Cerca de 200 atletas indígenas se reúnem por dois dias na Aldeia Polo Aramirã, em Pedra Branca do Amapari (AP), com foco no esporte e na integração cultural. O evento que atrai os atletas indígenas é a Copa Indígena Wajãpi de Futebol, que chega à sua 5ª edição. O evento acontece nos dias 8 e 9 de agosto, no Estádio Pajé Maraca e conta com apoio do Governo do Amapá.
A disputa conta com a participação de 10 equipes indígenas e jogadores representantes das aldeias Mariry, Manilha, Yvyrareta, Aramirã, Wakõwa, Tajauwyry, Okora’yry, Ytuwasu, Yvytõtõ e Amapari Wãnã.
Copa busca valorizar cultura unindo saúde e esporte
Sob coordenação da Prefeitura de Pedra Branca do Amapari, por meio do Departamento de Desporto e Lazer (DDL), a programação conta com o apoio da Secretaria Extraordinária de Estado dos Povos Indígenas do Amapá (Sepi).
“Esse evento representa a valorização do esporte dos nossos parentes. Os povos indígenas esperam esse reconhecimento, a preservação das nossas histórias e costumes, e isso está sendo feito pelo Governo do Amapá, que tem apoiado e respeitado a trajetória do nosso povo. Estamos felizes por esse evento, e esperamos que haja muita interação, diversão e lazer para os nossos Wajãpi”, destaca o secretário adjunto da Sepi, Motã Wajãpi.
Copa Wajãpi de futebol reúne em Pedra Branca do Amapari. Foto: Divulgação/Prefeitura de Pedra Branca do Amapari
A Copa Wajãpi tem como principal objetivo fortalecer os laços entre as comunidades indígenas, promovendo a prática esportiva, o intercâmbio cultural e a preservação das tradições do povo Wajãpi.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta sexta-feira (8), com vetos, o polêmico projeto de lei (PL) aprovado pelo Congresso Nacional que elimina ou reduz exigências para o licenciamento ambiental no Brasil.
Lula vetou 63 dos 400 dispositivos propostos pelo PL do Licenciamento Ambiental ou PL da Devastação – como vinha sendo chamado por ambientalistas – aprovado pela Câmara no último dia 17.
O Planalto informou que os vetos garantem “proteção ambiental e segurança jurídica” e foram definidos após escutar a sociedade civil.
Apoiado pelo agronegócio e setores empresariais, o PL vinha sendo denunciado por organizações ambientalistas e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) como grave retrocesso ambiental.
Ao explicar os vetos no projeto de lei do presidente Lula em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, a ministra do meio ambiente, Marina Silva, informou que essa foi uma decisão coletiva do governo.
“Foi um trabalho que, no nosso entendimento, mantém o diálogo com o Congresso Nacional, fazendo com que a gente assegure a integridade do licenciamento ambiental e consiga fazer processos que ganhem celeridade sem a perda da qualidade do licenciamento que é fundamental para proteção do meio ambiente em um contexto de crise climática, perda de biodiversidade e de processos de desertificação”, explicou.
Uma medida provisória (MP) e um outro projeto de lei com urgência constitucional também foram assinados por Lula nesta sexta, para recompor, em parte e com outras redações, os dispositivos vetados.
A MP editada trata exclusivamente da modalidade de Licenciamento Ambiental Especial (LAE), que permitia um licenciamento simplificado para projetos e obras consideradas “estratégicas” pelo governo.
Apesar de manter a nova modalidade criada pelo projeto, o governo vetou a possibilidade desse tipo de processo ser realizada com fase única. Marina Silva explicou que a LAE estabelecida pela MP não exclui etapas.
“O LAE passará a ser acionado para estabelecer projetos prioritários, que terão equipes destinadas a dar celeridade aos licenciamentos, mas não se permitirá licenciamento simplificado, ou monofásico”, informou.
A secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, destacou que a decisão dos vetos envolveu todo o governo, e não apenas um ministério. Ainda segundo Belchior, o trabalho do governo foi guiado por quatro diretrizes principais.
