Programação que vai reunir milhares de pessoas no maior Ano-Novo da Amazônia. Foto: Iago Fonseca/GEA
A programação do maior Ano Novo da Amazônia, no Amapá, terá shows de artistas regionais e nacionais. Entre as atrações anunciadas estão o cantor cearense Nattan e também Anitta.
O evento terá ainda a Estação Primeira de Mangueira, que no Carnaval 2026 traz o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, destacando as riquezas culturais e as narrativas que fazem do Amapá um território singular. Para quem curte tecnobrega, também haverá noite dedicada às tradicionais aparelhagens.
Atrações já confirmadas pelo Governo do Estado para o Réveillon do Amapá. Foto: Divulgação
Realizado às margens do Rio Amazonas, no anfiteatro da Fortaleza, o Réveillon do Amapá será entre os dias 27 e 31 de dezembro com programação gratuita, consolidando a capital, Macapá, como rota de grandes eventos da região Norte.
O evento é promovido pela iniciativa privada, com parceria do Governo do Estado e apoio do senador Davi Alcolumbre.
O investimento estimado é de R$ 25,6 milhões, com expectativa de movimentar cerca de R$ 4 milhões em faturamento para os empreendedores populares, e mais de R$ 300 milhões do setor de bares e restaurantes, além de impulsionar o fluxo turístico.
Com o conceito “O Amapá Virou. E você faz parte disto”, a programação simboliza o novo momento do Amapá, impulsionado pelo crescimento econômico, pela alta aprovação popular e pela recente visibilidade internacional conquistada durante a COP30.
Veja programação completa:
Dia 27 de dezembro – Festa das aparelhagens
Dia 28 de dezembro – Show do grupo Revelação após corrida do BOPE e 50 atrações locais
Dia 29 de dezembro – Show nacional com Anitta
Dia 30 de dezembro – Zezé Di Camargo & Luciano
Dia 30 de dezembro – Chitãozinho & Xororó
Dia 31 de dezembro – Natanzinho Lima
Dia 31 de dezembro – Nattan
Dia 31 de dezembro – Apresentação da Estação Primeira de Mangueira
O Fim de Ano Amazônico integra ações sociais, educativas, ambientais e comunicacionais, reafirmando o papel da Fundação Rede Amazônica como agente de transformação social e de valorização da identidade amazônica, com impacto que vai além do período festivo.
O Ministério da Cultura (MinC), em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), lançou nesta sexta-feira (26) um modelo inédito de edital de premiação traduzido para o Nheengatu, conhecida como a Língua Geral Amazônica. A ferramenta foi criada para garantir que o direito à cultura e aos recursos públicos cheguem, sem barreiras, a quem preserva a memória dos povos originários no país.
A iniciativa faz parte das ações da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e tem um objetivo multiplicador: incentivar que outras gestões públicas façam o mesmo. Segundo a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o documento prova que é possível construir editais mais democráticos.
“A ideia é que esse modelo sirva de inspiração e referência para que estados e municípios possam criar os seus próprios editais. Sabemos que cada território tem sua história e suas línguas. Por isso, essa ferramenta permite que cada ente federativo traduza o edital para a língua indígena mais falada na sua região, tornando o processo mais acessível”, explicou a ministra da Cultura.
A escolha do Nheengatu como ponto de partida é representativa. A língua é falada por pelo menos 6.000 pessoas apenas na região do Vale do Rio Negro, na Amazônia.
Para a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, adaptar a linguagem para a realidade dos povos originários é uma forma de honrar a diversidade brasileira.
“Um edital traduzido respeita a nossa diversidade. Ele reconhece que a língua é identidade, é território e é memória, além de garantir o direito à cultura para mestres, artistas e fazedores de cultura indígenas”, destacou Sonia Guajajara.
A tradução foi feita pelo coordenador-geral de Articulação de Políticas Educacionais Indígenas do MPI, professor Edilson Baniwa. Ele falou sobre os desafios da tradução respeitosa e a importância do documento para o avanço de políticas públicas.
“Para os falantes da língua Nheengatu este modelo de edital não representa apenas uma simples tradução, e sim um reconhecimento, reparação histórica, fortalecimento, valorização, proteção do Nheengatu. Além disso, pressupõe a melhor compreensão e possibilidade de participação e inscrição dos falantes, garantindo todos os direitos indígenas, inclusive os linguísticos”, declarou o professor.
Trecho do edital de premiação. Imagem: Reprodução/MinC
O coordenador-geral de Promoção a Políticas Culturais do MPI, Karkaju Pataxó, também colaborou com o processo e avalia a conquista como imensurável para os povos indígenas.
“Ao utilizar a língua materna de uma comunidade, o Estado reconhece que aquela cultura é viva, técnica e capaz de dialogar com as estruturas de fomento. Editais acessíveis permitem que os próprios povos indígenas façam a gestão de seus projetos, sem a necessidade constante de intermediários para interpretar regras básicas de participação”, explicou.
Idealizado por uma liderança Panará, documentário foi exibido pela primeira vez na nova aldeia Nãsêpôtiti para cerca de 200 pessoas. Foto: Marcos Botelho JR/Unicamp
Um ano e meio depois da primeira viagem da equipe da Secretaria Executiva de Comunicação (SEC) da Unicamp à Terra Indígena (TI) Panará, localizada na divisa dos estados do Mato Grosso e Pará, chegou o tão esperado momento de exibição de ‘Nãsêpôtiti, rio, terra e luta Panará’.
O documentário foi idealizado por uma das lideranças Panará, Akââ Panará, que expôs a necessidade de ecoar as ameaças constantes ao território indígena e às formas de sobrevivência de seu povo, ligadas essencialmente ao rio Iriri, chamado Nãsêpôtiti no trecho que banha as aldeias, e as transformações que os peixes e a vazão do rio vêm sofrendo. A produção audiovisual fica a partir de agora disponível no canal da TV Unicamp no Youtube.
O desejo do líder Panará foi manifestado para pesquisadoras da Unicamp durante uma conversa na aldeia Nãsêpôtiti, em 2023, quando realizavam parte do projeto de pesquisa liderado pela professora Cassiana Montagner, coordenadora do Laboratório de Química Ambiental do Instituto de Química (IQ).
A convite da Associação Iakiô, criada pelos Panará na década de 1990, a pesquisa avalia a segurança hídrica da bacia do rio Iriri, envolvendo alunos de pós-graduação do IQ, a doutoranda Zaira Moutinho, do Instituto de Geociências (IG), e onze bolsistas Panará.
Montagner relembrou como tudo começou. “Em março de 2023, entre tantos e-mails, estava o da Zaira [Moutinho], uma doutoranda do IG, com um pedido que era claro e, ao mesmo tempo, complexo: ‘Professora, precisamos analisar a vulnerabilidade da bacia do rio Iriri, que é considerada a principal fonte de vida para a comunidade indígena Panará’”.
O e-mail motivou a primeira expedição da equipe em agosto do mesmo ano. “Em janeiro de 2024, na segunda expedição, teve início uma relação ainda mais profunda do que apenas a pesquisa que estávamos realizando. E foi aí que o documentário nasceu”.
Os pesquisadores Zaira Moutinho (ao fundo) e Luiz Felipe Lobo em trabalho de campo no Rio Iriri. Foto: Marcos Botelho Jr
A partir do convite de Montagner para que a Secretaria Executiva de Comunicação registrasse em vídeo a história oral dos anciãos e anciãs Panará, as repórteres Hebe Rios e Bruna Mozer e o repórter cinematográfico Marcos Botelho Jr. foram para as aldeias nos períodos de julho e setembro de 2024. A equipe de reportagem da SEC fez os registros audiovisuais para o documentário e uma série de reportagens multimídia para o Jornal da Unicamp.
Em 9 de dezembro de 2025, durante o último dia da assembleia anual dos Panará, quase dois anos depois do início da pesquisa, o documentário foi finalmente apresentado na nova aldeia Nãsêpôtiti, recentemente concluída.
Aos poucos, o novo espaço está sendo ocupado pelos Panará que deixaram suas casas na antiga aldeia, ainda o lar das famílias – cuja transferência será feita em 2026 – e sede das casas de apoio destinadas à assistência médica da Secretaria Estadual da Saúde, ao Instituto Socioambiental e às equipes de apoio (motoristas, professores, enfermeiros) e de projetos de pesquisa.
Casa dos Homens, instalada em área central da aldeia, onde são realizados eventos importantes. Foto: Marcos Botelho JR
Cerca de duzentas pessoas acompanharam a exibição, entre elas o líder Akââ, que, apesar da saúde frágil e dos problemas de visão, fez questão de ir até a casa dos homens, em uma área central da aldeia, onde são realizados todos os eventos importantes, como rituais, encontros, danças e o moitará (troca de objetos entre os indígenas e os não indígenas).
Akââ reforça no documentário a importância de desenvolver projetos de pesquisa que ajudem a mapear e a combater ameaças de toda ordem, endossando a continuidade do projeto desenvolvido pela Unicamp. A equipe de pesquisadores aproveitou a viagem até a TI Panará, para realizar uma nova medição da vazão do rio Nãsêpôtiti no trecho que banha três aldeias. A intenção é obter as médias de vazão nos períodos da cheia e da seca e estabelecer comparativos com outros períodos, para identificar possíveis alterações no volume da água do rio e suas causas.
Montagner espera que o trabalho de pesquisa não seja prejudicado pelo fim da participação de uma das empresas que financiavam, junto à Conservação Internacional Brasil, o amplo projeto de monitoramento, que inclui, além da água (pesquisa da Unicamp), a fauna e a flora daquela terra indígena.
“Vamos buscar alternativas. A pesquisa envolve também os pesquisadores Panará, que não podem parar esse trabalho tão importante”, afirma Montagner. A notícia do fim do financiamento foi dada durante a assembleia e deixou as lideranças indígenas muito apreensivas.
Nova aldeia Nãsêpôtiti. Foto: Marcos Botelho Jr
Ainda sem saber desse fato, Akââ sorriu várias vezes durante a exibição e demonstrou satisfação ao ver a própria história e a de seu povo expostas em um telão, para uma plateia envolvida e atenta.
O documentário, dividido em oito partes, mostra como os Panará vivem em um território cada vez mais ameaçado pela proximidade com as grandes fazendas e pelas técnicas de manejo do solo, como a aplicação intensiva de agrotóxicos, por exemplo.
Ao serem carreados para o rio Iriri, agrotóxicos e fertilizantes podem provocar mortandades de peixes – as mais recentes foram registradas em junho de 2025, em 2017 e em 2003 – e uma série de consequências para a vida nas aldeias. As mudanças climáticas também têm alterado o regime de chuvas e a produção das roças, afetando diretamente o sustento das aldeias que vivem exclusivamente dos recursos naturais da terra indígena Panará.
Os anciãos e anciãs indígenas, tapuntun e tuatun respectivamente, conhecem o território desde antes da tomada das terras pela política desenvolvimentista do governo da ditadura militar. A abertura da BR-163, na década de 1970, cortou a terra indígena Panará, abrindo espaço definitivo para a exploração descontrolada e predatória, por meio do garimpo e, mais tarde, do agronegócio.
Plantações de soja cada vez mais próximas do território indígena. Foto: Marcos Botelho Jr
Hoje o garimpo ainda é uma ameaça. Nesta viagem à aldeia Nãsêpôtiti, a equipe da SEC flagrou, quase às margens do Rio Peixoto, uma extensa área de garimpo, aparentemente legalizado, na mesma região onde foram registrados os primeiros contatos entre os não indígenas e os Panará, que provocaram a morte de centenas deles 55 anos atrás. De uma população de cerca de 800 indígenas, ficaram apenas cerca de 70.
O resultado do monitoramento realizado pela Unicamp mostra fortes indícios da presença de agrotóxicos na água do rio Nâsêpôtiti, e apesar de a quantidade não oferecer, por enquanto, riscos de intoxicação, gera um importante alerta para o controle da contaminação das águas. “Essas substâncias não deveriam estar no rio, principalmente na frequência com que foram encontradas”, afirma Montagner.
A realidade atual parece reacender as feridas ainda não cicatrizadas do passado recente. O cacique da aldeia Kôtikô, Sukiã Panará, emocionou-se ao ver anciãos, como o próprio pai, relatando a triste história do quase extermínio do povo Panará e da transferência forçada, no passado, para o Parque Indígena do Xingu, revertida anos depois pelas lideranças indígenas.
Mas Sukiã Panará também ressaltou que o documentário ficou muito bom – Kin pytinsi (tradução Panará) e que gostou de ver na história o exemplo de luta. Entre os mais jovens, houve uma impressão parecida, além da satisfação de ver a cultura retratada no documentário para ficar na memória do não indígena também. A sensação de dever cumprido veio, porém, de quem as equipes de pesquisadores e jornalistas mais esperavam. Akââ disse, ao encontrar a equipe, que o documentário é muito importante para o povo Panará. Junto a ele, na despedida da aldeia, Montagner retribuiu emocionada: “O senhor foi muito importante para a realização do documentário. Obrigada!”.
O líder Sukiã Panará: realidade atual reacende feridas do passado. Foto: Marcos Botelho Jr
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unicamp, escrito por Hebe Rios
Um vídeo gravado na região dos Lagos do Macuricanã, perto da comunidade Bom Sucesso, no Amazonas, mostra um gavião comendo uma piranha oferecida por pescadores após ajuda-los a acharem cardumes. A cena inusitada foi registrada durante uma pescaria e publicadas nas redes sociais.
Na gravação, os pescadores Renner Maia e Aldenor Ribeiro jogam uma piranha no rio para alimentar o animal como forma de retribuição.
“E aí com essa piranha? Vou dar uma merenda para o nosso parceiro. Cadê ele? Lá está ele. Vai parceiro! (…) Pegou, garoto! Lá vai o parceiro com a ‘boinha’ dele. Feliz da vida”, disse um dos pescadores.
“Ele já nos conhece. Nós somos da selva. Ele sabe por onde passam os cardumes. Quando ele vê a gente, acompanha. Onde ele para, a gente já sabe. A gente lança a rede e depois retribui com alimento”, contou Renner Maia.
Gavião-belo (Busarellus nigricollis) no zoológico da Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, Brasil.Foto: Mateus Hidalgo / Wikipédia
Segundo a bióloga e professora de Zoologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Cristina Motta Bührnheim, o animal é o gavião-belo, da família Accipitridae , que pode medir entre 46 e 53 centímetros de comprimento, com uma envergadura total que varia entre 1,10 e 1,30 metro.
“Essa associação do pescador com os animais na natureza é bem comum. Fazendo uma comparação, quando se vê um grupo de botos, o pescador sabe que ali tem o cardume. O gavião-belo pesca. Eles vivem junto à água. Então, observar a natureza ajuda na pesca e na caça”, analisa a especialista.
*Por Jean Beltrão e Jacqueline Nascimento, da Rede Amazônica AM
O resultado da Região Norte acompanha o bom momento do setor de portos. Foto: Divulgação/Ascom MPor
Os portos da Região Norte do Brasil movimentaram 12,6 milhões de toneladas de cargas em outubro de 2025, volume 31,46% superior ao registrado no mesmo período de 2024, quando a movimentação somou 10,2 milhões de toneladas. Os números, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), confirmam a trajetória de crescimento da atividade portuária na região.
O resultado da Região Norte acompanha o bom momento do setor portuário brasileiro – Foto: divulgação
Segundo o levantamento feito pelo Ministério de Portos e Aeroportos, o avanço foi impulsionado principalmente pela navegação interior, que respondeu por 7,4 milhões de toneladas, crescimento de 25,28% na comparação anual. A modalidade tem papel fundamental na integração logística regional, especialmente no escoamento da produção agrícola e mineral.
A navegação de cabotagem também apresentou desempenho positivo, com alta de 26,71% em relação a outubro do ano anterior, totalizando 872 mil toneladas movimentadas. O principal destaque foi o transporte de contêineres, que registrou crescimento de 128%, evidenciando o fortalecimento da cabotagem como alternativa logística eficiente, sustentável e competitiva.
Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os dados demonstram que investimentos estratégicos na região são importantes também para a logística nacional.
“O desempenho da Região Norte reflete os investimentos em infraestrutura portuária e logística e reforça o papel dos portos como vetores de desenvolvimento econômico, integração regional e ampliação da competitividade das exportações brasileiras”, afirmou.
A navegação de longo curso alcançou 4,4 milhões de toneladas, crescimento de 19,22% na comparação com outubro de 2024, mantendo papel relevante no fluxo de exportações da Região Norte.
O resultado da Região Norte acompanha o bom momento do setor portuário brasileiro. Foto: Divulgação
Entre as principais mercadorias movimentadas no período, o milho liderou com 3,8 milhões de toneladas, seguido pela bauxita, com 1,9 milhão de toneladas, e pelos contêineres, que somaram aproximadamente 1 milhão de toneladas.
No recorte por terminal, o Porto de Vila do Conde (PA) registrou o maior volume movimentado em outubro, com 1,8 milhão de toneladas. Na sequência, o Porto de Santarém (PA) alcançou 1 milhão de toneladas movimentadas no período.
Crescimento nacional
O resultado da Região Norte acompanha o bom momento do setor portuário brasileiro. Segundo a Antaq, os meses de setembro e outubro registraram movimentações de 120,4 milhões e 121,5 milhões de toneladas, respectivamente, os maiores volumes da série histórica.
*Com informação do Ministério de Portos e Aeroportos
As emissões de gases de efeito estufa (GEE) provocadas por queimadas em áreas de pastagem sem que tenha ocorrido a conversão do uso da terra (ou seja, permanecem como pastagens) não entram no cálculo oficial das emissões do país, gerando uma lacuna relevante sobre as emissões que decorrem da ocorrência de fogo nessas áreas.
O avanço das queimadas sobre a vegetação nativa em 2024 fez do fogo um dos principais responsáveis pelo aumento das emissões de GEE, é o que revela o estudo ‘Brazil’s 2024 fires drove historic emission levels‘ realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) em parceria com o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).
Vegetação nativa e pastagens responderam por 93% de toda a área queimada no Brasil, com predominância de áreas florestais. Ao calcular as emissões de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) pela queima desses usos da terra, nota-se o aumento das emissões provocado pela queima da biomassa acima do solo, o que faz com que esses GEE cresçam proporcionalmente mais do que em anos anteriores.
Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace
A queima das pastagens é especialmente preocupante, porque o metano possui um potencial de aquecimento global cerca de 28 vezes maior do que o do dióxido de carbono, o que amplia de forma significativa o impacto climático das queimadas. À medida que o fogo avança sobre a cobertura florestal, intensifica-se a liberação desse gás.
“Existe um volume relevante de emissões que simplesmente não aparece na contabilidade oficial. Essa lacuna distorce a compreensão real do impacto do fogo sobre o clima”, afirma Gabriel Quintana, analista de Ciência do Clima do Imaflora.
O estudo tem como objetivo propor caminhos para a incorporação dessas emissões ao Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa. “São áreas de pastagem que, por diferentes motivos, foram queimadas e que permaneceram sendo pastagens após a ocorrência do fogo, gerando emissões de metano, óxido nitroso, monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio, que atualmente não são contabilizadas oficialmente”, informa Quintana.
Inventário contabiliza queimadas em culturas específicas
Atualmente, o inventário brasileiro contabiliza emissões por queimadas apenas em culturas específicas, como cana-de-açúcar e algodão. As pastagens, embora estejam integralmente inseridas no setor agropecuário, não têm suas queimadas estimadas quando não há mudança no uso da terra. “Trouxemos um cálculo de uma fonte adicional que, do ponto de vista climático, é extremamente relevante, pelo fato da maior área de pasto queimada estar localizada no bioma Amazônico”, diz Quintana.
No estudo, o IPAM ficou responsável por calcular as emissões associadas a áreas florestais – primárias e secundárias, em diferentes biomas – que pegaram fogo e foram convertidas para outros usos. Já o Imaflora concentrou-se nas áreas de pastagem que queimaram e permaneceram como tal, caracterizando emissões que ficam “dentro da porteira” da agropecuária.
A metodologia adotada segue as diretrizes do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) para emissões por fogo, com foco especial em gases com alto potencial de aquecimento global, como metano e óxido nitroso. Para as pastagens, embora as queimadas também emitam grandes volumes de CO₂, esse gás é classificado como emissão biogênica, que pelo método atual, não entra na contabilidade oficial.
“Isso não significa que o impacto climático seja pequeno. As emissões de CO₂ são classificadas como biogênicas por serem reincorporadas na biomassa com o crescimento vegetal, porém o volume liberado na queima é bem alto”, ressalta Quintana.
Os resultados mostram que a maior parte dessas emissões — com destaque para o aumento expressivo do dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4) — pela queima de pastagens estão historicamente concentradas na Amazônia, bioma que teve no ano de 2005 o recorde de área queimada.
O estudo utilizou fatores de emissão e estoques de biomassa já empregados no Inventário Nacional, o que, segundo os autores, facilita futuras atualizações metodológicas. “Isso indica que é perfeitamente possível incorporar essas emissões de forma oficial, partindo de dados sobre o tipo de uso do solo onde ocorre a queima e a quantidade de biomassa queimada, de forma monitorada e atualizada”, afirma Quintana.
O conteúdo divulgado no policy brief destaca que a redução da área queimada observada em 2025, atribuída a ações do Ministério do Meio Ambiente, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a um conjunto de políticas de prevenção e controle do fogo, teve impacto direto na diminuição das emissões. Ainda assim, o alerta permanece. “São emissões que precisam ser inventariadas oficialmente, pelo peso que têm hoje e pelo que representam para o futuro do uso da terra, das florestas e da agropecuária no Brasil”, conclui Quintana.
Segundo o estudo, reconhecer essas emissões é passo essencial para aprimorar a transparência climática do país e orientar políticas públicas mais eficazes de combate ao fogo e de mitigação das mudanças climáticas, tema que é cada vez mais importante para o agronegócio e para a credibilidade ambiental do Brasil no cenário internacional.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imaflora
Manaus (AM) oficializou a criação do bairro Colônia Japonesa, um novo bairro temático que celebra a presença da cultura japonesa na capital amazonense.
O bairro foi instituído por meio da Lei Municipal nº 3.592, sancionada em 22 de dezembro de 2025, e já consta nos registros oficiais da cidade.
Localizado entre os bairros Parque 10 de Novembro e Novo Aleixo, o espaço não amplia a ocupação urbana, mas delimita administrativamente uma área que já possui forte identidade cultural nipônica.
A iniciativa que foi do executivo municipal, tem como um dos objetivos reconhecer e valorizar a contribuição histórica da comunidade japonesa na vida social e econômica de Manaus, além de reforçar relações culturais entre Brasil e Japão.
“A Colônia Japonesa é mais do que um lugar: é um símbolo de amizade, de trabalho e de convivência entre culturas”, destacou o vereador João Carlos (Republicanos) responsável pela tramitação do texto na Câmara Municipal de Manaus (CMM).
Delimitação do novo bairro Colônia Japonesa em Manaus,. Arte: Divulgação/Implurb Manaus
A ideia de transformar a região conhecida como Colônia Japonesa em um bairro formal começou com estudos e articulações entre prefeitura, Câmara Municipal de Manaus, representantes comunitários e o Consulado-Geral do Japão em Manaus.
Estudos técnicos realizados pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) analisaram aspectos históricos, antropológicos e urbanísticos da área, que inclui elementos da cultura japonesa presentes há décadas, como nomes de ruas – como Rua Kyoto e Rua Monte Fuji – e empreendimentos locais que fazem referência à tradição nipônica.
“Levamos a proposta ao prefeito David Almeida, que prontamente apoiou a iniciativa. O segmento econômico e industrial japonês tem papel de destaque no Polo Industrial de Manaus. Temos influências culturais, gastronômicas e urbanísticas dessa parceria, que agora será celebrada com o bairro ColôniaJaponesa. É um reconhecimento da importância do Japão para a economia, cultura e desenvolvimento urbano de Manaus”, enfatizou Carlos Valente, diretor-presidente do Implurb.
O novo bairro também abriga instituições ligadas à comunidade japonesa, como a Escola Japonesa de Manaus e um campo de golfe pertencente à comunidade, além de áreas planejadas que poderão receber museus e espaços culturais.
Inspiração no bairro Liberdade, em São Paulo
A Colônia Japonesa, em Manaus, tem inspiração no modelo do bairro Liberdade, localizado em São Paulo, conhecido nacional e internacionalmente como um centro de cultura japonesa.
O bairro Liberdade, na capital paulista, começou a receber imigrantes japoneses no início do século XX e, ao longo do tempo, consolidou-se como ponto de referência cultural, com restaurantes, lojas e elementos arquitetônicos que remetem à tradição nipônica.
Em São Paulo, a presença japonesa foi marcante desde a década de 1910 e se espalhou por ruas e comércio, tornando a região um polo de cultura oriental em meio à metrópole brasileira.
A inspiração para a criação do bairro em Manaus inclui a perspectiva de incorporar elementos visuais e funcionais semelhantes aos observados na Liberdade paulista, como praças temáticas, luminárias orientais ou até portais tradicionais que simbolizam a cultura japonesa.
Segundo o Impurb, essas características têm o objetivo de tornar o bairro não apenas um espaço residencial, mas um ponto de referência cultural e possivelmente turístico dentro da cidade.
Nomes curtos, sonoros e de fácil pronúncia estão entre as preferências das famílias do estado. Foto: divulgação
O nome Ravi foi o mais escolhido pelos pais no Amazonas em 2025. Ao todo, 369 crianças foram registradas com o nome no estado, garantindo a liderança no ranking dos mais registrados nos Cartórios de Registro Civil amazonenses neste ano.
Na sequência aparecem Helena, com 352 registros, e Aurora, com 339, evidenciando a forte presença de nomes curtos, sonoros e de fácil pronúncia entre as preferências das famílias do estado. O ranking também aponta equilíbrio entre tradicionais e tendências contemporâneas, com destaque tanto para nomes bíblicos quanto para escolhas modernas.
O levantamento integra a base do Portal da Transparência do Registro Civil, administrado pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), entidade que congrega os Cartórios de Registro Civil do país e reúne informações sobre nascimentos, casamentos e óbitos registrados em todo o território nacional. A plataforma permite consultas por nomes simples ou compostos, com recortes por estados e municípios, oferecendo um panorama detalhado das tendências regionais.
Além dos líderes, figuram entre os mais registrados no Amazonas:
Arthur (337),
Maria (308),
Heitor (281),
Miguel (277),
Maria Cecília (271),
Gael (268)
e Maria Helena (265).
O ranking estadual também destaca a recorrência de nomes femininos clássicos como Maria, além de nomes compostos e opções bíblicas amplamente difundidas no estado.
Foto: Reprodução/Agência Brasil
“O ranking mostra como as escolhas das famílias acompanham tanto valores afetivos e culturais quanto tendências que se consolidam nacionalmente. Os Cartórios de Registro Civil têm a missão de acolher essas escolhas e transformá-las em identidade, cidadania e segurança jurídica desde os primeiros dias de vida”, afirma David Gomes David, presidente da Associação dos Notários e Registradores do Estado do Amazonas (Anoreg/AM).
10 nomes mais registrados no AM em 2025 (Geral)
Ravi – 369
Helena – 352
Aurora – 339
Arthur – 337
Maria – 308
Heitor – 281
Miguel – 277
Maria Cecília – 271
Gael – 268
Maria Helena – 265
10 nomes mais registrados no AM em 2025 (Masculino)
Ravi – 369
Arthur – 337
Heitor – 281
Miguel – 277
Gael – 268
Noah – 239
Samuel – 227
Theo – 221
Gabriel – 215
Anthony – 199
10 nomes mais registrados no AM em 2025 (Feminino)
Helena – 352
Aurora – 339
Maria – 308
Maria Cecília – 271
Maria Helena – 265
Maitê – 246
Cecília – 206
Eloá – 174
Maria Alice – 170
Alice – 169
Sobre a Anoreg/AM
Criada em 27 de abril de 1999 e sediada em Manaus, a Associação dos Notários e Registradores do Estado do Amazonas (Anoreg/AM) é regida pelo Código Civil e pelas normas aplicáveis à atividade, além de seu Estatuto. É a única entidade com legitimidade reconhecida pelos poderes constituídos para representar os titulares dos serviços notariais e de registro no Amazonas. Atua de forma cooperativa com as Anoregs estaduais, sindicatos das especialidades e outras entidades da classe.
Tartaruga de 200 quilos é devolvida à natureza. Foto: Divulgação/Ibama
Uma tartaruga marinha de aproximadamente 200 quilos voltou à natureza depois de receber tratamento veterinário. O animal foi resgatado em 14 de novembro, em uma prainha de Pracuúba, no interior do Amapá, com um ferimento em uma das nadadeiras.
A soltura aconteceu no dia 18 de dezembro, perto do local do resgate. A equipe percorreu cerca de três horas de viagem a partir de Macapá até chegar ao ponto.
Animal de 200 quilos é devolvida à natureza — Foto: Ibama/Divulgação
O animal é uma fêmea, com 96 centímetros de casco. Ela recebeu atendimento especializado com apoio do Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC).
Antes de ser devolvida ao rio, a tartaruga ficou no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas/Ibama), na Zona Norte de Macapá.
Animal de 200 quilos é devolvida à natureza — Foto: Ibama/Divulgação
A ação foi coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e contou com apoio da Estação Ecológica de Maracá-Jipioca e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O Gavião Kyikatejê é um marco histórico no futebol brasileiro. Criado dentro de uma aldeia no sudeste do Pará, o clube tornou-se o primeiro time indígena a competir em torneios profissionais reconhecidos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Sua trajetória une esporte, cultura e resistência, e simboliza a força de um povo que encontrou nos gramados uma nova forma de expressão e afirmação de identidade.
A equipe representa o povo Gavião Kyikatejê, pertencente ao tronco linguístico Timbira, que vive na Terra Indígena Mãe Maria, localizada entre os municípios de Bom Jesus do Tocantins e Marabá, no interior do Pará. A ideia de formar o time surgiu como um projeto social, com o objetivo de fortalecer a juventude indígena e criar oportunidades dentro da comunidade.
O clube foi fundado oficialmente em 2009, sob a liderança do cacique e ex-jogador de futebol Pepkrakte Jakukrekaperi, conhecido como “Zeca Gaveão”. O projeto nasceu de forma simples, com jogos amistosos entre os jovens da aldeia, mas rapidamente ganhou força e atenção nacional. Pouco tempo depois, o Gavião Kyikatejê se filiou à Federação Paraense de Futebol (FPF) e começou a disputar competições oficiais.
Já em 2014, o Gavião Kyikatejê alcançou um feito inédito: participar da primeira divisão do Campeonato Paraense, tornando-se assim o primeiro clube indígena a competir em um torneio profissional estadual. A conquista foi um marco não apenas para o povo Gavião, mas também para todas as comunidades indígenas do Brasil.
A cultura do povo Gavião Kyikatejê dentro e fora de campo
O futebol, no contexto do Gavião Kyikatejê, é mais do que uma prática esportiva: é uma extensão da cultura e da organização comunitária. Antes das partidas, por exemplo, é comum que os jogadores realizem rituais tradicionais, como pinturas corporais e cantos em língua indígena. Esses elementos reafirmam a ligação entre o esporte e as tradições do povo.
O uniforme do clube também carrega símbolos da cultura Gavião. As cores vermelho e preto representam, respectivamente, a força e a resistência. O escudo traz o desenho de um gavião, animal sagrado e símbolo de coragem.
Além disso, os jogos do time são acompanhados por torcedores da aldeia e das comunidades vizinhas, que levam para as arquibancadas maracás e cantos típicos, transformando os estádios em verdadeiros espaços de celebração cultural.
A presença do Gavião Kyikatejê nos campeonatos também tem um papel educacional. O clube incentiva o estudo e o respeito às tradições, mostrando aos mais jovens que é possível conciliar o esporte com a preservação da identidade indígena. Muitos dos atletas que já vestiram a camisa do time vivem na aldeia e se dividem entre os treinos e as atividades comunitárias, como a caça, o plantio e as assembleias tradicionais.
A direção do Gavião Kyikatejê também adota práticas de gestão inspiradas na coletividade indígena. As decisões importantes são tomadas em conjunto, com participação da comunidade e do cacique. O projeto, além de promover o futebol, estimula o orgulho étnico e reforça o senso de pertencimento dos Kyikatejê.
Desafios e conquistas no futebol profissional
Apesar do simbolismo e da visibilidade, o caminho do Gavião Kyikatejê no futebol profissional não tem sido fácil. O clube enfrenta dificuldades financeiras, desafios logísticos e limitações de infraestrutura. A aldeia Mãe Maria fica a mais de 500 quilômetros de Belém, o que encarece o deslocamento para jogos e compromissos oficiais.
Ainda assim, o Gavião Kyikatejê conquistou respeito dentro do futebol paraense. Entre os anos de 2014 e 2020, o time disputou diversas edições do Campeonato Paraense, enfrentando clubes tradicionais como Remo, Paysandu e Águia de Marabá. Mesmo com orçamentos modestos, conseguiu manter um elenco competitivo e atrair atenção da mídia nacional e internacional.
O clube também se tornou tema de documentários e estudos acadêmicos sobre a relação entre esporte e identidade indígena. Em 2015, o Gavião Kyikatejê foi retratado no curta-metragem “Gavião Kyikatejê Futebol Clube”, que destacou o cotidiano dos jogadores e a importância do projeto para o fortalecimento cultural da aldeia.
Mais do que os resultados em campo, o maior legado do Gavião Kyikatejê é a inspiração. O time mostrou que o futebol pode ser uma ferramenta de integração social, de valorização da diversidade e de reafirmação da presença indígena em espaços onde antes havia pouco reconhecimento.