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Curativo à base de óleos amazônicos é alternativa para área da saúde

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Seja na medicina ou na culinária, o uso de óleos de plantas nativas da Amazônia faz parte da cultura da população local há várias gerações. Com propriedades já constatadas em diversas pesquisas e estudos, os óleos de andiroba, buriti, castanha e mucajá se tornaram parte de uma pesquisa de doutorado no Laboratório de Óleos da Amazônia (LOA/UFPA), instalado no Parque de Ciência de Tecnologia (PCT) Guamá. 

O estudo busca desenvolver um curativo inovador para a área da saúde com base nos insumos. O biocurativo, como é chamado, auxilia na cicatrização das lesões, além de ser uma alternativa biodegradável, fator que curativos convencionais não têm.

A doutoranda Sandrynne Guimarães, responsável pelo estudo, conta que o interesse pelo tema se iniciou ainda no mestrado, motivada pelo interesse de alinhar as propriedades de biopolímeros, que são macromoléculas constituídas por unidades menores e produzidas por seres vivos, com óleos vegetais amazônicos.

“Hoje, no doutorado, sigo na mesma linha, inovando no desenvolvimento de novos biocurativos aliados aos benefícios que os insumos locais têm a nos oferecer”, conta a doutoranda Sandrynne Guimarães.

Foto: Camila Carvalho/PCT Guamá

No estudo desenvolvido por Sandrynne, a ideia é manipular matrizes poliméricas já utilizadas na indústria farmacêutica e que têm compatibilidade com o corpo humano, em junção aos óleos.

O estudo conta com a colaboração de seis pesquisadores do LOA, que obtiveram um material com características favoráveis para a aplicação como curativo, desenvolvido a partir de fontes renováveis, biodegradáveis e enriquecido com ativos para auxiliar e acelerar o processo de cicatrização de feridas. Até o momento, os óleos de mucajá e buriti foram os que mais trouxeram resultados positivos no teste in vivo com camundongos.

Para o aprimoramento do biocurativo, são realizadas análises com os insumos desde a obtenção até o processo de desenvolvimento do produto, tanto para o controle de qualidade quanto para o reconhecimento científico das propriedades.

Saúde e bioeconomia

O Laboratório de Óleos da Amazônia é especializado no estudo, controle de qualidade dos insumos amazônicos e suas transformações, utilizados principalmente para atender aos setores ligados a energias renováveis, alimentos, cosméticos e bioprocessos. Conta também com a produção ligada a projetos em parcerias com comunidades extrativistas, associações de cooperativas e ribeirinhas e organizações não governamentais (ONGs).

De acordo com Emmerson, as descobertas com óleos aumentam a variedade de usos dos insumos, auxiliando na verticalização da cadeia de extrativismo amazônico.

“Dessa forma, aproveitamos as sementes e insumos da floresta, onde estão os povos que a habitam e os diversos arranjos produtivos, sejam eles cooperativas, associações, ou até mesmo iniciativas individuais. Essa é a importância de cada vez mais valorizar os ativos da floresta e manter a floresta em pé, preservada, e quem preserva a floresta são os atores que nela habitam. Não faz sentido se falar em preservação da Amazônia se você não subsidiar e dar condições para que os povos que habitam na floresta tenham uma renda viável”, afirma. 

O estudo está em processo de patente, e a expectativa é que a descoberta possa trazer benefícios para os setores da saúde e meio ambiente, além de fortalecer a base das cadeias produtivas de óleos na Amazônia.

Foto: Camila Carvalho/PCT Guamá

Inovação na Amazônia

O PCT Guamá é uma iniciativa do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica (Sectet), que conta com a parceria da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e gestão da Fundação Guamá.

É o primeiro parque tecnológico a entrar em operação na região Norte do Brasil e tem como principal objetivo estimular a pesquisa aplicada e o empreendedorismo inovador e sustentável.

Situado em uma área de 72 hectares entre os campi das duas universidades, o PCT Guamá conta com mais de 30 empresas residentes (instaladas fisicamente no parque), mais de 60 associados (vinculadas ao parque, mas não fisicamente instaladas), 12 laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de processos e produtos, com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará (Eetepa) Dr. Celso Malcher, além de atuar como referência para o Centro de Inovação Aces Tapajós (Ciat), em Santarém, oeste do Estado.

Membro da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), da Associação Internacional de Parques de Ciência e Áreas de Inovação (Iasp), o PCT Guamá faz parte do maior ecossistema de inovação do mundo.

*Com informações da Agência Pará

Pesquisadores buscam conhecimentos tradicionais para avanço científico

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Uma competição para desenvolver a melhor inovação de mapeamento de biodiversidade das florestas tropicais, com um prêmio de US$5 milhões (mais de R$25 milhões) tem reunido tecnologia de ponta e pessoas de diferentes partes do mundo e áreas do conhecimentos há quase cinco anos. Entre os pesquisadores e cientistas estão integrantes de comunidades tradicionais que conhecem profundamente esses ecossistemas.

