciele Albuquerque. A toada para o Festival de Parintins este ano, ‘Consagrada Cunhã’, foi lançada no dia 19 e a música já está disponível nas plataformas digitais e nas redes sociais oficiais do boi azul e branco.
A toada exalta a força, a beleza e a ancestralidade da cunhã-poranga, item 9 e uma das principais personagens do espetáculo apresentado pelos bois Caprichoso e Garantido na disputa realizada no Bumbódromo de Parintins. Marciele Albuquerque ocupa o posto desde 2019 e é um dos destaques entre os itens femininos do boi.
‘Consagrada Cunhã’ é assinada pelos compositores Roberto Jr., Luiz Carlos, Victória Maciel, Flaécio Pereira e Nis dos Anjos. A produção musical ficou por conta de Adriano Aguiar, Neil Armstrong, Pelado Júnior e Patrick Araújo.
O lançamento, segundo a agremiação, marca mais um passo da nação azul e branca na divulgação do projeto artístico para 2026, reforçando a identidade cultural e indígena que norteia o espetáculo do boi-bumbá azul.
Boi Caprichoso no Festival de Parintins. Foto: Alex Pazuello/Secom AM
Cunhã-Poranga: conheça o item 9 do Boi Caprichoso
Marciele Albuquerque é a Cunhã-Poranga do Boi Caprichoso. Definida como moça bonita, sacerdotisa, guerreira e guardiã, a Cunhã-Poranga representa a mulher mais bela da aldeia. A personagem simboliza a mulher indígena forte, guerreira e conectada à natureza, sendo expressão de beleza, coragem e espiritualidade.
Marciele, a cunhã-poranga do Boi Caprichoso. Foto: Arthur Castro / Secom AM
Durante as apresentações no Festival de Parintins, a Cunhã-Poranga encanta o público com dança intensa, força corporal e expressividade cênica, sempre acompanhada de narrativas que exaltam a cultura indígena. Sua presença no espetáculo reforça o protagonismo dos povos originários e a valorização da identidade indígena amazônica.
Marciele é indígena do povo Munduruku e natural de Juruti, no Pará, trazendo para a arena uma vivência diretamente ligada à ancestralidade que representa.
Público feminino, da Zona Leste de Manaus, consegue direito de cinema. Foto: Divulgação
O projeto Cine Cunhantã realizou, entre os dias 12 e 17 de janeiro, a sua primeira oficina de cinema, reunindo 20 alunas em situação de acolhimento institucional. Durante o período, as participantes vivenciaram um processo formativo artístico e educativo que resultou na produção de quatro curtas-metragens, desenvolvidos a partir de suas vivências, reflexões e direitos.
A oficina proporcionou às meninas o contato com todas as etapas do fazer cinematográfico, incluindo criação de histórias, roteiro, filmagem com celular e edição, estimulando o protagonismo, a expressão e a construção de narrativas próprias.
O cinema foi apresentado como uma ferramenta de escuta, fortalecimento e transformação social, respeitando as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Como parte da metodologia do projeto, também foi realizada uma formação sobre direitos e deveres com base no ECA, conduzida pela assistente social Ana Paula Angiole.
A atividade serviu como embasamento conceitual para o desenvolvimento dos roteiros, contribuindo para que as meninas refletissem sobre temas como proteção, dignidade, convivência familiar, educação e cidadania, incorporando esses conteúdos às narrativas audiovisuais produzidas.
Meninas participam de oficinas de cinema. Foto: Divulgação
Para a diretora da instituição, Irmã Liliana Daou, o impacto do projeto é profundo e contínuo:
“O Cine Cunhantã é uma experiência muito significativa para nossas meninas, pois fortalece a autoestima, incentiva a expressão e contribui para que elas reconheçam seus direitos. É um projeto que dialoga diretamente com o processo de formação humana e emocional dentro da instituição”.
A idealizadora e gestora do projeto, Keylla Gomes, destaca o caráter formativo e transformador da iniciativa: “O Cine Cunhantã nasce do desejo de oferecer às meninas um espaço seguro de criação e escuta. Ver essas jovens transformando suas histórias em cinema reafirma o poder da arte como ferramenta de cuidado, empoderamento e construção de futuro”.
O projeto terá continuidade com a segunda e última oficina, prevista para o mês de fevereiro, que será realizada na escola da instituição, ampliando o alcance da ação ao envolver também alunas da comunidade do entorno, localizada no bairro São José, Zona Leste de Manaus.
Ao final das oficinas, será realizada uma mostra presencial dos curtas-metragens, seguida de uma roda de conversa com a rede de proteção à criança e ao adolescente, composta por representantes do Conselho Tutelar, Defensoria Pública, organizações da sociedade civil e profissionais da psicologia. O momento será dedicado ao diálogo sobre direitos, prevenção de violências e fortalecimento das redes de apoio, promovendo escuta, orientação e articulação entre as instituições e a comunidade.
Cinema é um direito. Foto: Divulgação
Cine Cunhantã
O projeto é realizado por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, através do Fundo Estadual de Cultura, CONEC – Conselho Estadual de Cultura do Amazonas, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, Governo do Amazonas, Sistema Nacional de Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Conta com o Apoio Institucional da Casa Mamãe Margarida, Ykamiabas Produções, MK Produções, Movimento das Mulheres Negras da Floresta – DANDARA, Audiovisual Mendes e Feitoza Mídias.
O Desembargador Mário Sílvio Cordeiro de Verçosa foi o Sereníssimo Grão-mestre que mais tempo ficou com malhete de comando. Em 15 anos conseguiu transformar a GLOMAM em uma referência de potência nacional, a partir da tradição, disciplina, cultura e hierarquia. Foi iniciado maçonicamente na Grande Benemérita Loja Simbólica Conciliação Amazonense n° 3, em 3 de maio de 1947.
Sua obra ‘Registros Maçônicos’ é um clássico, que serve de farol para todos que desejam entender os mistérios da maçonaria amazonense. Participou da delegação da Grande Loja do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, a época em diversas mesas redondas da Maçonaria Simbólica Regular do Brasil, começando por aquela que aconteceu em Manaus em 1961.
Presidiu a 3.ª Assembleia Geral da Confederação da Maçonaria Simbólica Regular do Brasil, que aconteceu em Manaus em 1969. Neste período era o Sereníssimo Grão-mestre que promulgou a Constituição Maçônica, que norteou as diretrizes do Poder Judiciário da GLOMAM. Seu eminente Grão-mestre Adjunto no período foi o irmão Manoel Ribeiro.
Mário Sílvio Cordeiro de Verçosa era filho de Edmée Cordeiro de Verçosa e João Batista de Verçosa. O Desembargador integra um das famílias mais tradicionais da terra do guaraná. Seu pai, João Verçosa, foi prefeito do Município de Maués e ao falecer em 1937 era deputado da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, ocupando sua presidência.
Foi casado com dona Maria de Nazaré Freire de Verçosa, com quem teve os filhos Tanamara, Thales, Tener, Themis e Telma, todos titulados em nível superior.
Embora nascido em Manaus, o Desembargador gostava de declarar-se oriundo de Maués, origem de seu pai, onde nasceram seus dois irmãos mais jovens e onde vivera antes de sua infância. Ingressou na magistratura no dia 8 de junho de 1951, como décimo nono suplente de Juiz de Direito da Comarca de Humaitá.
Em 1956 foi promovido para a capital, onde ocupou como titular a Primeira e a Sexta Vara. Promovido a desembargador, tomou posse nesse cargo no dia 4 de agosto de 1959. No Tribunal de Justiça desempenhou os cargos de Corregedor Geral da Justiça, Presidente da Câmara Cível, Presidente da Câmara Criminal, Presidente das Câmaras Reunidas, Presidente do Conselho da Magistratura, Vice-presidente do Tribunal e presidente do referido tribunal em 1965.
Em 1979 foi decano do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, além de integrar todos os clubes da sociedade manauara. Foi Presidente do Atlético Rio Negro Clube, onde se notabilizara como um dos mais atuantes dirigentes, realizando fecunda administração, comparável as de seu tio, o saudoso jornalista Aristophano Antony, que por muitos anos dirigira sob aplausos gerais aquela agremiação da Praça da Saudade.
Teve papel destacado na Maçonaria onde pontificou seu Grão-mestrado. Em outra ocasião foi elevado ao Grau 33. Foi membro fundador das grandes lojas dos estados do Acre e de Roraima, além de ter assumido como membro fundador e ex-presidente da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil. Em sua atividade literária, integrou na Academia Amazonense Maçônica de Letras, onde ajudou a fundar. Foi membro proeminente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, assim como da Academia Amazonense de Letras onde ingressou no ano de 1989.
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
Pesquisadoras de Universidades federais do Pará e do Sul e Sudeste do Pará e de outras instituições, autores no Dossiê“Direitos ‘sequestrados’ aos povos indígenas”, publicado no Boletim de Ciências MPEG de Ciências Humanas Vol. 20 nº 3, lançado em dezembro de 2025, protagonizaram evento inédito na história da revista científica do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Elas entregaram exemplares do Dossiê a lideranças dos povos indígenas Aikewara e Gavião, nas respectivas aldeias, no sudeste do estado do Pará. A entrega do material impresso ocorreu nos dias 9 e 11 de janeiro.
Numa iniciativa comprometida com esses povos, fizeram a chamada “Devolução” em que os pesquisadores reconhecem a produção do conhecimento compartilhado pelos povos originários e entregam a eles o conteúdo produzido conjuntamente.
Como parte do projeto de pesquisa e extensão “Nossa Escola, nossos traços”, coordenado pela antropóloga Luiza Mastop, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Estado do Pará (Unifesspa), em parceria com o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), e Universidade Federal do Pará (UFPA), pesquisadoras estiveram, no dia 9 de janeiro, à Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Indígena Sawarapy Suruí, na Aldeia Sororó, município de Brejo Grande do Araguaia.
Em mesa de diálogos com a participação de lideranças do povo Aikewara, pesquisadoras e pesquisadores indígenas e não indígenas participaram o cacique Maira Surui; o vice-cacique Mahu Surui; o ancião/guerreiro Miho Surui; o diretor da escola, Sawarapi Surui; a historiadora Mirtes Manaças (MPPA); e as antropólogas Jane Beltrão (UFPA) e Luiza Mastop (Unifesspa).
Foto: Reprodução/Unifesspa
Miho Surui representou Arihera Surui, porque adoentada não pôde participar do evento. Arihera e Luiza Mastop são autoras do artigo “Construindo memórias com Arihera: educação e identidade aikewara em foco”.
Na aldeia Sororó, foi providenciada a entrega de uma cópia impressa do Dossiê para a biblioteca da escola Sawarapy Surui e uma cópia para Arihera.
Da esquerda para a direita, os convidados para a mesa de diálogos: Mirtes Manaças (MPPA); Sawarapi Surui (Diretor da escola); cacique Maira Surui; vice-cacique Mahu Surui; Miho Surui (representando Arihera) e Jane Beltrão (UFPA). A professora Jane explica sobre o Dossiê e em seguida entrega uma cópia para o diretor da escola.
“A pesquisa científica é feita com muitas mãos, e, então, essa iniciativa de levar até as comunidades indígenas a publicação que tem como foco os saberes ancestrais delas e ainda a necessidade de serem preservados os seus direitos como cidadãos brasileiros, povos originários do Brasil, mostra-se significativa. É uma forma de continuar compartilhando conhecimentos e assim valorizar a cultura desses povos, algo fundamental na Amazônia”, destacou a professora Jane Beltrão.
A cópia do Dossiê para Arihera foi feita na casa dela pela coautora do artigo, Luiza Mastop.
Como disse Luiza Mastop: “O Dossiê cumpre um importante papel político e epistemológico: o de fortalecer a luta e a resistência dos povos indígenas no Brasil; expressar a autonomia e o protagonismo deles em relação à produção de conhecimento intercultural, em que conhecimento científico e conhecimento tradicional têm o mesmo valor”.
