Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
De acordo com estudos da FEAGRO – Federação dos Engenheiros Agrônomos do Mato Grosso, a migração de produtores e indústrias brasileiras para o Paraguai está ganhando importante ritmo escalar. Justifica: com um sistema tributário mais leve, custo operacional reduzido e incentivos fiscais estruturados, crescem os investimentos no país vizinho em busca de mais competitividade e acesso facilitado a mercados externos.
Um dos principais atrativos desse novo modelo de negócios diz respeito ao regime Maquila (Lei 1064/97), por meio do qual empresas instaladas no Paraguai pagam apenas 1% de imposto sobre o valor agregado, além de isenção de tributos nacionais, municipais e aduaneiros sobre insumos e máquinas importados para produção com fins de exportação.
Além da redução de custos frente à carga tributária brasileira, o benefício permite elevar consideravelmente a margem de competitividade frente a mercados globais. Cerca de 67% das operações sob o regime de Maquila no Paraguai são de capital brasileiro, e esse número segue crescendo ano a ano, com projetos industriais e logísticos cada vez mais robustos no Alto Paraná e arredores.
No campo logístico, salienta o estudo, “o Paraguai tenta dar um salto decisivo”. O governo de Santiago Peña recolocou o tema ferroviário no centro da agenda, com projetos de mobilidade e de integração de cargas que dialogam com a Rota Bioceânica, corredor que ligará o Atlântico ao Pacífico. Há tratativas de cooperação técnica com os Emirados Árabes Unidos, por meio da Etihad Rail, para modernização do sistema ferroviário paraguaio, movimento que pode reduzir custos de transporte e fortalecer o país como plataforma de exportações e importações para toda a América do Sul.
O projeto, de US$ 450 milhões, conectará Assunção a Ypacaraí com 11 trens elétricos e 12 estações, visando movimentar 40 mil passageiros/dia. A modernização ferroviária do país é um sinal de alerta e oportunidade. A competitividade do agro agora passa pela saída para o Pacífico. Como dizem os matogrossensos, “quem tem visão global já atravessou a fronteira”.
O Paraguai, é voz corrente no Centro Oeste brasileiro, de fato não compete em escala nem de perto com o Brasil, mas se destaca pela combinação de custo operacional mais baixo, carga tributária simples, logística eficiente para exportação e um ambiente regulatório historicamente favorável ao produtor. A área agricultável é menor, porém ainda há espaço para ganho de produtividade e expansão em regiões consolidadas. Quanto à estabilidade, é um ponto de atenção, mas o país mantém há décadas uma política macroeconômica conservadora, baixa dívida pública e forte dependência do agro, o que tende a sustentar previsibilidade. Certamente, a eficiência de custos é central — e nesse ponto o Paraguai acaba funcionando como laboratório de gestão mais enxuta.
O agronegócio brasileiro tem presença massiva no Paraguai, controlando cerca de 75% a 80% das terras agricultáveis e introduzindo tecnologias que tornaram o país uma potência na produção de soja e milho. Atraídos por menores impostos, facilidade de crédito e registro desburocratizado de insumos, os “brasiguaios” e investidores do centro-oeste/sul do Brasil impulsionam o setor, que representa 25% do PIB paraguaio.
O país oferece um ambiente de negócios favorável, com menor burocracia para insumos, impostos reduzidos (IVA de 10% e imposto de renda de 10%) e estabilidade econômica. Por essa razão, as empresas de capital brasileiro dominam o mercado de defensivos e a comercialização de grãos, com grande investimento em tecnologia e maquinário. O Paraguai caminha para recordes de produção, com a safra de soja podendo superar 10 milhões de toneladas. O cenário também atrai o agronegócio paranaense e de outras regiões do Brasil, que veem no Paraguai uma “nova fronteira agrícola” com condições logísticas facilitadas, apesar de desafios ambientais e conflitos fundiários na região.
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
O Peru possui uma das maiores variedades de fauna, flora, ecossistemas e habitats do planeta, o que o torna um país megadiverso — um atributo único compartilhado por poucas nações no mundo. Nesse sentido, vale a pena perguntar: qual departamento do Peru abriga a maior biodiversidade? Onde ele está localizado e o que o torna tão notável?
O departamento com maior biodiversidade no Peru é Madre de Dios, conhecido como a Capital da Biodiversidade do Peru. Seu território, que abrange uma área de 85.300,54 quilômetros quadrados, o torna o terceiro maior departamento do Peru.
Sua área geográfica é inteiramente coberta por floresta tropical e inclui zonas de selva alta, selva baixa e savana de palmeiras. Parte de sua geografia é acidentada, com a Cordilheira dos Andes mergulhando na floresta tropical, formando encostas íngremes.
Localizada no sudeste do país, Madre de Dios faz fronteira com o departamento de Ucayali e o Brasil ao norte; com a Bolívia e o Brasil a leste; e com os departamentos de Cusco e Puno ao sul. Sua capital é Puerto Maldonado, fundada na confluência dos rios Madre de Dios e Tambopata.
Madre de Dios possui seis áreas naturais protegidas, três das quais são administradas a nível nacional e duas são geridas por comunidades locais. As áreas naturais protegidas administradas a nível nacional são a Reserva Nacional de Tambopata e os Parques Nacionais de Manu, Bahuaja Sonene e Alto Purús. As áreas naturais administradas localmente são as Reservas Comunais de Amarakaeri e Purús.Em seguida, vamos aprender sobre essas áreas naturais protegidas.
Parque Nacional Manu
O Parque Nacional do Manu tem uma área de 1.716.295,22 hectares e inclui parte das províncias de Paucartambo (Cusco) e Manu (Madre de Dios).
Sua criação, em 29 de maio de 1973 , teve como objetivo proteger uma amostra representativa da biodiversidade e das paisagens da floresta tropical de planície, da floresta nublada e dos Andes do sudeste do Peru. Visa também promover o turismo com base em critérios ecologicamente e culturalmente compatíveis.
A criação desta área natural protegida teve como objetivo promover e facilitar a pesquisa, a educação e o lazer , além de contribuir para a preservação do patrimônio arqueológico. Sua presença contribui para o reconhecimento e a proteção da diversidade cultural e a autodeterminação dos povos indígenas da região.
O Parque Nacional Manu protege uma das áreas mais importantes do planeta em termos de biodiversidade. Sua vasta extensão abrange desde pastagens frias de altitude (punas) que se elevam acima de 4.000 metros, passando por montanhas acidentadas e florestadas que dão origem a uma infinidade de pequenos desfiladeiros e vales, até florestas nubladas da selva alta e, finalmente, a planície amazônica.
Este cenário natural magnífico e único inclui um sistema hidrográfico amplo e complexo e garante a presença de uma diversidade de ecossistemas pouco afetados pela ação humana.
Nessas circunstâncias, a diversidade biológica que o Parque Nacional de Manu abriga manifesta-se em todo o seu potencial numa paisagem única no planeta.
Foto: Reprodução/Agência Andina
Fauna e flora
O Parque Nacional Manu abriga uma vasta gama de espécies da vida selvagem. Foram registradas 228 espécies de mamíferos (44% do total no Peru); 1.030 espécies de aves (56% do total); 132 espécies de répteis (30% do total); 158 espécies de anfíbios; e 210 espécies de peixes.
