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Museu Goeldi recebe mural do Mahku, que retrata mitos do povo indígena Huni Kuin

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Os seis integrantes do Mahku e, ao fundo, os painéis do mural. Foto: Luan Lima Mesquita/Carmo Johnson Projects

O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) abre à visitação pública, a partir deste domingo (9/11), o mural do Movimento dos Artistas Huni Kuin (Mahku), formado por um conjunto de dois painéis que mede 58,9 metros quadrados. Eles traduzem dois mitos e cantos do povo Huni Kuin: o “Kapewë Pukeni” (do jacaré-ponte) e o “Yune Inu, Yube Shanu” (do surgimento da Ayahuasca).

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A expressão artística é um convite ao público a conhecer o mundo a partir da visão do povo amazônida. É também meio de comunicação e de resistência e marca a relação entre cultura, arte, ciência e meio ambiente. A pintura ficará exposta como obra permanente no Centro de Exposições Eduardo Galvão, no Parque Zoobotânico do MPEG, em Belém (PA).  

O mural integra a programação cultural no Museu Goeldi para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá na capital paraense, a partir da próxima segunda-feira (10/11). 

Concebida como um marco cultural e simbólico da presença dos povos indígenas nas discussões globais sobre o clima, a pintura também representa o compromisso do MPEG, desde a sua fundação, em 1866, com o diálogo intercultural, com a pesquisa colaborativa junto a comunidades indígenas e com a proteção do bioma amazônico, integrando conhecimentos científicos e tradicionais.

O mural foi possível a partir da articulação da galeria Carmo Johnson Projects, que representa o Mahku, e conta com o patrocínio da Bloomberg Philanthropies e o apoio do Instituto Peabiru. 

Mural é presente dos artistas 

Os seis artistas do Mahku pintaram os painéis em meados de outubro e, antes de deixarem o Museu Goeldi, foram recebidos pelo diretor da instituição, Nilson Gabas Júnior, que agradeceu o presente ao fundador do coletivo, Ibã Huni Kuin.

“Às vésperas de iniciarmos nossa programação na COP30, reafirmamos que estamos abertos aos povos originários e tradicionais. Os Huni Kuin fizeram uma arte maravilhosa aqui, que mostra a relação mística com a natureza. Nossa instituição, declarada de forma simbólica como ‘território indígena’, tem buscado uma comunicação que reúne ciência, cultura e arte. Quando nossos visitantes chegarem aqui, vão poder ver esse novo espaço, essa nova confraternização entre povos tradicionais e produção científica”, disse.

Ibã Huni kuin , um dos artistas do mural, sendo recebido pelo diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior. Foto: Cabron Studios/Carmo Johnson Projects.
Ibã Huni kuin, um dos artistas do mural, sendo recebido pelo diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior. Foto: Cabron Studios/Carmo Johnson Projects

Ibã Huni kuin (ou Isaías Sales, na segunda língua) é professor, pesquisador, antropólogo e artista de uma aldeia do Acre. Ele percebeu que o uso da sua primeira língua estava diminuindo, que os mais novos não sabiam mais os cantos dos antepassados e que a história de seu povo, baseada na oralidade, estava ameaçada.

“Os nossos conhecimentos são da memória, não tem escritos. Eu já vinha acompanhando as histórias do meu pai, por meio da música e comecei a gravar (os cantos do) meu pai”, disse Ibã, completando que essas gravações se transformaram em um livro escrito em três idiomas.

No entanto, segundo ele, a tradução não dava conta de retratar os cantos Huni Kuin, não havia palavras correspondentes. Daí, surgiu a ideia de pintar e de ensinar os mais jovens a retratarem essas músicas, o que se transformou no coletivo Mahku, fundado em 2012, cujos trabalhos foram expostos em eventos no Brasil e em outras parte do mundo.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Os mitos

A pintura do mural exposto no Museu Goeldi apresenta dois mitos centrais da cosmologia Huni Kuin: o Kapewë Pukenibu, também conhecido como o mito do jacaré-ponte (Kapewë Pukeni), uma narrativa ancestral que relata a origem e a travessia dos Huni Kuin, um povo em movimento entre continentes, em busca de sementes, moradia, conhecimento e terra. Por meio de cantos, é contada a história dessa jornada, onde o povo encontra um jacaré que, em troca de alimento, oferece o próprio corpo como ponte para que o povo atravesse para o outro lado. Esse episódio simboliza o ato de criar conexões entre povos, mundos e dimensões, entre o visível e o invisível. 

O mural também evoca o mito Yube Inu, Yube Shanu, que narra o surgimento da ayahuasca, representada pela mulher-serpente do cipó, figura central na cosmologia Huni Kuin. Por meio de cores vibrantes e grafismos tradicionais kenê, o mural traduz os cantos e visões do nixi pae (ayahuasca), expressando temas de cura, transformação e sabedoria. Essa realização marca mais um capítulo do diálogo entre arte, espiritualidade e ancestralidade, reafirmando o papel do Mahku como ponte viva entre mundos — indígena e não indígena, mítico e contemporâneo. 

Os artistas do coletivo Mahku

Ibã Huni Kuin (Isaías Sales, 1964, Tarauacá, Acre) – Ibã Huni Kuin é txana, mestre dos cantos na tradição do povo Huni Kuin. Tornou-se professor na década de 1980 e passou a unir os saberes tradicionais de seu pai, Tuin Huni Kuin, aos conhecimentos ocidentais, pesquisando a escrita da tradição junto de seus alunos. Ingressou na Universidade Federal do Acre (Campus Cruzeiro do Sul) em 2008 e, com seu filho Bane, criou o projeto Espírito da Floresta, que deu origem ao MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin. 

