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O super-herói de 1 milhão de mudas: ‘seu Zé’ conclui mestrado detalhando experiência de 30 anos em Mato Grosso

Seu Zé foi avaliado pela banca composta pelos professores Solange Ikeda (orientadora Unemat/ProfÁgua), Fátima Iocca (examinadora interna Unemat/ProfÁgua) e Fernando Morais (examinador externo UFPB). Foto: Deivid Fontes/Unemat

O homem de um milhão de mudas defendeu no dia 17 de dezembro seu mestrado em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos na Unemat, pelo Programa ProfÁgua, em convênio com a Agência Nacional de Águas (ANA), no auditório Edival dos Reis, em Cáceres (MT).

Sua dissertação, intitulada “Práticas e saberes locais: um relato de experiência de 35 anos recuperando nascentes nas bacias hidrográficas dos rios Jauru e Cabaçal- MT”, é um testemunho de vida e pesquisa sob a orientação da professora doutora em Ecologia e Recursos Naturais, Solange Ikeda. Seu Zé, como é carinhosamente chamado, detalhou em seu relato de experiência três décadas e meia de trabalho e observação.

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eu Zé, professoras Fátima Iocca e Solange Ikeda. Foto: Deivid Fonte

Onde a prática encontra a ciência

Para a professora Fátima Iocca, membro da banca examinadora, a trajetória de Seu Zé é um divisor de águas para a Unemat. Ela pontua que, enquanto o mundo hoje corre para criar projetos de restauração em resposta às crises climáticas e queimadas, Seu Zé já agia por instinto e consciência há décadas.

“Nós trouxemos o Seu José, ele trouxe essa bagagem, nós sistematizamos e, juntos, partilhamos. Isso é o que é chegar ao povo”, celebra a professora, reforçando que a formação de José, do Mobral ao Mestrado, é o maior presente que a universidade poderia receber.

A professora Solange Ikeda e seu orientando José Aparecido Macedo, o Seu Zé. Foto: Deivid Fontes / Unemat

O plantador incansável, que já colocou na terra mais de um milhão de mudas de árvores, tem uma trajetória de vida notável: formou-se biólogo aos 50 anos e agora, aos 74 anos, se torna mestre em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos.

Seu Zé, no entanto, ainda persegue dois grandes projetos: chegar à marca dos dois milhões de mudas plantadas e transformar a Chácara Baru, uma área de 3 hectares em Cáceres (MT), em uma agrofloresta modelo.

“Plantar é, para mim, um ato de resistência, de cuidado e, acima de tudo, de esperança. Ao longo da minha trajetória como pesquisador e praticante da restauração ecológica, compreendi que cada muda colocada na terra carrega consigo a possibilidade concreta de transformar áreas degradadas em ambientes vivos, resilientes e funcionalmente integrados ao ecossistema local”. Mestre José Aparecido Macedo – Gerente de Restauração.
Foto: Deivid Fontes / Unemat

Missão de Vida

É na Chácara Baru que Seu Zé mantém seu viveiro e conduz sua missão de reflorestar. Adquirida há 11 anos com a intenção de converter o solo degradado em uma área recuperada, hoje ela é um laboratório vivo onde a água brota e a biodiversidade é restaurada.

Atualmente, a área em recuperação já ostenta árvores frutíferas e nativas como pequizeiros, goiabeiras, urucum e cumbaru, além de insetos polinizadores como as abelhas jataí e Europa. Seu Zé relata, com orgulho, que o lugar “está virando mata, produzindo água, já infiltrando no solo. Esse ano a água até represou por um período maior.”

Os segredos do herói pantaneiro de dedo verde residem na adubação verde com material orgânico da própria chácara, no uso de esterco, na correção do solo e na ausência total de agrotóxicos. “As abelhas não podem nem ver veneno. Por causa delas, de outros insetos e microrganismos, que eu roço, ao invés de carpir; assim, a matéria orgânica se decompõe e vira adubo”, explica.

Seu Zé está consciente de que não verá sua agrofloresta em sua plenitude, mas a razão de seu propósito é o legado para as próximas gerações.

“Não estou fazendo isso pra mim. Estou com 74 anos. A primeira árvore que plantei eu tinha 30 anos. Hoje ela está adulta, precisa de duas pessoas para abraçar. As áreas que plantei estão em processo de restauração. Para dizer que está recuperada tem que estar conectada com toda a biodiversidade”, pondera.

 Justino braço direito do Seu Zé na produção de mudas na Chácara Baru. Foto: Abner Miranda / Unemat

Nada acontece por acaso

A vida acadêmica do Mestre Zé é marcada por fortes conexões, a começar pelo primeiro encontro com a professora Solange Kimie Ikeda Castrillon. Na ocasião, Seu Zé desenvolvia seu primeiro trabalho de recuperação de nascente às margens do Rio Cabaçal, enquanto Solange Ikeda realizava seus estudos de fitossociologia no mesmo rio, no município Reserva de Cabaçal (MT).

“Naquele tempo eu subia em árvores, era forte, e até ajudei coletando amostras para ela. Mas eu trabalhava de forma empírica, sem conhecimentos. Então, eu disse a ela que queria aprender e perguntei o que ela fazia. Ela me contou que fazia Biologia e eu quis saber o que fazer para ser biólogo também. E foi aí que eu fui fazer Biologia lá em Indiavaí. Eu conheci a estrutura da comunidade vegetal, fiz anatomia, biologia vegetal, aprendi muito com o professor Rodrigo Ferreira de Morais e foi bom demais”, rememora Seu Zé, que também fez história como aluno na IES.

Coincidentemente, Seu Zé teve como professor Fernando Ferreira de Morais, irmão do professor Rodrigo e ex-aluno da professora Solange Ikeda. Juntos, aluno e professor criaram um herbário com mais de 300 espécies na Instituição de Ensino Superior (IES) onde atuavam. Com o diploma de licenciatura em mãos, Seu Zé cursou mais um ano e conquistou também o diploma de bacharel em Biologia. “Eu sou um cara que fez duas monografias para me tornar biólogo”, conta rindo.

Por volta dos anos 2014 e 2015, o Laboratório de Educação Ambiental e Restauração Ecológica (Educare) da Unemat, que desenvolve vários projetos de restauração ecológica, recebeu uma indicação do professor Fernando, hoje na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). “Ele falou de alguém muito bom para plantar, que havia sido seu aluno, mas não tinha me dito o nome. Para minha surpresa, quando ele chegou era o Seu Zé”, relata Solange.

Tempos depois, Seu Zé decidiu aprender mais e, ao ser incentivado pela professora Solange, que o apoiou na elaboração do projeto, tentou o mestrado. Todo o resto já foi contado, exceto pelo fato de que a paixão do pai pelas árvores inspirou o filho, Hugo Rodrigo Macedo, a cursar Engenharia Florestal pela Unemat, em Alta Floresta. Atualmente, Hugo Rodrigo é professor no câmpus onde se formou, perpetuando o legado.

Leia também: Pesquisador do Mato Grosso ocupa 20º lugar global e 2º lugar no Brasil em pesquisas com mamíferos

E como chega nessa conta de 1 milhão de mudas?

