O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, autorizou o uso da Força Nacional na Amazônia pelo período de 90 dias (a partir de 11 de setembro). A medida tem como objetivo reforçar o combate a crimes ambientais na região.
A portaria foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira e define Manaus (AM) como cidade-sede da operação.
Os agentes da Força Nacional vão atuar no âmbito do Plano Amazônia: Segurança e Soberania – Plano Amas em ações voltadas a três frentes:
Enfrentamento a ilícitos ambientais, transnacionais e conexos
Proteção à fauna, à flora e às populações tradicionais
Atividades e serviços essenciais para manter a ordem pública e proteger pessoas e bens
O Plano Amas é uma iniciativa criada pelo governo federal em 2023 com investimento de R$ 318,5 milhões em recursos do Fundo Amazônia para reforçar a fiscalização e a inteligência na floresta. O investimento prevê ainda a compra de helicópteros, lanchas blindadas, viaturas e drones.
Força Nacional no combate a crimes
O emprego da Força Nacional deve ocorrer em articulação com os órgãos de segurança pública e defesa social dos estados brasileiros, bem como com os órgãos e entidades públicas responsáveis pela proteção do meio ambiente, sob a coordenação da Polícia Federal.
No documento, Lewandowski não especifica a quantidade de agentes designados para as ações na região amazônica, mas define que o número vai obedecer ao planejamento definido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Foto: Reprodução
Historicamente, a região amazônica sofre com crimes relacionados ao tráfico de drogas e o garimpo ilegal. No último dia 28, um grupo foi preso por envolvimento com garimpo ilegal, lavagem de dinheiro e exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão no interior do Amazonas.
No dia seguinte, em outra ação, 8 mil pés de maconha plantados em pontos estratégicos da floresta foram destruídos durante operação da Polícia Federal.
Crimes ambientais também fazem parte da rotina amazônica. Embora os índices de queimada tenham apresentado redução em julho e agosto, a preocupação permanece. No último mês, mais de 30 brigadistas atuaram para conter incêndios em terra indígena no sul do Amazonas.
Trabalho reforça CCPI/Amazônia
A chegada de agentes da Força Nacional à região impulsiona os trabalhos do novo Centro de Cooperação de Polícia Internacional (CCPI/Amazônia) em Manaus. A unidade também integra o Plano Amas.
O centro promove a colaboração entre os nove países amazônicos e os nove estados brasileiros que compõem a Amazônia Legal.
Agentes de segurança dos demais países da Pan-Amazônia também poderão ser integrados às atividades. Organismos multilaterais como a Interpol, Ameripol e Europol serão convidados a se somar aos esforços, permitindo assim um fluxo diário e permanente de dados de inteligência e a pactuação de operações e investigações conjuntas.
Foto: Luana Barros, Elifas Brandão e Matheus Soares
Uma pesquisa busca identificar a diversidade da fauna de moscas amazônicas depositadas em coleções científicas do Brasil e do Peru. A pesquisa é apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). O projeto foi realizado no âmbito do Programa de Apoio à Fixação de Jovens Doutores no Brasil, chamada nº 003/2022, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Durante a pesquisa intitulada ‘Guardado, mas desconhecido: um estudo sobre a fauna amazônica de Diptera (Insecta) armazenada em coleções científicas, com ênfase em famílias selecionadas’, foi feito o estudo taxonômico das seguintes famílias: Anthomyzidae, Chloropidae, Clusiidae, Dolichopodidae, Hybotidae, Periscelididae, Richardiidae, Ropalomeridae e Scenopinidae.
A equipe do projeto teve acesso às coleções científicas do Brasil e do Peru. A ideia era acelerar o processo de descrição de espécies amazônicas e mostrar a grande variação na morfologia dessas moscas em uma ação de popularização da ciência.
O projeto foi coordenado por Rosaly Ale-Rocha, doutora em Ciências Biológicas, e executado também pela bolsista de pós-doutorado Luana Machado Barros e alunos de graduação e pós-graduação que fazem parte do Laboratório de Sistemática de Diptera.