Cleiber Bane (1983, Jordão, Acre) – Cleiber Bane é artista e membro fundador do MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin, criado em 2012. Suas obras transformam em imagem os cantos tradicionais Huni Meka, que orientam os rituais de ayahuasca e evocam Yube, a anaconda cósmica, mestre do Nixi Pae, além de entidades da floresta. Ele participa ativamente da consolidação do grupo no cenário internacional da arte contemporânea.

Cleudon Sales Txana Tuin (1990, Jordão, Acre) – Cleudon Sales, conhecido como Txana Tuin, é artista e txana (mestre dos cantos) do povo Huni Kuin, e integrante do Mahku. Sua prática artística traduz em pintura os cantos e mitos Huni Meka, utilizando a arte como ferramenta de resistência e comunicação intercultural. É também cofundador do coletivo Kayatibu, centro cultural dedicado à preservação dos saberes ancestrais Huni Kuin por meio da música e da dança. Txana Tuin domina mais de 150 cantos do Huni Meka, transmitidos por gerações de sua família. Participou de exposições importantes como Mirações (MASP, 2023) e Coreografias do Impossível (35ª Bienal de São Paulo, 2023). 

Acelino Sales (1975, Jordão, Acre) – Acelino Sales vive e trabalha em Jordão, Acre. Membro do Mahku desde sua fundação, participou da primeira ação coletiva em 2012, quando o grupo pintou a Secretaria de Educação e Cultura de Jordão. Suas pinturas rompem com a lógica física e pictórica tradicional, apresentando visões onde elementos da floresta e do cosmos se fundem em luz e movimento. Participou de importantes exposições, como Histoire de voir (Fondation Cartier pour l’art contemporain, Paris), Mirações (MASP, 2023), Coreografias do Impossível (35ª Bienal de São Paulo, 2023) e da pintura mural de grande escala na fachada do pavilhão central da 60ª Bienal de Veneza – Stranieri ovunque (Estrangeiros por toda parte). 

Yaka Huni Kuin (1996, Jordão, Acre) – Yaka Huni Kuin é artista e aprendiz da floresta, nascida na Aldeia Chico Curumin, Rio Jordão, Acre. Filha de Ibã Sales Huni Kuin, também é cofundadora do coletivo Kayatibu, que reúne jovens Huni Kuin em atividades de música e dança, preservando e reavivando saberes e narrativas míticas.

Participou de diversas exposições nacionais e internacionais, entre elas: Ka’a Body: Cosmovision of the Rainforest (Paradise Row, 2021–2022), Moquém Surarî (MAM-SP, 2021), Mirações (MASP, 2022), Les Vivants (Fondation Cartier, Lille, 2022), Coreografias do Impossível (35ª Bienal de São Paulo, 2023), Mupotyra: arqueologia amazônica (MuBE, 2024–2025) e Amazònies: El futur ancestral (CCCB, Barcelona, 2024–2025). Em parceria com sua irmã Rita Huni Kuin, realizou a mostra Entre mundos (Centro Cultural do Cariri, Ceará). 

Kásia Mytara (1962, Goiânia, Goiás) – Kásia Mytara é artista Karajá cuja produção explora temas de identidade indígena, resistência, feminilidade, genealogia e cura. Trabalha com cerâmica e pintura, sendo também integrante do Mahku – Movimento dos Artistas Huni Kuin. No coletivo, traduz e pinta os cantos e mitos Huni Meka, originados de visões espirituais vivenciadas em cerimônias de ayahuasca. Casada com Ibã Sales Huni Kuin, fundador e líder do MAHKU, Kásia estabelece uma ponte entre as culturas Karajá e Huni Kuin, expandindo o alcance simbólico e estético do movimento.

*Com informações do Museu Goeldi e Carmo Johnson Projects

Mudanças climáticas ameaçam espécies amazônicas de alto valor econômico e cultural

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Árvore, flores e sementes do cumaru (Dipteryx odorata). Fotos: Catarina de Carvalho, Domingos Cardoso e Tiara Cabral

Um estudo publicado na revista Ecology and Evolution, desenvolvido em parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), alerta para os impactos severos que as mudanças climáticas podem causar em espécies do gênero Dipteryx, da família das leguminosas (Fabaceae).

Essas árvores, distribuídas naturalmente por biomas como Amazônia, Cerrado e Caatinga, possuem papel essencial na manutenção dos ecossistemas tropicais e grande relevância econômica e cultural, sendo amplamente conhecidas pelos nomes populares de cumaru, baru e castanha-de-morcego.

Leia também: Saiba para quê serve e quais os benefícios do cumaru, a baunilha da Amazônia

As espécies do gênero Dipteryx ocupam um papel central na vida de comunidades indígenas e ribeirinhas, que utilizam seus frutos e sementes na alimentação, em preparações medicinais e como fonte de renda. Além disso, são amplamente exploradas pela indústria madeireira, devido à alta durabilidade e resistência da madeira, muito valorizada para construção civil e mobiliário.

Segundo o estudo, as perdas econômicas associadas à redução das áreas adequadas para essas árvores podem ultrapassar US$ 597 bilhões em cenários climáticos futuros, um dado que demonstra como os impactos ambientais reverberam profundamente nas economias locais e globais.

Projeções climáticas

A pesquisa utilizou modelagem de nicho ecológico com projeções climáticas para as próximas décadas e estimou perdas expressivas de hábitat para diversas espécies do gênero, o que pode comprometer cadeias produtivas locais, a segurança alimentar de comunidades tradicionais e o equilíbrio ambiental das florestas tropicais.

Os resultados reforçam a necessidade de integrar o conhecimento científico à formulação de políticas públicas voltadas à conservação e à adaptação das espécies às mudanças do clima.