A desenvolvedora de jogos e liderança Inhaã-bé, Marina Mura e o biólogo Gabriel Nunes são dois exemplos de cientistas que vivem próximos e conhecem profundamente a Floresta Amazônica, onde fica a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro, no Amazonas. Foi nesta reserva que ocorreram as avaliações finais da competição global XPrize Florestas Tropicais, neste mês de julho.

Como representantes regionais da equipe suíça ETH Biodivix, eles participaram ativamente do aperfeiçoamento das soluções tecnológicas usadas pelo grupo durante a prova.

“Quando soubemos que a final aconteceria no Brasil, sabíamos que tínhamos que ir até as comunidades o mais cedo possível, conhecer as comunidades o mais cedo possível”, relembra David Dao coordenador das áreas de inteligência artificial e conhecimentos tradicionais da equipe ETH Biodivix.

Assim como as outras equipes, o grupo desenvolveu soluções tecnológicas para coletar amostras digitais e físicas de imagem, som e DNA ambiental. Foram usados drones e veículos robóticos para conduzir os equipamentos por terrenos desafiadores de 100 hectares da Floresta Amazônica.

O principal diferencial do equipamento utilizado pelo grupo foi uma inteligência artificial que tem em sua base de dados a contribuição da ciência-cidadã e utiliza um algoritmo desenvolvido por meio da união de expertises científica, tecnológica e do conhecimento tradicional.

IAs Amazônidas

A Tainá e a Poli são inteligências artificiais (IAs) que conversam em língua portuguesa e reúnem conhecimentos culturais, regionais e científicos da Amazônia. As ferramentas são resultados alcançados pela equipe, após oito workshops realizados na região, que viabilizaram a aproximação e a conquista da confiança da comunidade.

Kamila conheceu a competição e a iniciativa por meio de um site cidadão criado pelos integrantes da ETH Biodivix para debater as soluções e frentes tecnológicas que poderiam ser implementadas pelo grupo durante a competição. Logo ela foi integrada na equipe com o objetivo de facilitar a interlocução com as comunidades locais.

O grupo crescia a cada momento em que uma nova expertise alinhada aos objetivos da equipe era identificada. “Quando a gente viu que a Marina tinha essa inteligência lógica e que ela se interessava por tecnologia, pareceu óbvio pra gente que ela era mais do que uma pessoa participando do workshop, mas que ela podia ser parte do time”, relembra Kamila.

Inteligência Artificial

Logo que foi apresentada ao protótipo do que seria a inteligência artificial guardiã dos conhecimentos tradicionais, Marina passou a contribuir com o desenvolvimento da Tainá e logo virou curadora do conteúdo da tecnologia. Ao mesmo tempo foi aprendendo como a ferramenta poderia contribuir com as pessoas e o lugar onde vive.

Ciência em Português

O manauara Gabriel também chegou ao grupo pelos workshops e logo foi integrado à equipe que desenvolve a Poli, a versão científica da Tainá. Entre as atividades que passou a desempenhar está a adaptação de todos os experimentos científicos desenvolvidos pela equipe à realidade amazônica, inclusive das descrições científicas à Língua Portuguesa.

“Se eu vou tratar cientificamente com um aplicativo, eu preciso que ele reconheça as realidades do universo. Então essa literatura tem que ser em português, porque a Amazônia é escrita em português”, diz.

Coleta de dados

Na fase de treinamento das inteligências artificiais, tanto Marina, quanto Gabriel mostraram os caminhos na floresta para a instalação dos sensores de captura de sons e imagens e também participaram das incursões com drones que complementam as informações das imagens de satélite.

“A gente faz um plano, uma rota, para eles fazerem o mapeamento e a gente usa isso lá na comunidade, para saber se a floresta está saudável ou não, ou se está tendo desmatamento dentro da nossa área protegida. Então, a gente faz esse mapa e o drone sozinho vai tirando várias fotos de cima das copas das árvores e depois a gente faz uma montagem no aplicativo, nos dados e aí a gente tem um grande mapa preciso”, explica Marina.

De acordo com David Dao, a ideia é exatamente essa: que as comunidades possam se beneficiar da tecnologia desenvolvida e que haja um compartilhamento dos benefícios.

“Nós nos comprometemos com as comunidades a continuar essa parceria. Isso é parte de algo maior capaz de empoderá-las não apenas a levantar essas informações, mas de construir essa capacidade de também gerar renda com isso.”

Os integrantes da equipe contam que ficaram surpresos com a baixa valorização dos conhecimentos tradicionais da Amazônia. “Um mateiro que entra na floresta com um pesquisador ganha R$150 por dia para ficar 12 horas em uma trilha guiando um pesquisador no meio da mata. Se esse mesmo cara for com o celular dele, gravar o canto do pássaro, for com a mochila do sequenciamento de DNA, fizer a coleta da amostra, tudo vai ficar registrado no ID dele, que está no blockchain [banco de dados transparente], que não pode ser mudado, ele vai receber a partilha de benefícios e vai ser pago tanto quanto o pesquisador”, conclui Kamila.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, por Fabíola Sinimbú e Fábio Pozzebom (em viagem a convite do Instituto Alana)

Acordos: Águas de Manaus registra aumento em resoluções de demandas de clientes

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Fotos: Chico Batata/TJ-AM e Divulgação/Águas de Manaus

A Águas de Manaus registrou aumento de 74% em acordos firmados com clientes, sem necessidade de judicialização nos últimos anos. Esse índice representa o compromisso com a população e, como reconhecimento a essa marca, a concessionária recebeu o “Selo Ouro Empresa Amiga da Justiça”, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), por intermédio do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec). 

De acordo com o gerente jurídico da concessionária, José Roberto Moraes, o selo é uma constatação do trabalho de relacionamento que vem sendo desenvolvido desde a chegada da Águas de Manaus na cidade.

“Um dos principais pilares da Aegea, empresa a qual a Águas de Manaus faz parte, é o relacionamento saudável com a população. Desta forma, nos colocamos à disposição para sanar as pendências com os clientes, por meio de conciliações. Além disso, disponibilizamos atendimento dentro de órgãos de proteção ao consumidor e, assim, muitas demandas são solucionadas antes mesmo de chegarem ao judiciário”, destaca.

O trabalho de relacionamento da concessionária com os clientes também passa pela parceria com agentes de Defesa do Consumidor. Hoje, a empresa tem postos de atendimento junto aos Procons municipal e estadual, além de manter canal direto com a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município de Manaus (Ageman) e Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM). Essas parcerias também possibilitam a realização de ações itinerantes, que levam os serviços da concessionária a vários pontos da cidade.

Atendimentos

O cliente da concessionária conta com canais digitais com atendimentos disponíveis 24 horas. Neles, ele pode consultar histórico de consumo, solicitar segunda via de fatura, pedir religação, entre outros serviços. Para isto, o cliente deve entrar em contato com o número: 0800-092-0195 (Whatsapp e SAC), ou acessar o site aguasdemanaus.com.br e o aplicativo Águas APP. A Águas de Manaus possui, ainda, atendimento presencial via PAC e loja na rua Leonardo Malcher, Centro da capital amazonense.

*Por Águas de Manaus

Material biodegradável de amido e colágeno de peixe pode substituir plástico sintético

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Amido e colágeno de peixe. Fotos: Acervo da pesquisa

Uma equipe de pesquisadoras desenvolveu em laboratório um material biodegradável (biofilmes naturais) obtido a partir de diferentes amidos (mandioca, batata-doce, batata inglesa e batata Asterix) e colágeno de peixe. O material tem propriedades físico-químicas, mecânicas, estruturais e de biodegradação similares a filmes plásticos, contribuindo significativamente para a sustentabilidade na produção de alimentos ao oferecer alternativas viáveis e ecológicas aos plásticos sintéticos que são derivados de petróleo.

De acordo com apontamentos no projeto da professora doutora Raquel Aparecida Loss, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), apenas 10% dos plásticos derivados do petróleo são reciclados, 14% são incinerados, e os 76% restantes acabam em aterros ou no ambiente natural. Se essa tendência continuar, pontua ela, em 2050 haverá cerca de 1.1 bilhão de toneladas de resíduos plásticos.

A pesquisa “Produção e caracterização de biopolímeros obtidos a partir de amidos de diferentes tubérculos e colágeno de peixe” foi desenvolvida dentro do Edital nº 005/2021 – Mulheres e Meninas na Computação, Engenharias e Ciências Exatas e da Terra, financiada pelo Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).

Conforme a pesquisadora no projeto, a alternativa que existe para substituir os plásticos sintéticos é a elaboração dos filmes biodegradáveis obtidos a partir de matéria-prima renovável, que podem substituir total ou parcialmente este tipo de material.

“Para que essa substituição seja viável, utilizamos materiais renováveis, abundante e de baixo custo. O amido é um exemplo ideal, pois é renovável, abundante e apresenta preço competitivo, comportamento termoplástico e biodegradabilidade, são eles, o milho, trigo, arroz, mandioca e batata, cada um com diferentes composições, que podem influenciar na formação do filme”, afirma a pesquisadora doutora Raquel Loss.

Outro biopolímero importante e de baixo custo e com propriedades funcionais adequadas para a fabricação de biofilmes é a gelatina. Obtida a partir de resíduos de pescado, que seriam perdidos durante o beneficiamento, o material agrega valor e contribui para redução dos impactos ambientais.

A pesquisadora pontua que, no entanto, biofilmes obtidos exclusivamente com amido possuem baixa resistência mecânica e falta hidrofilicidade. “Com isso surge o biofilme obtido pela mistura de gelatina de pescado e amido, fornecendo proteção aos grânulos contra cisalhamento, ajudando a manter a umidade, reduzindo a sinérese, a solubilidade em água e a absorção de água. Já a adição de amido em filmes de gelatina resulta em aumento da espessura, transparência e resistência mecânica, ampliando a aplicabilidade dos biofilmes.

Fotos: Acervo da pesquisa

A combinação de proteínas (colágeno) e polissacarídeos (amido) é um processo utilizado para desenvolver novos materiais e aperfeiçoar as propriedades dos polímeros, resultando em materiais com melhores propriedades em comparação com aqueles feitos de componentes puros, dessa forma a produção de filmes biodegradáveis a partir de amido de batata-doce e colágeno de peixe pode gerar grandes oportunidades para a sociedade em geral, por razões ambientais e econômicas.

*Com informações da Unemat

Diversidade das línguas indígenas do Brasil é apresentada em oficinas para estudantes internacionais

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O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) promoveu, no dia 28 de julho, uma série de oficinas de linguagem como parte da programação da XXI Olimpíada Internacional de Linguística (OIL). O evento ocorreu no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, e reuniu estudantes de 39 países que integram a competição e foi organizado pelo Departamento de Línguas e Memórias Indígenas (DELING), da Secretaria de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas (SEART).

Os competidores foram selecionados a partir dos resultados das Olimpíadas Nacionais de Linguística de seus respectivos países, cuja avaliação varia de lugar para lugar. Cada time é composto por quatro membros e um professor líder. As etapas da competição internacional são duas e demandam o uso de lógica para desafios linguísticos.

A primeira fase é individual e envolve a resolução de cinco problemas linguísticos de idiomas distintos dos participantes. A segunda é em grupo e gira em torno de uma questão. Os vencedores são premiados com medalhas.

Além da disputa, a iniciativa se dedica a promover eventos paralelos, como o realizado pelo MPI, para trazer aos estudantes vivências e experiências com o intuito de aproximá-los da cultura dos países sede da competição. Na oficina realizada no Memorial, o diretor do DELING, Eliel Benites, apresentou uma canção que fala sobre a origem do idioma Guarani e incentivou os estudantes a entoá-la como parte da atividade.

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Foto: André Corrêa

De acordo com o diretor, dentro da cosmologia dos Guarani Kaiowá, que habitam o Estado do Mato Grosso do Sul, o idioma veio de pássaros sagrados para a cultura indígena, como o papagaio e a garça branca, por exemplo, e simboliza a própria linguagem de um ponto de vista espiritual.

Ele classificou a oficina como uma forma de sensibilizar os jovens para que valorizem o próprio idioma. “Mergulhar no idioma dos outros é valorizar a própria cultura”, acrescentou.

Língua é Espírito

Altaci Kokama, coordenadora-geral de Articulação de Políticas Educacionais Indígenas do MPI, relatou que a organização do evento procurou o MPI como parceiro para a ação em maio deste ano. Ela ressaltou que a pasta, ao fazer parte das Olimpíadas, mostra como o Brasil é diverso com as línguas indígenas que povoam o país, o que contribui para que os estudantes tenham uma compreensão maior da realidade que os cerca.

Altaci apresentou uma palestra sobre a concepção de língua sob a perspectiva dos povos indígenas do Brasil, algo que ela denominou como ‘língua espírito’ e que destoa do modo como o Ocidente categoriza e analisa os 274 idiomas indígenas do Brasil. Em seguida, realizou uma oficina sobre como retomar e revitalizar uma língua indígena com materiais e jogos.

Já Karina Kambeba, integrante do Grupo de Trabalho Nacional de Línguas Indígenas da Unesco, trouxe uma oficina sobre grafismos indígenas como manifestação linguística. Ela estimulou os estudantes estrangeiros a criar símbolos, com significados próprios, no corpo de colegas porque a cultura dos Kambeba, que habitam o oeste do Amazonas, na região do Alto Rio Solimões, usa grafismos para se referir desde fenômenos da natureza ao status social de uma pessoa.

“Todo grafismo traz significado e eram usados como indicativo de cheias de rios e vazantes, assim como onde havia alimento ou para demonstrar quem era casado e quais cerimônias seriam feitas sem precisar falar”, descreveu.

I​nstituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), a iniciativa da Década Internacional das Línguas Indígenas (2022-2032) visa promover os direitos dos povos indígenas. A ação também está alinhada ao cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 16, que busca ampliar o acesso público à informação, proteger liberdades fundamentais e garantir a igualdade de acesso à justiça para todos.

