Home Blog Page 13

Transporte, base logística da produção agropecuária

0

Foto: Divulgação/Ministério dos Transportes

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Agronegócio é considerado um dos principais contribuintes para o crescimento econômico do Brasil. De acordo com informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) com apoio financeiro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o PIB do Agronegócio correspondeu por 23,8% do PIB do País em 2023, com uma queda de 3% comparado ao ano anterior. Diante de uma série de desafios que o Agronegócio tem enfrentado, a logística ganha destaque, desde planejamento da plantação e o armazenamento, até a distribuição final dos produtos.

Não é construtivo, por conseguinte, insistir na cantilena de que rodovias ou ferrovias destroem meio ambientes, conscientes da disponibilidade de soluções efetivas. Na Europa a agropecuária convive com a Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF e o Manejo Florestal Sustentável (MFS) desde a Idade Média. A excelência tecnológica desenvolvida na França, Espanha, Portugal, Itália e outros países garante campos altamente produtivos em conexão a rígidos códigos preservacionistas.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

No Brasil, a obrigatoriedade de manter o meio ambiente ecologicamente equilibrado é tão importante quanto a necessidade de produzir alimentos e desenvolver o agronegócio, responsável por cerca de 20% dos empregos formais e por mais de um quarto (27%) do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. A legislação ambiental brasileira obedece a um conjunto de leis, decretos e resoluções federais, estaduais e municipais, baseada no artigo 225 da Constituição de 1988. Visa, essencialmente, proteger o meio ambiente, promover a sustentabilidade e regular atividades de cidadãos e empresas, estabelecendo infrações e sanções para o não cumprimento. O que funciona para o Brasil, evidentemente é válido para a Amazônia. E, desta forma, como excluir a rodovia BR-319 e o sistema rodofluvial regional desse contexto?

O crescimento populacional mundial, que deverá superar 9,5 bilhões até 2050, pressiona a produção de alimentos, exigindo aumento de produtividade. Embora a Teoria Malthusiana previsse a fome por crescimento populacional, o progresso técnico (Revolução Verde) sustentou o abastecimento, mas hoje a demanda cresce 1.4% ao ano, desafiando a segurança alimentar devido a conflitos, clima e desigualdade. Estudos técnicos buscam influenciar gestores e lideranças das esferas pública e privada na tomada de decisões com foco na sustentabilidade e no equilíbrio da tríade agricultura, biodiversidade e serviços ecossistêmicos.

Água limpa, regulação do clima, manutenção da fertilidade e da estrutura do solo, polinização de culturas e controle biológico de pragas e doenças são alguns exemplos. Os desafios mundiais interligados demonstraram a importância de sistemas logísticos resilientes. A modernização dos portos, a melhoria da conectividade entre fazendas e mercados e a maior previsibilidade do transporte rodoviário podem contribuir para objetivos globais mais amplos, como a segurança alimentar, a logística rural, crucial para mover insumos, maquinários e produtos agrícolas aos centros de consumo ou portos, garantindo a integridade dos produtos perecíveis. Tudo voltado ao equilíbrio agroecológico.

O documento Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), coordenado pela Embrapa, mostra que o potencial produtivo do Brasil não se restringe às grandes propriedades rurais, estende-se à agricultura familiar e à praticada por povos tradicionais, peça-chave no contexto agrícola nacional. O setor congrega pequenos produtores rurais, povos e comunidades tradicionais (PCTs), assentados da reforma agrária, silvicultores, aquicultores, extrativistas e pescadores. Possui uma relação mais estreita com os recursos naturais dado o menor uso de insumos, a diversidade de cultivos e maior aproveitamento de resíduos, emprega dois terços da mão de obra rural. O setor depende de transporte, seja fluvial, rodo-ferroviário ou mesmo aéreo, como o ser humano do ar e da água.

Leia também: “Riscos ambientais da pavimentação da BR-319”: o que há por trás?

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Epidermólise bolhosa: representante do Amazonas leva desafios da saúde na floresta para congresso mundial

0

Congresso internacional debateu cases de saúde voltados para a epidermólise bolhosa. Foto: Divulgação

O cenário das doenças raras no Brasil ganhou um novo capítulo de articulação e visibilidade. Entre os dias 20 e 22 de janeiro, São Paulo transformou-se no epicentro global de debates sobre a epidermólise bolhosa, uma condição genética hereditária que afeta a coesão da pele. Pela primeira vez, a América do Sul sediou um congresso internacional desta magnitude, deslocando o eixo das discussões científicas, tradicionalmente restritas à Europa e aos Estados Unidos, para a realidade latino-americana.

A participação da Associação das Borboletas do Amazonas (ABA) no evento marcou um posicionamento estratégico para o estado. Representando as famílias do Norte, a entidade levou ao congresso as particularidades de quem convive com uma doença de alta complexidade em uma região marcada por distâncias geográficas e desafios logísticos severos. A presença da associação garantiu que as discussões científicas não ignorassem as barreiras de acesso que existem fora dos grandes centros urbanos do Sudeste.

Leia também: #Série – Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia: o que é impinge?

A epidermólise bolhosa é caracterizada pela extrema fragilidade da pele e das mucosas, onde qualquer atrito mínimo pode resultar em feridas graves e bolhas. No mundo, estima-se que 500 mil pessoas vivam com a condição, enfrentando um cotidiano de cuidados intensivos e curativos constantes. No Amazonas, a realidade impõe camadas extras de dificuldade, desde a umidade característica do clima até a escassez de profissionais especializados no interior do estado.

Durante os três dias de programação, pesquisadores e associações de diversos países trocaram protocolos de tratamento e novas perspectivas de cuidado. Para a Associação das Borboletas do Amazonas, o evento foi uma oportunidade de validar o trabalho realizado localmente e buscar soluções que possam ser aplicadas na rede de saúde amazonense. O foco foi transformar o conhecimento técnico em melhoria direta na qualidade de vida dos pacientes.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Doenças raras precisam de atenção da saúde nacional

Sandra Marvin, presidente da associação, destacou que a participação no congresso foi um gesto de afirmação institucional e territorial. Segundo ela, levar a Amazônia para esse espaço significa romper silêncios históricos sobre como as doenças raras são tratadas na região. A presença da ABA serviu para lembrar que a ciência precisa ser inclusiva, considerando as realidades sociais e econômicas de quem vive nos estados do Norte.

Um dos pontos centrais abordados pela delegação amazonense foi o gargalo no diagnóstico precoce. Muitas famílias no Amazonas ainda enfrentam uma peregrinação por diversas unidades de saúde antes de obterem a confirmação da doença. Esse atraso compromete o início do tratamento adequado, que é fundamental para evitar complicações graves e infecções recorrentes que colocam a vida dos pacientes em risco.

epidermolise bolhosa é um problema de saúde classificado como raro que precisa de atenção nacional
Epidermolise bolhosa nas mãos. Foto: Oftalmologia Pereira Gomes

Além da questão clínica, o congresso abriu portas para parcerias internacionais. A conexão com a Debra Brasil e outras entidades globais fortalece a capacidade da associação de atuar como um elo entre as famílias e os avanços científicos na saúde. Essas redes de apoio são essenciais para garantir que insumos básicos, como curativos especiais que não aderem à pele, cheguem com mais facilidade a quem precisa em solo amazonense.

A troca de experiências com especialistas de outros países também trouxe novos modelos de acolhimento familiar. A doença não afeta apenas o paciente, mas exige uma reestruturação completa da rotina doméstica. Estratégias de apoio psicológico e jurídico foram discutidas como pilares para manter a sustentabilidade do cuidado a longo prazo, algo que a associação pretende reforçar em Manaus e nos municípios adjacentes.

O evento reforçou a necessidade de políticas públicas mais robustas e descentralizadas da saúde. A expectativa da associação é que a visibilidade gerada pelo congresso pressione por um olhar mais atento do poder público estadual e municipal. A meta é que a epidermólise bolhosa deixe de ser uma pauta invisível e passe a integrar o planejamento estratégico da saúde pública no Amazonas de forma permanente.

Para as famílias atendidas pela associação, saber que a sua realidade foi discutida em um fórum internacional traz um sentimento de esperança e pertencimento. A sensação de isolamento, comum em quem convive com doenças raras, dá lugar à percepção de que existe uma comunidade global empenhada em encontrar soluções. O congresso mostrou que a tecnologia médica avançou, mas que o acolhimento humano continua sendo o diferencial.

Ao encerrar sua participação, a Associação das Borboletas do Amazonas retorna com uma agenda repleta de novos contatos e projetos. A ideia é aplicar os aprendizados em workshops e treinamentos para profissionais de saúde locais, multiplicando o conhecimento obtido em São Paulo. O objetivo é criar uma rede de proteção mais sólida, onde o CEP do paciente não determine a qualidade do tratamento que ele recebe.

Artistas trans da Amazônia: vozes que ampliam direitos e repertórios por meio da música

0

Artistas trans tem relevado criatividade e representatividade. Fotos: Reprodução

O Dia da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro, é um momento dedicado a reconhecer as vidas, trajetórias e trabalhos de pessoas trans e travestis em todo o país. E nesse contexto, a cena musical tem ganhado destaque com artistas que revelam criatividade e diversidade nas sonoridades que produzem.

Essa visibilidade reflete um conjunto de trajetórias artísticas em contextos regionais e nacionais, incluindo nomes ligados à Amazônia.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Conheça seis dessas vozes amazônidas, que tem lutado por direitos e para mostrar seus repertórios e bagagens de vida:

Flor de Mururé: expressão musical e ancestralidade

Entre os nomes de artistas trans ligados à cena musical na Amazônia, Flor de Mururé, natural de Belém, no Pará, é uma voz potente da região. Seu álbum CROA é um trabalho que dialoga com ritmos populares, tradições e vivências de corpo e espírito. O disco misturou sonoridades como coco, hip hop, carimbó, pop e guitarrada, articulando elementos da cultura popular com suas vivências como homem trans.

Flor de Mururé ganhou projeção com lançamentos autorais que exploram referências espirituais, simbólicas e territoriais. As composições apresentam letras que transitam entre temas do cotidiano, memória cultural e identidade, inseridas em arranjos que mesclam instrumentos tradicionais e recursos contemporâneos de produção musical.

O single e clipe “Dona Mulambo” integra esse projeto, trazendo uma mistura sonora e simbólica que se relaciona com tradições religiosas afro-indígenas e expressa potenciais narrativas de resistência e pertencimento.

Margot Inajosa e a performance trans

Margot Inajosa é outra artista trans que tem se apresentado em espaços culturais na região amazônica. Natural de Macapá, capital do Amapá, sua atuação inclui apresentações autorais e participação em festivais que buscam ampliar a presença artística de pessoas trans.

Wendy Lady e a cultura indígena

Wendy Lady é outro nome que aparece associado à presença trans em circuitos culturais da Amazônia. Com atuação principalmente em Manaus, capital do Amazonas, o trabalho de Wendy Lady transita entre música, performance e estética cênica e integra eventos e festivais ligados à arte e à cultura regional, contribuindo para a ampliação de linguagens no cenário artístico local.

Sua trajetória está vinculada a espaços independentes e coletivos culturais, onde a música se articula com outras formas de expressão artística. A cultura indígena é algo muito forte em seu trabalho, tanto em sons como na estética

A cultura indígena é algo muito forte em seu trabalho, tanto em sons como na estética.

“Eu já morei fora da Amazônia pra estudar. E é muito difícil pra quem é raiz dessa terra. Todas as vezes que vou escrever uma música é justamente a nossa forma de viver, de existir, nossa ancestralidade, floresta, nossos rios, figuras conhecidas, e nossa forma de amar que componho. É uma influência direta sim, quando eu canto eu sinto o publico se identificando, me dando a certeza que toco os corações do meu público”, explicou ao Portal Amazônia.

Leia também: Bar Patrícia, o primeiro reduto LGBTQIAP+ de Manaus nos anos 70

Ella Viana no cenário nacional

Natural de Guajará-mirim, em Rondônia, a cantora Ella Viana construiu uma carreira musical que passou por diferentes fases e gêneros. Sua trajetória inclui participações em produções de alcance nacional e lançamentos autorais que marcaram momentos distintos de sua vida artística.

Ella Viana passou a ganhar destaque também por sua visibilidade como mulher trans no cenário musical brasileiro. Seus trabalhos mais recentes dialogam com novas propostas estéticas e sonoras, acompanhando transformações pessoais e profissionais.

Ella mantém relação forte com o Norte do país, seja por origem ou por referências culturais, integrando o conjunto de artistas trans que ampliam a diversidade da música brasileira.

Enme Paixão: som que cruza fronteiras

Enme Paixão é uma artista trans natural de São Luís, no Maranhão, conhecida por sua atuação como cantora, compositora, rapper e produtora cultural. Sua sonoridade mistura elementos do hip hop, afrobeat, reggae e ritmos tradicionais, refletindo referências culturais da região em suas letras e produções.

Ao Portal Amazônia, Emme explicou que sua sonoridade une a Amazônia e a cultura afrobrasileira, uma arte muito ligada ao estado do Maranhão:

“Eu sou uma artista que bebe do tambor, da ancestralidade, que vive e nasce no Maranhão, terra preta, terra indígena, terra amazônica. Ser fruto do maior quilombo urbano da América Latina é resumir minha sonoridade a todas essas influências. Pra ter noção, o quintal da casa onde eu cresci é o fundo do barracão do boi da floresta”.

Por seus trabalhos autorais e participações em festivais, Enme conquistou reconhecimento em circuitos nacionais e internacionais e já lançou projetos como o EP Movediça e o álbum Atabake, nos quais explora temáticas ligadas à identidade, ancestralidade e narrativa urbana.

Ariana Paes: DJ na cena eletrônica em Manaus

A DJ e criadora de conteúdo Ariana Paes nasceu em Manaus (AM) e atuan na cena eletrônica da cidade há vários anos. Sua trajetória inclui apresentações em festas e eventos locais, onde comanda sets que transitam por diferentes ritmos, refletindo a diversidade musical da capital amazonense.

Além da atuação como DJ, Ariana também é conhecida por sua visibilidade enquanto influenciadora e por integrar espaços culturais que ampliam a presença de artistas trans na música e na vida noturna da região.

Documentário é lançado por lideranças Yanomami com foco em ações de proteção na Terra Indígena; assista

0

Lideranças durante o VI Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana em novembro de 2025. Foto: Divulgação/ISA/Cama Leão

Lideranças indígenas lançaram nesta sexta-feira (30) um minidocumentário em que projetam o futuro das ações de proteção na Terra Indígena Yanomami. Disponível no YouTube, o filme de 19 minutos apresenta a ‘Carta de Surucucu’, documento que avalia as ações do governo federal em meio à crise humanitária no território.

O documentário, gravado durante o VI Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana na comunidade Kori Yauopë, na região de Surucucu, em novembro de 2025, reúne depoimentos de lideranças de ao menos quatro organizações indígenas que atuam na defesa dos direitos da população no território.

Leia também: Três anos da crise Yanomami: lideranças apontam o que ainda falta na maior terra indígena do país

Além das entrevistas com lideranças, o documentário reúne imagens inéditas do cotidiano em Surucucu. O anfitrião foi Waihiri Hekurari, presidente da associação Urihi Yanomami e conhecido por denunciar o garimpo ilegal no território.

“Nós, Yanomami e Ye’kwana, fizemos uma carta com a voz do nosso povo, uma flecha forte”, disse Hekurari, um dos porta-vozes dos Yanomami ao longo dos três anos de emergência humanitária.

A produção reúne ainda depoimentos de nomes como Davi Kopenawa e Dário Kopenawa, que representam a Hutukara Associação Yanomami, Júlio Ye’kwana, da Wanasseduume Ye’kwana e Carlinha Lins, da Associação de Mulheres Yanomami Kumirayoma.

O documentário também traz relatos de lideranças Ye’kwana da Venezuela, que participaram do evento para entender a organização dos indígenas do lado brasileiro. O filme é uma produção da Cama Leão e do Instituto Socioambiental (ISA), em parceria com as associações do Fórum de Lideranças.

terra indígena da etnia yanomami - documentários revelam detalhes da cultura
Terra Indígena Yanomami. Foto: Leonardo Prado/PGR

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Três anos de emergência

O lançamento coincide com o marco de três anos do decreto de emergência em saúde pública na terra indígena. Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) montou uma operação para reestruturar a saúde e expulsar garimpeiros. Agora, os indígenas avaliam a continuidade dessas ações.

Lideranças do território se reúnem anualmente em fórum que discute e define metas na proteção à maior terra indígena do Brasil. — Foto: Lucas Wilame/Rede Amazônica

“O presidente decretou situação de emergência para salvar a população Yanomami, para expulsar os garimpeiros”, diz Hekurari no filme, que mostra a destruição de equipamentos do garimpo. Apesar dos avanços da Casa de Governo a partir de 2024, as lideranças alertam que a operação não pode parar.

Assista o documentário:

*Com informações da Rede Amazônica RR

Aplicativo criado em Rondônia ensina sobre consumo de energia

O aplicativo permite simular o consumo de energia elétrica, ajudando o ensino de Física e a compreensão dos gastos na conta de luz. Foto:

Desenvolvido no campus de Ji-Paraná da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), o aplicativo Consumo de Energia Elétrica, integrante da plataforma educacional SimuFísica, tem se destacado como uma ferramenta de apoio ao ensino de Física e à compreensão do consumo de energia elétrica em residências. O simulador permite calcular o gasto energético de diferentes aparelhos, considerando elementos reais da fatura, como bandeiras tarifárias, impostos e taxa de iluminação pública.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Por meio do aplicativo, usuários podem visualizar a contribuição individual de cada equipamento no valor final da conta de energia, comparar cenários de uso e até estimar a quantidade de painéis solares necessária para suprir a demanda de um aparelho de ar-condicionado. Exemplos práticos mostram que uma lâmpada LED de 12 W ligada por 10 horas diárias pode representar um custo mensal em torno de R$ 3,00, enquanto um ar-condicionado de 12.000 BTU/h pode gerar um acréscimo superior a R$ 200,00 na fatura mensal.

O aplicativo foi desenvolvido pelo coordenador do projeto SimuFísica, professor Marco Polo Moreno de Souza, do Curso de Física de Ji-Paraná, e é destinado principalmente a professores e estudantes do Ensino Médio e da Licenciatura em Física, mas também pode ser utilizado por qualquer pessoa interessada em compreender melhor os impactos do uso de aparelhos elétricos no consumo de energia elétrica.

Leia também: Aplicativo gratuito ajuda agricultores do Amapá a combater praga em lavouras de mandioca

Atualização 

O simulador de Consumo de Energia Elétrica passou por uma reformulação a partir da versão 1.5.3, desenvolvida em colaboração com a então mestranda Cristiane Mara Oliveira, do Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF), Polo 05 (Ji-Paraná).

Na versão 2.0, o aplicativo foi completamente reestruturado, incorporando funcionalidades como a organização dos aparelhos por cômodos, salvamento das simulações no banco de dados do usuário, exemplos prontos de uso e a geração automática de faturas em PDF, incluindo impostos, taxa de iluminação pública e bandeiras tarifárias. A ideia da geração da fatura em PDF surgiu a partir de sugestão do egresso do Bacharelado em Física Rhakny Patryky Peixoto Araújo, colaborador eventual do projeto.

Aplicativo ensina sobre consumo de energia
Foto: Reprodução/UNIR

O que é o SimuFísica

A SimuFísica é uma plataforma educacional gratuita composta por cerca de 40 simuladores interativos de Física, que abrangem praticamente todas as grandes áreas da disciplina, como Mecânica, Óptica, Ondas, Termodinâmica, Eletromagnetismo e Mecânica Quântica.

A plataforma está disponível em 15 idiomas e pode ser acessada pelo endereço https://simufisica.com/, além de estar disponível nas principais lojas de aplicativos para dispositivos móveis. O aplicativo Consumo de Energia Elétrica é um dos simuladores que integram esse conjunto de ferramentas educacionais oferecidas pela plataforma.

Desenvolvimento e participação discente

A participação discente e a colaboração interdisciplinar são elementos centrais do projeto SimuFísica, reforçando seu caráter formativo, extensionista e inovador. O projeto conta com a participação ativa de discentes e egressos, que colaboram tanto no desenvolvimento quanto na divulgação e aplicação dos simuladores.

Entre as contribuições, destacam-se o desenvolvimento do simulador Gravitação 3D, por Juciane Gonçalves Maia (Licenciatura em Física); o simulador Interferência em Filmes Finos, por Bruno Oliveira Rufatto (Bacharelado em Física); e o aprimoramento do simulador Ondas, por Robson Danrlley Luiz Santos Ferreira de Oliveira, egresso de Engenharia Ambiental e Sanitária.

A egressa do MNPEF Lilian Noimam de Andrade, atualmente professora de Física do Ensino Médio em Cacoal, participou da aplicação do aplicativo Pêndulo Filmado, cujos resultados foram publicados no periódico Physics Education.

Leia também: Físico incentiva ações de popularização da ciência na região amazônica

Há também colaborações em outras frentes do projeto, como o aprimoramento do painel do administrador em PHP e MySQL, desenvolvido por Sabrina Cardoso Duarte (Engenharia Ambiental e Sanitária), e investigações em nível de Iniciação Científica.

Nesse contexto, destacam-se os trabalhos de Guilherme Henrique Hoffmann Pavão (Licenciatura em Física), que estuda a divisão de linhas espectrais via efeito Zeeman com o aplicativo Gerador de Equações de Bloch, e de Calina Grazielli Dias Barros, egressa de Engenharia Ambiental e Sanitária, que investigou estados quânticos circulares de Rydberg por meio do simulador Orbitais do Hidrogênio.

Houve ainda a participação da bolsista de Iniciação Científica Júnior Geovana Luiz Santos, que atuou na caracterização dos dados gerados pelo simulador Laboratório virtual: pêndulo simples.

*Com informações da UNIR

Base do primeiro campus fluvial do Brasil será construída no Amapá

0

A estrutura da base vai atender comunidades ribeirinhas da Amazônia. Foto:

O Instituto Federal do Amapá (Ifap) assinou no dia 27 de janeiro, durante evento em Macapá, a ordem de serviço para a construção da base terrestre do primeiro campus fluvial do Brasil. A estrutura vai atender comunidades ribeirinhas da Amazônia.

A base terá salas de aula, laboratórios e espaço administrativo, além de suporte tecnológico para a embarcação que fará parte do projeto. A obra está orçada em R$ 6 milhões e deve ser entregue em até seis meses. Cerca de 20 técnicos administrativos vão atuar na nova unidade.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O campus fluvial inédito conta com o apoio da bancada federal do estado, do ministro da Educação, Camilo Santana, e do presidente Lula.

No evento, o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, ressaltou a importância da iniciativa.

“Vai ser a primeira unidade no Brasil. De mais de 900 institutos federais distribuídos pelo país, o Amapá vai ter o primeiro Ifap Fluvial. Isso vai ser transformador, porque o estado tem relação direta com os rios, igarapés e lagos”, afirmou.

O reitor do Ifap, Romaro Antonio Silva, destacou que o campus fluvial é um projeto inovador e genuinamente amapaense.

“A expectativa é que em seis meses a empresa entregue o prédio, que vai dar suporte tecnológico à embarcação e, ao mesmo tempo, aproximar o Ifap da realidade dos ribeirinhos”, disse.

Leia também: Ifap apresenta projeto para construção de campus fluvial inédito na Amazônia

Base do primeiro campus fluvial do Brasil será construída no Amapá
Base terrestre dará suporte ao campus fluvial. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

Segundo ele, a base dará suporte estratégico e gerencial ao novo campus, com salas de aula, laboratórios e estrutura administrativa.

Segundo a reitoria, a iniciativa busca reduzir a evasão escolar, ampliar oportunidades e garantir cidadania em regiões remotas. A primeira embarcação equipada com salas de aula deve contar com:

  • Energia solar como principal fonte de eletricidade;
  • Sistema sustentável de coleta e tratamento de dejetos;
  • Atuação de 40 professores e 26 técnicos;
  • Até 800 matrículas por ano, com alternância nos atendimentos.

Concurso Público para atuação na base

O reitor do Ifap anunciou o lançamento do edital do concurso público para docentes com 19 vagas em áreas estratégicas, com salário inicial de R$ 6.180,86.

As inscrições começam em 6 de fevereiro e vão atender os campi de Macapá, Santana, Oiapoque, Porto Grande, Pedra Branca do Amapari, Laranjal do Jari e o polo de Tartarugalzinho, anunciado em 2024.

Repasse do MIDR

O ministro Waldez ressaltou ainda a transferência de R$ 9 milhões do Governo Federal para o Ifap, destinados a três projetos estratégicos:

  • Economia circular, com ações para transformar resíduos sólidos em renda e emprego;
  • Comunicação, com a criação de laboratórios voltados à formação de jovens em setores produtivos;
  • Qualificação em gás e petróleo, incluindo capacitação para a rede hoteleira e atendimento às demandas emergenciais do setor.

Cursos propostos para o Campus Fluvial

Formação Inicial e Continuada / Qualificação Profissional

  • Eletricista de Sistemas de Energias Renováveis
  • Redeiro de Pesca
  • Agricultor Familiar / Orgânico
  • Açaicultor
  • Assistente Financeiro
  • Agente de Desenvolvimento Cooperativista
  • Condutor de Turismo de Pesca
  • Agente de Informações Turísticas
  • Agente de Recepção e Reservas em Meios de Hospedagem

Cursos Técnicos – Forma Concomitante

  • Técnico em Recursos Pesqueiros
  • Técnico em Pesca
  • Técnico em Agricultura
  • Técnico em Cooperativismo
  • Cursos Técnicos
  • Técnico em Sistemas de Energia Renovável
  • Técnico em Recursos Pesqueiros
  • Técnico em Pesca
  • Técnico em Agricultura
  • Técnico em Fruticultura
  • Técnico em Cooperativismo
  • Técnico em Guia de Turismo

Cursos Superiores

  • Tecnologia em Produção Pesqueira
  • Pós-Graduação lato sensu
  • Energias Renováveis
  • Agroextrativismo Pesqueiro e Desenvolvimento Rural
  • Gestão de Recursos Naturais

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Rabada no tucupi: prato típico do Acre gerou curiosidade depois de ser tema de conversa no BBB 26

0

Rabada no tucupi foi tema de conversa no BBB26. Foto: Jhenyfer de Souza/Rede Amazônica AC

Uma conversa despretensiosa sobre comidas regionais dentro da casa do Big Brother Brasil (BBB 26) acabou colocando a culinária acreana em evidência. Durante um bate-papo na quinta-feira (29), os participantes Leandro e Marciele falavam sobre pratos típicos de diferentes regiões do país, e a rabada no tucupi, receita tradicional do Acre, ganhou destaque no reality.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O assunto surgiu quando Leandro comentava sobre a presença da rabada como comida comum em feiras de cidades do interior e também em Salvador, na Bahia. Na sequência, Marciele, que é paraense, relembrou uma experiência gastronômica vivida em Rio Branco.

Leia também: BBB 26: Marciele Albuquerque e Lívia Christina, as representantes da cultura no Norte

Segundo ela, foi no Acre que ela provou, pela primeira vez, a rabada preparada com tucupi e jambu, uma combinação tradicional da culinária amazônica.

“E olha que a gente usa o tucupi lá [no Pará] para tudo, né?! Mas a rabada no tucupi, o tucupi bem apurado com jambu, meu Deus, é muito bom. Eu ainda não tinha comido, a primeira vez que eu comi foi lá. Muito gostoso mesmo, é algo típico de lá [Acre] mesmo”, frisou.

Marciele também comparou a rabada no tucupi com outros pratos mais conhecidos feitos à base do caldo amarelo extraído da mandioca brava, como o pato no tucupi e preparações com peixes.

“Já vi pato no tucupi, peixe no tucupi, um monte de coisa no tucupi. Mas rabada foi a primeira vez que eu vi. E é muito gostoso. Muito mesmo”, complementou.

Leia também: Como usar o tucupi em 5 receitas da culinária da Amazônia

Rabada no tucupi

O prato é uma adaptação regional que une ingredientes tradicionais da Amazônia e que aparece com frequência em festas populares e eventos culturais no Acre, sendo servida com acompanhamentos típicos com arroz branco, farinha d’água e pimenta de cheiro.

No ano passado, o Acre marcou presença com a receita regional no 9º Salão do Turismo, realizado em agosto do ano passado em São Paulo.

Veja abaixo como se prepara o prato, segundo o livro de receitas da Universidade Federal do Acre (Ufac):

Ingredientes

  • 500 g de rabo bovino
  • 1,5 litros de tucupi
  • 10 maços de jambu
  • 1 cebola
  • 3 pimentas de cheiro
  • Sal, pimenta do reino, cheiro verde e chicória a gosto
  • 3 dentes de alho
  • Óleo de soja para refogar

Modo de preparo

  • Limpe bem o rabo bovino e tempere a gosto;
  • Cozinhe até ficar no ponto;
  • Em outra panela, ferva o tucupi;
  • Enquanto isso, em uma panela grande acrescente um pouco e óleo e refogue a cebola picada, o alho, as pimentinhas, a chicória e o cheiro-verde;
  • Acrescente o rabo bovino já cozido e deixe apurar;
  • Após o tucupi ferver bem, adicione-o à mistura da carne e ajuste o sal, se necessário;
  • Escalde o jambu à parte em água fervente e, por último, acrescente-o ao preparo;
  • Sirva com arroz.
Estabelecimentos do AC vendem rabada no tucupi na cuia, também usada para tomar tacacá
Estabelecimentos do AC vendem o prato típico regional na cuia, também usada para tomar tacacá. Foto: Hellen Monteiro/Rede Amazônica AC

*Por Renato Menezes, da Rede Amazônica AC

Seis dicas para aproveitar o Carnaval de rua em Macapá com segurança

0

Foto: Reprodução/Arquivo PMM

Do axé ao piseiro, do bloco de rua ao espaço infantil, a diversidade marca o Carnaval de rua e, em Macapá (AP), reúne todos os anos milhares de foliões em diferentes pontos da cidade, com blocos tradicionais, apresentações musicais, cortejos culturais e atividades abertas ao público.

A programação ocorre em vias públicas, praças e espaços próximos à orla do Rio Amazonas, atraindo moradores e visitantes interessados nas manifestações culturais locais. Para acompanhar os eventos de forma organizada, algumas orientações contribuem para uma experiência segura e tranquila durante os dias de festa.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Antes de sair de casa, é importante verificar a programação oficial divulgada pelos órgãos responsáveis. Essas informações costumam indicar horários, locais dos blocos, interdições de ruas e pontos de apoio. O acompanhamento dessas atualizações ajuda no planejamento do deslocamento e evita circulação em áreas não autorizadas ou fora do trajeto dos eventos. Confira dicas para aproveitar as festas:

Hidratação

Durante uma festa de carnaval de rua, a hidratação é um cuidado essencial. Macapá apresenta clima quente e úmido, e a exposição prolongada ao sol pode causar mal-estar. Recomenda-se consumir água regularmente ao longo do dia, mesmo sem sentir sede. Além da água, sucos naturais e água de coco ajudam na reposição de líquidos e sais minerais. Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas também contribui para manter o equilíbrio do organismo e reduzir riscos à saúde.

Alimentação

Outro ponto importante está relacionado à alimentação. Fazer refeições leves antes de sair para os blocos e optar por alimentos de procedência conhecida ajuda a evitar problemas gastrointestinais. Barracas autorizadas pela vigilância sanitária costumam ser identificadas e fiscalizadas, o que reduz riscos associados ao consumo de alimentos em locais improvisados.

Leia também: 13 pontos turísticos gratuitos para curtir em Macapá

Segurança

A segurança pessoal é um dos principais aspectos a serem observados no carnaval de rua. Utilizar roupas confortáveis, calçados fechados e adequados para longos períodos em pé facilita a locomoção e reduz o risco de quedas. Evitar portar objetos de valor, como joias, relógios caros e grandes quantias em dinheiro, é uma medida preventiva contra furtos. O uso de bolsas pequenas, doleiras ou mochilas à frente do corpo também auxilia na proteção de pertences.

Documentos pessoais podem ser levados em cópias ou versões digitais, quando possível. Celulares devem ser utilizados com atenção em locais de grande concentração de pessoas. Em caso de perda ou furto, é indicado procurar imediatamente um posto policial ou a delegacia mais próxima para registrar a ocorrência.

Pontos de encontro

Para quem participa dos eventos em grupo, combinar pontos de encontro previamente é uma estratégia útil em situações de desencontro. Em locais com grande fluxo de pessoas, a comunicação por telefone pode ficar comprometida, o que reforça a importância de estabelecer referências visuais conhecidas, como praças, monumentos ou prédios públicos.

blocos de Carnaval de rua Macapá
Carnaval de rua movimenta as principais vias das cidades no período festivo. Foto: Jéssica Alves/Acervo Rede Amazônica AP

Crianças e adolescentes somente com os responsáveis

Crianças e adolescentes podem participar de muitas festas que fazem parte do carnaval de rua, mas é preciso ficar atento ao acesso dos pequenos e eles devem sempre estar acompanhados pelos responsáveis, bem como estarem sempre identificados. As forças de seguranças orientam que durante as festas de carnaval de rua os menores estejam com pulseiras com nome e telefone de contato facilitando a localização em caso de separação. A orientação constante e a supervisão direta ajudam a prevenir situações de risco.

Mobilidade

Em relação à mobilidade urbana, o carnaval de rua costuma provocar alterações no trânsito e no transporte público. Algumas vias podem ser interditadas temporariamente, e linhas de ônibus podem operar com desvios ou horários especiais. Consultar previamente essas mudanças evita atrasos e transtornos. Sempre que possível, utilizar transporte coletivo ou serviços de transporte por aplicativo reduz o volume de veículos nas áreas de festa.

Emergências durante o carnaval de rua

Em situações de emergência, como acidentes, mal-estar ou ocorrências criminais, os foliões devem buscar ajuda junto aos órgãos de segurança e saúde presentes nos eventos. Normalmente, a programação conta com apoio da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e equipes de atendimento médico. Postos de atendimento costumam estar distribuídos nos principais pontos de concentração, com profissionais preparados para prestar assistência.

Caso a pessoa seja vítima ou testemunha de crime, a orientação é procurar imediatamente uma autoridade policial. Denúncias podem ser feitas presencialmente ou, em alguns casos, por meio de canais telefônicos oficiais disponibilizados pelas forças de segurança. O registro adequado contribui para a apuração dos fatos e para a adoção de medidas preventivas.

Outro cuidado relevante envolve o respeito às normas estabelecidas para os eventos. Evitar o uso de objetos cortantes, recipientes de vidro e materiais que possam causar ferimentos é uma medida comum em áreas de grande público. O cumprimento dessas regras auxilia na segurança coletiva e na continuidade das festividades.

O carnaval de rua em Macapá também é marcado pela diversidade cultural, com blocos que valorizam ritmos regionais, marchinhas e manifestações tradicionais do Amapá. A participação consciente, respeitando os espaços públicos, o meio ambiente e os demais foliões, contribui para a preservação dessas expressões culturais e para a convivência harmoniosa durante os dias de festa.

Com planejamento, atenção às orientações de segurança, cuidados com a saúde e conhecimento dos canais de apoio disponíveis, o público pode acompanhar o carnaval de rua de forma organizada, aproveitando a programação e os espaços da cidade durante o período festivo.

Macapá para o mundo ver

O projeto Macapá para o mundo ver é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM) que propõe ações
integradas de comunicação, educação e valorização cultural durante o aniversário da cidade e o carnaval de
rua. Conta com o apoio da Tratalyx e da Prefeitura de Macapá.

Porto de Santana registra recorde na exportação de grãos em 2025

0

O resultado consolida o período como um dos mais relevantes do Porto de Santana. Foto: Divulgação/CDSA

A exportação de grãos pelo Porto de Santana, no Amapá, registrou um crescimento expressivo em 2025. Segundo dados da Companhia Docas de Santana (CDSA), foram embarcadas 1.174.774 toneladas, o que representa um aumento de 34,1% em comparação com o ano anterior. O resultado consolida o período como um dos mais relevantes do porto.

Leia também: Porto de Santana registra crescimento de 13,5% na movimentação de cargas em 2025

Segundo os dados, o avanço foi impulsionado principalmente pela soja e pelo milho, que juntos superaram pela primeira vez a marca de 1 milhão de toneladas exportadas.

Comparativo:

  • Soja: crescimento de 61,8%, totalizando 568.199 toneladas
  • Milho: crescimento de 22,7%, alcançando 473.922 toneladas
Porto de Santana é o principal meio de escoamento de grãos do Amapá.
Porto de Santana é o principal meio de escoamento de grãos do Amapá. Foto: Reprodução/ Agência Amapá

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Investimentos no Porto de Santana

A companhia destacou que o recorde é resultado da combinação entre maior eficiência operacional, demanda aquecida no mercado externo e consolidação da infraestrutura logística.

O presidente da CDSA, Edival Tork, afirmou que os números refletem o planejamento e os investimentos realizados nos últimos anos.

“Tem se tornado constante nos últimos anos a realização de investimentos, sobretudo na melhoria da infraestrutura portuária, aliado ao planejamento e organização com que são conduzidas as ações dentro da CDSA. Isso resulta no aumento da confiança dos clientes que cada vez mais procuram o porto para realizar suas operações”, disse.

*Por Josi Paixão, da Rede Amazônica AP

Afundamento dos navios Jaguaribe e Andirá: um confronto com ribeirinhos em Óbidos

0

Imagem gerada por IA

A Revolução Paulista de 1932 teve reflexos diretos na Amazônia. A movimentação política nacional gerou tensão em várias regiões e, nos estados da Amazônia, o episódio ficou marcado pelo afundamento dos navios Jaguaribe e Andirá. O fato, ocorrido no município de Óbidos (PA), envolveu forças revolucionárias e legalistas, em um conflito que abalou a navegação e a segurança dos rios da região.

As comunicações entre as cidades amazônicas, feitas principalmente pelos rios, tornavam os navios peças centrais tanto para o transporte quanto para a estratégia militar. A notícia da rebelião paulista chegou com atraso, mas rapidamente ganhou força.

Em pouco tempo, parte das guarnições locais começou a se mobilizar O governo do Amazonas, estado fronteiriço a cidade paraense, reagiu com medidas de contenção.

Leia também: A batalha naval que aconteceu no Rio Amazonas

A partir de então, a região vivenciou momentos de incerteza. Tropas leais ao governo federal e grupos alinhados com os revoltosos entraram em confronto. O episódio de Óbidos se tornou um dos mais emblemáticos da história dos navios da Amazônia, reunindo civis e militares em um cenário de forte tensão política.

O historiador e artista Moacir Andrade, no livro ‘História, costumes e tragédias dos barcos do Amazonas’, narra o contexto, as ações e as consequências dessa tragédia fluvial, que marcou profundamente a história da navegação na Amazônia e a memória militar da região.

📲Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Contexto político e a chegada dos navios

Durante o período, o Brasil enfrentava grande instabilidade. Na região, a repercussão dos afundamentos dos navios em São Paulo dividiu opiniões e despertou temores de insurreição. O governo do estado, chefiado por interventores federais, mantinha vigilância constante sobre as embarcações que circulavam pelos principais rios.

O Jaguaribe, um dos navios mais conhecidos da região, estava a serviço da Amazon River Steam Navigation Company, empresa inglesa que dominava o transporte fluvial. E o Andirá, de propriedade da Amazon Telegraph Company, era igualmente importante. Ambos foram requisitados para fins militares.

Leia também: Acidente inevitável: a colisão entre as embarcações ‘Boa Viagem’ e ‘Avelino Alves’ no Amazonas

Em 1932, com o avanço dos rumores de revolta, forças legalistas foram enviadas para conter supostos focos de rebeldia. Os portos de Parintins, Itacoatiara, ambos no Amazonas, e Óbidos, no Pará, tornaram-se estratégicos.

A flotilha legalista, sob comando do capitão de corveta Mário de Oliveira, partiu em direção a Óbidos, onde circulavam informações de que rebeldes teriam tomado a cidade.

Quando a embarcação Jaguaribe se aproximou, os defensores locais resistiram. O confronto foi intenso, confirme a narrativa de Andrade, envolvendo tiros de canhão e fuzilaria. Segundo o relato do autor, a troca de disparos durou horas e resultou em grandes danos às embarcações e à população ribeirinha.

O combate e o afundamento

O Jaguaribe e o Andirá foram alvejados durante o confronto. As forças rebeldes, munidas de armas posicionadas às margens do rio, resistiram à aproximação dos legalistas. O tiroteio se intensificou quando as embarcações tentaram ultrapassar as defesas de Óbidos.

Em meio ao fogo cruzado, um dos projéteis atingiu o Jaguaribe, causando graves danos à estrutura. A embarcação começou a adernar e, em pouco tempo, afundou parcialmente. O Andirá, que estava logo atrás, também foi atingido e teve o mesmo destino. O rio Amazonas, naquele trecho, tornou-se palco de uma das maiores tragédias fluviais da época.

Os tripulantes, em desespero, tentaram se salvar com o auxílio de canoas e jangadas. Parte dos soldados conseguiu alcançar a margem, enquanto outros desapareceram nas águas. A destruição dos navios representou uma grande perda para a logística regional e para a segurança dos transportes local

O livro relata ainda que a cidade de Óbidos ficou em estado de alerta por dias. Os combates deixaram dezenas de mortos e feridos, entre civis e militares. Após o episódio, o governo federal determinou o envio de reforços para restabelecer a ordem.

Leia também: Purus e Arary: a colisão em 1870 que marcou a história fluvial da Amazônia

Repercussões e registros históricos

O afundamento dos navios teve grande repercussão na região. As embarcações Jaguaribe e Andirá simbolizavam o poder da navegação fluvial e eram vistas como pilares do transporte e da comunicação regional. Sua destruição marcou o fim de uma era em que os grandes vapores dominavam os rios amazônicos.

Moacir Andrade destaca que a tragédia foi resultado de ordens militares mal coordenadas e da falta de informações precisas sobre a real situação política em Óbidos. O episódio passou a ser lembrado não apenas como um fato bélico, mas também como um alerta sobre os riscos da guerra em território amazônico.

Com o passar do tempo, o local do afundamento tornou-se ponto de referência histórica. Pescadores e navegadores da região relatavam a presença de destroços dos navios sob as águas, que ainda podiam ser vistos em determinados períodos de estiagem.

imagem aérea da cidade de Óbidos no Pará
Foto: Reprodução/Prefeitura de Óbidos

Memória e legado fluvial

O registro feito por Moacir Andrade preserva a memória desse episódio, que uniu política, guerra e tragédia em pleno coração da Amazônia. O autor enfatiza que o rio Amazonas, palco de tantos ciclos econômicos e sociais, também foi cenário de confrontos armados que deixaram marcas profundas.

O afundamento do Jaguaribe e do Andirá representa um dos capítulos mais dramáticos da história naval brasileira na região Norte. Ele evidencia a importância estratégica dos rios amazônicos e o impacto das decisões políticas nacionais sobre as populações ribeirinhas.

Ainda hoje, o episódio é lembrado como símbolo de resistência e como parte da identidade histórica de Óbidos e do rio Amazonas. A força dos rios, os riscos da navegação e a memória dos que perderam a vida nesses conflitos permanecem como lembranças vivas de um passado que moldou a trajetória da Amazônia fluvial.