Fortaleza de São José de Macapá, durante o Território Federal do Amapá. Foto: Reprodução/IBGE Cidades
O Amapá foi Território Federal entre 13 de setembro de 1943 e 5 de outubro de 1988 e celebrou 82 anos de criação no dia 13 de setembro. O Grupo Rede Amazônica,em comemoração, separou fatos históricos, imagens e curiosidades pouco conhecidas do período.
Durante os 45 anos, o ex-Território passou por transformações políticas e sociais marcantes, como a criação estratégica durante a 2ª guerra e a exploração mineral do manganês.
Apesar dos fatos conhecidos, a história conta com curiosidades pouco comentadas, que vão desde a mudança da capital até o momento em que o regime militar passou a reprimir lideranças religiosas.
Mercado foi inaugurado por Janary Nunes, nos 10 anos do Território Federal do Amapá. Foto: Edgar Rodrigues/Acervo pessoal
Criação do ex-Território Federal do Amapá
Instituído em 1943, durante a 2ª Guerra Mundial, o território foi concebido por decreto de Getúlio Vargas como parte de uma política geopolítica para proteger a Amazônia e as riquezas minerais. O capitão Janary Gentil Nunes foi nomeado o primeiro governador.
O Amapá passou por transformações desde a descoberta de jazidas de manganês em Serra do Navio, em 1945, atraiu investimentos estrangeiros e consolidou a presença da empresa americana Icomi, que influenciou o estilo de vida local com infraestrutura urbana planejada e traços culturais importados.
Paralelamente, o território enfrentou disputas diplomáticas e desafios sociais, como a falta de autonomia legislativa e a nomeação de governadores pela presidência da República.
Museu Histórico do Amapá Joaquim Caetano da Silva é reaberto em Macapá – pedra de manganês extraída no Amapá; ao fundo, Janary Nunes, primeiro governador do Território Federal do Amapá — Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP
A transformação em estado, com a promulgação da Constituição de 1988, encerrou o ciclo territorial e inaugurou uma nova era de protagonismo político e desenvolvimento social para o Amapá.
Mudança da capital
Inicialmente, o município de Amapá foi escolhido como capital do território, conforme o decreto-lei nº 5.839, de 21 de setembro de 1943 , apenas oito dias após a criação oficial. Na época, o ex-Território Federal do Amapá foi formado por três municípios: Macapá, Mazagão e Amapá.
Apesar da escolha oficial, a capital nunca chegou a funcionar na cidade de Amapá. Quando Janary Nunes assumiu o governo do território, em 25 de janeiro de 1944, solicitou ao governo federal a mudança para Macapá.
O historiador amapaense Bruno Machado, explicou sobre os episódios pouco conhecidos da história local. Segundo Bruno, a troca foi motivada por questões logísticas e estratégicas. A mudança foi oficializada pelo decreto-lei nº 6.550, de 31 de maio de 1944.
“Macapá tinha melhor acesso fluvial, porto mais estruturado, proximidade com Belém e terra firme para urbanização. Além disso, a Fortaleza de São José poderia ser aproveitada como ponto turístico”, explica.
Bruno também destaca que Macapá era, historicamente, mais relevante e tinha maior potencial de desenvolvimento econômico.
Fortaleza de São José de Macapá, que abrigou a guarda territorial do Amapá. Foto: Divulgação/IBGE
A igreja católica
Outro ponto pouco abordado na história do território é a atuação da Igreja Católica durante os anos da ditadura militar. Bruno Machado lembra que, enquanto o Brasil vivia o regime autoritário, o Amapá ainda era território federal.
“O imaginário coletivo associa o território apenas à sua criação e ao governo de Janary, mas ele existiu durante toda a ditadura, de 1964 a 1985”, disse.
Durante esse período, padres católicos – especialmente os italianos – foram vigiados pelos órgãos de repressão. Eles foram acusados pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) de promover reuniões com estudantes e de ter tendências progressistas.
“Alguns padres foram considerados pela ditadura, aqui no Amapá, como subversivos, como progressistas. […] Porque eles mobilizavam, faziam reunião com os estudantes, com professores, davam aquela formação a partir da fé, que envolvia também análise de conjuntura política, social, econômica”, complementou.
Entre os religiosos monitorados estavam o padre Jorge Basile e o padre Gaetano (ou Caetano) Maiello. Ambos italianos e atuantes na Prelazia de Macapá, pois em 1971 ainda não era Diocese.