Entre os grandes mamíferos, destacam-se a onça-pintada, o tigre-negro, a anta, o cateto, o sajino, o veado e o cervo-cinzento, entre outros.
Também o lobo-do-rio, a capivara, o bugio, o macaco-aranha-preto, o macaco-lanudo, o macaco-prego-de-cara-branca e o macaco-prego-de-cara-preta, entre outros.
Por outro lado, estima-se que o Parque Nacional de Manu abrigue cerca de 30 espécies de insetos. Foram registradas 1.307 espécies de borboletas, 136 de libélulas, pelo menos 300 de formigas (mais de 40 espécies foram encontradas em uma única árvore) e mais de 650 de besouros, entre outros.
Em relação à flora do Parque Nacional de Manu , o número de espécies vegetais é muito elevado. Diversos registros indicam a existência de pelo menos 162 famílias, 1.191 gêneros e 4.385 espécies identificadas. Da mesma forma, existem 1.650 espécies de árvores , e até 250 variedades foram encontradas em um único hectare . Além disso, foram registradas 720 espécies de orquídeas.
Os bosques de palmeiras aguaje são um dos ecossistemas mais notáveis, onde as palmeiras de buriti e açaí são dominantes. Desenvolvem-se em áreas quase permanentemente alagadas, especialmente na margem direita do rio Manu.
Merece destaque também a presença de cedro, tornillo, castanheiro, tremoço e seringueira , entre outras espécies.
Comunidades locais
As florestas tropicais de Manu permitiram que processos ecológicos e evolutivos ocorressem quase totalmente intocados pela atividade humana. No entanto, a área também possui imensa riqueza cultural, representada pelas atuais populações indígenas em diferentes níveis de contato com o mundo exterior, e um patrimônio arqueológico ainda por ser totalmente desvendado.
Dentro de suas fronteiras estão a Reserva Territorial das etnias Kugapakori e Nahua; o Santuário Nacional Megantoni e a Reserva Comunal Amarakaeri.
Foto: Reprodução/Agência Andina
As comunidades Yora, Mashko-Piro, Matsiguenka, Harakmbut, Wachipaeri e Yine habitam ancestralmente as florestas e os rios dessas florestas tropicais. As comunidades Tayakome e Yomibato também são reconhecidas na região. Ambas estão localizadas na bacia superior do rio Manu.
No setor sudoeste, existe uma associação de agricultores conhecida como Callanga . Além disso, no setor noroeste, adjacente ao Parque Nacional de Manu, e mais para o interior, há um número indeterminado de populações indígenas vivendo em isolamento voluntário.
Desde 1977, o Parque Nacional de Manu detém o estatuto de Reserva da Biosfera. Além disso, em 1987, foi declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.
Para serem incluídos na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO , os sítios devem ter valor universal excepcional e atender a pelo menos um dos dez critérios de seleção. Esses critérios são explicados nas Diretrizes Operacionais para a Implementação da Convenção do Patrimônio Mundial, que, juntamente com o texto da Convenção, constituem o principal documento de trabalho sobre Patrimônio Mundial. O Comitê revisa periodicamente os critérios para refletir a evolução do próprio conceito de Patrimônio Mundial.
Neste caso, o Parque Nacional de Manu atende aos critérios IX e X da Convenção do Patrimônio Mundial da UNESCO. O critério IX estabelece que o local escolhido deve ser um exemplo excepcional que represente importantes processos ecológicos e biológicos em curso na evolução e no desenvolvimento de ecossistemas terrestres, de água doce, costeiros e marinhos, bem como de comunidades de plantas e animais.
O Critério X, por sua vez, estabelece que deve conter os habitats naturais mais importantes e significativos para a conservação in situ da diversidade biológica, incluindo aqueles que contêm espécies ameaçadas de valor universal excepcional do ponto de vista científico ou de conservação.
Reserva Nacional de Tambopata
Conhecida como “a Floresta repleta de vida”, a Reserva Nacional de Tambopata é uma das áreas naturais protegidas mais notáveis do Peru, destacando-se como um verdadeiro tesouro de biodiversidade e um dos destinos turísticos mais fascinantes do mundo.
Criada oficialmente em 4 de setembro de 2000 pelo Decreto Supremo nº 048-2000-AG, a Reserva Nacional Tambopata está localizada ao sul do rio Madre de Dios, nos distritos de Tambopata e Inambari na província de Tambopata, no departamento peruano.
Com uma área total de 274.690 hectares, a Reserva Nacional de Tambopata abriga uma megadiversidade de biodiversidade, que na fauna se expressa em 648 espécies de aves, 1.200 de borboletas (112 delas diurnas), 205 de peixes, 169 de mamíferos, 103 de répteis e o mesmo número de anfíbios.
A avaliação diagnóstica realizada durante o desenvolvimento do Plano Diretor da Reserva Nacional de Tambopata identificou 1.713 espécies de plantas pertencentes a 654 gêneros e 145 famílias. Essa riqueza natural tornou a reserva uma importante fonte de desenvolvimento sustentável para as comunidades vizinhas.
A presença deste importante espaço natural protegido gera processos de conservação que garantem o uso sustentável dos recursos naturais e da paisagem.
A bacia do rio Tambopata possui um dos mais altos níveis de biodiversidade do mundo. Entre seus ecossistemas mais comuns estão os brejos de palmeiras , os pântanos, os bambuzais e as matas ciliares, cujas características físicas permitem que as comunidades locais utilizem os recursos naturais.
Está localizada também ao lado do Parque Nacional Bahuaja Sonene, que a circunda completamente ao sul, formando com ela uma unidade de proteção de grande importância para o país.
Espécies emblemáticas da fauna
Onça-pintada: Este felino majestoso é um dos predadores mais emblemáticos da Amazônia. Embora seja difícil de avistar, sua presença é um indicador da saúde do ecossistema.
Arara: Com sua plumagem vibrante e vocalizações altas, as araras são uma das aves mais emblemáticas de Tambopata. A reserva abriga a maior concentração de araras do mundo.
Lobo-do-rio: Também conhecido como lontra-gigante, este mamífero é um caçador implacável e pode ser observado nos rios e lagos da reserva.
Harpia: A maior ave de rapina das Américas, conhecida por seu tamanho e força impressionantes.
Foto: Reprodução/Agência Andina
Espécies icônicas da flora
Shihuahuaco: Esta árvore imponente pode atingir até 60 metros de altura e é conhecida por sua longevidade e resistência.
Orquídeas e bromélias: Essas plantas epífitas adicionam um toque de cor e beleza à copa das árvores.
Trepadeiras e lianas: Plantas trepadeiras que se enroscam nos troncos das árvores, criando um verdadeiro labirinto vegetal.
A conectividade existente com as áreas naturais protegidas do departamento (a Reserva Comunal Amarakaeri e os Parques Nacionais Alto Purús e Manu ) e com as da vizinha Bolívia, sustenta a existência do corredor biológico proposto entre Vilcabamba e Amboró.
A Reserva Nacional de Tambopata abriga habitats predominantemente aquáticos que servem como pontos de parada para mais de 40 espécies de aves migratórias transcontinentais. A reserva protege importantes espécies ameaçadas de extinção e oferece aos turistas um destino privilegiado para a observação de uma flora e fauna diversificadas.
A conectividade existente com as áreas naturais protegidas do departamento (a Reserva Comunal Amarakaeri e os Parques Nacionais Alto Purús e Manu) e com as da vizinha Bolívia, sustenta a existência do corredor biológico proposto entre Vilcabamba e Amboró.
Riqueza cultural
Na zona tampão estão as comunidades indígenas de Palma Real, Sonene e Infierno, pertencentes ao grupo etnolinguístico Ese’Eja; e a comunidade nativa de Kotsimba do grupo etnolinguístico Puquirieri.
Liderança em gestão, conservação e pesquisa
A Reserva Nacional de Tambopata destaca-se como um exemplo de gestão em áreas naturais protegidas do Peru, com importantes iniciativas que promovem a conservação e a pesquisa da vasta biodiversidade que este pedaço do paraíso abriga.
Graças a contratos de gestão firmados com organizações e entidades comunitárias, o uso sustentável de recursos da floresta amazônica, como a castanha-do-pará, o ecoturismo e a capacitação de guardas-parques e guias turísticos estão sendo desenvolvidos. Essa capacitação abrange temas como regulamentações vigentes, gestão do turismo sustentável em áreas naturais protegidas, biodiversidade amazônica, procedimentos administrativos em áreas naturais protegidas e a importância da pesquisa científica para a conservação.
Além disso, existe um Fundo de Bolsas de Estudo que visa promover pesquisas sobre questões sociais, socioecológicas, físicas e biológicas dentro da Reserva Nacional Tambopata.
Um programa de educação ambiental também foi criado para alunos do ensino fundamental e médio, professores, estudantes universitários e voluntários da área ambiental, com o objetivo de integrá-los aos esforços de conservação e uso sustentável dos recursos da Reserva Nacional de Tambopata.
Este programa proporciona conhecimento direto sobre a importância da reserva e seus benefícios ambientais e sociais por meio de visitas às áreas ao redor e dentro da área natural protegida. Além disso, facilita a organização de campanhas bem-sucedidas de coleta de resíduos sólidos para melhorar o ambiente turístico e recreativo.
Desde abril de 2025, o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (Sernanp) vem reforçando a vigilância na Reserva Nacional de Tambopata por meio da utilização de 13 drones especializados e de alta tecnologia, que permitem a detecção de atividades ilegais, a resposta rápida a incêndios florestais e um monitoramento mais preciso da biodiversidade.
Parque Nacional Bahuaja Sonene
O Parque Nacional Bahuaja Sonene foi criado em 17 de julho de 1996, pelo Decreto Supremo nº 012-96-AG. Está localizado nas províncias de Tambopata, Carabaya e Sandia, nos departamentos de Madre de Dios e Puno, respectivamente.
O Parque Nacional Bahuaja Sonene foi criado em 17 de julho de 1996 , pelo Decreto Supremo nº 012 96-AG . Está localizado nas províncias de Tambopata, Carabaya e Sandia, nos departamentos de Madre de Dios e Puno, respectivamente.
Sua área é de 1.091.416 hectares. Sua existência busca conservar um mosaico de habitats que abriga uma grande diversidade de flora e fauna, representada por elementos tanto do sul quanto do norte da Amazônia.
Por que se chama Bahuaja Sonene?
O nome Bahuaja Sonene do Parque Nacional deriva da combinação dos nomes de dois importantes rios dentro da área protegida: o rio Tambopata (cujo nome local é Bahuaja) e o rio Heath (cujo nome local é Sonene).
Os povos indígenas que habitam a área, especificamente a cultura Ese’eja, foram os que propuseram esse nome para homenagear esses dois rios e sua importância para a região.
Ecossistema preservado e cultura ancestral viva
O Parque Nacional Bahuaja Sonene protege recursos naturais únicos no Peru, como a savana tropical úmida (Pampas del Heath), habitat de espécies como o cervo-do-pantanal e o lobo-guará , além das formações do Vale do Candamo.
Dentro de seus limites, as práticas culturais do povo Ese’eja , um grupo indígena com laços ancestrais com esses territórios, também são protegidas. Além disso, sua criação contribui para o desenvolvimento sustentável das regiões de Madre de Dios e Puno.
Esta área natural protegida está localizada na ecorregião sudoeste da floresta amazônica e apresenta habitats típicos desta floresta e da floresta tropical pré-montana. Contém lagos, brejos de palmeiras e áreas sazonalmente inundadas. Entre os habitats mais notáveis estão os Pampas del Heath, que levaram à criação de um santuário em 1983 para sua conservação.
Esta vasta planície coberta por pastagens de até 2 metros de altura possui pequenos grupos de palmeiras que se transformam em ilhas quando os pampas ficam completamente inundados entre os meses de dezembro e abril.
Além disso, sua presença determina o limite sul das florestas tropicais do continente , que a partir daqui se transformam nas vastas savanas.
Que espécies da fauna e da flora ela protege?
No Parque Nacional Bahuaja Sonene , foram registradas mais de 600 espécies de aves , das quais 378 são encontradas na área do Rio Heath. Entre elas, estão sete espécies de araras, a colhereira-rosada, o condor-andino e a harpia.
Estima-se que mais de 180 espécies de mamíferos habitem a área, incluindo o cachorro-do-mato, a lontra-gigante ou lobo-do-rio, o cervo-do-pantanal e o singular lobo-guará. Os dois últimos são espécies emblemáticas dos Pampas del Heath e não são encontrados em nenhum outro lugar do Peru.
Entre as espécies encontradas aqui, incluem-se o tamanduá-bandeira, o tatu-canastra, o macaco-aranha-preto e a onça-pintada. Entre os répteis e anfíbios, mais de 50 espécies foram identificadas, com destaque para o jacaré-açu, a sucuri e a tartaruga-de-rio-de-manchas-amarelas. Cinco espécies endêmicas de rãs também foram registradas. Além disso, foram catalogadas 180 espécies de peixes e 1.200 espécies de borboletas.
O Parque Nacional Bahuaja Sonene protege a única floresta tropical remanescente do Peru , onde palmeiras como o buriti crescem em abundância, formando ilhas sobre dezenas de espécies de gramíneas que prosperam nas planícies aluviais, um refúgio para uma fauna altamente especializada. Palmeiras, seringueiras e tornillos podem ser encontrados na bacia do rio Candamo.
Nas altitudes mais elevadas, existem florestas anãs compostas por arbustos e pequenas árvores. A grande diversidade de comunidades vegetais em toda a área natural protegida também inclui diversas espécies arbóreas de importância econômica, como cedro, mogno, castanheira -do-pará e várias palmeiras, como pona, açaí e ungurahui.
Descobertas novas espécies de flora
Em junho de 2025, foi anunciada a descoberta, sem precedentes no Peru, de uma espécie vegetal pouco conhecida, identificada como Piptocarpha rotundifolia , na savana tropical úmida do Parque Nacional Bahuaja Sonene.
Essa espécie atinge uma altura de 3 a 5 metros e possui folhas alongadas com superfície superior rugosa e inferior pilosa. Suas pequenas flores amarelas crescem em cachos nos ramos. Essa planta, pouco estudada, está ameaçada de extinção, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). No entanto, sua presença em uma área protegida como o Parque Nacional Bahuaja Sonene promove sua conservação e reduz o risco de extinção.
