Resex Rio Cautário. Foto: Reprodução/Sedam Rondônia
Reserva Extrativista é uma categoria de unidade de conservação cujo objetivo é proteger os modos de vida e cultura de populações tradicionais, enquanto garante o uso sustentável dos recursos naturais da área.
Entre as atividades permitidas nas reservas estão a coleta e extração de frutas, sementes e outras riquezas da floresta, como a castanha, o açaí e o leite de seringa. Os extrativistas podem manter pequenas plantações e criações, contudo apenas para subsistência, e suas riquezas não podem ser comercializadas para lucro privado.
A área, apesar de ser cedida aos moradores para que mantenham seus modos de vida com atividades sustentáveis, não pode ser vendida ou invadida para a produção agropecuária de larga escala, já que essas reservas são importantes ferramentas de conservação ambiental e são fundamentais para a reprodução de comunidades tradicionais.
Moradores da Resex Rio Cautário. Foto: Reprodução/ Sedam Rondônia
A Reserva Extrativista Rio Cautário fica localizada nos municípios de Costa Marques e Guajará-Mirim, em Rondônia, na Amazônia Legal, possui uma área de cerca de 146 mil hectares e foi criada no dia 8 de agosto de 1995, pelo decreto n° 7.028. Além disso, a Resex possui um espaço territorial que é destinado à conservação ambiental e ao uso sustentável da Unidade de Conservação.
A Resex possui grande importância por manter e preservar a Floresta Ombrófila Aberta Submontana e as formações Aluviais Pioneira, Floresta Ombrófila, Densa Aluvial e Savanas.
“Toda unidade de conservação e Resex tem que ser criada por lei, fundada pelo chefe do Poder Executivo, seja federal, seja estadual ou municipal. No caso, a Resex Rio Cautário é uma Resex Federal. Ao criar a Unidade de Conservação se estabelece todo um aparelho de estado que deve ser movido para gerir essa UC, já que ela deve possuir analistas do ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – para gerir junto com a comunidade, e produzir o plano de gestão da UC”, explicou o doutor em Geografia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Deivison Molinari.
Mãe-de-taoca-papuda, espécie ameaçada protegida na Resex. Foto: Dirceu Martins
A Resex Rio Cautário é uma área de grande importância para a proteção e conservação da biodiversidade, abrigando diversas espécies ameaçadas de extinção. Entre os animais e plantas protegidos na região, destacam-se:
Arapaçu-uniforme
Azulona
Bicudo
Gavião-real
Mãe-de-taoca-papuda
Uiraçu-falso
Anta
Onça-d’água
Boto
Cervo-do-Pantanal
Itaúba
Tuco-tuco
Além dessas, muitas outras espécies encontram na Resex um refúgio essencial para sua sobrevivência. A preservação desse território é fundamental para o equilíbrio ecológico da região e para a manutenção dos modos de vida tradicionais das populações que ali vivem.
Projeto de conservação florestal da Resex Rio Cautário
O Projeto de Conservação Florestal da Resex do Rio Cautário começou em 2020 e visa proteger áreas ameaçadas pelo desmatamento e queimadas, reflorestar as áreas degradadas e preservar os habitats essenciais à biodiversidade. Além disso, o projeto propõe evitar e reduzir a emissão de gases do efeito estufa e melhorar a qualidade de vida das populações tradicionais
A iniciativa de conservação se consolidou como um modelo viável de desenvolvimento sustentável, ao beneficiar as comunidades tradicionais e promover a proteção e a restauração de mais de 146 mil hectares da Floresta Amazônica e da sua biodiversidade.
Dentre os principais objetivos do projeto estão proteger a floresta na Reserva, impedir o desmatamento ilegal e a invasão de terras, mitigar os riscos de incêndio, através do programa “Fogo Zero”, restaurar áreas degradas e/ou cobertas por pastagens, criar alternativas econômicas para as comunidades locais, promover a educação ambiental e capacitar para geração de renda, principalmente entre jovens e mulheres.
*Com informações de Permian Brasil, ICMbio e Governo de Rondônia
Atualmente, a ciência tem conhecimento de 27 espécies que vivem na região. Foto: Daniela Bôlla
Apesar de serem frequentemente associados a lendas e à transmissão de doenças, como a raiva, os morcegos são fundamentais para a manutenção da biodiversidade em florestas, como a área de influência da rodovia BR-319. Essas e outras informações estão disponíveis no artigo de Daniela Bôlla, doutoranda em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), publicado na seção “Ciência” do informativo do Observatório BR-319 (OBR-319).
Atualmente, a ciência tem conhecimento de 27 espécies que vivem na região. Elas costumam se abrigar em copas de árvores, sobre ou dentro de troncos e até em cupinzeiros abandonados, onde constroem suas casas. Uma delas é o morcego-de-ventosa (Thyroptera tricolor), um pequeno mamífero que pesa cerca de cinco gramas e usa ventosas nos pés e antebraços para se abrigar dentro de folhas novas de bananeiras nativas.
Eles auxiliam na agricultura por meio da polinização de plantas comerciais, como a banana, o pequi e o piquiá, além do controle de insetos-praga — um serviço que gera economia de milhões de reais em agrotóxicos anualmente.
Há morcegos carnívoros, que controlam populações de ratos e sapos. Já outros se alimentam de frutos nativos, espalhando suas sementes em pleno voo e ajudando na regeneração de ambientes degradados e na manutenção das florestas.
“Todos nós convivemos com muitas espécies de morcegos e nem sabemos. Não são vilões, são seres extremamente importantes para que outros animais coexistam e para que nós, humanos, tenhamos comida abundante e menos envenenada por agroquímicos em nossa mesa”, comenta Bôlla.
Segundo ela, há muitas espécies a serem estudadas e outras que nem sequer foram registradas. Diante disso, a principal ameaça para esses animais é a perda de seu habitat natural.
Como uma área bem preservada da Amazônia, as florestas adjacentes à BR-319 fornecem alimento e local seguro para abrigo e reprodução, fazendo com que tenham uma relação de mútua cumplicidade com plantas e outros animais.
Diante do avanço do desmatamento na região, a especialista reitera a necessidade de lutar pela floresta em pé. “A preservação desses ecossistemas é o que garante o tão frágil equilíbrio dinâmico amazônico”, finaliza.
A iniciativa foi fruto de uma parceria entre o Governo do Amazonas, por meio da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado e da Amazonastur, e fez parte de um projeto de extensão universitária da UEA.
O programa foi exibido ao vivo entre os dias 26 e 29 de junho, com duração de quatro horas, sem intervalo, diretamente da praça da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, em Parintins, com transmissão pelo canal oficial da UEA no YouTube e também pelo canal Amazon Sat.
Milton Cunha celebrou a cultura popular amazonense durante quatro dias do Festival de Parintins com muita música, entrevistas exclusivas direto da ilha da magia e muitas surpresas para o público. Confira como foi:
Primeira patente da Fiocruz Amazônia é concedida pelo INPI. Foto: Ascom ILMD/Fiocruz Amazônia
O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), por meio do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) e Departamento de Gestão Tecnológica da FIOCRUZ (GESTEC), obteve a primeira concessão de patente pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), referente a equipamento destinado à realização de ensaios LAMP (Loop Mediated Isothermal Amplification) voltado para a detecção de material genético de patógenos em amostras biológicas.
A pesquisa abre novas perspectivas para o diagnóstico mais ágil de doenças de importância para a Amazônia (como dengue, malária, chikungunya, Covid-19, dentre outras) e para o mundo, contribuindo para o enfrentamento de possíveis emergências sanitárias. Atualmente, a Fiocruz Amazônia possui oito patentes depositadas no INPI e um direito autoral depositado na Biblioteca Nacional, referente a um aplicativo destinado ao registro de casos de malária.
Primeira patente da Fiocruz Amazônia é concedida pelo INPI. Foto: Ascom ILMD/Fiocruz Amazônia
Detentor da patente, o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz, Felipe Naveca, chefe do Laboratório de Arbovírus e Vírus Hemorrágicos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e coordenador do Núcleo de Vigilância de Vírus Emergentes, Reemergentes ou Negligenciados do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), explica que a conquista é um marco para Fiocruz Amazônia no âmbito da Inovação Científica.
“O INPI reconheceu que temos um produto inovador e fez a proteção através da concessão da patente. Esse equipamento tanto chamou atenção que fizemos a transferência de tecnologia para uma empresa de São Paulo que tem a possibilidade de continuar o seu desenvolvimento e levar o produto ao mercado”, afirma Naveca.
O pesquisador destaca que o maior desafio da equipe de engenheiros de microeletrônica do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), que atuou em parceria no projeto, foi desenvolver um equipamento que funcionasse de maneira simples.
Equipamento de análise genética em amostras biológicas. Foto: Ascom ILMD/Fiocruz Amazônia
“De acordo com as nossas especificações, foi possível fazer o desenvolvimento de um produto que fosse o mais barato e mais simples de ser fabricado para que pudesse ter uma ampla difusão. Esse equipamento permite manter a temperatura ótima da reação, ao mesmo tempo em que faz a detecção da mudança de cor da reação por sensores de fotodetecção, o que permitiu o desenvolvimento de um protótipo de maneira mais simples e com baixo custo, utilizando a engenharia que foi pensada pela equipe do SENAI”, afirma o virologista, ressaltando que o equipamento desenvolvido com base nessa patente terá a capacidade de ampliar a testagem molecular especialmente em áreas remotas com pouca estrutura laboratorial.
Coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), da Fiocruz Amazônia, o pesquisador em Saúde Pública do Laboratório de Diagnóstico e Controle de Doenças Infecciosas na Amazônia (DCDIA), Luís André Mariúba, explica que a primeira concessão de patente obtida pelo ILMD/Fiocruz Amazônia está relacionada a um dispositivo de ensaios LAMP, o qual tem por objetivo a amplificação do DNA/cDNA para detecção do material genético de patógenos extraídos de uma amostra biológica.
De acordo com Mariúba, técnicas de amplificação isotérmica de DNA mediada por loop, também conhecidas por técnicas LAMP (do inglês Loop-Mediated Isothermal Amplification), são largamente conhecidas no estado da técnica, e aplicadas para o desenvolvimento de testes diagnósticos para a detecção de parasitas em amostras biológicas. “A técnica LAMP é cada vez mais usada em substituição à técnica PCR (Polymerase Chain Reaction – Reação em Cadeia da Polimerase), uma vez que o tempo e custo para a execução da técnica PCR ainda inviabilizam seu uso em larga escala em laboratórios de rotina”, justifica.
Os ensaios LAMP são executados em condições isotérmicas, as quais podem ser mantidas em diferentes instrumentos, tais como termocicladores e banhos-maria, ou então dispositivos de ensaios LAMP. O referido equipamento possibilita a amplificação do DNA/cDNA de amostras para detecção de patógenos através do aquecimento de uma câmara de ensaio interna ao dispositivo.
Nos ensaios desenvolvidos no equipamento, alíquotas de uma amostra biológica sob análise são adicionados a reagentes e o conjunto é aquecido em uma câmara de ensaios LAMP. Essas amostras são então monitoradas durante o ensaio com o intuito de identificar uma possível mudança de cor (por exemplo, do violeta para o azul-celeste, quando utilizado o reagente Azul de hidroxinaftol), o que representa uma reação positiva da amostra com relação ao reagente utilizado.
Atualmente, a Fiocruz Amazônia possui oito patentes depositadas no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) e 1 direito autoral depositado na Biblioteca Nacional, referente a um aplicativo destinado ao registro de casos de malária. Os produtos são voltados principalmente para saúde humana, havendo ainda uma patente, desenvolvida em colaboração, direcionada a aplicação animal.
Por estar às margens do Rio Purus e ser um dos mais afetados pelo El Niño, Lábrea tem um histórico de eventos climáticos que afetam a população. Foto: Fred Santana/InfoAmazonia
Quando a chuva cai, o solo cede. Quando o sol castiga, o rio seca. Em Lábrea, município no sul do Amazonas, os ciclos extremos do clima são apenas mais uma ameaça em meio ao abandono do poder público em um cenário de vulnerabilidade socioambiental.
Na cidade, distante 854 km de Manaus, 72% da população não têm acesso à rede de esgoto. Sem o serviço, a solução encontrada pelos moradores é despejar os dejetos em encostas ou diretamente nos rios e igarapés, o que fragiliza o solo e aumenta o risco das terras cederem e das encostas deslizarem, ameaçando as moradias.
Em Lábrea, tubulações levam esgoto diretamente para os rios. Na cidade, 72% da população não têm acesso à rede de esgoto estruturada. Foto: Fred Santana/InfoAmazonia
A situação é ainda mais crítica em locais já mapeados no município como áreas de risco a eventos hidrogeológicos, como inundações, erosões e deslizamentos, pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB): lá, 91% dos moradores não têm acesso à rede de esgoto, e os dejetos de 60% das áreas vão diretamente para os rios, contaminando a água e ocasionando doenças.
Em Lábrea, a combinação entre falta de saneamento básico, ciclos de chuva e estiagem mais irregulares expõe os moradores a eventos como deslizamentos, erosões e inundações. Com as mudanças climáticas intensificando cheias e secas, o perigo aumenta.
Décimo maior município do país em extensão territorial, com 68.262 km², Lábrea abriga cerca de 45.000 habitantes — resultado de densidade populacional abaixo de 0,5 habitante por km², conforme dados do IBGE.
O aumento significativo do nível do rio Purus e seus afluentes em 2021 provocou uma grande enchente que afetou toda a cidade. Foto: Fred Santana/InfoAmazonia
A cidade é circundada pelo rio Purus, seus afluentes e igarapés, e tem um histórico de eventos que afetam comunidades ribeirinhas e parte do município, comprometendo suas estruturas, de acordo com a Codificação Brasileira de desastres (COBRADE), sistema que categoriza e codifica desastres naturais, visando padronizar a sua identificação e facilitar as resposta a emergências, e o Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil para Lábrea (PLANCON), que listou ocorrências de inundações, enxurradas, alagamentos, chuvas intensas, vendavais, estiagem, seca, erosão de margem fluvial e queimadas.
Esses eventos, recorrentes no município, provocam o risco iminente de inúmeras famílias ficarem desabrigadas e desalojadas em decorrência da perda de suas casas e dos meios de subsistência, em especial a pesca. A situação é mais grave nos chamados trapiches de palafitas, que são estruturas construídas sobre estacas em áreas alagadiças, como margens de rios ou áreas costeiras, e que servem como áreas de apoio, moradia ou ancoragem para embarcações.
A infraestrutura básica precária e os riscos intensificados durante o período do inverno amazônico tornam a moradia no local perigosa. Foto: Fred Santana/InfoAmazonia
No ano de 2021, houve aumento significativo do nível do rio Purus e seus afluentes, levando a uma grande enchente que afetou tanto a zona urbana, como também a zona rural do município.
Nos dois anos seguintes, a cidade enfrentou o extremo oposto.Devido ao fenômeno El Niño e ao aquecimento das águas do Norte do Oceano Atlântico ocorridos entre 2023 e 2024, Lábrea foi particularmente afetada por uma das secas mais severas registradas na Amazônia, o que provocou perda de acesso fluvial, restrições ao abastecimento hídrico e riscos de insegurança alimentar, sobretudo em comunidades indígenas e ribeirinhas. Neste ano, o nível do rio Purus voltou a subir, e a Defesa Civil emitiu alerta de inundação em Lábrea no mês de maio.
No inverno, casas de palafitas chegam a alagar com a água acumulada abaixo de suas estruturas. Foto: Fred Santana/InfoAmazonia
População de Lábrea reclama
O Vocativo foi até Lábrea para ouvir os moradores sobre as dificuldades enfrentadas com a precariedade da infraestrutura básica e os riscos intensificados durante o período do inverno amazônico. Carlos Prado, liderança local da organização sem fins lucrativos Movimento União BR (sem relação com o partido político), descreve a área como uma mistura entre zonas asfaltadas e comunidades ribeirinhas em palafitas. “Existem alguns trapiches, que são as casas de palafitas. No inverno ficam cheias de água por baixo e algumas chegam a alagar, e no verão seca tudo e acaba ficando bastante lixo embaixo das casas”, explicou.
Maria Calafente da Silva e Aldemir Hilário da Silva são aposentados e moram no bairro Vila Falcão, na zona norte de Lábrea, em um local mapeado pelo SGB como área de risco de desabamento. Eles descrevem um cenário desolador de abandono pelo poder público. A aposentada afirma que a área sempre alaga em época de chuva, com acúmulo de lixo. “A água fica até aqui [mostrando que parte da rua fica submersa]. A água fica tudo aqui por trás. Tudo alagado aí por trás. Isso aqui fica tudo dentro d ‘água. Essas casas aqui por trás. Tudo dentro d ‘água”, conta a moradora.
O comerciante Manoel Serreira já sente os efeitos da erosão do solo na própria casa, que começa lentamente a ceder Foto: Fred Santana/InfoAmazonia
Aldemir denuncia que a Defesa Civil municipal nunca emitiu um comunicado de riscos para os moradores, mesmo depois de casas terem sido destruídas pela enchente. “Já teve três casas que desceram lá no barranco”, lembra o aposentado. “Pelos anos que nós moramos aqui, nós já temos pedido para a prefeitura fazer um bueiro aqui para nós, porque o pessoal bota a coisa da fossa dentro do rio”, reclama Maria.
O casal denuncia ainda a falta de coleta de lixo no local, que segundo eles piora os alagamentos. “É muito lixo. Nunca colocaram dentro do poço, nunca limparam isso aí. Isso tudo pega na gente, a imundície da água do rio. Está aparecendo muita doença por causa disso. O tratamento da água é pouco”, lamenta Maria. Os aposentados afirmam ainda que a prefeitura passa pela rua principal e não desce nos becos, deixando muito entulho na beira do rio Purus. Como consequência do problema da falta de tratamento adequado da água no local, Aldemir passou semanas internado no hospital, com suspeita de leptospirose.
