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Cobras contribuem para equilíbrio ecossistêmico na BR-319

Foto: Reprodução

No dia 16 de julho é celebrado o Dia Mundial da Cobra, uma data que busca enfatizar a importância desses répteis para os ecossistemas onde vivem e incentivar a sociedade a atuar em sua proteção. Na área de influência da rodovia BR-319, desempenham um papel importante no equilíbrio ecossistêmico, o que também beneficia a população humana.

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É o que explica Igor Yuri Fernandes, mestre em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e fundador do Projeto Suaçuboia, que atua no Amazonas.

“As cobras são predadores intermediários. Em alguns casos, predadores de topo. Elas desempenham um papel de equilíbrio no ecossistema, servindo tanto de presas para grandes predadores quanto de predadoras para pequenos animais. Dessa forma, auxiliando no controle populacional de diversas espécies”, explica.

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Ligando os estados do Amazonas e Rondônia, a área de influência da BR-319 é composta por uma transição entre florestas densa e aberta, o que dá abrigo para mais de 40 espécies de cobras, dentre as quais estão a cascavel (Crotalus durissus) e cobra-cipó (Chironius exoletus).

Fotos: Reprodução

No ano de 2020, Fernandes ajudou a fundar o Projeto Suaçuboia, hoje reconhecido como um grupo de pesquisa no Instituto de Biodiversidade e Conservação da Amazônia (IBCAM).

O trabalho parte da escuta das crenças populares alinhado ao saber científico. O biólogo explica que além de valorizar o conhecimento popular, isso incentiva novas pesquisas acadêmicas que esclarecem dúvidas sociais e científicas.

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Fernandes reconhece que ainda há um preconceito em relação a esses répteis, mas reafirma a sua importância. “Nós trazemos uma outra visão de que nem todas as cobras são mortais, e que muitas são benéficas ao fazer o controle de algumas pragas e até no fornecimento de insumos farmacêuticos”, acrescenta.

Igor Yuri Fernandes é biólogo pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e mestre em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), fundador e pesquisador do projeto Suaçuboia. Atualmente, ocupa o cargo de diretor técnico-científico no Instituto de Biodiversidade e Conservação da Amazônia (IBCAM).

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Observatório BR-319

Rede Wetscape visa proteger áreas úmidas em todo o território nacional

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Áreas úmidas da Amazônia também fazem parte dos complexos de proteção. Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá

O Brasil se destaca mundialmente por sua riqueza em recursos hídricos nos diferentes biomas e ao longo do sistema costeiro-marinho, que sustentam vastas paisagens úmidas (PUs) com centenas a milhares de quilômetros quadrados.

Esses complexos paisagísticos são formados por conjuntos de macro-hábitats, unidades funcionais interconectadas pela água ao longo de gradientes, que apresentam grande heterogeneidade em área, biodiversidade, serviços ecossistêmicos, vulnerabilidade e resiliência, o que tem fortes implicações para a gestão ambiental inclusiva e participativa.

O quadro de desproteção das PUs interiores e costeiras é alarmante, frente às crescentes ameaças da mudança climática e inúmeros impactos de origem humana, que causam desequilíbrio, perda de biodiversidade, serviços ecossistêmicos e vidas humanas e insegurança alimentar e hídrica, evidenciando a grave ausência de políticas públicas eficazes e consistentes para sua gestão. 

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O principal aspecto inovador do INCT Rede de Paisagens Úmidas Brasileiras (Wetscape), coordenado pelo pesquisador do INPA, Jochen Schöngart, é analisar de forma holística cada paisagem úmida componente da rede focando em estressores e mitigadores comuns a todas.

Para isso, será aplicada uma abordagem interdisciplinar que permitirá analisar padrões de resiliência das PUs a múltiplos estressores, como o aumento do nível do mar, eventos climáticos extremos, fogo e presença de espécies exóticas de flora e fauna.

Das dezenas de PUs que ocorrem nos biomas e no sistema costeiro-marinho do Brasil, foram selecionadas sete PUs estratégicas para formar a rede interativa, a Restinga de Jurubatiba, o Complexo Estuarino de Paranaguá, o Taim, o Interflúvio Rio Negro-Rio Branco, as Áreas Alagáveis da Amazônia Central, o Araguaia/Ilha do Bananal e o Pantanal Matogrossense. O eixo das Áreas Alagáveis da Amazônia Central será coordenado por Ayan Fleischmann, pesquisador titular do Instituto Mamirauá.

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Segundo Ayan, “é uma oportunidade muito interessante para integrar pesquisadores do Instituto Mamirauá a diversos outros pesquisadores que atuam na temática de áreas úmidas do Brasil. Vamos fazer uma integração do que se tem de informação ecológica com informações socioeconômicas para fazer o que estamos chamando de um zoneamento ecológico-econômico da paisagem úmida, algo que será importante para a manutenção da saúde dos ecossistemas amazônicos e das populações amazônidas”.

A rede científico-tecnológica deste Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia é formada por 76 pesquisadores de 26 instituições nacionais e internacionais de excelência em estudos de áreas úmidas. O instituto terá como objetivos principais a formação de recursos humanos, a divulgação científica, a internacionalização e a transferência de conhecimento para os setores público e social.

A missão do INCT Wetscape para os próximos cinco anos é gerar conhecimento e fomentar políticas públicas nacionais e internacionais inovadoras, despertar a conscientização ambiental da sociedade e apontar formas de uso parcimonioso das PUs pela sociedade. As ações serão inclusivas, com foco nas Populações Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais (PIQCTs), desenvolvendo estratégias colaborativas para a conservação da sociobiodiversidade.

*Com informações do Instituto Mamirauá

Pará tem nova trilha ecológica na APA Jará, em Juruti

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Trilha está localizada na Área de Proteção Ambiental Jará. Foto: Daniel Govino

A comunidade da Área de Proteção Ambiental (APA) Jará, em Juruti (PA), vai inaugurar neste sábado (20) a Trilha Tucunaré, nova rota ecológica construída com o protagonismo dos moradores locais. A abertura ocorre como parte do Um Dia no Parque, que valoriza as unidades de conservação e aproxima as pessoas da natureza.

