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Fiocruz pesquisa inter-relação entre impactos climáticos e a saúde indígena no Amazonas

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Fotos: Divulgação/Projeto Ybyrá

Uma expedição de campo promovida pelo Projeto Ybyrá, da Fiocruz, financiado pelo Ministério da Saúde, por meio do edital Inova Saúde Indígena, teve início no dia 7 de fevereiro integrando diferentes iniciativas de pesquisa em saúde pública voltadas para populações indígenas isoladas do Amazonas.

Composto por equipes de pesquisadores da Fiocruz Amazônia, Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP-Fiocruz), entre outras instituições parceiras, o projeto tem como finalidade promover o levantamento de dados clínicos, epidemiológicos e socioambientais junto às populações de 13 aldeias indígenas da etnia Munduruku, localizadas territórios remotos situados na calha do Rio Canumã, afluente do Rio Madeira, entre os municípios de Borba e Nova Olinda do Norte, a cerca de 300 quilômetros de Manaus.

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A equipe tem trabalhado na coleta de amostras biológicas humanas e de animais, para o rastreamento de possíveis patógenos que possam estar circulando nas áreas peridomiciliares, e oferecendo exames, que deveriam ser rotina na assistência, mas se tornam de difícil acesso para indígenas isolados.

São realizados: hemograma, hemoglobina glicada e PCR para diabéticos e hipertensos, HPV para mulheres (protocolo do autocoleta), além de ações de controle social e empoderamento das comunidades, com palestras sobre direitos humanos, acesso à saúde indígena, inseguranças alimentar e hídrica, impacto dos alimentos ultraprocessados na saúde, saúde bucal, qualidade da água para uso e consumo e educação em saúde.

“A ideia do projeto é permitir uma atuação em rede, numa visão integrada de território de saúde, para entender o impacto das mudanças climáticas na vida dos indígenas e o que está acontecendo, por exemplo, em relação às doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, em função do consumo de ultraprocessados nas aldeias, doenças causadas por vetores como insetos e roedores, que não são diagnosticadas, porque as pessoas não saem para fora das aldeias para realizar exames e ter o diagnostico correto”, explica um dos coordenadores do Ybirá, o virologista e pesquisador da Fiocruz Amazônia, Pritesh Lalwani.

Segundo ele, a equipe permanecerá na região ao longo de 16 dias, vivenciando o atual período de cheia dos afluentes. Depois, retornará, entre os meses de agosto e setembro, na seca extrema para um novo levantamento e devolutivas do projeto.

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Pesquisa destaca contexto climático

De acordo com o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias, que coordena também a expedição, o Ybyrá visa pesquisar a interrelação entre saúde animal, humana e ambiental numa área indígena remota, em diferentes contextos de extremos climáticos.

“A crise climática já chegou como crise de água e comida nos territórios indígenas remotos que já são vulnerabilizados social e ambientalmente. Quando a seca prolonga ou quando a cheia vem extrema e alaga roças e caminhos da floresta , não é só o ‘clima’ que muda: muda o acesso à água segura, a disponibilidade de alimentos tradicionais, a possibilidade de pescar, plantar e armazenar alimentos e até a logística para chegar a um posto de saúde”, explana Tobias.

Fiocruz pesquisa saúde indígena am
Fotos: Divulgação/Projeto Ybyrá

Segundo o pesquisador, nesses contextos aumentam os casos de diarreia e outras doenças de veiculação hídrica. “Agrava a desnutrição e anemia, piora o controle de doenças crônicas e infecciosas. Por isso, falar de saúde na Amazônia indígena hoje é falar de adaptação climática a partir do território”, aponta Rodrigo Tobias, que tem estudado a interrelação entre inseguranças hídricas e alimentar no território inégna em cenários extremos climáticos.

O Ybyrá utiliza o modo de fazer pesquisa intervenção integrada, em que estão atuando conjuntamente equipes de quatro projetos de pesquisa diferentes da Fiocruz e parceiros como:

  • Universidade Federal do Amazonas (UFAM),
  • Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA),
  • Universidade Federal de São Paulo (Unifesp),
  • Universidade de Campinas (Unicamp),
  • Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi),
  • DSEI Manaus,
  • Agência de Gestão do SUS (Agesus),
  • Secretaria de Saúde Indígena (Sesai)
  • e Fundação Nacional do Índio (Funai).

“Trata-se de um consórcio de projetos que tem essa característica de pesquisa colaborativa implicada com mudança social junto ao controle social indígena”, afirma Tobias.

“O projeto foi aprovado em comitê de ética e estamos na fase de coleta de dados, empoderamento, educação e controle social, e voltaremos numa segunda etapa, na extrema seca, para fazermos as mesmas atividades e devolvermos parte das pesquisas para as populações”, enfatiza o pesquisador. Pritesh Lalwani destaca também a importância da assistência em saúde oferecida pelo projeto.

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“Essa é a contribuição social desse projeto em rede, uma vez que atuando juntos estamos trazendo uma visão integrada do território, buscando entender os impactos das mudanças climáticas e ambientais para uma população que também é negligenciada e enfrenta dificuldades”, enfatiza Pritesh, acrescentando que o trabalho busca entender o impacto também na saúde de animais domésticos que atuam como sentinelas de patógenos nessas áreas.