Edição de 2024

Segundo Bruno L’Astorina, coordenador nacional da edição 2024 da Olimpíada Internacional de Linguística, os participantes, de forma geral, já têm contato com idiomas indígenas do mundo todo para resolver problemas na competição, uma vez que alguns dos desafios envolvem construir frases e textos em línguas indígenas.

“Conhecer a cultura indígena do Brasil é maravilhoso. É uma oportunidade de reconhecer nossas diferenças geográficas e culturais. Além disso, vemos de onde vem as raízes espirituais e a alegria brasileira que nos cerca desde que chegamos aqui”, disse Sofia Soto, estudante da equipe colombiana.

A Olimpíada será realizada ao longo de uma semana na Universidade de Brasília (UnB), de 23 e 31 de julho, com a participação de 53 delegações, que agrupam aproximadamente 200 estudantes.

A ação conta com coordenação conjunta do Instituto Vertere, UnB, e Associação Brasileira de Linguística e tem patrocínio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e apoio do MPI, assim como das Secretarias de Relações Internacionais, de Educação e de Cultura do Governo do Distrito Federal.

*Com informações do Ministério dos Povos Indígenas

Fabiana Dias é escolhida Musa Verão 2024 em Macapá

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Distritos de Macapá (AP) iniciaram as seletivas para eleger a Musa Verão 2024 no começo do mês de julho e, neste domingo (28), a representante do bairro do Coração, na Zona Oeste da capital amapaense, Fabiana Dias Gomes, de 24 anos, foi eleita a vencedora, no Balneário da Fazendinha.

Em segundo lugar ficou a representante de Curiaú, Natiara Santos Amaral, de 18 anos; e em terceiro ficou Nataly Maiane Damião, de 19 anos, de Fazendinha.

O evento contou com a participação de 14 finalistas e já é tradicional em Macapá. Os jurados definiram a vencedora do concurso avaliando beleza, elegância, simpatia, carisma, postura, passarela, bronze e desenvoltura.

Foto: Divulgação/PMM

Entre os prêmios para as vencedoras do concurso estão procedimentos estéticos, premiação em dinheiro e a faixa para o primeiro lugar.

A programação fez parte da agenda de férias do município realizada durante o mês de julho nos principais pontos de Macapá.

Foto: Reprodução/Instagram-fabigomss

Verão na Rede

O projeto Verão na Rede é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM) que visa promover a cultura, a arte, o entretenimento e o turismo em Macapá (AP).

Além de valorizar artistas regionais, também enfatiza a importância da preservação ambiental e da sustentabilidade, promovendo conscientização e educação ambiental entre os participantes e a comunidade local.

O projeto conta com apoio da GEAP Saúde e da Prefeitura de Macapá, que realiza paralelamente o ‘Macapá Verão’, que consiste em uma série de eventos culturais e atividades ao ar livre, proporcionando momentos de lazer e integração comunitária.

Artista Amazonense vende obras em 24 Estados e conquista o Brasil

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‘Tupã’, artista visual, tem se destacado por utilizar a arte como uma poderosa ferramenta de conscientização sobre a importância da preservação da Amazônia e o combate à desigualdade social na região. Nascido em Manaus, Tupã transforma materiais reciclados em obras tridimensionais que recriam a exuberância da floresta amazônica, destacando a beleza e a fragilidade de seus biomas citada no artigo para a universidade de Cambridge em ‘Afinal, o que é a arte?’. 

As suas criações, que combinam releituras e texturas, são verdadeiras odes à natureza. Em suas obras, Tupã utiliza EPS, madeira e paletes, elementos que, além de destacar a estética da floresta, sublinham a necessidade de um consumo mais consciente e sustentável. Suas pinturas abstratas e expressionistas, realizadas em placas de madeira reciclada, transmitem a força e a energia da floresta, convidando o observador a refletir sobre a urgência da sua preservação.

Projeto Amazon Guardians

O projeto Amazon Guardians, idealizado por Tupã, reúne artistas da Amazônia Legal com o objetivo de destinar 50% do valor das obras para iniciativas que visam combater a desigualdade social e reduzir o impacto ambiental na região. Com foco na revitalização dos rios amazônicos, essa iniciativa não apenas contribui para a proteção do meio ambiente, mas também para a melhoria das condições de vida das populações locais.

Tupã, filho de ribeirinho e com raízes indígenas, traz uma perspectiva única e profundamente conectada à Amazônia. Sua arte reflete essa conexão, combinando elementos tradicionais e contemporâneos para criar um diálogo visual que denuncia os problemas ambientais e sociais da região. A contradição entre a riqueza natural da Amazônia e os desafios enfrentados por seus habitantes é um tema recorrente em seu trabalho.

Recentemente participou da feira de Parintins, possui obras em São Paulo, Curitiba, Sul e centro oeste do pais. Com seu ativismo e suas criações artísticas, Tupã busca inspirar e mobilizar a sociedade para a causa amazônica. Através de exposições, workshops e ações educativas, ele se empenha em conectar as pessoas com a natureza e fomentar a construção de um futuro mais sustentável. Para Tupã, a arte não é apenas um meio de expressão, mas uma ferramenta de transformação social e ambiental.

Baseado na filosofia de seu povo e região Tupã cativa crítico e influencers ao redor do Brasil como foi o caso do Editor cultural da Fuel, Don M. Vargas, que adquiriu a obra “Temperatura” do artista, e também em sua mais recente participação no programa Paneiro, do apresentador Oyama Filho, na Rede Amazônica.

Artista Amazonense vende obras em 24 estados e conquista o Brasil. Foto: divulgação

Destaques do Projeto Tupã e Amazon Guardians:

  • Arte com Propósito: Obras tridimensionais e pinturas que celebram a Amazônia e denunciam os problemas ambientais utilizando conceitos de resiliência e sustentabilidade;
  • Projeto Amazon Guardians: Iniciativa que reúne artistas para combater a desigualdade social e proteger a Amazônia onde são abordados termos de sociabilização para a arte;
  • Histórias de Vida: Filho de ribeirinho e com raízes indígenas, Tupã traz uma perspectiva única sobre a Amazônia;
  • Ação Social: Destinação de parte das vendas das obras para projetos sociais e ambientais.

Interpretação de texto em crise

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Por Jan Santos – jan.fne@gmail.com

No dia 25 de julho, comemora-se o Dia do Escritor no Brasil, data instaurada em função da realização do I Festival do Escritor Brasileiro, em 1960, pela União Brasileira de Escritores (UNB). O evento teve a proposta de celebrar a produção dos talentos do nosso país, bem como reconhecer as dificuldades do ofício, especialmente a luta incansável dos profissionais da Literatura (escritores, bibliotecários, professores, críticos e etc) para que a prática da leitura se torne também uma paixão nacional.

64 anos depois, a luta continua exatamente a mesma, e um ocorrido na Abertura dos Jogos Olímpicos de 2024 aponta que talvez esteja até mais difícil.

A última ceia, por Leonardo Da Vinci, artista cuja sexualidade também suscita debates

Durante o evento, um grupo de artistas queer, principalmente drag queens, fizeram uma representação do que, à primeira vista, parecia uma releitura de “A Última Ceia”, de Leonardo Da Vinci. Após uma série de críticas violentas (palavras como “abominação”, “lixo”, “blasfêmia” e “heresia” foram utilizadas por vários veículos de mídia de setores conservadores, em especial, religiosos), a organização do evento afirmou que a referência não se tratava da obra de Da Vinci, mas de uma pintura feita pelo holandês Jan Van Bijlert, “A festa dos deuses”, que como o próprio nome deixa claro, nada tem a ver com a doutrina cristã.

A festa dos deuses, de Jan van Bijlert

O interessante foi o quão rápido os setores conservadores foram homofóbicos sem a menor hesitação. Não que isso seja novidade: enquanto LGBT, estou familiarizado com xingamentos do tipo (meus textos já foram chamados de “macabros” e “corruptos” por um pastor famoso de Manaus), mas enquanto escritor, ainda me choco com a falta de interesse em entender aquilo que se vê em programas, filmes, livros e séries.

Caso esteja se perguntando, por serem construções que carregam leituras possíveis, imagens também são textos, e como tal, sujeitas a interpretação. Imagino que todo escritor com o mínimo de bom senso, menos de uma semana após ter seu dia nacional comemorado e recebido vários “parabéns” de leitores e familiares, deve ter se decepcionado com a situação, porque isso não é uma reação lógica, de quem entende o que viu para depois criticar.

Uma pessoa racional não reage com violência, com acusação, com tamanho desprezo ao se referir a outro ser humano. O que vimos foi uma reação fanática.

Uma leitura fanática é uma leitura soberba, que parte do princípio que tudo que é produzido no mundo é uma zombaria, um ataque a suas crenças e atitudes. É uma leitura que esquece que arrogância é o pecado original.

Não, nem tudo é uma crítica pra cima dos opressores. Às vezes, é válido celebrar uma parte significativa da sociedade que não costuma ocupar o palco principal.

Costumamos dizer que “os jovens não sabem interpretar, os jovens não querem saber de ler”, mas nós como adultos, interpretamos? Lemos? Damos o exemplo? Ou apenas acreditamos nas leituras que nos chegam prontas nas redes sociais? Será o jovem o responsável pela crise de interpretação no país? 