O Mestre em Geografia e membro do Instituto Gaia, Clovis Vailant, é o responsável pela conta de “mais de um milhão de mudas”, feita em janeiro de 2023. O Instituto Gaia é parceiro da Unemat, por meio do Laboratório Educare, no projeto de Restauração da Biodiversidade, onde Seu José e a professora Solange atuam.

O Mestre em Geografia e membro do Instituto Gaia, Clovis Vailant, é o responsável pela conta de “mais de um milhão de mudas”, feita em janeiro de 2023. O Instituto Gaia é parceiro da Unemat, por meio do Laboratório Educare, no projeto de Restauração da Biodiversidade, onde Seu José e a professora Solange atuam.

Pesquisador Clóvis Vailant. Foto: Arquivo Instituto Gaia


Clovis considerou a média de hectares e a média de árvores por hectare nas 120 nascentes, nas 4 voçorocas, nas 60 áreas de reserva legal e nas margens de rios e córregos onde Seu José plantou, além das mudas produzidas pelo viveiro de Araputanga que também foram plantadas.

“Ainda que tenham sido utilizadas várias técnicas como plantio direto e mudas por regeneração conduzida, natural e cercada, totalizamos uma média de 720 mil árvores só nas nascentes, 60 mil nas margens dos rios e córregos, 80 mil nas voçorocas, 60 mil nas áreas de reserva legal que ele ajudou os agricultores a recuperar, mais as 110 mil mudas produzidas pelo viveiro de Araputanga, chegamos a 1.030.000 mudas”, explica Clóvis.

E essa conta não para de crescer, porque Seu Zé também não para. “Eu quero chegar a dois milhões de mudas. O tempo da natureza é diferente do nosso. O tempo do homem é curto. Eu nem gosto de falar que restaurei uma área, porque elas estão no processo de restauração, é um longo caminho, mas uma hora chega lá. Para desmatar basta uma motosserra e num minuto joga tudo no chão, para regenerar são muitos anos”, lamenta Seu Zé.

Super-Herói da Regeneração

O homem que plantou sua 1ª muda de árvore em 1983, que nos últimos 30 anos plantou mais de um milhão de mudas em Mato Grosso e que foi parar no programa de auditório Domingão com Huck, com direito a uma escala em Tuvalu, um país da Polinésia, no Oceano Pacífico, é um super-herói moderno. Ele não usa capa nem voa, mas possui superpoderes capazes de regenerar áreas degradadas e fazer brotar água.

No episódio do Domingão com Huck, da Rede Globo, que foi ao ar no dia 24 de novembro de 2024 (vídeo 16), é possível entender que a sobrevivência de países como Tuvalu, que corre sério risco de desaparecer do mapa em 30 anos devido à elevação dos mares causada pelo aquecimento global, depende de mais super-heróis como o Seu Zé, pelo mundo afora. A previsão é de que Tuvalu, um país que não polui e não contribui para o aquecimento, seja totalmente submerso pelas águas do Pacífico.

*Com informações da Unemat

Mato Grosso investe em ciência para fortalecer a produção de café na agricultura familiar

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Produção de café de Colniza. Foto por: Anderson Silva

O café em Mato Grosso vive um novo momento de consolidação tecnológica, sustentado por investimentos do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT), e pelo trabalho científico desenvolvido pela Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT). O avanço da cultura está diretamente ligado à pesquisa aplicada, à validação de materiais genéticos adaptados às condições do Estado e ao fortalecimento da agricultura familiar nos municípios.

Leia também: A história do café adaptado à Amazônia

Diferente de outras regiões do país, Mato Grosso não introduziu o café conilon tradicional, mas sim o Robusta Amazônico, um híbrido desenvolvido pelo programa de melhoramento genético da Embrapa Rondônia, que combina linhagens de Coffea canephora dos grupos conilon e robusta. O material apresenta alta adaptação ao clima quente e úmido da Amazônia Meridional, o que explica seu desempenho produtivo no Estado.

Entre 2019 e 2025, o Governo de Mato Grosso, por meio da Seaf, investiu mais de R$ 4,4 milhões diretamente na cafeicultura, com a entrega de mais de 2,6 milhões de mudas, máquinas recolhedoras, conjuntos de beneficiamento, implantação de experimentos de pesquisa e atendimento a mais de mil produtores. Nesse período, a produção cresceu mais de 100% e a produtividade aumentou mais de 250%.

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De acordo com a secretária de Estado de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, a cafeicultura tem papel estratégico no desenvolvimento regional. Foto: Divulgação / Secretaria do Estado de Agricultura Familiar

“O café se consolidou como uma cultura fundamental para a agricultura familiar em Mato Grosso. Ele gera renda contínua, fortalece as economias locais e garante permanência das famílias no campo. O trabalho do Governo do Estado é criar as condições para que essa produção seja sustentável, tecnificada e competitiva, valorizando o produtor e impulsionando o desenvolvimento dos municípios”, afirma.

A cafeicultura mato-grossense existe desde a década de 1980, mas permaneceu pouco tecnificada por muitos anos. A partir de 2015, com a criação do Programa de Revitalização da Cafeicultura, coordenado pela Seaf e pela Empaer, com apoio da Embrapa, iniciou-se um processo consistente de modernização, envolvendo acesso a material genético melhorado, capacitação de agentes de assistência técnica, manejo profissionalizado, pesquisas adaptadas às condições do solo e clima da região e maior engajamento dos agricultores familiares.

De acordo com o ranking de produção por município divulgado pela Seaf o maior produtor de café do estado e líder absoluto da produção cafeeira é o município de Colniza, seguido por Juína, Aripuanã, Nova Bandeirantes e Cotriguaçu.

O município de Colniza entre o ano de 2019 e 2025 recebeu da Seaf R$ 9,4 milhões de investimentos na Agricultura Familiar. Foram destinados máquinas e implementos; três máquinas beneficiadoras de café; caminhões, entre eles tipo carga seca; 02 máquinas secadoras rotativas de café, entre outras entregas. Foto: Divulgação / SEAF

“Colniza é o celeiro da agricultura familiar, porque temos um povo que quer plantar e a prefeitura com apoio do Governo por meio da Seaf e da Empaer têm dado esse suporte”, observou o prefeito de Colniza, Milton Amorim.

Aprimorando as sacas de café

Como resultado, a produtividade média saltou de 6–8 sacas por hectare para 22–23 sacas/ha em cerca de dez anos, aproximando Mato Grosso da média nacional. Em lavouras tecnificadas, a produtividade potencial indicada pela Embrapa chega a 50 sacas/ha. Dados da Embrapa, com base na Conab, mostram que mesmo com redução de 43% da área colhida entre 2015 e 2024, a produção estadual cresceu 101,8%, reflexo direto do investimento em ciência e tecnologia.

Desde 2021, a Empaer coordena o Projeto de Validação de Clones de Coffea canephora, com apoio da Seaf, Fapemat, Embrapa e parceiros. A iniciativa avalia o desempenho produtivo, a resistência e a estabilidade de clones do Robusta Amazônico em diferentes regiões do Estado. Resultados preliminares indicam produtividades superiores a 100 sacas por hectare em alguns materiais, reforçando o potencial competitivo da cafeicultura mato-grossense.

Pesquisadora da Empaer, Danielle Helena Muller, engenheira agrônoma e doutora em Agricultura Tropical. Foto: Divulgação / SEAF

Segundo a pesquisadora da Empaer, Danielle Helena Muller, engenheira agrônoma e doutora em Agricultura Tropical, o trabalho foi organizado em cinco regiões estratégicas. “Criamos essa divisão para otimizar recursos e entregar resultados técnicos confiáveis para todo o Estado. Plantamos os experimentos em 2021 e vamos apresentar os resultados oficiais em 2026, após três safras plenas. Isso garante segurança técnica para produtores, viveiristas e gestores públicos”, explica.

Para a pesquisadora Dalilhia Nazaré dos Santos, doutora em Fitotecnia, o salto produtivo só foi possível porque a política pública partiu de uma base científica sólida. “A partir de 2015, com o programa estadual, entraram especialistas no processo, houve treinamento técnico e validação de materiais genéticos. É por isso que a produtividade mais que dobrou em dez anos. Grandes avanços só acontecem com ciência”, afirma.

A cafeicultura se encaixou de forma estratégica na agricultura familiar, por ser uma cultura perene, de alta rentabilidade por área e grande demanda de mão de obra. Além da renda contínua, o café fortalece cadeias produtivas locais, movimentando viveiros, comércio de insumos, agroindústria, feiras e cooperativas.

Secretário municipal de Agricultura, Marcelo Fernando Pereira Souza. Foto: Divulgação / SEAF

Nos municípios, os resultados já são visíveis. Em Alta Floresta, o município nos últimos sete anos recebeu R$ 7,5 milhões de investimentos em estrutura para ampliar a produção em diferentes cadeias. O secretário municipal de Agricultura, Marcelo Fernando Pereira Souza, destaca a expansão da cultura.

“Começamos com seis produtores vitrine e hoje já são cerca de 100 produtores em alguma fase de produção, além de outros 45 para entrar no projeto. Trabalhamos com os melhores materiais pesquisados desde 2017 e já conseguimos, inclusive, abastecer a demanda de café da própria prefeitura com a produção local”, relata.

Prefeito Nova Monte Verde, Edemilson Marino dos Santos. Foto: Divulgação / SEAF

Em Nova Monte Verde, onde o Governo do Estado investiu R$ 2,5 milhões por meio da Seaf em equipamentos, máquinas e outros produtos primordiais para a agricultura familiar. O prefeito Edemilson Marino dos Santos reforça a importância histórica da cultura.

“Nosso município foi colonizado pelo café. Hoje, além da produção, temos industrialização disponível. O apoio do Governo do Estado, com insumos, máquinas e assistência técnica da Empaer, fortalece o produtor e garante que ele permaneça no campo, contribuindo com o desenvolvimento local”, afirma.

Prefeito de Paranaíta, Osmar Antônio Moreira. Foto: Divulgação / SEAF

Já em Paranaíta, que recebeu R$ 4,6 milhões em investimentos estaduais entre 2019 e 2025, o prefeito Osmar Antônio Moreira ressalta a confiança dos produtores. “O produtor acreditou no café porque teve projeto, técnica e acompanhamento. Criamos um fundo municipal para financiar novas áreas e agora avançamos para a industrialização. O apoio do Governo do Estado à agricultura de pequena escala é histórico e tem levado esperança, renda e qualidade de vida ao produtor rural”, destaca.

No estado, o impacto vai além do café. O Governo de Mato Grosso investe R$ 817 milhões nos 142 municípios, fortalecendo cadeias produtivas, promovendo ciência, tecnologia e inclusão produtiva no campo. Na cafeicultura, o que se consolida no Estado não é apenas a expansão da área plantada, mas um modelo baseado em pesquisa, inovação e valorização da agricultura familiar, que transforma produtividade em desenvolvimento regional sustentável.

*Com informações da SEAF MT

Livro infantojuvenil retrata jornada de fantasia e consciência ambiental pela Amazônia

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Personagem do livro encontra a Iara. Imagem: Divulgação

A produtora cultural e artista multimídia Michelle Moraes faz sua estreia na literatura com o livro infantojuvenil ‘Os Guardiões do Pátio Verde’, uma obra que une fantasia, educação ambiental e mitologia amazônica para convidar jovens leitores a olhar com mais atenção para os espaços verdes que os cercam e para a floresta viva que resiste, mesmo quando parece invisível.

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Livro infantojuvenil retrata jornada de fantasia e consciência ambiental pela Amazônia
Personagem Henrique vê um olho d’água. Imagem: Divulgação

A história nasce a partir da realidade de Manaus (AM), mas dialoga com o contexto de muitas cidades brasileiras, com um forte potencial de identificação com leitores de diferentes regiões do país.

A narrativa acompanha três estudantes que descobrem segredos guardados por uma área verde ameaçada, dando início a uma jornada de aprendizado, coragem e responsabilidade ambiental.

Ao misturar fantasia, ciência, educação ambiental e referências à mitologia amazônica, o livro propõe uma reflexão acessível e sensível sobre a relação entre juventude, território e preservação da natureza.

Personagens lendários da cultura amazônica surgem em diálogo com o cotidiano escolar, valorizando o protagonismo juvenil, a ação coletiva e o papel do conhecimento como ferramenta de transformação.

Ao longo da história, os personagens percebem que a natureza guarda saberes antigos que se revelam quando alguém aprende a escutar, observar e cuidar. Entre ciência, saberes tradicionais e mitologia viva, a obra aborda temas como pertencimento, responsabilidade coletiva, preservação ambiental e o vínculo entre pessoas e território.

Leia também: Literatura amazônica: conheça livros que ajudam a desbravar a região sem sair de casa

Personagem Clara e a borboleta azul. Imagem: Divulgação

Livro é gratuito

‘Os Guardiões do Pátio Verde’ integra um projeto contemplado pelo EDITAL DE CHAMAMENTO PÚBLICO Nº 05/2024 – Fomento à Execução de Ações Culturais de Literatura (PNAB 2024), com apoio do Conselho Estadual de Cultura (CONEC), Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, Governo do Amazonas, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Nesta primeira edição, o público tem acesso ao e-book gratuito, disponibilizado como forma de democratizar a leitura e ampliar o alcance do projeto. Um dos objetivos da obra é servir como instrumento de estímulo à reflexão para estudantes, professores, famílias e todas as pessoas interessadas em educação ambiental e em um futuro mais equilibrado para o meio ambiente.

Leia também: E-book infantil ‘Contos do Tariano’ reúne histórias do imaginário amazônico

Além da versão digital em PDF, o projeto prevê a distribuição do livro impresso para escolas públicas, a versão  em braile, que será disponibilizado em uma biblioteca especializada em Manaus, e a versão em audiobook, ampliando o acesso e promovendo inclusão.

Com linguagem sensível e imagética, o livro propõe que toda área verde, grande ou pequena, seja reconhecida como parte de um ecossistema vivo que precisa ser cuidado com atenção, escuta e responsabilidade.

Com receitas, ações sociais e espetáculos, veja a programação natalina completa do Amazon Sat

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A época mais mágica do ano chegou!🎄✨ E o canal Amazon Sat preparou uma programação especial pra deixar o Natal ainda mais encantador. Com receitas natalinas, ações sociais que levam o Natal para todo canto na Amazônia e concertos especiais, a programação celebra a época mais iluminada do ano.

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São atrações especiais para toda a família preparadas e selecionadas pelo canal que é a cara e a voz da Amazônia.

Acompanhe nos canais:

  • Manaus (AM): 44.1
  • Porto Velho (RO): 22
  • Rio Branco (AC): 31
  • Macapá (AP): 29
  • Boa Vista (RR): 23.1
  • Parintins (AM): 46

Ou ainda pelo site do Amazon Sat e pelo Portal Amazônia. Veja a programação completa dos dias 24 e 25 de dezembro:

Com receitas, ações sociais e espetáculos, veja a programação natalina completa do Amazon Sat

Três receitas típicas do Natal que ganharam ingredientes amazônicos

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Imagem gerada por IA

O Natal no Brasil é marcado por tradições que atravessam gerações e se manifestam, principalmente, à mesa. Em diferentes regiões do país, pratos clássicos da ceia natalina – o peru, o panetone – passaram a receber adaptações locais, incorporando ingredientes típicos e modos de preparo regionais. Esse processo de adaptação reforça a diversidade cultural brasileira sem romper com os símbolos tradicionais da data.

Na Região Norte, a influência da Amazônia tem se destacado na gastronomia deste período do ano. Ingredientes como tucupi, jambu, castanha-do-pará, farinha de mandioca e frutas regionais vêm sendo incorporados a receitas consagradas, criando versões que dialogam com o território amazônico. Essas adaptações são observadas tanto em ceias familiares quanto em cardápios de restaurantes e eventos temáticos.

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A presença desses elementos amazônicos em pratos natalinos reflete práticas alimentares já consolidadas ao longo do ano, que ganham maior visibilidade durante o Natal. A seguir, confira três receitas tradicionais natalinas que passaram a incorporar ingredientes amazônicos, mantendo a identidade da celebração e ampliando seu repertório gastronômico:

Peru de Natal com tucupi e jambu

Foto: Reprodução/ Youtube -blogueiraatrapalhada

O peru é um dos pratos mais tradicionais do Natal brasileiro e costuma ocupar posição central na ceia. Na Amazônia, essa ave ganhou releituras que incorporam ingredientes emblemáticos da culinária regional, como o tucupi e o jambu. O tucupi é um caldo amarelo extraído da mandioca brava, amplamente utilizado em pratos típicos do Norte, enquanto o jambu é uma erva conhecida pela leve sensação de dormência que provoca na boca. Ambos são essenciais, por exemplo, no tacacá.

Nessa versão amazônica, o peru pode ser marinado ou servido com um molho à base de tucupi, temperado com alho, chicória-do-pará, pimenta-de-cheiro e outras ervas regionais. O jambu é adicionado ao preparo como acompanhamento ou incorporado ao molho, criando um contraste entre a carne assada e os sabores intensos do caldo amazônico. A técnica de assar o peru permanece semelhante à utilizada em outras regiões do país, preservando a textura e a apresentação tradicional do prato.

Leia também: Fim de Ano Amazônico celebra solidariedade, cultura e economia circular no Amapá

Essa adaptação tem sido registrada em publicações gastronômicas, receitas divulgadas por chefs regionais e cardápios de Natal no Norte do Brasil. O prato mantém o simbolismo do peru na ceia natalina, ao mesmo tempo em que incorpora elementos fortemente associados à identidade alimentar amazônica.

INGREDIENTES

  • 1 peru descongelado
  • 2 litros de tucupi temperado (pode ser necessário mais, dependendo do tamanho do peru)
  • 1 maço grande de jambu
  • 4 dentes de alho amassados
  • 1 cebola grande picada
  • Pimentinha de cheiro a gosto (opcional)
  • Chicória-do-Pará e alfavaca a gosto (opcional, para o tucupi)
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto
  • Manteiga para pincelar
  • Papel alumínio 

MODO DE PREPARO

  • Preparar o Peru: Lave bem o peru por dentro e por fora e retire o saco de miúdos. Se o peru já for temperado, a marinada de tucupi complementará o sabor.
  • Temperar o Tucupi: Em uma panela grande, refogue o alho, a cebola e a pimentinha de cheiro. Adicione o tucupi, chicória e alfavaca, e deixe ferver por pelo menos 20 minutos para apurar o sabor e garantir a segurança do consumo. Ajuste o sal.
  • Marinar o Peru: Coloque o peru em um saco plástico grande e resistente ou em uma assadeira funda. Despeje o tucupi temperado ainda morno sobre o peru, garantindo que fique bem coberto. Deixe marinar na geladeira por, no mínimo, 12 horas (preferencialmente 24 horas), virando a ave periodicamente.
  • Escaldar o Jambu: Lave o jambu e escalde-o em água fervente por alguns minutos. Escorra a água e reserve.
  • Assar: Retire o peru da marinada e coloque-o em uma assadeira, com o peito virado para baixo. Pincele generosamente com manteiga e tempere com pimenta-do-reino. Cubra a assadeira com papel alumínio e leve ao forno preaquecido (temperatura indicada na embalagem, geralmente 180ºC).
  • Tempo de Forno: O tempo de cozimento é de aproximadamente 40 minutos por quilo, mas verifique as instruções do fabricante. Durante as primeiras horas, mantenha coberto. Regue a ave com a marinada coada a cada 1-2 horas para mantê-la suculenta.
  • Dourar e Adicionar o Jambu: Cerca de 30-40 minutos antes de finalizar o tempo total de cozimento, retire o papel alumínio, adicione o jambu escaldado ao redor do peru e deixe dourar.
  • Servir: Deixe o peru descansar por alguns minutos antes de fatiar e servir com o molho de tucupi e jambu. 

A receita é da Marci, do canal no Youtube Blogueira atrapalhada.

Farofa natalina com castanha-do-pará e farinha de mandioca

A farofa é um acompanhamento recorrente nas ceias em todo o país, geralmente preparada com farinha de mandioca ou de milho, manteiga e ingredientes variados. Na Amazônia, a farofa natalina ganha destaque pelo uso da farinha de mandioca regional, que apresenta granulometria e sabor característicos, além da adição da castanha-do-pará.

Leia também: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

A castanha-do-pará é um ingrediente amplamente utilizado na culinária amazônica e aparece nessa versão natalina como elemento principal. Torrada ou levemente salteada, ela é misturada à farinha, junto com cebola, alho, ervas e, em alguns casos, frutas secas ou pedaços de banana-da-terra. A combinação resulta em uma farofa que mantém a função tradicional de acompanhamento, mas com perfil sensorial ligado à floresta amazônica.

Durante o Natal, essa farofa costuma acompanhar carnes assadas, peru, frango ou pernil, substituindo versões mais comuns em outras regiões do Brasil.

INGREDIENTES

  • 300g de farinha de mandioca (flocada ou crua)
  • 100g de castanha-do-pará, picadas grosseiramente
  • 50g de manteiga
  • 50g de cebola picada
  • Sal a gosto
  • Pimenta-do-reino a gosto (opcional) 

MODO DE PREPARO

  1. Prepare as castanhas: Em uma frigideira em fogo baixo, aqueça as castanhas-do-pará picadas por alguns minutos até ficarem levemente tostadas e liberarem o aroma. Reserve-as.
  2. Refogue a cebola: Na mesma frigideira, adicione a manteiga (e um pouco de azeite, se preferir) e refogue a cebola picada até murchar e ficar transparente.
  3. Adicione a farinha: Acrescente a farinha de mandioca aos poucos, mexendo sempre em fogo baixo, por cerca de 5 minutos, até começar a dourar e ficar crocante.
  4. Finalize: Misture as castanhas-do-pará reservadas à farofa. Tempere com sal e pimenta-do-reino a gosto, misture bem e retire do fogo.
  5. Sirva: Sirva a farofa em seguida, como acompanhamento de carnes, aves ou peixes. 

Rabanada com frutas amazônicas

As tradicionais Rabanadas de Natal podem receber elementos amazônicos como cupuaçu e açaí. Foto: Franciso Antunes/ Wikimedia Commons

A rabanada é uma sobremesa tradicional do Natal, herdada da culinária portuguesa e amplamente difundida no Brasil. Feita a partir de pão embebido em leite e ovos, frito e finalizado com açúcar e canela, a receita clássica ganhou versões adaptadas em diversas regiões. Na Amazônia, a inovação ocorre principalmente na finalização e nos acompanhamentos, com a inclusão de frutas típicas da região.

Frutas como cupuaçu, açaí, bacuri e taperebá aparecem em caldas, cremes ou compotas servidas com a rabanada. O cupuaçu, por exemplo, é utilizado na forma de creme ou redução, oferecendo acidez e aroma característicos que contrastam com a doçura do pão. Já o açaí pode ser servido em calda leve ou como acompanhamento, adaptado para harmonizar com a sobremesa natalina.

INGREDIENTES

Para a Rabanada:

  • 2 pães tipo baguete (ou francês) amanhecidos
  • 1 lata de leite condensado
  • A mesma medida (da lata) de suco de cupuaçu sem adoçar
  • 2 ovos
  • 1 colher de sopa de essência de baunilha
  • Açúcar e canela a gosto para polvilhar
  • Margarina para untar a forma 

Para a Geleia de Cupuaçu (opcional, para servir):

  • 1 xícara de suco de cupuaçu sem adoçar
  • 1 xícara de açúcar 

MODO DE PREPARO

Rabanadas:

  1. Corte os pães em fatias médias (cerca de dois dedos de espessura).
  2. Misture o leite condensado e o suco de cupuaçu em um recipiente.
  3. Bata as claras dos ovos em ponto de neve e misture delicadamente com a essência de baunilha em outro recipiente.
  4. Mergulhe as fatias de pão na mistura de leite condensado e suco de cupuaçu, garantindo que absorvam bem o líquido.
  5. Passe as fatias molhadas na clara em neve batida.
  6. Disponha as rabanadas em uma forma untada com margarina.
  7. Asse em forno médio pré-aquecido a 180°C por cerca de 10 minutos de cada lado, ou até dourarem.
  8. Retire do forno, deixe esfriar e polvilhe a mistura de açúcar e canela. 

Geleia de Cupuaçu:

  1. Em uma panela, leve o suco de cupuaçu e o açúcar ao fogo médio.
  2. Mexa ocasionalmente até atingir o ponto de geleia (consistência ligeiramente espessa).
  3. Sirva as rabanadas com a geleia de cupuaçu por cima. 

Boi-bumbá Garantido inaugura complexo natalino e lança álbum digital em Parintins

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A Cidade Garantido recebeu, no dia 19 de dezembro, a inauguração do complexo natalino do Boi-Bumbá Garantido, instalado na Praça do Curral Lindolfo Monteverde, em Parintins (AM). O espaço foi aberto ao público com programação cultural e musical, reunindo moradores da cidade, integrantes do boi, dirigentes da associação e representantes do poder público.

O evento marcou o início das atividades natalinas promovidas pela agremiação de Parintins e integrou ações voltadas à ocupação cultural da Cidade Garantido durante o período de fim de ano.

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Desde o início da noite, a área foi iluminada com decoração temática e recebeu apresentações que envolveram diferentes segmentos ligados ao boi da baixa do São José. O público acompanhou as apresentações ao som de toadas tradicionais, que fizeram parte da trilha sonora do evento. Crianças também tiveram espaço na programação, com atividades direcionadas ao público infantil.

Árvore de natal na Cidade Garantido. Foto: Divulgação/ Boi Garantido

Durante a inauguração, o presidente do Boi, Fred Góes, acompanhou as atividades e destacou o momento como “parte de um ciclo anual de ações desenvolvidas pela associação”. Segundo ele, a iniciativa representa um balanço das atividades realizadas ao longo de 2025, ano que incluiu a conquista do 33º título do Festival de Parintins pelo Garantido. A abertura do espaço natalino foi apresentada como mais uma ação dentro do calendário cultural mantido pelo boi fora do período do festival.

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Um dos elementos centrais da decoração é a árvore de Natal instalada no espaço. O projeto foi idealizado pelo artista José Trindade, com participação de artistas e integrantes do Galpão do Garantido. A concepção da árvore seguiu uma linha artística já adotada em anos anteriores, incorporando elementos visuais associados à identidade do Boi. A estrutura também foi apresentada como uma homenagem ao artista Agostinho Rodrigues, que costumava participar da criação da árvore natalina e faleceu de forma prematura neste ano.

Lançamento de álbum temático natalino do Garantido

Além da inauguração do complexo natalino, o fim de semana também marcou o lançamento de um novo produto musical do boi.

Na manhã de sábado (20), a agremiação apresentou o álbum especial ‘Natal Garantido’, lançado como parte das ações comemorativas do período natalino.

O trabalho foi disponibilizado inicialmente no YouTube e reúne cinco toadas em formato instrumental, voltadas à ambientação musical característica das festas de fim de ano.

O álbum “Natal Garantido” contou com produção artística e executiva vinculada à diretoria do boi. A direção musical ficou sob responsabilidade de Alder Oliveira, Enéas Dias e Fredinho Góes. As etapas de gravação, edição, mixagem e masterização foram realizadas por Roneilson Leal, conhecido como Garotinho, no estúdio MG Music, localizado em Parintins.

De acordo com a organização, o álbum deve ser disponibilizado, em breve, em outras plataformas digitais, ampliando o acesso do público ao conteúdo.

Criatividade amazônida transforma decorações de Natal em Santarém

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Decoração criativa com aspectos amazônidas. Foto: Divulgação/Semtur Santarém

Então, é Natal! Em Santarém, durante o mês de dezembro, restaurantes, shoppings e lojas transformam seus espaços com decorações natalinas de identidade amazônica, unindo a tradição do Natal a elementos regionais.

Papai Noel na carroça, guirlandas de cipó, árvores ornamentadas com artesanato local e presépios adaptados à realidade ribeirinha se destacam como atrativos turísticos, fortalecendo o sentimento de pertencimento cultural, movimentando a economia criativa e encantando moradores e visitantes.

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A ambientação de um dos centros comerciais da cidade, por exemplo, é considerada uma das mais autênticas. Com o tema ‘Natal é no PARÁiso’, em referência ao nome do empreendimento e ao estado do Pará, o espaço convida o visitante a uma verdadeira imersão cultural.

Amazônia é encontrada em decorações natalinas em Santarém. Foto: Divulgação/Semtur Santarém

Logo na entrada do estabelecimento, um arco monumental confeccionado com cestos e outras peças em palha de tucumã chama a atenção do público.

Galhos, folhas, paneiros, juta, iluminação cênica e figuras da fauna regional completam o cenário, criando uma atmosfera que aproxima o Natal da floresta.

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natal com decoração amazônida
Árvore de natal em Santarém. Foto: Divulgação/Semtur Santarém

No centro do pátio, uma árvore de Natal de 10 metros de altura concentra o olhar dos visitantes. Ornamentada com diversos artesanatos, reúne dezenas de cuias riscadas com grafismos indígenas (patrimônio cultural da comunidade Cabeça D’Onça, na região do Aritapera) além de chapéus, laços, flores, peixes cenográficos e elementos naturais.

Árvore com detalhes amazônidas em Santarém. Foto: Divulgação/Semtur Santarém

Outras árvores distribuídas pelo espaço incorporam elementos do cotidiano ribeirinho, com trechos de malhadeira utilizados na pesca, organizados de forma a criar o efeito de ondas, peça em madeira representando o pirarucu (peixe abundante nos rios da região), além de pequenas canoas e luzes, reforçando a ligação com a vida às margens dos rios.

Papai Noel com vestes típicas da Amazônia. Foto: Divulgação/Semtur Santarém

O Bom Velhinho também ganha uma releitura amazônida. Em vez do tradicional trenó, o Papai Noel surge em uma carroça, usando roupas leves adaptadas ao clima quente da cidade, com chapéu de palha, camisa de manga curta, bermuda e sandálias.

A rena que puxa o veículo veste um traje bordado com símbolos do muiraquitã, amuleto ancestral carregado de significados históricos para a identidade santarena.

Leia também: Pesquisador traça panorama do muiraquitã, amuleto símbolo da Amazônia

Presépio natalino. Foto: Divulgação/Semtur Santarém

O presépio completa a proposta de forma simbólica: montado num casebre, traz remos apoiados nas laterais e, ao centro, Maria e o Menino Jesus acomodados numa rede, em referência à herança indígena.

Guirlanda de cipó, cestos, lamparina, panelas de cerâmica, bebedouros de barro e tipiti compõem a cena, conectando a fé cristã ao modo de vida amazônico.

Inspiração na época de Natal

Segundo o artista plástico Relison Sousa, a inspiração para a decoração nasceu do amor pela cultura regional.

“O Norte é forte, tem identidade e muita cultura. O maior desafio foi transformar elementos do nosso cotidiano ribeirinho em símbolos natalinos, o que exige um olhar artístico, de enxergar cada peça além do que ela é… olhar ela como uma arte”, explica.

Para ele, o uso de materiais naturais  representa orgulho. “Fui criado vendo minha mãe fazer artesanato com elementos da natureza. Poder levar esse legado para um shopping, alcançando um público tão grande, significa muito para mim”, afirma.

Na avaliação do artista, as cuias são o elemento que melhor traduz a identidade santarena, por remeterem a costumes do dia a dia, como o consumo de tacacá e açaí, tradicionalmente servidos em cuias nas esquinas ao fim da tarde. Por isso, para a árvore central, ele optou por pendurar dezenas de cuias riscadas.

As decorações espalhadas pelas cidade tem se destacado pela originalidade, beleza e integração ao clima festivo. O secretário municipal de Turismo, Emanuel Júlio Leite, ressaltou a importância dessas iniciativas para o fortalecimento do turismo.

“Mais do que embelezar a cidade, as ornamentações realizadas pelos estabelecimentos privados complementam as ações da Prefeitura, que já decorou ruas e praças. Os empresários têm se empenhado em unir o clima natalino ao regionalismo, o que é fantástico. Esses espaços se tornam atrativos turísticos. As pessoas param, admiram e tiram fotos. É bonito ver!”, afirmou.

*Com informações da Prefeitura de Santarém

Campanha ‘Doe Alegria, Escreva Amor’ mobiliza solidariedade no Amapá

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A Fundação Rede Amazônica (FRAM) promove, entre os dias 23 e 28 de dezembro, a campanha solidária “Doe Alegria, Escreva Amor”, uma das principais ações do projeto Fim de Ano Amazônico. A iniciativa convida a população do Amapá a doar brinquedos e escrever cartinhas de Natal para crianças em situação de vulnerabilidade social, reforçando gestos de empatia, carinho e esperança neste período simbólico do ano.

A arrecadação acontece em dois pontos de coleta parceiros:

  • Supermercado Fortaleza JK – Rod. Josmar Chaves Pinto, 1000 – Jardim Marco Zero, Macapá (AP)
  • Supermercado Fortaleza Santana – Rua General Ubaldo Figueira, 623 – Bairro Central, Santana (AP), CEP 68.925-186

Além da doação dos brinquedos, a campanha incentiva cada participante a escrever uma cartinha, criando uma conexão afetiva entre quem doa e quem recebe e tornando o gesto ainda mais significativo.

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Para Matheus Aquino, coordenador de projetos da Fundação Rede Amazônica, a ação vai além da entrega de presentes:

“A campanha ‘Doe Alegria, Escreva Amor’ é um convite para que as pessoas compartilhem afeto. Um brinquedo e uma cartinha podem parecer simples, mas representam cuidado, atenção e a certeza de que alguém se importa”.

Campanha 'Doe Alegria, Escreva Amor' mobiliza solidariedade no Amapá
Campanha faz parte do projeto Fim de Ano Amazônico. Foto: Reprodução/Newarta-Pixabay

A campanha integra o conjunto de ações do Fim de Ano Amazônico, projeto que acontece de 20 a 31 de dezembro no estado do Amapá, reunindo iniciativas sociais, educativas, ambientais e comunicacionais com foco na solidariedade, na sustentabilidade e na valorização da identidade amazônica.

Segundo Mariane Cavalcante, diretora executiva da Fundação Rede Amazônica, a ação reflete o compromisso institucional da Fundação com o impacto social: “A solidariedade transforma realidades. Com a campanha ‘Doe Alegria, Escreva Amor’, queremos mobilizar a sociedade para um gesto simples, mas poderoso, capaz de levar alegria, dignidade e esperança para muitas crianças neste fim de ano”.

A Fundação Rede Amazônica reforça o convite para que a população participe da campanha e ajude a tornar o Natal de muitas crianças mais feliz e acolhedor.

Leia também: Fim de Ano Amazônico celebra solidariedade, cultura e economia circular no Amapá

Fim de Ano Amazônico

O Fim de Ano Amazônico integra ações sociais, educativas, ambientais e comunicacionais, reafirmando o papel da Fundação Rede Amazônica como agente de transformação social e de valorização da identidade amazônica, com impacto que vai além do período festivo.

O Projeto Fim de Ano Amazônico tem o apoio de Instituto Cultural Educacional Formar (ICEF), Supermercados Fortaleza, Tratalyx, Governo do Amapá e realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM).

Veja os bairros mais buscados e as tendências do mercado de Manaus segundo o OLX

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Manaus mostra forte preferência nos bairros Parque 10 de Novembro, Flores e Ponta Negra. Foto: Divulgação

A nova edição do Radar Imobiliário, estudo do Grupo OLX realizado por meio de sua fonte de inteligência imobiliária, DataZAP, analisou o mercado imobiliário manauara e revelou que a dinâmica do mercado na capital do Amazonas mostra forte preferência por regiões centrais e pela zona oeste, especialmente bairros como Parque 10 de Novembro, Flores e Ponta Negra, que aparecem no topo dos rankings de procura.

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No mercado de venda, Ponta Negra lidera as buscas na cidade e respondeu por 13,24% dos leads gerados ao longo dos últimos 12 meses até outubro de 2025. Na sequência, aparecem Parque 10 de Novembro (10,08%) e Flores (8,62%), que juntos representam cerca de 32% de toda a procura por compra de imóveis em Manaus.

Entre os destaques de crescimento, Novo Aleixo registrou expansão, com aumento de 1,54 ponto percentual na participação da demanda. Já Flores, mesmo ocupando posição de destaque, apresentou queda anual de 1,03 p.p.

“Observamos uma concentração expressiva nos três principais bairros de Manaus, com uma distribuição que reflete a oferta de infraestrutura, serviços e facilidades de mobilidade urbana”, avalia Paula Reis, economista do Grupo OLX.

“A manutenção desses bairros no topo do ranking reforça a estabilidade do mercado manauara e a atratividade dessas regiões para diferentes perfis de compradores”.

Fonte: Radar Imobiliário – DataZAP
Fonte: Radar Imobiliário – DataZAP

A valorização do metro quadrado

A valorização do metro quadrado também apresentou variações relevantes. Nos últimos 12 meses, Compensa registrou o maior avanço no preço de venda, com alta de 45,5%. Planalto (30,3%) e Chapada (24%) também se destacaram no período. Em outubro de 2025, o preço médio do m² chegou a R$ 5.211 em Compensa, R$ 6.733 na Chapada e R$ 5.034 no Planalto. No acumulado de 12 meses, Manaus teve variação de 5,98% no Índice FipeZAP de venda residencial, abaixo da média nacional de 6,8%.

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No mercado de locação, o ranking é liderado pelo Parque 10 de Novembro, responsável por 14,45% da demanda, seguido de Flores (9,91%) e Ponta Negra (9,36%). As três regiões representam 34% de todas as buscas por aluguel em Manaus. Entre os bairros com maior crescimento relativo na procura por imóveis para locação, o destaque é o Planalto, que avançou 1,45 p.p. no período analisado.

Fonte: Radar Imobiliário – DataZAP

A tipologia preferida pelos compradores na capital inclui imóveis de até 50 m², com dois dormitórios, sem suíte e com uma vaga de garagem.

Para locação, o perfil mais buscado é o de unidades também de até 50 m², com um dormitório, sem suíte e sem vaga de garagem, indicando maior interesse por imóveis compactos e acessíveis.

Fonte: Radar Imobiliário – DataZAP

Sobre o Grupo OLX

O Grupo OLX é um marketplace de classificados, líder na compra e venda de produtos usados, com um ecossistema diversificado em bens de consumo, autos e imóveis, por meio dos portais OLX, Zap e Viva Real.

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Com tecnologia de ponta, o Grupo OLX democratiza o acesso a todas as pessoas para que realizem negócios e ressignifiquem sua relação com produtos usados, gerando impacto positivo no consumo consciente e na performance dos clientes e parceiros.

Os acionistas do Grupo OLX são os principais conglomerados globais de investimento em marketplaces e classificados online: Prosus NV (50%), listada na bolsa de valores de Amsterdã, e Adevinta ASA (50%), baseada em Barcelona e Oslo.

Integração de espécies eleva produtividade e reforça sustentabilidade na piscicultura amazônica

Os impactos ambientais da produção de tambaqui, comparados aos de outras atividades agropecuárias, são menores. Foto: Divulgação/Embrapa

Levantamento da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) revela que criação integrada de tambaqui (Colossoma macropomum) com curimba (Prochilodus lineatus) é uma opção mais sustentável de produção de proteína para o bioma amazônico. Além disso, é 25% mais produtiva do que a produção de tambaqui de forma isolada.

O estudo, publicado na revista Aquaculture, avaliou os impactos ambientais da aquicultura multitrófica integrada (AMTI) de tambaqui e curimba em comparação com a monocultura de tambaqui em viveiros usando a avaliação do ciclo de vida (ACV). A AMTI é um modelo ecológico de produção que cultiva diferentes espécies aquáticas no mesmo ambiente, imitando os ecossistemas naturais para reciclar nutrientes. Dessa forma, reduz o impacto ambiental, aumenta a sustentabilidade e a eficiência, e gera múltiplos produtos de valor a partir de uma mesma unidade produtiva, como parte de uma economia circular.

Os resultados compararam também a piscicultura a outras atividades agrícolas. Em relação à pecuária bovina, para a produção de 1 kg de proteína, são necessários 434.88% a mais de terra do que a piscicultura de tambaqui. Já a avicultura necessita de 48.84%, e a suinocultura, de 72.09% a mais de espaço. “Com isso, verificamos que a aquicultura pode ser uma alternativa para a diminuição da pressão de abertura de novos espaços para a produção agropecuária no bioma amazônico”, constata a pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura Adriana Ferreira Lima.

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Os dados confirmam um estudo publicado pela revista Nature Sustainability, em janeiro deste ano, que apontou vantagens da criação de peixes na região em comparação ao gado. A pesquisa foi conduzida por cientistas brasileiros e americanos.

Segundo Lima, comparativamente, avaliando os impactos ambientais da produção de tambaqui com outras atividades agropecuárias, o da aquicultura é muito menor. “Além da demanda por terra ser muito menor por terra, a atividade influi pouco na liberação de gases de efeito estufa. Sem dúvida, é uma solução mais sustentável para a produção de proteína no bioma amazônico”, atesta.

Integração de espécies eleva produtividade e reforça sustentabilidade na piscicultura amazônica
Adriana Lima analisando tambaqui. Foto: Divulgação/Embrapa

Por que a curimba?

De formato comprido, a curimba é menor do que o tambaqui e é comercializada com peso entre meio quilo e um quilo, em mercados locais do Pará e regiões ribeirinhas.

De acordo com a pesquisadora, a curimba foi escolhida por ser utilizada experimentalmente por alguns produtores e por ter um grande potencial produtivo. É hoje a segunda espécie de peixe mais exportada pelo Brasil.

Lima explica que a pesquisa considerou os fatores biológicos, ecológicos, econômicos e de mercado, além de levar em conta que a espécie já é produzida em várias regiões do País.

“A curimba possui um perfil ecológico que complementa a função do tambaqui. A criação do tambaqui não sofre alterações com a inclusão da curimba, que é um peixe de fundo, responsável por consumir as sobras de ração e alimentos presentes no sedimento do fundo do viveiro”, complementa.

Foto: Divulgação/Embrapa

Outra vantagem da curimba é que ela é uma espécie que o produtor pode aceitar sem medo de ter prejuízos com a produção integrada de tambaqui, uma vez que não afeta em nada o crescimento e o rendimento do peixe amazônico mais exportado pelo Brasil.

A importância da pesquisa

A pesquisa trouxe informações fundamentais e inéditas para esse modelo integrado de criação, já adotado por alguns produtores. Até então, a criação conjunta de curimba e tambaqui era vista apenas como um recurso para melhorar a qualidade da água, pois a curimba é uma espécie que se alimenta no fundo do viveiro.

“Enquanto em países como China e índia, o cultivo de espécies de forma integrada é um padrão bastante comum, no Brasil há poucas iniciativas por falta de dados a respeito. O estudo agrega informações científicas a essa prática, esclarecendo dúvidas mais comuns dos produtores, como: por exemplo, se a inserção da curimba atrapalha ou não o crescimento do tambaqui; se é necessário aumentar a quantidade de ração para a criação de duas espécies, e qual a quantidade de curimba se deve colocar no viveiro”, observa a pesquisadora.

O estudo revelou que a curimba se desenvolveu com a mesma quantidade de ração destinada ao monocultivo do tambaqui e que não prejudica em nada o crescimento da espécie amazônica. Ao contrário: com a mesma quantidade de ração, o viveiro produziu 25% a mais de proteína por hectare, por conta da adição da nova metodologia, promovendo incremento econômico para o produtor.

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Outra vantagem é que o manejo combinado das duas espécies é semelhante ao monocultivo do tambaqui, quando os alevinos de ambas as espécies têm o mesmo tamanho. Com quantidade equivalente de ração, o tambaqui e a curimba se desenvolvem normalmente, sem que uma espécie prejudique a outra.

“Nessa pesquisa colocamos aproximadamente metade de alevinos de curimba e metade de tambaqui. Com essa proporção, a curimba atingiu 200g, enquanto o ideal é chegar aos 500g. O tambaqui chegou a 1.8kg, que é o peso de comercialização no Tocantins e em outros estados da Região Norte, exceto Manaus e Rondônia”, detalha Lima.

Para pequenos produtores, a diferença de crescimento das espécies não é empecilho para a produção integrada, já que as espécies têm tamanhos de comercialização distintos. Além disso, é possível realizar a despesca do tambaqui e aguardar que a curimba atinja o peso mínimo para a comercialização.

Metodologia

A pesquisa foi realizada em campo, em viveiros de 600 metros quadrados, com uma densidade similar aos utilizados pelo setor produtivo. Foram utilizados também insumos semelhantes aos usados nas pisciculturas comerciais.

Os alevinos de tambaqui e de curimba foram inseridos no viveiro ao mesmo tempo, com uma proporção de cerca de 50% cada.

A pesquisadora pontua que todas as etapas da produção (alevinagem) foram realizadas em escala próxima à comercial. A partir dos dados obtidos, foi possível avançar para estudos posteriores. “A análise do impacto ambiental foi embasada em informações primárias obtidas no campo e em outras secundárias, oriundas da literatura”, destaca.

Para a mensuração do impacto global das atividades agropecuárias são realizadas análises de ciclo de vida, nas quais são avaliados os impactos das atividades, somados aos custos de todos os insumos necessários à produção.

“Nosso estudo levou em conta todos os insumos utilizados na piscicultura, inclusive os recursos necessários para a produção dos ingredientes usados na ração, como o plantio da soja e do milho. Foram considerados também gastos com a construção dos viveiros, entre outros necessários à produção de 1 kg de proteína pela aquicultura. Os resultados mostraram que, mesmo levando em conta todos esses custos, o impacto da piscicultura é muito menor do que o de outras atividades agropecuárias”, constata Lima.

Integração é melhor do que monocultivo

O estudo também identificou que, quando o cultivo do tambaqui é integrado com o da curimba, o impacto ambiental é reduzido. Enquanto no monocultivo do peixe amazônico é gerada a liberação de 4.2 7kg de gás carbônico por quilo de peixe, com o cultivo integrado do curimba esse valor cai para 3.9 kg. A integração também promove 17% de redução na ocupação do uso da terra, 12% na acidificação, 38.57% na dependência de água, 13.30% na demanda de energia, 21% na eutrofização da água doce e 9% no impacto na mitigação das mudanças climáticas em comparação com a monocultivo de tambaqui.

O cultivo integrado também melhorou a taxa de conversão alimentar e a recuperação de nutrientes ー fatores-chave que impulsionam a redução dos impactos ambientais. “Esses resultados destacam o sistema AMTI como uma alternativa mais sustentável à monocultura convencional de tambaqui”, enfatiza a pesquisadora.

Foto: Divulgação/Embrapa

Cultivo integrado também na aquicultura

A ciência vem demonstrando que os monocultivos – seja na agricultura ou na pecuária – não são a melhor alternativa para a sustentabilidade da produção. Assim como a pesquisa agropecuária tem mostrado as vantagens da integração lavoura-pecuária-floresta, a pesquisa na aquicultura também tem trabalhado com sistemas integrados para melhorar a eficiência dos sistemas produtivos e diminuir o impacto ambiental.

Lima afirma que a escolha do tambaqui (uma espécie nativa, a segunda mais produzida no Brasil) e da curimba se deu porque já é uma combinação usada por alguns produtores para o cultivo integrado, de forma empírica.

Além dessas espécies, outras também são encontradas em cultivos integrados de peixes no Brasil. No Paraná e na Região Sudeste, por exemplo, há experiências de tilápia com camarão-gigante-da-Malásia (Macrobrachium rosenbergii). Há relatos também de integração de pecuária com fruticultura, utilizando a água do cultivo para a irrigação.

Segundo a pesquisadora, quanto maior a quantidade de espécies existente no sistema de produção, maior é a recuperação da biomassa animal. Hoje a produção de tambaqui aproveita de 30% a 40% do nitrogênio e fósforo; o resto vai para a atmosfera ou para a água.

No caso da pesquisa executada, a curimba consome plâncton, sobra de ração, lodo do fundo, transformando aquilo que seria lixo no monocultivo em proteína animal.

“Nós acreditamos que demos um passo importante para o estudo do cultivo integrado, o que abre portas para a combinação de outras espécies, como tambaqui, curimba e camarão. Quanto mais espécies o sistema tem, desde que elas não façam competição com o tambaqui, que é a espécie principal, maior é a eficiência da produção”, atesta.

A cientista destaca ainda que a aquicultura possui um enorme potencial de cultivos integrados, mas ainda faltam estudos que avaliem todos os impactos desse modelo, incluindo análises dos impactos do aproveitamento da água da aquicultura para a irrigação no plantio. “Há um longo caminho pela frente”, conclui.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa