Em sua 5ª edição, o evento espera superar os mais de 50 mil visitantes registrados no ano passado. Foto: Divulgação/PMBV
Boa Vista se prepara para receber mais uma edição da AgroBV, considerada a Maior Feira da Agricultura Familiar de Roraima. O evento ocorrerá de 31 de julho a 3 de agosto, no Centro de Difusão Tecnológica (CDT), região do Bom Intento, e promete surpreender o público com uma programação diversificada, experiências inovadoras no campo e oportunidades para quem vive da agricultura ou sonha em começar.
Chegando à sua 5ª edição, a expectativa é de superar os 50 mil visitantes do ano passado, pois o evento ganhou mais um dia de programação. A proposta é reunir agricultores, empresários do setor, técnicos, estudantes e toda a população em torno de uma agenda voltada ao fortalecimento da produção agrícola local, à troca de conhecimentos e à valorização da vida no campo.
Campo aberto, conhecimento compartilhado
Uma das grandes atrações da feira será novamente a área de cultivares experimentais em campo aberto, com 26 hectares de plantações que funcionam como verdadeiros laboratórios a céu aberto. No espaço, os visitantes poderão conhecer 16 cultivares de soja, 21 híbridos de milho, duas espécies de sorgo, duas de girassol, além de batata-doce e macaxeira.
“Nossos campos experimentais têm um papel fundamental na orientação técnica aos agricultores. Ali mostramos quais cultivares têm maior resistência a pragas, melhor produtividade e adaptação ao nosso solo. Tudo é pensado para atender a realidade do produtor local”, explicou o secretário municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas, Cezar Riva.
Segundo ele, a AgroBV é uma oportunidade não apenas para quem já vive da agricultura, mas também para quem deseja dar os primeiros passos no setor.
“Este é um evento para todos. Desde os agricultores experientes até quem quer iniciar uma produção rural, mas ainda tem dúvidas. É um espaço rico de conhecimento e conexões com quem entende do assunto, além de apresentar máquinas, tecnologias e soluções do campo”, destacou o secretário.
Com 6 hectares de área no CDT, o Campo de Girassóis promete ser um dos pontos mais visitados do evento. Foto: Divulgação/PMBV
Além das demonstrações técnicas, a programação foi pensada para envolver toda a família. A tradicional Fazendinha estará presente, com minivacas, porcos, carneiros, pôneis e coelhos — uma atração imperdível principalmente para a criançada, que ainda poderá aproveitar um espaço exclusivo com atividades lúdicas e recreativas.
Outro destaque é o encantador Campo de Girassóis, que ocupará 6 hectares do CDT e promete ser um dos locais mais visitados (e fotografados) do evento. Na Praça de Alimentação, os visitantes poderão saborear o melhor da culinária regional, com pratos feitos a partir de ingredientes vindos diretamente da agricultura familiar. Milho verde, paçoca, bolos e outras delícias estarão disponíveis ao longo dos quatro dias de evento.
Para quem gosta de desafios: AgroRun e AgroRun Kids
Unindo esporte e natureza, a tradicional AgroRun chega à sua 5ª edição com previsão de 1.200 participantes. A prova conta com 5 km de percurso por trilhas, estradas de barro e obstáculos naturais.
Este ano, a grande novidade será a primeira edição da AgroRun Kids, voltada especialmente para as crianças, garantindo aventura e diversão para os pequenos corredores.
A AgroRun traz 5 km de trilhas, estrada de barro e obstáculos naturais. A novidade deste ano é a AgroRun Kids. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Exposição e negócios no campo
Empresários do setor agropecuário também terão espaço garantido para apresentar produtos, inovações tecnológicas e soluções que podem aumentar a produtividade no campo.
A troca entre produtores e fornecedores deve movimentar o setor e ampliar as possibilidades de negócios. Até o momento, 77 empresas estão confirmadas.
Além disso, apresentações musicais ao vivo vão animar as noites de programação, reunindo cultura e lazer no mesmo espaço. As atrações serão divulgadas em breve pela prefeitura.
A interação entre produtores e fornecedores deve impulsionar o setor e abrir novas oportunidades de negócios. Foto: Giovani Oliveira/PMBV
Investimentos impulsionam o campo em Boa Vista
A AgroBV está diretamente ligada à política de valorização da agricultura familiar em Boa Vista. A atual gestão municipal já investiu mais de R$ 62 milhões no setor, com ações que vão desde a assistência técnica até a mecanização agrícola.
Famílias agricultoras e comunidades indígenas contam com liberação de sementes e fertilizantes, além de apoio com sistemas de irrigação movidos a energia solar, que reduzem custos e garantem produção mesmo no período de estiagem.
Atualmente, o Plano Municipal de Desenvolvimento do Agronegócio (PMDA) atende 1.781 famílias, com mais de 4 mil hectares plantados. Só no primeiro semestre de 2025, foram cultivados 1.205 hectares de grãos, sendo 700 ha com produtores independentes, 400 ha com agricultores cadastrados no programa e 105 ha em comunidades indígenas.
Mais de 130 sistemas de irrigação já foram instalados e outros 24 devem ser entregues até setembro, totalizando 156. A frota municipal também chama atenção: são 144 máquinas e implementos disponíveis para os produtores, entre tratores, colheitadeiras, caminhões e escavadeiras.
Com ações estruturadas e foco no desenvolvimento sustentável, a Prefeitura de Boa Vista fortalece cada vez mais o setor agrícola, impulsionando emprego, renda e segurança alimentar para a população.
Cheia afeta moradores de Careiro da Várzea, no Amazonas. Foto: Michel Castro
A cheia dos rios no Amazonas já afeta cerca de 18 mil pessoas em Careiro da Várzea, na Região Metropolitana de Manaus. Na comunidade Costa do Marimba, às margens do Rio Amazonas, mais de 220 famílias vivem sobre as águas neste período e enfrentam dificuldades como a falta constante de energia elétrica.
Pontes de madeira precisaram ser construídas nas ruas principais da cidade. Nas áreas mais afastadas, os impactos são ainda maiores. A aposentada Raimunda Simão de Oliveira, de 87 anos, relata que não consegue seguir a recomendação médica de fazer inalação diariamente por conta das quedas de energia. “A luz vai embora. Chegou 11h, mas meio-dia já foi embora. Como é que pode uma coisa dessas?”, disse.
Casa isolada em meio ao Rio Solimões no interior do Amazonas. Foto: Michel Castro.
Na mesma comunidade, a família do pequeno Theo, recém-nascido, precisa manter a rede balançando durante toda a madrugada para aliviar o calor e garantir que ele durma. Sem energia, o motor gerador é ligado até as 3h da manhã. “A gente embala até de manhã. Ninguém pode parar”, contou a mãe, Raylla Suzianny.
A pescadora Maria de Jesus Rocha de Oliveira afirma que gasta R$ 20 por dia em gasolina para manter o gerador funcionando. Mesmo com ligações frequentes para a concessionária, o problema persiste. “Ela só diz que vai passar a ocorrência. E pronto.”
Além do calor e da falta de luz, há risco constante para as crianças. A escola da comunidade, que atende cerca de 200 alunos, está com a quadra alagada e suspendeu as aulas presenciais para crianças de 3 a 5 anos desde o fim de maio.
Casa isolada em meio ao Rio Solimões no interior do Amazonas. Foto: Michel Castro.
O pescador Clodoaldo Brito Nunes relembra o susto vivido há poucas semanas, quando a filha de um ano e cinco meses caiu no rio. “Ela passou cinco minutos embaixo d’água. Foi um milagre ela sobreviver.”
Postes de energia estão tombando com a força da correnteza, e estudar sem luz se tornou um desafio diário. Enquanto a vazante não chega, moradores seguem enfrentando os impactos da cheia com improvisos e esperança.
Cheia no Amazonas
Cheia do Rio Amazonas. Foto: Divulgação
De acordo com a Defesa Civil, 42 municípios do estado em situação de emergência devido a cheia que atinge o Amazonas, segundo o boletim de monitoramento da cheia mais recente, divulgado na quinta-feira (10). Confira abaixo
De acordo com dados da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc), 444 alunos foram impactados pela cheia dos rios em quatro municípios: Anamã, Itacoatiara, Novo Aripuanã e Uarini. Os alunos seguem com o calendário do “Aula em Casa”, programa de ensino remoto.
Segundo o Governo do Amazonas, para auxiliar os afetados pela cheia já foram enviados 580 toneladas em cestas básicas, 2.450 caixas d’água de 500 litros, 57 mil copos de água potável da Cosama, além de 10 kits purificadores do programa Água Boa e uma Estação de Tratamento Móvel (Etam) para dezoito municípios.
Também foram destinados 72 kits de medicamentos para os municípios de Apuí, Boca do Acre, Manicoré, Humaitá, Ipixuna, Guajará e Novo Aripuanã, beneficiando mais de 35 mil pessoas.
Manicoré recebeu uma nova usina de oxigênio, com capacidade para produzir 30 metros cúbicos por hora, destinada ao hospital municipal. Já Apuí, foi contemplado com seis cilindros de oxigênio para servir como reserva de segurança.
* O conteúdo foi originalmente publicado no G1 Amazonas e escrito por Ruthiene Bindá.
Parque Nacional do Pacaás Novos. Foto: Reprodução/ Brasil Turismo.
Os parques nacionais são áreas protegidas fundamentais para a conservação da natureza, o desenvolvimento de pesquisas científicas e a promoção de atividades recreativas. No Brasil, esses espaços têm como principal objetivo preservar ecossistemas naturais de grande importância ecológica.
Cada parque possui características e atrativos únicos, oferecendo não apenas a proteção da fauna e flora, mas também oportunidades para a educação ambiental, a realização de estudos científicos e o lazer em contato direto com a natureza. Essas áreas são criadas pelo Estado com o intuito de proteger as singularidades geográficas que existem no Brasil.
“Acerca dos parques nacionais no Brasil, é importante destacar que a Constituição Federal, no artigo 225, estabelece a questão dos espaços territorialmente protegidos, sendo eles terras indígenas e unidades de conservação, que podem ser Parques Nacionais. Geralmente esses tipos de parques são os que possuem maior atividade turística, e são os locais mais conhecidos no Brasil”, declarou o Doutor em Geografia pela Universidade Federal do Amazonas, Deivison Molinari, ao Portal Amazônia.
De acordo com Molinari, todo parque é criado através de uma lei e possui um conselho gestor composto pelo ICMBio, e um plano de gestão dependendo do estilo do parque, como o plano de manejo e o plano de capacidade de carga, que define quantas pessoas podem visitar a região.
Localizado no coração da floresta amazônica, entre os estados do Pará e Amazonas, o Parque Nacional da Amazônia é um dos maiores símbolos da conservação ambiental no Brasil. Com mais de 1 milhão de hectares de extensão, o parque protege uma das regiões mais biodiversas do planeta e representa um verdadeiro refúgio para a fauna, a flora e os povos tradicionais da floresta.
Criado em 1974, o parque tem como missão a preservação do ecossistema, dos rios sinuosos, das árvores centenárias, das vastas áreas de várzea e das trilhas de mata fechada. Além disso, trata-se de uma área estratégica contra as mudanças climáticas e o desmatamento, atuando como um dos principais ‘pulmões’ do mundo.
Foto: Reprodução/ 123 ecos
Desde sua criação, o Parque Nacional da Amazônia passou por expansões territoriais com o objetivo de proteger ainda mais as áreas ameaçadas pela ação humana. A região abriga uma biodiversidade impressionante, com espécies como a onça-pintada, o boto-cor-de-rosa, o jacaré-açu, além de inúmeras aves, répteis, anfíbios e insetos.
Na flora, destacam-se as espécies de alto valor ecológico e econômico, como a castanheira, o cedro e o mogno. A vegetação também é fonte de sustento e medicina para comunidades locais, que utilizam frutos e plantas como açaí, cupuaçu e a andiroba.
Apesar de o acesso ser restrito e cuidadosamente controlado, o Parque Nacional da Amazônia oferece experiências para visitantes que buscam ecoturismo responsável, como trilhas ecológicas que permitem a observação de espécies raras em seu habitat natural, e passeios fluviais pelos rios Tapajós e Amazonas que proporcionam o contato com paisagens deslumbrantes e comunidades ribeirinhas. Essas atividades são realizadas sempre com o acompanhamento de guias treinados
Parque Nacional Mapinguari
Localizado entre os estados do Amazonas e Rondônia, com mais de 1,7 milhão de hectares, o Parque Nacional Mapinguari abriga espécies raras da fauna e da flora, além de proteger tradições culturais e fomentar o turismo sustentável.
Criado no dia 5 de junho de 2008, o parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e surgiu como uma resposta às crescentes ameaças ambientais na região. Além disso, o avanço do desmatamento e da exploração ilegal de recursos naturais nos anos anteriores à sua criação impulsionou a implementação da área protegida.
Foto: Reprodução/ Global National Parks
O nome do parque remete ao ‘Mapinguari’, criatura lendária presente em mitologias indígenas, associada à força da natureza e ao mistério das florestas, a criatura simboliza a reverência aos saberes tradicionais e à riqueza natural da região.
Com ecossistemas variados, que incluem florestas de terra firme, várzeas, rios e cachoeiras, o parque é lar de uma fauna diversificada composta por onças-pintadas, antas, jaguatiricas, araras, tucanos e gaviões-reais. Na flora, destacam-se espécies de uso medicinal e árvores como o jatobá, fundamentais tanto para o ecossistema quanto para o conhecimento tradicional das comunidades locais.
O Parque Nacional Mapinguari também se destaca como destino para o ecoturismo, possuindo trilhas ecológicas guiadas que permitem o contato direto com a vegetação e a fauna locais, enquanto os rios e cachoeiras oferecem momentos de banho e diversão. A observação de aves é outro atrativo importante, já que o parque possui mais de 300 espécies já registradas na área.
Guias capacitados, muitos deles oriundos das comunidades locais, conduzem os visitantes com informações sobre o ecossistema, a cultura tradicional e as práticas sustentáveis da região.
Localizado no estado de Rondônia, o Parque Nacional de Pacaás Novos é um dos mais antigos e importantes redutos de conservação ambiental da região Norte. Com mais de 764 mil hectares, abriga uma variedade de ecossistemas, espécies e tradições culturais.
Criado no dia 21 de setembro de 1979, o Parque Nacional de Pacaás Novos foi estabelecido com o objetivo de proteger a região onde os biomas Amazônico e Cerrado se encontram, o que torna o parque um dos territórios mais valiosos para a conservação da biodiversidade no Brasil.
Foto: Flávio Terassini.
Além da beleza natural, o parque tem papel estratégico na proteção de nascentes e bacias hidrográficas que abastecem rios importantes de Rondônia, contribuindo diretamente com o equilíbrio climático e a segurança hídrica do estado.
O parque oferece uma paisagem composta por vales profundos, montanhas cobertas por vegetação nativa, cachoeiras cristalinas e trilhas que cortam a floresta. Além disso, a diversidade de ambientes abriga diversas espécies da fauna brasileira, como a onça-pintada, a anta, a jaguatirica, diversas espécies de macacos, répteis e aves tropicais, como araras, tucanos e gaviões.
Na flora, castanheiras, ipês e árvores medicinais dividem espaço com a vegetação típica do Cerrado e da floresta amazônica. Atraindo o interesse de pesquisadores e universidades, o parque é um destino cada vez mais buscado por ecoturistas e amantes da natureza.
Várias comunidades indígenas vivem nas proximidades do parque, entre elas grupos que mantêm práticas sustentáveis e saberes ancestrais sobre o uso da floresta, e a presença dessas comunidades reforça a necessidade de políticas de conservação que respeitem os direitos territoriais e culturais dos povos originários.
Entre as principais atrações turísticas do parque, estão as trilhas ecológicas de diferentes níveis de dificuldade, que percorrem trechos da floresta e do Cerrado, e em muitos pontos, mirantes naturais revelam paisagens panorâmicas especialmente ao pôr do sol. Além disso, o parque também é um dos pontos de observação de aves mais ricos da região Norte, com dezenas de espécies exóticas registradas.
Parque Nacional do Jamanxim
Localizado no sudoeste do Pará, o Parque Nacional do Jamanxim é uma das áreas mais estratégicas da Amazônia brasileira para a conservação da biodiversidade. Criado em 2006, em resposta ao avanço do desmatamento e da exploração ilegal, o parque abriga quase 860 mil hectares de florestas tropicais, rios e uma impressionante variedade de espécies animais e vegetais.
Desde então, o Parque Nacional do Jamanxim tornou-se símbolo de resistência ambiental, protegendo ecossistemas vitais e ajudando a regular o clima e os ciclos hídricos que impactam não apenas o Brasil, mas também o equilíbrio ambiental global.
Foto: Reprodução/ Prefeitura de Itaguari.
Dentre os animais que vivem na região, estão onças-pintadas, tamanduás-bandeira, antas, jaguatiricas, diversas espécies de macacos, araras, tucanos e harpias, répteis como jacarés e uma infinidade de anfíbios. A vegetação também se destaca, com castanheiras, copaíbas, ipês e outras árvores que desempenham papel crucial na manutenção do ecossistema e na captação de carbono da atmosfera.
A conservação do Parque Nacional do Jamanxim enfrenta obstáculos significativos, já que a região está inserida em um dos principais corredores de desmatamento da Amazônia, onde a exploração ilegal de madeira, a caça predatória e as pressões do agronegócio colocam em risco a integridade da unidade.
Para combater essas ameaças, o parque conta com ações de fiscalização, programas de reflorestamento e campanhas de educação ambiental. Além disso, parcerias com organizações não governamentais, órgãos ambientais e comunidades locais fortalecem o enfrentamento dos desafios.
Embora o Parque Nacional do Jamanxim ainda não esteja amplamente estruturado para o turismo convencional, existem iniciativas de turismo ecológico e científico, conduzidas de forma responsável e com controle de impacto ambiental.
As atividades incluem trilhas guiadas, observação de aves e visitas educativas que revelam a riqueza natural do parque sem comprometer sua integridade. Essas experiências são acompanhadas por especialistas e membros das comunidades, que compartilham informações sobre a biodiversidade, os desafios da conservação e as soluções sustentáveis aplicadas no território.
Localizado no sul do Amazonas, entre os municípios de Boca do Acre e Lábrea, e com uma área de mais de 800 mil hectares, está um dos redutos mais bem preservados da floresta tropical.
Criado no dia 8 de maio de 2008, o Parque Nacional Nascentes do Lago Jari tem um papel estratégico na proteção de nascentes e rios que alimentam um dos ecossistemas da floresta. Com cerca de 812.745 hectares de extensão, a unidade de conservação atua como escudo contra o avanço da degradação.
Foto: Reprodução/ Entre parques
O parque protege as nascentes do Lago Jari, um dos principais formadores da bacia do rio Purus, importante afluente do Amazonas. Essas águas garantem o sustento de ecossistemas aquáticos e terrestres, além de abastecerem comunidades tradicionais que dependem diretamente dos recursos naturais.
Já a floresta que cobre o parque atua como um grande regulador climático, ajudando a absorver dióxido de carbono e a manter as chuvas que irrigam diversas regiões do Brasil. As trilhas florestais e os cursos d’água do parque abrigam uma riqueza biológica de espécies da Amazônia, muitas delas ameaçadas de extinção.
Dentre essas espécies estão a onça-pintada, o tamanduá-bandeira, o peixe-boi amazônico, a ariranha, a harpia, a arara-azul, o gavião-real e papagaio-do-mangue. Na vegetação, castanheiras-do-brasil, seringueiras, ipês e pau-rosa formam florestas densas que, além de protegerem o solo e os cursos d’água, oferecem abrigo e alimento para centenas de espécies.
A gestão do parque é voltada à preservação ambiental integrada ao desenvolvimento sustentável, e diversas ações são realizadas para manter os ecossistemas protegidos e, ao mesmo tempo, engajar as comunidades locais.
Monitoramento ambiental: pesquisas científicas regulares avaliam o estado dos habitats e guiam medidas de conservação.
Educação ambiental: escolas e visitantes são envolvidos em programas de conscientização sobre a importância da floresta.
Turismo de baixo impacto: trilhas ecológicas, passeios de observação de aves e navegação por igarapés promovem o contato com a natureza sem agredi-la.
Reflorestamento: áreas degradadas próximas às margens de rios estão sendo recuperadas com espécies nativas.
Avenida Eduardo Ribeiro, esquina da Avenida Sete de Setembro, no Centro de Manaus. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br
Em 1908, Manaus teria em torno de 80.000 habitantes e era denominada, pelo The India Rubber World, “a metrópole da borracha que lhe vaticinava uma população superior a 100.000 habitantes nos anos seguintes, com suas propriedades prediais triplicando de valor”. Mas, em 1920, em virtude da retração econômica decorrente da perda do monopólio amazônico da borracha, ficaria reduzida a apenas 69.959 habitantes.
Cidade rica, progressista e alegre, de ruas retas e largas, calçadas com granito e pedra de liós importadas de Portugal, sombreada por frondosas mangueiras e de praças e jardins bem cuidados, com belas fontes e monumentos, tinha todos os requisitos de uma grande urbe moderna: água encanada e telefone, energia elétrica a partir de 1896, a rede de esgotos em construção e bondes elétricos desde 1895, espantando até os visitantes europeus do ralar do século, com sua alucinante velocidade de 40 a 50 quilômetros por hora, nas linhas de aço espalhadas por toda a malha urbana e penetrando na floresta até aos arrabaldes mais distantes.
O seu porto flutuante, obra-prima da engenharia inglesa, construído a partir de 1900, recebia navios de todos os cantos e das mais diversas bandeiras.
Construção em Manaus na Belle Époque. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
O movimento no centro comercial regurgitando de gente de todas as raças – nordestinos, ingleses, peruanos, franceses, judeus, norte-americanos, americanos, caboclos, alemães, indígenas, italianos, sírios, libaneses, sulistas e portugueses – tinha por eixo principal a atual Avenida Eduardo Ribeiro, com maiores concentrações de estabelecimentos comerciais nas proximidades do Mercado Municipal, nas ruas Marcílio Dias, Guilherme Moreira, Quintino Bocaiúva, Sete de Setembro, Henrique Martins, e ainda na Instalação e na praça XIV de Novembro, logradouro onde estavam instalados os armazéns recebedores e exportadores de borracha, as casas aviadoras, os atacadistas, os retalhistas, os bancos, os hotéis, as sedes das empresas estrangeiras os bares, os restaurantes e algumas repartições públicas.
Tudo o que o comércio internacional oferecia à época poderia ser encontrado nesta longínqua cidade plantada a milhares de quilômetros dos principais centros civilizados. Algumas lojas bem constituídas abrigavam, no andar superior, a família do comerciante, próxima ao seu trabalho, em verdadeiro ‘tempo integral’, das 7 às 21 horas, como ocorria então. Esse tipo de moradia era o que predominava no próprio centro comercial.
Mais afastados na Praça dos Remédios, ao longo da Avenida Joaquim Nabuco, na Rua 24 de maio e outras ruas circunvizinhas, dispunham-se as residências mais ricas: magníficos palacetes construídos ao melhor estilo da época, associadas de acapu amarelo e pinho-de-riga, ornamentados com vidraças e lustres europeus, paredes e tetos decorados de pinturas em telas ou de afrescos. Seus salões exibiam luxuosíssimos máveis, porcelanas, cristais e pratarias, estando sempre abertos para festas de aniversários, banquetes e saraus, as divisões familiares da belle époque.
Avenida Eduardo Ribeiro no Centro de Manaus. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Casas de alvenaria com porões habitáveis, mais ou menos padronizadas, algumas azulejadas, eram as que abrigavam as pessoas de economia intermediaria com sua entrada em degraus de pedra liós ou de mármore, sala de visita, alcova, sala de jantar, o grande corredor ladeado de dois a três quartos, terminando nas instalações complementares – uma cozinha com seu fogão a lenha e fogareiro a carvão; dispensa e o banheiro com louças e azulejos franceses ou ingleses.
As famílias de menores recursos habitavam as extensas vilas de casas populares, que ainda podem ser observadas na ruas 24 de maio, Lauro Cavalcante e Joaquim Nabuco e, as chamadas estâncias, extensas construções de madeira meia água, divididas em pequenos quartos de aluguel. Fora do centro urbano, ao longo das linhas de bondes da Cachoeirinha. Além da terceira ponte e dos entroncamentos, estendia-se algumas chácaras e chalés e naturalmente as habitações mais modestas de madeira. Havia ainda pequena concentração de casario em São Raimundo, em Educandos, em torno da antiga escola que deu o nome ao bairro.
Era a Manaus do Teatro Amazonas, do Palácio da Justiça, da Alfandega. Uma Manaus de outrora. Manaus de um período que não volta mais.
Sobre o autor
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
Elas são pequenas, silenciosas e perigosas. No mundo, existem mais de 105 mil espécies de aracnídeos, sendo cerca de 45 mil apenas de aranhas. Em Rondônia, ainda não há um levantamento oficial sobre quantas espécies habitam o estado, mas pesquisadores estimam que esse número varie entre 1 mil e 3 mil, devido à riqueza da fauna Amazônica.
Dentre essas estão três espécies, que de acordo com o Ministério da Saúde, são as aranhas consideradas as mais perigosas do mundo. Desde 2023 até este ano já foram registrados 622 acidentes e 3 óbitos por acidente com aranhas em Rondônia. A maioria dos registros acontece na área urbana do estado.
Aranha-marrom (Loxosceles amazonica)
Aranha-marrom é minúscula: tem cerca de 1cm. Foto: Shutterstock/Divulgação
Também conhecida como aranha-violino, não é agressiva e só ataca quando se sente ameaçada ou quando comprimem seu corpo. Mede cerca de 1 cm de corpo e até 3 cm de comprimento total.
Veneno: A picada quase sempre é imperceptível, causa uma dor de pequena intensidade e provoca febre, mal‐estar geral, fraqueza, náusea, vômitos e mialgia.
Comportamento: Tem hábitos noturnos, escondendo-se em locais escuros como telhas, atrás de móveis e em madeiras empilhadas.
Aranha-armadeira (Phoneutria)
Aranha-armadeira fêmea após matar outra da mesma espécie. Foto: Luciano Lima/TG
Popularmente chamada de armadeira ou “macaca”, é bastante agressiva e pode saltar até 40 cm quando ameaçada. O corpo pode atingir 4 cm, com envergadura de até 15 cm.
Veneno: A dor imediata e a toxina pode causar edema, eritema, parestesia e sudorese no local da picada
Comportamento: Tem hábitos noturnos e costuma se esconder em troncos, entre folhas de bananeira e também dentro de casas, como em sapatos ou cortinas.
Uma aranha viúva negra americana. Foto: Domínio Público
Apesar da fama, a viúva-negra não é agressiva. As aranhas-fêmeas podem medir até 2 cm e os machos são ainda menores.
Veneno: A toxina causa suor generalizado e alterações na pressão e nos batimentos cardíacos. Podem ocorrer também tremores, ansiedade, excitabilidade, insônia, cefaléia, prurido, eritema de face e pescoço.
Comportamento: Costuma viver em locais sombreados e calmos, como frestas, jardins e sob móveis. Também tem hábitos noturnos e pode ser encontrada em grupos.
O que fazer caso seja picado?
Segundo o biólogo Danilo Degra, acidentes envolvendo aranhas são pouco frequentes e, quando ocorrem, dificilmente resultam em morte. Isso porque, embora a maioria das espécies possuam veneno, ele geralmente não é potente o suficiente para causar efeitos graves em seres humanos.
Caso haja um acidente com aranha, a pessoa deve:
Lavar o local da picada com água e sabão;
Manter a calma e procurar atendimento médico imediato;
Não fazer torniquete, cortar, espremer ou aplicar substâncias caseiras como alho ou borra de café;
Se possível, tirar uma foto da aranha para facilitar o diagnóstico;
“Quanto mais rápido a vítima chegar ao hospital, melhor. A identificação correta da aranha permite a aplicação do soro adequado e aumenta as chances de recuperação rápida”, orienta o especialista.
Como evitar acidentes e o que fazer em caso de picada?
Embora acidentes com aranhas não sejam considerados um problema de saúde pública, o Ministério da saúde recomenda alguns cuidados básicos, especialmente em áreas de mata ou locais com pouca limpeza. Entre as dicas estão:
Manter jardins e quintais limpos. Evitar o acúmulo de entulhos, folhas secas, lixo doméstico, material de construção nas proximidades das casas.
Evitar folhagens densas (plantas ornamentais, trepadeiras, arbustos, bananeiras e outras) junto a paredes e muros das casas.
Manter a grama aparada.
Limpar periodicamente os terrenos baldios vizinhos, pelo menos, numa faixa de um a dois metros junto das casas.
Sacudir roupas e sapatos antes de usá-los, pois as aranhas e escorpiões podem se esconder neles e picar ao serem comprimidos contra o corpo.
Não pôr as mãos em buracos, sob pedras e troncos podres.
Usar calçados e luvas de raspas de couro pode evitar acidentes.
Vedar soleiras das portas e janelas ao escurecer, pois muitos desses animais têm hábitos noturnos.
Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos e vãos entre o forro e paredes, consertar rodapés despregados, colocar saquinhos de areia nas portas e telas nas janelas.
Usar telas em ralos do chão, pias ou tanques.
Combater a proliferação de insetos para evitar o aparecimento das aranhas que deles se alimentam.
Afastar as camas e berços das paredes. Evitar que roupas de cama e mosquiteiros encostem no chão. Inspecionar sapatos e tênis antes de calçá-los.
Preservar os inimigos naturais de escorpiões e aranhas: aves de hábitos noturnos (coruja, joão-bobo), lagartos, sapos, galinhas, gansos, macacos, quatis, entre outros (na zona rural).
Sabia que as aranhas são importantes para o ecossistema?
As aranhas desempenham um papel fundamental no equilíbrio da natureza. De acordo com o biólogo Flávio Terassini, elas ajudam no controle populacional de diversos insetos, como baratas — que podem transmitir doenças ao ser humano. Além disso, elas servem de alimento para macacos, lacraias e até outros insetos.
Catedral Sagrado Coração de Jesus em Porto Velho. Foto: Hosana Morais/Arquivo/G1
Do outro lado do mundo até o coração da Amazônia, padres cruzam fronteiras para manter viva a fé em Porto Velho. Com apenas 11 sacerdotes formados na capital, a igreja conta com missionários de vários países para ajudar nas paróquias e comunidades espalhadas.
A Arquidiocese de Porto Velho atende 13 municípios com uma estrutura de 29 paróquias e 6 áreas missionárias. Com poucos padres formados na própria região, o reforço vem de longe: Indonésia, Bélgica, Itália, Camarões e outros países enviam missionários que hoje atuam no estado.
Bandeira do estado de Rondônia. Foto Daiane Mendonca/Secom-RO
“São poucos padres para os municípios que a arquidiocese atende, por isso os padres missionários ajudam”, explica Anaely Roberto, da comunicação da Arquidiocese.
A formação de um pároco na arquidiocese leva quase oito anos. Tudo começa com a entrada na casa vocacional, depois passa pela faculdade de Filosofia e Teologia no Seminário Maior São João XXIII. Após esse período, o jovem é ordenado diácono e vive uma experiência prática, que pode durar até oito anos.
“Eles são ordenados diáconos, onde passam um período de experiência. São ordenados padres pelo bispo e depois o bispo encaminha para qual paróquia ele vai ser transferido”, explica Anaely.
Padres na cerimônia de abertura do Congresso Eucarístico Arquidiocesano. Foto: Pascom Arquidiocesana/PVH
A discussão sobre a escassez de sacerdotes ganha destaque durante a celebração dos 100 anos da Arquidiocese de Porto Velho, marcada pelo Congresso Eucarístico Arquidiocesano, que acontece até este domingo (13). O evento reúne missas, procissões, simpósios teológicos, apresentações culturais e uma feira ecológica.
Com o tema “Do céu para o altar da Amazônia”, o congresso reflete sobre o papel da fé na região e celebra um século de história da Igreja Católica em Rondônia, ressaltando a importância do trabalho dos missionários que cruzam o mundo para fortalecer a comunidade local.
Preparar a mala com cuidado é fundamental para garantir segurança, conforto e minimizar o impacto ambiental em uma viagem de ecoturismo, destaca o PlanetaEXO, plataforma referência em experiências sustentáveis no Brasil. Desde a escolha de roupas adequadas até produtos biodegradáveis, cada item é decisivo para explorar com responsabilidade destinos naturais como Amazônia.
Com o crescimento da procura por aventuras em parques nacionais, trilhas remotas e reservas ambientais, aumenta a necessidade de viajar de forma responsável, sem abrir mão da segurança e do conforto. Lucas Ribeiro, fundador do PlanetaEXO, reforça que “montar uma mala responsável não significa abrir mão de conforto e segurança. Pelo contrário: escolher bem o que levar é essencial para estar preparado para as condições da natureza e, ao mesmo tempo, reduzir o impacto da sua viagem”.
Entre os itens essenciais para uma mala de ecoturismo estão roupas leves, respiráveis e de secagem rápida, além de segunda pele para regiões frias ou com variações de temperatura. A capa de chuva ou anorak é indispensável para enfrentar mudanças climáticas inesperadas. Chapéu ou boné ajudam na proteção contra o sol, enquanto tênis ou botas de trilha já amaciados garantem segurança nos percursos. Para o pós-trilha, sandálias ou chinelos resistentes são recomendados.
Produtos biodegradáveis, como protetor solar e repelente, são indicados para evitar impactos negativos no meio ambiente. A hidratação deve ser feita por meio de garrafas reutilizáveis ou cantis, acompanhadas de talheres, copo e prato reutilizáveis para evitar o uso de descartáveis. O viajante também deve levar um saco de lixo pessoal para recolher seus próprios resíduos.
Para garantir praticidade e segurança, a lanterna de cabeça com pilhas recarregáveis e um kit básico de primeiros socorros são fundamentais. A mochila de ataque, leve e pequena, é ideal para o dia a dia, e documentos pessoais, seguro viagem e cartão do SUS não podem faltar. Em áreas alagadas, recomenda-se o uso de saquinhos estanques para proteger celulares e documentos. Os produtos de higiene, como sabonete ou shampoo biodegradável em barra, completam a lista.
Além dos itens, a escolha consciente dos produtos contribui para a diminuição da pegada ambiental. Evitar cosméticos com microplásticos, reduzir o uso de embalagens plásticas e dar preferência a produtos com menor processamento industrial são atitudes simples e eficazes.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) alerta que o aumento do turismo em áreas naturais deve ser acompanhado por um esforço coletivo para preservar esses espaços. Lucas Ribeiro destaca que “organizar a mala, portanto, vai além do aspecto prático, é um ato de consciência ambiental. Em tempos de emergência climática, cada detalhe importa.”
O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo dedicada a conectar viajantes do mundo inteiro a experiências sustentáveis e autênticas no Brasil. Com o compromisso de apoiar comunidades locais e proteger o meio ambiente, o PlanetaEXO promove o turismo como uma força transformadora para a conservação e o desenvolvimento sustentável. Por meio de parcerias com operadoras locais, a empresa divulga as belezas naturais do Brasil para o mundo, com foco em promover um turismo mais consciente e responsável.
A aldeia Roosevelt, localizada no município de Espigão do Oeste e habitada pelo povo Cinta Larga, foi palco de mais uma importante ação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Indígena. Mais de R$ 2,5 milhões foram destinados pelo governo de Rondônia, com recursos federais, para a aquisição de alimentos produzidos por comunidades indígenas, beneficiando diretamente os povos originários. A ação marca a quarta etapa de compras do programa em 2025.
Nesta quarta compra, foram entregues itens como banana, mandioca, milho, abóbora e batata-doce à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), responsável pela distribuição. O investimento total já soma R$ 2,5 milhões, oriundos de recursos federais, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri) e da Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO).
O governador de Rondônia, Marcos Rocha, ressaltou a priorização da implementação de políticas públicas voltadas à inclusão produtiva, valorização cultural e desenvolvimento sustentável das comunidades tradicionais. “O PAA Indígena é uma política pública que promove cidadania e justiça social. Por meio de uma atuação técnica, séria e humanizada, conseguimos promover o desenvolvimento sustentável e a valorização da identidade cultural, a preservação dos recursos naturais e a segurança alimentar”, ressaltou.
O PAA Indígena permite a compra direta de alimentos produzidos por comunidades indígenas, com pagamento justo e logística garantida, assegurando geração de renda, segurança alimentar e reconhecimento dos saberes tradicionais. Os produtos adquiridos são destinados a instituições socioassistenciais, enquanto os produtores recebem diretamente os recursos.
O diretor-presidente da Emater-RO, Luciano Brandão, acompanhou de perto a ação e destacou a importância da assistência técnica no fortalecimento da produção sustentável e na comercialização dos alimentos. “A Emater está presente, lado a lado com os povos indígenas, levando assistência técnica, respeitando sua cultura e promovendo dignidade”, afirmou.
Emater-RO está presente, lado a lado com os povos indígenas, levando assistência técnica. Foto: Eduardo Henrique
Esse trabalho inclui desde a organização comunitária e emissão de documentos, como o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF), até o planejamento da produção adaptado às realidades culturais e ambientais de cada etnia.
Atualmente, a aldeia conta com um técnico exclusivo, no entanto, a demanda crescente demonstra a necessidade de ampliar o número de profissionais em campo.
“Muitos depoimentos dos nossos produtores indígenas ressaltam os avanços do programa, mas também cobram mais técnicos da Emater. A vontade de produzir de forma sustentável é evidente, e o que vemos aqui é um exemplo de que é possível aliar geração de renda com preservação cultural e ambiental”, destacou o diretor-presidente da Emater-RO.
A expectativa do governo de Rondônia é ampliar o alcance do programa para outras regiões indígenas, fortalecendo cadeias como a fruticultura, a olericultura e o extrativismo sustentável. Com isso, o estado se consolida como referência nacional na execução de políticas públicas voltadas aos povos originários.
Mais do que um instrumento de compra institucional, o PAA Indígena é um marco de valorização cultural, inclusão social e respeito aos modos de vida tradicionais. E a presença ativa da Emater-RO em cada etapa garante que os frutos dessa política continuem alimentando corpos, sonhos e tradições. Trata-se de uma política que respeita o passado, transforma o presente e constrói um futuro mais justo.
* O conteúdo foi originalmente publicado no Portal do Governo do Estado de Rondônia, escrito por Wania Ressutti e com fotos de Eduardo Henrique.
A luta pela dignidade das pessoas acometidas pela hanseníase está marcada na história do município de Marituba, no Pará. Em meados do século XX, mais exatamente a partir do ano de 1942, foi instalado no município o controverso Hospital Colônia de Marituba, que funcionou até 1986.
A hanseníase é uma doença crônica infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que se multiplica lentamente e pode levar de cinco a dez anos para dar os primeiros sinais. A doença afeta principalmente os nervos periféricos e está associada a lesões na pele, como manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, ressecamento e perda de sensibilidade.
Quem sofre com a doença, além de todos os problemas de saúde, ainda precisa conviver com o estigma e o preconceito.
A antiga cidade hospital foi construída, em Marituba, na Era Getúlio Vargas, no período de 1930, quando foram fomentadas as construções de asilos-hospitais que abrigariam os infectados pela então denominada lepra. O Hospital Colônia de Marituba foi direcionado à segregação de pessoas infectadas e ficava distante 12 quilômetros da capital Belém e cinco minutos da então Vila Operária de Marituba.
De acordo com dados da prefeitura da cidade, “o local foi idealizado para abrigar 1000 doentes em uma área de 375 hectares de terras em mata virgem. As florestas serviriam como barreiras naturais, objetivando conter qualquer tipo de fuga”.
Foi no ano de 1942 que o local, conhecido vulgarmente como leprosário, foi inaugurado. No total, os pavilhões contavam com 28 leitos, cada um com 14 quartos, com portas externas e sem janelas, organizados por faixa etária e por sexo.
Edmilson Picanço, filho de hansenianos, foi separado de seus pais ainda recém nascido e somente retornou para a família aos oito anos de idade. Infelizmente sua mãe faleceu cinco meses após o retorno do filho.
Instituído como política de saúde no Brasil até a década de 1980, o isolamento compulsório das pessoas atingidas pela hanseníase foi responsável pela separação de milhares de famílias brasileiras – prática repudiada pela Comissão de Direitos Humanos da ONU.
Edmilson explica que na Colônia de Marituba, os pacientes eram internados de forma compulsória onde teriam sofrido segregação por medida profilática do Governo Federal com o objetivo de impedir a propagação da doença.
“O que foi errado, já que desde 1949 já havia sido sinalizada a cura para a hanseníase, então não há justificativa para terem fechado as colônias somente no ano de 1986. Assim como nós, filhos de pacientes, não deveríamos ter sido separados de nossos pais. Foram medidas profiláticas equivocadas”, declara.
Edmilson é coordenador em Marituba do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), uma entidade sem fins lucrativos fundada em 6 de Junho de 1981.
O modelo de casa originária da Colônia de Marituba
Mas, em Marituba, o processo só teve final em 1986 após a visita de João Paulo II que fez o pedido ao Governo para quebrar a corrente das colônias (fato que remete às grossas correntes que ficavam na entrada da Colônia que hoje se chama avenida João Paulo II).
Nesta mesma época o governador Almir Gabriel revitalizou as colônias no Estado do Pará. A partir daí as pessoas passaram a não estar mais segregadas, porém continuaram dentro da colônia. Muitos constituíram famílias. Outros foram abandonados pela família e não tinham mais para onde ir.
Outros ficaram totalmente dependentes dos profissionais de saúde, por causa das sequelas graves, e tiveram que ficar no Abrigo João Paulo II, cuja finalidade era prestar total assistência médica e social aos pacientes oriundos da colônia que não tinham condições de serem reinseridos por total incapacidade física e abandono familiar.
Muitos venderam suas propriedades, alguns ampliaram suas casas e mantiveram a estrutura original. As estruturas que constituíram a antiga Colônia de Marituba ainda permanecem pelos mais de 300 hectares, até a rodovia BR 316 onde ficavam as correntes que separavam a colônia da sociedade.
Assim se forma o bairro que hoje se chama Dom Aristides. O nome é uma homenagem a Aristides Pirovano, nascido na Itália, bispo católico, membro do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras e que foi Capelão Auxiliar na Colônia de Hansenianos de Marituba, desde 1978 e falecido em 1997, em sua terra natal. Ele é considerado pai benfeitor dos hansenianos e atribuem a ele a visita do Papa João Paulo II na colônia.
Centro de Referência
Marituba possui atualmente um centro de referência especializado na hanseníase, a Unidade Regional Especializada (URE) Marcello Cândia, centro especializado no atendimento e tratamento da hanseníase, que presta assistência ambulatorial aos infectados e oferece treinamento para os profissionais de saúde no controle da hanseníase no Estado.
Marcello Cândia foi um empresário italiano da rede de medicamentos e que fundou vários centros de acolhida e assistência aos enfermos de hanseníase e ainda casas e igrejas para acolher e promover o trabalho de evangelização missionária para leigos e religiosos.
URE Marcello Cândia. Foto: Reprodução/Prefeitura de Marituba
Ao morrer, Marcello Cândia deixou toda sua fortuna para a Fundação Marcello Cândia em favor das pessoas atingidas pela hanseníase no Brasil. Para vencer o preconceito e para garantir atendimento digno a esses pacientes.
O bairro abriga atualmente um complexo operacional para atender os pacientes. Dele fazem parte: o Abrigo João Paulo II, a URE Marcello Cândia, o Hospital da Divina Providência, a Creche Nossa Senhora de Nazaré e a Paróquia Nossa Senhora de Nazaré.
Da controvérsia sobre as medidas profiláticas de combate à hanseníase até a formação populacional do município, que faz parte da Região Metropolitana de Belém, Marituba se tornou referência no combate à doença, que tem cura.
No artigo anterior “O que o Universo nos traz hoje?” fiz algumas considerações sobre as sincronicidades, citando pensadores como Carl Jung, Mokiti Okada e o empresário Steve Jobs. Destaquei que não fomos educados para entender a linguagem utilizada pelo Universo, que parece estar tentando se comunicar conosco durante todo o tempo, emitindo sinais. Ao final, propus: “Com base nos acontecimentos desta semana: o que Universo pode estar tentando lhe dizer?”.
Talvez esta provocação não tenha chegado a você. Ou talvez tenha e você não tenha dado uma maior importância. Ou ainda, você topou tentar identificar os sinais e simplesmente esqueceu. Seriam fatos normais e constatar isso não implica nenhum julgamento. Mas se você ligou as suas antenas, é provável que você tenha conseguido fazer algumas conexões. Talvez algumas poucas, talvez pequenas conexões.
Se você prosseguir neste exercício, vai começar a perceber cada vez mais sentido nas correlações. Não é assim que se aprende uma nova língua? No início, parecem apenas ruídos, depois percebemos palavras soltas, até que conseguimos entender uma frase inteira. Na persistência, seremos capazes de entender todo um filme, mesmo que não saibamos todo o vocabulário. Um dia estaremos aptos para dialogar, compreender e sermos compreendidos em uma linguagem que, no início, parecia apenas um conjunto de ruídos. Com a linguagem do universo não é diferente.
Falando em línguas estranhas, o que significa para você a palavra kannagara? É provável que nada, assim como para mim, até que li que no xintoísmo ela significa algo como “caminho da Grande Natureza”. Segundo Mokiti Okada esta seria uma outra expressão para se se referir à Vontade do Universo ou ainda à Vontade de Deus, expressa nas leis que se manifestam na natureza e nas nossas vidas, em todos os setores dela.
Assim, após fazer o nosso melhor, aplicar o kannagara poderia ser interpretado como: confia no universo, confia no processo (expressão muito utilizada em processos de coaching), segue o fluxo natural, faz e solta com desapego, segue o seu coração, ouve a sua intuição”, “o aparentemente mal trouxe o bem”, “doença que purifica e traz a saúde, perdas que trazem ganhos, problemas que geram aprendizados, gratidão em qualquer situação, menos ego e mais cuidado com o outro, confiança no Universo, confiança em Deus.
Buscar entender a linguagem do universo é semelhante ao surfista que observa o mar antes de se lançar às ondas. Se ele se integra ao fluxo, poderá fazer o melhor uso de sua técnica (livre arbítrio), sem querer mudar a direção da onda, que não deixará de seguir o seu caminho. As Leis da Grande Natureza são imutáveis e seguem o seu fluxo, kannagara.
Crianças querem porque querem e choram se não forem atendidas. Adultos aprenderam que não adianta “dar murro em ponta de faca”. Alguns podem demorar um pouco mais para aprender, principalmente, se não compreendem como estas grandes leis se manifestam em nosso dia a dia, na família, no trabalho, nos relacionamentos, na saúde e até no nosso dinheiro. Kannagara.
O universo está em Ordem, como nos ensina Mokiti Okada. O caos é uma limitação do ponto de vista. Por todos os lados existem as sincronicidades, sinais que podem servir de apoio para reflexões e uso de nosso livre arbítrio na construção de felicidade consciente para nós e para o nosso redor.
Para finalizar, renovo a pergunta, acrescentando mais um ponto. Com base nos acontecimentos desta semana, o que Universo pode estar tentando lhe dizer? O que seria nesta situação seguir o fluxo da Grande Natureza, kannagara, fazendo uso do seu livre arbítrio”?
Sobre o autor
Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.