Essa descoberta foi possível graças ao trabalho do professor pesquisador Isau Huamantupa e sua equipe na Universidade Nacional Amazônica de Madre de Dios. Essa iniciativa foi realizada no âmbito da cogestão do Contrato de Administração entre a Associação para Pesquisa e Desenvolvimento Integral (AIDER) e o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (SERNANP).
Etnia Ese’eja
A área ocupada pelo Parque Nacional Bahuaja Sonene é território ancestral do povo Ese’eja, pertencente à família linguística Tacana, que hoje se concentra nas terras comunais de Infierno, Palma Real e Sonene, adjacentes à área protegida. Uma quarta comunidade indígena vizinha, Kotsimba, pertence ao povo Pukirieri, da família linguística Harakmbut.
Foto: Reprodução/Agência Andina
O Parque Nacional Bahuaja Sonene é o elo que conecta as áreas naturais protegidas do Peru com as da Bolívia (faz fronteira com o Parque Nacional Madidi), no âmbito do Corredor de Conservação Vilcabamba-Amboró , proposto para este fim.
Visitar este canto do país oferece a todos motivos para preservar nossa diversidade biológica e cultural. Explorar este e outros lugares em nossa floresta amazônica nos permite nos ver como pequenos elementos dentro de um sistema complexo que sempre funcionou perfeitamente e nos deslumbra com sua beleza cativante.
Clima
O Parque Nacional Bahuaja Sonene está localizado na confluência dos climas tropical úmido e subtropical da Amazônia. A área recebe uma precipitação anual de 2.400 milímetros. A temperatura média é de 30°C, mas pode chegar a 38°C no verão ou cair para 8°C durante a estação fria.
Ondas de frio, ou quedas repentinas de temperatura, causadas por ventos antárticos ocasionais que chegam à região amazônica, produzem baixas temperaturas em várias épocas do ano. Com as chuvas de dezembro a março, os pampas ficam alagados, formando um vasto pântano.
Reserva Comunitária de Amarakaeri
A Reserva Comunal de Amarakaeri destaca-se como uma das maiores reservas comunitárias do país, abrangendo as bacias hidrográficas dos rios Madre de Dios e Colorado. Seu principal objetivo é garantir a estabilidade das terras e florestas para salvaguardar a qualidade e a quantidade da água, manter o equilíbrio ecológico e proporcionar um ambiente propício ao progresso das comunidades indígenas Harakmbut.
Esta reserva apresenta uma topografia variada, abrangendo terraços, colinas e montanhas em diferentes áreas de floresta tropical de altitude e de planície, criando uma ampla diversidade de ecossistemas e microclimas. Este ambiente proporciona refúgio para um grande número de espécies de plantas e animais, muitas das quais estão ameaçadas de extinção.
A região do departamento peruano, na Amazônia, abriga comunidades indígenas com uma riqueza cultural incomparável em suas tradições, crenças, estruturas sociais e sistemas econômicos e políticos. Os povos Harakmbut, Yine e Matsiguenka vivem dentro e ao redor da reserva , desempenhando papéis fundamentais como administradores, beneficiários diretos e protetores na conservação desta área natural protegida de valor inestimável.
Reserva Comunal de Purús
O principal objetivo da Reserva Comunal de Purús é conservar a riqueza biológica da área e promover a gestão sustentável dos recursos naturais em benefício das comunidades locais. Além disso, desempenha um papel fundamental como parte da zona de amortecimento do Parque Nacional Alto Purús.
Esta área protegida também visa fortalecer as competências locais na gestão da área, procurando envolver ativamente as comunidades nativas na gestão dos recursos naturais.
Isso inclui atividades de monitoramento e vigilância realizadas por um grupo de guardas-parque comunitários. O foco está na promoção da reprodução de tartarugas, no manejo responsável do pirarucu (Arapaima gigas), na coleta de sementes de mogno (Swietenia macrophylla), no reflorestamento com buriti (Mauritia flexuosa) e em outras ações que garantam a gestão sustentável da biodiversidade na região.
A cultura do açaí foi adaptada para áreas de lavrado. Foto: Raquel Maia/Rede Amazônica RR
Produtores rurais de Roraima têm ido além do cultivo do açaí e apostado na própria indústria como estratégia para crescer e ampliar a renda no campo. Com o uso de tecnologia e sistemas de irrigação, a produção do fruto avançou para áreas de lavrado e passou a permitir colheitas ao longo de todo o ano, criando condições para o beneficiamento e a agregação de valor.
Em diferentes regiões do estado, o açaí vem sendo adotado como alternativa de diversificação agrícola. A adaptação da cultura a áreas antes pouco exploradas para esse tipo de plantio fortalece a cadeia produtiva e abre novas possibilidades de negócio para pequenos e médios produtores.
Um dos exemplos é o produtor rural Almir Sá, que cultiva atualmente 18 hectares de açaí em área de lavrado. As mudas foram trazidas do Pará, estado referência nacional na produção do fruto, e o plantio conta com irrigação para garantir o desenvolvimento das plantas fora das áreas tradicionais de floresta.
Segundo Almir, o investimento em tecnologia e no aperfeiçoamento das técnicas de manejo tem garantido bons resultados.
“Hoje tenho apostado em tecnologia e sustentabilidade. Todos os dias buscamos aperfeiçoar nossas técnicas com profissionais que já trabalham com o açaí, e isso tem rendido bons frutos. Já estou na quarta colheita e sou realizado com tudo o que conseguimos evoluir na propriedade. Agora, com o aumento da demanda, já estudamos a ampliação da área plantada”, afirmou.
O avanço do cultivo do açaí no lavrado roraimense reflete um processo de modernização da agricultura no estado, permitindo melhor aproveitamento da área produtiva e geração de renda contínua para as famílias do campo.
Produtores investem no beneficiamento do açaí para ampliar renda
No município do Cantá, produtores também têm investido na industrialização do açaí como forma de crescer no mercado e agregar valor à produção. É o caso de Paulo Serra, que produz a fruta no campo e mantém uma pequena indústria em Boa Vista, onde o açaí é beneficiado e transformado em polpa para comercialização no mercado local.
“Sou um apaixonado pelo açaí. Hoje, minha família e eu vivemos dele. Aqui todos trabalhamos empenhados em levar um produto de qualidade e com segurança para a mesa dos nossos clientes”, disse.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Após a colheita, o açaí passa por um processo cuidadoso até chegar ao consumidor. Os frutos são selecionados e passam por tanques de limpeza para retirada de impurezas. Em seguida, ocorre o branqueamento, etapa essencial para garantir a segurança alimentar e a conservação do produto. Só depois disso o fruto segue para a batedeira, onde a polpa é extraída e preparada para comercialização.
Segundo Paulo Serra, além de investir no beneficiamento, o desafio agora é ampliar a informação sobre a importância do processo para a segurança do produto.
“Meu desafio é levar informação sobre a importância do branqueamento para a segurança do nosso produto. Queremos continuar sem casos do barbeiro no estado, mas, para isso, é necessário fazer a nossa parte. Busco associações e vou às propriedades dos amigos. A meta é ter o mesmo zelo que o Pará tem com o açaí e buscar desenvolvimento sustentável com segurança alimentar”, afirmou.