“Não é que eles eram contrários ou a favor que a ditadura caísse, mas algumas ações, alguns discursos deles, ainda que de forma sutil, não eram vistos de forma positiva. Porque uma ditadura, e aqui no território federal do Amapá não foi diferente, tinha medo de qualquer associação civil”, completou.
Padres Jorge Basile e o padre Gaetano (ou Caetano) Maiello. Foto: Reprodução/Porta-Retrato
A repressão também atingiu instituições ligadas à Igreja, como a Rádio Educadora São José e o jornal Voz Católica.
“Um ou outro ali fazia alguma crítica às questões da sociedade, à vida aqui no território federal do Amapá, sobretudo de Macapá, e que era vigiado pelos militares e não era bem visto.”
Bruno cita um documento confidencial de 1971 que mostra como os padres eram espionados. Para Bruno, essas ações mostram que havia uma resistência possível, mesmo em tempos de repressão.
“O padre Jorge Basile foi acusado pelo SNI de ser agitador estudantil […] Eles faziam toda uma investigação sobre determinadas pessoas […] Simplesmente reunir pessoas e ali fazer uma espécie de associação da fé à conscientização dos seus direitos. Então esses padres foram duramente vigiados, espionados pela ditadura”, finalizou.
Documento confidencial da época. Foto: Divulgação/Bruno Machado
Mosquito do gênero Sabethes, um dos vetores da febre amarela no Brasil. Foto: Rodrigo Conte
No dia 2 de junho, Jundiaí (SP) confirmou a primeira morte por febre amarela no município. A fatalidade ocorreu sete anos após a cidade passar sem nenhum registro da doença. Segundo a prefeitura, o paciente, de 41 anos, não tinha histórico de vacinação contra a doença.
O ocorrido se deu em meio a alertas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) sobre o risco elevado de febre amarela para a saúde pública na região das Américas. Nos primeiros cinco meses de 2025, o número de casos aumentou cerca de quatro vezes em comparação ao ano passado.
Nesse cenário, o Brasil está à frente: tanto no número de ocorrências, quanto no número de mortes causadas pela doença. Dados publicados em 10 de junho no Painel de Monitoramento das Arboviroses, do Ministério da Saúde, apontam para 115 casos confirmados, incluindo 45 óbitos, sendo que apenas um dos casos apresentou antecedente de vacinação contra febre amarela.
Entre as principais preocupações do órgão internacional está a baixa cobertura vacinal. Segundo o Ministério da Saúde, em 2023, cerca de 70% da população estava vacinada contra a febre amarela. A recomendação para controle da doença é que a cobertura vacinal atinja pelo menos 95% das pessoas em áreas de risco.
Em relação à meta alcançada por município, dados da plataforma VacinaBR, lançada pelo Instituto Questão de Ciência (IQC) e pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), apontam que, em 2023, apenas 25% dos municípios brasileiros atingiram a meta de cobertura contra a enfermidade. Apesar da marca ainda ser baixa, ela representa um aumento de quase 10% em relação à 2022.
Outro fator de preocupação apontado pela OPAS é o fato de os novos surtos estarem ocorrendo em regiões mais urbanizadas. Em 2024, a maior parte dos registros de febre amarela ocorreram ao longo da região amazônica. Em contrapartida, neste ano os casos estão concentrados, principalmente, no estado de São Paulo e no departamento de Tolima, na Colômbia, também fora da área amazônica.
“O problema da chegada do vírus a regiões superpopulosas é que sua transmissão se acelera. Ele se depara com um cenário ideal: os mosquitos, que servem como vetores, áreas de mata, macacos e pessoas não vacinadas”, diz o médico virologista Maurício Nogueira Lacerda, docente da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP).
Nogueira participou de um estudo publicado em abril deste ano na revista científica Emerging Infectious Diseases. Entre maio de 2021 e junho de 2022, os pesquisadores coletaram 687 amostras de mosquitos do gênero Haemagogus na Reserva Florestal Adolpho Ducke, localizada na divisa de Manaus (AM).
A partir desse levantamento, foi estimado que cerca de cinco mosquitos a cada mil estavam infectados. Todos os mosquitos com presença do vírus da febre amarela foram encontrados próximos a Manaus, a apenas 500 metros do limite da mata, o que reforça a ideia de que as zonas de transição entre floresta e cidade concentram o maior risco de transmissão.
“A detecção do YFV em florestas tropicais próximas a áreas rurais e periurbanas é preocupante do ponto de vista da saúde pública devido à convivência de humanos, vida silvestre e mosquitos dessas regiões, o que cria um potencial para o transbordamento do vírus. O risco de reurbanização da febre amarela continua sendo uma preocupação importante, dado o amplo espalhamento do mosquito Aedes aegypti em toda a América do Sul”, afirmam os pesquisadores.
Segundo o grupo, a alta cobertura vacinal tem sido fundamental para proteger a população de Manaus e das regiões vizinhas contra novos casos da doença. No entanto, o grupo vê com preocupação a queda nas taxas de vacinação, que leva a um aumento do risco de novos surtos na região.
A combinação entre o aumento de casos, a baixa cobertura vacinal e as ocorrências em áreas urbanas reacendeu temores quanto à possibilidade de que a febre amarela voltar a ser transmitida por mosquitos da espécie Aedes aegypti, os mesmos vetores da dengue. Caso isso ocorra, as chances são que os casos escalem de maneira muito mais rápida, uma vez que o vetor atual é um mosquito que pica em horários e áreas mais limitadas, o que permite um maior controle da doença.
“A maior preocupação é a possibilidade de que o vírus se adapte para o Aedes aegypti, que era o vetor histórico da febre amarela, mas que não transmite a doença no Brasil desde 1942”, destaca Nogueira, que também foi Presidente da Sociedade Brasileira de Virologia entre 2017 e 2019. O pesquisador afirma que, caso isso ocorra, o país poderá enfrentar epidemias de febre amarela ainda mais graves do que as registradas em 2016 e 2017, consideradas os maiores surtos da doença desde 1980.
Segundo o virologista, uma das características que facilita administrar os surtos de febre amarela é o fato de, no Brasil, ela ser transmitida apenas por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que costumam estar mais presentes nas copas das árvores. Essa característica facilita a contaminação de macacos, mais do que a de humanos, e possibilita às autoridades prever e mapear a ocorrência da doença por meio dos macacos mortos ou doentes.
“O Brasil tem um programa de vigilância de febre amarela excepcional”, diz Nogueira. “Normalmente, os macacos doentes precedem os casos humanos porque a explosão da circulação dentro da mata é muito maior e, em geral, eles estão mais próximos da área dos mosquitos,” explica.
Outra característica que auxilia o trabalho de prevenção é a elevada suscetibilidade ao vírus dos macacos das regiões das Américas, que se reflete em mortes mais velozes e contribui para chamar a atenção dos técnicos.
Com base nisso, o Governo Federal conta com um programa de controle de primatas não-humanos que são encontrados mortos ou doentes. Uma das principais ferramentas é o Sistema de Informação em Saúde Silvestre da Fiocruz. Nele, qualquer indivíduo que encontre um macaco morto ou doente consegue registrar a ocorrência, que gera um alerta em tempo real para equipes de vigilância e saúde. Uma vez localizado o primata, são realizadas coletas de material que passarão por uma análise para determinar a doença ou causa de morte.
Esse mecanismo, além de permitir que governos e sociedade civil reforcem medidas de segurança contra a febre amarela, também viabiliza um mapeamento das ocorrências da doença em território nacional, com o objetivo de identificar áreas de risco e zonas mais vulneráveis. “O problema não é detectar, nós fazemos isso muito bem. Também não é saber aonde ele vai, nós temos isso mapeado. O problema é vacinar a população”, reforça Nogueira.
Em especial, o desafio é vacinar a população que está mais vulnerável ao contágio, que costumam ser pessoas que moram em regiões rurais, próximas a áreas de mata, e adultos de 16 a 35 anos. “Somos muito bons de vacinar crianças, mas não sabemos vacinar adultos. Fica a pergunta: como chegar nessas pessoas?”, questiona Nogueira.
A pergunta permanece sem resposta. O virologista destaca que a vacinação segue sendo o principal meio de controle e prevenção de surtos. Neste quesito, o Brasil se encontra em uma posição privilegiada: além de se tratar de um imunizante barato (em 2020 ele custava apenas R$4,15), somos o maior produtor mundial da vacina.
A aplicação também é simples: uma única dose é suficiente para conferir imunidade por toda a vida, não sendo necessária dose de reforço. A vacina, que está disponível gratuitamente em postos de saúde do SUS, não é recomendada apenas para gestantes, pessoas com alergia à proteína do ovo, ou pessoas que sofrem de imunodeficiências graves.