“As diretrizes são: garantir a integridade do processo de licenciamento; dar segurança jurídica para os empreendimentos e investidores responsáveis; assegurar os direitos dos povos indígenas e comunidades quilombolas, e incorporar dispositivos que tornem o licenciamento mais ágil sem prejudicar sua eficiência”, explicou.
O governo vetou ainda a possibilidade de licenciamento simplificado para empreendimentos de médio potencial poluidor, o que inclui modalidade de licenciamento por autodeclaração.
Com isso, a Licença por Adesão e Compromisso (LAC) fica mantida apenas para obras de baixo impacto ambiental.
“Evita que empreendimento de risco relevante, como barragens de rejeitos, realizem licenciamento simplificado sem análise técnica adequada. O PL do Executivo [assinado hoje], além de restringir a LAC para baixo potencial de impacto, acrescenta limites ao procedimento autodeclaratório”, informou o Planalto.
Unidades da federação
O governo também vetou dispositivos que transferiam, “de forma ampla”, para os estados e o Distrito Federal (DF), a responsabilidade por definir os parâmetros e critérios para licenciamentos. Com os vetos, o governo estabeleceu que os estados devem respeitar “padrões nacionais”.
Também foi vetada a possibilidade de retirar a Mata Atlântica do regime de proteção especial para supressão de floresta nativa.
“[O bioma] já se encontra em situação crítica, com apenas 24% de sua vegetação nativa remanescente”, justificou o Planalto.
Presidente Lula. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Povos tradicionais e produtores rurais
Outro veto do presidente Lula derrubou o dispositivo que limitava as consultas a comunidades indígenas e quilombolas para empreendimentos realizados em suas áreas.
Pelo PL, apenas as comunidades com o território homologado ou titulado teriam que ser consultadas. Com o veto, os grupos indígenas e quilombolas que tenham iniciado o processo de reconhecimento devem ser consultados.
“A limitação proposta no texto do PL aprovado deixaria de fora uma série de povos e territórios em fase de reconhecimento pela Funai e pela Fundação Palmares, contrariando a Constituição Federal”, justificou o governo.
Também foi derrubado pelos vetos o dispositivo que dispensava o licenciamento ambiental para produtores rurais com Cadastro Ambiental Rural (CAR) ainda pendente de análise pelos órgãos estaduais
“A medida protege o meio ambiente, uma vez que somente serão dispensados do licenciamento os proprietários rurais que tiveram o CAR analisado”, informou o Executivo.
Impactos indiretos
O governo vetou ainda dispositivo que limitava ações de compensação apenas aos impactos diretos ao meio ambiente, excluindo os chamados impactos indiretos.
“A medida assegura que, sempre que houver nexo de causalidade entre o empreendimento e os impactos ambientais – diretos ou indiretos -, possam ser exigidas medidas adequadas de mitigação, compensação ou controle, preservando a efetividade do licenciamento ambiental”, explicou o Executivo.
Unidades de Conservação
O presidente Lula vetou ainda o artigo que retirava o caráter vinculante para os pareceres de órgãos gestores de Unidades de Conservação no licenciamento de empreendimentos que afetem diretamente a unidade ou sua zona de amortecimento.
Ou seja, a manifestação do órgão gestor de um parque nacional, de acordo com o PL do Legislativo, não precisaria ser considerado obrigatoriamente para emissão do licenciamento. Com o veto, os órgãos das Unidades de Conservação terão poder real sobre o processo.
“A medida reforça a importância da avaliação técnica especializada na proteção de áreas ambientalmente sensíveis, assegurando que os impactos sobre Unidades de Conservação sejam devidamente analisados e considerados nas decisões de licenciamento”, destacou o governo.
Instituições Financeiras
Outro veto do presidente Lula manteve a responsabilidade de instituições financeiras na concessão de crédito em casos de danos ambientais em projetos por elas financiados.
“A medida reforça a importância de que o crédito seja condicionado ao cumprimento da legislação ambiental, estimulando a prevenção de danos e alinhando o financiamento ao desenvolvimento sustentável. O PL do Executivo [enviado ao Congresso] estabelece que o financiador deve exigir do empreendedor o licenciamento ambiental antes de conceder crédito”, informou o Executivo.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Lucas Pordeus León
Ponta Negra, em Manaus, recebe o projeto Verão Amazônico neste sábado (9). Foto: Ivo Brasil/Amazonastur
A Rede Amazônica prepara um dia cheio de atividades ao ar livre como parte do projeto ‘Verão Amazônico’ neste sábado (9) em Manaus (AM). Diversas ações serão realizadas nesta edição como foco na saúde, esportes, consciência ambiental e atividades culturais.
A programação começa às 9h e segue até à noite na areia, calçadão e no anfiteatro do Complexo Turístico Ponta Negra, na Zona Oeste de Manaus (AM). Confira a programação completa no fim da matéria.
Por-do-sol da praia da Ponta Negra, em Manaus. Foto: Divulgação
“A Rede Amazônica vai estar na Ponta Negra com o Verão Amazônico para curtir, aproveitar o lazer, esportes, além dos serviços de saúde realizados por nossos parceiros nesse projeto. Este é um evento pensando para toda a família aproveitar o verão com cuidado e consciência”, informa a supervisora de Programação no Grupo Rede Amazônica, Daniela Arouck.
Além do convite a um estilo de vida mais saudável e da conscientização ambiental no período mais quente do ano na região, o ‘Verão Amazônico’ também propõe levar acesso à arte para o público. Um dos principais nomes da cena eletrônica local, a DJ Madame C. é uma das atrações e vai comandar, na areia da Ponta Negra, um sunset com muita música e energia lá no alto.
“Convidamos a população para a abertura da Mostra de Teatro Águas de Manaus, um evento gratuito que entra para o calendário da cidade. É muito importante ter eventos abertos ao público que unam o fomento à cultura e a conscientização ambiental, sobretudo no período mais quente do ano, quando o consumo de água aumenta. Ficamos felizes em participar desta iniciativa e reforçamos que a programação na Ponta Negra continua no domingo (10)”, convida a gerente de Responsabilidade Social da Águas de Manaus, Simony Dias.
– Na areia 9h – zumba com o Sesc Amazonas 10h – ritbox com o Sesc Amazonas 17h – sunset e música eletrônica com a DJ Madame C
– Stands Pontos de hidratação – Águas de Manaus Nutrição: Avaliação de IMC e orientação nutricional – Sesc Saúde: Aferição de pressão arterial e teste de glicemia – Sesc Fisioterapia: Liberação miofascial e ventosaterapia – Sesc Drive Thru Ambiental – Gestão humanizada de resíduos
– Esportes Quadras de beach tennis, futmesa, vôlei e aulas de ritmos, com o Sesc.
– Anfiteatro 20h – espetáculo ‘Rita Lee, uma Autobiografia Musical’, com Mel Lisboa – Mostra de Teatro Águas de Manaus
Verão Amazônico
O ‘Verão Amazônico’ é uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica e integra campanha educativa, conteúdo jornalístico, pílulas nos intervalos com dicas de saúde e meio ambiente e ativação presencial. O projeto chama a atenção do público para ações como a limpeza de praias e rios, cuidados com a saúde, consumo consciente de água, prática de esportes e outros.
Uma imagem que atraiu o mundo científico. Levando o pioneirismo em capacidade analítica e a atuação da região Norte do país para o mundo, o Centro Multiusuário para Análise de Fenômenos Biomédicos da Universidade do Estado do Amazonas (CMABio/UEA) ficou entre os 25 finalistas do concurso internacional de fotografias ‘Wellcome Photography Prize‘ (‘Prêmio de Fotografia da Wellcome’, em português).
A imagem de microscopia, que captura o ovo do mosquito Aedes aegypti, foi exibida na categoria ‘The Marvels of Scientific and Medical Imaging‘ (‘As maravilhas da imagem científica e médica’, em português), fazendo parte do retorno da modalidade.
Intitulada ‘Febre Submarina’, a imagem apresenta uma área maior, que trata do ovo do mosquito, conhecido por transmitir dengue, causador da febre chikungunya e o Zika vírus. Os pontos amarelos são chamados de tubérculos e servem para grudar os ovos nas superfícies mesmo sem água, também fornecem nutrientes pro embrião que está dentro do ovo.
Foi adquirida em microscópio eletrônico de varredura no CMABio pelo tecnólogo em microscopia e bolsista do Fundo de Reserva Específico de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica (FEPD&I) da UEA, Jander Matos, e por Joaquim Nascimento, doutorando em Biologia Evolutiva & Conservação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Segundo Jander, esse estudo mostra os efeitos externos causados no ovo da espécie. “Nesse caso, são observadas a forma, o tamanho, quantidade de tubérculos e integridade das camadas externas. Os efeitos externos desse teste são condições climáticas extremas, como aumento de temperatura. Olhar esses efeitos determina se a espécie tem sua reprodução afetada pelo aquecimento global”, afirmou.
Foto: Jander Matos/Acervo pessoal
Imagem ficou em exibição
A dupla teve oportunidade de exibir a fotografia durante a cerimônia de premiação, que aconteceu dia 16 de julho no Instituto Francis Crick, centro de pesquisas em Londres (Inglaterra). Apesar de não terem vencido dentro da categoria, o trabalho deles integra, agora, a exposição Wellcome Photography Prize 2025, disponível para visita até outubro deste ano na Manby Gallery, localizada no Instituto Francis Crick.
Foto: Jander Matos/Acervo pessoal
Para o tecnólogo, esse momento traz um valor enorme para o trabalho que estão realizando e que está sendo publicado.
“Mostra que estamos em um nível alto em relação a projetos internacionais e instituições de renome, como o Instituto Francis Crick. Também eleva a UEA, que a todo momento é pautada como instituição estratégica por estar inserida no contexto amazônico”, finalizou Jander.
O concurso
O ‘Wellcome Photography Prize‘, anteriormente conhecido como ‘Wellcome Image Awards‘ (‘Prêmios de Imagem Wellcome’, em português), possui um legado de 28 anos, em que reconhece profissionais que, por meio de imagens impactantes, apresentam aspectos da vida, do mundo e da ciência.
Neste ano, a premiação teve três categorias: ‘Fotografia Solo Impressionante’; ‘Uma Série de Histórias’; e ‘As Maravilhas da Imagem Científica e Médica’.
O prêmio é aberto a todos, e recebeu inscrições de mais de 100 países, com a dupla do Amazonas estando entre os 25 melhores selecionados. Além deles, mais uma imagem brasileira também chegou à final.
A Secretaria de Cultura e Turismo de Roraima (Secult) formalizou a criação da Instância de Governança Regional (IGR) da região turística Roraima – Savana Amazônica. A nova IGR contempla os municípios de Boa Vista, Cantá, Alto Alegre, Mucajaí e Iracema e foi viabilizada por meio de parceria com o Centro de Apoio aos Municípios da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR).
Com paisagens naturais que incluem cachoeiras, trilhas, piscinas naturais e um rico patrimônio histórico e cultural no centro de Boa Vista, a região é estratégica para o turismo de aventura e cultural.
As IGRs funcionam como unidades de gestão compartilhada, previstas no Programa de Regionalização do Turismo, e são adaptadas às realidades locais.
Segundo o diretor do Departamento de Turismo (Detur), Bruno Muniz de Brito, a medida representa um avanço importante no processo de regionalização da atividade turística no Estado.
“O Detur vai reunir com os órgãos municipais e estruturar um planejamento de longo prazo que proporcione desenvolvimento da atividade econômica do turismo nos municípios que contemplem todos os atores do trade”, afirmou.