Em 2025, o Brasil registrou mais de 10 mil casos da febre Oropouche, alta de 50% em relação ao ano anterior. Mosquito maruim é estudado. Foto: Divulgação/Dive
Pesquisadores da Universidade Federal do Amapá (Unifap) iniciaram um estudo para avaliar os riscos de transmissão da febre Oropouche na Amazônia. Em 2025, o Brasil registrou mais de 10 mil casos da doença, alta de 50% em relação ao ano anterior.
O vírus Oropouche circula no país há décadas, mas ainda é pouco conhecido. A transmissão ocorre pelo mosquito maruim, comum em áreas de floresta.
Na região amazônica, já foram registrados surtos e casos isolados ao longo dos anos. No Amapá, os cientistas buscam entender como a doença se espalha.
Transmissão da febre Oropouche
O Oropouche é um arbovírus, ou seja, transmitido por insetos. O principal vetor é o mosquito maruim, que também pode carregar outros vírus tropicais de importância epidemiológica.
De acordo com o Ministério da Saúde, há dois tipos de circulação: silvestre e urbana. No ambiente rural, o mosquito transmite naturalmente. Já nas cidades, o ser humano pode se tornar hospedeiro. O professor Nonato Souto, da Unifap, explica:
“Ele é um inseto silvestre, mas consegue vir para o ambiente urbano quando há expansão demográfica”, disse
Foto: Flávio Carvalho/WMP/Fiocruz
Em Macapá, por exemplo, a urbanização avança sobre áreas de floresta. O maruim é atraído por fatores como gás carbônico, ácido lático e a presença de animais.
“Nós exalamos gás carbônico, ácido lático, temos animais. Todos esses fatores acabam atraindo o mosquito da mata para dentro das residências”, detalha Souto.
O mosquito pode percorrer até 1 quilômetro da mata para áreas urbanas, aumentando o risco de transmissão. Os pesquisadores destacam que ainda há muito a ser estudado sobre o comportamento do vetor e do vírus.
Segundo os pesquisadores, em Mazagão a investigação é mais aprofundada. O pesquisador Eric Fonseca, doutorando em entomologia médica, participou da análise do surto registrado em 2024.
“Percebeu-se uma grande proliferação e abundância dos maruins nessa localidade. O ambiente propício, o clima e os depósitos de água favoreceram a reprodução e aumentaram a presença dos vetores”, afirma.
As amostras coletadas no município estão sendo analisadas em laboratório em São Paulo. Atualmente não existe tratamento específico, mas os pesquisadores acreditam que os estudos podem ajudar a desenvolver soluções no futuro.
Os sintomas da febre Oropouche incluem febre, dor de cabeça e dores nas articulações. Eles são semelhantes aos da dengue, zika e chikungunya, mas o vírus tem origem silvestre.
Os cientistas esperam que a pesquisa ajude a criar sistemas de monitoramento mais eficientes e, futuramente, até vacinas contra o vírus. O laboratório da Unifap busca recursos para ampliar os estudos.
“Esse é o nosso desafio: comprar equipamentos, viajar para coletar amostras e firmar parcerias, já que a identificação do vírus exige análises sofisticadas”, disse Nonato.
Locais onde o maruim já foi identificado
Municípios do Amapá:
Mazagão
Porto Grande
Serra do Navio
Oiapoque
Bairros de Macapá:
Brasil Novo
Marabaixo
Cabralzinho
Amazonas
Igarapé Mirim
*Por Isadora Pereira e Mariana Braga, da Rede Amazônica AP
A planta Zamia urarinorum. Foto: Reprodução/Agência Andina
Cientistas peruanos e internacionais identificaram uma nova espécie de planta na Amazônia peruana, considerada única no mundo por sua capacidade de viver em ambientes permanentemente alagados. Sua segunda característica é pertencer a um grupo de plantas conhecidas como “fósseis vivos” devido à sua origem na era dos dinossauros, revelou o Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP).
Trata-se da Zamia urarinorum, uma cicadácea encontrada no departamento de Loreto. A descoberta desta nova espécie vegetal foi feita pelo IIAP em colaboração com o Montgomery Botanical Center, o International Cycad Specialist Group, o Instituto Federal de Educação do Brasil e a Pontifícia Universidade Católica do Peru.
O estudo foi liderado pelos pesquisadores Ricardo Zárate, Michael Calonje e Malcolm A. Jones, e publicado em fevereiro deste ano na revista científica internacional Phytotaxa.
Adaptado a solos saturados de água
O IIAP destacou que a principal característica que distingue a Zamia urarinorum é a sua tolerância fisiológica à falta de oxigênio, o que lhe permite desenvolver-se em solos encharcados e até mesmo com parte do caule submerso.
“Ao contrário de outras espécies do gênero Zamia, ela não precisa de solo seco ou bem drenado para sobreviver, sendo a primeira cícada registrada com essa adaptação extrema”, enfatizaram.
Foto: Reprodução/Agência Andina
O IIAP especifica que a espécie foi localizada nas bacias dos rios Tigrillo e Urituyacu, em Loreto, uma região reconhecida por sua alta biodiversidade. Essa descoberta reforça a importância do Peru como líder em pesquisa botânica de ecossistemas de floresta tropical.
A descoberta foi baseada em trabalho de campo realizado em 2025 nas comunidades indígenas de Raya Yacu, Nuevo Horizonte e Porto Rico Os pesquisadores coletaram amostras botânicas, registraram coordenadas geográficas e descreveram o habitat natural da espécie. Em seguida, compararam essas informações com espécimes de herbário e ferramentas digitais para determinar sua classificação e distribuição.
O nome urarinorum presta homenagem ao povo indígena Urarina, que contribuiu para a conservação dos territórios onde os espécimes foram encontrados.
Características morfológicas
Em termos de morfologia, a planta possui caules delgados e folhas longas que podem atingir até 2,5 metros de comprimento. Seus folíolos são estreitos e dentados. Produz cones reprodutivos e sementes menores do que as de espécies próximas.
Além disso, trata-se de uma espécie dióica, ou seja, possui plantas masculinas e femininas separadas. Suas estruturas reprodutivas exibem cores que variam do marrom escuro ao verde-amarelado.
Foto: Reprodução/Agência Andina
Valor ecológico da planta e ameaças
O IIAP afirmou que a presença de Zamia urarinorum é fundamental para os ecossistemas das florestas de aguajales (buriti), áreas estratégicas para a regulação hídrica e o armazenamento de carbono na Amazônia.
No entanto, os pesquisadores alertam que a espécie enfrenta ameaças imediatas devido à expansão agrícola, derramamentos de petróleo e projetos de infraestrutura que pressionam os pântanos de Loreto.
Portanto, recomendam sua proteção urgente de acordo com os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
O Carnaboi é uma amostra da grandeza do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas. O evento marca o final do Carnaval e o início da temporada bovina com edições em Parintins e em Manaus. As galeras, ou seja, os torcedores de cada bumbá – Caprichoso e Garantido -, representam o item 9 da competição, pois são incluídas nas avaliações para definir o campeão da disputa que ocorre todo mês de junho, no bumbódromo da ilha da magia.
E, assim como toda torcida, a paixão fala alto quando o assunto é defender o boi escolhido…
Amor pelo boi vermelho e branco:
Cada torcedor tem sua história de como encontrou o boi e sobre sua paixão. Alguns torcedores, inclusive, já fizeram o possível e quase o impossível para provarem o esse amor.
E uma dessas histórias ganhou mais um capítulo na segunda noite do Carnaboi em Manaus este ano. Em meio ao público de 20 mil pessoas, a recifense Jaciara Santos só tinha duas muletas e um sonho: assistir o show principal do Garantido.
E deu certo. Numa digna prova de amor pelo Boi da Baixa do São José, a torcedora superou o acidente doméstico que sofreu na última semana e foi para o Sambódromo prestigiar de perto a apresentação do seu boi preferido.
A perreché de 35 anos admitiu que seria “uma loucura” de sair de casa com a perna engessada para ver o atual campeão do Festival Folclórico de Parintins.
“Caí da escada lá em casa, mas para mim, não tem tempo ruim para ver o Garantido. Achei que não ia conseguir, que não ia aguentar, mas no fim deu tudo certo. Fui forte até o final e foi maravilhoso”, afirmou Jaciara, que é natural de Recife (PE), mas mora em Manaus há 24 anos.
Foto: Dayson Valente/Portal Amazônia
Jaciara contou ainda que o amor pelo Garantido surgiu desde criança, quando os pais mostraram para ela, pela primeira vez, um pouco do Festival Folclórico de Parintins.
“Quando eu era criança, os meus pais falavam muito sobre o Festival de Parintins, dos bois Caprichoso e Garantido. E desde lá, comecei a ver o festival, assistir… Foi aí que gostei do Garantido. Para mim é o melhor boi, tem a melhor torcida, as melhores toadas”, revelou Jaciara, que já esteve duas vezes na arquibancada do Bumbódromo, na ilha tupinambarana, palco do maior espetáculo folclórico à céu aberto do planeta.
Jaciara, na arquibancada do lado vermelho do Bumbódromo de Parintins. Foto: Acervo pessoal/Jaciara Santos
A torcedora do boi vermelho e branco elogiou o retorno do Carnaboi para o Sambódromo de Manaus, que contou com um público superior a 20 mil pessoas nas duas noites do evento e reafirmou sua força como celebração da identidade cultural amazonense.
“Foi fantástico, uma grande festa, com uma ótima organização e um bom público”, destacou.
O Carnaboi é uma amostra da grandeza do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas. O evento marca o final do Carnaval e o início da temporada bovina com edições em Parintins e em Manaus. As galeras, ou seja, os torcedores de cada bumbá – Caprichoso e Garantido -, representam o item 9 da competição, pois são incluídas nas avaliações para definir o campeão da disputa que ocorre todo mês de junho, no bumbódromo da ilha da magia.
E, assim como toda torcida, a paixão fala alto quando o assunto é defender o boi escolhido…
Amor pelo boi azul e branco: “desde que eu nasci”
Assistir o Caprichoso durante o Carnaboi de Manaus é se lembrar de sua relação com a cultura amazônica. Este é o sentimento de muitas pessoas que foram acompanhar o boi azul e branco no Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho, o Sambódromo de Manaus, nos dois dias de festa este ano, sexta-feira (20) e sábado (21), marcando presença no evento que tradicionalmente abre a Temporada Bovina no Amazonas.
O Carnaboi é considerado o ponto de partida do calendário que culmina no Festival Folclórico de Parintins, no fim de junho. É neste período que itens oficiais, artistas e torcedores intensificam ensaios, eventos e mobilizações, fortalecendo a conexão entre o boi e sua galera antes das três noites de disputa no Bumbódromo.
O evento chegou a sua 25ª edição este ano e é quando começa o alinhamento dos artistas com o público para a apresentação no fim do mês de junho na ilha tupinambarana e a busca por mais um título de campeão do Festival Folclórico de Parintins.
Este sentimento muitas das vezes traz ao torcedor vontade de fazer parte das apresentações. Rogério Jesus de Souza é uma dessas pessoas.
Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), com uma carreira consolidada na área de gerenciamento de recursos pesqueiros e controle de qualidade do pescado de água doce da Amazônia, Rogério Jesus de Souza é o nome pelo qual é conhecido no meio acadêmico. Mas, no meio da torcida do Caprichoso, ele é conhecido apenas como “Roca”.
O amor pelo boi da estrela azul vem do berço, pois ele é natural de Parintins e desde sempre viveu rodeado pela cultura vibrante dos bois parintinenses. Hoje, Roca se dedica tanto à sua carreira quanto à função de coordenador da Marujada de Guerra em Manaus, nome oficial da banda de percussão oficial do touro negro. Já são pelo menos 25 anos que ele coordena parte da equipe que compõe o item 3 do Caprichoso no Festival.
“O meu relacionamento com o Caprichoso foi desde que eu nasci.Porque meu pai, minha mãe, meus avôs, todos são Caprichoso. Desde pequeno eu frequentava Curral [Zeca Xibelão], quando ainda era na rua Cordovil (em Parintins). Mas aí eu vim estudar em Manaus, depois fui fazer graduação de Engenharia de Pesca em Fortaleza (CE), fui fazer minha carreira. Até que em 1982 eu fui nomeado para um cargo em Parintins e tive contato novamente com a Marujada de Guerra. E de lá para cá eu nunca mais saí”, revelou.
‘Roca’ (de chapéu) coordena os integrantes da Marujada de Guerra em Manaus. Foto: Hector Muniz/ Portal Amazônia
‘Roca’ então foi construindo uma carreira dentro do Caprichoso em paralelo ao seu trabalho na formação de engenheiro de pesca. Como engenheiro, em 1988, foi admitido por meio de concurso no Inpa em Manaus e continuou nas atividades do Boi Caprichoso na capital amazonense.
Ele é, inclusive, um dos fundadores do ‘Bar do Boi’, um evento tradicional de Manaus, organizado pelo Movimento Marujada para celebrar o amor pelo Caprichoso na capital amazonense.
“Já aqui no Bar do Boi de Manaus precisava ter o ritmo. Aí nós fundamos a Marujada de Guerra aqui em Manaus também, principalmente para acompanhar o Arlindo Júnior nas apresentações. E então com o tempo fui tesoureiro, fui do administrativo, fui até vice-presidente e presidente, e depois que um amigo saiu para se dedicar a carreira dele de advogado eu assumi como coordenador. E aí já tem 25 anos”, conta com um sorriso no rosto.
Para “Roca”, fazer parte da Marujada de Guerra e participar das apresentações do Boi Caprichoso se tornou algo natural na sua vida.
“O Caprichoso é o meu hobby, porque como profissão eu sou engenheiro de pesca, trabalho no Inpa há quase quarenta anos. Mas durante esse tempo todo eu venho acompanhando o Caprichoso aqui em Manaus. Então é a minha parte cultural, digamos assim. E é principalmente isso que me liga emocionalmente à Parintins”.
É assim que os apaixonados pela cultura do boi-bumbá a perpetuam de geração para geração.
O Carnaboi é uma amostra da grandeza do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas. O evento marca o final do Carnaval e o início da temporada bovina com edições em Parintins e em Manaus. As galeras, ou seja, os torcedores de cada bumbá – Caprichoso e Garantido -, representam o item 9 da competição, pois são incluídas nas avaliações para definir o campeão da disputa que ocorre todo mês de junho, no bumbódromo da ilha da magia.
E, assim como toda torcida, a paixão fala alto quando o assunto é defender o boi escolhido…
Amor pelo boi vermelho e branco: desde a infância
Assistir o Garantido durante o Carnaboi de Manaus, por exemplo, é reafirmar um sentimento que ultrapassa o espetáculo e se transforma em identidade. Vestidos de vermelho e branco, os torcedores do boi da Baixa do São José, em Parintins, ocuparam o Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho, o Sambódromo de Manaus, nos dois dias de festa este ano, sexta-feira (20) e sábado (21), marcando presença no evento que tradicionalmente abre a Temporada Bovina no Amazonas.
O Carnaboi é considerado o ponto de partida do calendário que culmina no Festival Folclórico de Parintins, no fim de junho. É neste período que itens oficiais, artistas e torcedores intensificam ensaios, eventos e mobilizações, fortalecendo a conexão entre o boi e sua galera antes das três noites de disputa no Bumbódromo.
Um exemplo de torcedor apaixonado pelo boi Garantido é Henrique Segundo. Ele conta que sempre quis contribuir com a história do boi do coração vermelho, seu boi escolhido.
Nascido em Manaus, desde 2021, ele se dedica a treinar justamente o item 19 do boi da Baixa do São José, a “galera encarnada”. Isso porque atualmente Henrique faz parte do Comando Garantido, a torcida oficial do boi vermelho e branco.
E é com muita dedicação que ele esperava pelo início da temporada bovina, com o Carnaboi. “Eu sempre gostei do boi Garantido. Minha mãe já me levava ainda criança para os eventos aqui em Manaus. Para mim essa época da temporada bovina é muito aguardada”, afirmou Segundo.
Henrique Segundo sempre quis participar da Torcida Oficial do Garantido e hoje é um dos coordenadores. Foto: Hector Muniz/Portal Amazônia
Henrique lembra saudoso que foi lá, na infância ainda, que passou a admirar as apresentações da torcida do bumbá parintinense durante o Festival Folclórico. Ele revela que, já adulto e com recursos para viajar, fez questão de assistir presencialmente o Festival em Parintins. Arrebatado pelo sentimento de pertencimento àquela torcida, assegura que foi “um sonho realizado” fazer parte oficialmente da organização.
“Eu entrei no Comando Garantido através de um amigo. Perguntei dele como eu entrava, porque era algo que eu desejava muito. Eu acompanhava como torcedor mesmo indo pra Parintins e tudo desde 2011, mas foi em 2021 que eu comecei a me dedicar para treinar a torcida. E eu me sinto muito feliz por ser parte de um item oficial, que pontua no Festival. É uma paixão de infância que hoje é realidade”.
No amor e na Batucada: compromisso
Marcela Andrade e Ricardo Andrade são um casal que se apaixonou dentro da Batucada do Garantido. Foto: Hector Muniz/ Portal Amazônia
Por falar em paixão: Marcela Andrade e Ricardo Andrade são um casal que participa da Batucada, a banda de percussão oficial do Garantido.
Ricardo buscava entrar na banda e isso foi motivo para falar com Marcela, que já era integrante. Um simples pedido de informação acabou se tornando um namoro que já completa três anos. Hoje o casal se dedica ao item 3 do Garantido.
“Eu sempre fui torcedor do Garantido e há alguns anos eu tava tentando entrar para a Batucada e procurando formas nas redes sociais. Acabei conhecendo ela”, conta Ricardo.
“Já tenho 18 anos de Batucada e ele quando soube disso foi até a mim. E, naturalmente, a gente também foi se conhecendo. Se tornou um compromisso entre nós e um compromisso com o nosso boi”, explica Marcela.
E o compromisso é tão grande que a atuação do casal no item 3 do boi é digna de um “relacionamento”. “As vezes ele não pode ir pras apresentações e até pra Parintins. Às vezes eu que não posso ir. Mas sempre pelo menos um vai. É uma dedicação, acaba se tornando um compromisso, como em um relacionamento de um casal”, brincou Marcela.
Em 2026, pelo menos no Carnaboi, o casal conseguiu comparecer junto. Mas ainda tem muito evento para acontecer nesta temporada bovina para marcar esse amor pelo Garantido.
A Fundação Rede Amazônica (FRAM) realiza, no Acre, as ações do projeto Consciência Limpa, uma iniciativa que envolve educação ambiental, sustentabilidade e participação da comunidade. O projeto atua há mais de 20 anos na Região Norte e busca ajudar a população a entender melhor os problemas ambientais e adotar atitudes mais responsáveis no dia a dia.
Uma das ações do projeto é sobre a importância do descarte correto de resíduos sólidos. O tratamento adequado de materiais ou objetos que não são mais úteis é essencial para a preservação do meio ambiente, conservação de ecossistemas, redução de custos e principalmente para a qualidade da saúde pública.
Isso porque o descarte inadequado, seja de resíduos sólidos quanto de substâncias tóxicas, além de contaminar o solo e a água, compromete a qualidade dos recursos naturais e a saúde humana.
Diante da importância do tema, confira algumas dicas essenciais para o tratamento adequado de como separar e destinar os lixos de forma ecológica e sustentável.
1. Separar resíduo seco do orgânico/úmido
Os lixos recicláveis são os resíduos de papel, plástico, metal, vidro que estão limpos e secos. Se estiverem úmidos ou sujos, especialmente com restos de alimento, esses materiais não podem ser tratados.
Por isso, ao descartar os resíduos que são recicláveis, é preciso limpar e secar antes de misturar com os outros materiais. Você pode aproveitar guardanapos e outros papéis usados para remover a sujeira, por exemplo.
Restos de comidas, borra de café, folhas secas e outros resquícios de jardinagem, apesar de serem confundidos com lixo comum, podem sim ser reaproveitados ao serem transformados em adubo.
O mais correto é destinar os resíduos orgânicos para a compostagem, que pode acontecer desde em grandes centros de compostagem, se a sua cidade dispor de um, até nas próprias casas ou condomínios.
2. Lixos comuns vão para aterros sanitários
Já o lixo comum, também chamado de rejeito, é composto por materiais que não possuem um tratamento adequado ou viável. Alguns exemplos são lixos do banheiro, bitucas de cigarro, materiais adesivos, esponjas e papel térmico, usados em comprovantes bancários. Eles devem ser descartados e destinados aos aterros sanitários.
3. Lixos eletrônicos
O lixo eletrônico, ou Resíduo de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE), são todos os itens que funcionam por meio da eletricidade. Os exemplos vão desde celulares até máquinas de lavar e liquidificadores.
O mais correto a se fazer com esse tipo de material é reuni-los e descartá-los em pontos de coleta especializados. A informação sobre esses locais também deve estar disponível na prefeitura da cidade.
4. Pontos para descarte de pilhas
As pilhas e baterias, por conterem substâncias tóxicas, não devem ser descartadas junto com outros itens, para evitar a contaminação.
Reúna as pilhas usadas e busque Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) perto de você. Essa informação costuma constar no site ou nos informativos da prefeitura da cidade.
5. Óleo de cozinha em garrafas PET ou de vidro
O óleo de cozinha não deve ser jogado na pia ou nos ralos, pois o óleo não é solúvel em água e é altamente poluente. Essa ação também pode provocar entupimento dos encanamentos e da caixa de gordura.
Para descartar esse material, armazene o óleo utilizado em um recipiente que não vaze, como garrafas de vidros ou PET. Quando cheio, descarte em um Pontos de Entrega Voluntária (PEV) específico para essa coleta.
6. Remédios vencidos
Os medicamentos vencidos e até mesmo as embalagens vazias, não podem ser reciclados ou reaproveitados devido à contaminação química. Em especial, não devem ser jogados no vaso sanitário.
O ideal é fazer uma separação distinta para eles, juntando-os em uma sacola de plástico branca. Farmácias e hospitais costumam receber esse tipo de material para destinar corretamente.
7. Produtos químicos
Os produtos químicos, como tinta, solvente, produtos de higiene e limpeza são extremamente perigosos para o meio ambiente e para a saúde humana.
Quando vencidos, o ideal é mantê-los dentro de sua embalagem original ou dentro de garrafas PET. Procure por pontos especializados nessa coleta e faça o descarte correto.
Latas de tintas vencidas devem ser descartadas em pontos especializados de coleta desses materiais. Foto: Seven Soluções Ambientais
Descarte de resíduos no Acre
No Acre, a destinação correta de resíduos tem sido um grandes desafios ambientais no estado. Apesar da responsabilidade pela execução da coleta, tratamento e destinação final dos resíduos seja dos municípios, o Governo estadual tem atuado na formulação de políticas públicas, apoio técnico e ações de educação ambiental, fortalecendo a estrutura necessária para uma gestão mais eficiente e sustentável.
A gestão dos resíduos sólidos segue as diretrizes da Lei nº 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A legislação estabelece responsabilidades compartilhadas entre poder público, setor privado e sociedade, além de metas para eliminação de lixões e incentivo à coleta seletiva e à logística reversa.
Entre as principais frentes de atuação estão:
Capacitação de técnicos municipais;
Apoio na elaboração de planos e políticas públicas;
Fortalecimento institucional das prefeituras;
Promoção da educação ambiental nas escolas.
O Estado também atua em parceria com o Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos do Acre (CINRESOAC), que reúne municípios para buscar soluções conjuntas, como implantação de aterros sanitários e encerramento de lixões a céu aberto.
Campanhas de conscientização
A sensibilização da sociedade é um dos pilares da política ambiental acreana. A SEMA AC, em conjunto com órgãos ambientais, desenvolve ações educativas voltadas a estudantes e comunidades, com orientações sobre:
Separação correta de resíduos;
Redução do consumo e reaproveitamento de materiais;
Importância da coleta seletiva;
Destinação adequada de resíduos recicláveis e orgânicos.
Entre as iniciativas está o Programa Câmbio Verde, instituído pela Lei nº 4.622/2025, que incentiva a troca de resíduos recicláveis por alimentos, promovendo inclusão social e estimulando práticas sustentáveis. Além disso, campanhas pontuais e eventos ambientais reforçam junto à população dicas práticas sobre acondicionamento correto do lixo, horários de coleta e riscos do descarte irregular.
O estado utiliza como principal referência a legislação federal, especialmente:
Lei nº 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos;
Lei nº 9.605/1998 – Lei de Crimes Ambientais, que prevê penalidades para descarte irregular que cause danos ao meio ambiente.
No âmbito estadual, a política ambiental é amparada pela Lei nº 1.117/1994, que estabelece princípios gerais de proteção ambiental.
Já na capital, Rio Branco, uma nova legislação municipal voltada ao fortalecimento da gestão de resíduos sólidos amplia os instrumentos de fiscalização, orientação e responsabilização, reforçando o compromisso local com o descarte adequado e a organização da coleta.
Desafios e perspectivas
Com 22 municípios e características territoriais desafiadoras, o Acre ainda enfrenta dificuldades estruturais, especialmente nas cidades do interior. No entanto, o avanço da articulação entre Estado e municípios, aliado à educação ambiental e ao fortalecimento da legislação na capital, aponta para um cenário de evolução gradual na gestão dos resíduos sólidos.
A consolidação de políticas públicas eficazes depende não apenas do poder público, mas também da participação ativa da sociedade. Separar corretamente o lixo, respeitar os horários de coleta e evitar o descarte irregular são atitudes fundamentais para garantir um ambiente mais saudável e sustentável para as futuras gerações acreanas.
O avanço do desmatamento na região de transição entre Cerrado e Amazônia tem provocado mudanças profundas na disponibilidade de água em pequenas bacias hidrográficas, aumentando o risco de cheias no período chuvoso e reduzindo a disponibilidade hídrica na estação seca.
A pesquisa avaliou oito bacias hidrográficas no leste de Mato Grosso ao longo de três anos, abrangendo áreas com diferentes graus de inclinação do terreno e cobertura de vegetação nativa, variando entre 10% e 80%.
Os resultados mostram que bacias mais desmatadas apresentaram aumento consistente no volume anual e diário de água escoada, além de maior variabilidade sazonal.
Nessas áreas, também foram registrados picos mais intensos de vazão durante eventos de chuva forte, indicando maior risco de enchentes e alterações rápidas no comportamento dos cursos d’água.
Os dados indicam que o desmatamento altera o equilíbrio do ciclo hidrológico ao reduzir processos naturais como evapotranspiração e infiltração da água no solo. A conversão de áreas florestais em pastagens ou lavouras diminui a capacidade da paisagem de reter água, favorecendo o escoamento superficial.
Como consequência, o estudo observou que bacias mais desmatadas podem registrar até o dobro do fluxo anual de água em comparação com áreas que mantêm maior cobertura vegetal nativa.
“Conseguimos monitorar a vazão dos córregos de forma contínua, com medições a cada hora, em uma região com poucos dados hidrológicos. Isso nos permitiu entender como o desmatamento acelera o escoamento da chuva, aumenta o risco de enchentes e reduz a água disponível na estação seca. Os resultados mostram que é preciso considerar a sazonalidade, a topografia e os solos para avaliar os impactos na segurança hídrica, especialmente em anos de seca severa”, afirma a pesquisadora do IPAM e principal autora do artigo, Hellen Almada.
Apesar do aumento do volume de água durante o período chuvoso, os pesquisadores identificaram um efeito oposto na estação seca.
Em bacias com alto nível de desmatamento, a vazão no período seco representa apenas 10% do fluxo anual, enquanto bacias com vegetação conservada mantiveram aproximadamente 30% do fluxo de água nesse período, inclusive em anos com menor precipitação.
Além de evidenciar os impactos ambientais, a pesquisa aponta caminhos para conciliar produção agropecuária e conservação dos recursos hídricos. O estudo indica que a manutenção de pelo menos 50% da vegetação nativa em áreas com maior inclinação pode contribuir para maior estabilidade na disponibilidade de água ao longo do ano, reduzindo picos no período chuvoso e sustentando o fluxo no período seco.
E reforça que planejamento territorial e conservação estratégica da vegetação são elementos centrais para garantir segurança hídrica e produtividade no longo prazo.
“Os resultados mostram que o desmatamento impacta diretamente a segurança hídrica e reforçam a importância de conservar a vegetação nativa e planejar melhor o uso da terra”, destaca o pesquisador do IPAM e um dos autores do artigo, Leonardo Maracahipes-Santos.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM, escrito por Suellen Nunes