Se não lemos, não temos referência. Não sabemos sequer diferenciar um quadro do outro, ou um deus do outro, se somos ignorantes a ponto de achar que tudo é um ataque. A violência que surgiu após a releitura do quadro de Van Bijlert deixou bem claro que as pessoas não procuram conhecer o que criticam.

Não é apenas uma questão de representatividade, de reconhecer a existência de pessoas reais. Quando deputados e pastores influentes compartilham esse tipo de leitura rasa e sem referência, colocam em risco o emprego, a saúde, o bem-estar e a integridade de uma população que, independente do que digam, existe e integra a sociedade em múltiplos níveis e contribuem, como qualquer cidadão, com a economia, a educação e a cultura do país.

Modelo e atriz Viviany Beleboni em ato contra a homofobia na 19ª Parada do Orgulho LGBT na Avenida Paulista, em 2015 (Foto: Reuters/Joao Castellano)

Tal situação me levou de volta a outro exemplo de interpretação rasa. Em 2015, durante a 19ª Parada do Orgulho LGBT, a modelo Viviany Beleboni protagonizou um momento célebre na história do movimento: crucificada, ela fez uma releitura da Paixão de Cristo. Imediatamente, Beleboni recebeu um número imenso de ameaças de morte após sua manifestação. Considerando que o Brasil é o país que mais mata trans e travestis no mundo, é mais que óbvio o sentido que a modelo quis transmitir: associar a perseguição, o flagelo e o preconceito que sua comunidade sofre com o sofrimento pelo qual Cristo passou.

Ao lembrarmos de casos de pessoas trans assassinadas de formas brutais em qualquer manchete de jornal (a pernambucana Roberta da Silva, a carioca Matheusa Pascarelli e a cearense Keron Ravach, que tinha apenas 13 anos quando foi assassinada), não é preciso muito para interpretar a intenção de Beleboni ao retratar a Paixão de Cristo com um corpo trans. Mesmo assim, sua representação foi vista como “chacota, blasfêmia e abominação”. O ato da modelo chocou mais do que a brutalidade de tais assassinatos.

Curiosamente, as releituras abaixo não suscitaram a mesma revolta nos movimentos conservadores quando foram feitas:

Por que apenas quando sujeitos LGBTQIA+ produzem seus textos, constroem suas imagens, pintam suas vivências, é que tais movimentos se movimentam? Por que é tão abominável que pessoas dessa comunidade encontrem espaços na arte para que expressem sua realidade? Por que é um pecado que sejam celebradas em espaços de destaque como as Olimpíadas? Mesmo que fosse uma referência direta à Última Ceia, não é o simbolismo do momento uma referência à confraternização universal, objetivo principal do evento?

Ler e interpretar são também sinais de uma sociedade saudável, e o fato de setores conservadores estarem tão dispostos a desumanizar, violentar e desprezar uma parte da sociedade significa que tem gente nesse país que não prestou muita atenção nas aulas de arte e literatura.

Realmente, o brasileiro precisa estudar mais.

Sobre o autor

Jan Santos é autor de contos e novelas, especialmente do gênero Fantasia. Mestre em Literatura pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e com graduações em Língua Portuguesa e Inglesa, é um dos membros fundadores do Coletivo Visagem de Escritores e Ilustradores de Fantasia e Ficção Científica, além de vencedor de duas edições dos prêmios Manaus de Conexões Culturais (2017-2019) e Edital Thiago de Mello (2022).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

CNA: tratamento diferenciado essencial à expansão do agro brasileiro

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Foto: Reprodução/CNA

Por Osíris M. Araújo da Silva

Estudo sobre Reforma Tributária (RT) de outubro de 2023, encomendado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) à Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que o tratamento diferenciado para o agro traz mais benefícios ao país do que prejuízos de caixa no contexto da gestão das contas públicas. Também comprova a imensa responsabilidade do setor para a economia do país em relação à segurança alimentar, criação de empregos e pagamento de impostos.

Hoje, o objetivo do setor consiste em colocar mais ciência no contexto do novo sistema tributário nacional, especialmente na fase de elaboração das leis ordinárias e complementares, a serem adotadas para regulamentar assuntos específicos, não expressamente determinados no texto da Reforma. O que o agro reivindica como tratamento diferenciado, além de alinhado com o que o mundo faz, tem por fundamento relatórios técnicos da FGV, EMBRAPA e outros centros tecnológicos especializados. Nesse sentido, desde o início das discussões sobre a RT, a CNA, juntamente com entidades ligadas ao Instituto Pensar Agro e à Frente Parlamentar da Agropecuária defende, essencialmente, redução da burocracia, garantia de segurança jurídica e manutenção da carga tributária em padrões civilizados, de sorte a assegurar a competitividade internacional do setor.