Instância será estruturada com base em características regionais
Ele adiantou que o documento será estruturado com base no Plano de Desenvolvimento Regional e Sustentável do Turismo, o Roraima 2030.
A proposta é integrar comunidades locais, setor privado e poder público na gestão dos recursos naturais, promovendo um turismo consciente, com respeito ao meio ambiente e geração de benefícios para a população local.
Bolívia e Rondônia compartilham ícones culturais como a Festa do Divino Espírito Santo. Foto: Júlio Olivar/Acervo pessoal
O Dia da Cultura Boliviana e Independência da Bolívia, comemorado em 6 de agosto, é uma data que reforça o quanto o país está presente no dia a dia dos rondonienses — especialmente nas cidades próximas à fronteira, como Guajará-Mirim (RO) e até mesmo em Porto Velho.
Porto Velho é a única capital do país que faz fronteira com uma nação estrangeira. No entanto, a influência vai além da geografia: ela está no idioma, nos pratos típicos, nas festas e até na forma como os rondonienses expressam sua fé.
“A proximidade geográfica entre Rondônia e a Bolívia, com Porto Velho sendo a única capital brasileira que faz fronteira com um país estrangeiro, moldou profundamente a cultura regional”, explica o historiador Alekis Palitot.
Segundo o historiador, é comum ouvir o “castelhano” na fronteira, um reflexo da convivência diária entre as duas nações. Mas a mistura de culturas vai muito além do sotaque.
Da saltenha ao massaco: sabores da Bolívia que contam histórias
Quem anda pelas ruas de Porto Velho ou pelas feiras de Guajará-Mirim já deve ter cruzado com a saltenha ou o massaco. Esses pratos, de origem no país vizinho, conquistaram o paladar rondoniense e hoje fazem parte da rotina local.
A saltenha, uma espécie de empanada recheada com carne, tem origem argentina, mas foi reformulada na Bolívia e, depois, adotada em Rondônia. Já o massaco, feito com banana ou mandioca socada com carne seca, é tradicional e ganhou versões locais nas cidades da fronteira.
“A culinária também reflete essa interação, com pratos como a Saltenha e o Massaco, o massaco um prato feito com massa de banana e mandioca originalmente boliviano, tornando-se populares em Porto Velho e cidades fronteiriças”, comenta Palitot.
A influência também aparece na religiosidade. Um exemplo é a Festa do Divino Espírito Santo, celebrada há mais de um século nas comunidades ribeirinhas ao longo dos rios Mamoré e Guaporé.
“Este evento fluvial exemplifica a integração cultural entre os dois países, reforçando laços históricos e espirituais”, disse o historiador.
A celebração envolve procissões de barcos, cantorias, partilhas de alimentos e rituais que unem famílias dos países amazônicos.
Bolívia na história de Rondônia
De acordo com Alekis Palitot, durante o Ciclo da Borracha, entre o fim do século XIX e o início do século XX, o país vizinho teve papel central no desenvolvimento da região.
A cidade de Santo Antônio, por exemplo, era dominada por bolivianos antes mesmo da fundação de Porto Velho. Por lá, funcionava um grande armazém dos chamados “reis da borracha”.
“No Ciclo da Borracha existiam empresários que foram fundamentais na exportação do látex e na navegação fluvial, utilizando mão de obra indígena boliviana”, explica Alekis Palitot.
Ele também destaca a importância da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, uma das obras mais emblemáticas da história da Amazônia. Inaugurada em 1912, a ferrovia foi construída para permitir o escoamento da borracha boliviana até o porto de Belém, superando as perigosas corredeiras do rio Madeira, que impediam a navegação.
A construção da estrada foi resultado de um acordo entre os dois países, após a assinatura do Tratado de Petrópolis, em 1903, que também garantiu ao Brasil o território do Acre. Como compensação, o governo brasileiro se comprometeu a oferecer uma alternativa de transporte para os bolivianos, e assim nasceu o projeto da ferrovia.
“A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, concluída em 1912, também carrega a marca da relação com a Bolívia. O empreendimento, criado para facilitar o escoamento da borracha, atraiu trabalhadores de várias origens, incluindo indígenas bolivianos e brasileiros nordestinos, que enfrentaram as adversidades da floresta para concretizar a obra”, disse.
O Ministério Público Federal (MPF) expediu recomendação para que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) modifique a Instrução Normativa nº 26/2024 para proibir expressamente e de forma integral a importação, comercialização e revenda de mercúrio metálico para qualquer atividade minerária na Amazônia.
A Instrução fala sobre a vedação do comércio de minérios, mas não o proíbe expressamente para pessoas jurídicas e ainda abre exceção para pessoas físicas titulares de Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) e que possuam licença ambiental. O MPF ressalta que a permanência de uma norma infralegal que viabiliza, ainda que de forma condicionada, a utilização de substância altamente tóxica não pode ser admitida.
O MPF requer que a atividade seja vedada a qualquer pessoa, seja ela física ou jurídica, independentemente de ser titular de PLG e ainda que detenha licença ambiental para lavra de minérios. A ação é fruto da atuação do 2º Ofício da Amazônia Ocidental, especializado no enfrentamento da mineração ilegal nos estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima.
No inquérito civil instaurado pelo MPF para apurar os efeitos decorrentes da utilização do mercúrio e de outras substâncias tóxicas, o objetivo é verificar o cumprimento, por parte da União e dos estados da Amazônia Ocidental, das obrigações previstas na Convenção de Minamata e em normas ambientais relacionadas, no que se refere à regulamentação da importação, do comércio e da utilização do mercúrio metálico em atividades de mineração.
Amostras de água para análise da contaminação por mercúrio. Foto: Divulgação/Acervo Ibama
A investigação já revelou a dimensão dos danos provocados pela exposição ao mercúrio na Amazônia brasileira e dados técnico-científicos confirmaram a contaminação da água, do solo e da cadeia alimentar. Além disso, comunidades ribeirinhas, populações indígenas e grupos urbanos apresentaram níveis elevados de mercúrio no organismo, com comprometimento direto da saúde pública e da segurança alimentar regional.
A recomendação ressalta que a persistência do uso da substância está fortemente associada à atividade garimpeira, inclusive sob formas regulares, e indica fragilidade dos mecanismos de controle, fiscalização e responsabilização. No documento, o MPF ainda destaca que “tais permissivos representam um verdadeiro retrocesso ambiental e afrontam os princípios da precaução, da prevenção e da vedação à proteção insuficiente, consagrados no ordenamento jurídico pátrio”.
O MPF fixou prazo de 30 dias para que o Ibama apresente resposta escrita sobre o atendimento da recomendação.
Projeto ‘Casa da Mulher Flutuante’. Foto: Divulgação
A servidora pública e ativista feminista Cynthia Rocha Mendonça apresentou o projeto ‘Casa Flutuante da Mulher Brasileira‘, durante a Expo UEA Innovation, em Manaus (AM), nesta quarta-feira (6). A proposta do projeto é de uma unidade móvel, adaptada em uma balsa, para levar atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar em comunidades ribeirinhas, indígenas e áreas isoladas.
Segundo Rocha, o projeto está em fase de construção e articulação com órgãos públicos, sociedade civil e comunidade acadêmica. A expectativa é que, quando implementada, a ‘Casa Flutuante da Mulher Brasileira’ leve atendimento humanizado e integrado a locais de difícil acesso na região no Amazonas.
Inspirada na Casa da Mulher Brasileira, já existente em cidades do país, a versão flutuante reunirá, em um único espaço, órgãos e serviços especializados como Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Ministério Público, Polícia Técnico-Científica, Instituto Médico Legal, além de atendimento médico, exames de corpo de delito, audiências remotas via internet/via satélite, programas de formação e geração de renda.