“Por muito tempo acreditou-se que apenas uma espécie, Dipteryx odorata, era utilizada tanto para madeira quanto para coleta de sementes, o que mascarava a exploração de outras espécies igualmente importantes”, explica a botânica ex-bolsista de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Regional e atualmente pesquisadora de pós-doutorado no JBRJ, Catarina de Carvalho, autora principal do estudo. “Nosso trabalho ajuda a corrigir esse equívoco, oferecendo uma visão mais precisa sobre a distribuição e a vulnerabilidade de todas as espécies do gênero”, complementa.

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Mudanças climáticas ameaçam espécies amazônicas de alto valor econômico e cultural
Catarina de Carvalho e Maristerra Lemes, autoras do estudo sobre os impactos das mudanças climáticas nas espécies amazônica. Foto: Acervo pessoal das pesquisadoreas

Estratégias de conservação 

Os resultados indicam que espécies com distribuição geográfica mais restrita estão entre as mais vulneráveis às alterações climáticas. Um exemplo é Dipteryx lacunifera, nativa da Caatinga, que pode perder até 40% de sua área potencial de ocorrência nas próximas duas décadas. Embora as espécies amazônicas demonstrem maior resiliência em alguns cenários, elas enfrentam um conjunto de ameaças crescentes, como o avanço do desmatamento, a exploração seletiva e os incêndios florestais cada vez mais frequentes.

Segundo a pesquisadora do Inpa, coordenadora do Laboratório de Genética e Biologia Reprodutiva de Plantas (LabGen/INPA) e coautora do estudo, Maristerra Lemes, a pesquisa sobre as espécies de cumaru se integra a outras investigações conduzidas no LabGen/INPA com plantas de grande importância socioeconômica na Amazônia, como o cupuaçu (Theobroma grandiflorum), a castanha-do-pará (Bertholletia excelsa), o açaí (Euterpe oleracea) e o mogno (Swietenia macrophylla).

“Esses estudos buscam ampliar o conhecimento sobre a diversidade genética de espécies estratégicas para o equilíbrio ecológico e a bioeconomia da região, além de identificar formas de protegê-las frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas”, ressalta Lemes.

O estudo também analisou eventos climáticos passados, como o Último Máximo Glacial, para compreender a resiliência evolutiva dessas árvores ao longo do tempo. Os resultados apontam que a conservação das espécies do gênero Dipteryx depende da manutenção de ecossistemas saudáveis, com florestas conectadas e manejadas de forma sustentável, além de ações integradas entre os países que compartilham os biomas onde essas espécies ocorrem.

“Desde 2016 temos pesquisado a taxonomia e a evolução das espécies de Dipteryx, e hoje observamos avanços concretos rumo à sua conservação como a avaliação do status de conservação pelo CNCFlora (Centro Nacional de Conservação da Flora), a inclusão das espécies amazônicas no Apêndice II da CITES e a elaboração de pareceres de exploração não prejudicial pelo Ibama”, destaca Catarina de Carvalho.

A pesquisa contou com apoio do Acordo de Cooperação entre o CNPq e o Governo do Estado do Amazonas/Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM- processo 01.02.016301.00757/2022-50), Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ- processos E-26/200.379/2025, E-26/200.380/2025 e E-26/200.153/2023) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq- 314187/2021-9).

O trabalho reforça o papel da ciência e do Inpa na construção de soluções baseadas na natureza para enfrentar os desafios climáticos, destacando a importância da integração entre conservação, conhecimento científico e desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Confira o artigo completo AQUI

*Com informações do Inpa

Saiba quais são as atrações nacionais na Expoferr Show 2025

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Para dançar, sorrir, se emocionar e se divertir, a Expoferr Show 2025 chega a sua 44ª edição com atrações musicais nacionais. Do forró ao batidão, os artistas foram escolhidos para animar ainda mais a festa.

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A feira acontece no Parque de Exposições Dandãezinho, localizado na BR 174, Zona Rural de Boa Vista, entre 4 e 8 de novembro.

atrações nacionais na Expoferr Show 2025

Leia também: Expoferr Show 2025: maior feira agropecuária de Roraima chega à 44ª edição

Expofeira na Rede

O projeto Expofeira na Rede é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio de Amatur, Dois90, Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e Governo de Roraima.

Saiba quais são os sobrenomes mais comuns nos estados da Amazônia segundo o IBGE

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Movimento do comércio no Centro de Manaus (AM). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os sobrenomes carregam histórias, tradições e influências culturais de cada região. Na Amazônia, eles carregam traços da diversidade que marca o Norte do Brasil.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), recentemente, lançou o site Nomes do Brasil, onde divulga nomes e sobrenomes mais comuns registrados no país segundo dados do Censo 2022.

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Descubra o ranking dos cinco sobrenomes mais populares nos nove estados da Amazônia Legal:

Acre

  1. Silva: percentual de 27,74% da população 
  2. Souza: percentual de 10,41% da população 
  3. Oliveira: percentual de 8,45% da população 
  4. Lima: percentual de 8,00% da população
  5. Santos: percentual de 6,76% da população 

Amapá

  1. Silva: percentual de 17,06% da população
  2. Santos: percentual de 13,61% da população 
  3. Souza: percentual de 5,76% da população
  4. Costa: percentual de 5,50% da população
  5. Oliveira: percentual de 4,92% da população 

Amazonas

  1. Silva: percentual de 16,76% da população 
  2. Santos: percentual de 10,52% da população
  3. Oliveira: percentual de 5,77% da população 
  4. Souza: percentual de 4,53% da população 
  5. Pereira: percentual de 3,39% da população 