A trilha segue parte de um caminho conhecido por muitos comunitários: o antigo trajeto percorrido diariamente por estudantes que saíam de suas casas rumo ao Lago Jará para chegar à escola na cidade. Com aproximadamente 1,2 km, ela foi revitalizada com base nesse percurso histórico, resgatando a memória local e valorizando a relação entre a população e o lugar.

“Essa iniciativa é muito mais do que um novo atrativo de visitação. Ela representa uma reconexão com o passado e uma valorização dos saberes de quem vive na região, que foram fundamentais em todo o processo de planejamento”, explica a pesquisadora do Imazon Jakeline Pereira.

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O percurso é predominantemente no terreno reto e, durante o mapeamento, foram identificados pontos de interesse, obstáculos naturais e potencial para atividades de educação ambiental e ciclismo leve. A condução é realizada por integrantes do território e o trajeto tem duração média de 50 minutos, sendo considerado de baixa dificuldade.

A programação de inauguração será a partir das 8h, no Porto do Junhão, com o embarque dos participantes em rabetas para deslocamento até o ponto de acesso à trilha. O trajeto terrestre incluirá o plantio simbólico de espécies nativas, como ação educativa e de sensibilização ambiental. Após a caminhada, o retorno será feito também por via aquática, permitindo a contemplação da paisagem e reforçando a conexão entre os meios terrestre e fluvial.

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Construção realizada com diálogo, cuidado e capacitação local

A Trilha Tucunaré é resultado de um processo coletivo, que envolveu oficinas, mutirões, capacitações e ações de comunicação. O projeto foi apresentado durante reunião do conselho gestor da APA Jará, com a definição de um cronograma participativo que orientou desde a abertura do caminho até a instalação da sinalização. 

Além disso, 20 moradores da região participaram do curso “Boas Práticas na Condução de Trilhas Interpretativas”, formando os primeiros condutores aptos a guiar visitantes com foco no turismo de base comunitária.

“A formação foi pensada para valorizar os conhecimentos que eles já têm sobre a sua localidade e, ao mesmo tempo, fortalecer práticas seguras e sustentáveis de condução de visitantes. Mais do que capacitar, foi uma troca de saberes que fortalece o protagonismo da comunidade na gestão da ação e da unidade de conservação”, afirma Jakeline.

Aula para formação dos condutores da Trilha Tucunaré na APA Jará. Foto: Divulgação

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Outra iniciativa foi a formação em comunicação realizada durante o curso “Minha Comunidade nas Redes” para 17 pessoas de Juruti, principalmente da APA Jará. A atividade focava em técnicas para registrar e divulgar as vivências locais e a importância da conservação ambiental nas redes sociais. Com a inauguração, a APA Jará dá mais um passo para fortalecer a gestão participativa da unidade e o desenvolvimento de atividades sustentáveis.

A atividade foi realizada no âmbito do projeto “Promoção da Visitação Pública da APA Jará”, realizado em parceria com a Prefeitura de Juruti e apoiado pela Alcoa Foundation.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon

Cinco municípios da região Norte apresentam piores índices de saneamento básico em 2025

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Capitais da região Norte figuram entre as piores no que diz respeito ao saneamento básico. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Levantamento realizado pelo Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com GO Associados, voltado à análise da universalização dos serviços de saneamento básico, evidencia que oito dos 20 municípios com pior desempenho em 2025 são capitais estaduais do Norte e Nordeste: Recife (PE), Maceió (AL), Manaus (AM), São Luís (MA), Belém (PA), Rio Branco (AC), Macapá (AP) e Porto Velho (RO).
 
Os dados da 17ª edição do Ranking do Saneamento, com o foco nos 100 municípios mais populosos do Brasil, revelam que as maiores dificuldades relacionadas ao saneamento básico entre as capitais brasileiras estão concentradas nessas regiões. 

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Nesse recorte, o estudo aponta que a macrorregião Norte foi a mais afetada, onde diversas capitais apresentaram baixos índices de coleta e tratamento de esgoto, além de cobertura limitada no abastecimento de água. Porto Velho (RO), Macapá (AP) e Rio Branco (AC), por exemplo, registraram indicadores significativamente inferiores à média nacional.

A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, acredita que “muitas vezes não se prioriza o saneamento básico como deveria. Então, por isso, os investimentos não acontecem e aí a gente não vê também o indicador evoluir”.

Tratamento de esgoto

Das 27 capitais brasileiras, apenas cinco tratam ao menos 80% do esgoto gerado: Curitiba (PR), Brasília (DF), Boa Vista (RR), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA). Enquanto quatro capitais tratam abaixo de 20% do esgoto coletado: Porto Velho (RO) com 12,18%; Macapá (AP) com 14,42%; São Luís (MA) com 15,89%; e Teresina (PI) com 19,19%.

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Quanto à coleta total de esgoto, somente seis cidades-sede superam 90% de atendimento: Goiânia (GO), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR) e Porto Alegre (RS). Em contraste, duas capitais da Região Norte do país registram taxas de esgotamento sanitário inferiores a 10%. São os casos de Porto Velho (RO), com 9,27%, e Macapá (AP), com 7,78%.

Abastecimento de água

Em relação ao abastecimento total de água, sete capitais alcançaram pelo menos 99% de cobertura. Embora a média nacional seja de 94,11%, regiões no Norte registram indicadores próximos ou abaixo de 50%, como Rio Branco (AC), com 53,13%; Macapá (AP), com 40,04%; e Porto Velho (RO), com 35,02%.

Os indicadores de perdas de água também apresentaram números elevados. No que se refere a perdas na distribuição, apenas Goiânia (GO) e Teresina (PI) apresentaram índices abaixo de 25%, com 12,68% e 24,20%, respectivamente, e foram considerados exemplos para o país.

Investimentos

Entre 2019 e junho de 2023, o total somado dos investimentos realizados por todas as 27 capitais brasileiras em saneamento básico foi de aproximadamente R$ 30,5 bilhões. O município de São Paulo (SP) realizou o maior investimento do período, no qual concentrou 40% do montante, com aproximadamente R$ 11,5 bilhões. Enquanto o Rio de Janeiro (RJ) investiu R$ 2,9 bilhões e Fortaleza (CE), R$ 1,8 bilhão.

A análise mostra que, em investimento médio anual por habitante, a média das capitais é de R$ 130,05. A cidade de Cuiabá (MT) lidera com R$ 415,02, seguida por São Paulo (SP) com R$ 198,97 e Campo Grande (MS) com R$ 195,31. Porém, apenas Cuiabá supera o patamar do Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB) de R$ 223,82; as demais capitais apresentaram investimentos por habitantes inferiores ao valor estimado.

Pretto afirma que “os municípios que se destacaram fizeram um planejamento de longo prazo em relação ao saneamento básico. Viram quais obras eram necessárias e o que precisaria ser feito para universalizar. Transformaram o saneamento básico em uma política de estado, mantendo os investimentos ano a ano e não alterando essa política que havia sido estabelecida. Isso ajuda muito para que o saneamento avance”.

O patamar mais baixo foi observado em Rio Branco (AC), que registrou R$ 8,09 por habitante. O fator justifica parcialmente a posição do município como último do ranking de 2025.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Brasil 61

Sabor, imagem e discurso: a experiência do chocolate Filha do Combu 

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Foto: Reprodução/Filha do Combu

Quem experimenta os chocolates Filha do Combu dificilmente esquece. O sabor denso do cacau nativo, colhido às margens do rio Guamá, vem acompanhado de histórias de vida, ancestralidade e resistência. Foi esse conjunto de sensações e sentidos que inspirou a pesquisadora Giselle do Carmo Souza Moraes a desenvolver sua pesquisa de mestrado, defendida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCom/UFPA).

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Orientado pela professora Manuela do Corral Vieira, o estudo investiga como o consumo da marca se torna mediador de experiências comunicacionais e identitárias das populações ribeirinhas da Amazônia.

“Em 2010, comecei a trabalhar em um restaurante na Ilha do Combu e, com esse convívio, entendi que aquele território era mais do que moradia ou renda: era uma forma de vida. O chocolate da Dona Nena despertou meu interesse pela potência de comunicação que ele carrega – uma experiência amazônica no sabor, na imagem e no discurso”, conta Giselle Moraes.

Criada por Izete Costa, a Dona Nena, a marca Filha do Combu surgiu da vontade de compartilhar um chocolate feito de modo artesanal, saudável e com ingredientes locais.

“Ela sempre acreditou no produto, mesmo quando a família achava que não daria certo. Ela dizia: ‘As pessoas vão gostar’. E gostaram”, relata a pesquisadora.

Ao longo dos anos, a marca expandiu e se tornou símbolo da produção sustentável e criativa da Ilha do Combu, reunindo o que há de mais autêntico na cultura amazônica.

Mas o diferencial vai além da receita: a marca comunica. Desde os rótulos até as experiências presenciais no local de produção, tudo é pensado para provocar os sentidos, despertar as emoções e criar vínculos com a floresta.

De acordo com a autora, Dona Nena possui uma consciência ambiental que advém de saberes ancestrais e da sua relação com a ilha. “Ela é uma fonte inesgotável de conhecimento sobre a floresta e sobre como viver em harmonia com ela”, destaca Giselle.

Foto: Reprodução/Filha do Combu

Marca usa marketing de experiência como estratégia

A pesquisa utilizou métodos como observação participante, entrevistas, netnografia e análise de materiais digitais da marca para mapear como o chocolate do Combu comunica mais do que o sabor.

“Durante a pesquisa, uma imagem me marcou: uma turista segurando o chocolate, com um ‘paredão’ verde ao fundo, tirando uma foto, como quem diz: ‘Eu também sou parte disso aqui’. Aquele chocolate vira status, vira símbolo de uma Amazônia desejada, que se consome com todos os sentidos”, afirma Giselle Moraes.

Esse desejo também é construído com estratégias de marketing de experiência que encantam pelo sensorial. Desde a travessia do porto – já filmada e compartilhada pela marca – até o contato com o cacau, as espécies nativas e o bioma local, tudo é pensado para criar uma vivência de consumo imaterial. Segundo a pesquisadora, por disputar espaço em um mercado bastante competitivo, a Filha do Combu aposta em diferenciais que moldam uma Amazônia que encanta e seduz o consumidor.

Se, no início, o chocolate parecia apenas um elo entre produtor e consumidor, a pesquisa mostra que ele vai além. Ele ativa sensações, desperta o afeto e a memória, e carrega a identidade ribeirinha. Ao longo das experiências proporcionadas pela marca, o visitante é envolvido por um recorte da vida da Dona Nena e de seus familiares.

“É impossível sair de lá sem comprar ao menos um bombom”, brinca a pesquisadora ao relatar as experiências observadas em campo. O consumo deixa de ser apenas comercial e passa a carregar sentimento e pertencimento.

Região precisa se desprender da validação externa

Ao contar a história da marca e da mulher que a criou, a dissertação também traz à tona a necessidade de reconhecimento da potência dos povos e dos saberes tradicionais. Em tempos de discursos sobre a Amazônia, pensados de fora para dentro, Giselle do Carmo Souza Moraes defende a urgência de se desprender da validação externa: “Nós somos potentes e autênticos, temos uma floresta exuberante, além de tecnologia, cidade e movimento”.

Foto: Reprodução/Filha do Combu

A pesquisa mostra como a marca soube capitalizar essa força simbólica sem se desconectar de sua raiz ribeirinha, seja ao empregar moradores locais, ao associar os produtos à cultura da ilha, seja ao resgatar receitas da infância de Dona Nena. A empresa construiu uma narrativa poderosa, que gera valor emocional e social. O ponto de venda, mais do que um espaço comercial, tornou-se um território de “ambientabilidade”, onde pulsa uma Amazônia viva e coletiva.

Além de um estudo sobre uma marca, a dissertação de Giselle Moraes é uma afirmação política e afetiva sobre o poder de comunicar tendo por base a Amazônia. A autora reforça que os produtos da região podem – e devem – carregar identidade e história. “As pessoas estão cansadas das mesmas coisas. Elas querem autenticidade. E nós temos isso de sobra”, conclui.

Sobre a pesquisa

A dissertação As experiências comunicacionais e identitárias ribeirinhas amazônicas por meio do consumo do chocolate da marca Filha do Combu foi defendida por Giselle do Carmo Souza Moraes, em 2023, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCom/ILC), da Universidade Federal do Pará, sob orientação da professora Manuela do Corral Vieira.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, da UFPA, edição 175, escrito por Luan Cardoso

Nova espécie de bagre é descoberta na bacia do rio Xingu, em Mato Grosso

Fotografia de um exemplar de I. arceae, utilizada para destacar e comparar características morfológicas do animal. Crédito: Silva et al. 2025 

Encontrados em todo o mundo, os bagres formam um grupo de peixes cuja diversidade impressiona. Não fosse pelos característicos “bigodes” — o que rendeu ao animal o nome de “peixe gato” em alguns países — seria difícil afirmar, apenas pela aparência externa, que as mais de 4.200 espécies conhecidas pertencem ao mesmo grupo de peixes.

Além das diferenças de comportamento, habitat e dos variados padrões de coloração, os bagres também apresentam grande variação de tamanho, indo de minúsculos exemplares, medindo poucos milímetros, até espécies gigantes, como o Pangasianodon gigas, um dos maiores peixes de água doce já identificados.

A grande variedade de locais onde é possível encontrar esses peixes também faz com que muitas espécies ainda permaneçam desconhecidas. Algumas dessas pertencem ao gênero Imparfinis, que reúne representantes espalhados nos rios de água doce de toda a América do Sul, desde a Costa Rica até a Argentina passando, evidentemente, pelo Brasil.

Foi nos rios da bacia do rio Xingu, no norte do Mato Grosso, que um grupo de pesquisadores do Instituto de Biociências da Unesp, no câmpus de Botucatu, descobriu uma nova espécie de Imparfinis, adicionando mais um elemento da rica biodiversidade latino americana. 

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O achado foi divulgado no artigo ‘Integrative Taxonomy Reveals a New Species of Imparfinis (Siluriformes: Heptapteridae) from the Upper Xingu River Basin‘ e publicado na revista científica Ichthyology & Herpetology em abril deste ano.

No trabalho, o grupo descreve as características morfológicas, relacionadas à aparência, e genéticas dos exemplares encontrados, evidenciando as diferenças existentes entre outras espécies de Imparfinis e, também, o grau de proximidade da nova espécie com as outras conhecidas. 

Uma década de espera até a descoberta

Nomeada Imparfinis arceae, a primeira característica que chamou a atenção dos pesquisadores para a possibilidade de se tratar de uma espécie ainda não descoberta é uma faixa preta presente em toda a lateral do peixe.

“Existem algumas espécies de bagres que apresentam essa faixa lateral escura, mas elas não são tão amplas como essa, o que despertou nossa desconfiança”, conta Gabriel de Souza da Costa e Silva, que liderou a investigação e atualmente realiza pós-doutorado no IB-Unesp.

O ictiólogo (nome dado aos especialistas em peixes) explica que a busca por novas espécies não é linear e nunca é possível prever o que será encontrado. Por isso, o primeiro sinal, para um olhar mais cuidadoso, são sempre as características físicas: um padrão diferente, uma coloração que varia, o formato da cauda que é levemente distinto dos demais. A partir disso é que os pesquisadores irão aprofundar, ou não, a investigação.

No caso da I. arceae, a espécie conta com uma história de espera de mais de uma década para ser descrita. Os exemplares foram coletados em 2012, durante uma expedição do professor Claudio Oliveira, líder do Laboratório de Biologia e Genética de Peixes do IB-Unesp, à região do Alto Xingu, na Amazônia, e foram armazenadas na coleção do laboratório, sem receber atenção naquele momento.

Em 2022, Gabriel, durante a pesquisa de pós-doutorado que tinha como foco o estudo do grupo Imparfinis, decidiu trabalhar com os exemplares que integravam a coleção do grupo e percebeu que, entre os animais, haviam alguns pequenos exemplares, que mediam entre 27mm e 67mm e apresentavam uma estranha faixa preta na lateral do corpo.

“Foi apenas nesse momento que começamos as análises e percebemos que se tratava de uma espécie nova”, diz o pesquisador.

Análise morfológica detalha as diferenças físicas 

Na biologia, a área responsável por descrever, nomear e classificar os seres vivos é chamada de taxonomia. Graças aos estudos nessa disciplina — que envolvem desde a identificação de diferenças físicas entre os organismos até a determinação do grau de parentesco entre eles —, toda a biodiversidade conhecida atualmente está organizada em uma hierarquia de grupos: reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie. Essa classificação permite compreender a evolução dos animais e vegetais, bem como as conexões que mantêm entre si ao longo do tempo.

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Portanto, para que uma nova espécie seja reconhecida, ela deve apresentar características suficientemente semelhantes às de outras espécies do mesmo gênero — como Imparfinis —, de modo a justificar sua inclusão nesse grupo. Ao mesmo tempo, deve exibir diferenças significativas que a distingam das demais espécies que integram esse grupo, garantindo seu reconhecimento como uma espécie única.

Com a suspeita de uma nova espécie, o grupo realizou uma análise morfológica na qual foram coletadas diversas informações físicas dos vinte indivíduos coletados: padrões de coloração, número de vértebras, comprimento, diâmetro dos olhos, tamanho da cabeça, etc.

Imagem radiográfica de Imparfinis arceae, espécie de bagre descoberta por pesquisadores da Unesp. Crédito: Silva et al. 2025

Esse primeiro passo permitiu demarcar algumas diferenças em relação a espécies Imparfinis hasemani, que também conta com uma faixa escura lateral e que poderia levar a confundir um exemplar com outro. Além dos padrões das faixas apresentarem tamanhos distintos, outras diferenças emergiram: a I. arceae possui 39 vértebras, enquanto a I. hasemani conta com 40; os olhos da nova espécie também são menores e, além disso, o comprimento da cabeça é maior.

Comparação genética comprova nova espécie de bagre

Combinado com as análises morfológicas, o grupo realizou, também, análises genéticas para conseguir um detalhamento maior das características do animal. “Nós fizemos um sequenciamento de um fragmento de DNA das diferentes espécies, o que permite que a gente compare os DNAs entre si”, explica Gabriel. Isso faz parte de um ramo chamado de taxonomia integrativa, que combina dados morfológicos e moleculares para entender melhor a história evolutiva e a classificação de organismos que estão sendo estudados.

Para a análise genética, o grupo extraiu o DNA dos peixes a partir de um pedaço da musculatura dos animais. A ideia por trás desse processo é adquirir uma mesma parte da sequência genética de cada indivíduo, que consiste na ordem específica dos nucleotídeos, as “letras” do código genético (A, T, C e G) que compõem o DNA. Com essa sequência de letras, é possível alinhar as diferentes sequências e ver em quais pontos houve alguma mutação.

Por exemplo, se temos três indivíduos com as sequências “A-C-C-T-G”; “A-C-C-T-G” e “A-C-T-T-G”, é possível perceber que o terceiro indivíduo sofreu uma mutação na terceira base, que passou de “C”, para “T”. Esse é o mesmo processo feito pelo grupo para analisar as diferenças genéticas dos peixes coletados e identificar aqueles da mesma espécie, porém, com sequências muito maiores.

Além disso, para garantir que será extraída a mesma parte da sequência genética de cada um dos peixes, os pesquisadores vão atrás de um gene marcador chamado COI (citocromo c oxidase). Para encontrar esse gene específico, após a extração do DNA, são utilizados primers que se ligam as extremidades do gene COI e promovem a amplificação desse fragmento, tornando possível o seu sequenciamento. 

Ao obter e comparar as sequências dos diferentes peixes, os pesquisadores puderam comprovar que além de compartilharem um código genético semelhante, os exemplares estudados apresentavam mais de 6% de divergência genética em relação a outras espécies do gênero Imparfinis.

“Isso evidenciou o fato de que esses animais correspondem a uma nova espécie”, afirma Gabriel.

Descoberta é um apelo pela conservação

O grupo optou por nomear o achado em homenagem à uma colega de profissão: a ictióloga Mariangeles Arce Hernández. A pesquisadora é diretora do Centro de Biologia Sistemática e Evolução da Academia de Ciências Naturais da Universidade Drexel, nos Estados Unidos, onde Gabriel realizou parte do seu pós-doutorado entre 2023 e 2024, quando estava trabalhando na descrição da espécie.

Para o pesquisador, um dos pontos mais importantes quando se fala sobre a descoberta e a descrição de novas espécies reside na conservação da biodiversidade – inclusive daquela que ainda não é conhecida. O grupo não realizou um levantamento para saber o quão comuns são os representantes de bagre recém encontrados, entretanto, com base nas coletas realizadas, Gabriel acredita que eles não são um grupo tão abundante.

“Essa é uma espécie endêmica do Alto Xingu, o que significa que ela só ocorre naquela região. Igual a ela, existem outras espécies que também são restritas a essa área”, afirma. “Nós sabemos que o sul da Amazônia vem sofrendo com muito desmatamento e, se eliminarmos o habitat dessas espécies endêmicas, elas serão completamente extintas”, completa.

Para Gabriel, a importância de descobrir mais espécies e sua ocorrência vai ao encontro dos objetivos de conservação e preservação de habitats naturais. “A medida que a gente vai estudando, nós também descobrimos que a maioria dos peixes de água doce são endêmicas. Por isso a necessidade de conservar esses ambientes, porque se nós destruirmos esses espaços, essas espécies não vão estar em outro lugar”, diz.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unesp, escrito por Malena Stariolo

“Payxão” em movimento: gestos, expressões e performances entre torcedores do Paysandu

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Torcedores do Paysandu são apaixonados pelo clube de futebol, gerando interesse para pesquisas. Foto: Alexandre de Moraes

O árbitro apita para iniciar a partida de futebol no Estádio Leônidas Sodré de Castro, os olhos do público estão todos voltados para dentro do campo, os jogadores começam a se movimentar pelo gramado, a torcida vibra, clama e canta junto o trecho mais conhecido do hino popular do time: “Uma listra branca, outra listra azul, essas são as cores do Papão da Curuzu”.

De repente, a cantoria termina e a concentração ganha espaço. Já se passaram 45 minutos desde o segundo tempo, os torcedores voltam a atenção para o jogador camisa 10 da equipe, próximo da área adversária. É a chance do tudo ou nada. A glória de mais um título se aproxima. A bola toca na rede, o público vai à loucura e é gol do Paysandu!

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Em Belém (PA) é comum cenários como esse acontecerem com frequência entre os torcedores fanáticos pelo Paysandu Sport Club, aqueles que vivem intensamente suas emoções dentro do campo. Com vistas a esse olhar futebolístico, a pesquisadora Lucienne Ellem Martins Coutinho desenvolveu um estudo com o propósito de analisar os corpos, os gestos e os movimentos da torcida bicolor nos jogos de futebol.

A tese intitulada ‘Corpos Alterados: gesto, performance e paixão entre torcedores do Paysandu’ teve como objetivo compreender o que move os bicolores com base em dois conceitos: o de “Comportamento Restaurado”, do professor de Estudos da Performance Richard Schechner; e o de “Torcida como Comunidade”, do antropólogo Roberto da Matta.

“Os gestos são figuras de ação e compõem a esfera simbólica das culturas transmitindo significado. É aquele movimento que vai ser impulsionado pelas sensações, pelo que o torcedor está sentindo e quer passar para o jogador. Na verdade, eu sempre digo que é uma troca. Não é à toa que, quando o time joga com a sua torcida, há um diferencial. Os gestos vão impulsionar dando a força, o estímulo e a confiança que o jogador precisa para fazer o gol”, explica Lucienne Coutinho.

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Tratar futebol como arte é ideia pioneira no PPGArtes

O estudo sobre torcedores do Paysandu é pioneiro por trazer ao Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGArtes/UFPA) uma pesquisadora mulher para tratar sobre futebol como arte.

“A minha tese ajudou a abrir um universo que ainda não tinha sido discutido e que é tão salutar! Espero que esse olhar diferenciado e essa nova perspectiva artística alimente o interesse das pessoas por outros campos não explorados, mas tão ricos e presentes na nossa vida”, afirma a pesquisadora.

Lucienne Coutinho utilizou como referência o antropólogo Roberto da Matta para descrever o sentimento de torcida como uma comunidade que compartilha as emoções, seja a alegria da vitória, seja a tristeza após uma derrota.

Torcida do Paysandu mostra paixão pelo time paraense. Foto: Matheus Vieira/Paysandu

O diretor e pesquisador Renato Cohen também está presente na pesquisa para destacar que a reação dos torcedores é um movimento não ensaiado pelo público, mas, sim, improvisado com liberdade de criação. “Esse performer não ensaia a ação de praticá-la, ele age com base em suas emoções e em seus sentimentos”, relata a autora.

Estudante de Graduação em História, Luciana Silva é assídua nos jogos do Paysandu e detalha seu comportamento durante as partidas de futebol do seu time.

“Eu costumo ficar em dúvida entre beber, criticar todos os bagres do elenco, chorar – no caso de um jogo muito importante ou uma vitória inesperada – ou cantar as músicas das torcidas organizadas. Além do jogo, cantar as músicas é a minha parte favorita. Sempre me arrepio e fico com a sensação de que o Paysandu é ‘a torcida’ quando cantamos: ‘Explode coração, na maior felicidade, é lindo o meu papão, contagiando e sacudindo essa cidade’ ou ‘Vamos pra cima papão, quero gritar campeão’. São músicas que o estádio todo canta e arrepia qualquer um”, explica a estudante.

Re x Pa: emoção fica à flor da pele em dia de clássico

Um dos maiores clássicos do futebol paraense ocorre com a disputa entre as equipes dos Clubes Remo e Paysandu. O famoso RexPa costuma movimentar milhares de pessoas na capital e permite que os torcedores experimentem emoções diferentes, já que o Clube do Remo é conhecido por ser o maior rival do time bicolor. “Nós sempre vamos querer ganhar. Não dá para comparar um RexPa com qualquer outro jogo. Esse clássico é uma paixão que colore a cidade em diferentes tons de azul”, conta Luciana.

Segundo a pesquisadora, apesar de trazer momentos felizes para dentro do campo, o RexPa também é um espaço em que “os fanáticos irracionais” manifestam gestos e performances violentas nas arquibancadas.

“É como se fosse uma guerra entre as duas maiores torcidas de Belém. Elas se manifestam de qualquer forma, usam xingamentos com palavrões, expressões homofóbicas, além de gestos depreciativos contra as mulheres”, lamenta Lucienne Coutinho.

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Como resultados do estudo, a pesquisadora observou que os torcedores apaixonados criam e recriam, a cada jogo, um novo corpo: um corpo alterado por novos sentimentos que possibilitam o surgimento de novos gestos e performances nos estádios e na vida cotidiana. Na arquibancada, esses corpos são vistos como iguais. Independentemente de raça ou religião, eles se movimentam pela alegria, tristeza ou raiva durante a partida, sempre unidos pela vontade de vencer.

“Sou muito grata por ser Paysandu, por viver o clube na derrota, na vitória e no empate. Há alguns anos, assistir aos jogos do Paysandu era uma das poucas coisas que me deixavam feliz. ‘Dia de jogo, dia de lobo’, sempre vai ser um dia diferente. É mais do que um hobbie, é amor. Levo a sério a música ‘As cores do meu clube, defendo com vigor, na luta estamos juntos, com raça e amor’”, finaliza a torcedora Luciana Silva.

Sobre a pesquisa

A tese ‘Corpos Alterados: gesto, performance e paixão entre torcedores do Paysandu’ foi defendida por Lucienne Ellem Martins Coutinho, em 2023, no Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGArtes/ICA), da Universidade Federal do Pará, sob orientação da professora Giselle Guilhon Antunes Camargo.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, da UFPA, edição 175, escrito por Victoria Rodrigues

Potencial turístico de birdwatching em Rondônia é debatido pela Embratur: “paraíso”

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Segundo a Embratur, Rondônia possui espécies migratórias e raras, como o Jacamim-de-costas-verdes, ave símbolo do estado, tornando-se um paraíso para o Birdwatching. Foto: Reprodução/EBird

O presidente da Embratur, Marcelo Freixo se reuniu no dia 16 de julho com representantes da Secretaria Estadual e Municipal de Turismo de Rondônia, na sede da Agência, em Brasília, para debater novas propostas de promoção internacional do turismo de observação de aves e de pesca esportiva no estado.

Ocupando lugar de destaque em número de espécies no Brasil, a região Norte oferece grande diversidade de aves, incluindo espécies migratórias e raras, como o Jacamim-de-costas-verdes, ave símbolo do estado, e o pazinho-estriado-de-rondonia, além de outras como o Arapaçu-de-bico-curvo-de-rondonia e o Arapaçu-de-rondônia, tornando-se um paraíso para o Birdwatching.

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Durante o encontro, foram discutidas estratégias para a promoção internacional de turismo de observação de aves com foco na atuação em mercados como Reino Unido, Estados Unidos, Itália, Canadá e Alemanha.

Freixo exaltou o momento atual do turismo internacional no Brasil – já recebeu 5,3 milhões de estrangeiros no primeiro semestre – e destacou as possibilidades de crescimento, sobretudo com o Plano Brasis.

“Rondônia é uma nova rota que precisa fazer parte do plano de marketing do país. O Plano Brasis é um grande desafio por conta da diversidade do Brasil e busca despertar o interesse de estrangeiros para as riquezas do nosso país”, afirmou Freixo.

O Turismo de Pesca Esportiva também foi citado na reunião, conforme o Plano de Desenvolvimento do Turismo de Pesca Esportiva do Estado de Rondônia. Inicialmente, Porto Velho e municípios como Pimenteiras do Oeste, Cabixi, Alta Floresta d’Oeste, Alto Alegre dos Parecis e Guajará-Mirim, devem ser ativados para o segmento.

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Presente à reunião, o professor e secretário executivo de Turismo de Porto Velho, Aleks Palitot, fez um convite a Marcelo Freixo, para conhecer de perto a Reserva Extrativista Lago do Cuniã, situada no Baixo Madeira, em Porto Velho.

A Reserva Extrativista é rica em biodiversidade e atrativos naturais e abriga vários igarapés e uma avifauna diversa, com destaque para pássaros aquáticos, o que a torna um potencial destino para o ecoturismo e a observação de aves.

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O turismo de observação de aves, tem se tornado uma prática cada vez mais popular, atraindo viajantes que buscam não apenas relaxar, mas também se conectar com a rica fauna do país. Com 18% da diversidade mundial de pássaros, o Brasil é um destino imperdível para quem deseja vivenciar essa experiência única.

*Com informações da Embratur

Escolas indígenas de Boa Vista ganham quadras poliesportivas

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São 15 escolas localizadas nas áreas indígenas de Boa Vista que receberam modernas quadras poliesportivas. Foto: Rebeca Lima/PMBV

O compromisso da prefeitura com a rede municipal de ensino envolve também o incentivo à prática esportiva. E prova disso são 15 escolas localizadas nas áreas indígenas de Boa Vista que receberam modernas quadras poliesportivas, garantindo a alegria dos alunos, das famílias e das comunidades em geral.

Com estrutura moderna, cobertura, assentos, muro, alambrado e pintura lúdica voltada à Primeira Infância, as quadras são usadas para atividades esportivas, culturais e pedagógicas. Uma das unidades de ensino contempladas foi a Escola Municipal Indígena Vicente André da Silva, na Comunidade Truaru da Cabeceira. A estrutura também será utilizada nos Jogos Municipais das Escolas Indígenas.

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“Além das atividades esportivas, essas quadras poliesportivas têm uma estrutura moderna e multifuncional, que permite não apenas a prática de vários esportes, mas também a integração das comunidades indígenas. São espaços onde podem promver festas, apresentações e eventos culturais, fortalecendo os vínculos sociais e valorizando as tradições dos povos indígenas”, disse o secretário municipal de Obras, Felipe Menezes.

Voltada à Primeira Infância, as quadras são usadas para atividades esportivas, culturais e pedagógicas. Foto: Giovani Oliveira/PMBV

Incentivo ao esporte e valorização cultural

O gestor da Escola Vicente André da Silva, Marque Agostinho Batista, afirmou que todos estão empolgados com o novo equipamento público. “Este sempre foi um sonho coletivo da comunidade. É uma conquista aos nossos alunos. Vai fortalecer o esporte e valorizar nossa cultura ancestral, elementos tão importantes para os povos indígenas”, contou.

A prefeitura também entregou mais de 40 mil artigos esportivos para as escolas de Boa Vista, inclusive das comunidades indígenas e do campo. São diversos tipos de bolas, como de futebol, de handebol, de vôlei, além de raquetes, equipamentos para atividades motoras, jogos, lúdicos, entre outros.

“Gostei muito daqui. É colorido e bonito”, disse a aluna Dafnne Victoria. Foto: Giovani Oliveira/PMBV

O espaço foi bem recebido pelos alunos, que não esconderam a euforia ao encontrar os itens esportivos, como bolas, cordas, tatames, bambolês e equipamentos que serão utilizados pelos estudantes, assim como na zona urbana. A aluna Dafnne Victoria, de 10 anos, aprovou. “Eu gosto muito de futebol. Jogo bola desde os 7 anos e agora vai ficar ainda melhor. Gostei muito daqui. É colorido e bonito”, disse.

Estudo atesta propriedades antitumorais de oleorresina de copaíba

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Jhéssica Krhistinne Caetano Frota, autora da tese, durante coleta de oelorresina de copaíba no Pará. Foto: Antoninho Perri

As copaíbas são um patrimônio da flora brasileira. Trata-se de árvores com cerca de 25 a 40 metros de altura encontradas na América Central, na América do Sul e na África Ocidental. Mais de 70 espécies de copaíba já foram descritas no mundo, 16 das quais endêmicas do Brasil e ocorrendo principalmente na região amazônica e na Região Centro-Oeste.

Conhecidas popularmente como paus-de-óleo, essas árvores possuem troncos que produzem uma oleorresina com propriedades farmacológicas verificadas em modelos experimentais, fazendo do produto um componente importante da medicina tradicional dos povos amazônicos.

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Com o objetivo de aprofundar os conhecimentos acerca dessas propriedades, um estudo da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unicamp avaliou o potencial antitumoral da oleorresina de um tipo específico de copaíba, a espécie Copaifera reticulata Ducke.

Os testes mostraram que o produto consegue interromper a proliferação de e matar células de linhagens tumorais, abrindo possibilidades para o desenvolvimento de novas terapias contra o câncer. A avaliação fez parte da pesquisa de doutorado de Jhéssica Krhistinne Caetano Frota, com orientação do professor João Ernesto de Carvalho.

Ação antitumoral

O interesse de pesquisadores das ciências farmacêuticas pela oleorresina de copaíba vale-se também dos conhecimentos etnofarmacológicos de povos tradicionais, especialmente os da região amazônica. Segundo a pesquisadora, o uso do produto é amplamente difundido na cultura local.

“As pesquisas já comprovaram sua ação anti-inflamatória, antimicrobiana, cicatrizante, antileishmania, antitumoral, antimalárica, antioxidante e antinociceptiva [efeito de redução ou bloqueio da percepção e transmissão dos estímulos de dor]”, enumera Frota.

A amostra de oleorresina utilizada nas análises saiu de uma C. reticulata Ducke da Floresta Nacional dos Tapajós, no município de Belterra, no Pará, amostra essa cedida pelo Laboratório de Biotecnologia de Plantas Medicinais da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). Antes de avaliar a composição e os efeitos farmacológicos do material, a pesquisadora submeteu a oleorresina a um processo de hidrodestilação separando-a em uma fração volátil, de óleo essencial, e em outra fração resinosa.

Realizaram-se ainda fracionamentos para isolar determinados compostos, com o objetivo de comparar os efeitos da oleorresina bruta com suas frações volátil e resinosa e com as subfrações isoladas. No caso das frações volátil e resinosa, Frota conta que o óleo essencial é rico em sesquiterpenos, enquanto a fração resinosa contém mais diterpenos, outro composto da mesma classe, com atividade antitumoral.

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A análise in vitro ocorreu em culturas de células de diferentes linhagens cancerígenas, como as de glioblastoma (tipo de câncer que afeta o sistema nervoso central) e de câncer de mama, de ovário, de pulmão e colorretal. Tanto a oleorresina bruta quanto as frações e subfrações isoladas apresentaram efeitos citostáticos, interrompendo a proliferação das células, e citocidas, eliminando-as. Na sequência, foram realizados testes em camundongos, primeiro para determinar a toxicidade aguda e, depois, a ação antitumoral e anti-inflamatória.

No teste de toxicidade aguda, as doses máximas toleradas foram de 500 mg/kg, 1.000 mg/kg e 500 mg/kg para a oleorresina bruta e as frações volátil e resinosa, respectivamente. Já nos testes da ação antitumoral, a oleorresina bruta e sua fração volátil inibiram significativamente o desenvolvimento do tumor experimental.

No caso da oleorresina bruta, a dose de 75 mg/kg reduziu o peso relativo tumoral em 44,2% enquanto a dose de 150 mg/kg respondeu por uma redução maior, de 85,3%. Já a dose de 250 mg/kg da fração volátil conseguiu reduzir o peso relativo do tumor em 55,5%.

O professor João Ernesto de Carvalho, orientador do trabalho: pesquisas ajudam a manter a floresta em pé. Foto: Cassio Figueira/Divulgação

Também chamou atenção o efeito anti-inflamatório verificado especificamente nas doses de 75 mg/kg da oleorresina bruta e de 250 mg/kg da fração volátil. “Existem linhas de pesquisa que se dedicam a combater os processos inflamatórios que as células de tumores sólidos causam”, afirmou Carvalho.

Segundo o docente, conforme os tumores se desenvolvem, as células tumorais induzem processos inflamatórios para se nutrir e crescer. Assim, o efeito anti-inflamatório contribuiria com o combate aos tumores. No entanto os pesquisadores alertam que, de forma nenhuma, o produto deve ser utilizado para enfrentar um câncer. Os resultados das pesquisas, ainda preliminares, carecem de aprofundamento para determinar melhor a toxicidade do produto e seus efeitos farmacológicos.

Manejo sustentável

Por se tratar de um produto tradicional na cultura amazônica, a oleorresina de copaíba é facilmente encontrada tanto em feiras, lojas de produtos naturais e sites especializados quanto em áreas de mata nativa e mesmo nos quintais de casas da região. Se, por um lado, isso amplia suas possibilidades de uso, por outro faz com que fique suscetível a misturas de oleorresinas extraídas de diferentes espécies de copaíba e mesmo a adulterações por meio do acréscimo de outros tipos de óleo.

“Como existem 27 espécies de copaíba documentadas no Brasil, quando se fala apenas em ‘oleorresina de copaíba’ não é possível determinar a qual espécie nos referimos”, disse o orientador da tese.

Os pesquisadores ressaltam que a oleorresina de cada espécie apresenta um tipo de composição química específico e fatores como o clima, o tipo de solo e o regime de chuvas podem interferir nisso. No caso, os resultados do estudo referem-se especificamente ao indivíduo da espécie estudada – a C. reticulata Ducke –, encontrado na Floresta Nacional do Tapajós.

Segundo Frota, a rastreabilidade da origem da oleorresina representa uma vantagem, pois permite manter a atenção detalhada acerca de suas propriedades e seus efeitos: “Para mim, é um privilégio estudar algo próprio da minha região, da minha casa, e que eu valorizo muito”.

Outra contribuição importante do estudo é valorizar os conhecimentos trazidos pelos povos tradicionais da região, unindo-os a um manejo sustentável das copaíbas e, consequentemente, à preservação da floresta.

“Toda a utilização popular, o comércio e a própria pesquisa auxiliam a mantermos a floresta em pé pois a copaíba cresce na Amazônia e, sem a floresta, essas árvores não existiriam”, observou Carvalho.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Unicamp, edição 727, escrito por Felipe Mateus