O estudo da CNA também destaca a compreensão do Congresso Nacional sobre os principais pontos defendidos pelo setor, ressaltando a necessidade de o Estado brasileiro melhorar sua gestão e promover reformas para diminuir o seu tamanho e focar na redução de despesas ao invés de ampliar a carga tributária. Salienta, por outro lado, que ‘o arcabouço fiscal, em regulamentação, já passa pelo desafio de não cumprir as metas estabelecidas; o foco atual centra apenas em ampliar a carga tributária e não em reduzir despesas”, daí a grande preocupação com o fato reconhecido pela sociedade de que “o tempo de meias medidas acabou, tornando-se obrigatório sedimentar a cultura da eficiência e responsabilidade no tocante à gestão pública”.

Para a CNA, o gerenciamento do agronegócio será crescentemente impactado pelas novas tecnologias, cada vez mais aliadas a produções agrícolas sustentáveis, em particular à Bioeconomia, intensiva no uso inovador de recursos biológicos renováveis e mão de obra especializada. De acordo com o Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos) da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) “o maior benefício gerado pela incorporação de soluções de Tecnologia da Informação (TI) no agronegócio é garantir maior transparência em toda a cadeia produtiva. Um grande exemplo disso é o sistema Blockchain, que armazena informações por meio de algoritmos e favorece a gestão em tempo real de transações e do financiamento da cadeia de suprimentos, garantindo uma maior transparência”.

Outro setor da Bioeconomia que apresenta grandes perspectivas de crescimento é a agricultura de precisão, que se baseia na utilização de recursos tecnológicos avançados, tais como mapas, sensores agronômicos, GPS e máquinas conectadas que permitem o acompanhamento em tempo real das condições de cultivo nas propriedades. A nova tecnologia, que vem garantindo aumentos continuados de eficiência e produtividade pelo mundo “também se torna mais eficiente, já que proporciona um gerenciamento específico em resposta às condições apresentadas em áreas que requerem intervenção, com fortes impactos na redução dos custos de produção, na melhoria da gestão dos insumos químicos e no incremento na produtividade”.

Face a um sistema que envolve uma série de itens conectados à Internet das Coisas (IoT) e se comunicando mutuamente, salienta o documento da CNA, torna-se possível coletar informações no campo e construir base de dados indicativa de insights inovadores a serem implementados por meio de máquinas e equipamentos de alta performance operacional e o imprescindível emprego de pessoal adequadamente treinado e avaliado.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Falta de chuvas e queimadas já afetam qualidade do ar em Rio Branco

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O Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma) vem intensificando as ações de monitoramento no Acre, que vivencia um sério período de seca. E em Rio Branco, a falta de chuvas e as queimadas têm afetado diretamente a saúde da população, segundo o órgão, que é responsável por classificar a qualidade do ar.

São diversas as causas das queimadas e elas são classificadas em dois tipos: humanas e naturais. Na capital acreana, mesmo que a quilômetros de distância da parte alta da cidade, o cenário é de muita fumaça. E isso acontece tanto no Primeiro quanto no Segundo Distrito.

A chefe da sala de situação do Cigma, Ylza Lima, destaca que para a fumaça não há obstáculos. “Para a fumaça não existe nem fronteira, nem barreira e nem muro. Então a fumaça, dependendo da direção do vento, vai se espalhar por toda a região”.

De acordo com o Centro, os poluentes dos incêndios florestais podem permanecer no ar por semanas.

Além de intensificar as ações de monitoramento em todo o estado, o Cigma também faz trabalhos nos municípios com campanhas de sensibilização através de educação ambiental, reuniões e palestras.

A poluição do ar traz prejuízos à qualidade do solo e das águas, além de afetar a visibilidade e diretamente prejudicar a saúde das pessoas.

A cabelereira Vilaci Aguiar teve que chegar cedo na Unidade de Pronto Atendimento (Upa) do bairro Sobral, em Rio Branco, para buscar atendimento para a filha, que está há dias está com sintomas gripais. Ela suspeita que a situação se agravou por conta da fumaça que estampa o céu da capital.

“Está acontecendo muito isso por conta dessa sequidão, desse calor. Ela [a filha] faz faculdade e sempre está pegando sol, pegando o ar, esse calor intenso faz com que inflame a garganta. Por conta disso, estou aqui na Upa com a minha filha e está com a garganta muito inflamada e precisa do remédio para poder voltar a estudar”, comenta Vilaci.

Pequenas atitudes do dia a dia podem fazer toda a diferença. A chefe da sala de situação faz um apelo à população para que a situação não se agrave ainda mais. “Tem que ficar de olho também no vizinho, na própria comunidade, fazer esse trabalho em conjunto, conscientizar seu vizinho de que seu filho, seu parente às vezes tem um problema respiratório, para não realizar essa queima e se conscientizar de uma forma coletiva”, pede Ylza.

*Por Melícia Moura, da Rede Amazônica AC