“O objetivo é garantir acolhimento, proteção e acesso à justiça a mulheres que hoje vivem em regiões invisibilizadas, sem estrutura para buscar ajuda”, afirmou Cynthia, que atua há mais de 20 anos como voluntária em ações de combate à violência contra a mulher.
A embarcação será equipada com energia solar, sistema de captação e tratamento de água, e contará com recursos de inteligência artificial para triagem de risco, análise de perfil de agressores e vítimas, georreferenciamento e diagnóstico das áreas prioritárias.
Os dados coletados serão integrados a aplicativos como o “Ronda Maria da Penha” e plataformas de segurança pública e do Poder Judiciário.
Casa também será usada para pesquisa
Segundo a idealizadora, o barco também funcionará como base para pesquisas e monitoramento, gerando indicadores inéditos sobre a violência de gênero na Amazônia.
“É um projeto que nasceu da escuta das mulheres e da vivência com as demandas que elas têm”, disse Cynthia.
Projeto foi apresentado durante evento em Manaus nesta quarta-feira (6). Foto: Amanda Gonzalez
O projeto tem a parceria da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). Segundo o diretor da Agência de Inovação da UEA, Antônio Mesquita, a implementação do projeto deve beneficiar a região e contribuir para a redução dos índices de violência contra as mulheres nas áreas isoladas.
“É um projeto sensacional, é uma tecnologia social, resultado de uma dissertação de mestrado em segurança pública. O tribunal vai ser parceiro nessa empreitada, junto com a universidade, e vai gerar um benefício enorme para a sociedade”, afirmou o diretor.
Ainda segundo o diretor da Agência de Inovação da universidade, a UEA e o TJAM buscam investimentos para que a “Casa Flutuante da Mulher Brasileira” seja construída ainda durante o ano de 2025.
Projeto ‘Casa Flutuante da Mulher’. Foto: Divulgação
Projeto em Macapá utiliza lixo eletrônico para produzir suporte de selfie em pontos turísticos. Foto: Divulgação/Prefeitura de Macapá
A Prefeitura de Macapá (AP) inaugurou no dia 6 de agosto um projeto sustentável que utiliza lixo eletrônico para produzir produtos utilizáveis, instalados em pontos turísticos da cidade. Um desses produtos é um suporte para selfie, instalado na Rampa do Açaí, como forma de oportunizar os visitantes a fazer registros visuais ao contemplar a beleza local.
O projeto piloto tem o objetivo de promover conexão entre as pessoas e a natureza. A iniciativa evita que esses materiais sejam depositados no aterro sanitário, trazendo uma nova utilidade para eles.
A iniciativa vai contemplar outros pontos turísticos como: o Trapiche Eliezer Levy, o Trapiche da Fazendinha e outros pontos estratégicos da cidade, que receberão os suportes nas próximas semanas.
Os suportes de selfie são confeccionados com matéria-prima existente na Central de Logística Reversa de Macapá, que funciona na área externa da Zeladoria Urbana, no bairro do Trem.
Segundo a prefeitura, a capital amapaense é a única no estado a integrar o Sistema de Logística Reversa de Eletroeletrônicos, com ponto especializado no descarte adequado desses equipamentos.
Como fazer descarte de lixo eletroeletrônico?
A Central de Logística Reversa possui três contêineres e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. Aparelhos eletroeletrônicos de uso domiciliar, incluindo computadores, celulares, impressoras, televisores e similares podem ser descartados no local.
Islândia é a cidade peruana mais próxima ao Brasil. Foto: Man77/Wikimedia Commons
Na região amazônica, em uma área onde as fronteiras parecem perder sua rigidez diante da realidade do rio e da floresta, está localizada a cidade de Islândia. Apesar do nome remeter a um país europeu de clima glacial e paisagens de gelo, essa Islândia está longe do frio: fica no Peru, às margens do rio Javari, na tríplice fronteira com o Brasil e a Colômbia, e enfrenta temperaturas típicas dos trópicos.
Com cerca de 3 mil habitantes, a cidade se destaca por sua geografia peculiar. Construída sobre uma ilha e erguida em palafitas, Islândia permanece parcialmente submersa durante seis meses do ano, devido à cheia dos rios.
Nos outros seis meses, é possível caminhar por suas passarelas de concreto e estruturas elevadas, construídas para garantir segurança e mobilidade durante os períodos de inundação. Esse cenário rendeu à cidade o apelido de “Veneza do Javari” ou “Veneza do trapézio amazônico”, uma tentativa local de atrair turismo para a região.
Mas a chegada em Islândia não é simples. O acesso só é possível por via fluvial, em viagens que partem de Iquitos, a maior cidade da Amazônia peruana, ou em trajetos mais curtos desde Leticia, na Colômbia, e Benjamin Constant, no Amazonas (Brasil).
A proximidade com os países vizinhos torna a cidade um ponto estratégico de integração econômica e cultural. É comum encontrar nas ruas moradores falando espanhol e português, além da aceitação de três moedas diferentes no comércio local: sol peruano, peso colombiano e real brasileiro.
Integração, fé e cotidiano sobre o rio
Islândia pertence ao distrito de Yavarí, uma das divisões da região de Loreto, no Peru. O distrito abriga cerca de 15 mil pessoas, sendo que aproximadamente 30% são membros da seita religiosa Missão Israelita do Novo Pacto Universal, que tem forte presença na cidade.
Os seguidores do grupo costumam trajar vestimentas semelhantes às do tempo bíblico e são facilmente reconhecidos pelas longas barbas e cabelos. Aos sábados, dia sagrado para os fiéis, realizam cultos e rituais religiosos que incluem trajes específicos e práticas herdadas da tradição fundada por Ezequiel Ataucusi, líder religioso peruano que afirmou ser a reencarnação de Jesus Cristo.
No dia a dia, a economia local gira em torno do comércio, agricultura e, mais recentemente, do turismo. Restaurantes e pequenos comércios ribeirinhos oferecem pratos típicos da culinária amazônica, e alguns moradores se dedicam a atividades de transporte fluvial de visitantes, especialmente turistas colombianos que saem de Leticia.
A cidade também recebe brasileiros de Benjamin Constant, que cruzam o rio para comprar produtos ou utilizar os serviços da cidade peruana. Há ainda muitos casos de famílias divididas entre os dois lados da fronteira, vivendo uma rotina binacional em plena Amazônia.
Foto: Reprodução/Andina – Agência Peruana de Notícias
Desafios na Islânia peruana
A história de Islândia também guarda elementos curiosos sobre sua origem e fronteiras. Durante muito tempo, a região era considerada território brasileiro, até que mudanças naturais no curso do rio Javari alteraram a margem principal, deslocando Islândia para o lado peruano.
Apesar disso, a delimitação só foi formalizada em 1925, e há registros de atritos territoriais até os anos 1990. Em 2017, a prefeitura local chegou a tentar recuperar uma carga de madeira apreendida pelo Ibama, mas o barco foi impedido de atracar do lado brasileiro.
Além das questões de soberania, a cidade enfrenta desafios estruturais. Há escolas, mercado, uma pequena delegacia e até um hotel. No entanto, a ausência de um hospital ainda é um problema recorrente apontado pelas autoridades locais. Muitos moradores precisam recorrer ao sistema de saúde brasileiro, atravessando o rio até Benjamin Constant em busca de atendimento.
Apesar das limitações, Islândia segue como uma cidade única no cenário amazônico. Seu modo de vida adaptado à floresta e ao regime das águas, a convivência entre três nacionalidades, a presença religiosa marcante e o esforço para se tornar um destino turístico fazem dela um exemplo de resistência e adaptação nas margens do Javari.
A cidade amazônica que flutua entre fronteiras permanece firme, não em blocos de gelo, mas sobre palafitas de madeira e concreto, desafiando as cheias do rio e escrevendo sua própria narrativa, onde o nome europeu contrasta com a identidade profundamente amazônica.