Mato Grosso

  1. Silva: percentual de 17,80% da população 
  2. Santos: percentual de 8,58% da população 
  3. Oliveira: percentual de 5,93% da população 
  4. Souza: percentual de 5,48% da população 
  5. Pereira: percentual de 3,50% da população 

Maranhão

  1. Silva: percentual de 23,34% da população
  2. Santos: percentual de 12,57% da população 
  3. Sousa: percentual de 10,82% da população 
  4. Costa: percentual de 5,67% da população 
  5. Pereira: percentual de 5,42% da população 

Pará

  1. Silva: percentual de 19,62% da população 
  2. Santos: percentual de 11,12% da população 
  3. Sousa: percentual de 5,72% da população 
  4. Oliveira: percentual 5,37% da população
  5. Costa: percentual de 4,69% da população 

Rondônia

  1. Silva: percentual de 16,24% da população
  2. Santos: percentual de  8,85% da população 
  3. Oliveira: percentual de  6,93% da população
  4. Souza: percentual de 6,47% da população
  5. Pereira: percentual de 3,51% da população 

Roraima

  1. Silva: percentual de 19,76% da população
  2. Santos: percentual de 6,77% da população
  3. Souza: percentual de 5,78% da população
  4. Oliveira: percentual de 5,10% da população
  5. Sousa: percentual de 4,26% da população

Tocantins

  1. Silva: percentual de 19,09% da população
  2. Santos: percentual de 9,71% da população
  3. Sousa: percentual de 8,49% da população
  4. Pereira: percentual de 7,54% da população
  5. Alves: percentual de 6,08% da população 

Sobrenomes mais comuns

Como observado, os sobrenomes “Silva” e “Santos” são, então, os mais frequentes nos primeiros lugares dos estados amazônicos brasileiros.

Segundo o IBGE, Silva significa “selva” ou “floresta” e vem do latim. Sua origem está ligada a um lugar geográfico específico. No caso de Silva, é possível que as pessoas que passaram a usar o sobrenome vivessem em áreas florestais ou com abundante vegetação.

Silva é também, hoje, o sobrenome mais popular do Brasil e é bastante comum nos países lusófonos (países que têm o português como língua oficial). O sobrenome também é encontrado na Espanha e na Itália, mesmo que com uma porcentagem menor.

Leia também: Herança histórica: Pará e Portugal tem mais de 20 cidades com o mesmo nome

ruas famosas de manaus: avenida eduardo ribeiro atualmente

sobrenome
Foto: Ricardo Oliveira/Semcom-Manaus

Já o Santos, tem origem portuguesa, espanhola e religiosa. Ele surgiu como abreviação de “Todos os Santos” e era atribuído às pessoas que nasciam em 1º de novembro, data celebrada pelos cristãos como o Dia de Todos os Santos.

Além disso, o sobrenome foi amplamente adotado por cristãos-novos, nome dado aos judeus convertidos ao cristianismo, durante a Inquisição. Com o passar do tempo, Santos se expandiu e tornou-se um sobrenome popular em várias partes do mundo.

E você? Faz parte dessa lista? Veja a lista completa AQUI.

*Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Muita música e concurso de Rainha: veja as atrações culturais da Expoferr Show 2025

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Foto: Neto Figueredo/Secom RR

A Exposição-feira Agropecuária de Roraima, Expoferr Show 2025, chega a sua 44ª edição com muitas atrações culturais além da programação de negócios e inovação. Realizada no Parque de Exposições Dandãezinho, localizado na BR 174, Zona Rural de Boa Vista, esta edição ocorre entre 4 e 8 de novembro.

Leia também: Expoferr Show 2025: maior feira agropecuária de Roraima chega à 44ª edição

Entre as mais de 50 atrações musicais – entre nacionais e locais -, a programação conta também com a escolha da Rainha Expoferr, uma tradição já esperada pelo público.

Programação cultural do evento:

04/11 – terça-feira

19h – escolha da Rainha Expoferr

Shows musicais:
22h – Taty Girl
00h – Murilo Huff
02h – Vanda Guedes
03h – Emmely Oliveira
Intervalos com DJ Larissa

Na arena de alimentação:
19h – Anne Louise
20h – Sérgio Barros
21h – Chicão e Banda
22h – Forró Pegada Quente
23h – Thiago Henrique
Intervalos com DJ Andrézinho

escolha da rainha expoferr show 2025
Foto: Neto Figueredo/Secom RR

05/11 – quarta-feira

Shows musicais:
22h30 – Nattanzinho Lima
00h30 – Assusena Lima
01h30 – Emerson e Fabiano
02h30 – Beijo Cristalino
03h30 – Pipoquinha de Normandia
Intervalos com DJ Larissa

Na arena de alimentação:
19h – Euterpe
20h – Giulia Amaral
21h – Fábio Hercules
22h – Matheus Alves
23h – Xote de Boteco
Intervalos com DJ Andrézinho

06/11 – quinta-feira

Shows musicais:
22h – Forró Anjo Azul
00h – Renato Poeske
01h – Angélica Rius
02h – Paçoquinha de Normandia
Intervalos com DJ Larissa

Na arena de alimentação:
19h – A Vibe é Nossa
20h – Reinaldo Barroso
21h – Banda Dubai
22h – Esporão Mandi
23h – Forró Dinamite
Intervalos DJ Chica Loca

Foto: Willame Sousa

07/11 – sexta-feira

Shows musicais:
23h – João Gomes
01h – Manu Batidão
02h30 – Brisiane
03h30 – Estevão Alves
Intervalos com DJ Larissa

Na arena de alimentação:
19h – Felipe Exaltação
20h – Japa e Banda
21h – Forró Pega de 3
22h – Nega Ray
23h – Banda Carne Seca
Intervalos DJ Chica Loca

08/11- sábado

Shows Musicais:
23h – Zé Felipe
01h – Pablo
02:30 – Martinelli
03:30 – Nadyne Leal
Intervalos DJ Larissa

Na arena da alimentação:
19h – Sarah Franco
20h- Forró de Cabra Macho
21h – Banda Caribe Show
22h – Suvaco de Cobra
Intervalos DJ Chica Loca

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Expofeira na Rede

O projeto Expofeira na Rede é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio de Amatur, Dois90, Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e Governo de Roraima.

