Quatro franceses chegaram ao Amapá após três meses navegando pelos rios da Amazônia em uma balsa artesanal. Foto: Reprodução/Expedição Pipilintu
Três franceses chegaram no dia 14 de outubro à praia da Fazendinha, em Macapá (AP), encerrando a Expedição Pipilintu. A jornada começou há três meses nos Andes, na Bolívia, e percorreu cerca de 3.400 quilômetros pelos rios da Amazônia.
A travessia foi feita em uma balsa artesanal construída com totora — planta típica dos Andes — e cipó. A embarcação simboliza os 200 anos da independência da Bolívia, marco que inspirou o projeto.
Durante o percurso, os franceses enfrentaram correntezas fortes e chuvas intensas, mas também receberam apoio de comunidades ribeirinhas e indígenas.
“O barco que usamos é feito de palha chamada totora, usada por povos indígenas em construções tradicionais. A expedição teve três objetivos: esportivo, cultural e ecológico. Fizemos todo o trajeto sem causar poluição, respeitando o meio ambiente”, explicou Fabien Gallier, capitão da expedição.
No início da viagem, o grupo contou com o apoio da Armada Boliviana. Já em território brasileiro, foram os ribeirinhos que ofereceram ajuda e acolhimento. Um vídeo gravado no Rio Madeira, no Amazonas, mostra a passagem da embarcação e a interação com moradores locais.
Foto: Reprodução/Expedição Pipilintu
“Foram três meses intensos, parece que vivi uma vida inteira. A Amazônia era algo que eu não conseguia imaginar, mas agora conheço tanto a parte boliviana quanto a brasileira. O que mais vou lembrar são as pessoas generosas que encontramos pelo caminho”, disse o tripulante Benjamin Vaysse.
Com a chegada ao destino final, a embarcação será desmontada e transformada em adubo orgânico. O material será doado à Prefeitura de Macapá para uso no viveiro de plantas da cidade, como forma de promover a sustentabilidade e preservar o meio ambiente.
“A Prefeitura veio dar as boas-vindas à expedição, que também realizou ações de educação ambiental com comunidades ribeirinhas. Agora, o barco será desmontado: as cordas de plástico serão retiradas e o restante, feito de material orgânico, será usado na compostagem do viveiro municipal. O fim da expedição vai se transformar em árvores em Macapá”, afirmou Valcir Marvulle, secretário municipal de Meio Ambiente.
Confira AQUI os registros oficiais do grupo expedicionário.
Fotos: Clóvis Miranda, Janailton Falcão e Tadeu Rocha/Amazonastur
O Amazonas se destaca como cenário turístico novamente no país e o Governo, por meio da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur), tem impulsionado o setor, com resultados que já começam a aparecer: em agosto de 2025, as atividades turísticas do estado cresceram 6,9%, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, ficando em segundo lugar no país, atrás apenas do Rio de Janeiro (2,5%).
Segundo o presidente da empresa estadual, Marcel Alexandre, esse avanço mostra a recuperação do setor e coloca o estado à frente de grandes centros turísticos como São Paulo, Paraná e Minas Gerais, que registraram retração no mesmo período.
Fotos: Clóvis Miranda, Janailton Falcão e Tadeu Rocha
“Estamos muito felizes, porque estamos colhendo os frutos de um trabalho intenso. Nosso estado foi o segundo do Brasil em crescimento das atividades turísticas, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro. Superamos grandes potências como São Paulo, Paraná e Minas Gerais, e isso mostra que o Amazonas está construindo uma nova história no cenário nacional”, destacou o presidente.
Amazonas cresce com a busca pela gastronomia
O crescimento foi impulsionado por hotéis, restaurantes, serviços de buffet e transporte, refletindo o aumento de visitantes e a maior movimentação turística.
Fotos: Clóvis Miranda, Janailton Falcão e Tadeu Rocha
Campanhas de divulgação, participação em feiras e fortalecimento de roteiros que destacam a natureza e a cultura amazônica contribuem diretamente para esse resultado positivo.
Esses números reforçam o estado como um destino turístico de destaque no país, com forte potencial de crescimento e consolidação da economia de serviços voltada ao turismo.
Para Joice Maria, ver a produção chegando à mesa é o que mais lhe enche de orgulho. Foto: Jean Carla Costa
O Dia Internacional da Mulher Rural, comemorado no dia 15 de outubro, é uma oportunidade de reconhecer e valorizar as mulheres que cultivam a terra e garantem alimentos de qualidade para a população na Amazônia.
“Trabalhar na roça não é fácil, mas ver minha produção chegando à mesa das pessoas me enche de orgulho”.
Quem afirma é Joice Maria Cruz Bernardo, agricultora familiar de Porto Velho, enquanto colhe o café que será beneficiado e vendido na capital.
Em Porto Velho (RO), a Semagric desenvolve políticas públicas que fortalecem a agricultura familiar feminina, promovendo autonomia, renda e sustentabilidade.
Neuracy Monteiro do Nascimento, outra agricultora, reforça a importância do apoio da prefeitura. “As ações da Semagric estão fortalecendo a agricultura na cidade. Isso ajuda muito o trabalho das mulheres que tiram o sustento da roça. Faz diferença na nossa vida”.
Neuracy Monteiro do Nascimento. Foto: Jean Carla Costa
Entre as ações em destaque estão:
o Programa Calcário Já, que contribui para a melhoria da qualidade do solo e das pastagens;
os incentivos à mandiocultura e à apicultura, que fortalecem a diversificação da produção rural;
e o apoio ao transporte da produção das agricultoras para as feiras livres, assegurando que os alimentos cheguem frescos ao consumidor.
Além disso, iniciativas como o projeto “Horta e Arte e Mulheres do Campo” promovem o protagonismo feminino e o fortalecimento das mulheres rurais em suas comunidades.
“Fortalecimento das mulheres rurais”
“O nosso compromisso é com o fortalecimento das mulheres rurais, oferecendo suporte técnico, logístico e financeiro para que elas desenvolvam suas atividades com segurança e gerem renda para suas famílias”, afirma o secretário da Semagric, Rodrigo Ribeiro.
Para Raimunda Luiza a tradição do trabalho rural é uma herança de família. Foto: Delcimar Fragoso
Para Raimunda Luiza Nunes Moreira, a tradição do trabalho rural é uma herança de família, e hoje ela sente orgulho de passar esse legado para o filho, que já ajuda na propriedade.
“A valorização das políticas públicas voltadas para as mulheres está transformando o campo, tornando-o mais produtivo, inclusivo e sustentável”, finaliza Raimunda.
Nesta terça-feira (14/10), a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) realizou a cerimônia de posse da Professora Jacqueline, primeira suplente do partido União Brasil, como deputada estadual da 20ª Legislatura. A parlamentar assume a vaga deixada pela deputada Joana Darc (União Brasil), licenciada do cargo para comandar a Secretaria de Estado de Proteção e Bem-Estar Animal (Sepet).
A solenidade, conduzida pelo presidente da Aleam, deputado Roberto Cidade (UB), aconteceu no plenário Ruy Araújo. Seguindo o rito regimental, Professora Jacqueline prestou o juramento oficial e assinou o termo de posse, formalizando sua entrada no Parlamento Estadual.
“Assumo hoje o mandato de deputada estadual com o mesmo compromisso que orientou minha atuação na Câmara Municipal de Manaus: trabalhar com seriedade, presença e buscando sempre resultados concretos em favor do nosso Estado”, afirmou a nova parlamentar, lembrando de sua atuação como vereadora de Manaus, cargo do qual se licenciou para assumir a vaga na Aleam.
O presidente Roberto Cidade destacou a importância da chegada da nova deputada e reafirmou o apoio da Mesa Diretora ao seu mandato. “É uma honra conduzir esta cerimônia de posse. Tenha certeza, deputada Jacqueline, de que está sendo recebida de braços abertos por este Parlamento, para juntos trabalharmos pelo povo do Amazonas”, declarou Cidade.
A deputada afirmou que seu mandato será voltado aos professores, servidores públicos, mulheres e comunidades rurais do interior do estado. “Lutarei para que esses grupos tenham voz, respeito e políticas públicas de valorização”, disse, ressaltando que seu trabalho se pautará na escuta das comunidades e na transformação de suas demandas em ações concretas.
Com a posse, a Aleam volta a contar com 24 parlamentares, mantendo o número de cinco mulheres na composição legislativa, marca histórica alcançada nas eleições de 2022, que representa um avanço na representatividade feminina na política amazonense.
Em nome do Parlamento, a deputada Alessandra Campelo (Podemos) fez um pronunciamento destacando a importância da presença feminina na política. “A Professora Jacqueline é a 21ª mulher, na história do Amazonas, a tomar posse como deputada estadual”, informou Campelo.
Segundo ela, essa sub-representação reflete barreiras estruturais e culturais enfrentadas pelas mulheres e limita a diversidade de perspectivas no processo democrático.
“A presença de mulheres na política é fundamental para garantir a diversidade e a eficácia democrática, além de assegurar que políticas públicas atendam às necessidades específicas das mulheres”, completou Alessandra, enfatizando que a 20ª Legislatura da Aleam tem trabalhado pela criação de leis e políticas de fortalecimento das mulheres.
Professora Jacqueline permanecerá na função pelo período em que a deputada Joana Darc ocupar a titularidade da Sepet.
Árvores gigantes concentram carbono e água; Amapá desponta como refúgio climático. Foto: Divulgação/UEAP
Um estudo divulgado na terça-feira (14) pela revista britânica New Phytologist revelou, pela primeira vez, onde estão as maiores árvores da Amazônia. Com mais de 60 metros de altura, essas gigantes ajudam a manter o equilíbrio da floresta, armazenam carbono e são fundamentais para a biodiversidade.
O artigo, intitulado “Mapping the density of giant trees in the Amazon“, ou traduzido do inglês “Mapeando a densidade de árvores gigantes na Amazônia“, foi liderado pela Universidade do Estado do Amapá (Ueap) e realizado por uma equipe ampla de pesquisadores de outras instituições nacionais e internacionais.
O foco principal foi mapear e modelar a densidade de árvores gigantes em toda a Amazônia brasileira. Para isso, os cientistas utilizaram dados de sensoriamento remoto por LiDAR (Light Detection and Ranging), coletados entre 2016 e 2018 em 900 áreas da floresta, cada uma com cerca de 3,75 km².
Esses dados foram combinados com 16 variáveis ambientais, como clima, relevo, solo, incidência de raios e ventos, para construir um modelo de floresta aleatória (Random Forest), uma técnica de inteligência artificial que permite prever padrões com alta precisão.
Os resultados mostram que a distribuição dessas árvores é desigual: cerca de 14% estão concentradas em apenas 1% da área da Amazônia.
Maior árvore da Amazônia está localizada na fronteira do Amapá e do Pará. Foto: Rafael Aleixo/GEA
As maiores densidades foram encontradas em Roraima e do Escudo das Guianas — que inclui parte do estado do Amapá — onde há alta disponibilidade de água e baixa incidência de raios e ventos fortes.
Árvores gigantes são peças-chave
Segundo Robson Lima Borges, pesquisador da Ueap, o estudo reforça como poucas árvores gigantes podem concentrar grandes estoques de biomassa e carbono acima do solo, o que as torna peças-chave no equilíbrio ecológico da floresta.
“O artigo é um importante desdobramento das pesquisas nossas sobre as árvores gigantes. Em especial, nossa pesquisa traz um importante insight que é sobre como poucas árvores grandes podem impactar diretamente os maiores estoques de biomassa e carbono acima do solo”, informou o pesquisador.
O estado do Amapá teve papel importante na pesquisa. Instituições como a Ueap e o Instituto Federal do Amapá (Ifap) participaram ativamente do estudo. Parte dos voos com sensores LiDAR foi realizada sobre áreas do Amapá, contribuindo para o mapeamento da vegetação local.
Com grande cobertura vegetal e baixa taxa de desmatamento, o território amapaense se destaca como uma das regiões com maior potencial de conservação da floresta, segundo o artigo.
O estudo identificou que fatores como temperatura amena, boa luminosidade, solo com alta retenção de água e baixa frequência de distúrbios naturais favorecem o crescimento das árvores gigantes. Já eventos extremos, como secas prolongadas, ventanias e descargas elétricas, aumentam a mortalidade dessas espécies.
Alterações ambientais afetam fungos aquáticos e a decomposição de matéria orgânica. Foto: Lacia/Inpa
Em meio a folhas submersas nos igarapés da Amazônia, fungos microscópicos regulam o equilíbrio das cadeias alimentares e transformam a matéria orgânica em nutrientes para insetos, peixes e, indiretamente, milhões de pessoas. Um estudo publicado em junho, na revista científica Science of the Total Environment, aponta, no entanto, que esses discretos organismos podem ser impactados pela combinação de microplásticos e das mudanças do clima, alterando a sua reprodução, a diversidade e a decomposição mediada por eles.
Conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), em parceria com colegas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o trabalho utilizou câmaras climáticas capazes de simular em tempo real cenários previstos para a região amazônica até o ano 2100. Nessas condições, os cientistas expuseram organismos responsáveis pela decomposição de folhas a diferentes níveis de microplásticos e variações de temperatura e gás carbônico.
“Observamos que houve uma alteração da reprodução desses fungos”, destaca a bióloga Viviane Caetano Firmino, da UFPA e primeira autora do artigo. “O impacto foi ainda maior quando as concentrações de microplásticos e os cenários climáticos extremos atuaram em conjunto”.
A riqueza total de espécies não diminuiu, mas houve substituição de espécies das comunidades fúngicas. Algumas mais tolerantes ou competitivamente superiores surgiram no ambiente e se tornaram dominantes, enquanto outras praticamente desapareceram.
Além disso, a capacidade de decomposição da matéria orgânica sofreu impacto, sugerindo riscos diretos à ciclagem, que é o processo de decomposição que devolve nutrientes ao ambiente, permitindo seu reaproveitamento por outros seres vivos.
“Os microplásticos já estão presentes nos igarapés amazônicos. Com isso, alguns serviços ecossistêmicos essenciais podem ser perdidos, e essa é nossa maior preocupação”, destaca o biólogo Leandro Juen, da UFPA. Ele é um dos autores do artigo e líder do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Síntese da Biodiversidade Amazônica (SinBiAm).
A apreensão do pesquisador se deve ao risco de que mudanças na base da cadeia alimentar provoquem efeitos em cascata, atingindo não apenas insetos e peixes, que dependem diretamente da ciclagem promovida pelos fungos, mas também a segurança alimentar de milhões de pessoas.
“Os fungos tornam o material vegetal mais palatável para outros organismos e por isso funcionam como engrenagens invisíveis na manutenção dos riachos amazônicos”, explica Juen. Quando a decomposição da matéria orgânica perde eficiência, a água tende a se tornar mais ácida e menos potável.
O estudo foi conduzido em câmaras de simulação climática instaladas no Inpa, em Manaus, capazes de reproduzir em tempo real diferentes cenários previstos para a floresta (ver mais detalhes no box). No cenário extremo, a temperatura da água foi elevada em 5,1 °C e a concentração de dióxido de carbono (CO₂) alcançou mais de 1.080 ppmv (partes por milhão por volume), enquanto no cenário intermediário o aquecimento chegou a 3,3 °C e o CO₂ a cerca de 700 ppmv. Esses cenários seguem as projeções estabelecidas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU (Organização das Nações Unidas).
Paralelamente, os fungos foram submetidos a distintas concentrações de microplásticos, variando entre a ausência completa e níveis considerados baixos (1,8 × 10 partículas por mililitro) e médios (1,8 × 10² partículas por mililitro). Para avaliar o efeito combinado desses fatores, os pesquisadores utilizaram discos cortados de folhas de louro-preto (Nectandra cuspidata), uma planta amplamente distribuída na Amazônia, preparados para permitir a colonização natural dos fungos decompositores de igarapés amazônicos.
Durante 15 dias de experimento, o grupo monitorou parâmetros como a produção de esporos, a diversidade de espécies presentes e a eficiência na decomposição da matéria orgânica, indicadores-chave da saúde e do equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.
Para a ecóloga espanhola Luz Boyero, da Universidade do País Basco, investigar múltiplos estressores de forma combinada é fundamental, pois mostra que os efeitos interativos entre eles não são simples e podem se reforçar mutuamente (efeitos aditivos) ou se comportar de forma mais complexa (efeitos não aditivos). “No caso dos fungos amazônicos, a produção de conídios [os esporos responsáveis pela reprodução] reagiu de forma diferente aos microplásticos dependendo das condições climáticas. Isso pode estar ligado ao fato de que algumas espécies são mais sensíveis que outras e variam em suas taxas de reprodução”, explica.
Boyero não participou do trabalho, mas um de seus estudos sobre microplásticos, publicado em 2023 na revista Environmental Pollution, serviu de referência para a metodologia adotada pelos pesquisadores brasileiros.
“Em um de nossos estudos, observamos que o aumento da temperatura, combinado à eutrofização [excesso de nutrientes na água], afetou a forma como organismos que se alimentam de matéria orgânica equilibram os elementos químicos em seus corpos, embora o processo de decomposição não tenha se alterado”.
Na prática, isso significa que os organismos que se alimentam de matéria orgânica em decomposição, como insetos e outros pequenos invertebrados aquáticos, passaram a apresentar diferentes proporções de carbono, nitrogênio e fósforo em seus corpos. Embora a decomposição das folhas continuasse ocorrendo, essa alteração na química interna desses animais pode influenciar a qualidade do alimento disponível para níveis superiores da cadeia alimentar.
O biólogo Adalberto Val, pesquisador do Inpa que não participou do estudo, celebra os resultados obtidos pelos colegas da UFPA, mas lembra o quanto evidenciam o tamanho do desafio imposto pela emergência climática.
“As mudanças climáticas na Amazônia tornam águas que já são quentes, mais quentes; águas que já são hipóxicas [com pouco oxigênio], mais hipóxicas; e águas que já são ácidas, mais ácidas. Daí a importância de estudos como esse sobre o futuro do ecossistema”, resume.
No Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular, pesquisadores expõem organismos a condições previstas de mudanças climáticas. Foto: Leem/Inpa
Uma janela para o futuro da Amazônia
Instalado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, o Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (Leem), onde foi realizado o estudo publicado em junho na Science of the Total Environment, abriga um conjunto de quatro salas de cerca de 25 m³ projetadas para testar como organismos amazônicos reagem às mudanças do clima.
A sala-controle reproduz o clima atual da floresta, enquanto as demais simulam cenários previstos até 2100, segundo o IPCC. A umidade relativa é mantida entre 80% e 90%, enquanto sensores instalados em uma torre em uma reserva próxima ao Inpa transmitem dados a cada dois minutos para os computadores do instituto, ajustando automaticamente os parâmetros. Assim, as condições oscilam como na floresta real, variando ao longo do dia e da noite, acompanhando a cobertura de nuvens e a chegada da chuva.
“Essas câmaras permitem simular com precisão o futuro climático da Amazônia, criando uma ponte entre o que está acontecendo hoje na floresta e o que poderá acontecer nas próximas décadas”, enfatiza Adalberto Val, um dos idealizadores do Leem. Pesquisador do Inpa, atualmente ele é coordenador do INCT Adapta-Amazônia.
Ao visitar o espaço, impressiona a atmosfera controlada e silenciosa. O acesso exige protocolos rigorosos para evitar contaminação, além de restrições quanto ao tempo de permanência em cada sala. No ambiente que simula o cenário mais drástico, com a maior concentração de gás carbônico, não é permitido ficar mais do que alguns minutos, e sempre há alguém para monitorar a segurança dos pesquisadores e visitantes.
Dentro das câmaras, também é controlado o ciclo de luz e escuridão, o que garante a reprodução fiel do ritmo diário da floresta. Para evitar interrupções em uma cidade marcada por oscilações no fornecimento de energia, o sistema foi projetado com redundância elétrica, incluindo gerador e banco de baterias capazes de manter os parâmetros estáveis por até duas horas em uma eventual falta de luz.
Essa infraestrutura permite manter não apenas fungos e peixes, mas também insetos, plantas e outros organismos por longos períodos em condições controladas, revelando de maneira dinâmica como eles respondem a cenários climáticos extremos. “É um dos laboratórios mais modernos que temos aqui no Brasil. Seria necessário ter um em cada bioma brasileiro, para fins de comparação entre os resultados e o alcance de padrões gerais sobre os efeitos das mudanças climáticas”, defende Viviane Firmino, da UFPA.
A construção do Leem, em 2016, foi viabilizada pelo programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) do governo federal, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e também com recursos do próprio Inpa.
O laboratório integra o Adapta 3, a nova fase do INCT Adapta-Amazônia. “Recentemente tivemos a aprovação do INCT na qual vamos procurar responder como os organismos amazônicos vão lidar com a intensificação das mudanças globais, avaliando desde mecanismos fisiológicos até implicações ecológicas e sociais”, explica Val.
A reportagem acima foi publicada com o título “Fungos invisíveis, impactos visíveis” na edição impressa nº 356, de outubro de 2025.
Rosa Pereira Maia é fundadora e líder à frente do Rosa Ateliê, uma empresa renomada em Roraima, especializada em fardamentos escolares e profissionais, ativa no mercado desde 1997.
Natural do Ceará, Rosa se encantou pela Amazônia. Morou no Amazonas – nas cidades de Manaus e São Gabriel da Cachoeira. Ela conta que, desde a juventude, teve vontade de empreender e tinha ligação com a costura, uma vez que criava as roupas de suas bonecas.
Com uma sólida tradição no mercado, a empresa utiliza recursos sustentáveis para preservar a natureza e se destaca pela qualidade de seus produtos, além da confiança que conquistou ao longo dos anos. O ateliê é administrado pela sua filha e seu esposo, que atua como designer dos uniformes.
A empresária é uma das convidadas do programa Gente do Norte – Empresas, no Amazon Sat:
O conhecimento sobre a composição nutricional dos feijões amazônicos pode contribuir para a sua valorização no mercado. Foto: Felipe Sá
Um estudo inédito desenvolvido no Vale do Juruá, no Acre, revelou que os feijões-caupi Costela de Vaca e Manteiguinha Branco (Vigna unguiculata(L) Walp.) possuem teores de proteína de até 27%, superiores aos 20% da média das variedades encontradas em outras regiões, e acima da média mundial.
As análises da composição nutricional das amostras foram realizadas no laboratório de Bromatologia da Embrapa Acre. As duas variedades de feijão com maior índice proteico são cultivadas por agricultores familiares que ainda utilizam sistemas agrícolas tradicionais. A maioria foi plantada durante o período seco, nas praias dos rios da região.
Feijões Costela de Vaca, o segundo na linha superior, e Manteiguinha Branco, o primeiro na inferior. Foto: Amauri Siviero
O estudo também quantificou a presença de antocianinas nos feijões, substâncias naturais antioxidantes que, entre outros benefícios, ajudam no combate ao envelhecimento celular e na prevenção de doenças como câncer, problemas cardíacos e Alzheimer. Os feijões Preto de Arranque (P. vulgaris) e Preto de Praia (V. unguiculata) se destacaram com índices que variaram de 420 a 962 microgramas por grama, superiores aos encontrados em variedades brancas e coloridas.
Os feijões podem ter composição diferenciada dependendo da espécie, variedade e local de cultivo. A alteração pode ser em macro e micronutrientes, compostos fenólicos, especialmente em variedades que apresentam características tão diversas em suas cores, tamanhos e formatos, como são os feijões do Juruá. “Essas variedades possuem pouco ou nenhum estudo, o que deixa claro que ainda temos muito a conhecer sobre elas”, afirma a professora.
Segundo ela, o conhecimento sobre a composição nutricional do produto pode contribuir para a sua valorização no mercado e maior geração de renda para os produtores.
“Esses aspectos favorecem a busca por mercados mais justos para os feijões do Juruá”, reforça.
A boa conservação dos grãos é outra característica positiva confirmada pelo estudo. Após 12 meses de armazenamento em diferentes tipos de embalagens, eles mantiveram seus valores nutricionais. “Esse é um ponto muito importante, considerando que as sementes utilizadas são selecionadas e manejadas por agricultores familiares, indígenas, quilombolas e outros povos tradicionais. Ao longo dos anos, elas foram sendo adaptadas às formas de manejo dessas populações e as condições específicas de seus locais de cultivo”, explica Siviero.
Durante três anos, foram avaliadas 14 variedades de feijões cultivados ao longo dos rios Juruá, Breu, Tejo e Amônia, em Marechal Thaumaturgo — município que concentra a maior diversidade de feijões do Acre. O levantamento confirmou a forte ligação da agricultura local com a biodiversidade regional, em especial no Vale do Juruá, que reúne grande número de variedades tanto de feijão-comum (Phaseolus vulgaris) quanto de feijão-caupi (Vigna unguiculata).
Outra parte da pesquisa foi a sistematização da ocorrência de variedades crioulas que ocorrem em todo estado do Acre. Esse trabalho resultou na elaboração do mapa da distribuição de variedades de feijões comum e feijão-caupi cultivados no Acre. Siviero explica que o cultivo dessa leguminosa ocorre em todos os municípios acreanos, mas a maior diversidade de variedades encontra-se no Vale do Juruá.
Em Marechal Thaumaturgo foram constatadas 23 variedades de feijões, revelando ser a região com maior ocorrência de espécies crioulas do Acre. O acesso ao município é realizado apenas por via fluvial ou aérea, fator que reforça a importância da produção local para a segurança alimentar da região.
“Vimos que enquanto o cultivo do feijão-comum é desenvolvido em terra firme, o feijão-caupi é cultivado em áreas de várzeas, em pequenos roçados de um hectare, por agricultores familiares. Já na região do Baixo Acre, a mais populosa do estado, predomina o cultivo de apenas três variedades do grão”, destaca Siviero.
“O Vale do Juruá pode ser considerado um dos principais centros de conservação on farm de feijões caupi e comum do mundo”, afirma o professor da Universidade Federal do Acre (Ufac) Eduardo Pacca, que também realiza pesquisas sobre agrobiodiversidade da região.
Valorização do grão
De acordo com Siviero, o conhecimento sobre as características das espécies, como a constituição nutricional e a conservação genética, pode incentivar o desenvolvimento de ações com foco em mercados selecionados, nos quais consumidores estejam dispostos a pagar por um feijão diferenciado. Contar com um mercado personalizado contribui para a valorização do produto e o aumento da renda dos agricultores familiares, uma vez que eles estão produzindo variedades de feijão com maior riqueza nutricional e ajudando na conservação de material genético.
Nesse contexto, políticas públicas também têm aberto novas possibilidades. Em setembro, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) lançou o Selo Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil – Identificação de Origem, que visa valorizar alimentos, artesanatos e outros produtos e serviços produzidos por povos e comunidades tradicionais. As associações e cooperativas podem requerer esse reconhecimento para os feijões crioulos da região.
Segundo Pacca, os feijões do Juruá têm potencial de serem incluídos no rol de alimentos orgânicos e também buscar a obtenção de selo de Indicação Geográfica, a exemplo do que já ocorreu com a farinha de mandioca fabricada na região. A cadeia produtiva desses alimentos envolve os produtores rurais, cooperativas de produção e instituições governamentais e não governamentais. A indicação geográfica de procedência e a certificação orgânica trariam benefícios diretos para a população local. “Daí a vantagem de se embalar a vácuo, como forma de evitar o uso de inseticidas contra insetos-praga de grãos armazenados”, destaca.
Em agosto de 2025, a equipe do projeto realizou nova viagem de campo para reconhecimento e registro de comunidades ribeirinhas que praticam a agricultura tradicional. Foram mais de 190 quilômetros percorridos de barco pelo rio Juruá, com visitas técnicas em comunidades ribeirinhas nos municípios do Acre — Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves, Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul — e do Amazonas — Ipixuna e Guajará. Essa iniciativa compõe uma das etapas para o reconhecimento e documentação desse conhecimento ancestral acumulado pelas populações da região.
Segundo Siviero, coordenador do projeto, os Sistemas Agrícolas Tradicionais (SATs) representam mais do que formas de produzir alimentos.
“Podemos dizer que os feijões do Vale do Juruá se perpetuam como herança passada entre gerações e como práticas de conservação da agrobiodiversidade, que também envolvem outros produtos como mandioca, milho, tubérculos, banana, arroz, milho, além das fruteiras e hortaliças. Os agricultores também possuem estratégias de conservação de espécies florestais e extrativismo”, complementa.
As ações do projeto RSAT Alto Juruá têm como base revelar aspectos como a segurança alimentar das comunidades ribeirinhas, sustentada pela diversidade de sistemas de cultivo tradicionais, que abrange grande variedade de espécies agrícolas.
Outra característica marcante dessas práticas culturais são as manifestações e festas regionais, como a farinhada, festival do feijão, milho, banana e coco, que compõem a beleza das paisagens culturais criadas por essas tradições.
Plantio de feijão na praia do Vale do Juruá. Foto: Felipe Sá
Cuidado com a natureza
A região do Vale do Juruá é conhecida pela diversidade de cultivos tradicionais. Os agricultores da região adotam práticas agrícolas sustentáveis, o que contribui para a preservação da biodiversidade local.
A pesquisadora Elisa Wandelli, da Embrapa Amazônia Ocidental, reforça que a agricultura praticada pelos ribeirinhos do Juruá é exemplo de sustentabilidade. “Nas comunidades que visitamos, vimos uma população sábia que mostra que é possível produzir alimento e cuidar da natureza ao mesmo tempo. Essa sabedoria ancestral, muitas vezes esquecida até pelos próprios agricultores, guarda conhecimentos transmitidos pelos avós e bisavós que devem ser protegidos e melhor valorizados”, afirma.
Pedro Bezerra da Silva, agricultor da Comunidade Novo Horizonte, no município de Porto Walter (AC), planta macaxeira, banana e feijão, todo ano. “Grande parte da alimentação da família vem do que plantamos e o que sobra vendo para aumentar a renda. Se eu não plantar, não tenho como comprar todos os alimentos na cidade”, diz.
Ele conta também que chegou à comunidade há mais de vinte anos e muita coisa mudou, principalmente, com relação ao clima. “Nos últimos anos, o verão tem ficado cada vez mais quente. Já teve ano de secar tudo quanto é broto de água até na mata.”, complementa.
Presente na COP 30
Sintonizados com os princípios da agricultura sustentável, um dos eixos centrais da COP 30, os sistemas agrícolas tradicionais serão apresentados na AgriZone, espaço da Embrapa destinado a iniciativas inovadoras e inclusivas.
“Nossa participação na COP 30 reforça a necessidade de valorizar os registros dos sistemas agrícolas tradicionais no Brasil e no mundo, ao mesmo tempo em que busca sensibilizar formuladores de políticas públicas sobre a necessidade de criar ações específicas para fortalecer e proteger essas comunidades”, enfatiza Siviero.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa
Gente do Norte Empresas. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Egreen Baranda é a CEO e fundadora do Kwati Club, um festival de música em Parintins, no Amazonas. Como médica de formação, ela combina suas experiências em saúde e empreendedorismo para criar experiências aos turistas que visitam a ‘Ilha da Magia’ durante o Festival Folclórico de Parintins.
Gente do Norte Empresas: Egreen Baranda. Foto: reprodução/Amazon Sat
Egreen é especialista em medicina extensiva e radiologia que também estudou gestão de negócios para aperfeiçoar seu método empreendedor. Segundo a empresária, ver a família movimentar sua chácara para patrocinadores que investiam no Festival de Parintins, ascendeu a vontade de também empreender com o local.
O Kwati Club, então, nasceu em 2018 em um tempo que consideram recorde por seus criadores, pois todo seu preparo durou apenas 40 dias. É um clube de eventos, à margem do rio Amazonas, que tem como principal atividade shows de atrações nacionais, além de áreas de lazer. O local também é o anfitrião da Festa dos Visitantes, evento que passou a fazer parte da agenda durante o Festival de Parintins.
A empresária é uma das convidadas do programa Gente do Norte – Empresas, no Amazon Sat:
Aumentar a demarcação de terras indígenas ao redor do mundo é fundamental para enfrentar a crise climática. Foi o que defendeu a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, durante o programa Estúdio COP 30, transmitido pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Para isso, um dos principais objetivos dos povos originários durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que será realizada em novembro, em Belém (PA), é incluir os territórios de povos originários como integrantes das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) de cada país a partir de 2026. As NDCs são compromissos assumidos por cada país para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
“A gente vê muito a comunidade internacional apoiando essa pauta da demarcação das terras indígenas, entendendo que é sim uma das medidas eficazes para enfrentar a crise climática”, disse a ministra
“É lógico que a gente tem aí muitos desafios com relação de força, que acabam impedindo ou fazendo com que esse processo demore ainda muito mais para se concluir os processos demarcatórios. Nós precisamos desses territórios livres para os indígenas terem ali a sua identidade plena, vivida no dia a dia. Nós estamos trabalhando junto ao Ministério do Meio Ambiente e das Relações Exteriores para que a demarcação de terras indígenas entre ainda nesta COP como um anexo do documento oficial, e no próximo ano entre já com esse reconhecimento de ser uma política climática. O território indígena precisa ser reconhecido como uma das medidas de mitigação ao enfrentamento à crise climática”, afirma.
A ministra citou o exemplo do Brasil, que criou o Ministério dos Povos Indígenas, além de reconhecer e homologar 16 TIs e realizar oito desintrusões de territórios desde 2023.
“Aqui, o presidente Lula tem se engajado bastante, tem demonstrado esse compromisso para demarcar territórios indígenas. Ainda no final do ano passado a gente conseguiu superar os 10 anos anteriores em demarcação das terras indígenas. Certamente com a criação do Ministério dos Povos Indígenas, o Brasil sai na frente, porque traz os povos indígenas para a discussão direta, para toda essa construção de políticas públicas. Nós temos um lugar à mesa agora, então isso faz muita diferença”, afirmou.
Participação indígena na COP
Sonia Guajajara disse que a COP 30 terá a maior e melhor participação indígena da história das conferências do clima. Para isso, o Ministério criou um espaço que será alocado na Universidade Federal do Pará (UFPA). Além de alojamento, o espaço contará também com atividades culturais, políticas e espirituais durante o evento. São esperados 3 mil representantes dos povos originários de todo Brasil e do mundo na Aldeia COP.
A delegação brasileira contará com a maior participação indígena da história, com 360 representantes de todas as regiões do país credenciados para a Zona Azul da conferência, espaço oficial e restrito onde ocorrem as negociações diplomáticas entre os países e delegações credenciadas, sendo organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo Guajajara, 1 mil indígenas de todo o mundo são esperados para participar das discussões na Zona Azul.
“Se as pessoas já estão diretamente impactadas com as mudanças climáticas, é justo que as pessoas possam participar, inclusive para trazer as contribuições e participando daquilo que lhes afeta diretamente”, explicou Sonia
Ela destacou que os TIs são comprovadamente os mais preservados e detêm a maior biodiversidade, graças à forma de vida sustentável dos povos originários.
“Os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas contribuem já naturalmente com o modo de vida que exercem junto à natureza. Porque tudo que nós indígenas fazemos traz esse conhecimento do que a natureza oferece, seja para os medicamentos, cultura, alimentação. Nós temos no Brasil uma média de 120 grupos de povos isolados, que vivem sem nenhum contato com outras pessoas, nem mesmo com os indígenas que estão no mesmo território. E eles estão lá e decidiram viver assim. Então a gente busca a proteção dessas áreas que eles vivem, para que eles possam ter ali todos os recursos necessários para continuarem vivendo bem.
“Isso mostra como que o conhecimento dos povos indígenas por si só garante a vida no planeta. Onde está a floresta em pé, onde estão as nascentes, a água limpa. Nós, povos indígenas, temos um uso responsável, sustentável, que utiliza sem destruir, que não precisa desmatar, não precisa acabar com tudo para poder você ter ali o que precisa. É muito mais fácil você valorizar, proteger os modos de vida, o conhecimento ancestral, a bioeconomia que é gerada por esses povos, do que é simplesmente você chegar e destruir tudo. Porque é exatamente a floresta viva, a biodiversidade viva que garante a água limpa e tudo que a gente precisa para continuar vivendo”, disse a ministra.
O programa Estúdio COP 30, do Canal Gov, é exibido na TV aberta (canal digital 2.2 em SP e 1.2 demais estados) às segundas e quartas-feiras, às 13h. Traz entrevistas dedicadas a discutir grandes temas e bastidores da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em novembro, em Belém (PA).