Macacos não são uma ameaça
É importante reforçar que, embora os macacos sejam afetados pela doença, não são capazes de transmiti-la, e não representam risco epidemiológico para humanos. No entanto, por não possuírem defesas naturais contra o vírus, muitas espécies têm suas populações drasticamente reduzidas durante os surtos. Foi o que aconteceu com os bugios que habitavam a região da Serra da Cantareira, em São Paulo. Entre 2017 e 2018, o Brasil enfrentou seu maior surto da doença, o que resultou na morte de aproximadamente 80% da população de bugios da área.
A alta vulnerabilidade dos macacos é, também, o que confere à febre amarela seu caráter cíclico: os maiores surtos costumam ocorrer a cada sete ou oito anos. Esse é o tempo necessário para que a população de primatas volte a crescer e repopular as zonas de mata, até alcançar um número de indivíduos suficiente para que o vírus volte a circular entre eles e, eventualmente, “escape” para os humanos por meio do mosquito.
Essa janela de tempo tem ficado cada vez mais curta uma vez que a doença saiu da região amazônica e alcançou áreas mais populosas, como o estado de São Paulo. “O que acontece agora é que estamos observando pequenas epidemias todos os anos, porque o vírus está caminhando dentro desse ambiente cheio de primatas, cheio de mosquitos Haemagogus e cheio de pessoas não vacinadas. A situação é crítica”, diz Nogueira. Essa, entretanto, não é a primeira vez que o vírus da febre amarela se concentra no estado de São Paulo. No passado, ele era transmitido principalmente por uma outra espécie de mosquito, o Aedes aegypti, célebre por estar associado à transmissão da dengue.
Febre amarela: uma doença viajante
A história da disseminação da febre amarela está intimamente relacionada ao passado de colonização, interiorização e urbanização do Brasil. O vírus é de origem africana e, há mais de 500 anos, era transmitido através da picada de mosquitos Aedes aegypti infectados. A enfermidade alcançou terreno americano por meio dos navios que transportavam escravizados para trabalhar no Novo Mundo.
“Durante o processo de colonização, os navios traziam os mosquitos Aedes e, também, pessoas infectadas que pudessem transmitir a doença. Durante todo o período colonial, o vírus veio para as Américas inúmeras vezes”, relata Nogueira.
O virologista conta que um marco significativo nessa história ocorreu quando o vírus se adaptou aos mosquitos da região. Desta forma, sua transmissão passou a acontecer tanto por meio do Aedes, de origem africana, quanto pelo Haemagogus e o Sabethes, que são locais. Não se sabe exatamente em qual período da história colonial essa adaptação aconteceu, mas, a partir de então, a febre amarela passou a ser independente do transporte da África e teve início um novo ciclo da doença.
Dessa adaptação decorreram grandes surtos da doença no Brasil, principalmente nas regiões Nordeste e Sudeste. Aos poucos, o vírus foi sendo transportado ao interior do país, especialmente a partir do final do século 19, com o ciclo do café. Os imigrantes europeus, que vieram para trabalhar na lavoura cafeeira, eram muito suscetíveis justamente por nunca terem exposição ao vírus. A interiorização e o desmatamento no Brasil naquela época empurraram a febre amarela para a região amazônica. Lá, o ciclo da doença passou a envolver, também, os primatas das Américas. Nesse ponto a doença já estava bem estabelecida, com seus três atores principais: mosquitos, macacos e humanos.
Desde então, o Brasil, assim como demais países da região das Américas, enfrenta surtos periódicos, que inicialmente ocorriam em intervalos de sete ou oito anos, e tem se tornado mais frequentes nos últimos anos.
“A situação ficou complicada a partir dos anos 2000, quando a doença voltou a se movimentar e começou a descer, deixando a região amazônica”, diz Nogueira.
Essa movimentação levou aos primeiros surtos de febre amarela registrados em Minas Gerais, em 2001, em Brasília, em 2008, e na capital paulista, em 2017, com os casos concentrados na região da Serra da Cantareira.
Encontro perigoso
Para Nogueira, o principal motivo para preocupação é a possibilidade de que o Aedes aegypti volte a ser um vetor da febre amarela, algo que não corre desde 1942, quando o processo de transmissão passou a envolver apenas os mosquitos Haemagogus e Sabethes. A mudança de mosquitos vetores foi crucial para o controle dos surtos da doença e a diminuição dos números de casos. Ao contrário dos Haemagogus, que preferem as copas das árvores, o Aedes aegypti é um mosquito prefere alturas menores e, justamente por isso, pica mais humanos do que primatas.
“Será que o vírus perdeu a capacidade de se multiplicar no Aedes aegypti? Não parece”, questiona Nogueira. Ele cita como exemplos dois casos. Em 2007, o Paraguai enfrentou uma epidemia de febre amarela urbana – nomenclatura que identifica a transmissão do vírus pelo mosquito de origem africana. Em 2016, Angola enfrentou uma de suas maiores epidemias de febre amarela urbana, com 884 casos confirmados e 381 óbitos. “Tudo é uma questão de adaptação: quanto mais contato o vírus tiver com o vetor, maiores as chances desse fenômeno acontecer”, diz Nogueira.
Segundo dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses, desde janeiro de 2025 até o momento, o país já registrou cerca de 1,5 milhão de casos de dengue. Destes, pouco mais de 820 mil, ou 55%, ocorreram no estado de São Paulo. Em relação à febre amarela, o estado já contabiliza 58 casos, mais da metade dos registros do país, o que acende um alerta para um encontro perigoso entre o Aedes aegypti e o vírus da febre amarela.
Caso o medo de Nogueira se concretize, o virologista vislumbra um cenário com epidemias piores do que as de 2016 e 2017, quando o país registrou o recorde de 777 casos e 281 óbitos. Para evitar esse cenário, o pesquisador reforça que o principal caminho é a vacinação que, a longo prazo, garante a erradicação da enfermidade.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unesp, escrito por Malena Stariolo
Gaby Amarantos, Dona Onete e Joelma se apresentam no The Town neste domingo (14). Foto: Divulgação
O festival The Town 2025 – realizado nos dias 6, 7, 12, 13 e 14 de setembro no Autódromo de Interlagos, em São Paulo – conta com a participação de artistas do Pará nesta edição. As representantes da Amazônia este ano ganharam uma participação de destaque, integrando o line-up oficial em diferentes dias e palcos.
As presenças incluem cantores consagrados de várias gerações, grupos emergentes e novos talentos. Entre os nomes conhecidos estão Joelma, Dona Onete, Gaby Amarantos e Zaynara.
Joelma, Dona Onete, Gaby Amarantos e Zaynara foram anunciadas como atrações do The Town para se apresentarem neste domingo, dia 14 de setembro, no Palco The One.
As artistas se reúnem em uma noite que promete celebrar diferentes gerações musicais do Pará, com estilos variados que vão do brega ao carimbó, passando por música popular paraense contemporânea.
Palco The One do The Town em São Paulo. Foto: Divulgação
Raidol abriu a programação paraense, com uma apresentação ainda no primeiro dia (6 de setembro) no Palco Factory, como convidada da banda The Mönic, representando o pop amazônico e a cena contemporânea do Pará.
Já a cantora Nirah, conhecida por sua participação no programa ‘Estrelas da Casa’ da TV Globo, participa no The Town 2025 como convidada da emissora, presente no estande da Globo. Essa participação não se dá exatamente como show no palco principal, mas como presença artística em espaço de ativações, o que também configura visibilidade no contexto do festival.
A presença de artistas paraenses no line-up do The Town 2025 evidencia a inclusão da cultura musical do Pará em festival de dimensão nacional. A confirmação de nomes consagrados como Joelma, Gaby Amarantos e Dona Onete, somada à participação de artistas mais novos ou em espaços alternativos como Raidol e Nirah, mostra uma amplitude de estilos e fases na carreira desses artistas.
Joelma é conhecida por representar o brega e gêneros populares do Pará e tem carreira que ultrapassa três décadas, o que coloca sua apresentação como uma estreia no The Town ao lado de colegas de longa trajetória.
Dona Onete é referência no carimbó e em tradições culturais amazônicas, enquanto Gaby Amarantos ganhou projeção nacional trazendo elementos do tecnobrega, pop e ritmos regionais.
Zaynara também faz parte do cenário atual, contribuindo com sua sonoridade e repertório para representar a nova geração da música paraense.
Lambateria Baile Show figura como grupo com estilo voltado para baile e gêneros populares, integrando o contexto mais festivo e de carnaval de subculturas urbanas.
