Projeto consiste na criação de um kit de energia solar portátil. Foto: Andressa Vaz
Um projeto de pesquisa orientado por professores e executado por alunos do Instituto Federal do Amapá (Ifap) foi o vencedor do 31º Prêmio Jovem Cientista, na categoria Ensino Superior, edição 2025. A iniciativa contou com o apoio do Governo do Estado e se destaca pelo caráter sustentável e inovador.
O projeto consiste na criação de um kit de energia solar portátil desenvolvido para atender castanheiros da Amazônia. A proposta surgiu da necessidade de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores extrativistas, substituindo motores a diesel por uma alternativa limpa. O kit supre necessidades básicas, como iluminação noturna, preparo de alimentos e comunicação, contribuindo para melhores condições de trabalho na floresta.
O orientador do projeto e docente do Ifap – Campus Laranjal do Jari, Diego Armando Silva da Silva, destacou a importância do reconhecimento para a pesquisa desenvolvida no Amapá.
“Receber esse prêmio representa o reconhecimento institucional da pesquisa realizada na Amazônia. Grande parte da produção científica ainda está concentrada nos grandes centros e enfrentamos muitos desafios. Esse prêmio evidencia a ciência produzida no Amapá e sua relevância nacional. Valoriza um modo de fazer ciência enraizado na realidade local, junto às comunidades”, afirmou o professor.
Foto: Andressa Vaz
O kit de energia solar foi um dos projetos participantes do Programa Doutor Empreendedor, promovido pelo Governo do Estado e executado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Amapá (Fapeap). O programa facilita a transferência do conhecimento acadêmico para o mercado, estimulando a criação de produtos e serviços inovadores.
Kit propõe solução real
O diretor-presidente da Fapeap, Gutemberg Silva, ressaltou que a iniciativa busca soluções concretas para os desafios regionais.
“O programa demonstra que o conhecimento produzido pela pesquisa pode e deve gerar soluções reais para a sociedade. Ao incentivar pesquisadores a empreenderem, o Doutor Empreendedor aproxima a ciência das comunidades e do território”, destacou o gestor.
Gutemberg ressaltou, ainda, que o apoio a programas como este integra uma política pública de valorização da ciência.
“O Governo do Amapá entende a ciência e a tecnologia como eixos estratégicos para o desenvolvimento. Ao apoiar o Doutor Empreendedor, o Estado reafirma o compromisso em incentivar soluções inovadoras e promover um futuro mais justo para a população”, completou.
O projeto dialoga com os princípios da Amazônia 4.0 e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). A próxima etapa prevê o aprimoramento do equipamento para ampliar a eficiência e expandir os benefícios às comunidades extrativistas.
No início do mês de fevereiro se celebra o Dia Mundial de Combate ao Câncer, dia 4, e com isso, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) reforça a relevância da conscientização, da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso oportuno ao tratamento contra a doença.
Entre os principais fatores de risco, aponta a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), destacam-se:
o tabagismo,
o consumo de álcool,
o excesso de peso,
a alimentação inadequada,
a inatividade física,
a poluição atmosférica
e infecções oncogênicas, como o papilomavírus humano (HPV) e as hepatites virais.
Segundo análise da Gerência de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis (GVDANT) da Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, com base em dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), o Amazonas registrou 20.948 mortes por câncer entre 2021 e 2025. A idade média foi de 62 anos, e 61% dos óbitos ocorreram em pessoas com 60 anos ou mais.
A mortalidade foi semelhante entre homens e mulheres, com leve predominância feminina (50,9%). No período, as taxas de mortalidade por câncer apresentaram crescimento, passando de 9,15 em 2021 para 15,62 em 2025, o que representa um aumento de 70,71%.
A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca que fatores de risco ligados ao estilo de vida, como falta de atividade física, alimentação inadequada, excesso de peso, consumo de álcool e tabaco, além de sono insuficiente, influenciam diretamente o desenvolvimento de doenças crônicas.
”Esses mesmos fatores estão associados a problemas como hipertensão, diabetes e outras doenças metabólicas, o que mostra que as ações de prevenção são integradas e se reforçam mutuamente”, esclarece.
Para a gerente de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (GVDANT) da FVS-RCP, Anny Antony, fortalecer ações de promoção da saúde, ampliar a conscientização da população, estimular hábitos mais saudáveis ao longo do curso de vida e promover o rastreamento e o cuidado oportuno no SUS são medidas fundamentais.
“Pequenas escolhas feitas no cotidiano, como se movimentar mais, cuidar da alimentação, dormir melhor e buscar os serviços de saúde no tempo certo, fazem diferença real na redução do câncer e de outras doenças crônicas. Informação salva vidas, e a prevenção começa antes do adoecimento”, destaca.
Pesquisa Nacional de Saúde no combate ao câncer
No Brasil, o monitoramento dos fatores de risco para doenças crônicas é realizado pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) do Ministério da Saúde, principal inquérito nacional sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis.
Em 2024, foram feitas 27.048 entrevistas nas capitais brasileiras, mostrando alta exposição da população a fatores associados ao risco de câncer, como excesso de peso, identificado em 62,6% dos adultos, e obesidade, presente em 25,7% dos entrevistados.
Foto: Divulgação/FVS-RCP
O inquérito também apontou baixa prática de atividade física no lazer (42,3%), além da manutenção de comportamentos pouco saudáveis, como consumo de álcool, alimentação de baixa qualidade nutricional e sedentarismo. Outro fator de alerta foi o sono insuficiente, observado em até um em cada quatro adultos, condição relacionada ao aumento do risco metabólico e inflamatório.
Na Região Norte, cerca de 7 mil pessoas participaram do levantamento, sendo aproximadamente 1.000 em Manaus, com perfil semelhante ao nacional. Destacam-se a alta prevalência de excesso de peso, especialmente entre mulheres, além do sedentarismo, maior tempo de exposição a telas e descanso insuficiente.
Esse cenário contribui para maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de doenças crônicas e se reflete na mortalidade, concentrada principalmente em cinco tipos de câncer: estômago, pulmão, colo do útero, mama e próstata que, juntos, respondem por 43% das mortes por neoplasias no Amazonas.
Está proibida, até o dia 1º de abril, a exploração florestal sustentável em Mato Grosso. A medida busca proteger o solo dos impactos da retirada da madeira na estação chuvosa, além de minimizar as consequências do transporte pesado dentro das florestas.
O período proibitivo, que ocorre todos os anos, começou no dia 1º de fevereiro. A restrição abrange o corte, derrubada, arraste ou transporte de toras.
Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), cerca de 6% do território mato-grossense é atingido pela restrição, o que corresponde a 52 mil quilômetros quadrados de áreas que possuem Planos de Manejo Florestal Sustentável autorizados pelo órgão.
Em alguns municípios do Noroeste de Mato Grosso, na região amazônica, onde as chuvas são mais intensas, a proibição se estende até maio. As cidades afetadas são Aripuanã, Castanheira, Colniza, Cotriguaçu, Juína, Juruena e Rondolândia.
Proibição da exploração de madeira precisa ser respeitada
Foto: Divulgação/Imazon
A norma está prevista em resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e regulamentada pela Câmara Técnica Florestal de Mato Grosso por meio da Resolução nº 10/2017, que estabelece o período proibitivo para a exploração sob o regime de Manejo Florestal Sustentável de Baixo Impacto.
Só é permitido emitir a guia florestal e transportar o volume das espécies de madeira que foram estocadas nas esplanadas e cadastradas no Sistema Sisflora antes do início da proibição, ou após o término, em 1º de abril.
Conforme a superintendente de Gestão Florestal da Sema, Tatiana Paula Marques de Arruda, respeitar esse período é essencial para manter o equilíbrio entre o desenvolvimento ambiental, econômico e social.
“O período proibitivo se refere a época chuvosa, em que não há viabilidade para exploração. A restrição estabelecida nesse momento, garantirá uma exploração mais sustentável, reduzindo o impacto ambiental causado pela movimentação de veículos pesados na floresta e assegurando a conservação da vegetação”, afirma.
Expedição para mulheres ao Monte Roraima. Foto: Divulgação/Roraima Adventures
Uma expedição exclusiva para mulheres vai levar um grupo ao Monte Roraima a partir do dia 10 de março. O roteiro inclui trilhas até o topo da montanha, passagem por pontos tradicionais como o Vale dos Cristais e o Lago Gladys, além de dias de imersão no platô.
Para ir ao Monte Roraima é necessário sair de Boa Vista (RR) e passar por comunidade indígena na Venezuela. O topo do monte fica no país vizinho.
Expedição é promovida pela empresa Roraima Adventurese é a terceira edição voltada apenas ao público feminino é realizada. O pacote custa R$ 7.850 por pessoa. Para que haja a expedição é necessário um grupo de, pelo menos, cinco participantes. O valor inclui:
Transporte terrestre de Boa Vista até a comunidade indígena de Paraitepuy (ida e volta);
Uma diária de hospedagem em Santa Elena de Uairén;
Alimentação completa durante o trekking;
Equipamentos coletivos de camping (barracas compartilhadas, cozinha e utensílios);
Guia de trilha;
Equipe de apoio e logística;
Taxas de entrada nas comunidades indígenas;
Kit de primeiros socorros.
Monte Roraima (RR). Foto: Divulgação
A viagem tem duração de até 10 dias e começa em Boa Vista, com deslocamento terrestre até Santa Elena de Uairén, na Venezuela. De lá, o grupo segue até a comunidade indígena de Paraitepuy, onde se inicia o trekking (modalidade de caminhada de longa duração, realizada em ambientes naturais como montanhas, trilhas e regiões remotas, geralmente durando vários dias).
O Monte Roraima é uma montanha com cerca de dois bilhões de anos e 2.734 metros de altitude. Ele fica na fronteira entre três países: Venezuela (80%), Guiana (15%) e Brasil (5%). A formação rochosa tem formato de mesa, conhecida como tepui, e está entre os destinos turísticos mais procurados da região. O acesso ao local ocorre por Roraima.
Ao longo do percurso, as participantes passam por acampamentos na base do Monte Roraima, fazem a subida até o topo e permanecem cinco noites explorando diferentes áreas da montanha.
Durante a permanência no topo, estão previstos trajetos até o Vale dos Cristais, o Ponto Triplo — marco que delimita as fronteiras entre Brasil, Venezuela e Guiana —, o Lago Gladys, além de piscinas naturais, mirantes e formações rochosas conhecidas da região.
São dois dias de trilha até chegar ao topo do monte. As caminhadas variam de 4 a 8 horas por dia, em trilhas consideradas de nível médio a difícil, com terrenos irregulares e variações de temperatura que podem chegar a 0°C.
Custo da viagem ao Monte
O pagamento pode ser feito à vista, por transferência bancária ou Pix, ou em até oito vezes no cartão de crédito. O valor está sujeito a alterações.
Ficam fora do valor itens como passagens aéreas, transporte entre aeroporto e hotel em Boa Vista, hospedagem e alimentação na capital, seguro-viagem e equipamentos de uso pessoal, como mochila cargueira, saco de dormir, isolante térmico e barraca individual.
O seguro-viagem é recomendado, mas deve ser contratado separadamente pela participante.
Há ainda serviços e itens opcionais pagos à parte, como barraca individual durante toda a expedição, carregador pessoal, locação de mochila cargueira, saco de dormir e colchonete, além da possibilidade de hospedagem individual em Santa Elena de Uairén.
A organização informa que o trekking não exige técnicas de escalada, mas demanda preparo físico devido às longas caminhadas e às condições do terreno.
Para brasileiras, é necessário apresentar RG original, certificado internacional de vacinação contra febre amarela e comprovante de vacinação contra a Covid-19. A recomendação é também portar passaporte válido.
A Roraima Adventures atua há mais de duas décadas no turismo de natureza em Roraima, especialmente nos segmentos de ecoturismo, aventura e expedições ao Monte Roraima. Ao longo desse período, a empresa estruturou roteiros voltados a experiências imersivas em ambientes naturais, com foco em turismo responsável e sustentabilidade ambiental, o que rendeu reconhecimento regional e nacional no setor.
O Amazonas aparece entre os estados mais ameaçados pelo desmatamento na Amazônia em 2026. Segundo dados da plataforma de inteligência artificial PrevisIA, 1.000 km² do território amazonense estão sob risco de devastação — o que representa 18% de toda a área ameaçada na região.
No estado, dois municípios do sul do Amazonas que compõem a região conhecida comoAmacro, estão no ranking das 10 cidades na situação mais crítica apontadas pelo previsIA. Os municípios citados são: Apuí e Lábrea.
Amacro é um espaço considerado como a junção de uma das fronteiras da Amazônia, entre o Amazonas, Acre e Rondônia. É um conceito elabora por um estudo do Greenpeace Brasil feito com imagens de satélite que identificaram uma área de desmatamento envolvendo três estados do Norte do Brasil, onde foram identificados, planos de manejo florestal desmataram milhares de hectares de terras públicas. A região passou a ser conhecida como a Fronteira do Desmatamento.
Imagem mostra em mapa onde é região conhecida como “Amacro”, acrônimo para região identificada pelo Greenpeace. Foto: Reprodução/ Rede Globo
No total, a PrevisIA calcula que 1.686 km² da Amazônia estarão sob risco muito alto ou alto em 2026, o que corresponde a 31% do total. Outros 1.056 km² (20%) aparecem em risco moderado e 2.759 km² (50%) em risco baixo ou muito baixo.
No Amazonas, a pressão se concentra em áreas de expansão agrícola e próximas a estradas. Desde 2020, cerca de 95% do desmatamento ocorre a até 5,5 km de uma via de acesso.
“A análise estadual é fundamental para que os órgãos competentes possam atuar em defesa da floresta. No caso do Amazonas, os municípios de Apuí e Lábrea são estratégicos para conter o avanço da devastação”, afirma Alexandra Alves, pesquisadora do Imazon.
Pressão sobre terras indígenas e unidades de conservação
Além dos municípios, o Amazonas também possui terras indígenas e unidades de conservação estaduais entre as áreas mais ameaçadas.
O levantamento mostra que 357 km² estão sob risco em territórios indígenas e outros 598 km² em unidades de conservação, reforçando a necessidade de atuação local
O que é a PrevisIA
Lançada em 2021 pelo Imazon em parceria com a Microsoft e o Fundo Vale, a PrevisIA é uma plataforma que utiliza a inteligência artificial para indicar áreas sob risco de desmatamento na Amazônia. E, com isso, fornecer dados para evitá-lo.
Sua metodologia analisa um conjunto de variáveis como a presença de estradas legais e ilegais, o desmatamento já ocorrido, as classes de territórios, a distância para áreas protegidas, os rios, a topografia, a infraestrutura urbana e informações socioeconômicas.
“A ferramenta também possibilita análises municipais, favorecendo a adoção de políticas públicas pelas secretarias de meio ambiente e demais órgãos ligados às prefeituras na proteção da floresta”, explica Alexandra Alves, pesquisadora do Imazon.
CUFA amplia acesso ao esporte e cultura em 2026. Foto: Divulgação
A Central Única das Favelas (CUFA) abriu inscrições para aulas gratuitas de ballet, jazz, jiu-jítsu e tênis de mesa, voltadas para crianças, jovens e adultos, em Manaus (AM).
As atividades são voltadas para crianças, jovens e adultos e têm como objetivo ampliar o acesso da comunidade ao esporte e à cultura. Os interessados podem se inscrever pelo telefone (92) 93300-4782.
As aulas têm vagas limitadas e acontecem em dias diferentes da semana. Veja as vagas abaixo:
Ballet: a partir de 12 anos, às segundas-feiras, das 19h às 21h;
Jazz/Contemporâneo: a partir de 12 anos, às quartas ou sextas-feiras, das 19h às 21h;
Ballet Infantil: crianças de 6 a 11 anos, aos sábados, das 10h às 11h.
No esporte, a instituição passou a oferecer treinos de jiu-jítsu e tênis de mesa em parceria com o Instituto Paradesportivo do Amazonas (IPA). As aulas atendem turmas infantis e adultas e acontecem às segundas e quartas-feiras, das 13h às 17h, na sede da CUFA.
Segundo a vice-presidente da central no Amazonas, Fabiana Carioca, o objetivo é ampliar o acesso de comunidades a oportunidades que muitas vezes não estão disponíveis.
Já o presidente da instituição, Alexey Ribeiro, afirma que a meta para este ano é incluir também o basquete adaptado, fortalecendo a participação de pessoas com deficiência.
“As novidades de 2026 representam mais um passo na construção de oportunidades reais, no fortalecimento da cidadania e na formação de campeões para a vida, por meio da cultura e do esporte”, afirma Alexey Ribeiro, presidente da CUFA Amazonas.
Cena do curta-metragem ‘Beira’. Foto: Divulgação/Curta-metragem ‘Beira’
O curta-metragem rondoniense ‘Beira‘, produzido em Porto Velho (RO), foi selecionado para integrar a programação do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, na França, considerado o maior evento do mundo dedicado ao cinema curto.
O filme foi exibido no dia 5 de fevereiro, na Sessão do Mercado “Brésil 2”, ao lado de outras quatro produções brasileiras.
Dirigido pela cineasta Marcela Bonfim, Beira está entre os cinco curtas escolhidos em todo o país para representar o Brasil no Marché du Court Métrage, espaço do festival voltado à circulação e difusão de obras audiovisuais no mercado internacional.
O festival, criado em 1979, é hoje o maior do mundo no formato curta-metragem e o segundo maior evento cinematográfico da França em público e presença profissional, atrás apenas do Festival de Cannes.
Beira conta a história de Eva, uma mulher negra e lésbica que retorna a Porto Velho após anos afastada para cuidar da antiga casa da avó, Dona Dora. No reencontro com a cidade, a personagem lida com memórias, afetos e conflitos, em um território que a acolhe e, ao mesmo tempo, a rejeita.
A narrativa aborda temas como pertencimento, memória e resistência a partir das margens da capital rondoniense, com uma estética que dialoga com o cinema negro, o realismo poético e a espiritualidade.
Foto: Divulgação/Curta-metragem ‘Beira’
Para Marcela Bonfim, a exibição do curta em festivais nacionais e internacionais representa a valorização de narrativas historicamente invisibilizadas.
“Ocupar os espaços onde as narrativas acontecem é fundamental para marcar a nossa própria existência, sobretudo quanto lugar é uma terra como Rondônia, uma terra forte, cheia de histórias e legados ainda negligenciados pelo próprio país. É simplesmente iluminar uma potência que sempre esteve ali e agora se expande pro mundo”, disse.
Antes da exibição na França, Beira integrou a programação da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, no Cine Praça. A exibição marca a estreia nacional do curta.
Estudantes vivenciam de perto a realidade dos empreendimentos voltados à fauna no Parque Mangal das Garças em Belém. Foto: Marjorie Brito/OS Pará 2000
O Parque Zoobotânico Mangal das Garças é um dos maiores pontos turísticos e de conservação em Belém (PA). Além disso, o complexo é referência internacional em diversas pesquisas, como na reprodução de borboletas e na reprodução de guarás.
Como um grande polo de diversidade de flora e fauna, o complexo possui parcerias com algumas universidades, como a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), para visitas técnicas de alunos da graduação e da pós-graduação.
Rebecca Vasconcelos é mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal (PPGCAN) da UFPA e conta sua experiência como visitante:
“Os responsáveis (biólogos e médicos-veterinários) fazem um trabalho maravilhoso com os estudos que já possuem principalmente com os passeriformes, que são os animais centrais e que chamam a atenção nesse ponto turístico de Belém. Eu não sou da área de animais silvestres, sou engenheira de pesca, mas é sempre bom e válido entender tudo o que nos rodeia, como é visto no mangal. Experiência única que a universidade proporcionou, juntamente com a colaboração das nossas professoras e da equipe do mangal. Gostei bastante”.
Foto: Marjorie Brito / OS Pará 2000
O Parque é constantemente um local escolhido para o aprendizado de discentes que têm grade curricular ou alguma atividade relacionada a zoológicos. O biólogo Basílio Guerreiro participa diretamente das visitas, guiando e tirando dúvidas dos estudantes.
“As atividades são relacionadas com a grade curricular da disciplina que os alunos estão estudando. Por exemplo, se a disciplina é ‘Animais Silvestres, Produção e Conservação’, o professor repassa o tópico que será importante ser visto na visita. Neste caso, falamos como é o processo de manejo dos animais em cativeiro, como é a dieta, os cuidados com a saúde e uma parte fundamental, que é o gerenciamento de estresse. Apresentamos os programas de enriquecimento ambiental aplicados no mangal. Em uma das últimas visitas, os alunos tiveram a oportunidade de ver a aplicação e as respostas dos animais”.
A equipe técnica do parque segue todos os protocolos de segurança para o cuidado com os visitantes. Na maioria dos casos, os discentes não realizam contato direto com a fauna por questões de segurança sanitária. Caso cursem ou estejam relacionados a atividades médicas, os discentes precisam estar com as vacinas em dia e, depois, realizam as atividades com os profissionais do Mangal no auxílio.
Brenda Braga é professora bióloga, pós-doutoranda em Ciência Animal, e compartilha que, desde que era aluna da graduação, participou de visitas técnicas no Complexo, o que lhe permitiu ampliar seus conhecimentos de maneira prática, além de contribuir diretamente para seu crescimento acadêmico.
Como professora, conta que esse tipo de experiência proporciona uma vivência muito relevante para os alunos: “Eles vivenciam de perto a realidade dos empreendimentos voltados à fauna em nossa região, além de observar o trato e o manejo de animais silvestres, sempre respeitando o bem-estar animal. Essa vivência contribui para o desenvolvimento de uma visão mais crítica e profissional, o que reforça a importância desse tipo de ação na formação acadêmica, ao preparar os estudantes para os desafios reais da atuação profissional e estimular a consciência ambiental”, explica.
Foto: Marjorie Brito / OS Pará 2000
A doutoranda em Ciência Animal, pelo PPGCAN/UFPA, Cristiany Nonato afirma que o Mangal é um verdadeiro laboratório a céu aberto.
“Conseguimos ver a ciência fora do papel e entender, na prática, como funciona o manejo e a recuperação da fauna, além da preservação do ecossistema de várzea em plena área urbana. Destaco que a visitação da qual participei foi muito enriquecedora para a nossa formação profissional, porque possibilita aprendizado na prática, unindo teoria, experiência e contato direto com a natureza. Vale ainda ressaltar que a equipe técnica e gestora do Mangal é maravilhosa e muito competente”.
Serviços no Mangal das Garças
Para realizar o agendamento de visitas técnicas ao Parque Zoobotânico Mangal das Garças, é necessário mandar email para: infomangal@para2000.com.br. O Mangal funciona de terça a domingo das 8h às 18h.
A queda na derrubada da Amazônia observada nos últimos três anos precisa continuar para que o Brasil chegue a 2030 com a meta de desmatamento zero cumprida. Por isso, é essencial que as ações de proteção da floresta sejam direcionadas às áreas mais ameaçadas, desafio que pode contar com a tecnologia como aliada.
Nos últimos cinco anos, a plataforma de previsão de desmatamento por inteligência artificial PrevisIA tem indicado os territórios com maior risco de perda florestal com assertividade média de 68% a até 4 km das áreas apontadas. Para 2026, a ferramenta indicou que 5.501 km² estão sob risco de desmatamento na Amazônia.
O objetivo da plataforma é auxiliar ações de proteção da floresta. Ou seja: evitar a derrubada estimada.
“A assertividade da PrevisIA reduziu em 2025 com a queda do desmatamento, o que foi muito positivo para o Brasil, país anfitrião da COP30. Além disso, se tivermos acesso aos dados sobre as áreas onde ocorreram as operações de combate ao desmatamento em 2025, poderemos estimar o quanto de floresta foi efetivamente poupada, fornecendo evidências irrefutáveis de que as intervenções conseguiram evitar a destruição”, afirma Carlos Souza Jr., coordenador do programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, instituto de pesquisa que criou a ferramenta.
Mapa mostra áreas sob cinco categorias de risco de desmatamento: muito alto, alto, moderado, baixo e muito baixo. Imagem: Divulgação/Imazon
Além de indicar as áreas, a ferramenta ainda as classifica conforme cinco categorias de risco: muito alto, alto, moderado, baixo e muito baixo.
“O objetivo dessa classificação é fornecer informações detalhadas do risco de desmatamento para governos, setor privado e sociedade em geral, para apoiar ações preventivas. No final do ano, queremos que a PrevisIA erre a previsão. Ou seja: que essas florestas e seus serviços ambientais sejam protegidos e as emissões de carbono sejam evitadas”, completa Souza Jr.
Para 2026, a PrevisIA indicou que 1.686 km² de floresta estão sob risco muito alto ou alto de desmatamento, o que representa 31% do total. Outros 1.056 km² (20%) estão sob ameaça moderada e 2.759 km² sob risco baixo ou muito baixo (50%). “Evitar a derrubada nessas áreas pode inclusive viabilizar mecanismos de finanças florestais para pagamentos por desmatamento evitado na Amazônia”, indica o pesquisador.
A estimativa da ferramenta segue o chamado “calendário do desmatamento”, que vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte, assim como os dados oficiais do governo federal. Conforme o Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram devastados 5.112 km² entre agosto de 2024 e julho de 2025, o que representa uma queda de 18% em relação ao período anterior.
“Além de analisar o risco de desmatamento com a PrevisIA, acompanhamos também como as estradas estão avançando na Amazônia, já que costumam abrir caminho para novas derrubadas. Inclusive, já conseguimos estimar onde há risco de novas estradas surgirem, o que ajuda a antecipar áreas de risco do desmatamento. Esse modelo de risco de expansão de estradas foi publicado recentemente na revista científica PNAS, e todos esses dados já estão disponíveis ao público no site previsia.org.br“, afirma Stefany Pinheiro, cientista de dados da plataforma.
Desde 2020, a análise espacial mostra que o desmatamento ocorre majoritariamente próximo às vias de acesso, com cerca de 95% da derrubada concentrada a até 5,5 km de distância de uma estrada. “Isso evidencia a forte associação entre abertura de estradas e o avanço do desmatamento na Amazônia, reforçando a importância de monitorar essa dinâmica para antecipar as áreas sob maior pressão”, completa Pinheiro.
Pará, Amazonas e Mato Grosso representam 72% do risco
A PrevisIA também indica a área sob risco de desmatamento em cada estado da Amazônia, dividida por classe de risco. Para 2026, Pará (36%), Amazonas (18%) e Mato Grosso (18%) lideram o ranking. Apenas os três concentram 72% de todo o território ameaçado na Amazônia, somando 4.049 km² sob risco.
“A análise estadual é importantíssima para que os órgãos competentes possam atuar em defesa da Amazônia. No Pará, por exemplo, o Imazon possui parceria com o Ministério Público Estadual (MPPA) e com a Defensoria Pública do Estado (DPE-PA) para usar a PrevisIA em ações de prevenção ao desmatamento em solo paraense”, explica Alexandra Alves, pesquisadora do Imazon.
“A ferramenta também possibilita análises municipais, favorecendo a adoção de políticas públicas pelas secretarias de meio ambiente e demais órgãos ligados às prefeituras na proteção da floresta”, completa Alves.
Para 2026, apenas os 10 municípios com maior área sob risco de desmatamento concentram 20% de toda a área ameaçada na Amazônia. Metade deles está no Pará, dois no Amazonas, dois em Mato Grosso e um em Rondônia.
Os líderes do ranking são os paraenses São Félix do Xingu e Altamira, municípios historicamente ligados à expansão do desmatamento na Amazônia. Além deles, as cidades amazonenses de Apuí, que ficou em quarto lugar, e de Lábrea, em sexto, chamam a atenção por se localizarem na Amacro, região de expansão agrícola na divisa do Amazonas com o Acre e Rondônia.
Dez terras indígenas concentram 44% do risco de desmatamento
Para 2026, a PrevisIA estimou 357 km² sob ameaça de devastação em territórios indígenas, sendo 44% apenas nas 10 mais ameaçadas. A liderança do ranking ficou com a Terra Indígena Kayapó, no Pará, com 31 km² sob risco. Em 2024, o território possuía a maior área de garimpo ilegal na Amazônia, segundo o MapBiomas. Por isso, em julho de 2025, o governo federal iniciou uma operação de desintrusão no território. “Ações como essa podem impedir o avanço do desmatamento ilegal no território e são necessárias para as outras terras indígenas que estão entre as mais ameaçadas da Amazônia”, afirma Souza Jr.
Além do Kayapó, outros cinco territórios indígenas paraenses possuem as maiores áreas sob risco de derrubada: Parque do Xingu (que também possui parte da área em Mato Grosso), Apyterewa, Alto Rio Guamá, Cachoeira Seca e Munduruku. Isso faz o e\Estado ser o mais crítico para a proteção dos povos originários e suas florestas na Amazônia, segundo a PrevisIA. Amazonas, Mato Grosso, Roraima e Maranhão também possuem terras indígenas entre as 10 mais ameaçadas.
Unidades de Conservação Estaduais possuem maior risco de devastação
A PrevisIA também indicou 598 km² de desmatamento em unidades de conservação, sendo 339 km² (57%) em áreas estaduais, 246 km² em federais (41%) e 12 km² em municipais (2%). “Esse dado reforça a necessidade dos estados atuarem fortemente na proteção desses territórios, com foco nos mais ameaçados”, comenta Pinheiro.
Apenas as 10 unidades de conservação sob maior ameaça na Amazônia concentram quase metade de todo o risco de desmatamento dentro desses territórios, segundo a PrevisIA. A liderança do ranking ficou com a APA Triunfo do Xingu, no Pará, e com a Resex Chico Mendes, no Acre, ambas que figuram há anos entre as mais desmatadas na Amazônia.
Conheça a ferramenta
Lançada em 2021 pelo Imazon em parceria com a Microsoft e o Fundo Vale, a PrevisIA é uma plataforma inovadora que utiliza a inteligência artificial para indicar áreas sob risco de desmatamento na Amazônia. E, com isso, fornecer dados para evitá-lo.
Sua metodologia analisa um conjunto de variáveis como a presença de estradas legais e ilegais, o desmatamento já ocorrido, as classes de territórios, a distância para áreas protegidas, os rios, a topografia, a infraestrutura urbana e informações socioeconômicas.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon
Graphic novel de ficção fantástica utiliza como base narrativa o universo das lendas, mitos e da cosmogonia das etnias indígenas brasileiras. Foto: Romahs Marcarenhas/Acervo pessoal
O quadrinhista parintinense Romahs Mascarenhas, que há 14 anos integra a equipe de roteiristas da Maurício de Sousa Produções, lança neste domingo (8) a graphic novel ‘Akitãi e os Caçadores de Mapinguari’. A obra marca o início das atividades do Estúdio Romahs, e o lançamento está marcado para 18h30 no Encruzilhada Bar, localizado na Rua Ferreira Pena, nº 145, no Centro de Manaus (AM).
O evento também conta com apresentação musical dos artistas Famorelo e José Choque, com violino, harpa e violoncelo.
Foto: Romahs Marcarenhas/Acervo pessoal
Universo das lendas na graphic novel
A obra de ficção fantástica ‘Akitãi e os Caçadores de Mapinguari’ utiliza como base narrativa o universo das lendas, mitos e da cosmogonia das etnias indígenas brasileiras.
Com forte viés regionalista e folclórico, a publicação inaugura uma saga épica idealizada por Romahs, construída a partir de extensa pesquisa sobre mitologias indígenas da Amazônia.
Entre as principais referências utilizadas no desenvolvimento da obra está o livro ‘Antes o Mundo Não Existia’, coletânea de narrativas míticas que apresenta a história da criação do mundo segundo a cosmogonia do povo Dessana, etnia indígena que habita a região do Alto Rio Negro, no Amazonas.
Segundo a tradição, a criação do universo é atribuída a Yebá Beló, conhecida como a Avó do Mundo, entidade que teria surgido do nada e criado a ‘Maloca do Mundo’ e a humanidade por meio de sementes distribuídas por um demiurgo que viajava sobre a cobra-canoa.
A narrativa acompanha Akitãi, um jovem que vive com a mãe e a irmã em uma antiga casa no centro de Manaus, até que uma tragédia transforma sua vida. A partir desse acontecimento, o personagem é lançado em uma jornada por uma Amazônia encantada, onde cruza caminhos com figuras como Mátinta Perê, Curupira, Mãe D’água, Cobra-Grande e o lendário Mapinguari.
Trecho da nova graphic novel de Romahs. Foto: Romahs Marcarenhas/Acervo pessoal Foto: Romahs Marcarenhas/Acervo pessoal
Estética europeia
Visualmente, a graphic novel segue o formato clássico das publicações europeias em quadrinhos, com capa dura, dimensões de 28 x 20 centímetros e um traço que dialoga com os quadrinhos franceses e belgas, reforçando o caráter épico da obra e estabelecendo um diálogo entre a estética internacional e as narrativas amazônicas.
A obra autoral é financiada pela Lei Paulo Gustavo, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM).