Cidades inteligentes e de baixo carbono estiveram no centro da visita da Embaixada da Tailândia no Brasil à sede do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), em Manaus (AM). A comitiva, formada pela diplomata e representantes da SCG International, apresentou o “Saraburi Sandbox”, projeto piloto que busca transformar a província de Saraburi em um modelo urbano sustentável.
O plano ousado de reduzir significativamente as emissões de carbono na Tailândia envolve a colaboração do governo, da iniciativa privada e da sociedade civil, em esforços relacionados à pesquisa em ciência, florestas tropicais, recursos hídricos e ecologia, áreas de expertise do Inpa e de interesse dos tailandeses.
Para o chefe da Divisão de Cooperação e Intercâmbio do Inpa (Dicin), Laurindo Campos, a visita representou uma oportunidade de troca de conhecimentos e cooperação.
“Temos um prazer enorme em receber e mostrar o que temos em pesquisas no Instituto, além das oportunidades que podemos ter entre os dois países. E, conhecendo a Amazônia, certamente, podemos compartilhar as experiências de 72 anos de Inpa”, pontuou.
O coordenador-geral de Pesquisa, Capacitação e Extensão, Jorge Porto, representou o diretor do Inpa, o professor Henrique Pereira, que estava em outro compromisso oficial. Na oportunidade, os pesquisadores Niro Higuchi, do Laboratório de Manejo Florestal, e Jochen Schöngart, do Grupo de Pesquisa Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Grupo Mauá/ Peld-Mauá), apresentaram pesquisas recentes desenvolvidas recentes por seus grupos.
A embaixadora da Tailândia no Brasil, Kundhinee Aksornwong, demonstrou entusiasmo com o que viu e afirmou ter interesse em cooperações futuras.
“Estou muito impressionada. Trocamos conhecimentos sobre como o Brasil pode realizar o manejo florestal, a gestão da água e o manejo animal. Na Tailândia, também temos florestas tropicais e enfrentamos os desafios das mudanças climáticas”, explicou.
Foto: Reprodução/Embaixada da Tailância
Para a diplomata, a oportunidade abre uma janela de compartilhamento científico em nível internacional, por meio de parcerias bilaterais e novos intercâmbios com experiências mais imersivas nas áreas em que o Inpa é referência.
Em visita ao Bosque da Ciência, um parque verde urbano de visitação pública do Inpa, a comitiva conheceu animais de vida livre e em cativeiro, além da exposição da Casa da Ciência – Tramas da Ciência, como o acervo de invertebrados, anfíbios e répteis, aves e mamíferos amazônicos. Ainda na Casa da Ciência, conheceram pesquisas desenvolvidas sobre mudança climática através projeto ATTO, torre de 325 metros de altura, que estuda os ciclos biogeoquímicos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável – RDS Uatumã, no Amazonas.
A agenda da delegação incluiu ainda um circuito na torre de observação do Museu da Amazônia (Musa), um espaço científico-cultural de 100 hectares localizado na Reserva Florestal Adolpho Ducke, do Inpa, em Manaus.
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Bacharel em ciência da computação pela Universidade de S. Paulo (USP), Peter Kreslins, CTO e cofundador da Digibee, startup brasileira responsável pela integração de sistemas para conectar grandes empresas ao mundo digital, no artigo “Quem vai cuidar dos agentes de IA?”, de janeiro de 2025, publicado pelo CNEX – Centro de Excelência Empresarial, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, aborda relevante e complexa questão sobre o mundo da “inteligência artificial”, campo da ciência que se concentra na criação de computadores e máquinas que podem raciocinar, aprender e atuar de maneira que normalmente exigiria inteligência humana ou que envolve dados com escala maior do que as pessoas podem analisar.
A propósito, Kreslins observa que os computadores são capazes de interagir com outros modelos de IA para automatizar tarefas – mas, sem controle, podem causar sérios problemas. Esse é o paradigma: as organizações estão recorrendo cada vez mais ao uso de inteligência artificial. Muitas, inclusive, adotam novas tecnologias no melhor espírito do termo FOMO – o “fear of missing out”, ou medo de ficarem para trás. No entanto, “dar esse passo sem compreender exatamente como funcionam os novos modelos computacionais pode gerar inúmeros problemas para as organizações, especialmente no que diz respeito à sua governança e à sustentabilidade financeira. Mais do que isso: conforme os modelos computacionais avançam a olhos vistos, maior será a velocidade da transformação – e maior o risco de que muitas empresas façam uso descuidado de novas ferramentas, como é o caso dos agentes de IA”, salienta.
Segundo Peter Kreslins, historicamente os colaboradores de uma organização eram os responsáveis por operar esses processos. Com o avanço de tecnologias, porém, começam a existir sistemas que buscam ajudar essas pessoas a melhorar os processos e aumentar a produtividade, salientando que “a IA foi, durante anos, uma promessa de mudança no universo das automações. Mais do que apenas executar tarefas, as máquinas seriam capazes de aprender com suas atividades e se aperfeiçoar”. De maneira rápida, porém, “podemos dizer que todas as tarefas automatizadas nas instituições seguiam um processo determinístico, bem calculado. Primeiro, é preciso desenhar uma tarefa desejada e implementá-la, para depois automatizá-la e, só aí, fazer com que essa automação ganhe escala, sendo repetida em toda a organização. Entretanto, no meio do caminho podem acontecer bugs: falhas no código em que essa automação está escrita que a levem a não funcionar”.
Segundo o autor, se a tecnologia passou décadas com uma evolução lenta, de 2022 para cá ela mudou consideravelmente de patamar com a introdução dos LLMs – large language models, ou grandes modelos de linguagem, como o ChatGPT, o Gemini, o Meta AI e, agora, o DeepSeek. Treinados com gigantescos bancos de dados, modelos disruptivos, revolucionários são capazes de prever resultado mais provável e seguir adiante, construindo textos, softwares ou até mesmo imagens e vídeos. Mais do que mudança de patamar promovem mudança na equação ao trazer dose “de não-determinismo para seu funcionamento”. Entretanto, pondera, “quem faz uma pergunta para um dos modelos pode acabar recebendo um resultado imprevisível, fora do esperado. Isso ocorre porque o sistema é baseado em previsões estatísticas: ele gera respostas ao identificar padrões e probabilidades em seus dados de treinamento, mas sem compreender o significado ou a veracidade do que está produzindo”.
De forma direta e pragmática, afirma: “para serem adotadas em larga escala, as novas tecnologias precisam, primeiro, ser levadas para um nível de governança, expectativa e direcionamento com os quais a organização esteja de acordo. É preciso que sistemas e agentes sejam treinados de maneira cuidadosa, fazendo, principalmente, com que respeitem as políticas da empresa, que devem funcionar como guarda-corpos de suas capacidades”, enfatiza Peter Kreslins.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
O Museu Goeldirecebe o diploma ‘Amazônia para Sempre’, honraria que ressalta a vanguarda da instituição sesquicentenária na produção e divulgação de conhecimentos sobre e na Amazônia, nesta segunda-feira (6). A sessão especial acontece às 9h, no auditório Eduardo Galvão, no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi.
No dia em que completa 159 anos de existência, o Museu Goeldi recebe da Câmara Municipal de Belém a outorga do título ‘Amazônia para Sempre’. A homenagem foi proposta pelo Vereador Rodrigo Moraes, estabelecida por meio do Decreto Legislativo nº 011/2025 e busca reconhecer o pioneirismo da instituição científica na produção da ciência na Amazônia, destacando a construção do conhecimento interdisciplinar, relevante, impactante e inovador do MPEG ao longo destes anos.
O decreto também ressalta o relacionamento do museu com os mais diversos setores da sociedade, promovendo parcerias institucionais com outras organizações e fomentando debates junto aos povos indígenas e comunidades tradicionais, contribuindo assim para a resolução de demandas históricas e construção de alternativas sustentáveis na Amazônia.
O diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, ressalta o pioneirismo da instituição, lembrando que a ciência na Amazônia começou com o museu. Pontua ser emocionante receber o reconhecimento vindo da Câmara Municipal de Belém.
“É uma honra muito grande para o Museu Paraense Emílio Goeldi receber esse título. Somos uma instituição federal, mas estamos localizados na cidade de Belém, que, no sentido da COP, passa a ser a capital do Brasil e a capital climática do mundo. Então, nesse contexto de Amazônia, da importância estratégica da cidade de Belém, no entendimento e procura de mitigação das mudanças climáticas, o Museu Goeldi tem uma tradição de 159 anos produzindo ciência e comunicando ciência na Amazônia e para amazônidas”.
O vereador Rodrigo Moraes destaca a relevância da honraria para a instituição, mas sobretudo para a cidade de Belém. “Esse diploma é entregue às entidades públicas e privadas que se destacam por sua atuação profissional e busca incentivar a preservação e manutenção do meio ambiente. É uma honra para a cidade de Belém ter o Museu Emílio Goeldi como referência da ciência, do desenvolvimento sustentável e da garantia da defesa intransigente da nossa Amazônia”.
Além da solenidade, o Parque Zoobotânico do Museu Goeldi vai abrir para o público em geral normalmente, das 9h às 15h e com entrada gratuita em comemoração aos 159 anos.
Mais de 30 estilhaços de tiro atingiram a onça pelo rosto, cabeça e pescoço. Ela foi resgatada após ser vista nadando há horas no Rio Negro, em Manaus. Foto: Reprodução
Umaonça foi resgatada após passar horas nadando no Rio Negro, em Manaus (AM), na quarta-feira (1º) e exames revelaram que o animal foi atingido por um disparo de espingarda na cabeça. O caso mobilizou equipes de resgate e gera preocupação entre autoridades ambientais.
Veja o que já se sabe até o momento sobre este caso:
Onde a onça foi encontrada
Ela foi resgatada após ser vista nadando há horas no Rio Negro, em Manaus. Foto: Reprodução
A onça foi avistada no dia 1º de outubro de 2025, no Rio Negro, por passageiros de uma embarcação que passava pelo local no momento em que ela tentava atravessar o rio. De acordo com testemunhas, o animal parecia desnorteado e sem forças, e teria seguido em direção à Praia da Ponta Negra, na Zona Oeste da capital.
Como foi o resgate
O resgate mobilizou a Secretaria Estadual de Proteção e Defesa Animal (Sepet), o Batalhão Ambiental, o Instituto Laiff e a ‘Equipe Pet’ da deputada estadual Joana Darc (União-AM). Uma força-tarefa foi montada para retirar o felino da água, através de uma bóia improvisada.
O que os exames revelaram
O animal é um macho com cerca de dois anos de idade e pesa 58 kg, segundo a Secretaria de Estado de Proteção Animal (Sepet). A estimativa de idade foi feita com base nas medições realizadas no centro cirúrgico.
Raio-x mostra mais de 30 marcas de tiros no rosto de onça resgatada após passar horas a deriva em rio no AM. Foto: Reprodução
Após avaliação clínica, exames de raio-x mostraram que a onça havia sido atingida por um tiro de espingarda na cabeça. Os veterinários identificarammais de 30 estilhaços de chumbo alojados no crânio e no pescoço do animal. Parte dos dentes também foi perdida devido ao impacto do disparo.
Estado de saúde
De acordo com os especialistas, a onça está internada e apresenta quadro estável, mas demonstra sinais de estresse. Ela permanece sob observação intensiva e recebe cuidados veterinários constantes.
Equipe de veterinários cuida de onça encontrada baleada no Rio Negro, em Manaus. Foto: Divulgação
O animal é um macho. Pelo tamanho e peso, deve ter aproximadamente cinco anos de vida. Acredita-se que o animal tenha entrado no rio para escapar do ataque e não se sabe em que área da floresta vivia.
Quem atirou contra ela?
Não há informações sobre quem teria atirado contra a onça e qual local ela foi ferida.
Qual será o destino do animal?
Ainda não foi definido para onde o animal será encaminhado após a recuperação. Entre as possibilidades, estão o Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
As instituições envolvidas afirmam que a prioridade é garantir a recuperação da onça. Caso apresente condições adequadas, o objetivo é reintroduzir o animal à natureza.
A Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer do Mato Grosso (Secel-MT), realizou uma missão inédita à Aldeia Ipatse, localizada na Terra Indígena do Xingu, onde foi lançado o livro ‘Meu Amado me Disse: os cantos tōlo dos povos Karib do Alto Xingu‘, um registro histórico dos cantos da região, idealizado pela linguista e antropóloga Bruna Franchetto em parceria com o pesquisador indígena Yamaluí Kuikuro Mehinaku.
A cerimônia, realizada em 21 de setembro, reuniu a comunidade Kuikuro, lideranças indígenas, representantes da Secel-MT e comitiva da Funarte, composta pela presidenta, Maria Marighella, a diretora do Centro de Artes Visuais e primeira dirigente indígena da instituição, Sandra Benites, a chefe de gabinete Laís Almeida e o organizador geral da obra, André Vallias, representando também a pesquisadora Bruna Franchetto.
A presença da Funarte no território indígena é considerada histórica, marcando uma nova etapa da instituição no reconhecimento, valorização e difusão das artes e memórias dos povos originários. Com este lançamento, também pela primeira vez, a Funarte está lidando com a dimensão de direitos autorais coletivos em suas publicações, sendo a Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu (AIKAX) a detentora: uma inovação que mobiliza a Fundação a abarcar dinâmicas próprias das criações e artes indígenas.
Meu Amado me Disse: os cantos tōlo dos povos Karib do Alto Xingu reúne 100 cantos tradicionais (tōlo), transmitidos entre gerações e executados por mulheres em rituais sagrados dos Kuikuro. A partir da documentação em campo realizada por Bruna Franchetto e pelo também antropólogo Carlos Fausto, os cantos-poemas foram transcritos na língua original, pertencente à família Karib, e traduzidos ao português, incluindo áudios acessíveis por QR-Code.
Integrando o Programa Funarte Memória das Artes, o livro se insere nos eixos “Memória e Pesquisa” e “Formação e Reflexão” da Política Nacional das Artes, reafirmando o compromisso da instituição em preservar a diversidade cultural brasileira e projetar futuros a partir da memória.
Na ocasião, a comunidade também entregou à presidenta da Funarte, Maria Marighella, e ao secretário adjunto de Cultura do MT, Jan Moura, um pedido formal para a criação do Centro Cultural do Povo Kuikuro.
A pesquisadora Bruna Franchetto apresenta o livro: “‘É com esse canto que minha filha madrugará esta noite’: são as palavras da eginhoto (mestra de cantos) mais idosa de Ipatse, a principal aldeia do povo Kuikuro do Alto Xingu. Ájahi transmitiu seus conhecimentos e sua arte para novas gerações de mulheres. O livro que agora publicamos é registro de memórias ancestrais, de uma tradição sempre renovada e um estímulo, esperamos, para que mais jovens queiram aprender e cantar nas madrugadas e na praça da aldeia”.
Lançamento celebra uma década de produção do livro
Sobre o processo de produção, ela conta: “Foram pelo menos 10 anos de trabalho colaborativo, linguístico e etnográfico, de pesquisadores indígenas e não-indígenas, um esforço contínuo para que esta arte verbo-musical pudesse ser apresentada ao mundo com a sua beleza e a sofisticação. É um exemplo de que a poesia cantada da palavra está viva nos povos originários e é sublime”.
Livro foi lançado na Aldeia Ipatse. Foto: Reprodução/Instagram-mariamarighella
Sobre o lançamento na Aldeia Ipatse, Bruna Franchetto diz: “Foi uma decisão acertada a de lançar o livro na aldeia, com festa, danças, cantos, corpos pintados, crianças. Os Kuikuro folhearam as páginas, ouviram os cantos, gostaram das cores, das traduções possíveis de sua língua para o português. A beleza dos cantos-poemas é deles; André Vallias contribuiu para a beleza do objeto ‘livro’. Que os povos alto-xinguanos continuem sendo os guardiões de suas muitas línguas e artes”.
Para a presidenta da Funarte, Maria Marighella, o livro reafirma a missão da instituição.
“No momento atual, criações como essa nos convidam a refletir sobre uma ética do existir que seja um cuidado com esse corpo coletivo. As artes indígenas têm retomado terras, línguas, cantos, técnicas, materiais e imaginários na sua diversa e sofisticada produção poética. Nesse sentido, a presente publicação realizada pela Fundação Nacional de Artes, Ministério da Cultura e Governo Federal, em parceria com fundamentais pesquisadores do campo, é uma afirmação de horizontes”.
A diretora do Centro de Artes Visuais da Funarte, Sandra Benites, falou sobre o marco da publicação: “Os cantos também são uma forma de nós, mulheres, nos organizarmos politicamente e dizermos aquilo que queremos. São como uma arte onde se usa metáfora para se dizer muitas coisas de forma poética, festejando. O canto engloba as dimensões de saúde e educação. Também é sagrado, político, artístico e uma comunicação com espíritos. É uma forma de nos relacionarmos com universos que não são visíveis. É muito importante que os cantos das mulheres indígenas sejam valorizados”.
A liderança indígena e professor Mutua Kuikuro, ao destacar a importância da presença da Funarte no território, também descreveu a relevância do conteúdo da obra: “O canto traz a força para nosso povo, principalmente para as mulheres. São 16 tipos de ritual dos Kuikuro, mais de 12 mil cantos, muitos que a gente ainda precisa escrever como escreveram com esse livro. Continuamos com essa força”.
O secretário adjunto de Cultura da Secel-MT, Jan Moura, também comentou sobre as muitas histórias que ainda precisam ser contadas pelas vozes dos povos originários. “Vamos continuar sendo parceiros para que mais publicações deem voz às histórias que não foram contadas dos povos que construíram o que a gente chama hoje de Brasil”.
Os Kuikuro vivem ao longo dos rios formadores orientais do Rio Xingu, na Terra Indígena do Xingu (TIX), localizada no estado do Mato Grosso, Amazônia Meridional. Juntamente com outros povos falantes de línguas da família karib que habitam o Alto Xingu — Kalapalo, Nahukwa, Matipu e Naruvoto —, os Kuikuro formam o sistema regional multilíngue conhecido como Alto Xingu. Os cantos tōlo, tradicionalmente executados por mulheres durante rituais, reúnem elementos de espiritualidade, coletividade e resistência.
Mais que um registro, o livro representa um gesto de preservação, reconhecimento e difusão das artes indígenas em um país que abriga mais de 260 povos originários. A publicação está disponível em sua versão física por meio da Livraria da Funarte, e pode ser adquirida presencialmente ou pelo e-mail livraria@funarte.gov.br. Em breve, também será disponibilizada em formato digital, com acesso público e gratuito, ampliando o alcance dos cantos e fortalecendo o compromisso da Funarte com a salvaguarda, proteção e difusão das manifestações artísticas do Brasil.
Serviço
Livro “Meu Amado me Disse: os cantos tōlo dos povos Karib do Alto Xingu”
A espirulina é uma microalga utilizada como suplemento alimentar. Foto: Elane Cunha/Acervo pessoal
Uma startup de bioeconomia amapaense desenvolveu um novo formato na produção da espirulina. Conforme a bióloga e fundadora da empresa, Elane Cunha, atualmente, o microrganismo – fabricado no estado – tem formato de grânulos crocantes e com sabor neutro.
O formato é diferente da versão em pó, comum no mercado e “que tem gosto forte, muitas vezes desagradável e, em alguns casos, chega contaminada”.
“A espirulina é cultivada em tanques cobertos similares aos de piscicultura e não pode ficar exposta. Os microrganismos vem pelo ar e pela chuva. A falta de boas práticas de cultivo, uso de tanques com material inadequado, sem cobertura e o processo de secagem inapropriado influenciam no sabor e na qualidade”, afirma Elane.
Durante a produção, testes de toxinas e monitoramento microbiológico são realizados para evitar contaminações por outras algas. Para Elane Cunha, trata-se de um padrão de qualidade pioneiro no Brasil.
A produção inovadora e segura da espirulina no Amapá rendeu investimentos em pesquisa e premiações em dinheiro. Foto: Elane Cunha/Acervo pessoal
Utilidades da espirulina
A espirulina também é uma microalga, utilizada como suplemento alimentar e o consumo traz diversos benefícios à saúde, como o aumento da massa muscular, da imunidade, emagrecimento e ganho de energia. É rica em proteínas, minerais, antioxidantes e vitaminas do complexo B. Ainda previne doenças do coração e auxilia no tratamento de diabetes e da rinite alérgica.
A startup é uma deep tech, ou seja, “são empresas baseadas em investigação científica atuantes com inovação complexa e lidam com problemas como tratamento de doenças”, conforme o Sebrae.
O investimento em pesquisa científica foi impulsionado graças às diversas premiações em dinheiro, no âmbito estadual e federal. Os planos da startup são construir um parque industrial, alavancar a produção em larga escala e vender o produto para o Brasil e para o mundo.
Na França, a bióloga visitou fazendas de espirulina para adquirir boas práticas de fabricação e trazer o conhecimento da tecnologia para o estado. Foto: Elane Cunha/Acervo pessoal
“Nós desenvolvemos pesquisas em parceria com a Unifap, Senai Amapá e Senai Cimatec, financiadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial. Estamos com dois trabalhos que serão publicados em artigos internacionais e em um livro”, ressalta a CEO da empresa, Maria Eleonora Cunha.
Na França, a bióloga visitou fazendas de espirulina para aprender a escalar, adquirir boas práticas de fabricação e trazer o conhecimento da tecnologia para o estado.
O país europeu é considerado referência mundial na produção de espirulina de alta qualidade. “O Amapá tem o clima ideal para produção. Na Europa não tem por causa do inverno e a criação ocorre durante sete meses do ano. A espirulina gosta das altas temperaturas e luminosidade”, conclui a fundadora.
Falta de boas práticas de cultivo, uso de tanques com material inadequado e processo de secagem inapropriado podem influenciar no sabor e na qualidade da espirulina. Foto: Elane Cunha/Acervo pessoal
As cientistas amapaenses desejam transformar o estado em referência nacional e até internacional na produção de espirulina de alta qualidade.
Roraima celebra 37 anos como Estado federado. Foto: Divulgação
Roraima chega aos 37 anos como Estado federado com muito a celebrar. O que antes era lembrado como “a terra das promessas”, hoje se consolida como espaço de crescimento econômico, modernização da infraestrutura e valorização social.
No dia 5 de outubro, o Estado comemora mais de três décadas de criação, com um presente marcado por conquistas históricas: segurança energética, safra recorde de grãos, novos investimentos, além da credibilidade fiscal que o coloca entre os mais confiáveis do País.
“Estamos transformando Roraima em um dos Estados mais desenvolvidos da Amazônia, aberto ao diálogo e com políticas de incentivo que geram emprego, renda e qualidade de vida. Roraima deixou de ser uma promessa e se tornou realidade”, afirmou o governador Antonio Denarium.
O projeto, destravado por articulação do Governo do Estado em 2019 após anos de paralisação, garante fornecimento de energia estável e sustentável, abrindo espaço para o crescimento em áreas como saúde, turismo, tecnologia e agro.
Linhão de Tucuruí vira realidade e promove independência energética de Roraima. Foto: William Roth/Secom RR
“É um avanço histórico que garante fornecimento de energia estável e abre as portas para grandes oportunidades nos setores de saúde, turismo, tecnologia, agro e muito mais. Tudo isso só foi possível graças ao trabalho firme que iniciamos em 2019, quando conseguimos destravar na Justiça a obra do Linhão de Tucuruí, parada desde 2011”, declarou Denarium.
O governador destacou que a conquista foi fruto de esforço e parceria com o Governo Federal. “Em 2023 demos a largada com a ordem de serviço e no último dia 26 de setembro de 2025 celebramos essa grande vitória para o povo de Roraima. A independência energética é o passaporte para um futuro de mais oportunidades”, completou.
Mais empregos, mais empresas e PIB forte
De 2019 a 2025, Roraima criou mais de 32 mil novos empregos formais, um crescimento de 61% no estoque total de trabalhadores. No mesmo período, o saldo de abertura de empresas chegou a 29 mil.
Escola Rural de Roraima: Foto: Jackson Souza/Prefeitura de Boa Vista
Esse dinamismo reflete diretamente no PIB estadual, que registrou avanço de 37,9% entre 2019 e 2024 – desempenho superior à média nacional e até mesmo a países como a China no mesmo período. Com a projeção para 2025, o crescimento real acumulado chega a 43,5%, consolidando Roraima como um dos estados de maior expansão econômica do país.
“Roraima tem muito que comemorar nestes 37 anos. Em 2018 o Estado estava quebrado, você não via expectativa de crescimento. E agora, quase sete anos depois, você vê um lugar diferente”, refletiu o vice-governador e secretário de Infraestrutura, Edilson Damião.
“Roraima hoje não é mais conhecido como o ‘Estado do contracheque’, é o Estado da soja, do milho, da carne. Nosso rebanho bovino já é de quase 1 milhão e nossa área plantada, que era de apenas 35 mil hectares em 2018, agora é de cerca de 150 mil hectares”, complementou o vice-governador.
Safra recorde, aumento da área de produção e mais infraestrutura
O agro é símbolo da transformação de Roraima. Em 2025, a área plantada no Estado alcançou 132 mil hectares, mais que o dobro de 2018, com produção superior a 500 mil toneladas de grãos.
Roraima tem crescimento contínuo na safra de grãos. Foto: Reprodução/SecomRR.
Além da soja, milho e arroz, houve avanços na pecuária, piscicultura e agricultura indígena. O programa Planta Roraima apoia hortas urbanas e comunidades tradicionais, enquanto a Sepi leva insumos e assistência a mais de 500 comunidades.
Para garantir escoamento, o Governo entregou 400 km de asfalto, recuperou 4 mil km de estradas vicinais e revitalizou 750 pontes. Um acordo com a Guiana viabiliza exportações pelo porto de Linden, abrindo mercado para o Caribe.
Quando assumiu a intervenção em 2018, Denarium encontrou dívida de R$ 8,4 bilhões. Até agora, mais de R$ 3,6 bilhões já foram pagos, o que garantiu ao Estado a Nota A do Tesouro Nacional e o título de bom pagador.
Segurança pública com índices em queda
As mortes violentas caíram de 390 em 2018 para 132 em 2024. De janeiro a julho de 2025, foram registrados apenas 60 casos, o menor índice absoluto do país.
Mais de R$ 229 milhões já foram investidos em tecnologia, equipamentos, infraestrutura e valorização das forças policiais. Outros R$ 61 milhões estão em execução.
O Instituto Mamirauá lançou o livro ‘Fortalecendo o Ecossistema de Inovação na Região do Médio Solimões’, organizado por Tabatha Benitz, Cláudia de Lima Souza e Iolanda de Cassia R. L. Monteiro, uma obra que documenta as conquistas e aprendizados do ‘I Inova Tefé’, evento realizado na instituição, em colaboração com uma rede de parceiros.
Entre 400 participantes, o ‘I Inova Tefé’, no Amazonas, reuniu empreendedores, estudantes, pesquisadores, professores e representantes de instituições, promovendo a troca de experiências e incentivando o desenvolvimento de negócios alinhados à conservação e à sustentabilidade da Amazônia.
O livro registra todas as atividades do evento, incluindo formações de impacto em economia circular e criativa, marketing digital, audiovisual, propriedade intelectual e captação de recursos, além da Bio Ideação, um mini hackathon onde estudantes do Instituto Federal do Amazonas (IFAM) criaram soluções para enfrentar os desafios da estiagem na região.
No livro, também são descritas as palestras sobre bioeconomia e inovação, as apresentações de pitches de incubadoras e empreendedores, as rodadas de oportunidades para conexão com investidores, e os relatos de pesquisa apresentados em sessões orais, pôsteres, vídeos e podcasts, abordando temas como, por exemplo, a comercialização do pirarucu e o potencial medicinal de plantas amazônicas.
Além disso, o I Inova Tefé demonstrou preocupação com a inclusão e a diversidade, registrando a roda de conversa sobre grupos vulneráveis e negócios de impacto social, com foco em comunidades LGBTQIAPN+ e quilombolas, e a programação lúdica do Espaço Curumim, voltado para crianças.
A Feira Cultural Inova Tefé, realizada na Praça Gourmet de Tefé, encerrou o evento, reunindo produtos regionais, apresentações culturais e atividades infantis que fortaleceram a economia criativa local.
Foto: Reprodução/Instituto Mamirauá
Em um capítulo do livro, Tabatha Benitz, coordenadora geral do evento, fala da importância da economia circular e da economia criativa para o desenvolvimento sustentável:
“A economia circular é um modelo econômico que visa minimizar o desperdício e maximizar a reutilização de recursos. Em vez do tradicional ciclo linear de ‘extrair, produzir e descartar’, a economia circular promove práticas que permitem que produtos e materiais sejam mantidos em uso por mais tempo, através da reciclagem, reparo e reuso. Essa abordagem não apenas reduz a pressão sobre os recursos naturais, mas também incentiva a inovação e a sustentabilidade, contribuindo para a proteção do meio ambiente e o fortalecimento das comunidades. Este modelo valoriza a criatividade e a colaboração, reconhecendo que bens e serviços culturais, como música, arte, design e tecnologia, não apenas geram receitas, mas também têm o poder de engajar e transformar comunidades. Na formação foram abordados os conceitos de economia circular e criativa e, em seguida, aplicado o modelo ‘canvas’ e ‘design thinking’, no qual os participantes formaram grupos e criaram ideias de negócios de impacto social envolvendo esses conceitos”.
Benitz ainda reforça o papel da publicação como memória do evento e ferramenta de aprendizado contínuo: “No livro que preparamos para vocês, selecionamos alguns trechos e fotos de cada etapa da programação, resultando em um material de memória e reforço das lições aprendidas ao longo da programação. Esperamos que gostem! Uma ótima leitura!”.
A obra inclui ainda reflexões sobre transferência tecnológica, propriedade intelectual e tecnologias sociais, além de referências ao podcast ‘Mamirauá Inova: Conceitos básicos da inovação‘, democratizando o acesso aos conceitos abordados durante o evento.
Com essa publicação, o Instituto Mamirauá afirma que reforça seu compromisso com a promoção da inovação, do conhecimento científico e do desenvolvimento sustentável, oferecendo à comunidade e aos interessados na Amazônia um registro detalhado de um evento que transformou a forma de pensar e agir sobre inovação na região.
Sobre o Inova Tefé
A primeira edição do Inova Tefé foi realizada pelo Instituto Mamirauá e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Amazonas (Sedecti).
O evento também contou com a parceria de instituições locais, regionais e nacionais, como SEBRAE, Senac, Prefeitura de Tefé, RAMI, Sitawi, Impact Hub Manaus, Incubadora INPA, Bionorte, UNIP, Anprotec, Inpactas, Instituto Federal do Amazonas – Campus Tefé, UEA, APAFE e FEMAPAM, que contribuíram para a diversidade de experiências e a consolidação do ecossistema de inovação no Médio Solimões. O Inova Tefé é um evento bianual e sua próxima edição ocorrerá no segundo semestre de 2026.
Livro do evento
O livro ‘Fortalecendo o Ecossistema de Inovação na Região do Médio Solimões’ está disponível gratuitamente:
Angelim-vermelho na Floresta do Paru. Foto: Reprodução/Fundação Amazônia Sustentável
Com o objetivo de modernizar as rotas de tráfego aéreo para garantir a redução da emissão de mais de 5 mil toneladas de gás carbônico (C0²) por ano, foi implementada pelo Quarto Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo – CINDACTA IV a terceira etapa do projeto ECONORTE, com a nova circulação aérea da Terminal de Cuiabá, em Mato Grosso.
O projeto é uma iniciativa estratégica do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), conduzida pelo CINDACTA IV, que visa modernizar e otimizar o gerenciamento do tráfego aéreo da Região de Informação de Voo da Amazônica (FIR Amazônica), incluindo as áreas de maior densidade como Belém, Manaus e Cuiabá.
O foco principal do projeto é alinhar a estrutura do espaço aéreo amazônico às melhores práticas internacionais de eficiência, segurança e sustentabilidade.
O projeto é uma iniciativa estratégica do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), conduzida pelo CINDACTA IV. Foto: San Marcelo
As companhias aéreas, pilotos e controladores de tráfego aéreo passam a dispor de rotas mais eficientes, gerando economia de combustível e redução da emissão de gás carbônico (CO²). O projeto impacta positivamente no turismo, na logística e na integração da Amazônia ao restante do país.
“O ECO-Norte é um marco para o controle do tráfego aéreo brasileiro. A grandiosidade desse projeto está no seu duplo impacto: ao mesmo tempo em que garantimos maior segurança e eficiência para a aviação, contribuímos para a preservação da Amazônia, reduzindo emissões e apoiando a sustentabilidade. É a Força Aérea Brasileira unindo tecnologia, inovação e responsabilidade ambiental em benefício de toda a sociedade”, destaca o coordenador do ECO NORTE, Major Rui Nunes da Costa.
Os resultados já são mensuráveis. Foto: Ricardo Oliveira/Ipaam
A implementação iniciou-se em julho de 2025 com a aplicação da nova rota de circulação na TMA Belém. Em agosto , a aplicação foi realizada na TMA Manaus e, finalmente, ocorreu a implantação na TMA de Cuiabá, em outubro.
Esse processo envolveu o redesenho de rotas, Saídas Padrão por Instrumentos (SID), Chegadas Padrão (STAR) e Procedimentos de Aproximação por Instrumentos (IAP), Rotas de Aeronaves em Voo Visual (REA), Carta de Aproximação Visual (VAC), Espaços Aéreos Condicionados (EAC) e estudos de aplicação de Point Merge System, acompanhado por monitoramento constante de capacidade e segurança operacional.
Os resultados já são mensuráveis. Na implantação da TMA Manaus, por exemplo, os cálculos indicaram uma redução de mais de 28 toneladas de combustível e cerca de 88 toneladas de CO₂ nas primeiras semanas de operação, representando economia para as empresas e ganhos ambientais significativos. A expectativa é que as mudanças resultarão em redução de 5070 toneladas de CO² na atmosfera por ano.
As companhias aéreas, pilotos e controladores de tráfego aéreo passam a dispor de rotas mais eficientes. Foto: Divulgação
“Este resultado é fruto do esforço coletivo, da dedicação e do profissionalismo de todos os envolvidos – planejadores do espaço aéreo, elaboradores de procedimentos, controladores, técnicos, gestores, parceiros institucionais e companhias aéreas. Cada contribuição, desde o planejamento inicial até as últimas coordenações operacionais, foi essencial para que este projeto fosse conduzido com êxito, mantendo-se sempre alinhado aos pilares que norteiam o ECO NORTE: segurança operacional, aumento de capacidade, eficiência das trajetórias e mitigação ambiental”, afirma Major Rui Nunes.
Para a Força Aérea Brasileira, reforça a missão constitucional de garantir a soberania e a eficiência do espaço aéreo amazônico, ampliando a segurança operacional e a interoperabilidade com parceiros nacionais e internacionais. Para a sociedade civil, representa um passo concreto rumo a um transporte aéreo mais seguro, rápido, sustentável e ambientalmente responsável, sobretudo em uma região de dimensões continentais e grande relevância ecológica.
Localizada no Pará, terra indígena Munduruku foi objeto de operação de desintrusão do Governo entre novembro de 2024 e janeiro de 2025. Foto: Márcio Lopes
O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou, no dia 26 de setembro, o julgamento da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709, reconhecendo que o Governo do Brasil cumpriu as metas de proteção a terras indígenas e de enfrentamento às atividades ilícitas. Desde 2023, operações articuladas em nove territórios retiraram invasores, garantiram a integridade de mais de 58 mil indígenas e asseguraram o usufruto exclusivo de 18,7 milhões de hectares aos povos indígenas, conforme prevê a Constituição.
As operações seguem em andamento em duas áreas estratégicas: na Terra Indígena Yanomami, onde o garimpo ilegal foi reduzido em 98%, e na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia, que teve início no dia 8 de setembro e onde já há resultados parciais de combate à exploração madeireira.
A decisão unânime do STF extinguiu a ação com resolução de mérito e determinou que a Petição 9.585, antes vinculada à ADPF, siga de forma autônoma para a conclusão das duas desintrusões, além da implementação das medidas de sustentabilidade.
As ações do governo, contudo, não se encerram com o julgamento. Elas avançam agora para a fase de manutenção e consolidação, com planos de gestão territorial e ambiental construídos em diálogo com as comunidades, garantindo proteção contínua e sustentabilidade a longo prazo.
As operações realizadas desde 2023 resultaram na destruição e apreensão de milhares de equipamentos usados em crimes ambientais, com prejuízo estimado de R$ 740,6 milhões às atividades ilegais. O balanço mostra a consolidação de uma política de Estado inédita de defesa dos territórios indígenas, da biodiversidade e da vida.
“Esse é um compromisso de Estado. Não se trata apenas de cumprir decisões judiciais, mas de garantir a vida, a saúde e o futuro dos povos originários e da nossa biodiversidade. O Brasil mostra ao mundo, em uma política inédita de Estado, que é capaz de proteger quem sempre cuidou da floresta”, afirma o ministro da Casa Civil, Rui Costa.
Mobilização inédita
Mais de 20 órgãos federais participaram das operações, coordenadas pela Casa Civil da Presidência em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas, (MPI), a Funai, a Polícia Federal, o Ibama, o ICMBio, a PRF, a Força Nacional, o Ministério da Defesa e o Censipam, entre outros.
O relator da ação no STF, ministro Luís Roberto Barroso, ressaltou a relevância dos resultados. “O resultado das medidas adotadas pela União para efetivar a desintrusão é significativo. Na TI Yanomami, vitimada por grave crise humanitária, houve redução de 98% dos garimpos ativos”, registrou. “Pelas razões apresentadas, entendo que houve resolução do mérito desta ação, especialmente em relação aos problemas estruturais identificados nos itens ‘c’ e ‘d’ da petição inicial”, concluiu o ministro.
Para a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, os avanços representam um novo paradigma. “As desintrusões são etapas e ao mesmo tempo resultados de uma política consistente, que une segurança, saúde, proteção territorial e sustentabilidade. Cada operação foi planejada com base em diálogo e articulação institucional”, ressalta.
Terra Indígena Yanomami. Foto: Leonardo Prado/PGR
Impactos sociais e ambientais
As desintrusões não apenas afastaram atividades criminosas como também permitiram a recuperação ambiental, a redução de desmatamentos e queimadas ilegais e a retomada da produção agrícola, da pesca e de práticas culturais pelos povos originários.
Além de causar a destruição de ecossistemas – sendo responsáveis, por exemplo, por queimadas irregulares para fins de agropecuária –, os ilícitos deixam um rastro de problemas sociais e de aumento da violência nos municípios onde se instalam.
Segundo o Governo, o objetivo é restaurar a dignidade, a segurança alimentar e a autonomia produtiva e cultural em territórios por décadas marcados pela violência e pela destruição ambiental.
Alto Rio Guamá
Embora não esteja no escopo da ADPF, a Terra Indígena Alto Rio Guamá também foi objeto de desintrusão pelo Governo Federal, em 2023. O território demarcado aguardava há 30 anos a retirada dos invasores desse território e era objeto de outra ação que tramitava na Justiça Federal. Cerca de mil não indígenas que viviam ilegalmente na área foram retirados da TI.
Continuidade garantida
As ações do Governo não se encerram com a retirada dos invasores. Concluídas as etapas ostensivas de combate aos ilícitos, as equipes de fiscalização e segurança pública são mobilizadas para garantir a manutenção dos resultados das desintrusões, com a elaboração de Planos de Manutenção pelo MPI. Criado em 2023, o Comitê Interministerial de Desintrusão articula a presença permanente do Estado nas áreas, prevenindo reinvasões e apoiando a gestão autônoma dos territórios.
Além disso, programas estruturantes, como o Programa de Consolidação da Posse Indígena (PCPI) e os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), asseguram que os territórios permaneçam livres de pressões externas e fortalecem a sustentabilidade, a vigilância territorial e a autodeterminação dos povos.
Operações do Governo na TI Kayapó, no Pará, destruíram acampamentos, maquinários e outras estruturas utilizadas pelo garimpo ilegal. Foto: Thiago Dias/SECOM-PR
Resultados por território
Terra Indígena Yanomami (Roraima e Amazonas) | Ações permanentes desde 2023
Declaração de Emergência em Saúde Pública de Interesse Nacional (ESPIN), em 2023, pelo Ministério da Saúde
Criação da Casa de Governo em 2024 como coordenação dos mais de 20 órgãos que atuam em Roraima nas ações integradas de proteção dos povos yanomami, ye’kwana e sanöma
Redução de 98% dos alertas de novas áreas de garimpo (de 4.570 ha para 136 ha entre mar/2024 e set/2025)
7.314 operações realizadas, 668 acampamentos inutilizados, 33 aeronaves e 212 embarcações destruídas, 124 armas apreendidas, além da inutilização de mais de 129 mil litros de combustíveis
Prejuízo estimado em R$ 498,7 milhões ao garimpo ilegal
Aumento de 169% no número de profissionais de saúde, de 690 em 2023 para 1.855 em 2025, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas e agentes de saúde
37 polos-base em funcionamento e 40 UBSIs ativas, incluindo novas construções e reformas
Instalação do Centro de Referência em Saúde Indígena, em Surucucu, responsável por atendimentos de média e alta complexidade e suporte em emergências. Unidade já está em funcionamento e irá beneficiar cerca de 10 mil indígenas de 60 comunidades
Mais de 140 mil cestas de alimentos entregues, alcançando mais de 500 comunidades
184 equipamentos para casas de farinha e 5.000 kits de ferramentas agrícolas distribuídos
Abertura de quase 224 hectares de roçados na TIY, entre 01/01/2025 e 13/04/2025, o que equivale a aproximadamente 313 (trezentos e treze) campos de futebol. Esse dado indica que os povos indígenas estão retomando o plantio de culturas tradicionais
Implantação do Centro de Atendimento Integrado da Criança e Adolescente Yanomami e Ye’kwana (CAICYY) e do Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana (CREDHYY) em fase final de estruturação. As equipes foram contratadas e já estão realizando atividades.
TIs Apyterewa e Trincheira-Bacajá (Pará) | OUT a DEZ – 2023
Ações inutilizaram escavadeiras, motores, geradores, bombas de sucção, armas e veículos
Prejuízo estimado às atividades ilegais: R$ 25,7 milhões (multas e destruição de equipamentos)
TI Karipuna (Rondônia) | JUN a JUL 2024
Operações contra desmatamento e grilagem de terras
154 ações realizadas, dentre apreensões e inutilizações de bens
Destruição de mais de 20 edificações no interior da TI
Apreensão ou inutilização de 54 metros cúbicos de madeira
TI Arariboia (Maranhão) | FEV a ABR 2025
Combate a invasões para exploração madeireira e pecuária ilegal
440 ações de reconhecimento e fiscalização
Retirada de mais de 12 km de cercas
Reaproveitamento de 60 m³ de madeira ilegal para construção da Base de Proteção Etnoambiental da terra indígena
TIs Munduruku e Sai-Cinza (Pará) | NOV 2024 a JAN 2025
Regiões historicamente afetadas pela exploração de ouro.
Redução de 100% nos alertas de novas áreas de garimpo ilegal
523 ações de fiscalização e repressão realizadas
Prejuízo de R$ 112,3 milhões às atividades ilícitas – R$ 24,2 milhões somente em multas
TI Kayapó (Pará) | MAIO a JUL 2025
686 ações realizadas de reconhecimento e fiscalização
Identificação e destruição de 1.384 alvos de garimpo ilegal – mais que o dobro da meta inicial (650)
Prejuízos de quase R$ 100 milhões aos criminosos
Redução de quase 100% nos alertas de novas áreas de influência e do garimpo ativo
Redução da turbidez de rios da terra indígena, evidenciando a recuperação ambiental
TI Uru-Eu-Wau-Wau (Rondônia) | Iniciada em SET/25, em andamento
Principais ameaças são a pressão fundiária do entorno, especialmente em razão da atividade pecuária e extração ilegal de madeira
Combate a grilagem e tentativas de invasão no território
Dados até o momento: R$ 4 milhões em multas aplicadas, totalizando R$ 5,1 milhões em prejuízo estimado aos ilícitos
*Com informações do Ministério dos Povos Indígenas