Morador há 20 anos do trapiche do Sheik, uma localidade no centro de Lábrea, o carpinteiro Laércio Silva relata problemas semelhantes. “Rede de esgoto aqui não tem. Tem só os tubos jogando (os dejetos) para cá (direto no rio)”, afirma. Com a cheia, a subida das águas piora a situação do esgoto. “Aqui alaga tudo. Nos anos mais severos precisamos sair porque a água toma conta das casas”, relembra.
O líder comunitário Carlos Prado reclama da qualidade da água consumida em Lábrea, que constantemente causa problemas de saúde. Foto: Fred Santana/InfoAmazonia
Dono de uma mercearia e morador do trapiche do Sheik há 42 anos, Manoel Ramalho Serreira conta que a água utilizada pelos moradores passou a se misturar em parte com o esgoto após uma obra da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), o que tem causado uma série de doenças nos moradores da comunidade. A companhia, porém, diz não ser responsável pelo sistema da cidade. Uma parte do esgoto fica acumulado em poças, servindo como criadouro para o mosquito da dengue. “Mostramos para a prefeitura o problema nesse córrego, mas eles não limpam, não cuidam. Aí sobra pra gente aqui que vive na área”, lembra.
Manoel sente os efeitos da erosão do solo, agravada pela falta de saneamento e pela mudança climática na própria casa, que já começa lentamente a ceder. “A prefeitura está providenciando um terreno para a gente tirar a casa daqui. Quando a água vem e volta, a terra enfraquece e cede. Minha casa entortou todinha. A gente teve que botar essas tábuas de segurança”, explica.
A vendedora autônoma Maria Zanira, moradora de outro trapiche, o Beira-Mar, na zona norte da cidade, reclama da ausência do poder público. “Já falaram que iam tirar a gente daqui, mas tem bem 10 anos que eles falam isso. Em época de chuva forte, ficamos com água na cintura”. Embora nunca tenha visto nenhum desabamento no local, a moradora afirma que é questão de tempo. De fato, pela erosão vista nas margens do rio Purus, a sensação é de risco iminente de desabamento de casas.
Sem o devido tratamento de água e esgoto, moradores relatam medo de contrair doenças Foto: Foto: Fred Santana/InfoAmazonia
Zanira confirma o mesmo método usado pela Cosama no trapiche do Sheik, de misturar a água do consumo com a água do esgoto. “Não tem esgoto, não tem nada. É só um tubo mesmo”, reclama. O descaso se reflete no abastecimento de água, já que os moradores quase sempre precisam consumir água com pouco ou nenhum tratamento. “Aqui em casa, quando a gente pode, compra água mineral, quando não a gente, põe hipoclorito e toma assim mesmo”, afirma.
Carlos Prado também critica a qualidade da água fornecida pela Cosama. “Na teoria, era para fazer a captação, tratamento e distribuição de água, mas aqui não existe tratamento. É praticamente a água do rio, barrenta e algumas vezes com cheiro forte, totalmente imprópria para uso, muito ruim até para lavar roupa”, afirma Prado. A ausência de rede de esgoto adequada é outro problema apontado por ele.
“Lugares como os trapiches não possuem nada disso; a água e os dejetos vão para o solo. Apenas algumas partes da cidade possuem rede de esgoto, que começou a ser feita há cerca de 10 anos”, conta. Carlos relata ainda que o clima na região parece estar ficando mais intenso ao longo dos últimos anos. “O inverno (estação das chuvas) está mais intenso a cada ano que passa, o rio vem subindo mais, deixando muitas casas debaixo d’água. No verão, os rios secam demais, deixando comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas que possuem poço artesiano sem água”, afirma.
Variações de extremos climáticos tornam Lábrea um local mais propenso aos chamados “riscos geológicos”, como os deslizamentos de terra Foto: Fred Santana/InfoAmazonia
As consequências afetam diretamente a saúde da população. “Adoecer devido à contaminação da água é bem normal, principalmente nas mudanças das estações. Geralmente o que se tem mais é diarreia e infecção intestinal. Eu, minha família e muita gente que conheço também já tivemos”, afirma Carlos. Segundo ele, a única ação do poder público com relação a isso tem vindo da Secretaria de Saúde. “Sempre fazem entregas de hipoclorito de sódio e cloro em pó”, diz, acrescentando que nunca recebeu alertas da Defesa Civil.
No bairro Barra Limpa, na zona Centro-Norte de Lábrea, fora da zona de risco descrita pelo SGB, o sociólogo Marcelo Horta também convive com os mesmos problemas. Ele reconhece que o local é mais central e estruturado, com muitas lojas e comércio ativo, mas afirma que sofre com a invasão das águas do rio durante a cheia. “Passam ruas que um pedaço do rio invade quando enche. Tem casas de madeira em palafitas nessa parte”, conta. Segundo ele, embora haja calçamento e coleta de lixo, o serviço público de abastecimento de água é considerado ineficiente.
“O serviço público de água é péssimo, mas há. As pessoas que têm condições furam poços artesianos por conta própria. Essa é a regra”, afirma. O esgoto na região foi canalizado por uma obra da prefeitura, mas, segundo ele, “foi para ser despejado no rio Purus”. Marcelo explica que sua residência foi adaptada com uma rede de canos mais larga para facilitar o escoamento e evitar alagamentos. “Nosso terreno é na parte alta da rua. Na parte baixa, há casas que quase alagam e o cheiro forte de esgoto fica exalando, pois é na parte que o rio invade e quase alaga a rua, o que já aconteceu”, relata.
A falta de saneamento adequado aumenta a vulnerabilidade a eventos como erosões e alagamentos Foto: Fred Santana/InfoAmazonia
Mesmo com obras recentes para reprar bueiros estourados e tampas quebradas, Marcelo aponta a ausência de medidas preventivas pelo poder público. “Medida preventiva eu nunca vi. Em geral, são obras de reparo”, afirma. Ele também destaca um problema sanitário decorrente da rede de esgoto subterrânea. “Com as calhas subterrâneas da prefeitura proliferaram ratos. Há muitos. E baratas também”, afirma.
Ausência de esgoto potencializa riscos geológicos
Variações de extremos climáticos tornam Lábrea um local mais propenso aos chamados “riscos geológicos”, como os deslizamentos de terra. Eles acontecem quando, por exemplo, uma camada de solo desliza sobre outra ou sobre uma camada de rocha. Isso oferece perigo para quem está nas encostas ou logo abaixo delas. Outro tipo de risco associado são os processos erosivos, quando muita água passa em determinada superfície, deixando-a mais frágil.
“Um escoamento superficial elevado, por exemplo, vai causando o que a gente chama de erosão laminar, e vai arrancando a parte mais superficial do solo, os sedimentos vão sendo levados, isso pode criar vincos nesse solo e criando o que a gente chama de ravinas e voçorocas”, explica Pedro Camarinha, doutor em Ciências do Sistema Terrestre pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e tecnologista do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O despejo nas encostas pode potencializar os processos erosivos, desestabilizando o solo e causando desmoronamentos. Foto: Fred Santana/InfoAmazonia
Ravinas e voçorocas são formas de erosão do solo causadas pela ação da água, mas com características distintas. Enquanto as ravinas são sulcos ou pequenas depressões no terreno, as voçorocas são erosões maiores e mais profundas, frequentemente atingindo o lençol freático e formando grandes buracos no solo. Quando esses cortes no solo chegam ao nível freático, o processo de erosão acelera, facilitando a ocorrência de deslizamentos.
A falta de tratamento adequado de esgoto contribui para este problema. “A ausência do esgotamento sanitário contribui para os riscos geológicos porque, na falta do tratamento adequado, esse esgoto é lançado de uma maneira indevida através de um lançamento direto, por exemplo, a céu aberto em encostas e você vai mudar completamente o teor de umidade do solo ao longo do tempo”, avalia Pedro. O processo contínuo vai deixando o solo instável.
“O caminho e a infiltração da água são fatores importantes para potencializar as erosões, principalmente nas cidades. Os alagamentos, por outro lado, refletem o acúmulo de lixo e descarte inadequado. Além disso, as tubulações de água pluviométrica que deságuam nos igarapés carregam consigo não apenas água pluvial, mas lixo e esgoto”, explica Alderlene Pimentel de Brito, geóloga e doutora em Clima e Ambiente pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
Falta de estrutura contribui para a instabilidade do solo
Em situações críticas de falta de saneamento, pode ocorrer a quebra do chamado balanço hídrico climatológico, relacionado ao armazenamento médio de água do solo ao longo do tempo. Isso acontece quando, além das chuvas e das mudanças de temperatura que naturalmente interfeririam neste equilíbrio, o solo vai sendo alterado pelo lançamento direto de sistemas de esgoto nos terrenos e encostas.
“Como consequência, aumenta o teor de umidade, inclusive podendo mudar algumas propriedades físicas e químicas dependendo do teor desse lançamento de esgoto nessas regiões”, afirma o pesquisador Pedro Camarinha.
Com isso, o perfil de umidade do solo vai sendo modificado, favorecendo com que as condições limites de estabilidade daquela encosta sejam vencidas mais facilmente. “Menos chuva acaba sendo necessária para causar um deslizamento porque você já tem o lançamento desse esgoto de uma forma indevida nessas localidades. Isso acontece, por exemplo, na parte mais baixa das encostas, se esse fluxo contínuo de efluentes fica passando pela base das encostas, você vai favorecer a erosão no sopé das encostas”, alerta Camarinha.
Além disso, fossas feitas nas áreas de risco de Lábrea em resposta à falta de saneamento e de tratamento adequado de esgoto também podem contaminar as águas subterrâneas. “Basicamente, a fossa tem fezes, urina e água. Isso infiltra, né? Na urina a gente expele muita coisa que leva tempo para diluir em subsuperfície. Mas o principal é a contaminação por nitrato, Escherichia coli etc. Por isso é importante fazer análise química e bacteriológica da água para abastecimento”, afirma Alderlene Brito.
Impactos na saúde pública
Outro efeito desse descarte inadequado de esgoto é a contaminação daágua. As chamadas águas superficiais, que se acumulam em superfícies em geral, costumam ser contaminadas por metais pesados, nitritos e nitratos, entre outros. Já as águas subperficiais, que correm naturalmente ou artificialmente no subsolo e são consumidas pela população, a contaminação é por coliformes e nitrato proveniente das fossas.
“Às vezes, as pessoas veem a água bem limpinha e acham que está muito boa, mas não está. Acontece que o esgoto não é apenas descartado nos rios e igarapés. Esse esgoto também infiltra. Por isso, é importante ter sistemas de tratamento de esgoto e revitalizar os rios (igarapés) urbanos”, avalia Alderlene Brito.
Segundo a pesquisadora, esgotos nas fontes de água para abastecimento também vão aumentar os casos de doenças diarreicas, parasitoses, dentre outras. Além da saúde pública dos humanos, esse problema afeta o restante da fauna. “Na Amazônia, os igarapés para muitos são como esgotos, mas cada curso d’água desse tem vida. Hoje, precisamos olhar para esses cursos d’água com atenção e caminhar para os processos de revitalização. Precisamos mudar nosso olhar. Os igarapés não são esgotos”, alerta a pesquisadora da UFAM.
A crise climática agrava os riscos
Outro fator que potencializa os riscos em Lábrea é um fenômeno conhecido. Um estudo publicado na revista Raega — O Espaço Geográfico em Análise, especializada em pesquisas sobre geografia e metodologias de análise espacial, revela que o município é o mais impactado por eventos do fenômeno climático El Niño no Amazonas. De acordo com a pesquisa, a cidade sofreu reduções significativas no volume de chuvas em aproximadamente 71% dos anos com registro de El Niño entre 1998 e 2017. Mas justamente esse efeito mais severo da estiagem, alternando com os períodos de chuva da Amazônia, serve para aumentar os riscos geológicos.
A alternância de ciclos de muito calor e de muita umidade acabam fragilizando casas mais simples, aumentando a vulnerabilidade dessas estruturas. Foto: Fred Santana
Para Pedro Camarinha, todos os riscos associados a processos hidrogeológicos estão aumentando por conta da intensificação dos eventos extremos de chuva. “Normalmente são os eventos gatilhos, que disparam processos como os deslizamentos, as grandes erosões, bem como as enxurradas e inundações. Ao longo do tempo você vai tendo chuvas mais intensas que aceleram esses processos erosivos, que por sua vez já são fragilizados por conta da falta da canalização do esgotamento sanitário. São processos que se somam”, avalia.
Com isso, as estruturas urbanas acabam sofrendo um processo conhecido como intemperização, que é a desagregação e decomposição de rochas e minerais, cuja incidência aumenta também por conta das mudanças climáticas. Quanto mais simples a estrutura (de uma casa de poucos andares e cômodos, por exemplo), maior é a intemperização. Ciclos de muito calor, de muita umidade acabam fragilizando essas casas mais simples com maior facilidade.
“Tudo isso somado vai exacerbando esses riscos. E quando eu digo exacerbando os riscos, significa que a gente está aumentando as chances desses eventos acontecerem, e além de aumentar as chances desses eventos acontecerem, quando acontecer o impacto também tende a ser maior”, afirma Camarinha.
Apesar do agravamento dos riscos, os moradores destes locais não costumam enxergar as áreas como perigosas, pontua Marcelo Hora, sociólogo e doutorando em Geografia do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal de Rondônia (PPGG/UNIR). “É muito comum você ver, em área de várzea, que o rio sobe, baixa, e o pessoal faz as casinhas de madeira de palafita. Então, o que às vezes a gente interpreta como área de risco, para eles é uma continuidade desse modo de vida ribeirinho”, afirma Horta, que vive em Lábrea.
O sociólogo lembra de uma área visitada e descrita pela reportagem anteriormente: o trapiche Beira-Mar. “Esse local cresceu muito e de forma desordenada, mas os moradores acham prático estar morando perto do rio, porque ele tem sua canoa e tem seu lugar lá no interior. Uma alagação, uma cheia exagerada torna a vida dessas pessoas arriscada, mas para elas, vale a continuidade do modo de vida”, avalia o pesquisador.
Mesmo assim, os riscos de alagamento e erosão ameaçam comunidades. Diante da situação, a Defesa Civil de Lábrea informa que está identificando e cadastrando as áreas de risco, além de fazer um monitoramento constante das localidades e de realizar atividades voltadas à conscientização da população sobre descarte de lixo e moradias em áreas de risco.
Entretanto, a instituição confirma que, até o momento, não há projeto de saneamento básico do governo do estado voltado para áreas de risco da cidade. A ausência de iniciativas nesse setor é atribuída à falta de recursos. Quanto à preparação do município para eventos climáticos como inundações, as medidas adotadas, segundo um comunicado da Defesa Civil local, envolvem o que chamaram de “planejamento prévio e o mapeamento das zonas mais vulneráveis, consideradas áreas de risco”, sem detalhar qual seria esse plano.
A Defesa Civil de Lábrea também diz considerar que o plano de contingência do município para os períodos de cheia do rio Purus é uma ferramenta indispensável para enfrentar situações de inundação, enxurradas, alagamentos, chuvas intensas, vendavais, estiagens, secas e queimadas.
Em nota, a Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama) afirmou que não atua com o abastecimento de água no município de Lábrea nem é responsável pela operação do sistema local. “A Cosama opera diretamente em 15 municípios do estado do Amazonas, e Lábrea não integra atualmente a área de cobertura operacional da Companhia”, afirma a companhia.
A empresa, no entanto, confirma que recentemente foi realizado um diagnóstico técnico no sistema de abastecimento de água do município, em uma ação que teria sido determinada pelo governador Wilson Lima (União Brasil), coordenada pela Diretoria de Operações (DIOP) da Cosama, em parceria com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Lábrea.
Já a Defesa Civil do Amazonas afirma que qualquer demanda a esse respeito “deve ser direcionada ao município”. O artigo 23 da Constituição Federal, porém, diz que a promoção de políticas públicas voltadas à saúde, moradia, saneamento e meio ambiente é de competência comum da União, Estados e Municípios. Essa atuação integrada visa garantir o bem-estar da população e prevenir tragédias, sobretudo em regiões vulneráveis, e é reforçada pela Política Nacional de Proteção e Defesa Civil e pela Política Nacional de Recursos Hídricos.
Sem a devida atenção dos órgãos públicos, moradores de Lábrea vivem sob o risco de terem suas casas invadidas pela água ou levadas por deslizamentos e erosões. Enquanto esperam ações efetivas, veem o problema aumentar com a mudança do clima e convivem com riscos, águas contaminadas e ameaças à saúde e à moradia.
Um plano para atrair investimentos para conservação, restauração e o desenvolvimento sustentável da Amazônia foi apresentado no dia 4 de julho à presidência brasileira da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) por organizações sociais. A proposta foi entregue em Brasília em uma agenda de trabalho com Ana Toni, diretora executiva do fórum que ocorrerá em novembro, em Belém, no Pará.
O documento – denominado Ampliando o Financiamento de Soluções Baseadas na Natureza para Proteger a Amazônia: Um Roteiro de Ação – além de propor uma arquitetura para criar fluxos de financiamento climático para a Amazônia, também visa consolidar ações que viabilizem o desenvolvimento da economia verde na região e o fortalecimento da capacidade de implementar ações sustentáveis no bioma.
A iniciativa partiu de sete organizações sociais que atuam na região amazônica há mais de 30 anos, explica Gustavo Souza, diretor sênior de políticas públicas e incentivos da organização não-governamental Conservação Internacional (CI).
“A gente vê que essas propostas em favor da Amazônia podem ser construídas dentro do High Level Climate Champions Office [órgão que articula governos, investidores e voluntários no âmbito da convenção do clima], para que a gente possa levar o tema da Amazônia de uma forma com maior visibilidade e com mais interação com outros setores produtivos, como setor privado e setor financeiro.”, explica.
Segundo Gustavo, o tema financiamento climático da maior floresta tropical do mundo ganhou destaque a partir da informação fornecida pelo Banco Mundial de que, apesar de a Amazônia injetar anualmente na economia pelo menos US$ 317 bilhões – os investimentos para que o bioma permaneça existindo somaram apenas US$ 5,81 bilhões entre 2013 e 2022. A estimativa da instituição financeira é de que o mínimo necessário para manter esse ecossistema saudável é de US$ 7 bilhões.
O valor seria capaz de evitar que o bioma chegue ao chamado ponto de não retorno, limiar em que os cientistas apontam a conversão de áreas da Amazônia em savana, a modificação drástica do regime de chuvas e extinção de espécies, decorrentes da mudança do clima.
De acordo com Gustavo Souza, o Banco Mundial também trouxe dados que demostram a destinação de apenas 3% desses investimentos para soluções baseadas na natureza para reduzir os efeitos das mudanças climáticas e 11% para adaptação das infraestruturas locais.
Combate ao desmatamento
“A gente não chegou nem a 10% dos recursos necessários para evitar o tipping point [ponto de não retorno] da Amazônia e combater o desmatamento. Então, esse é o panorama de fundo da carta. Mirando em algumas soluções inovadoras, ambiciosas, a gente consegue endereçar parte dessa lacuna de financiamento para a Amazônia”, explica.
Organizações sociais entregam plano para financiamento da Amazônia à presidência da COP30. Foto: Isa Castilho/COP30
Entre as sugestões de soluções estão o redirecionamento de subsídios de cadeias produtivas de alta emissão para uma economia verde, a rastreabilidade produtiva por meio de tecnologias como o uso de imagem de satélite e promoção do pagamento por serviços ambientais, além do combate à economia ilegal transnacional como tráfico de animais, bens e especulação imobiliária com apropriação de terras públicas.
Um dos instrumentos de destaque para viabilizar as ações é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF na sigla em inglês), que projeta a captação anual de doações de US$ 5 bilhões, dos quais US$ 2 bilhões deverão ser destinados à floresta Amazônica, enumera Gustavo. “Isso é quatro vezes mais do que todo o fluxo financeiro anual que a gente teve nos últimos 10 anos”, reforça.
Mudanças climáticas
A partir dessas iniciativas, a proposta é que seja construída uma Declaração Global pela Amazônia, para que os países que integram a Convenção do Clima assumam o compromisso de contribuir para que o bioma continue sendo uma frente importante no enfrentamento às mudanças climáticas.
Para o diretor executivo da organização não governamental Rainforest Trust, James Deustch, é fundamental fortalecer os guardiões da floresta, que são os povos indígenas e as comunidades locais, pelo papel que desempenham na preservação de toda a vida na terra.
“A primeira COP do clima a ser realizada na maior floresta tropical do mundo deve assumir compromissos concretos de apoio financeiro e político para que a Amazônia e as demais florestas tropicais do planeta continuem a armazenar e capturar carbono com segurança”, finaliza.
A confluência das geografias andina e amazônica faz do departamento de Huánuco, no Peru, um dos locais em que os sentidos são constantemente encantados por paisagens espetaculares e oníricas. Esses cenários naturais são complementados por importantes sítios arqueológicos, monumentos históricos e tradições e costumes herdados de uma herança ancestral e mestiça. Pensando nisso, quais são as atrações ideais para visitar em julho?
O ponto de partida para visitar este encantador destino é sua capital, Huánuco. Fundada em 15 de agosto de 1539 como “A mui nobre e leal Cidade dos Cavaleiros de León de Huánuco“, esta cidade, onde convergem as geografias andina e amazônica, possui um clima quente na maior parte do ano e está localizada às margens do Rio Huallaga, a 1.894 metros acima do nível do mar, e cercada por belas paisagens naturais.
É também o berço da tradicional e emblemática dança Los Negritos de Huánuco, protagonista do Natal mais longo do mundo e declarada Patrimônio Cultural da Nação.
Atrações turísticasde Huánuco
Campo de desfile
Entre as principais atrações turísticas que esta metrópole oferece estão lugares como a Plaza de Armas, construída durante o período republicano em 1845 e com uma escultura do artista italiano Pedro Caretti em seu centro.
O artista utilizou uma pedra de granito de 4 metros de altura para o acabamento, que em tempos pré-hispânicos era um objeto de culto para os antigos habitantes da região. A praça é adornada com ficus e jacarandás.
Foto: Reprodução/Agência Andina
Catedral
A antiga Catedral foi construída em 1618 e foi reconstruída diversas vezes, a mais recente na década de 1970. Localizada no lado norte da Plaza de Armas, o edifício atual, em estilo moderno e funcional, foi projetado pelo arquiteto alemão Kuno, um projeto único no mundo. A construção apresenta duas torres que simbolizam duas mãos em oração.
Em seu interior, abriga a imagem do Senhor de Burgos, uma escultura de madeira em peça única, muito venerada pelos fiéis de Huánuco. Também abriga relíquias do século XVIII, como a casula que pertenceu a São Toribio de Mogrovejo e o báculo de Monsenhor Teodoro del Valle, entre outras.
Você também pode ver o acervo de pinturas da Escola Cusco. Os exemplos mais impressionantes dessas pinturas são “A Virgem do Rosário”, “Santa Rosa de Lima”, também conhecida como “As Bodas de Santa Rosa”, e “A Virgem de Guadalupe”, presentes de Frei José Mujica. Também dignas de nota por sua beleza singular são as esculturas do Apóstolo João e da Virgem das Dores.
Igreja de São Francisco
Foto: Reprodução/Agência Andina
A igreja foi construída em 1560 por frades franciscanos. Esta é a segunda igreja construída na cidade, anexa a um convento originalmente dedicado ao seu padroeiro, São Bernardino. O fundador do convento é desconhecido, mas documentos contemporâneos comprovam que a igreja foi reconstruída pelo padre Andrés Corzo. Sua arquitetura atual é neoclássica, mas a decoração dos altares dourados é barroca, com uma série de motivos contribuídos por artistas regionais.
Igreja de São Sebastião
A Igreja de São Sebastião foi construída no início do século XVII pelo Irmão Diego de las Casas, segundo relatos não confirmados. A igreja está localizada perto das pontes Tingo e San Sebastián. A igreja apresenta um projeto arquitetônico colonial e abriga a única escultura do mundo representando a imagem de “São Sebastião” com manchas de varíola no corpo. A este santo é atribuído um milagre para o filho do sapateiro Antonio Pantoja, uma das vítimas de uma terrível epidemia de varíola que assolou a cidade.
Foto: Reprodução/Agência Andina
Ponte Calicanto
Localizada nos arredores da cidade, esta é uma obra de arte do século XIX que atravessa o Rio Huallaga. Esta ponte liga as cidades de Huánuco e Tingo María e fica a quinze minutos do centro de Huánuco.
A ponte foi construída usando pedra “boulder” unida com uma mistura de cal, areia e clara de ovo, de onde deriva seu nome. Tem 60 metros de comprimento e consiste em duas colunas que terminam em varandas semicirculares.
O local marca a execução dos heróis Huánucos que se rebelaram contra o domínio espanhol em 1812, bem como a proclamação da Independência perante todas as outras cidades do Peru, em 15 de julho de 1820.
Kotosh ou Templo das Mãos Cruzadas
Localizado a apenas 5 quilômetros a oeste da cidade de Huánuco, encontra-se o templo Kotosh, que remonta ao período pré-cerâmico ou arcaico tardio (11.000 – 6.600 a.C.). Sua descoberta ocorreu no início da década de 1960, em um estudo realizado por arqueólogos japoneses, liderados por Seiichi Izumi, que conseguiram constatar que, sob um edifício chamado “Los Nichitos”, foi encontrado o que hoje é conhecido como “O Templo das Mãos Cruzadas”, assim chamado porque em uma de suas paredes foram encontradas duas esculturas representando um par de mãos cruzadas.
Kotosh era composto por uma cadeia de três templos semelhantes, erguidos sobre plataformas construídas e apoiados na encosta. Em um caso, a mão direita era colocada sobre a esquerda e, em outro, a mão esquerda sobre a direita, razão pela qual se acredita que esteja relacionado a alguma ideia de dualidade presente na visão de mundo dos antigos peruanos desta região do país.
Casa de Micaela Villegas, “La Perricholi”
Localizada a 19 quilômetros da cidade de Huánuco, a uma altitude de 2.000 metros acima do nível do mar, é o local de nascimento de Micaela Villegas, conhecida como La Perricholi. Este lugar é uma das atrações mais famosas da região.
Foto: Reprodução/Agência Andina
A casa é uma construção de adobe em uma encosta íngreme, de onde se avista a vila de Tomayquichua. Datada de 1739, a casa contém um pequeno guarda-roupa no quarto principal, móveis de época, uma réplica da cozinha, uma carruagem reconstruída e jardins cuidados.
O trecho entre Huánuco e Tomayquichua é uma área rural com uma grande variedade de opções de lazer e restaurantes rurais que servem culinária regional, como lonchecito huanuqueño (um sanduíche típico do estilo Huánuco), chicharrón con mote (um típico torresmo com mote), pachamanca e tamales.
Complexo arqueológico de Huánuco-Pampa
Localizado a 134 quilômetros de Huánuco, na província de Dos de Mayo, este é um centro administrativo inca onde se pode ver o traçado de uma cidade inca, com suas casas, ruas e edifícios. Há várias décadas, tem sido o cenário escolhido para a comemoração do Festival do Sol em Huánuco.
Foto: Reprodução/Agência Andina
No lado leste desta cidadela, você pode ver a construção mais refinada conhecida como Inca Wasi, que aparentemente era a residência dos incas. Perto dali fica o Banho Inca, com uma longa plataforma em forma de terraço com nichos embutidos.
Cordilheira Huayhuash
Localizado na divisa das regiões de Huánuco e Áncash, é composto por diversas montanhas alpinas e himalaias cobertas de neve. Os picos mais importantes e desafiadores são Siula (6.536 metros acima do nível do mar), Sarapo (6.143 metros acima do nível do mar) e Randoy (5.883 metros acima do nível do mar).
Complexo arqueológico de Yarowilca
Localizado a 73 quilômetros da cidade de Huánuco, este é um dos sítios arqueológicos mais importantes da região do Alto Marañón. Possivelmente, foi a sede política e administrativa dos Yaros ou Yarowilcas e é considerado um dos assentamentos mais organizados e densamente povoados do período pré-incaico. Possui uma série de complexos residenciais, administrativos, religiosos e de defesa.
Monte Potrero-Umari
Esta reserva natural está localizada no distrito de Umari, província de Pachitea, a duas horas de carro da cidade de Huánuco. Em seguida, faça outra caminhada de duas horas para apreciar as diversas altitudes encontradas em seus 825 hectares.
Foto: Reprodução/Agência Andina
Este paraíso abriga uma grande variedade de flora e fauna e conta com um centro de resgate projetado para acolher animais selvagens feridos ou abandonados, permitindo sua devolução à natureza. Abriga também o Centro de Interpretação da Biodiversidade e do Artesanato, um espaço que oferece amplas informações sobre as riquezas naturais e culturais deste ecossistema.
A comunidade e as autoridades locais estão fazendo um trabalho louvável para conservar e preservar esta área natural, que permite o ecoturismo e o turismo experiencial.
Fundada em 15 de outubro de 1938, a cidade de Tingo María experimentou um significativo crescimento populacional e desenvolvimento econômico em oito décadas, tornando-se a segunda cidade mais importante do departamento de Huánuco.
Localizado no coração da selva alta, na área do Alto Huallaga, Tingo María possui um ambiente repleto de beleza cênica, enorme biodiversidade e recursos naturais, além de cultura ancestral amazônica e uma gastronomia deliciosa que o tornam um destino cativante desde o primeiro momento, motivando você a retornar mais de uma vez.
O apelido “Cidade da Bela Adormecida” se refere ao fato de ser cercada por uma cadeia de montanhas cobertas de vegetação, formando uma grande silhueta de uma mulher reclinada olhando para o céu azul que cobre esta parte do Peru.
Atrações turísticasde Tingo María
Campo de desfile
É o ponto central das atividades oficiais da cidade de Tingo María e o ponto de partida para diversas atrações turísticas da província de Leôncio Prado. Destaca-se por sua estrutura arquitetônica moderna, com um arco no centro representando a porta de entrada para a Amazônia peruana.
É adornado com árvores de diversas espécies amazônicas, incluindo palmeiras. Ao seu redor estão o Palácio Municipal e a Igreja de Santa Teresita del Niño Jesús, a principal igreja da cidade.
Da Plaza de Armas começa a Alameda Perú, adornada com árvores altas, que leva à emblemática Plaza El Colono e ao oval onde se ergue uma estátua em homenagem ao Coronel Leoncio Prado Gutiérrez, herói da Guerra do Pacífico e que dá nome à província.
Parque Nacional Tingo María
Foto: Reprodução/Agência Andina
Localizada a 12 horas de Lima, esta área protegida abriga a cadeia de montanhas conhecida como Bela Adormecida, que lembra a silhueta de uma jovem donzela descansando enquanto olha para o céu.
Este destino impressionante convida a explorar sua vegetação e seu complexo sistema de cavernas subterrâneas, sendo a mais famosa a Cueva de las Lechuzas (Caverna da Coruja ), habitada principalmente por morcegos e aves-do-petróleo, uma das principais atrações do Parque Nacional Tingo María.
Esta área natural protegida também ostenta uma rica biodiversidade, sendo o galo-da-serra, a ave emblemática da Amazônia peruana, um exemplo notável de sua fauna.
Ao longo do caminho, ficaremos deslumbrados com as enigmáticas formações rochosas, cavernas, galerias e vários riachos de água doce em caminhadas relaxantes sob um céu tropical intensamente azul e o verde cativante das florestas amazônicas.
Caverna das Corujas
Trata-se de uma caverna gigantesca localizada a sudoeste da cidade de Tingo María, em um trecho íngreme do Cerro Bella Durmiente, a 673 metros acima do nível do mar. A entrada é uma abertura geológica de 20 metros de altura por 25 metros de largura, dimensões que aumentam no interior, com uma profundidade total de mais de 170 metros. O interior da caverna é feito de calcário, que, devido à ação da umidade e do vento, gerou inúmeras estalactites que emergem da abóbada, como estalagmites que se projetam do chão.
A primeira seção contém vegetação proveniente da germinação de sementes deixadas por animais selvagens voadores, como corujas, aves-do-petróleo e morcegos, que habitam este local impressionante. Esta atração turística apresenta degraus de pedra esculpida com corrimãos que permitem o acesso à caverna. O acesso a pé é fácil até a segunda seção e, de lá, apenas pessoas treinadas e com os equipamentos de segurança adequados podem continuar o passeio.
Cachoeira Gloriapata
Está localizada a 13 quilômetros da cidade de Tingo María, na margem direita do Parque Nacional Tingo María. O acesso a esta cachoeira é feito pela ponte suspensa Tambillo Grande e, após atravessá-la, é preciso caminhar por cerca de 45 minutos. Ao chegar, a imponente torrente de águas cristalinas que desliza por uma encosta rochosa até a enorme piscina verde-esmeralda convida a um mergulho refrescante e revigorante.
Foto: Reprodução/Agência Andina
Ao longo do caminho, você pode apreciar a abundante beleza cênica com vegetação exuberante, incluindo árvores, plantas medicinais, orquídeas e a vida selvagem, com uma variedade de borboletas e outros insetos.
Spa de água medicinal
Quatro quilômetros a sudeste da cidade de Tingo María, na comunidade de Jacintillo e a apenas 20 metros da estrada asfaltada Tingo María-Monzón, fica este lugar encantador conhecido por suas águas medicinais que vêm do monte Coto Mono.
A grande piscina natural que se forma seduz não só pela sua beleza cênica, mas também pelas propriedades atribuídas às águas que recebe, com sua alta concentração de enxofre, para aliviar males da pele e do aparelho digestivo.
Foto: Reprodução/Agência Andina
Mirante Jacintillo
Mirante localizado no morro de Jacintillo, com uma altitude de 772 metros sobre o nível do mar, e que permite ter uma vista panorâmica da cidade de Tingo María com o fundo da Cordilheira Azul que forma a imagem da “bela adormecida” e também apreciar a esplêndida beleza cênica do vale do Alto Huallaga.
O acesso a este mirante natural, que conta com barracas que vendem artesanato tradicional, é feito por uma estrada de terra a partir de um desvio da rodovia Tingo María-Monzón.
Cachoeira Santa Carmen
Localizada a quase 8 quilômetros a sudeste da cidade de Tingo María, no município de Santa Carmen, a uma altitude de 830 metros acima do nível do mar, esta cachoeira de águas cristalinas desce de uma profundidade de aproximadamente 30 metros.
Ao longo de seu caminho, encontra um planalto rochoso que forma uma piscina de onde descem duas cachoeiras separadas, alimentando uma grande piscina verde-esmeralda na qual os banhistas podem mergulhar.
Lagoa dos Milagres
Está localizado na cidade de Pendencia, em um desvio da rodovia Tingo María-Aucayacu. Para chegar lá, é preciso caminhar por 15 minutos por uma trilha de fácil acesso. No caminho, saindo da cidade de Tingo María, você pode visitar as cidades de Naranjillo, Santa Rosa de Shapajilla e Tulumayo, lar de grupos étnicos amazônicos.
Este cativante corpo d’água cobre uma área de 40.000 metros quadrados e seu nome advém das propriedades místicas que lhe são atribuídas, devido à presença da planta Huairuro, símbolo de boa sorte, e por ser visitada por xamãs e curandeiros amazônicos. A pesca esportiva também é praticada nesta lagoa, pois abriga uma abundância de peixes como tilápia, huasaco e carpa, entre outros.
Mirante La Cruz-São Francisco
Foto: Reprodução/Agência Andina
Está localizado na cidade de Tingo María, em uma colina de cerca de 150 metros de altura e de fácil acesso. No topo da colina, que forma um planalto, ergue-se a efígie de uma grande cruz branca. De lá, você tem uma vista panorâmica da cidade de Tingo María e, especialmente, da cordilheira que forma a silhueta da Bela Adormecida, convidando você a capturar o momento em fotos e vídeos.
Esta plataforma de observação recentemente restaurada conta com bancos, grades de segurança e grandes letras de concreto pintadas de branco formando a palavra “Tingo María”.
Outras atrações de interesse
Além desses locais, Tingo María oferece outras atrações que podem ser visitadas, respeitando os respectivos protocolos de saúde. Entre elas, estão as cachoeiras San Miguel, Neptuno e Ugarteche, a cachoeira Velo de las Ninfas, o balneário Cueva de las Pavas e a cachoeira Sol Naciente, entre outras.
Como chegar a Huánuco?
Para ir de Lima a Huánuco, os visitantes podem escolher entre carro, ônibus ou avião. A viagem de avião até a cidade geralmente leva cerca de uma hora e chega ao Aeroporto Alférez FAP David Figueroa Fernandini, enquanto a viagem de ônibus leva cerca de oito horas.
Como chegar a Tingo María?
Por via terrestre, percorrendo uma rodovia totalmente pavimentada de Lima a Tingo María , com aproximadamente 550 quilômetros de extensão. O tempo médio de viagem é de 10 a 12 horas. O percurso passa por Matucana, San Mateo, Ticlio, La Oroya, Pampas de Junín, Carhuamayo, Cerro Pasco e Huánuco até chegar a Tingo María.
Por via aérea, a cidade de Tingo María é atendida pelo Aeroporto José O. Saavedra Cango, administrado pela Corpac SA. Você pode viajar de qualquer lugar do Peru diretamente ou com escalas. Há voos diários. É acessado por via fluvial através dos rios Huallaga e Monzón.
Grupo de amigos prestigiando o Arraiá do Povo em Macapá. Foto: Divulgação
O Arraiá do Povo 2025 se consolidou como um dos maiores eventos juninos do Amapá. Realizado na Zona Norte de Macapá pelo Governo do Estado, o festejo atraiu visitantes de diversos municípios e encantou com apresentações culturais, barracas de comidas típicas e uma estrutura pensada para acolher o público com segurança e conforto.
Entre os que se deixaram levar pela animação do arrasta-pé está o casal Maria de Fátima, 64 anos, e Raimundo Ferreira, 74, moradores de Laranjal do Jari, no Sul do estado. Eles encararam a longa viagem até a capital especialmente para participar do evento e prestigiar a quadrilha Encanto Junino, representante de sua cidade natal.
“É a nossa primeira vez assistindo às apresentações das quadrilhas juninas, está tudo maravilhoso. O evento está muito animado e bem organizado. Estamos empolgados para assistir todas as quadrilhas, especialmente o Encanto Junino. Estamos na torcida por eles”, afirmou Maria, com brilho nos olhos e muita animação.
O casal Maria de Fátima, 64 anos, e Raimundo Ferreira, 74, moradores de Laranjal do Jari, no Sul do estado aproveitaram o Arraiá do Povo 2025. Foto: Aog Rocha/ GEA
A presença de visitantes como o casal mostra a força e o alcance do Arraiá do Povo, que integra diferentes regiões do Amapá em torno da cultura junina.
Festa democrática e familiar
A Cidade Junina, montada no quartel do Corpo de Bombeiros Militar no bairro São Lázaro, recebeu diariamente centenas de famílias que aproveitaram o espaço para vivenciar a tradição junina com alegria e segurança. A moradora da Zona Norte, Ana Cláudia, levou seus filhos e até a filha da vizinha para curtir o evento.
Ana Cláudia com seus filhos e até a filha da vizinha durante o evento. Foto: Jhon Martins/ GEA
“Ficamos tão felizes quando soubemos que o Arraiá do Povo seria na Zona Norte. Assim conseguimos chegar cedo, aproveitar tudo e voltar pra casa tranquilamente. Fizemos questão de nos arrumar a caráter, pois o local está lindo e a Zona Norte merece. Muito obrigada ao Governo do Estado por prestigiar os moradores daqui com esse evento grandioso”, destacou a dona de casa em entrevista durante o evento
Além das quadrilhas, as barracas com comidas típicas como vatapá, mungunzá, pamonha e tacacá fizeram sucesso entre o público, que também contou com espaços interativos, decoração temática e muita música nordestina.
Segurança e organização
Para garantir o bem-estar dos participantes, o Governo do Amapá montou um esquema especial de segurança e emergência, com mais de 300 agentes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros atuando na Cidade Junina, reforçando a sensação de segurança dos visitantes.
A pedagoga Vanda Costa, de 38 anos, moradora do bairro Zerão, levou o marido e os filhos para conhecerem a festa pela primeira vez e aprovou a estrutura.
“Eu faço questão de prestigiar. Antes eu dançava nas quadrilhas e agora venho só curtir com minha família. É uma alegria poder participar dessa celebração. A estrutura está segura, muito bem organizada e as apresentações estão encantadoras. A partir de agora venho em todas as edições do Arraiá do Povo”, afirmou Vanda.
A pedagoga Vanda Costa com a família prestigiando o evento. Foto: Cristiane Nascimento/ GEA
Celebração da cultura popular
O Arraiá do Povo se destaca todos os anos por valorizar a cultura popular e dar visibilidade aos grupos folclóricos do estado. As quadrilhas se apresentam com figurinos elaborados, coreografias marcantes e enredos que homenageiam a história e as tradições do povo amazônico.
Geise Vilhena, servidora pública e moradora da Zona Sul, aproveitou a liberação de bebidas em cubas térmicas e reuniu amigos de diferentes bairros e até de Tartarugalzinho para curtir a festa.
“A festa está linda. Chegamos cedo, pegamos um bom local e está sendo incrível. Apesar da chuva, estamos bem acomodados em área coberta, com arquibancadas confortáveis. Parabéns aos organizadores”, afirmou Geise.
Muito além da Cidade Junina
O projeto Arraiá Amazônico nas Escolas, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), levou o clima das festas juninas muito além da Cidade Junina. Ações foram levadas para duas escolas estaduais de Macapá (AP), com uma programação especial. “Estamos com mais um projeto aqui no Amapá e buscamos justamente levar essa comemoração junina tão importante, aliada à conscientização sobre temas muito relevantes para a sociedade”, destacou Matheus Aquino, especialista em projetos da FRAM.
Durante a programação, os alunos e a comunidade escolar puderam prestigiar apresentações de três quadrilhas juninas: Mistura Junina, Rabo de Palha e Simpatia da Juventude. “Este ano ficamos felizes em participar levando um tema muito importante, que é o autismo — uma realidade vivida por muitas famílias, não só aqui no estado, como em todo o país. Dentro deste projeto, queremos mostrar um pouco dessa vivência”, explicou Andy dos Santos, diretor da quadrilha Simpatia da Juventude.
Repetição de queimadas ameaça resiliência da Amazônia. Foto: divulgação
A repetição de queimadas e a intensidade do fogo têm causado a perda de resiliência de florestas no sul da Amazônia, resultando em diminuição da diversidade de espécies e aumento da taxa de mortalidade de árvores. Os dados constam no artigo “Resiliência da floresta amazônica inferida de mudanças induzidas pelo fogo nos estoques de carbono e na diversidade arbórea”, elaborado por pesquisadores do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e parceiros, foi publicado pela revista científica IOPscience.
Para o estudo, os pesquisadores consideraram quatro categorias de tratamento experimental aplicadas a parcelas de floresta:
Controle não-queimado: nenhuma parcela foi queimada durante o experimento;
B1: houve apenas uma queimada, em 2016. Representa um fogo pontual e de baixa intensidade;
B2: a floresta foi queimada duas vezes, em 2013 e 2016. Representa um cenário de repetição de fogo; e
B2 +: também foram registradas queimadas duas vezes, em 2013 e 2016, mas com o adicional de “combustível” para intensificar o fogo — no caso, galhos secos e folhas. É considerado o cenário mais extremo, já que une a repetição e o aumento da intensidade.
Segundo a pesquisa, nos casos em que houve a repetição do fogo (B2 e B2 +), as alterações na diversidade da floresta começaram já em 2014 — um ano após a primeira queima —, mas que se intensificaram depois de 2016, com o segundo evento. De acordo com o artigo, os impactos a longo prazo dos incêndios foram “ainda mais pronunciados” com o aumento da frequência.
A conclusão dos autores foi de que, além da diversidade das espécies, a composição e o número de indivíduos sofreram “mudanças graduais” de 2014 a 2024.
Além disso, no caso B2 +, que trouxe o fator da intensidade, observou-se um aumento da mortalidade das árvores no local. De acordo com o artigo, em 2014, os incêndios com a presença de folhas e galhos secos aumentaram de quatro a cinco vezes a taxa de mortalidade de árvores quando comparado com áreas não queimadas.
“Quanto aos incêndios com alta intensidade, que é o caso simulado na B2 +, o impacto é muito maior, tanto para a diversidade de espécies quanto na mortalidade, que afeta diretamente o estoque de carbono presente na biomassa aérea das espécies que estão nesse ambiente”, explica um dos autores do artigo, Leonardo Maracahipes-Santos, pesquisador do IPAM.
O artigo mostra que, com as mudanças climáticas, os cenários em que há “combustível” para intensificar as chamas devem aumentar, considerando o aumento da temperatura nas florestas do sul da Amazônia. Com projeções indicando que até 16% das florestas do sudeste do bioma podem registrar incêndios nas próximas décadas, o estudo diz ser incerto se a resiliência da floresta persistirá sob regimes de incêndios mais frequentes e intensos.
Com mais de 10 mil queimadas, Amazonas tem pior mes de agosto (2025) dos últimos 26 anos. Foto: Divulgacao/Ibama
“É provável que as mudanças climáticas aumentem a frequência e a duração das secas severas nas florestas tropicais, o que pode amplificar as cargas de combustível e, potencialmente, aumentar a intensidade e a gravidade dos incêndios futuros”, diz o documento.
A pesquisa destaca ainda que, embora a floresta seja resiliente, essa qualidade pode ser comprometida sob regimes e intensidade de fogo mais extremos. Como conclusão, os autores reforçam que é necessária a adoção “urgente” de estratégias de proteção e manejo contra incêndios para evitar a perda dos serviços ecossistêmicos da Amazônia.
O estudo foi conduzido na Estação de Pesquisa de Tanguro, no município de Querência, em Mato Grosso, situada em uma área de transição ecológica entre os biomas Amazônia e Cerrado.
Verão amazônico exige cuidado e atenção. Foto: Maycon Nunes/Agência Pará
Durante o período conhecido como Verão Amazônico, que vai de julho a novembro, o aumento da radiação solar e a redução das chuvas exigem atenção especial com a saúde da pele e dos olhos. Em Belém (PA), o Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR) alerta a população sobre cuidados básicos e reforça a proteção para grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos, pessoas com deficiência, com albinismo e baixa visão.
A dermatologista Juliana Bacellar, do CIIR, destaca que o primeiro passo é evitar a exposição direta ao sol entre 10h e 16h.
“O uso de protetor solar com FPS acima de 50 é essencial. Para pessoas albinas, o ideal é FPS 70 ou mais, com reaplicação a cada duas horas, inclusive em dias nublados”, orienta.
Juliana também recomenda o uso de barreiras físicas:
roupas claras e de manga comprida,
chapéus de aba larga,
guarda-sóis
e óculos com proteção UV.
A hidratação também deve ser constante, com ingestão de água, sucos naturais e alimentação leve.
Hidratação é fundamental para enfrentar o período de calor. Foto: Jader Paes/Agência Pará
Em casos mais sensíveis, como o das pessoas albinas, a médica alerta para cuidados rigorosos: “Esse grupo tem a pele extremamente vulnerável ao sol. Além do filtro solar potente, devem usar roupas com proteção ultravioleta e chapéus adequados. A exposição solar deve ser evitada ao máximo, mesmo fora dos horários de pico”.
A especialista reforça ainda os sinais de alerta. Em crianças, vermelhidão intensa, bolhas ou ardência após exposição podem indicar queimaduras. Em idosos, feridas que não cicatrizam ou pintas que sangram merecem atenção médica imediata.
A oftalmologista Maria Maeve, especialista em baixa visão, lembra que os olhos também sofrem com o excesso de luz solar. “O uso de óculos escuros com proteção UVA e UVB, de procedência confiável, é indispensável. Sombrinhas e chapéus também ajudam a proteger a visão”, recomenda.
Para usuários de lentes de contato, os cuidados devem ser redobrados. “Evite abrir os olhos ao mergulhar e sempre higienize corretamente as lentes após o uso”, completa. A exposição sem proteção pode acelerar o surgimento de catarata, provocar lesões na retina e agravar doenças oculares preexistentes.
“Prevenir é sempre melhor que remediar”, alerta Ivan Oliveira, que também incentiva os homens a cuidarem da saúde da pele e da visão. Foto: Tarcísio Barbosa/CIIR
Rotina de proteção
A cuidadora Gabriela Souza, mãe da pequena Ana Gabrielly, de 10 anos, usuária albina atendida no CIIR, relata que a proteção solar faz parte do cotidiano da família. “Ela sempre está de óculos escuros e chapéu, e evitamos sair nos horários de sol forte. Até o banho dela é com água morna, para não irritar a pele”, conta.
Gabriela Souza, mãe da pequena Ana Gabrielly, compartilha os cuidados diários com a filha albina, usuária do CIIR. Foto: Jackson Lobato/CIIR
Outro exemplo é o aposentado Ivan Oliveira, de 52 anos, que trata neurite óptica idiopática no centro. “Já viajei muito atrás de tratamento e aqui fui bem acolhido. Só enxergo com a visão periférica, mas sigo me cuidando: camisa de manga longa, chapéu e óculos escuros fazem parte da rotina”, diz.
Ivan também deixa um recado: “Homem também precisa se cuidar. Usar protetor solar, óculos bons e visitar o oftalmologista. Prevenir é melhor que remediar”.
Dicas práticas para enfrentar o Verão Amazônico:
1. Evite o sol entre 10h e 16h; 2. Use protetor solar com FPS 50+ (ou 70+ para peles sensíveis); 3. Prefira roupas claras, de manga longa e com proteção UV; 4. Use chapéu, sombrinha e óculos escuros com filtro UVA/UVB; 5. Mantenha-se hidratado com água e alimentação leve; 6. Em caso de sinais na pele ou nos olhos, busque atendimento especializado.
Orientações sobre cuidados com a pele
A dermatologista Juliana Barcellar, pontua a desidratação grave e as queimaduras de primeiro ou segundo grau como riscos imediatos. De acordo com a profissional, a melhor forma de hidratar a pele é a ingestão de líquidos.
O cálculo é de 30 ml por quilo para a pessoa que não se expõe ao sol e de até 50 ml por quilo para uma pessoa que está em um ambiente muito quente e de exposição.
Por via oral, a indicação é água e sucos naturais e na via cutânea, os hidratantes dermatológicos devem ter, preferencialmente, ativos calmantes como o pantenol, vitamina A e E.
“Em relação às queimaduras, é importante reforçar também que o protetor solar precisa ser reaplicado, mesmo que a pessoa não esteja no sol, porque essa barreira diminui com o tempo. Queimadura solar considerada leve é aquela que o paciente fica com a pele rosada e com um discreto desconforto local, já quando o paciente começa a ficar com a pele demasiada ou começam a aparecer bolhas, a gente já considera uma queimadura solar moderada. Se as bolhas evoluem para grande quantidade, dor intensa e sintomas sistêmicos como febre, calafrio, mal-estar ou queda de pressão já é considerada uma queimadura mais grave”, explica a médica.
A preferência para exposição ao sol deve ser, de acordo com a dermatologista, nos horários menos intensos, antes das 9h30 e depois das 16h30. A orientação é de que, além do protetor solar (fator de proteção acima de 70 em praias, piscinas e balneários), o uso de proteção solar de barreira seja feito, com blusas de proteção ultravioleta, chapéu, óculos, boné, protetor labial, guarda-sol, entre outros.
Priorizar refeições leves e de fácil digestão
Em relação à alimentação, a orientação é dar preferência a frutas que sejam ricas em água, refeições mais leves de fácil digestão e, se possível, fracionar pequenas refeições ao longo do dia, sem a opção de frituras e alimentos gordurosos, que são mais difíceis de digerir.
A esteticista Norma Danielle, mãe da Maria Paula, 5 anos, intensifica os cuidados com a criança neste período de férias, quando costuma liberar a brincadeira por mais tempo ao ar livre. “Procuro sempre priorizar roupas leves, cabelo preso por conta do calor, com garrafinha de água ao lado. O uso do protetor solar deve ser indispensável, assim como a reaplicação. Se for pra praia ou piscina, ela já sabe, precisa usar camisa térmica, guarda-sol e reforçar todos os cuidados do dia a dia”, pontua.
Protetor solar é necessário para todas as idades. Foto: Divulgação/Ascom Unacom
Riscos de doenças por causa da exposição ao sol
A Policlínica Metropolitana, em Belém, intensifica nesse período os alertas sobre os riscos das doenças dermatológicas causadas pela exposição à radiação ultravioleta. Por mês, a unidade oferece cerca de 700 atendimentos gratuitos no serviço de dermatologia, com atendimentos de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, para doenças cutâneas inflamatórias, infecto-contagiosas e biópsia para diagnosticar o câncer de pele. São realizados exames de dermatoscopia, histopatológico de pele e imuno-histoquímica.
No Brasil, o câncer de pele representa 33% de todos os diagnósticos oncológicos, sendo uma das principais doenças associadas ao excesso de sol. Além da doença, outras condições dermatológicas podem ser agravadas, como a queratose actínica, que são lesões pré-cancerígenas que surgem como pequenas feridas vermelhas, endurecidas e ásperas; os Melasma, que são manchas escuras, geralmente no rosto, que podem se intensificar com o sol; e a fitofotodermatose, que é uma reação inflamatória provocada pela combinação de substâncias fotossensibilizantes, como o suco de limão, e exposição solar.