Jane e outros pesquisadores assinam no Dossiê dois artigos: ‘Direitos ‘sequestrados’ aos povos tradicionais: possibilidades de compreensão” e “Territórios indígenas, conhecimentos tradicionais e sustentabilidade nas Amazônias”.
Na Aldeia Akrãtikatêjê, o Dossiê “Direitos ‘sequestrados’ aos povos indígenas” foi repassado à Kátia Tônkyre (Kátia Silene Valdenilson), a primeira mulher cacica em uma aldeia dos Gavião, na Reserva Indígena Mãe Maria, na região de Marabá, sudeste do Pará. Ela é a protagonista do artigo “Kátia Tônkyre, a guerreira que se forjou na luta” em forma de ensaio fotográfico assinado pelo pesquisador indígena José Ubiratan Sompré (UFPA).
Após receber a cópia impressa do Dossiê, a cacica Kátia folheou a publicação, leu trechos de alguns artigos e teceu comentários sobre o conteúdo.
Foto: Reprodução/Unifesspa
Autorias compartilhadas
Do dossiê vários artigos foram escritos por autores indígenas e quilombolas num exercício necessário, imprescindível mesmo, em respeito aos saberes que dominam e compartilham com a sociedade não-tradicional. A antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rosani Kamury Kaingang (Rosani de Fátima Fernandes), é autora de: “Educação Escolar Indígena e Educação Escolar Quilombola: movimentos de luta pelo direito à escola”.
A memória afetiva das idas à feira com a família foi o ponto de partida para a estreia de Delbson Barroso na direção cinematográfica do curta-documentário ‘Tesouros da Manaus Moderna‘. O filme propõe um olhar sobre o cotidiano e as histórias de feirantes. A película será lançada no dia 11 de fevereiro, às 18h30, no Cine Teatro Guarany, em Manaus (AM).
Ambientado na tradicional feira da Manaus Moderna, o filme acompanha a rotina e a trajetória de três personagens, feirantes, que tiram dali o seu sustento, um vendedor de peixe, uma vendedora de café e carregadores que atuam no espaço.
Ao revelar o dia a dia desses trabalhadores, o documentário busca documentar e valorizar a figura dos feirantes como agentes fundamentais para o desenvolvimento econômico e para a preservação da cultura amazônica, além de provocar no público o reconhecimento da importância social dessas personalidades anônimas da cidade.
“Todo manauara tem uma história com a Manaus Moderna, seja indo no domingo fazer a feira da semana ou na sexta-feira, quando chegam os produtos. Eu sempre estive nesse lugar de quem vai comprar. A ideia foi inverter o olhar e mostrar quem faz tudo isso acontecer, a luta de quem acorda de madrugada para manter a feira funcionando”, afirma o diretor e produtor Delbson Barroso.
Segundo ele, o projeto também marca sua estreia na direção de documentário. “Foi um processo de descoberta. Diferente da publicidade, no documentário a gente constrói um caminho, mas descobre muita coisa no ao vivo, na fala do personagem, durante a gravação. Esse aprendizado foi fundamental para mim como diretor”, destaca.
Manaus Moderna é ponto estratégico da cidade
A fotografia do curta sobre esses feirantes é assinada por Juan Pablo Brandão, que também divide o roteiro do filme. Para ele, o projeto nasce de uma vivência pessoal e de um olhar atento para personagens muitas vezes invisibilizados.
“A Manaus Moderna é o principal porto de abastecimento da cidade, por onde passam frutas, verduras e mercadorias que chegam de toda a região. A gente passa por essas pessoas todos os dias sem imaginar suas histórias. Quando você ouve que alguém construiu a casa ou formou os filhos com o trabalho dali, o olhar muda completamente”, comenta.
Pablo ressalta ainda que o processo de filmagem exigiu sensibilidade e adaptação. “A gente discutiu planos e enquadramentos, mas, na hora, o personagem também conduz a narrativa. Foi preciso respeitar o ritmo e a verdade de cada história”, completa sobre os feirantes.
Com duração de 16 minutos e uma abordagem visual acompanhada de uma fotografia de encher os olhos, “Tesouros da Manaus Moderna” tem o som direto assinado por Naila Fernandes e se propõe a registrar o cotidiano da feira não apenas como espaço comercial, mas como território de memória, trabalho e identidade cultural da capital amazonense. O projeto foi viabilizado por meio de edital da lei Paulo Gustavo, executado pelo Conselho Municipal de Cultura (Concultura).
A mandioca, raiz nativa, que já ganhou o título de “alimento do século 21”, pela Organização das Nações Unidas (ONU), é a base da pesquisa do projeto ‘Desenvolvimento de produtos para a alimentação animal a partir da mandioca e seus derivados’. A iniciativa cria e avalia alimentos ensilados e desidratados a partir de derivados da mandioca, utilizando-os como alternativa para alimentação de bovinos e ovinos.
Financiada com recursos do Governo do Estado, por meio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), a proposta tem foco na Sustentabilidade e no desenvolvimento socioeconômico da Amazônia e busca, ainda, reduzir custos na pecuária, oferecendo alternativas de baixo custo aos alimentos convencionais utilizados, como milho e soja.
No total, são seis experimentos, sendo quatro experimentos que se concentram na análise dos processos de conservação dos alimentos (ensilagem e desidratação), verificando a qualidade fermentativa e a composição química; e dois experimentos que avaliam os produtos gerados em ovinos, analisando variáveis como consumo, digestibilidade e desempenhos dos animais.
Deste modo, são desenvolvidos produtos para a alimentação animal a partir de derivados oriundos do cultivo e processamento da mandioca, avaliando os impactos produtivos e econômicos da sua utilização em propriedades rurais, contribuindo para o desenvolvimento sustentável na Amazônia. E ainda, contribui para diminuir o impacto ambiental causado pelo descarte inadequado dos resíduos e para a formação de recursos humanos qualificados nas áreas agrárias.
Para o doutor, Thiago Carvalho, pesquisador responsável e professor da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), “o desenvolvimento deste projeto de pesquisa é de grande relevância devido aos seus amplos impactos econômicos, sociais e ambientais. Ele visa promover o desenvolvimento socioeconômico e a diversificação de renda para pequenos produtores de mandioca e farinheiras, agregando valor aos derivados da cultura”.
Mandioca como alimento
Os resultados iniciais da pesquisa indicaram que a casca de mandioca é mais bem preservada na forma de silagem do que quando exposta, uma prática comum entre produtores. Nesse processo, foi adicionado o componente da torta de dendê, aditivo esse capaz de absorver a umidade e contribuir para redução da deterioração da silagem.
Em testes com animais, os dados fundamentaram que a silagem de casca de mandioca pode substituir o milho nas dietas, sem perda de desempenho, e, também, resultou no desenvolvimento de um produto já comercializado: a silagem de casca de mandioca com torta de dendê.
Foto: Marcos Santos/USP
As pesquisas que resultaram em três defesas de mestrado, em 2025, apontaram a expansão das formas de utilização dos derivados da mandioca além da ensilagem. Além disso, demonstraram a boa conservação por desidratação solar dos farelos de folha e casca, que são fontes de proteína e energia, respectivamente, nas dietas animais.
Outra inovação avaliada foi o enriquecimento proteico da casca de mandioca, um derivado energético. Este processo visa aumentar a concentração proteica da casca por meio da inclusão de ureia e do crescimento de leveduras. E, ainda estão em desenvolvimento, mais duas pesquisas adicionais: uma destaca a qualidade fermentativa e composição química dos derivados em formulações de rações parciais, e a outra visa validar o uso de todos os produtos gerados (farelos e casca enriquecida) em animais.
Inovação
O projeto mantém parcerias estratégicas com o Museu da Mandioca da Amazônia, localizado na comunidade de Espírito Santo do Itá, Santa Izabel -PA, e com a empresa Bonnagro, responsável pela disseminação dos produtos.
Em outubro de 2025, o pesquisador, Thiago Carvalho, esteve nos Estados Unidos (EUA) divulgando os resultados do projeto financiado pela Fapespa e gerenciado pela Fundação Guamá.
Foram três apresentações: a primeira apresentação foi para o grupo da professora Tanya Gressley e do doutor Limjn Kung Jr., referências na área de conservação de forragens, na University of Delaware em Newark-DE, onde o pesquisador concluiu seu doutorado sanduíche, de 2013 a 2014.
A segunda apresentação na University of Florida’s Institute of Food and Agricultural Sciences (UF/IFAS), Animal Science Building, com o grupo de pesquisa do professor indiano Vyas e sua equipe de pesquisadores de diversos países, como Índia, Paquistão, Estados Unidos, Brasil e outros. Por fim, na University of Florida, em Gainesville-FL e em Marianna-Florida, na University of Florida – North Florida Research and Education Center (NFREC), para o grupo do professor Dubeaux.
O projeto traz inovações tecnológicas, utilizando a escala TRL da NASA, possíveis patentes, cartilhas e outros produtos técnicos e tecnológicos. Ao todo, mais de 25 discentes já foram capacitados com o projeto. Além disso, o projeto já tem impactos econômicos e sociais, além da geração de dados e produtos.
Para o pesquisador, o financiamento da Fapespa “é o que permite transformar a proposta de pesquisa em realidade, fornecendo o capital necessário para a infraestrutura, insumos e recursos humanos dedicados à pesquisa e ao desenvolvimento sustentável na Amazônia”, declarou.
Segundo Marcel Botelho, presidente da Fapespa “o Pará é um dos principais produtores de mandioca do país, e tem um potencial incrível para duplicar e até mesmo triplicar a sua produção. Pesquisas como essa tornam possível essa aplicação da produção por trazer novos mercados para a mandioca, agregando tecnologia, agregando valor e tornando mais rentável essa cadeia produtiva. Estamos falando de uma evolução científica que trará benefícios para todos os produtores paraenses não só na produção da mandioca mas também para aqueles que trabalham com a produção animal de forma intensiva. O governo do estado valoriza a pesquisa pois sabe que esse é o caminho para a sustentabilidade da Amazônia”.
A culinária da Amazônia é, sem dúvida, um destaque nacional. O pirarucu, um dos peixes mais populares da região, ganha novas releituras na gastronomia de tempos em tempos e, nesta receita, foi “perfumado”. Melhor dizendo: aromatizado, com raspas de limão.
O prato, preparado pela chef de cozinha acreana Rafysa Assem, ganha complementos que mostram a variedade do paladar amazônico, como o arroz preparado com castanha-da-Amazônia e um molho pesto de jambu.
O pirarucu (Arapaima gigas), um dos maiores peixes de água doce do mundo e originário da bacia amazônica, já é conhecido por sua textura firme e sabor delicado. Confira a receita:
Ingredientes
filé de pirarucu fresco (a quantidade que preferir para o prato)
Pegar as postas do peixe e fazer marcações de quatro dedos. Nessas partes temperar com sal, pimenta do reino a gosto e as raspas do limão.
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC
Em uma frigideira colocar azeite para esquentar e adicionar o peixe para selar. Adicione água para dar mais tempo de cozimento ao peixe se ficar cru.
Para o molho
Para o molho pesto é preciso de um liquidificador, um mixer ou um pilão. Adicionar 200 ml de azeite, 80 gramas de jambu fervido, três folhas de chicória, duas pimentas de cheiro.
Adicionar também suco do limão, cinco castanhas, dez gramas de queijo parmesão ralado e uma colher de sopa de pimenta do reino e levar para processar tudo.
Para o arroz
Fazer um arroz branco com alho e adicionar castanha do brasil torrado no forno ou na frigideira.
Montagem
Preparar o prato com o arroz e colocar por cima o peixe. Ao seu entorno colocar o molho preparado no liquidificador e uma folha de jambu para decorar.