5 curiosidades sobre os leilões da Expoferr Show 2025

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Os leilões na Expoferr Show 2025 são considerados referências em qualidade bovina. Foto: Willame Sousa

A 44ª Expo-feira Agropecuária de Roraima (Expoferr Show 2025), que ocorre de 4 a 8 de novembro em Boa Vista, tem sido um enorme balcão de negócios agropecuários para criadores, investidores e compradores de gado bovino de todo o Brasil. Isso porque a tradicional feira roraimense conta com leilões de gado durante os cinco dias da sua programação.

Leia também: Expoferr Show 2025: maior feira agropecuária de Roraima chega à 44ª edição

E esta é a primeira vez que a Expoferr Show segue uma sequência de cinco leilões oficiais. Os eventos estão sendo realizados na Arena do Leilão, nas dependências do Parque de Exposições Dandãezinho, local que sedia a Expoferr Show 2025, em pregões organizados por fazendas e grupos de referência do Brasil.

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No melhor estilo “dou-lhe uma, dou-lhe duas”, confira cinco curiosidades sobre os leilões de gado da Expoferr, eventos considerados fundamentais para a economia e desenvolvimento agropecuário do estado roraimense.

1. Números

Serão leiloados mais de 200 animais de alto padrão genético, oriundos de fazendas e grupos de referência do Brasil durante os cinco dias do evento. De acordo com o Governo de Roraima, organizador do exposição agropecuária, a estimativa é que os leilões movimentem mais de R$ 5 milhões em negócios diretos e indiretos.

Mais de 200 animais foram arrematados nos leilões de gado da 44ª Expoferr Show 2025. Foto: Willame Sousa

2. Raças

Os animais arrematados nos leilões de gados da Expoferr Show 2025 são das raças Nelore, Sindi e Tabapuã. A primeira representa cerca de 80% de toda produção de carne do território brasileiro e reconhecida pela produtividade e qualidade genética.

De origem indiana, raça Nelore é a mais popular do Brasil. Foto: Divulgação Dicas Boi Saúde

A segunda, Sindi, tem como características marcantes a rusticidade, que é a capacidade de se adaptar a diversas condições ambientais diversas, e a dupla aptidão na produção de carne e leite.

Raça Sindi chegou no país pela primeira vez em 1952, importada do Paquistão. Foto: ABCSindi

Já a Tabapuã é uma raça genuinamente brasileira e bastante procurada devido a sua docilidade, alta fertilidade e habilidades maternas, além de ser uma raça mocho, sem chifres.

Raça Tabapuã é a primeira raça de zebu mocho (sem chifres) formada no Brasil. Foto: ABCT Tabapuã
Leiloeiro é o profissional que apresenta e conduz um leilão de gado. Foto: Reprodução/Instagram-Fazenda São Pedro

3. Programação

No dia 4, dia de abertura da Expoferr, o leilão da Fazenda Toscana, do criador Aluízio Vieira, ofertou 40 lotes da raça Nelore.

Já no dia 5, foi a vez do leilão Joias do Chicão, do grupo São Pedro, que também ofertou a mesma quantidade e raça.

No dia seguinte, 6, o destaque ficou por conta do Leilão Amigos da Genética, promovido pela Roraima Leilões, que ofertou 38 reprodutores e cinco matrizes prenhes das raças Nelore e Sindi.

No quarto dia da Expoferr (07/11), 45 lotes de gado Nelore foram arrematados pela Fazenda Laguna, da produtora Juliana Defanti. E no último dia, 8, o Leilão Tabapuã FIG, de Luiz Figueiredo, encerra a série dos leilões de gado com 45 lotes da raça Tabapuã, conhecida pela rusticidade, docilidade e excelente desempenho na produção de carne

4. Dá para acompanhar o leilão online?

Sim. Todos os leilões de gado realizados na 44ª Expoferr Show são transmitidos por meio de lives nas redes sociais dos respectivos organizadores de cada pregão.

5. Referência em leilões de gado

Os leilões de gado da Expoferr Show são considerados referência em qualidade bovina e fundamentais para o crescimento do agronegócio roraimense e a ampliação das oportunidades de investimento.

Expofeira na Rede

O projeto Expofeira na Rede é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio de Amatur, Dois90, Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e Governo de Roraima.

Expoferr Show 2025: maior feira agropecuária de Roraima chega à 44ª edição

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Parque de Exposições Dandãezinho sedia a 44ª Expoferr Show. Foto: William Roth/Secom RR

O Parque de Exposições Dandãezinho, localizado no sentido Norte da BR-174, em Monte Cristo, na área rural de Boa Vista (RR), é o palco da maior vitrine do agronegócio da região Norte: a Exposição-Feira Agropecuária de Roraima (Expoferr Show 2025).

Marcada para os dias 4 a 8 de novembro, a feira conta com uma programação que a consolida como o maior balcão de negócios agropecuários do estado.

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Com o tema ‘Colhendo o progresso, semeando o futuro’, a Expoferr reúne o que há de melhor do agronegócio roraimense, além de proporcionar um grande espaço com muito entretenimento, gastronomia, cultura, inovação e exposições voltadas à agricultura e à pecuária, instituições, produtores, investidores e a sociedade em geral.

