A Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), em Manaus (AM), participa de um estudo clínico internacional que avalia uma nova forma de prevenção ao HIV: a PrEP oral de uso mensal. Diferente da versão já disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), que exige a ingestão diária de comprimidos, a proposta é que o medicamento seja tomado apenas uma vez a cada 30 dias.
A pesquisa é conduzida pela Unidade de Pesquisa Clínica Carlos Borborema, da FMT-HVD, e coloca a instituição como o único centro da região Norte a integrar o ensaio. Ao todo, 16 países participam do estudo, que deve incluir cerca de 4,3 mil voluntários.
A PrEP é um método de prevenção contra o HIV que consiste no uso de medicamentos antes da exposição ao vírus. Ela reduz significativamente o risco de infecção em pessoas que têm maior vulnerabilidade. O tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS em unidades de saúde habilitadas.
Unidade de Pesquisa Clínica Carlos Borborema, da FMT-HVD. Foto: Reprodução/FMT-HVD
O ensaio clínico é considerado padrão-ouro em pesquisa médica. Isso significa que os participantes são acompanhados com rigor científico e recebem proteção completa contra o HIV, seja pela PrEP diária já ofertada pelo SUS ou pela nova versão mensal em avaliação.
As consultas serão realizadas ao longo de dois anos e meio, com acompanhamento multiprofissional, exames laboratoriais e fornecimento gratuito das medicações.
Segundo o infectologista Marcelo Cordeiro, responsável pelo estudo em Manaus, a estratégia pode ampliar as opções de prevenção.
“A pesquisa pode representar mais um avanço importante na prevenção combinada do HIV, oferecendo uma alternativa para pessoas que têm dificuldade em manter o uso diário da PrEP”, disse Marcelo.
O coordenador de Educação Comunitária, Gabriel Mota, destacou o papel da população na construção de novas estratégias. “Todos os avanços só foram possíveis graças à participação comunitária. A PrEP mensal pode ser uma alternativa relevante para quem não se adapta às estratégias atuais”, afirmou.
Quem pode participar do estudo
O estudo está aberto para pessoas maiores de 18 anos, sexualmente ativas, que não vivem com HIV e que fazem parte de grupos com maior risco de infecção, como:
mulheres trans e travestis;
homens cisgêneros que fazem sexo com homens cis e/ou mulheres trans;
homens trans e pessoas não binárias que praticam sexo anal.
A participação é voluntária, gratuita e sigilosa, seguindo normas éticas nacionais e internacionais.
Foto: Divulgação/Documentário ‘Bocaina – Terra de Fé e Raízes’
Pela primeira vez, o documentário “Bocaina – Terra de Fé e Raízes” foi exibido na própria Comunidade de Bocaina, distrito de Santo Antônio de Leverger (MT), no dia 20. O evento aconteceu no salão comunitário. O curta registra a tradicional Festa de São Sebastião, realizada há aproximadamente 100 anos, a partir das memórias, contos e músicas preservadas pelos moradores mais antigos. A obra também terá uma exibição em 3 de fevereiro, no Cine Teatro Cuiabá.
As gravações começaram em 25 de janeiro do ano passado, data que marcou também o início da programação de três dias da Festa de São Sebastião. O filme acompanha o festejo por meio da sabedoria oral dos idosos, com destaque para a fé, a coletividade e a religiosidade como elementos centrais na construção da identidade local e dos devotos de São Sebastião.
O projeto é realizado com apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), do Governo do Estado, do Ministério da Cultura e do Governo Federal, por meio da Lei Paulo Gustavo. As sessões contarão com recursos de acessibilidade.
Cartaz de divulgação do documentário ‘Bocaina – Terra de Fé e Raízes’. Imagem: Divulgação
Estreia na comunidade
Para a realizadora, a escolha de estrear o documentário em Bocaina carrega um significado profundo. “Nunca passou pela minha cabeça não mostrar o filme ali primeiro. Seria um desrespeito com os mais velhos. Se cheguei pedindo licença e tive o apoio deles, a entrega precisava ser compatível com essa abertura. Ali é o exame mais importante”, destaca. Ela complementa: “Emocionalmente estou ansiosa e feliz. Espiritualmente, me sinto amparada pelos antepassados”.
A direção geral do documentário é dividida com Juliana Segóvia, que também assina a direção de fotografia. Para ela, o principal desafio foi construir uma narrativa visual sensível e ética, respeitando a profundidade do território e das pessoas retratadas.
“Trabalhar essa história exigiu um cuidado extremo com a sensibilidade visual e discursiva. Além disso, existe o desafio de ocupar esses lugares de liderança no cinema brasileiro sendo mulher negra, em um cenário que ainda questiona nossas capacidades”, enfatiza.
Juliana ressalta que o convite ao Aquilombamento Audiovisual Quariterê — coletivo de produtores negres e indígenas de Cuiabá — foi determinante para o modo como o filme foi realizado.
“Pensar a representação na tela passa por imaginar como gostaríamos que pessoas negras e indígenas fossem retratadas, sem reforço de estereótipos. O Quariterê parte dessa ética: cinema é coletividade e todos que fazem um filme acontecer são cineastas”, explica.
Idealizado pela proponente Thamara Luiza, que assina o roteiro, a direção de produção e faz sua estreia como co-diretora geral, o documentário também faz parte de sua trajetória acadêmica. A direção geral foi dividida com Juliana Segóvia, que também assina a direção de fotografia.
“É a primeira vez que assino um projeto como proponente, responsável, pesquisadora e diretora. Dividi a direção com a Juliana, que é uma diretora que eu admiro, com um olhar super técnico, sensível e assertivo, que é exatamente o que eu queria para contar essa história”, afirma Thamara. “É a história da minha vida, da minha família e da minha comunidade”.
Foto: Divulgação/Documentário ‘Bocaina – Terra de Fé e Raízes’
O filme reúne personagens que fazem parte da organização e da vivência da festa, como Dona Diva, uma das chefes da cozinha; Oreste Castelo, capelão que explica a simbologia do mastro, das rezas e do cururu; Maria do Carmo, presidente da Associação dos Devotos de São Sebastião (Adesscob); Ana Rosa, responsável pela equipe de liturgia; e Creonice, conhecida como a “primeira-dama”, dona do bar da comunidade e voz do Hino de São Sebastião.
Para Thamara, o processo de produção foi marcado por envolvimento coletivo. “Foi um processo que materializa um desejo e um sonho coletivo. Estar em set, conversar com os entrevistados, fazer a decupagem e ver a equipe alinhada foi uma experiência muito forte. Todo mundo estava inteiro, comprometido e entregue”.
Ela também ressalta a etapa de pós-produção e a atuação da equipe técnica, com destaque para Pedro Brites, responsável pelo acompanhamento do processo brilhante de montagem e finalização; os músicos Augusto Krebs e Igor Carvalho, que assinam a trilha sonora original; e Andressa Mendes, que conclui a produção executiva e assina o jurídico do projeto.
Memória como tecnologia de resistência
A Festa de São Sebastião, segundo a co-diretora, carrega saberes que atravessam gerações e funcionam como uma verdadeira “tecnologia de resistência”.
“A procissão, o cururu, o lambadão, o bolo de arroz, os rituais e os modos de organização são heranças de conhecimento que mantêm a comunidade unida. A festa é uma cola social que educa sobre coletividade, pertencimento e continuidade”, explica.
O protagonismo das mulheres negras aparece como eixo central da narrativa. Para Thamara, essa escolha é inseparável da realidade da comunidade. “A Bocaina é majoritariamente negra, e as mulheres são pilares da festa e da comunidade. Elegemos esse protagonismo como eixo narrativo por entender que ele faz parte da raiz identitária do território. O fato de eu e Juliana sermos mulheres negras também orientou nosso olhar e nossa intenção estética”, pontua.
Divulgação/ Documentário Bocaina – Terra de Fé e Raízes
Política pública e circulação
Possibilitado por meio da LPG, o documentário mobilizou cerca de 30 profissionais do audiovisual. Para Thamara, o fomento público é indispensável: “Além da geração de emprego, a lei permite que narrativas historicamente marginalizadas sejam registradas, entrem em acervos e circulem. Isso fortalece a autonomia das comunidades e amplia o acesso às políticas culturais”.
Juliana reforça que políticas como a Lei Paulo Gustavo e a Política Nacional Aldir Blanc ampliam o acesso de realizadores fora dos grandes centros aos recursos e aos espaços de decisão no audiovisual, permitindo “a existência de cinemas contra-coloniais, que rompem com a ideia de um universal eurocêntrico e valorizam a localidade, o território e quem o constitui”.
Para Rafaela Pedroso da Silva, moradora de Bocaina e fundadora da página oficial em celebração da cultura e tradição da comunidade, a Festa de São Sebastião representa união, fé e pertencimento. “É o que une nossas famílias, nossos parentes que vêm de longe, os amigos que se tornam família. É a família São Sebastião. A gente carrega isso com muito orgulho e amor”, comemora.
Rafaela destaca a emoção de ver a própria história retratada em um documentário: “Foi uma sensação única. Nossa comunidade nunca tinha vivido isso. Ver pessoas que trabalharam pela festa ao longo dos anos, muitas que nem cheguei a conhecer, foi emocionante. É algo que vai ficar marcado para sempre”.
A primeira exibição em Bocaina, segundo ela, reforça o sentimento de pertencimento. “É ver nossa história contada por nós mesmos, no lugar onde tudo acontece. Isso fortalece a comunidade e mantém viva a tradição”, define.
*Com informações da Secel-MT e do Ministério da Cultura
O trabalho feito pela Secretaria Municipal de Conservação Pública torna Boa Vista mais bonita, organizada e agradável. Foto: Andrezza Mariot/PMBV
Presentes em todos os bairros da capital, os agentes de limpeza urbana — conhecidos carinhosamente pela população como “verdinhos” e “amarelinhos” — são os grandes protagonistas por trás do cuidado diário com Boa Vista. São eles que desempenham múltiplas funções e contribuíram diretamente para que em 2026 a cidade conquistasse a 1ª posição entre as capitais brasileiras com o melhor serviço público do país.
Esse trabalho que torna Boa Vista mais bonita, organizada e agradável, é feito pela Secretaria Municipal de Conservação Pública, que segue um cronograma diário de serviços, atendendo todas as regiões da cidade ao longo do ano. Com dedicação e compromisso, os profissionais garantem ruas limpas, praças bem cuidadas e espaços públicos organizados.
O esforço contínuo das equipes foi decisivo para que áreas como limpeza urbana e zeladoria alcançassem nota média 8 na avaliação do Instituto Veritá, refletindo diretamente na qualidade de vida percebida pela população.
Com cuidados permanentes, praças e avenidas ganham cercas vivas e mais cor, reforçando a beleza urbana e o orgulho de quem vive em Boa Vista. Foto: Andrezza Mariot/PMBV
Paisagismo: um diferencial que encanta
Entre os serviços que fizeram Boa Vista se destacar no cenário nacional, o paisagismo é um dos grandes diferenciais da capital. Praças públicas e canteiros centrais das principais avenidas recebem cuidados permanentes, ornamentados com arbustos coloridos que formam verdadeiras cercas vivas e reforçam a harmonia visual da cidade, além de despertar o orgulho de quem vive aqui.
Espécies como Ixora, Alamanda, Teresinha e Pingo-de-Ouro são amplamente utilizadas na composição dos espaços verdes. Durante o verão, a irrigação dessas áreas é intensificada com o apoio de carretas-pipa, preservando a vegetação e a beleza contínua dos ambientes urbanos.
Irrigação das áreas verdes é intensificada durante o verão. Foto: Andrezza Mariot/PMBV
Os agentes atuam diariamente na manutenção das áreas verdes, fazendo serviços como poda, roçagem e plantio, com mais de 80 espécies de plantas, entre perenes, sazonais e grama. O secretário municipal de Conservação Pública, Daniel Lima, destaca que as equipes também são responsáveis pela manutenção de praças e Selvinhas Amazônicas, estando presentes em mais de 68 espaços distribuídos pelos bairros da capital.
“O trabalho inclui ações constantes de revitalização e manutenção desses espaços públicos, como pintura, recuperação de brinquedos e muretas, reparos em calçadas, alambrados, pavimentação com paver, meios-fios e paisagismo. Todos os profissionais são capacitados e preparados para cada função. Temos equipes de excelência”, destacou o secretário.
Calil Areb, de 56 anos, atua há oito anos na revitalização dos espaços públicos. Foto: Andrezza Mariot/PMBV
Histórias que fortalecem o cuidado com a cidade
Por trás de cada espaço bem cuidado em Boa Vista, há histórias de dedicação e vocação. É o caso do pintor Calil Areb, de 56 anos, que atua há oito anos na revitalização dos espaços públicos.
“Comecei como ajudante e, com o tempo, me tornei pintor. Vejo o quanto já contribuí com o cuidado da cidade e sigo deixando esse legado. Fico muito feliz em ver as praças ganhando vida com a pintura que faço e a população utilizando esses espaços de lazer”, afirmou.
As equipes de limpeza também trabalham nos canais de escoamento, com serviço de capinagem, roçagem, raspagem de areia e coleta de resíduos, deixando o ambiente sempre limpo, seguro e bem preservado.
O agente de limpeza Uirasmar Marques, de 40 anos, atua há 11 anos na zeladoria da cidade e também se orgulha de sua dedicação e de fazer parte desse trabalho.
“Me sinto feliz em contribuir para que nossa cidade esteja sempre limpa. Também peço a colaboração da população, jogando o lixo no local adequado, para que juntos possamos cuidar de Boa Vista”, destacou.
Medicamentos à base de Jucá são desenvolvidos no Amapá. Foto: Francisco Pinheiro/Rede Amazônica AP
A Universidade Federal do Amapá (Unifap) desenvolveu um medicamento à base de jucá (Libidibia ferrea), para tratar o pé diabético. A expectativa é que o produto seja aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e passe a ser oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS) como alternativa mais barata e eficaz.
O jucá é uma planta amazônica comum nos quintais da região e já era usado há gerações por moradores como cicatrizante natural. Essa tradição inspirou os pesquisadores da Unifap a transformar o conhecimento popular em ciência.
O professor José Carlos Tavares, coordenador do laboratório de fármacos da universidade, lembra que desde criança via familiares utilizando a planta.
“Nós temos aqui muitos ativos da biodiversidade amazônica que estamos explorando […] Tudo começa pelo conhecimento tradicional. Eu cresci vendo na minha família, a minha mãe utilizar o Jucá para tratamento de feridas”, relembrou.
Entre as propriedades do jucá estão ação anti-inflamatória, antimicrobiana e regenerativa, características que ajudam na cicatrização de feridas.
A pesquisa mostrou que o Jucá aumenta o fluxo de sangue na área ferida, o que ajuda irrigar a região e acelerar o processo de cura.
Medicamentos à base de Jucá são desenvolvidos no Amapá — Foto: Francisco Pinheiro/ Grupo Rede Amazônica
As pesquisas com jucá para o medicamento
O pé diabético é uma complicação do diabetes que provoca feridas e infecções nos pés, causadas por problemas de circulação e perda de sensibilidade. Sem tratamento, pode evoluir para gangrena e levar à amputação.
As pesquisas começaram em 2024 e passaram por diferentes etapas da fase pré-clínica. A pomada feita com jucá já concluiu todos os testes necessários e agora será submetida à avaliação da Anvisa.
Universidade Federal do Amapá. Foto: Divulgação / Unifap
Segundo os cientistas, a ideia é oferecer um medicamento acessível e com melhor custo-benefício para o SUS. Pacientes com pé diabético precisam de acompanhamento constante em unidades de saúde, com curativos e reposição de remédios.
“A nossa visão é introduzir todos os nossos produtos no SUS. Esse é o resultado de um investimento público em pesquisa que possa gerar benefícios para a saúde humana”, afirmou Tavares. Em um dos casos acompanhados pela equipe, um paciente que usou spray à base da planta apresentou melhora significativa. O quadro era considerado irreversível e havia indicação de amputação, mas o tratamento evitou a perda do membro.
“Conseguimos recuperar justamente com o spray que desenvolvemos, feito com nanopartículas a partir de uma resina de jucá, que atua sobre o biofilme. O grande problema no tratamento das feridas complexas são os biofilmes, devido à complexidade das bactérias existentes e de difícil tratamento”, explicou o professor.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizaram, dos dias 9 e 19 de janeiro, a primeira etapa de monitoramento ambiental e humano do mercúrio na Aldeia Gorotire, na Terra Indígena Kayapó, em Redenção (PA), área próxima ao garimpo Maria Bonita, o maior em terras indígenas no sul do Pará. A ação incluiu a coleta de amostras de água e sedimentos e a análise da presença de mercúrio em peixes da comunidade.
A atividade integra o projeto Impacto do Mercúrio em Áreas Protegidas e Povos da Floresta na Amazônia, desenvolvido em parceria com a Fiocruz e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), com financiamento do Governo da Alemanha, e tem como objetivo avaliar os efeitos da exposição ao mercúrio na saúde de populações indígenas e nos ecossistemas aquáticos.
As ações incluíram entrevistas, avaliações clínicas e a coleta de amostras biológicas e ambientais para análise dos níveis de mercúrio. No total, 209 pessoas participaram do estudo. As análises biológicas serão realizadas pelo Laboratório de Pesquisa de Ciências Farmacêuticas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Além da Aldeia Gorotire, o estudo envolveu indígenas de outras oito comunidades: Bananal, Kriny , Ladeira, Las Casas, Marabá, Ngokongotire, Ponte e Redenção.
Foram coletadas, ainda, 18 amostras de sedimentos, 21 de água em rios da bacia do Rio Fresco e oito de fontes de abastecimento para consumo humano, com avaliação em campo de parâmetros físico-químicos e bacteriológicos, bem como obtidas 51 amostras de peixes consumidos pelas comunidades. As análises ambientais serão feitas no Laboratório de Biogeoquímica Ambiental W.C. Pfeiffer, da Universidade Federal de Rondônia (Unir), em Porto Velho (RO).
De acordo com a secretária substituta nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Thaianne Resende, o monitoramento realizado na aldeia é um “desafio humano, técnico e institucional”.
“Essa ação reafirma a presença do Estado em territórios de alta vulnerabilidade socioambiental e só é possível graças à parceria estratégica com a Fiocruz, que integra ciência, saúde e meio ambiente para proteger as populações indígenas, os ecossistemas amazônicos e fortalecer a implementação da Convenção de Minamata no Brasil”, complementou a secretária substituta.
Imagem ilustrativa de pesquisa com mercúrio na Amazônia. Foto: Divulgação/Acervo Ibama
Thaianne esclarece, ainda, que os resultados obtidos por meio da ação de monitoramento “permitirão identificar os níveis de contaminação, os padrões de exposição e os potenciais riscos à saúde humana e ao meio ambiente”. “Irão subsidiar ações de proteção ambiental, de salvaguarda das populações indígenas e de enfrentamento dos impactos da mineração ilegal na Amazônia”, concluiu a diretora.
Também foram realizadas reuniões de planejamento com representantes do MMA, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) de Redenção, do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Kayapó do Pará, da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e da Fiocruz, com o objetivo de apresentar o protocolo de pesquisa e definir as estratégias de atuação no território.
Monitoramento de mercúrio
Em 2025, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) assinou o Termo de Execução Descentralizada (TED) com o Instituto Amazônico de Mercúrio para a implementação do projeto de monitoramento da exposição ao mercúrio em território Munduruku. Nesse mesmo período, o MMA realizou ações de monitoramento nas terras indígenas Yanomami.
O monitoramento integra uma das frentes de atuação do Governo do Brasil no enfrentamento ao garimpo ilegal, envolvendo pesquisadores, órgãos ambientais e a participação de lideranças indígenas.
Inscrições para a Corrida Phelippe Daou estão abertas. Foto: Adeilson Albuquerque/Acervo Rede Amazônica AM
Com inscrições abertas até o dia 25 de janeiro, a Corrida Phelippe Daou será realizada no dia 31, em Boa Vista (RR), e deve reunir atletas iniciantes e experientes. Para ajudar quem pretende participar da prova ou começar a correr, a Rede Amazônica conversou com uma fisioterapeuta, que deu dicas sobre preparação física e cuidados antes e depois da corrida.
Segundo a fisioterapeuta Ellen Prates, a preparação do corpo é essencial tanto para quem já pratica atividades físicas quanto para pessoas sedentárias. A corrida gera impacto no corpo e, sem preparo adequado, pode causar dores e lesões.
“Se você não tem o costume de correr, não pode ser: ‘acordei hoje e quero correr’. Não é bem assim. Se você é sedentário, procure um fisioterapeuta qualificado para ter as orientações e evitar os efeitos do pós-corrida, como cansaço, canelite e câimbras”, explica Ellen.
A canelite, conhecida cientificamente como Síndrome do Estresse Tibial Medial, é uma inflamação que ocorre na região interna da canela, sendo uma das lesões mais comuns entre corredores, em especial os iniciantes.
Veja abaixo algumas dicas para quem vai correr:
A canelite, conhecida cientificamente como Síndrome do Estresse Tibial Medial, é uma inflamação que ocorre na região interna da canela, sendo uma das lesões mais comuns entre corredores, em especial os iniciantes.
Comece com calma: Segundo a fisioterapeuta, pessoas que não têm o hábito de correr devem iniciar a prática de forma gradual e com orientação profissional para evitar desconfortos após o exercício, como cansaço excessivo, câimbras e canelite.
Faça avaliação profissional: De acordo com a especialista, a avaliação com um fisioterapeuta é importante para identificar o tipo de pé e de pisada. Essas informações ajudam a orientar a prática da corrida e a prevenir lesões.
Use calçado adequado: Segundo a fisioterapeuta, o tipo de pé influencia diretamente na escolha do tênis. O uso de calçado inadequado pode contribuir para o surgimento de problemas como fascite plantar, a dor na sola dos pés, e dores nas pernas.
Faça aquecimento antes da corrida: A orientação é realizar aquecimento para preparar músculos e articulações para o impacto. Entre os exercícios indicados estão pequenos saltos e corridas curtas, para frente e para trás, por cerca de cinco minutos antes da corrida.
Alongue após a corrida: Após o exercício, a fisioterapeuta recomenda alongamentos para diminuir a tensão muscular e reduzir o encurtamento causado pelo esforço repetitivo.
Inclua exercícios de fortalecimento: O agachamento é citado como um exercício que trabalha joelhos, quadríceps e tornozelos ao mesmo tempo. Ele pode ser feito antes ou depois da corrida.
Mantenha a hidratação: A fisioterapeuta reforça a importância da hidratação antes, durante e após a corrida, como parte dos cuidados.
A Corrida Phelippe Daou em Roraima é promovida pela Rede Amazônica e organizada pela Norte Run Eventos. A primeira edição do evento batizado em homenagem ao jornalista e fundador da Rede Amazônica, Phelippe Daou, ocorreu em 2021, em Manaus.
Essa é a primeira vez que o evento ocorre em Roraima. Os interessados podem se inscrever até o dia 25, pela internet. O valor do kit para os atletas é de R$ 85.
As provas terão início às 17h, com largada e chegada na sede da Rede Amazônica, localizada na avenida João Pereira de Melo, nº 444, bairro Centro. O evento contará com dois percursos, de 3 km e 7 km, que seguirão pela avenida Getúlio Vargas.
Avenida Getúlio Vargas, em Boa Vista (RR). Foto: Jonathas Oliveira / Prefeitura de Boa Vista
Roraima registrou 692 mil toneladas de grãos colhidos em 2024/2025, a maior safra de sua história. Foto: Reprodução/Instagram-antoniodenariumrr
O estado de Roraima encerrou 2025 como um dos destaques do agronegócio do Brasil. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que analisa o acompanhamento da safra brasileira, apontam que o estado roraimense registrou 692 mil toneladas de grãos colhidos na temporada 2024/2025, a maior safra da sua história, consolidando Roraima como a nova fronteira agrícola em solo brasileiro.
Os números do levantamento, realizado ao longo do ano passado em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram baseados nas principais culturas produzidas no Estado: soja, milho, arroz e feijão. Além do recorde, o balanço aponta que o Roraima também registrou o maior crescimento do PIB do Brasil entre 2019 e 2024: alta acumulada de 37,9%.
Para o governador do estado, Antônio Denarium (PP), os números fazem parte de um conjunto de ações e iniciativas voltadas para o fortalecimento do setor produtivo roraimense.
“Esse resultado é fruto de um esforço coletivo, com regularização fundiária, infraestrutura, energia, incentivos e crédito rural. Trabalhamos para dar segurança jurídica e condições para que o produtor invista e cresça. Hoje, Roraima é a nova fronteira agrícola do Norte do Brasil”, celebrou Denarium.
Governador de Roraima, Antônio Denarium, comemora a melhor colheita de soja da história do estado. Foto: Reprodução/Instagram-antoniodenariumrr
O secretário estadual de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), Márcio Granjeiro, reforçou que os investimentos feitos pelo Estado no setor produtivo contribuíram para o crescimento do agronegócio roraimense.
Márcio Granjeiro, secretário de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação de Roraimalll (Seadi). Foto: Ronane Costa/Amazon Sat
“A agricultura e a pecuária formam a base produtiva do estado de Roraima. O governo entendeu isso e trabalhou questões estruturais para dar segurança jurídica para o produtor, para que ele consiga a capacidade de se regularizar e potencializar suas atividades. E aí os agricultores compraram a ideia e hoje estão aí produzindo e ajudando Roraima a crescer ainda mais e gerar empregos, dando oportunidade para todos”, pontuou Granjeiro.
Avanços
Para o fazendeiro Ermilo Paludo, a atuação do estado para resolução de questões como regularização fundiária foi determinante para o avanço do agronegócio em Roraima.
“A regularização fundiária foi uma medida que documentou as pessoas e agora elas estão com segurança jurídica para investirem mais em seus negócios, existe mais confiança de investimento pelo setor bancário. Outro ponto foi a questão ambiental, porque hoje precisamos produzir dentro de critérios ambientais e esse incremento ajudou no desenvolvimento da pecuária. Então, esse aumento extraordinário da pecuária está ligada a essas condições sanadas pelo estado”, enalteceu Ermilo, que trabalha na Fazenda Prateada.
Ermilo Paludo, produtor da fazenda Prateada. Foto: Edley Oliveira.
O Sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), estratégia de produção agrícola que permite o cultivo da lavoura e pastagem numa mesma área, também foi fundamental, segundo Paludo, para o crescimento da agricultura.
“É um tripé: genética, solo nutrido e manejo. A integração lavoura-pecuária ajudou na qualidade do solo, houve muito investimento genético nos últimos anos e isso favoreceu bastante, onde eu colocava antes um animal, agora eu posso colocar quatro. Isso deu um aumento de animais por hectare, o que ajudou na rentabilidade da área”, relata Paludo.
Outros recordes do agro
A edição do Anuário do Agronegócio Brasileiro, de 23 de dezembro de 2025, também registrou que o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária de Roraima atingiu R$ 2,84 bilhões em 2025, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Em relação a 2024, por exemplo, o VBP estadual somou R$ 2,46 bilhões.
A variação positiva entre os dois anos foi de aproximadamente +15,6%, o que indica expansão nominal relevante no período. Em termos absolutos, o acréscimo foi de cerca de R$ 385 milhões no valor gerado pelo agro roraimense.
Principal produto do agronegócio roraimense, a colheita de soja representa cerca de 34% do valor total do Valor Bruto da Produção. Foto: William Roth/Governo de Roraima
Outro dado revelado foi o ranking dos produtos mais fortes de Roraima em 2025:
Soja (R$ 843,6 milhões),
Bovinos (R$ 422,5 milhões),
Mandioca (R$ 364,2 milhões),
Banana (R$ 251,1 milhões)
e Arroz (R$ 207,5 milhões) representam os cinco maiores produtos do VBP estadual.
O destaque fica por conta da soja, que representa cerca de 34% do valor total.
Robô Açaí Bot, será utilizado na colheita do açaí primeiramente em comunidades do Bailique, Mazagão e Santana. Foto:Lidiane Lima/GEA
O Governo do Amapá e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) assinaramum convênio para a compra dos primeiros 44 robôs Açaí Bot na última semana. O equipamento foi criado para modernizar e agilizar a colheita do fruto nas áreas ribeirinhas, com gestão administrativa da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural (SDR).
Além de aumentar a produção, a tecnologia atua na segurança do trabalho no campo. Os robôs reduzem o risco de acidentes e combatem o trabalho infantil, já que automatizam o esforço físico mais pesado. A inovação também promove a inclusão das mulheres, que passam a operar o sistema com facilidade e protagonismo na colheita.
“Essa tecnologia significa uma colheita mais eficiente, o que gera mais emprego e renda. Queremos que o agricultor prospere em sua terra com a dignidade de uma economia forte e moderna”, destacou a secretária da SDR, Beatriz Barros.
Secretária da SDR, Beatriz Barros e o ministro Waldez, junto com os servidores do Desenvolvimento Rural para lançamento do robô. Foto: Foto: Lidiane Lima/GEA
Os recursos do MIDR fazem parte do plano federal de desenvolvimento para a Amazônia. Os robôs serão distribuídos em polos estratégicos, como Santana, Mazagão e o Arquipélago do Bailique, fortalecendo as cooperativas de base tecnológica no Amapá.
“Estamos unindo a preservação da floresta à alta produtividade. A entrega desses robôs é um pilar central para desenvolver o setor de forma sustentável na Amazônia”, enfatizou o ministro do MIDR, Waldez Góes.
O próximo passo será o repasse das máquinas para as cooperativas agroextrativistas. Todo o processo terá monitoramento dos técnicos da SDR para garantir o uso correto e coletar dados sobre os benefícios da tecnologia para a agricultura familiar.
Açaí com a mesma qualidade
Para o empresário Reinaldo Santos, um dos desenvolvedores do robô, a máquina garante a qualidade do fruto desde a palmeira.
“Não é apenas mecanizar, é usar a inovação para aumentar o desempenho no campo e consolidar o Amapá como referência em bioeconomia inteligente”, pontuou.
O empresário, Reinaldo Santos, compõe a equipe que desenvolveu o equipamento. Foto: Lidiane Lima/GEA
Com o uso da robótica, a produção ganha escala industrial, permitindo que o açaí amapaense chegue ao mercado internacional com mais força, servindo de modelo de inovação para toda a região amazônica.
Macapá, no Amapá, é uma das cidades brasileiras que mais preservam suas origens culturais e a única capital brasileira em que passa Linha do Equador, levando-a a ser conhecida como a “Capital do Meio do Mundo”.
Em 4 de fevereiro de 2026 Macapá completa 268 anos e, para celebrar a data, confira algumas características que a fazem ser única: 2 itens da gastronomia indispensáveis, 6 pontos turísticos icônicos e 8 pessoas que revelam os talentos do Amapá.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Macapá
2 itens da gastronomia indispensáveis
Gengibirra
Gengibre, açúcar e aguardente são os ingredientes usados para fazer a gengibirra, uma das bebidas mais fortes e tradicionais encontradas na cidade e que até se tornou Patrimônio Cultural Imaterial do Estado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2019.
De acordo com a tradição, entre outras características, a gengibirra serve para fortalecer a voz dos cantadores e cantadoras na hora de puxar os versos do marabaixo, além de dar vigor para as dançadeiras e dançadores, se convertendo em um tipo de bebida ritual.
Camarão no bafo
Com uma conexão com o rio e o mar, Macapá oferece fartura de camarão e, por isso, uma receita muito popular nos restaurantes e nas mesas das famílias é o camarão no bafo. A receita é fácil de preparar: temperar o camarão com alho, sal e pimenta e colocar em uma panela bem tampada para o cozimento. Tradicionalmente, é acompanhado de pimenta e farofa quando servido.
Camarão no bafo. Foto: Reprodução/Acervo Rede Amazônica AP
6 pontos turísticos icônicos
Trapiche Eliézer Levy Futlama
O Trapiche Eliezer Levy, na orla da cidade, é um dos cartões postais de Macapá. O local é um importante ponto turístico e histórico da cidade.
O Trapiche Eliezer Levy começou a ser construído em 1936 pelo então prefeito Eliezer Levy, e foi inaugurado apenas no ano de 1945.
O local era um destaque devido aos quatro pontos de observação inspirados nos baluartes da Fortaleza de São José de Macapá.
Foto: Jesiel Braga/Prefeitura de Macapá
Complexo Turístico Rampa do Açaí
O Complexo Turístico Rampa do Açaí é um ponto tradicional para escoamento de produtos vindos das regiões próximas de Macapá, especialmente o açaí. Além disso, tem se tornado uma área turística da cidade como um espaço para os produtores e batedores de açaí, a valorização dos produtores e compradores do fruto, além de área de passeio para as famílias e turistas.
Os visitantes podem conhecer a história do açaí por meio de um QR code em uma placa no meio do píer, que é feito em concreto armado e em formato de “T”. O local conta com dois restaurantes; uma açaiteria; geleira; banheiros convencionais e com acessibilidade; um mirante de 120 metros quadrados para contemplação do Rio Amazonas; e uma praça.
Foto: Jesiel Braga/Prefeitura de Macapá
Praça Povos do Meio do Mundo
A Praça Povos do Meio do Mundo, localizada no bairro Jardim Marco Zero, é uma homenagem da Prefeitura a todos que deram origem à região. O monumento representa as raízes e os povos indígenas, negros, caboclos e ribeirinhos. Está próxima ao Monumento Marco Zero do Equador e Parque no Meio do Mundo, e foi inaugurada em comemoração do aniversário da cidade em 2024.
Foto: Jesiel Braga/Prefeitura de Macapá
Parque do Meio do Mundo
E por falar no Parque do Meio do Mundo, ele foi criado para ser um espaço de lazer em um dos maiores complexos turísticos da cidade. O espaço tem como vizinhos o Monumento Marco Zero, que marca a Linha do Equador, o estádio de futebol Milton de Souza Corrêa, o Zerão, e o Sambódromo.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Macapá
Fundação Bioparque da Amazônia
O Bioparque é uma fundação pública municipal, vinculada à Prefeitura de Macapá. O espaço agrega três biomas presentes no Amapá e os visitantes podem participar de atividades voltadas para educação ambiental, contemplação da natureza e prática de esportes de aventura, como arborismo, canoagem e tirolesa.
A Fundação Bioparque da Amazônia Arinaldo Gomes Barreto – FUNBAB é uma entidade sem fins lucrativos e tem por finalidades a conservação, preservação e a manutenção de 107 hectares de floresta amazônica nativa, conforme memoriais e contribui para o desenvolvimento regional, em base sustentável, centrando-se em cinco pilares: biodiversidade, ecologia, manejo de ecossistemas, educação e lazer.
A sua missão é contribuir com a qualidade de vida da sociedade por meio da interação com a natureza, assim como visa se tornar referência em gestão de qualidade em visitação pública de áreas verdes e relação com a comunidade de entorno. O local abriga ainda diversos animais e plantas.
Foto: Reprodução/Acervo Sesc Amapá
Mercado Central de Macapá
Em 13 de setembro de 1953, foi inaugurado o primeiro e maior prédio comercial de Macapá da época: o Mercado Central. Construído estrategicamente na frente da cidade, onde as embarcações atracavam com mercadorias no Trapiche Eliezer Levy, o local iniciou a comercialização de carnes, verduras, roupas, comidas, farinhas, plantas e ervas medicinais, além de serviços de costura, sapatos e consertos em geral.
A construção do prédio foi iniciada em 1952, pelo governador Janary Nunes e o prefeito Claudomiro de Moraes. Inicialmente, o prédio contava com 36 boxes, mas atualmente já conta com mais de 60. Após a última obra de reestruturação, o ambiente passou a contar com praça de skate, calçamento, novos banheiros e jardim com chafariz.
Mercado Central de Macapá. Foto: Paulo Pennafort/Acervo Rede Amazônica AP
8 pessoas que revelam os talentos de Macapá
1. Cândido Mendes: Em Macapá, Cândido Mendes é um dos nomes mais conhecidos da capital, pois batiza a principal rua comercial do centro da cidade. O maranhense de São Bernardo do Brejo dos Arrapurus foi promotor público em São Luiz, professor de História e Geografia e membro da Academia de Letras do Maranhão.
2. Mestre Sacaca: Raimundo dos Santos Souza, conhecido popularmente por mestre Sacaca foi o primeiro funcionário do antigo Parque Florestal de Macapá, hoje Fundação Bioparque da Amazônia. Sua relação com as plantas foi incentivada desde a infância pela mãe, que sempre o orientou na produção de remédios caseiros. O trabalho de mestre Sacaca se tornou referência para pesquisadores da fauna e da flora da Amazônia.
3. Tia Chiquinha: Francisca Ramos dos Santos, popularmente conhecida como tia Chiquinha, foi mãe de 11 filhos. Ela foi esposa de Maximiano Machado dos Santos, o Bolão, conhecido por ser um grande tocador de instrumentos de percussão, como pandeiro, tambor de batuque e surdo de marcação. Moradora do Quilombo do Curiaú, local onde nasceu, ela era conhecida por ser dançadeira e cantadeira de marabaixo e batuque e sempre participava dos festejos do bairro Laguinho, onde morou por um tempo.
4. Dona Esmeraldina: Filha de tia Chiquinha, e como sua mãe, é uma das maiores responsáveis pela divulgação da cultura local. Moradora do Quilombo do Curiaú, dona Esmeraldina é cantadeira e dançadeira de marabaixo e em todo material que produz faz questão de mostrar a herança da manifestação cultural afro religiosa. Também é escritora, tendo lançado, em 2021, os livros ‘O Encanto do Boto’ e o ‘Sonho de Uma Menina’.
5. John Macapá: John Teixeira da Conceição, mais conhecido por John Macapá por conta da cidade que nasceu, é um lutador de artes marciais mistas. Com passagens marcantes pelo Ultimate Fighting Championship (UFC) e pelo Absolute Championship Akhmat (ACA), ele é considerado um dos maiores representantes na luta no cenário internacional.
6. João Amorim: cantor, compositor, guitarrista e violonista, João Amorim é um músico cujo repertório diversificado o faz “passear” pelo MPB, Rock, marabaixo, entre outros ritmos, e reuni-los em canções autorais. Já ganhou premiações como o troféu Sescanta pelas composições “Pôr-do-sol”, “A praça”, e “Dia”, em 2010. Sucessos como “Passa, tchonga”, tem mostrado a irreverência do artista mesclada com a regionalidade.
7. Bira: Ubiratan Silva do Espírito Santo,mais conhecido como Bira, foi um futebolista que atuava como atacante e ganhou notoriedade por integrar o Internacional que foi campeão brasileiro de 1979. Bira era irmão de outro amapaense de destaque nacional, Aldo, ídolo de Paysandu e Fluminense. Bira começou em uma equipe do bairro macapaense do Trem, chamada de “Reminho”, disputando partidas no campo adjacente à Paróquia da Nossa Senhora da Conceição, onde a presença na missa era a condição para poder jogar. Jogou por clubes como Macapá, Paysandu, Remo, Atlético Mineiro e Juventus-SP. Também foi treinador de times como Tuna Luso, Pinheirense e Bragantino.
8. Patrícia Bastos: Patrícia Bastos é a cantora e compositora que se tornou a primeira amapaense a cantar no Rock in Rio, em 2022. Formada em administração, ela começou a se dedicar à música aos 18 anos, quando entrou para a Banda Brinds, na qual permaneceu por cinco anos. Participou alguns festivais e conquistou prêmios como no 25º Prêmio da Música Brasileira, em 2014 (melhor disco regional e cantora regional), com o álbum ‘Zulusa’. Com o traço regional vivo, seu outro álbum, ‘Batom Bacaba’, foi indicado ao Grammy Latino de 2017 de Melhor Álbum de Raizes Brasileiras.
Macapá para o mundo ver
O projeto Macapá para o mundo ver é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM) que propõe ações integradas de comunicação, educação e valorização cultural durante o aniversário da cidade e o carnaval de rua. Conta com o apoio da Tratalyx e da Prefeitura de Macapá.
O desmatamento na Amazônia está provocando mudanças regionais significativas no clima em comparação a áreas com cobertura florestal acima de 80%. A perda da vegetação leva ao aumento da temperatura da superfície, à diminuição da evapotranspiração, além da redução da precipitação na estação seca e do número de dias de chuva.
Os resultados fazem parte de uma pesquisa realizada com base em dados de satélite e publicada na revista Communications Earth & Environment no final de novembro.
O trabalho aponta que regiões altamente desmatadas (cobertura florestal inferior a 60%) compartilham semelhanças climáticas com áreas de transição entre floresta úmida e savana. Isso porque entre os impactos observados estão uma temperatura de superfície, em média, 3 °C maior durante a estação seca; com evapotranspiração e quantidade de chuvas 12% e 25% menores, respectivamente, em relação a regiões com alta cobertura florestal.
Além disso, foram observados 11 dias a menos de chuva, em média, onde a cobertura florestal foi inferior a 60%. Ou seja, o desmatamento impactou não somente a quantidade como a distribuição das chuvas.
Como resultado dessa condição climática mais seca e quente, a floresta pode enfrentar maior degradação, levando ao aumento da mortalidade das árvores e à suscetibilidade a incêndios florestais. Esse cenário compromete a permanência de espécies mais sensíveis da floresta úmida, enquanto favorece a dominância de outros tipos de nativas oportunistas e gramíneas exóticas, comprometendo a biodiversidade.
Para os cientistas, os achados evidenciam a urgência de controlar o desmatamento e restaurar áreas degradadas, visando preservar a resiliência climática da Amazônia e das atividades econômicas que dependem diretamente do clima, como a agricultura.
“O estudo mostra que as florestas tropicais têm um impacto gigantesco no clima, com consequências para diversos setores da sociedade, tanto para o bem-estar das populações como para atividades econômicas. Por isso, o debate sobre a importância das florestas deve ter um olhar mais abrangente, para além da questão ambiental. Precisamos trabalhar com uma visão de desenvolvimento nacional, com ação coordenada e integrada entre diversos setores da sociedade”, defende o pesquisador Luiz Aragão, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace
Um dos autores do trabalho, Aragão é membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e participou de painéis durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, para discutir temas ligados a emissões de gases de efeito estufa e impactos do aquecimento global.
De acordo com o pesquisador do Inpe Marcus Silveira, primeiro autor do artigo, o estudo corrobora cientificamente a importância de manter a cobertura florestal em, no mínimo, 80% em propriedades rurais da Amazônia, como prevê o Código Florestal.
A legislação estabelece regras para uso da terra e proteção ambiental dentro de propriedades privadas, nas chamadas reservas legais, exigindo que uma parte da área rural seja mantida com vegetação nativa. Nos nove Estados da Amazônia Legal é obrigatória a cobertura de vegetação nativa em 80% da área dos imóveis situados na floresta, em 35% no Cerrado e 20% em campos gerais – o mesmo porcentual para o restante do país.
“As regiões desmatadas ficam prejudicadas com condições mais secas e quentes, que também acabam afetando a produção agrícola. A própria Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura [FAO] lançou na COP30 um documento mostrando que as florestas são aliadas da agroindústria, e não inimigas. Por meio de uma extensa revisão da literatura científica, destaca os vários benefícios climáticos que as florestas promovem, contribuindo com a produtividade e resiliência agrícola. Nosso trabalho vai muito nessa linha também”, afirma Silveira, que juntamente com diversos autores brasileiros colaborou com o relatório Climate and ecosystem service benefits of forests and trees for agriculture.
Novos usos
A Amazônia brasileira, que ocupa quase a metade do território do país, perdeu 13% de área de vegetação nativa entre 1985 e 2024. São cerca de 520 mil quilômetros quadrados (km2), maior do que o território da Espanha (506 mil km2). Os dados são da publicação Amazônia, Coleção 10 do MapBiomas, feita a partir da análise de imagens de satélite.
Neste período, as pastagens passaram de 123 mil km2 para 561 mil km2, enquanto a área de agricultura foi de 1,8 mil km2 para 79 mil km2. Mais recentemente, a mineração vem ganhando relevância e chegou a 4.440 km2 em 2024.
Mesmo com a redução do ritmo de desmatamento do bioma nos últimos três anos, os cientistas alertam para a necessidade de conter rapidamente a devastação da floresta, já que somente em 2024 houve a remoção de mais de 6,3 mil km2 de vegetação nativa na Amazônia Legal, de acordo com dados do Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), do Inpe.
“É essencial traçarmos caminhos para a redução do desmatamento, como debatido na COP30, mas também é necessário levar adiante o processo de substituição do uso de combustíveis fósseis para frear o aquecimento global, que já é preocupante”, diz Aragão à Agência FAPESP.
Foto: Reprodução/Imazon
O ano de 2024 foi o mais quente da história e o primeiro a ultrapassar a marca de 1,5 °C de aumento na temperatura média do planeta em relação aos níveis pré-industriais. Além disso, o relatório Global Carbon Budget, divulgado em novembro, aponta que em 2025 as emissões de dióxido de carbono provenientes de combustíveis fósseis aumentarão cerca de 1,1%, atingindo um recorde de 38,1 bilhões de toneladas de CO2 (GtCO2).
“Nosso estudo indica que, se conseguirmos restabelecer a estrutura florestal, é possível trazer de volta também serviços ecossistêmicos, como redução de temperatura, aumento da ciclagem de água e dos estoques de carbono, garantindo assim maior segurança hídrica, alimentar e econômica para o país”, complementa Aragão.
Na pesquisa, que foi parte do doutorado de Silveira, os cientistas dividiram a Amazônia em uma grade regular com amostras de aproximadamente 55 x 55 km, agrupadas em níveis de desmatamento acumulado – cobertura de florestas remanescentes em até 40%, de 40%-60% e 60%-80%. Também foram selecionadas grades com alta cobertura florestal (acima de 80%) vizinhas às desmatadas, servindo como referência para as condições climáticas sob pouca influência do desmatamento.
O trabalho também empregou outros métodos de controle para destacar a influência da perda de vegetação nativa frente a outros fatores, como comparar as diferenças climáticas entre regiões de referência vizinhas umas das outras. Foram analisadas 11 variáveis climáticas, incluindo temperatura de superfície, evapotranspiração, chuva anual e nas estações seca e chuvosa, além do número de dias chuvosos.
A evapotranspiração é o fluxo para a atmosfera de vapor d’água liberado pela transpiração das plantas, evaporação da água no solo e nas copas das árvores, controlado por fatores como o tipo e estrutura da vegetação, temperatura, radiação solar e vento. Ao reduzir a evapotranspiração, o desmatamento contribui para aumentar a temperatura e diminuir a reciclagem da umidade atmosférica em chuva.
Nas análises, os impactos mais extremos foram observados em regiões com até 40% da cobertura florestal remanescente. Por exemplo, a temperatura da superfície terrestre nelas chegou a ser até 4 °C maior do que nas de referência durante a estação seca. Da mesma forma, a evapotranspiração na estação seca foi, em média, 45 milímetros menor se comparada às regiões de referência vizinhas.
Em setembro, a revista Nature Communications publicou uma outra pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP), que quantificou os impactos da perda de vegetação e das mudanças climáticas globais sobre a Amazônia. Mostrou que o desmatamento foi responsável por 74,5% da redução de chuvas e por 16,5% do aumento da temperatura do bioma nos meses de seca (leia mais em: agencia.fapesp.br/55759).
O artigo Observed shifts in regional climate linked to Amazon deforestation pode ser lido AQUI.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Luciana Constantino