Rosaly afirma que “é importante desmistificar a ideia que se tem sobre insetos, especificamente as moscas, que costumam ser encaradas como prejudiciais aos seres humanos”.
O estudo também qualificou recursos humanos no Amazonas, com a participação de doutores, estudantes da graduação e pós-graduação em atividades de campo e de laboratório no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
“Nossos dados apontam para a descrição de aproximadamente 50 espécies novas de moscas, além de manuscritos que ainda serão produzidos com o material biológico levantado durante a execução do projeto”, explicou.
Ação de popularização das pesquisas sobre as moscas
Para despertar o interesse da população sobre as moscas da Amazônia, foi desenvolvida uma ação de popularização sobre a importância desses animais no meio ambiente e a necessidade de conservá-los.
A atividade aconteceu em uma escola pública no centro de Manaus. Durante esse evento, ocorreu exposição de insetos amazônicos e uso de jogos didáticos com informações sobre esses animais.
Foto: Luana Barros, Elifas Brandão e Matheus Soares
Segundo a coordenadora, a conservação da biodiversidade está diretamente relacionada ao grau de conhecimento que se tem sobre o assunto. Portanto, é necessário inventariar e identificar essas espécies, uma vez que os insetos formam um grupo de grande funcionalidade para os ecossistemas, com influência na polinização, decomposição da matéria orgânica e reaproveitamento de nutrientes.
“O conhecimento da biodiversidade e sua importância estimula a responsabilidade pela preservação ambiental, o que deveria ser responsabilidade de todos, tendo em mente as gerações futuras”, explicou Rosaly Ale-Rocha.
Presidente Lula aciona o início da energização do Linhão Manaus – Boa Vista, parte da iniciativa federal Brasil Conectado e Soberano. Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou, no dia 10 de setembro, o início da energização do Linhão Manaus – Boa Vista, parte da iniciativa federal Brasil Conectado e Soberano. A operação marcou o início do processo de conexão de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O evento ocorreu na sede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em Brasília (DF).
A Linha de Transmissão Manaus – Boa Vista completa o mapa energético do Brasil, com a integração de Roraima, o último estado da Federação que estava isolado. Para isso, foram investidos R$ 3,3 bilhões em aproximadamente 725 km de extensão, em circuito duplo de 500 quilovolts (kV), desde a Subestação Eng. Lechuga, no Amazonas, à Subestação Boa Vista, na capital de Roraima, com uma seccionadora (ponto de apoio intermediário) em Rorainópolis.
O presidente Lula lembrou que, desde o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff, o objetivo era concluir a interligação do sistema. “Acho que este sistema interligado seja, possivelmente, modelo para o mundo. Poucos países têm o sistema interligado como nós temos”, declarou.
“Junto com a energia de qualidade, Roraima vai ter internet de qualidade, a chamada banda larga que todo mundo fala, que é uma internet mais rápida. Vai ter em qualquer lugar. Qualquer jovem de Roraima vai ter o mesmo acesso à internet que as pessoas têm em Paris, Londres, São Paulo e Rio de Janeiro. Estamos orgulhosos de estarmos aqui hoje no ONS para dizer que Roraima está ligado ao restante do Brasil, não existe mais diferença. Essa energia e a internet vão chegar até os indígenas, porque não queremos ninguém fora”, disse Lula.
“Roraima tem uma possibilidade extraordinária de comércio exterior com Suriname, Guiana, Trinidad Tobago e Caribe. Significa que o começo do funcionamento deste linhão vai permitir que Roraima tenha três vezes mais energia do que precisa hoje”, acrescentou Lula.
Com a integração, Roraima passa a ter maior segurança energética, confiabilidade no suprimento e condições favoráveis de crescimento econômico. O empreendimento representa um marco para o setor elétrico e para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. A substituição gradual das usinas térmicas por energia limpa e renovável reduz as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em mais de 1 milhão de toneladas de CO₂ por ano, além de gerar uma economia superior a R$ 500 milhões anuais nos custos com combustíveis fósseis.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou que a obra é a mais importante da história de Roraima. “Além da segurança energética, é um giga (mil megawatts) que atende, praticamente, quatro vezes o que precisa Roraima”, pontuou.