Mais de 300 expositores participam este ano, além de dezenas de apresentações culturais e artísticas roraimenses e nacionais. A página oficial do evento pode ser conferida aqui.

Programação da Expoferr

Na parte musical, as novidades ficam por conta das atrações nacionais como Zé Felipe, além, claro, de apresentações de artistas locais.

A programação conta, ainda, com os tradicionais esportes equestres como montaria em touros, corrida de cavalos, prova dos três tambores, laço e vaquejada, com direito à premiações.

Não poderia faltar também o concurso da Rainha Expoferr Show, que elege a representante oficial da festa.

Concurso Rainha da Expoferr 2025 dará prêmio de R$ 6 mil, um buquê e um plano mensal em academia para vencedora. Foto: Neto Figueredo/ Secom-RR

A vencedora do título de Rainha da Expoferr 2025 recebeu R$ 6 mil, um buquê e um plano mensal em academia. A 2ª Princesa foi premiada com R$ 3 mil, buquê e brinde, enquanto a 3ª Princesa levou R$ 1,5 mil, buquê e brinde. Já o título de Rainha Simpatia garantiu à escolhida R$ 1 mil, além de buquê e brinde.

Novidades

A feira conta também com leilões diários e a presença de instituições financeiras como Banco do Brasil, Banco da Amazônia, Caixa Econômica, Sicredi, Sicoob e Desenvolve Roraima, que estão disponíveis para financiamento e fomento de novos investimentos no setor.

A Rota do Agro é um circuito de oportunidades que reúne instituições, produtores, investidores e a sociedade para fortalecer o campo e impulsionar o futuro econômico do estado. O espaço conta ainda com um showroom de produtos e projetos desenvolvidos pelo Governo de Roraima, organizador do evento.

Circuito Rota do Agro. Foto: Reprodução/Acervo Secom-RR

A Expoferr Show conta também com estandes de secretarias estaduais e do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Iater), que prestam atendimento direto aos produtores, além de entregas de120 títulos definitivos rurais, garantindo segurança fundiária a produtores, além da liberação de R$ 2,5 milhões em crédito voltados à agricultura familiar e ao pequeno empreendedor.

E tem novidade: a 1ª edição do Prêmio AgroInventores de Roraima, que premiará três projetos inovadores voltados ao desenvolvimento do campo com prêmios de R$ 5 mil, R$ 3 mil e R$ 2 mil.

Expectativa

Para o governador de Roraima, Antônio Denarium (PP), a expectativa de público da Expoferr Show deste ano deve superar meio milhão de pessoas nos cinco dias:

“A Expoferr Show 2025 se consolida como a maior feira de negócios agropecuários do Norte do Brasil, reunindo mais de 300 expositores e 200 pequenos empreendedores em estandes de alimentação, artesanato e produtos regionais. Durante os cinco dias de evento, o Parque Dandãezinho deve receber cerca de 500 mil visitantes e movimentar mais de R$ 1 bilhão em negócios, superando o resultado de 2024”, destacou Denarium.

Governador de Roraima, Antônio Denarium, em coletiva de anúncio da programação musical da Expoferr Show 2025. Foto: Reprodução/Acervo Secom-RR

Expofeira na Rede

O projeto Expofeira na Rede é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio de Amatur, Dois90, Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e Governo de Roraima.

Projeto digitaliza peças raras do Museu do Marajó para preservação do acervo

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Gerson Ribeiro, especialista em escaneamento 3D da PUC-Rio, digitaliza peças raras do Museu do Marajó. Foto: Divulgação/PUC-Rio

A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) vem desenvolvendo nos últimos anos uma série de projetos na Amazônia, entre eles a digitalização das peças do Museu do Marajó. As ações fazem parte do projeto ‘Amazonizar’, metraprojeto da PUC-Rio, que engloba algumas ações da universidade voltadas para o meio ambiente.

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Em suas pesquisas, o professor Jorge Lopes, responsável pelo Biodesign Lab da PUC-Rio, teve acesso à história do padre Giovanni Gallo, um jesuíta italiano que viveu no Brasil e contribuiu para a cultura marajoara ao resgatar peças e fundar o Museu do Marajó.

O projeto

Museu do Marajó: digitalização das peças preservam acervo
Gerson Ribeiro, especialista em escaneamento 3D da PUC-Rio, digitaliza peças raras do Museu do Marajó – Divulgação PUC-Rio

O projeto de digitalização do acervo do Museu, sob a coordenação do professor, resultou no escaneamento de 47 vasos e urnas, além de aulas de tecnologia para a comunidade local. Houve a reconstrução de urnas em 3D e a criação de experiências em realidade aumentada para o público, incluindo a reprodução em mármore do busto do Padre Gallo, que foi doado ao museu.

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O professor destacou a importância da digitalização para a preservação do acervo. “No Museu Nacional, por exemplo, os arquivos 3D permitiram a reimpressão de esqueletos de múmias após o incêndio, inclusive utilizando as cinzas das próprias peças”, explicou Lopes, que também participou de projeto vinculado ao restauro das obras do Museu Nacional.

A próxima etapa dará continuidade à oferta de oficinas em Cachoeira do Arari (município na Ilha do Marajó), visando à troca de conhecimentos em tecnologias, e cursos de formação continuada em empreendedorismo para mulheres e em novas tecnologias para jovens.

Segundo a professora Jackeline Farbiarz, Vice-reitora de Extensão e Estratégia Pedagógica da PUC-Rio, após a morte do padre Galo, as mulheres que trabalhavam no museu perderam suas fontes de renda e agora buscam recuperar sua independência através de um projeto que valoriza suas habilidades.

COP 30

A realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) tem sido uma oportunidade para a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) compartilhar uma série de projetos que vem desenvolvendo na Amazônia

“Esses projetos abordam questões de preservação cultural e empoderamento feminino, alinhando-se aos objetivos da COP 30. A continuidade do aprendizado dos jovens é um foco importante, pois permite que eles se tornem solucionadores de problemas em suas comunidades. Não se trata de impor conhecimento acadêmico, mas de fomentar a troca mútua de experiências, valorizando a realidade local e compreendendo que questões sociais, como pobreza e desigualdade, refletem problemáticas globais”, explicou.

Cerâmica marajoara. Foto: Divulgação

Idealizado pelo Reitor da Universidade, Padre Anderson Antonio Pedroso, S.J., o ‘Amazonizar’ é inspirado na encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, que adota a perspectiva da ecologia integral, ao considerar que aquilo que se faz hoje é resultado da preservação do passado e definirá o futuro.

“O Amazonizar é uma forma concreta de colocarmos a universidade a serviço da sociedade. A experiência transforma a vida dos nossos alunos e professores ao mesmo tempo em que fortalece as comunidades locais. É um exercício de troca, de escuta e de construção conjunta de soluções, que representa de maneira exemplar o espírito da PUC-Rio”, afirma o reitor.

Implantação do Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia entra em nova fase

Foto: Divulgação/FAS

Entre os dias 26 de setembro e 9 de outubro, a primeira missão da nova fase do Projeto ‘Árvores Gigantes para uma Nova Era – Fase II’ marcou o início do ciclo de implantação do Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia. A expedição técnica teve múltiplos objetivos, com maior ênfase para  a implantação da infraestrutura e da base operacional do Parque, com levantamentos de informações sobre o ambiente, logística e socioeconomia local que subsidiarão o planejamento operacional das demais atividades de gestão e uso público da unidade de conservação.

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A ação representa a primeira etapa de campo da fase de implantação do Parque e reuniu equipes da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), da Vonát Consultoria e Treinamentos e da Cooperativa de Ecoturismo do Vale do Jari (Coopetu Jari), com o apoio do Andes Amazon Fund (AAF).

O grupo percorreu estradas de terra, rios, trilhas e comunidades para adentrar ao Parque, localizado no Pará,  para definir a área  de instalação da base operacional do Parque, que contará com recepção, alojamentos, cozinha, escritório, trapiche e sistemas de energia fotovoltaica de captação de água, além de áreas de apoio logístico.

A jornada envolveu uma complexa logística fluvial e terrestre, totalizando mais de 200 quilômetros de deslocamento até o interior do Parque, passando por corredeiras, cachoeiras e áreas de difícil acesso. O reconhecimento do território permitiu identificar rotas seguras, pontos de risco e áreas de grande beleza cênica, reforçando o potencial do Parque para o ecoturismo, turismo de aventura e observação da natureza, com foco na geração de renda local e no fortalecimento de práticas sustentáveis.

Durante a expedição, foram realizadas avaliações das condições ambientais e climáticas da região, mapeamento de trilhas, áreas sensíveis e potenciais atrativos turísticos. A equipe também identificou árvores vivas e caídas que poderão ser aproveitadas de forma sustentável na construção da infraestrutura.

As atividades incluíram uma oficina e visitas técnicas nas comunidades de São Francisco do Iratapuru, Cachoeira Santo Antônio, São José e Padaria, voltadas à sensibilização e capacitação de operadores de turismo e condutores locais em temas como Competências Mínimas para Condutores e Gestão de Riscos. Questionários socioeconômicos preliminarmente aplicados junto às lideranças subsidiarão as atividades de formação do Conselho Gestor e a elaboração do Plano de Gestão do Parque, que abordará uma metodologia participativa com as comunidades locais.

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O presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, ressalta que o Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia simboliza o compromisso do Governo do Pará com uma política ambiental moderna, que alia ciência, conservação e desenvolvimento sustentável.

“Esta nova fase de implantação representa muito mais do que a construção de uma base operacional — é o início de uma jornada para transformar um patrimônio natural único em um espaço de conhecimento, turismo responsável e geração de oportunidades para as comunidades locais. O Ideflor-Bio, em parceria com instituições que compartilham dessa visão, reafirma seu papel de guardião das florestas e promotor de um modelo de gestão que valoriza a Amazônia e o povo que nela vive”, frisou.

Para Juliane Menezes, coordenadora de Projetos do Programa de Políticas Públicas, Clima e Conservação da FAS, a missão representa um marco operacional na consolidação do Parque.

“A primeira fase do projeto foi dedicada à descoberta e à criação do Parque. Agora, iniciamos uma etapa de execução, com foco na implantação de infraestrutura e no fortalecimento do protagonismo comunitário. Essa missão foi fundamental para planejar as atividades de forma integrada às partes interessadas, conciliando conservação ambiental, pesquisa científica e geração de oportunidades para as populações locais”, destacou.

árvores gigantes são encontradas no amapá
Árvore gigante na Amazônia. Foto: Rafael Aleixo/GEA

O gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio e presidente da Rede Brasileira de Trilhas, Júlio Meyer, esteve na expedição e afirmou que o lugar é um santuário e deve ser tratado como tal.

“Parque é uma categoria de unidade de conservação que tem como um de seus propósitos a visitação. Estamos estudando a forma mais segura e com experiências mais imersivas para que as pessoas conheçam o santuário de árvores gigantes que existe dentro do parque, além de uma riquíssima natureza e cultura em todo o seu território. São comunidades tradicionais, biodiversidade abundante em uma paisagem selvagem  que possibilita que tenhamos um produto turístico de competitividade internacional. A estruturação de uma base vai contribuir com a proteção do local, além de ser fundamental para o desenvolvimento de pesquisas e para o turismo de natureza”, enfatizou.

Com o encerramento da missão, os próximos passos incluem a contratação de empresas especializadas para a construção da infraestrutura operacional e o manejo de trilhas, além da continuidade das capacitações e mentorias com operadores de turismo locais.

Também estão previstas novas visitas ao território para apoiar a formação do Conselho Gestor e a realização de oficinas participativas para a co-criação do Plano de Gestão, que definirá as diretrizes de gestão, conservação e uso público do Parque.

Árvores Gigantes para uma nova era

O Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia, criado em setembro de 2024 no município de Almeirim (PA), protege cerca de 560 mil hectares de floresta e abriga algumas das maiores árvores já registradas no Brasil.

Entre elas, está o angelim-vermelho (Dinizia excelsa Ducke), com 88,5 metros de altura, aproximadamente 400 anos de idade e reconhecido como a maior árvore da América Latina. Expedições científicas identificaram ainda dezenas de outras árvores gigantes, consolidando a região como um patrimônio ecológico único.

Leia também: Maior que o cristo redentor: conheça o Angelim Vermelho, a árvore mais alta da Amazônia

O Projeto Árvores Gigantes para uma Nova Era – Fase II busca consolidar o Parque com infraestrutura, Plano de Gestão, pesquisa e turismo sustentável. A iniciativa de conservação é liderada pelo Governo do Estado do Pará, por meio do Ideflor-Bio, em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e com financiamento do Andes Amazon Fund (AAF).

*Com informações da FAS

Fundo para florestas tropicais atinge aporte de US$ 5,5 bilhões

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou oficialmente o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), durante a Cúpula do Clima, em Belém (PA), na tarde desta quinta-feira (6), com investimento inicial feitos por governos nacionais.

Leia também: MMA explica como funcionará o Fundo Florestas Tropicais para Sempre

Mais três países se juntaram ao Brasil com investimentos: Noruega, Indonésia e França, que anunciaram respectivamente US$ 3 bilhões, US$ 1 bilhão e US$ 500 milhões em investimentos no novo mecanismo de financiamento climático. Com o aporte de US$ 1 bilhão anunciado pelo governo brasileiro, o fundo já conta com US$ 5,5 bilhões.

Segundo  o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a nova ferramenta financeira inova por combinar recursos públicos e privados na forma de investimento, e não de doação.

“Há aporte de capital de investidores, que vão ser remunerados por uma taxa básica. Esses recursos vão ser emprestados e financiar projetos definidos pelo seu comitê. E a diferença da taxa de juros, o spread do que é pago para o investidor e o que é cobrado [de juros] do tomador [do empréstimo], vai servir de lastro para financiar o pagamento desses serviços ambientais”, explicou Haddad.

De acordo com o ministro, além de trazer uma estrutura que vai assegurar um sistema sustentável financeiro, há regras que também garantem a continuidade das florestas em pé, com penalidades aos países que descumprirem o requisito mínimo de participação no pagamento pelos serviços ambientais.

Além disso, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, lembrou que 20% do pagamento desses serviços que garantem a floresta em pé serão destinados aos povos indígenas e comunidades locais. “Os povos indígenas tiveram uma participação ativa na construção desse mecanismo”, destaca.

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A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, comemorou o avanço do mecanismo financeiro em tão pouco tempo. “Estou muito feliz de ver chefes de Estado do mundo todo dizendo que essa é a COP da implementação, porque isso aqui [o TFFF] é implementação”.

O secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Maurício Lyrio, destacou que, com os aportes já divulgados e o anúncio da Alemanha previsto para esta sexta-feira (7), um total de 53 países endossou a declaração de apoio ao TFFF apresentada pelo Brasil na Cúpula do Clima.

Entre os países que endossaram a declaração, figuram como potenciais investidores Alemanha, Armênia, Austrália Áustria, Bélgica, Canadá, China Dinamarca, Emirados Árabes Unidos, Finlândia, Irlanda, Japão, Mônaco, Países Baixos, Portugal, Reino Unido, Suécia, além da União Europeia.

Risco de não investir em florestas é elas desaparecerem

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O TFFF receberá investimentos de US$ 3 bilhões por parte do governo da Noruega ao longo dos próximos 10 anos. Trata-se do maior aporte individual anunciado até agora por um único país ao novo mecanismo.

“Existe um risco para todos os países em não investir no TFFF. Um dos maiores riscos que enfrentamos hoje é o desaparecimento das florestas tropicais diante de nossos olhos, e isso não é algo que tenha consequências apenas para o Brasil”, afirmou Andreas Bjelland Eriksen, ministro do Clima e do Meio Ambiente da Noruega. 

Em coletiva de imprensa para anunciar o apoio, ele estava acompanhado dos idealizadores do mecanismo, os ministros brasileiros Fernando Haddad (Fazenda) e Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima).

“Mesmo para um país como a Noruega, um país frio, no extremo norte do mundo, distante das florestas tropicais, somos todos interdependentes na gestão desse risco e na garantia de que as florestas tropicais não sejam destruídas nas próximas décadas. Portanto, do nosso ponto de vista, o risco associado ao modelo é gerenciável, considerando o trabalho que será desenvolvido daqui em diante”, disse. 

Após questionamento sobre o grau de risco desse investimento, o norueguês enfatizou que talvez exista um risco ainda maior em não participar do TFFF daqui para frente. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Fabíola Sinimbú e Pedro Rafael Vilela