“Juntamos pesquisa e assistência para o povo isolado dessa região e estamos desenhando um modelo inédito de execução de pesquisa e assistência que pode vir a se tornar política pública para os territórios indígenas do País”, observa Lalwani.

Antes da expedição, que é a primeira realizada oficialmente pelo Ybyrá, as equipes participaram, em Manaus, de reuniões de alinhamento e treinamento no uso aplicativo, software REDCap, para preenchimento de questionários utilizados durante as atividades de coleta para gerenciamento e disseminação dos dados de pesquisa. “Todos os envolvidos no Ybyrá irão coletar dados sobre Saúde Única, englobando condições de vida, qualidade da água, alimentos, condições climáticas, controle social e educação em saúde”, completa Pritesh.

A expedição, que retorna a Manaus no dia 22/02, ocorre em uma embarcação adaptada que desce o Rio Cunamã e visita aldeias mais distantes. Os indígenas adentram o barco, passam por um circuito previamente pensado para aplicação de questionários, realização de triagem e por fim coleta de amostras de sangue.

“Assim, fazemos uma pesquisa interativa e realizamos oficinas temáticas, grupos focais com lideranças e educação em saúde, interagindo com as comunidades em seu ambiente natural”, comenta Tobias, desatacando o ineditismo do roteiro de coleta de dados de forma embarcada e com diversos grupos de pesquisa convivendo no mesmo ambiente.

Fiocruz pesquisa saúde indígena am
Fotos: Divulgação/Projeto Ybyrá

Impacto social da pesquisa

Para a tecnologista em Saúde Pública e pesquisadora da Fiocruz Amazônia Katia Maria Lima de Menezes, que também integra a coordenação do Ybyrá, o projeto é de suma importância para o território.

“Essa é uma área onde os indígenas têm muitas dificuldades de realizar exames, precisam fazer longos deslocamentos para conseguir realizar um hemograma. O Projeto Ybyrá está possibilitando essa oportunidade de oferecer exames com o comprometimento da entrega dos resultados. Com certeza, é o maior impacto social que o projeto vai gerar”, afirma Kátia Lima, que coordena outro projeto financiado pelo Programa Inova da Fiocruz voltado ao fortalecimento do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional em territórios indígenas.

Ela destaca ainda a importância da coleta de amostras para diagnóstico de HPV. “Esse exame (HPV) vai gerar impacto na saúde das indígenas que vivem na região, sobretudo as mulheres que nunca o fizeram, impactando diretamente na prevenção do câncer de colo de útero, principal causa de morte por câncer entre mulheres no Amazonas.

Para as lideranças do controle social indígena na região, a chegada do Projeto Ybirá representa um marco histórico para as comunidades da Calha do Canumã. “O nosso sentimento é de gratidão”, ressalta Pedro Santa Rita, presidente do Condisi e liderança indígena local.

“A vinda do projeto para essa região tão isolada é um grande avanço e uma grande conquista para o nosso povo”, afirma Santa Rita.

Algumas aldeias ficam situadas a quilômetros de distância da sede do município de Nova Olinda, onde está atracada a embarcação que transporta a equipe do projeto.

“Somos muito gratos por um projeto desse escolher as aldeias da Calha do Canumâ, com povos isolados, muito longínquas da cidade, de difícil acesso e difícil comunicação. Para nós é uma novidade e uma realização histórica, saber que todas as coletas terão retorno. Por isso, agradecemos a todos e em especial à Fiocruz por estar cuidando do nosso povo com muita responsabilidade”, enfatizou.

Outra liderança da região, Kleuton Mundurucu, reforçou a importância da contribuição do projeto para o território, ressaltando as potencialidades do projeto em relação a novas parcerias.

“Hoje, sabemos que a saúde indígena tem algumas dificuldades em relação a exames, principalmente os que estão sendo oferecidos pelo Projeto Ybyrá. Estamos muito felizes e orgulhosos de ter vocês aqui no nosso território trazendo melhorias para a qualidade do acesso à saúde das populações indígenas, numa iniciativa que pode se estender a outros territórios”, afirmou.

*Com informações da Fiocruz Amazônia

Pará reduz alertas de desmatamento em 40%, aponta Inpe

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Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

O Pará registrou redução de 40% na área sob alertas de desmatamento no período de agosto de 2025 a janeiro de 2026, conforme dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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No acumulado, o Estado contabilizou 488 km² de área sob alerta, frente aos 809 km² verificados no mesmo intervalo do ciclo anterior (agosto de 2024 a janeiro de 2025), o que representa queda absoluta de 321 km².

O resultado estadual superou a média registrada na Amazônia Legal. Considerando todos os estados da região, a área total sob alertas caiu de 2.050 km² para 1.324 km² no mesmo período, retração de 35%, equivalente a 725 km² a menos em relação ao ciclo anterior.

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Políticas integradas e monitoramento contínuo do desmatamento

“A redução de 40% nos alertas de desmatamento demonstra que o Pará está no caminho certo. Temos investido em fiscalização, inteligência ambiental, regularização fundiária e no fortalecimento da bioeconomia como alternativa sustentável. Esse resultado é fruto de planejamento, tecnologia e integração entre os órgãos”, afirmou o governador Helder Barbalho.

O secretário de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará, Raul Protázio Romão, destacou que os números refletem a consistência das estratégias adotadas.

“Os dados demonstram que as medidas implementadas têm produzido efeito concreto. O monitoramento, as ações preventivas e as operações em campo têm sido fundamentais para esse avanço”, ressaltou.

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Segundo o secretário, o acompanhamento contínuo por meio das plataformas de monitoramento ambiental e a articulação com municípios prioritários permanecem como eixos centrais para consolidar a redução e garantir resultados sustentáveis ao longo do tempo.

*Com informações da Semas PA

MPF pede suspensão de licença na Foz do Amazonas

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MPF aponta riscos relacionados à exploração de petróleo pela Petrobras na Foz do Amazonas. Foto:Enrico Marone/ Greenpeace

O Ministério Público Federal (MPF) enviou duas recomendações ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Petrobras acerca dos riscos da exploração de petróleo na Foz do Amazonas. O órgão pede a suspensão imediata do licenciamento de pesquisas sísmicas e exige que a análise dos impactos considere os poços previstos para o bloco FZA-M-59 de forma conjunta, e não isolada.

Para os procuradores e procuradoras da República no Pará e no Amapá, a forma como os processos estão sendo conduzidos esconde os verdadeiros riscos socioambientais da exploração de petróleo na região.

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Omissão de dados e transparência

Um dos pontos centrais de uma das recomendações é o bloco de exploração FZA-M-59. O MPF aponta uma contradição entre o que a Petrobras diz à sociedade e o que ela planeja tecnicamente.

Nos materiais de comunicação e reuniões com as comunidades, a Petrobras aborda a perfuração de apenas um poço (chamado “Morpho”). Já em um cronograma atualizado apresentado pela empresa, os estudos ambientais já preveem a perfuração de outros três poços no mesmo bloco (“Marolo”, “Manga” e “Maracujá”), entre 2027 e 2029.

Segundo o MPF, além de prejudicar o conhecimento público sobre a proporção real das atividades previstas, ao licenciar um poço de cada vez, o impacto total é mascarado. Quando quatro poços são perfurados na mesma região, os riscos de vazamentos, o barulho das máquinas e o fluxo de navios se somam, criando um impacto muito maior do que seria mensurado ao considerar cada poço de forma individual e independente. Para o MPF, os impactos devem ser analisados considerando os efeitos cumulativos e sinérgicos.

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instituto é pensado para estudar foz do amazonas
Foz do Amazonas. Imagem: Reprodução/Google Maps

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Pesquisa sísmica na Foz do Amazonas

A outra recomendação foca na pesquisa sísmica — um método que usa canhões de ar comprimido para emitir pulsos sonoros potentes e mapear o petróleo no fundo do mar.

O MPF identificou que o licenciamento dessas pesquisas está avançando sem dados primários. Isso significa que a empresa responsável não foi ao local coletar informações reais sobre todo o ecossistema que vive ali.

Além de destacar que a região abriga o Cânion do Rio Amazonas e recifes de corais, que são áreas de extrema sensibilidade biológica, o MPF aponta que pareceres técnicos do próprio Ibama confirmam que não foi apresentado o diagnóstico  de meio ambiente que foi exigido. Segundo o MPF, sem esses dados, as reuniões técnicas informativas (RTIs) com a população são inválidas, pois a sociedade acaba sendo consultada sobre um projeto cujo impacto real não é conhecido nem pelos próprios técnicos do projeto.

Leia também: R$ 2,5 milhões: Petrobras é multada pelo Ibama por vazamento de fluido na Foz do Amazonas

O mito da “soberania nacional”

O MPF também contesta o uso frequente do argumento de “defesa do interesse nacional” e “independência energética” para acelerar as licenças. Os procuradores e as procuradoras da República explicam que, no modelo de exploração da Foz do Amazonas atual – regime de concessão -, a propriedade do petróleo e do gás extraídos é transferida para as empresas que ganham o direito de explorar. O resultado do 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC), por exemplo, resultou na adjudicação de blocos a um consórcio majoritariamente composto por grandes corporações transnacionais, tais como Chevron, Equinor, ExxonMobil, Petrogal, Karoon, CNODC e Shell.

Como muitas dessas empresas são grandes corporações estrangeiras, o lucro da atividade vai prioritariamente para acionistas ao redor do mundo, e não para o Brasil. Para o MPF, o uso da “soberania” como justificativa é contraditório, pois o controle do recurso natural é entregue ao capital internacional, enquanto os custos ambientais operacionais e os riscos de um eventual desastre são assumidos integralmente pelas comunidades locais e pelo ecossistema brasileiro.

Para garantir a segurança das populações e do meio ambiente na região da Foz do Amazonas, o MPF fez pedidos específicos:

  • Ao Ibama:

 Não autorize a perfuração dos poços Marolo, Manga e Maracujá sem que a Petrobras apresente os estudos técnicos necessários;

 Condicione qualquer avanço no Bloco FZA-M-59 à análise conjunta dos quatro poços previstos, considerando os efeitos sinérgicos e cumulativos;

 Suspenda o prazo para manifestação pública e as Reuniões Técnicas Informativas, até que os estudos necessários para as pesquisas sísmicas sejam realizados corretamente;

  • À Petrobras:

 Retifique e atualize, em 30 dias, o projeto de comunicação social e os boletins informativos, para que conste de forma clara a previsão de perfuração dos quatro poços ao invés de um;

 Atualize todos os canais oficiais da empresa, removendo informações que considerem a perfuração de apenas um poço, garantindo o direito à informação e a transparência ambiental.

*Com informações do MPF

Rede Educa destaca ESG como fator estratégico para competitividade do Polo Industrial de Manaus

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A Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), exibiu a segunda videoaula do projeto Rede Educa com o tema “Introdução ao ESG”. O conteúdo apresentou os fundamentos do conceito e destacou a importância da aplicação prática dos princípios ambientais, sociais e de governança para a competitividade das empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM).

A aula foi conduzida por Lorë Kotinski Aguiar, doutora em Comunicação, com pesquisa voltada ao ESG. Durante a exposição, a especialista abordou temas relacionados ao meio ambiente, sustentabilidade, responsabilidade corporativa e governança, além de explicar como as empresas podem estruturar ações alinhadas aos três pilares do ESG, gerando impacto positivo nas comunidades e fortalecendo o desenvolvimento regional.

ESG e competitividade no cenário internacional

Ao longo da videoaula, Lorë Kotinski ressaltou que o ESG deixou de ser tendência para se tornar requisito estratégico, especialmente diante das exigências do mercado global.

“Para as empresas do Polo Industrial de Manaus, o ESG é fundamental, especialmente no cenário atual. O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia abre um mercado gigantesco, mas com regras claras e rigorosas nas áreas ambiental, social e de governança. Por isso, mais do que falar em ESG, é essencial que essas práticas estejam efetivamente presentes nas empresas, tornando-as cada vez mais competitivas, principalmente no mercado de exportação”, destacou.

Formação alinhada à realidade amazônica

O projeto Rede Educa tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre preservação ambiental, sustentabilidade e o papel das empresas e da sociedade na construção de um modelo de desenvolvimento mais responsável e alinhado às demandas contemporâneas.

Os conteúdos são estruturados para dialogar diretamente com a realidade amazônica, promovendo informação qualificada, acessível e conectada aos desafios do setor produtivo regional.

A segunda videoaula do Rede Educa foi exibida no Amazon Sat e está disponível gratuitamente no canal oficial da Fundação Rede Amazônica no YouTube:

O projeto Rede Educa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM).

Filme retrata luta de mulheres na Amazônia e explora pertencimento e responsabilidade

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Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

Saberes, o cuidado com a família e a relação profunda com o território onde vivem. Esses aspectos do cotidiano aparecem no filme ‘Mulheres que Sustentam a Amazônia‘, lançado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Arquidiocese de Santarém (PA).

A produção contou com o apoio do curso de Geografia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), ligado ao Instituto de Ciências da Educação (Iced).

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O filme reúne depoimentos de mulheres da comunidade Jatobá, no município de Mojuí dos Campos (PA), e do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Serra Azul, em Monte Alegre (PA).

O curso de geografia auxiliou na produção a partir do diálogo contínuo com as lideranças mulheres e ida de professores e alunos às comunidades. Nas dinâmicas de grupo, buscavam instigar a compreensão das mulheres com relação às suas realidades, sua relação ao pertencimento e a sua responsabilidade no campo.

Imagem colorida mostra vista aérea de campus da Ufopa para falar sobre filme
Foto: Divulgação/ Ufopa

Também houve abordagens sobre a função dessas mulheres na luta contra o avanço de setores vinculados aos monocultivos da agricultura capitalista.

O filme foi lançado no último dia 6 de fevereiro na Unidade Rondon da Ufopa – Campus Santarém, quando houve a primeira exibição da obra.

Sobre o filme

A produção busca potencializar as vozes das mulheres que vivem e resistem nos territórios amazônicos. Mais do que registrar histórias, o filme tem como objetivo evidenciar o papel fundamental das mulheres na sustentação da vida, da cultura e da resistência na região.

As vozes que conduzem a narrativa surgem da roça, da floresta e do coração das comunidades, revelando um cuidado que vai além das tarefas diárias: trata-se de um modo de viver, transmitido entre gerações, que preserva a saúde, a memória, a educação dos filhos e o afeto comunitário.

leia também: Verdade “nua e crua”: 5 filmes que mostram a realidade da região amazônica

O filme destaca que, para essas mulheres, o cuidado é um ritmo constante, comparado ao cultivo da terra: plantar, proteger, esperar e colher.

Os saberes tradicionais, herdados das avós — como o uso de plantas medicinais e práticas de cura — aparecem como expressões de resistência e identidade.

Da mesma forma, a educação dos filhos é apresentada como um ato de proteção, para que as novas gerações não percam suas raízes diante dos desafios do mundo exterior.

Em breve, a obra será disponibilizada na Internet para acesso público. Outras informações no site da Arquidiocese de Santarém.

*Com informações da Ufopa

Expedição é realizada para mapear riscos ambientais em 50 comunidades do Médio Solimões

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Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá

A ‘Expedição de Mapeamento de Riscos e Desastres no Médio Solimões‘ partiu de Tefé, no Amazonas, no dia 20 de janeiro, com destino a 50 comunidades ribeirinhas e indígenas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e ao longo do Rio Solimões, passando pelos municípios de Tefé, Uarini, Alvarães, Juruá e Fonte Boa.  

A expedição, realizada até o dia 11 de fevereiro, propôs entrevistar mais de 500 pessoas com o objetivo de analisar os fenômenos naturais e desastres ambientais que têm ocorrido na região, além de compreender como as populações ribeirinhas da região se adaptam e enfrentam esses cenários.  

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Durante as visitas às comunidades, os pesquisadores realizam entrevistas com líderes comunitários e famílias para coletar informações detalhadas sobre cheias e secas, fenômenos de terras caídas, formação de praias, quedas de árvores, qualidade do solo, perda do pescado, além de dificuldades de locomoção e acesso à alimentação, escassez de água potável e surgimento de doenças.   

Além das entrevistas, o grupo de pesquisadores realiza registros fotográficos e utiliza drones para mapeamento e reconhecimento das áreas, com a finalidade de descrever as características geográficas das comunidades e identificar, de forma técnica, os riscos ambientais enfrentados por cada uma delas. Imagens de satélites também deverão ajudar na análise.   

Para Paula Silva, pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Geociências e Dinâmicas Ambientais da Amazônia, do Instituto Mamirauá, ouvir as comunidades é fundamental para um mapeamento ainda mais aprofundado.   

“A ideia é ir além do diagnóstico técnico. Para isso, precisamos ouvir os relatos dos comunitários, a fim de compreender melhor como eles se adaptam e enfrentam esses eventos extremos”, explica.  

Segundo a pesquisadora, durante as visitas foi possível coletar informações de moradores mais antigos, que trouxeram narrativas comparativas entre o presente e o passado de seus territórios. “Alguns entrevistados relataram o aumento do calor durante o verão e como as chuvas e corredeiras têm se tornado mais intensas”, acrescenta.  

Para o tuxaua da Aldeia Laranjal, Paulo Miranha, é fundamental que as comunidades sejam ouvidas, já que cada uma carrega experiências e vivências importantes.   

“Vejo essa pesquisa como uma oportunidade de falar sobre os desafios e problemas enfrentados aqui na aldeia. Agradeço pela presença de vocês, pois é ouvindo nossas vozes que será possível compreender melhor as dificuldades e as transformações que nossos territórios vêm passando”, afirma.  

Necessidade da pesquisa  

Os territórios amazônicos passam por constantes transformações. A Amazônia sempre enfrentou fenômenos naturais como terras caídas, corredeiras, cheias e secas. No entanto, essas áreas têm se tornado ainda mais sensíveis com o avanço do aquecimento global, o que afeta diretamente a maioria dos povos amazônidas, que vivem, em grande parte, às margens de rios e lagos.  

Nesse sentido, a expedição, alcançando 50 comunidades da região do Médio Solimões, busca, por meio de relatos e mapeamentos, produzir novas informações sobre as mudanças climáticas e ambientais nesses territórios, contribuindo para a formação de políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida dessas populações.  

Ainda sobre o mapeamento, a partir de entrevistas, relatos e imagens, o grupo de pesquisa deve descrever de forma detalhada os níveis de riscos, os desastres e os problemas enfrentados por cada comunidade em relação às mudanças climáticas e fenômenos naturais.

“Esperamos que as informações geradas possam subsidiar políticas públicas de gestão de riscos e desastres, assim como ações voltadas à agenda climática, além de apoiar o trabalho de órgãos como a Defesa Civil”, acrescentou Ayan Fleishmann, pesquisador do Grupo de Pesquisa em Geociências e Dinâmicas Ambientais da Amazônia, do Instituto Mamirauá. 

A iniciativa, além de aproximar as comunidades da pesquisa científica, fortalece a articulação entre instituições de pesquisa e universidades. Participaram da expedição pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas, de Tefé e Tabatinga, e da Universidade Internacional da Flórida, dos Estados Unidos.  

Financiamento da expedição e apoio  

Realizada pelo Instituto Mamirauá, a expedição é financiada pela Gordon and Betty Moore Foundation, com apoio da Florida International University e da Universidade do Estado do Amazonas, Polo Tefé. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá

Mais de 50 mil foliões em Parintins: Carnailha celebra sucesso em 2026

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Foto: Reprodução/Amazon Sat

Considerado o segundo maior evento de Parintins, cidade mundialmente conhecida pelo Festival Folclórico e pela histórica disputa entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido, o Carnailha se consolida como uma das mais tradicionais manifestações culturais do município amazonense. A festa é realizada anualmente no domingo, na segunda e na terça-feira de Carnaval, reunindo milhares de foliões “na avenida”.

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Na disputa do Grupo Irreverente, sete blocos competem: Invasão na Folia, Os Belezuras, As Tiazinhas, Pantera Cor de Rosa, Lagarto Salgado, Chitara da Chapada e Os Piratas. Já na Chave Especial, seis blocos disputam o título de campeão: Os Metralhas, Bad Boy, Império do Palmares, FAX, Unidos do Itaúna e Rubro Negro.

De acordo com a vice-prefeita de Parintins, Vanessa Gonçalves, a expectativa é que mais de 50 mil pessoas tenham passado pela cidade para participar do circuito carnavalesco ao longo da programação, já que em 2026, o Carnailha teve uma estrutura ampliada e um forte esquema de segurança. A prefeitura deve divulgar os dados consolidados até o fim da semana.

O investimento foi de cerca de R$ 2 milhões para garantir a realização do evento, além do suporte da Polícia Militar, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros, da Guarda Municipal, do Ministério Público e do Conselho Tutelar, que garantiram a organização do circuito e a proteção do público.

Segurança reforçada nas três noites

Foto: Pedro Coelho/Secom Parintins

Ao todo, o 11º Batalhão da Polícia Militar empregou 108 policiais, com média de 50 agentes por noite, além de seis viaturas e três motocicletas distribuídas em pontos estratégicos da cidade.

Além disso, de acordo com o capitão Almeida, o 19º Grupamento de Bombeiros Militar trabalhou com força operacional completa, disponibilizando três viaturas, entre unidades de combate a incêndio e de resgate.

Segundo o Sargento Luiz Carlos Miranda, a Guarda Municipal de Parintins contou com 40 agentes, que foram responsáveis, principalmente pela segurança interna do evento, e atuaram nas entradas de arquibancadas e camarotes garantindo a organização.

De acordo com a prefeitura, o Ministério Público e o Conselho Tutelar também participaram com ações de fiscalização, voltadas à prevenção de irregularidades e no acompanhamento de eventuais ocorrências envolvendo o público infanto-juvenil. 

Leia também: Sete locais para visitar em Parintins durante o Carnailha 2026

Estrutura e planejamento

Segundo Kill Serrão, membro da Comissão Organizadora, a estrutura do circuito carnavalesco teve aproximadamente 200 metros, com arquibancadas, 50 camarotes, praça de alimentação e ordenamento das barracas.

A montagem envolveu aproximadamente 50 trabalhadores responsáveis pela instalação de camarotes, arquibancadas, sistema de som e iluminação.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Além disso, o diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), Marquinho da Luz, informou que, para garantir o fornecimento de água durante a festa, o SAAE executou uma operação especial com mais de 30 poços tubulares.

Além disso, a estrutura de saúde também foi intensificada, com aproximadamente 300 profissionais mobilizados nas frentes de atendimento e prevenção, divididas entre unidades de Pronto Atendimento, equipes de resgate, hospital e Vigilância em Saúde, durante toda a programação.

Participação dos bois-bumbás na avenida

Os bois de Parintins também participam do evento carnavalesco com a famosa noite dedicada ao Carnaboi, que representa o início da temporada bovina na cidade.

O Boi Caprichoso levou cerca de 700 brincantes, entre eles, 140 marujeiros e 120 dançarinos, além de quatro alegorias e os itens oficiais, como Patrick Araújo, Edmundo Oran, Caetano Medeiros e Jr. Paulain.

Já o Boi Garantido desfilou com mais de 100 batuqueiros, além de também levar alegorias e, claro, os itens oficiais como Sebastião Júnior, Israel Paulain, David Assayag e o amo João Paulo Faria. 

Leia também: 6 conquistas culturais do Carnailha que o tornam único

Galeria: confira momentos das três noites do Carnailha 2026
Foto: Reprodução/Amazon Sat

Carnaval Amazônico

O projeto Carnaval Amazônico é uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica que conecta o público com a essência do Carnaval da região Norte, com o apoio do Governo do Estado do Amazonas.

Confira momentos das três noites do Carnailha 2026; Fotos

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Fotos de Dayson Valente, Edley Ribeiro e Diego Andreolleti

Segunda maior festa cultural de Parintins, no Amazonas, o Carnailha é marcado pela irreverência e diversão dos blocos carnavalescos na avenida.

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A alegria contagia o público com diversos temas levados para a avenida pelos blocos do Grupo Irreverente e da Chave Especial, além, é claro, do Carnaboi, que abre a temporada bovina.

Veja alguns momentos da festa que reuniu milhares de foliões entre os dias 15 e 17 de fevereiro na ilha da magia:

Galeria: confira momentos das três noites do Carnailha 2026

Leia também: Parintins além do Carnailha: dicas do que fazer na cidade além de aproveitar o Carnaval

Carnaval Amazônico

O projeto Carnaval Amazônico é uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica que conecta o público com a essência do Carnaval da região Norte, com o apoio do Governo do Estado do Amazonas.

Fungo amazônico pode controlar doenças agrícolas e gerar novos antibióticos

Alguns compostos biotecnológicos são inéditos e ainda não descritos na literatura científica. Foto: Felipe Rosa

Uma nova espécie amazônica de fungo descoberta por pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental, no Amazonas, revelou potencial para o desenvolvimento de bioprodutos de uso na agricultura. Batizado de Trichoderma agriamazonicum, o fungo combina aptidão para o controle biológico com aplicações biotecnológicas, uma vez que produz compostos naturais inéditos, ainda não descritos na literatura científica. Isso lhe confere dupla funcionalidade: na defesa de plantas e na promoção de crescimento vegetal.

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O nome Trichoderma agriamazonicum reflete tanto a origem amazônica quanto a vocação agrícola da nova espécie. O fungo foi identificado a partir de amostras coletadas em uma espécie madeireira nativa da Amazônia e pertence ao gênero Trichoderma, amplamente estudado por sua atuação no controle biológico de doenças e pragas agropecuárias.

A nova espécie se diferencia das demais por apresentar características genéticas próprias, que ampliam as possibilidades de uso em sistemas produtivos sustentáveis.

Trichoderma agriamazonicum foi identificado, em 2023, pelos pesquisadores Thiago Fernandes Sousa e Gilvan Ferreira da Silva, e vem sendo alvo de novas pesquisas desde então. Na época, Sousa era doutorando do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e bolsista da Embrapa Amazônia Ocidental, sob a orientação de Silva. 

Estudos mais específicos realizados no Laboratório de Inovação em Microbiologia Aplicada da Amazônia (AmazonMicro-Biotech), da Embrapa, têm confirmado o desempenho promissor desse microrganismo, inclusive sua aplicabilidade na medicina. Essa característica advém dos peptídeos (pequenas cadeias de aminoácidos) encontrados nessa espécie, que revelam ação antimicrobiana com eficácia superior a antibióticos comerciais. 

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Testes com a nova espécie mostram ainda eficiência em laboratório (in vitro) no controle de nove diferentes espécies de fitopatógenos, que são agentes causadores de doenças nas folhas de diversas culturas agrícolas.

Segundo Sousa, o isolado de fungo foi extensivamente caracterizado durante a sua tese de doutorado, defendida em 2025, e os dados morfológicos e filogenéticos sustentaram a sua proposição como nova espécie fúngica.

“Os resultados mostram que ela é capaz de inibir o crescimento micelial de fitopatógenos, tanto por micoparasitismo quanto pela produção de compostos orgânicos voláteis (COVs), com destaque para a inibição de Corynespora cassiicola e Colletotrichum spp.(que atacam culturas como soja e frutas, por exemplo)”, explica. 

Compostos inéditos e ação contra superbactérias

Fotos: ScienceDirect

Um dos destaques das pesquisas com T. agriamazonicum reside na mineração genômica de seus agrupamentos de genes biossintéticos (BGCs, na sigla em inglês), que são conjuntos de genes que funcionam como uma “fábrica química” codificada para a defesa e a interação no ambiente.

Esse trabalho permitiu a predição e síntese de peptaibols (peptídeos não ribossomais) com atividade antimicrobiana inédita. A abordagem empregou o algoritmo PARAS (previsor de especificidade de substrato de domínios de adenilação, em inglês), para predizer a sequência de aminoácidos dos peptaibols antes mesmo de seu isolamento, com precisão. 

Essa metodologia, seguida da síntese química dos compostos preditos, vem sendo denominada syn-BNP (Synthetic Bioinformatic Natural Product) e representa uma nova fronteira na descoberta de produtos naturais. Ela acelera significativamente o processo de identificação de moléculas bioativas ao eliminar a necessidade de cultivo extensivo e da purificação química tradicional.

Os resultados indicam que esses peptaibols possuem potencial biotecnológico como agentes antimicrobianos, com eficácia comparável ou até superior a antibióticos comerciais.

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Em ensaios controlados, um peptaibol de 18 aminoácidos sintetizado quimicamente com base em predição a partir do genoma de T. agriamazonicum mostrou-se ativo contra Streptococcus sp. e Klebsiella pneumoniae, bactérias que provocam infecções como pneumonia.

Além da aplicação médica, o peptaibol de 18 aminoácidos também demonstrou eficiência antifúngica no biocontrole agrícola, inibindo o crescimento do fitopatógeno fúngico Pseudopestalotiopsis sp., agente causal de mancha foliar em guaranazeiro.

Potencial para o crescimento vegetal

No que diz respeito à promoção de crescimento vegetal, uma linhagem do T. agriamazonicum se destacou pela sua capacidade de sintetizar hormônios vegetais, os chamados fitormônios. Em testes in vitro, o isolado produziu 60,53 microgramas por mililitro (µg/mL) de ácido indolacético (AIA), um fitormônio essencial que estimula o desenvolvimento da planta. Esse resultado o posicionou no grupo dos isolados com maior produção de AIA testada.

No entanto, a pesquisa em casa de vegetação indicou que, apesar da alta produção de AIA, o desempenho dessa linhagem de T. agriamazonicum na promoção de crescimento do pimentão não superou significativamente o controle negativo no experimento.

Isso sugere que múltiplos mecanismos estão envolvidos na promoção de crescimento vegetal e que a produção de AIA por si só não tem relação direta com a eficiência de crescimento da planta em campo. A importância de T. agriamazonicum reside, portanto, em seu vasto potencial como fonte de moléculas bioativas específicas.

Foto: Sérgio de Andrade

Como foi a descoberta do Trichoderma agriamazonicum

Sousa relata como a descoberta aconteceu: “No laboratório, estávamos realizando trabalhos de isolamento de microrganismos de diferentes habitats amazônicos. Esse Trichoderma foi isolado a partir da casca de cardeiro (Scleronema micranthum), uma espécie madeireira nativa. O isolado estava preservado em coleção de cultura desde 2004”.

“Quando começamos a identificar taxonomicamente esses fungos do gênero Trichoderma, nos deparamos com essa nova espécie. Caracterizamos o isolado detalhadamente e descobrimos que ele possui dupla importância: para a agricultura, no controle biológico de fitopatógenos, e para a biotecnologia, com a produção de peptídeos que nunca haviam sido descritos na literatura científica”, complementa Sousa.

Para os pesquisadores, esse caso exemplifica o vasto potencial ainda inexplorado da biodiversidade amazônica. Além de ser uma espécie nova para a ciência, T. agriamazonicum produz moléculas originais, com aplicações confirmadas no biocontrole agrícola e atividade promissora contra superbactérias, mas cujo potencial completo ainda está por ser desvendado.

“Com base na coleta desse único microrganismo, identificamos a possibilidade de gerar valor econômico a partir dessas moléculas e transformá-las em bioprodutos comerciais”, destaca Sousa.

A história dessa espécie de Trichoderma ilustra dois pontos críticos para a ciência brasileira. Primeiro, a fragilidade da biodiversidade: o fungo foi isolado de uma árvore madeireira que poderia ter sido cortada e completamente perdida antes que seu potencial fosse conhecido. Segundo, a importância estratégica das coleções biológicas: depois de quase duas décadas preservado, o isolado finalmente revelou seu valor científico e biotecnológico.

“Esse potencial poderia ter sido perdido para sempre se não houvesse a coleção de culturas que mantém o isolado viável ao longo do tempo. Isso reforça a necessidade urgente de investimento contínuo na conservação, pesquisa e aplicação dos nossos recursos genéticos”, enfatiza o pesquisador Gilvan Ferreira.

Para ele, descobertas transformadoras muitas vezes levam anos ou décadas para se concretizar e dependem de infraestrutura de conservação biológica para não desaparecerem antes de serem compreendidas.

Biodiversidade da Amazônia é rica em matéria-prima para inovações biotecnológicas

Foto: Felipe Rosa

A descoberta ocorreu no âmbito do Laboratório de Inovação em Microbiologia Aplicada da Amazônia (Amazon Micro-Biotech) da Embrapa Amazônia Ocidental. Os resultados de suas pesquisas reforçam a constatação da importância da biodiversidade da Amazônia como fonte de recursos estratégicos para o desenvolvimento de insumos agrícolas e farmacêuticos, e produtos biotecnológicos de última geração.

Alguns desses resultados mostram que a possibilidade da diversidade microbiana da Amazônia se traduzir em novas aplicações biotecnológicas para a agricultura sustentável está cada vez mais viável com a identificação de microrganismos e moléculas com capacidades multifuncionais. 

Nesse sentido, a equipe do Amazon Micro- Biotech vem desenvolvendo um significativo volume de pesquisas em que participam bolsistas de graduação, mestrado e doutorado, apoiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Fibra da bananeira é utilizada como ferramenta cultural e fonte de renda em Porto Velho

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Foto: Iara Umbelino/Acervo pessoal

Transformar o que seria descartado em fonte de arte, identidade e renda. Foi com esse olhar que a educadora ambiental Iara Umbelino, de Porto Velho (RO), participou de um curso de artesanato com fibra de bananeira na comunidade de Cambaúba, em Amargosa (Bahia).

A oportunidade surgiu de um convênio firmado entre a Prefeitura de Porto Velho, por meio da Semagric, e a Jirau Energia. A capacitação foi realizada dentro do projeto Arte Fibra, que reúne artesãs e promove a sustentabilidade através da utilização do pseudocaule da bananeira como matéria-prima.

Nove mulheres de Porto Velho foram selecionadas para a experiência, entre elas indígenas, ribeirinhas e artesãs da capital.

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Experiência de aprendizado com a fibra de bananeira

Representando a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema), a servidora explica que a vivência foi muito além do aprendizado técnico.

“O que mais me chamou atenção foi a riqueza do processo de extração e aproveitamento de cada parte da bananeira. Ver como as mulheres da Bahia transformam esse material em peças de alto valor, com aceitação até no mercado internacional, foi inspirador. Mas, acima de tudo, percebi que o artesanato carrega identidade, pertencimento e valorização da história das mulheres artesãs”, destacou.

Nova experiência vai ampliar o leque de atividades desenvolvidas em Porto VelhoDurante o curso, as participantes aprenderam técnicas de desfibrar manualmente o pseudocaule, realizar a secagem adequada, preparar as fibras e confeccionar peças como bolsas, carteiras, caixas e cestas.

“São práticas simples e acessíveis, que podem ser aplicadas facilmente em oficinas comunitárias e escolares em Porto Velho”, completou a educadora.

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O artesanato com fibra de bananeira agrega valor a um resíduo agrícola abundante na região foto iara umbelino
Foto: Iara Umbelino/Acervo pessoal

Multiplicando conhecimento

De volta à capital rondoniense, a expectativa agora é planejar as primeiras oficinas de artesanato sustentável com fibra de bananeira. A Sema já desenvolve oficinas com materiais recicláveis em escolas e comunidades, e com essa nova experiência pretende ampliar o leque de atividades.

“O objetivo é mostrar às crianças, famílias e mulheres em situação de vulnerabilidade que algo descartado pode ser transformado em arte e renda. Essa é uma alternativa de geração de trabalho, mas também uma forma de sensibilizar para a sustentabilidade”, explicou Iara.

A experiência adquirida na Bahia será aplicada em Porto Velho como exemplo de economia criativa. O artesanato com fibra de bananeira agrega valor a um resíduo agrícola abundante na região e abre novas oportunidades de renda.

“As oficinas que planejamos serão mais do que aprendizado técnico. Queremos levar para as comunidades a mensagem de que sustentabilidade é caminho, arte é identidade e que, quando unimos os dois, criamos alternativas para um futuro melhor”, concluiu Iara Umbelino.

*Com informações da SEMA Porto Velho