“Além de histórica e importante do ponto de vista da sustentabilidade, é uma obra de desenvolvimento econômico para a gente manufaturar as riquezas que este belo estado de Roraima produz e que, hoje, não tem segurança energética e quantidade de energia firme para desenvolver o estado, além do conforto e da segurança aos hospitais, clínicas e segurança energética do povo de Roraima. É o Brasil 100% interligado”, afirmou Silveira.
Foto: José Cruz/Agência Brasil
Escoamento
O Linhão Manaus-Boa Vista assinala uma virada na matriz energética do Estado, tornando-a mais limpa e renovável. Com a estabilidade proporcionada pela interligação, diversas usinas térmicas serão desligadas, garantindo economia relevante para o setor elétrico. A interligação permitirá o escoamento de 700 megawatts (MW) de futuras Usinas Hidrelétricas (UHEs) inventariadas em Roraima para o SIN.
“Estamos descarbonizando a Floresta Amazônica, o que é histórico para o mundo, estamos garantindo segurança energética ao Brasil. Já somos interligados ao Paraguai, por meio da maior usina de integração da América Latina, que é a Itaipu Binacional. Somos interligados à Argentina e ao Uruguai. Ano passado, exportamos energia, 426 milhões de energia à Argentina e 296 milhões ao Uruguai”, complementou Alexandre Silveira.
Redução de encargos
Atualmente, o abastecimento do estado dependia fortemente da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), um encargo pago para subsidiar os sistemas isolados. No balanço ambiental, o impacto é expressivo: a geração térmica será reduzida em cerca de 50%, evitando a emissão de mais de 1 milhão de toneladas de CO₂ por ano. Com a interligação, haverá redução superior a R$ 500 milhões por ano nesse custo, um benefício não só para o estado, mas para todos os consumidores.
Benefícios
O consumidor terá acesso a energia estável, renovável e barata. A substituição das usinas termelétricas reduzirá custos e emissões de GEE, além de melhorar a qualidade de vida da população.
Durante a fase de construção da linha de transmissão, foram gerados cerca de 3.000 empregos diretos, distribuídos entre canteiros de obra e escritórios, além de muitos outros indiretos decorrentes da cadeia produtiva necessária para fornecer os insumos utilizados.
Guias descobrem cachoeira de 35 metros de altura em Presidente Figueiredo. Foto: Marinilzo Brito/Acervo pessoal
Uma equipe de guias turísticos de Presidente Figueiredo, no Amazonas, anunciou a descoberta de uma nova cachoeira na floresta amazônica. Batizada de ‘Gigante do Apuaú’, a queda d’água tem cerca de 35 metros de altura e cinco de largura, o que a coloca entre as maiores da região em queda livre.
A expedição, realizada no início de agosto pelos guias Marinilzo Brito, Frederico Roldão e Daniel dos Anjos, percorreu mais de 60 quilômetros em seis dias de caminhada em mata fechada até chegar ao local. O ponto fica no rio Apuaú, na divisa entre os municípios de Novo Airão, Presidente Figueiredo e Manaus.
Segundo os exploradores, a descoberta foi resultado de quatro anos de planejamento.
“Fizemos levantamento topográfico da região, que nos trouxe a ideia de que poderíamos encontrar atrativos como cachoeiras, e organizamos as expedições com esse objetivo”, relataram.
Foto: Marinilzo Brito/Acervo pessoal
Além do tamanho, a Gigante do Apuaú se destaca pela piscina natural profunda formada ao pé da queda, considerada ideal para banho.
“Ela é diferente das cachoeiras já conhecidas de Presidente Figueiredo justamente pela imponência e pela força da queda d’água”, afirmaram.
O acesso ao local não é fácil: exige caminhada por mata fechada, terrenos alagados e longas distâncias. Durante o trajeto, a equipe até avistou pegadas de animais silvestres, como onças.
“É um caminho de muita resistência, mas a recompensa foi encontrar uma das maiores belezas naturais já registradas nessa área”, disseram os guias.
Nome da cachoeira e próximos passos
A cachoeira recebeu o nome ‘Gigante do Apuaú’ em homenagem ao rio que corta a região e também a uma lenda local que fala de uma entidade guardiã.
De acordo com os guias, a área onde a queda foi encontrada ainda é pouco explorada. A ideia é incluir o novo atrativo em um roteiro exclusivo, que deve contemplar outras duas cachoeiras próximas. A abertura da trilha depende de autorizações e está prevista para começar em novembro.
Ao Grupo Rede Amazônica, a Secretaria Municipal de Turismo Presidente Figueiredo informou que a nova cachoeira ainda não tem autorização para visitação pública.
Foto: Marinilzo Brito/Acervo pessoal
De acordo com a pasta, o local foi identificado recentemente por guias turísticos que precisaram atravessar parte de um terreno pertencente a uma empresa privada. No entanto, ainda não está definido se a área da cachoeira pertence a propriedade privada, o que impede, por enquanto, qualquer processo de regulamentação.
A pasta de Turismo explica ainda que, para que um atrativo seja legalizado para fins de visitação e cobrança de ingresso, é necessário que exista alguma atividade econômica no local, como restaurante ou hospedagem. Em Presidente Figueiredo, a maioria das cachoeiras está em terrenos particulares, mas poucas possuem regularização ambiental e estrutura adequada para o turismo.
Por isso, a expectativa é de que a nova cachoeira só possa receber visitantes após a definição da situação fundiária e ambiental da área. Além disso, como se trata de um atrativo distante, será necessário que agências de turismo elaborem roteiros estruturados, possivelmente com duração de mais de um dia.
A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais anunciou no dia 8 de setembro a lista com os seis filmes pré-selecionados que disputam a indicação oficial do Brasil ao Oscar 2026, na categoria Melhor Filme Internacional.
Entre os longas escolhidos, dois têm a Amazônia como cenário central: ‘Manas’, de Marianna Brennand, e ‘O Último Azul’, de Gabriel Mascaro.
A cerimônia da premiação está marcada para o dia 15 de março de 2026, em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Conheça as histórias dos filmes:
Manas
Drama lançado em maio de 2025, ‘Manas’ marca a estreia de Marianna Brennand na direção. O roteiro, assinado em parceria por Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Antonia Pellegrino, Camila Agustini e Carolina Benevides, traz uma narrativa ambientada na Ilha do Marajó, no Pará.
Protagonizado por Jamilli Correa, ao lado de nomes como Dira Paes, Fátima Macedo e Rômulo Braga, o filme acompanha Marcielle, uma adolescente de 13 anos que decide romper com o ciclo de violência que marca sua família e as mulheres de sua comunidade.
Dirigido por Gabriel Mascaro, O Último Azul mistura drama e ficção científica em uma trama distópica. O longa estreou mundialmente na Competição Oficial do Festival de Berlim de 2025, onde concorreu ao Urso de Ouro e conquistou o Grande Prêmio do Júri. No Brasil, foi lançado em agosto de 2025 pela Vitrine Filmes.
O filme tem Denise Weinberg no papel principal, além de Rodrigo Santoro, Miriam Socarrás e Adanilo no elenco. Na história, o governo brasileiro decreta que todos os idosos sejam enviados para colônias habitacionais remotas, sob a justificativa de garantir uma velhice ‘digna’. Tereza, uma mulher de 77 anos, resiste ao exílio compulsório e embarca em uma derradeira viagem pelos rios amazônicos em busca de um antigo sonho: voar.
A trama ganha contornos fantásticos quando Tereza conhece Cadu (Rodrigo Santoro), um marinheiro que lhe apresenta o caracol Baba Azul, uma criatura mágica capaz de revelar o futuro. Em sua jornada, a protagonista descobre novas formas de liberdade e possibilidades de transformação.
Próximos passos
Os seis filmes pré-selecionados saíram de uma lista inicial de 16 produções habilitadas, divulgada em agosto. Um comitê formado por profissionais do setor audiovisual avaliará os finalistas e anunciará, no próximo 15 de setembro, o título que representará oficialmente o Brasil no Oscar.
O escolhido será submetido à Academy of Motion Picture Arts and Sciences (AMPAS), que organiza a premiação, e disputará com produções de outros países uma vaga entre os indicados da categoria. A lista oficial dos concorrentes ao Oscar de Melhor Filme Internacional será revelada em janeiro de 2026.
Estatuetas da premiação. Foto: Reprodução/Oscars.org
O Brasil venceu pela primeira vez o Oscar da categoria neste ano, com Ainda Estou Aqui. Antes disso, o país já havia sido indicado em quatro ocasiões: O Pagador de Promessas (1963), O Quatrilho (1996), O Que É Isso, Companheiro? (1998) e Central do Brasil (1999).
A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) realizou, no dia 08/09, Audiência Pública para discutir a implantação e a construção do novo porto da Manaus Moderna. A iniciativa foi proposta pelo deputado estadual Sinésio Campos (PT), autor do requerimento que convocou a sessão.
O projeto, com investimento de R$ 974,6 milhões no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), prevê a construção da nova Instalação Portuária Pública de Pequeno Porte (IP4), sob coordenação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
A obra é considerada estratégica para modernizar a logística portuária da capital, garantir mais segurança operacional e consolidar Manaus como um polo comercial e turístico da Região Norte.
Durante a audiência, representantes do Governo Federal, estadual, entidades de classe, órgãos de controle, trabalhadores, universidades e associações debateram os impactos sociais, econômicos e ambientais da obra, além de apresentar sugestões para que o empreendimento atenda de forma efetiva aos interesses da população que vive e trabalha na área da Manaus Moderna.
O superintendente do DNIT no Amazonas, Orlando Machado, realizou uma explanação sobre o projeto, destacando como a nova estrutura deve melhorar a infraestrutura portuária na região. O novo porto estará preparado para o transporte de cargas entre municípios e entre estados, e vai poder receber navios de maior porte, como cruzeiros, por exemplo. A expectativa é que o novo porto movimente 35 milhões de passageiros por ano, uma movimentação quase três vezes maior que a do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes.
Segundo o deputado Sinésio Campos, a escuta pública é fundamental: “Não se trata apenas de uma obra de infraestrutura. Estamos falando de revitalização do Centro da cidade, de mobilidade urbana, de geração de emprego e renda. Por isso, é essencial que todos os setores participem dessa construção coletiva. Como é um projeto que ainda não foi concluído, ainda cabe a nossa contribuição para que possa ser aprimorado”, destacou.
As entidades e cidadãos que participaram da audiência têm até o dia 8 de outubro para encaminhar à Comissão de Geodiversidade e Recursos Hídricos da Aleam as sugestões ao projeto de implantação do novo porto da Manaus Moderna. Essas sugestões serão compiladas e encaminhadas diretamente ao Ministério de Portos e Aeroportos para que o projeto seja aprimorado.
Um estudo inédito, fruto de uma autoetnografia colaborativa interétnica, revela como a pandemia da Covid-19 afetou profundamente a saúde mental dos Inỹ Karajá da aldeia Maranduba.
A pesquisa foi conduzida por Werlen Pereira Karaja, então estudante de Psicologia na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), e Caio Maximino, pesquisador da Unifesspa, e propõe uma análise sensível e complexa sobre o sofrimento psíquico vivido pela comunidade durante esse período. A pesquisa foi publicada no periódico “Espaço Ameríndio”.
A investigação parte da experiência pessoal de Werlen Pereira Karajá, que vivenciou a pandemia dentro da aldeia, e entrelaça essa vivência com reflexões teóricas de Caio.
O estudo mostra que a pandemia intensificou sentimentos de ansiedade e estresse entre os indígenas, revelando como esses estados emocionais são atravessados por modos socioculturais próprios de adoecer e perceber a doença. Na cultura karajá, as fronteiras entre doenças por contágio e doenças por feitiçaria são fluidas, o que complexifica ainda mais a compreensão do sofrimento psicológico.
Estudo mostra processos culturais
A publicação também resgata a figura histórica de Benta Thuary Deru, cuja trajetória está profundamente ligada à história da aldeia e à concepção karajá de doença. A partir dessa perspectiva, os autores exploram como a noção de “doença” na cultura karajá possui dimensões cosmogônicas e está relacionada ao caráter físsil da aldeação, ou seja, à dinâmica de formação e dissolução das comunidades.
Um dos principais méritos do estudo é a abordagem metodológica, que permite ao primeiro autor falar de si mesmo como sujeito e objeto da pesquisa. Essa autoetnografia revela sentimentos, expectativas e frustrações vivenciadas durante a pandemia, e oferece uma compreensão profunda da subjetividade no contexto social indígena.
Além disso, o trabalho evidencia como o histórico de contato com os tori (não indígenas), marcado por práticas de necropolítica, se cruza com as narrativas do òwòru — figura central nas narrativas cosmogônicas karajá sobre a doença — para formar uma cosmopolítica da doença. Essa intersecção revela não apenas formas de adoecer, mas também estratégias de resistência cultural e psicológica.
Longe de oferecer uma explicação única para o sofrimento psíquico causado pela pandemia, o estudo apresenta esse fenômeno como amplamente complexo, atravessado por história, política e cultura.
Ao unir saberes indígenas e acadêmicos, os autores contribuem para o fortalecimento da psicologia indígena e para a construção de políticas públicas mais sensíveis às realidades dos povos originários.
O governo do Amapá divulgou o primeiro teaser do documentário ’Amazônia Negra: Expedição Amapá’, que estreia em novembro nas plataformas de streaming. A produção é uma iniciativa da Secretaria de Cultura (Secult) do estado e tem como objetivo mostrar a riqueza cultural da região, com foco na influência afroindígena na formação da identidade amapaense.
Produzido desde maio de 2024, o filme apresenta tradições, histórias e manifestações culturais que seguem vivas no Amapá. A proposta é ampliar a visão sobre a Amazônia, indo além da imagem da floresta e revelando expressões artísticas e sociais pouco conhecidas em outras partes do país.
O documentário busca valorizar agentes culturais locais e conta com participação especial do multiartista Carlinhos Brown, que recebeu o título de Embaixador do Marabaixo em 2025.
A produção é assinada pela Tha House Company e pela Join Entretenimento, com idealização da secretária de Cultura, Clícia Di Miceli, e do produtor executivo Fábio Almeida.
“Amazônia Negra: Expedição Amapá é um mergulho além da imagem comum da floresta. É o encontro com a riqueza humana que pulsa, vive e resiste neste chão de águas e memórias. […] Ela é o Amapá falando com a humanidade”, afirmou Clícia Di Miceli.
“Estamos muito felizes em compartilhar este projeto, que já caminha para sua reta final. Nosso objetivo é valorizar artistas locais e destacar a diversidade que faz do estado um território único dentro da Amazônia”, destacou Fábio Almeida.
Na última terça-feira (9/9), data em que se comemora o Dia do Médico Veterinário, a deputada estadual Joana Darc (UB) destacou, na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), que está em tratativas com o Governo do Amazonas e com a Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) para a criação de uma linha de crédito especial destinada aos profissionais da Medicina Veterinária.
A iniciativa, que recebeu da parlamentar o nome de “Vet Empreendedor”, tem como foco apoiar os recém-formados, fomentar o empreendedorismo e ampliar a geração de emprego e renda no setor. A parlamentar, que é a primeira médica veterinária a exercer mandato de deputada estadual no Amazonas, afirmou que seu mandato está à disposição da categoria.
“Precisamos criar políticas públicas para os médicos veterinários que recém-formaram. Fiz esse requerimento para a Afeam e já estamos em tratativa com o Governador Wilson Lima e com o presidente da Afeam, Marcos Vinicius, para ajudar nossa classe. Nosso mandato sempre estará em defesa dos animais e dos médicos veterinários, pois cuidar da fauna é cuidar da saúde pública do nosso estado”, disse.
Presidente da Comissão De Proteção aos Animais (CPAMA-Aleam), principal comissão que dialoga com a classe profissional, Darc ainda disse a importância da proposta para profissionais que enfrentam dificuldades logo após a graduação, quando precisam investir em equipamentos, vacinas e insumos para começar a atender.
“Esse crédito será fundamental para dar condições reais de trabalho e crescimento aos veterinários do nosso estado. Ao apoiar a categoria, fortalecemos também a economia e garantimos mais qualidade no cuidado com os animais”, completou.
Equipe reuniu cientistas da Alemanha, da Suíça e do Brasil: efeitos mais graves podem ocorrer no norte da Amazônia, com redução drástica do regime de chuvas. Imagem: CEN/Universität Hamburg
A Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico – conhecida pela sigla em inglês Amoc (Atlantic Meridional Overturning Circulation) – é um dos principais “motores” do clima terrestre. Ela funciona como uma esteira oceânica que transporta calor e nutrientes, conectando águas superficiais da porção tropical com águas profundas da região norte. Alterações nesse sistema sempre estiveram associadas a mudanças abruptas do clima global, como as que marcaram a última era glacial.
Um novo estudo mostra que, nos últimos 6.500 anos, a Amoc se manteve estável, após um período de oscilações durante o início do Holoceno. Mas que essa estabilidade se encontra agora ameaçada. Combinando dados de pesquisa de campo com projeções dos melhores modelos climáticos, o trabalho indica que as mudanças causadas pela ação humana podem levar a um enfraquecimento da circulação sem precedentes no período recente da história da Terra.
O norte da Amazônia, justamente a parte mais preservada da floresta, pode ser fortemente afetado, com uma drástica redução do regime de chuvas. Os resultados foram publicados no periódico Nature Communications.
A equipe internacional que realizou o estudo reuniu cientistas da Alemanha, da Suíça e do Brasil. Utilizando testemunhos de sedimentos marinhos coletados em diferentes pontos do Atlântico Norte e análises de elementos radioativos – tório-230 e protactínio-231 –, os pesquisadores reconstruíram quantitativamente a intensidade da Amoc ao longo de todo o Holoceno – os últimos 12 mil anos.
“Esses elementos radioativos são produzidos de forma constante na coluna d’água a partir do urânio. Como o tório se fixa rapidamente em partículas, enquanto o protactínio permanece mais tempo em circulação, a razão protactínio-tório registrada nos sedimentos fornece um ‘proxy’ da intensidade da circulação oceânica. Valores mais altos indicam enfraquecimento, e valores mais baixos, intensificação”, explica Cristiano Mazur Chiessi, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) e coautor do estudo.
Representação esquemática da Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico (seta em azul claro e vermelho), que transporta, perto da superfície, águas quentes do sul para o norte; e, em profundidades intermediárias, águas frias do norte para o sul. O desenho também mostra uma outra célula (seta em azul escuro), que transporta águas em grande profundidade (imagem: croqui de Cristiano Mazur Chiessi a partir de informações de Voigt et al., 2017)
Para transformar os dados de campo da razão protactínio-tório em valores de fluxo de água, a equipe utilizou o Bern3D, um modelo do sistema terrestre desenvolvido na Universidade de Berna, na Suíça, que simula oceanos, atmosfera e ciclos biogeoquímicos, permitindo converter registros de sedimentos em estimativas quantitativas da circulação oceânica. Isso permitiu estimar a intensidade da circulação em Sverdrups (Sv) – 1 Sv equivalente a 1 bilhão de litros por segundo.
Os resultados mostraram que, após o fim da última glaciação, a Amoc levou cerca de 2 mil anos para se recuperar do estado enfraquecido. Entre 9,2 mil e 8 mil anos atrás, sofreu novo declínio, associado ao aporte de água doce no Atlântico Norte decorrente do derretimento de geleiras e lagos glaciais, como o Lago Agassiz, no Canadá e nos EUA. Esse período incluiu o chamado “evento 8,2 ka”, registrado em testemunhos de gelo da Groenlândia como um dos episódios de resfriamento mais intensos do Holoceno. A partir de 6,5 mil anos atrás, no entanto, a circulação se estabilizou em torno de 18 Sv. E manteve essa intensidade até o presente.
“Reconstituímos o avanço das águas profundas do Atlântico Norte rumo ao Atlântico Sul ao longo de 11.500 anos. E, nos últimos 6.500 anos, não detectamos nenhuma oscilação maior, minimamente próxima daquilo que está projetado para 2100”, afirma Chiessi. “O cenário futuro é muito preocupante. E deve ser levado a sério tanto pelos governos quanto pela sociedade civil, incluída a comunidade científica”.
Segundo o pesquisador, o enfraquecimento projetado vai causar mudanças nas chuvas de todo o cinturão tropical do planeta, especialmente na América do Sul e na África, mas também afetando o sistema de monções da Índia e do Sudeste Asiático.
Impacto sobre a Amazônia
Um dos impactos mais importantes deverá ocorrer na Amazônia. “Projetamos uma marcante diminuição das chuvas no norte da Amazônia, justamente a região mais preservada da floresta. Esse efeito poderá ocorrer porque as chuvas equatoriais tenderão a se deslocar para o sul com o enfraquecimento da circulação do Atlântico. Com isso, o norte da Amazônia, abrangendo áreas do Brasil, da Colômbia, da Venezuela e das Guianas, poderá enfrentar reduções significativas na pluviosidade”, projeta Chiessi.
O pesquisador enfatiza que a gravidade desse cenário é ainda maior porque se trata da porção mais preservada da Amazônia. Diferentemente do sul e do leste amazônicos, onde o desmatamento e a degradação já avançaram fortemente, o norte tem funcionado como um “porto seguro” de biodiversidade.
“É justamente nessa região, até agora menos impactada, que a mudança climática poderá impor uma vulnerabilidade nova e dramática”, observa.
Coleta de coluna sedimentar do fundo do Mar de Labrador, no Atlântico Norte, entre o Canadá e a Groenlândia. A coluna sedimentar coletada nesse local serviu como base para o artigo científico. Foto: Stefan Mulitza
Estudo anterior, publicado em 2024 por Thomas Kenji Akabane e colaboradores, entre eles o próprio Chiessi, já havia alertado para essa possibilidade. Por meio de registros de pólen e carvão microscópico em sedimentos marinhos, os cientistas mostraram nesse trabalho que enfraquecimentos passados da Amoc levaram à expansão de vegetação sazonal em detrimento das florestas úmidas do norte amazônico. E os modelos indicam que um enfraquecimento semelhante no futuro produziria impactos ainda maiores, uma vez que seriam agravados pelo desmatamento e pelas queimadas em outras partes da bacia.
Ponto de não retorno?
O arrefecimento da Amoc poderá configurar um ponto de não retorno no sistema climático global. Se confirmadas as projeções, ocorrerá uma ruptura sem precedentes na circulação oceânica que sustenta o equilíbrio do clima do planeta. Há consenso entre os pesquisadores especializados de que o enfraquecimento constitui uma clara tendência.
Mas os dados ainda não permitem saber se já está ocorrendo ou não. “Os monitoramentos diretos começaram apenas em 2004 e o oceano responde mais lentamente do que a atmosfera. Por isso, os registros são ainda insuficientes para uma resposta conclusiva. Porém, apesar dessa incerteza, a urgência de agir é inegociável. Ainda existe tempo, mas nossas ações precisam ser robustas, rápidas e conectadas, envolvendo governos e sociedade civil”, alerta Chiessi.
Como já foi dito em evento realizado na FAPESP, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em novembro deste ano em Belém, no Pará, constitui uma janela de oportunidade que não pode ser desperdiçada.