Já Raidol representa um caminho mais recente do pop amazônico contemporâneo, aparecendo como convidada em dia de festival.
A jovem Nirah também entra com participação em espaço de ativações, o que permite visibilidade diferente, entre cenários musicais e de entretenimento.
Com o objetivo de preservar a memória do ‘Índio do Buraco‘ e de seu povo, considerado extinto, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou, no dia 11 de setembro, o Plano de Trabalho para a criação do Parque Nacional Tanaru, em Rondônia.
O indígena, último integrante da etnia, viveu sozinho e em completo isolamento por quase 30 anos, até sua morte em 2022. Leia a íntegra da decisão.
A etnia do ‘Índio do Buraco’ nunca foi identificada, assim como a língua que falava. Ele recebeu esse apelido por escavar grandes buracos, do tamanho de uma pessoa, nas palhoças que construía. Também passou a ser chamado de “Tanaru”, em referência à Terra Indígena Tanaru, localizada no sul de Rondônia, onde viveu.
Depois da morte do indígena, surgiu a preocupação: o que fazer com a terra dele e como manter viva a memória desse povo, já que não há mais ninguém?
A TI possui cerca de 8 mil hectares e se espalha por quatro municípios de Rondônia:
Chupinguaia,
Corumbiara,
Parecis
e Pimenteiras do Oeste.
A Funai mantém a região protegida por portarias de restrição de uso que têm validade até este ano. Em sua decisão, Fachin autorizou a prorrogação da proteção “até a total conclusão do cronograma de criação do Parque Nacional Tanaru”.
Entidades e órgãos governamentais, como Ministério dos Povos Indígenas, o ICMBio, o Ministério dos Direitos Humanos e Iphan, debateram estratégias e concluíram que a criação de um Parque Nacional seria a melhor solução para a destinação da área.
Uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental foi requerida pela Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Brasil (APIB) no STF. Ela é uma ferramenta jurídica usada para garantir direitos essenciais que sustentam o ordenamento jurídico brasileiro, como o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à dignidade humana.
O Ministro Fachin homologou o plano por considerar que ele “guarda consonância com o dever-garantia fundamental de proteção da organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, insculpida no art. 231 da Constituição da República de 1988, bem como tutela o patrimônio ambiental, cultural e arqueológico” do povo Tanaru.
O parque criado a partir da decisão deve ser uma unidade de conservação de proteção integral. O relator, Edson Fachin, classificou a criação da área como um instrumento de reparação da violência histórica sofrida pelos povos originários, especialmente pela comunidade Tanaru.
O Plano de Trabalho foi elaborado em parceria com a APIB e outros órgãos federais, e prevê etapas detalhadas para a criação do Parque Nacional.
A União deve “informar, semestralmente e de modo minucioso, o cumprimento de cada uma das etapas do projeto”.
Disputas pela área
Em novembro de 2022, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, de forma cautelar, a preservação da Terra Indígena (TI) Tanaru, a área onde vivia o único indígena. Na decisão monocrática, Fachin ordenou que a Funai informasse qual destinação deveria ser dada ao território.
Em dezembro de 2022, o Ministério Público Federal (MPF) orientou fazendeiros a não invadirem a área como forma de proteção, após identificarem pessoas transitando na TI. Na época, as notificações entregues aos fazendeiros alertaram que os invasores poderiam responder por crimes, como dano qualificado.
Terra Indígena Tanaru em Rondônia. Foto: Reprodução/ISA
Quatro meses após a morte do indígena, o MPF voltou a recorrer à Justiça contra a União e a Funai, buscando obrigar os órgãos federais a transformar o território onde Tanaru viveu em uma área pública de proteção socioambiental.
Em janeiro de 2023, câmeras escondidas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) registraram fazendeiros invadindo a palhoça onde o “Índio do Buraco” vivia, momentos após o sepultamento do indígena, que demorou cerca de três meses para acontecer.
Quem era o ‘Índio do Buraco’?
Registro raro do “Índio do buraco”. Foto: Divulgação/Funai
Em junho de 1996, o “Índio do Buraco”, também conhecido como Tanaru, foi visto pela primeira vez por homens brancos em Rondônia. Vinte e seis anos depois daquele “contato”, o indígena foi encontrado morto em seu território, em agosto de 2022.
O homem, conhecido por viver sozinho e isolado na densa floresta Amazônica, morreu como o último homem de seu povo, sem que sua etnia e sua língua fossem descobertas. O indígena resistiu ao contato com o homem branco até sua morte.
O ‘Índio do Buraco’, apesar de ter vivido isolado por mais de 30 anos, nem sempre esteve só. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai) os últimos membros do seu povo foram mortos em 1995.
O indígena era conhecido como “Índio do Buraco” porque fazia escavações em suas palhoças. Ninguém chegou a descobrir o motivo e real utilidade delas.
Realizar a vigilância epidemiológica das espécies de cândida em efluentes clínicos (rede de esgoto hospitalar) e avaliar a carga fúngica em um hospital de Manaus (AM) foram os principais objetivos de uma pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), realizada no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic).
A pesquisa conquistou o 1º lugar na 10ª Jornada Científica da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP). Intitulada ‘Vigilância Epidemiológica de espécie de cândida em efluentes clínicos: avaliação da carga fúngica em um hospital da cidade de Manaus’, a pesquisa foi desenvolvida pela estudante Patrícia dos Santos Souza, graduanda do curso de Farmácia, sob orientação do doutor em Biodiversidade e Biotecnologia e pesquisador Walter Oliva Pinto Filho, e coorientação da biomédica e mestre em ciências farmacêuticas, Vanessa de Sá Pinheiro, ambos da FVS-RCP.
Segundo a pesquisadora a proposta foi compreender como esses microrganismos circulam nesse ambiente e identificar possíveis riscos relacionados à resistência antifúngica. O estudo tem contribuição social relevante, pois ajuda a compreender como a cândida circula em ambientes hospitalares e em efluentes, o que poderá auxiliar na prevenção de surtos, no controle de infecções e até orientar políticas públicas relacionadas ao manejo e tratamento desses resíduos, além do que os resultados podem impactar diretamente no controle de infecções hospitalares e na qualidade de vida da população.
Coleta e análise da pesquisa
Durante a pesquisa, foram coletadas amostras no esgoto do hospital, seguido do isolamento e identificação das leveduras com equipamentos de rotina em microbiologia, como microscópio, pipetas, autoclave, estufas de incubação e meios de cultura, que possibilitaram o isolamento e a manutenção das amostras.
Para a caracterização das espécies de cândida, foram aplicados o microcultivo, que permite observar as estruturas do fungo, e o auxonograma, utilizado para avaliar a assimilação de diferentes açúcares.
Os resultados foram analisados quanto à frequência das espécies de cândida e à carga fúngica presente nos diferentes pontos de coleta e revelaram elevada carga fúngica no efluente bruto, com predominância de Cândida albicans, seguida por espécies não albicans, como C. tropicalis e C. parapsilosis.
A pesquisadora destaca que algumas espécies de cândida são reconhecidas pela resistência antifúngica em ambiente hospitalar. Os efluentes podem funcionar como rota de disseminação dessas cepas para o meio externo, representando risco para a saúde pública.
“Já foram observados indícios de resistência a determinados antifúngicos utilizados na prática clínica, o que reforça a necessidade de monitoramento constante”, disse Patrícia dos Santos.
Esses microrganismos podem chegar ao meio ambiente, atingir a comunidade e até retornar ao ambiente hospitalar, perpetuando um ciclo de contaminação.
“Ao revelar a presença de cândida resistente nos efluentes, a pesquisa fornece dados que podem subsidiar melhorias no tratamento de resíduos hospitalares e auxiliar na elaboração de medidas preventivas para a cidade”, explica a pesquisadora.
A longo prazo, a expectativa é de que a pesquisa abra espaço para outros estudos na área, contribuindo para a criação de protocolos de monitoramento e fortaleça medidas de controle mais eficazes contra a resistência antifúngica.
A 54ª Expofeira do Amapá mostrou, com números robustos, que o evento deixou de ser apenas festa e tradição para se consolidar como plataforma de negócios e vitrine das potencialidades do estado. Em nove dias, foram movimentados mais de R$ 1 bilhão, um resultado que projeta o Amapá como destino competitivo para investimentos em diferentes frentes.
Os destaques incluem a negociação da Mina Tucano (R$ 582 milhões), os contratos com o Banco da Amazônia (R$ 139 milhões) e o Plano Safra (R$ 139,5 milhões), além da presença inédita do setor de petróleo e gás, que atraiu executivos da Petrobras e de outras empresas. O agronegócio, a mineração, o turismo, a gastronomia e o entretenimento conviveram em um ambiente de oportunidades, apoiado por 587 empresas expositoras e um público rotativo de 2,6 milhões de pessoas.
Mas o sucesso da Expofeira não se explica apenas por seu formato moderno. Ele é resultado de um estado que vem fazendo o dever de casa. Nos últimos anos, o Amapá avançou em políticas estruturantes: aprovou o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), implementou a governança das águas, consolidando o plano de utilização dos recursos hídricos e investiu em infraestrutura e segurança — o evento registrou zero ocorrências graves em todo o período.
Foto: Divulgação
Esse esforço já se reflete no mercado de trabalho: proporcionalmente, o Amapá foi o estado que mais gerou empregos nos últimos dois anos no Brasil, evidenciando que há ambiente favorável para negócios e geração de renda.
Outro ponto relevante é a abertura para o mundo. A edição de 2025 reuniu mais de 100 empresários nacionais e estrangeiros, delegações do Platô das Guianas e da Câmara de Comércio Brasil-China, além da cobertura de veículos como Valor Econômico e Brazil Journal.
Essa exposição nacional e internacional amplia a percepção do Amapá como uma nova fronteira econômica e ambiental da Amazônia.
Com organização reconhecida, ações de sustentabilidade — 131 toneladas de resíduos recolhidos, coleta seletiva e banheiros climatizados — e forte presença digital, a feira reafirma que o estado tem condições para acolher investimentos de grande porte sem perder o compromisso com a conservação.
A Expofeira 2025, mais do que um grande evento, foi um termômetro do dinamismo econômico do Amapá. A soma de negócios expressivos, governança ambiental e social e abertura ao capital privado indica um caminho claro: o Amapá está pronto para transformar seu imenso patrimônio natural em desenvolvimento sustentável, atraindo investidores que queiram crescer junto com esta nova fronteira da Amazônia.
Sobre o autor
Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). Atualmente é apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.
Reinício das escavações podem identificar os vestígios do dinossauro até então desconhecido. Foto: IFMA
O pacato vilarejo de Conceição, localizado no município de Coroatá, Maranhão, recebe uma expedição científica internacional em busca de novos fósseis, após a descoberta na região de uma nova espécie de dinossauro, o espinossauro. Os pesquisadores estarão em terras tupiniquins até o dia 14 de setembro.
À frente dessa equipe está uma das maiores autoridades mundiais no estudo de dinossauros: o doutor Paul Sereno, da Universidade de Chicago, além de professores e estudantes do Instituto Federal do Maranhão (IFMA). Um pesquisador do Instituto teve papel fundamental nessa descoberta, o professor Rafael Lindoso, do Campus São Luís – Monte Castelo, que já havia atuado no projeto que catalogou, em 2019, outro gigante maranhense: o Itapeuasaurus cajapióensis.
Professor Rafael Lindoso: “descobrimos restos de um animal realmente espetacular e inédito para o Brasil e para América do Sul”. Foto: IFMA
“Estou muito animado com esta expedição, porque agora vocês encontraram ossos aqui, o que é sempre divertido. Ossos de dinossauro novinhos em folha. Encontramos alguns que vocês também podem ver. O Maranhão tem muitos ossos de dinossauros, tem uma história para contar e está começando a ganhar destaque agora. Então, é um momento realmente emocionante para os cientistas e para o público também”, disse o doutor Paul Sereno.
Sereno explicou qual é o próximo passo da pesquisa. “O próximo passo é limpar os ossos e visualizá-los, capturá-los em três dimensões. E então juntar o esqueleto, estudá-lo e fazer um anúncio. Vocês vão ouvir sobre isso porque este é um dinossauro espinossauro muito interessante que estamos obtendo às margens do Rio Itapecuru. Acreditamos que será um dos dinossauros mais famosos do Brasil”, disse.
O professor Rafael Lindoso explicou que esse local com fósseis onde a expedição está nesse momento foi descoberto em 2016, a partir de uma expedição conjunta entre o Instituto Federal do Maranhão e a Universidade Federal do Maranhão. “Descobrimos restos de um animal realmente espetacular e inédito para o Brasil e para América do Sul. Hoje, depois de alguns anos de estudo, nós descobrimos que ele é o indivíduo mais completo já descoberto em toda a América do Sul, depois de alguns espécimes terem sido destruídos durante o incêndio no Museu Nacional”.
Paul Sereno: “o Maranhão tem muitos ossos de dinossauros, tem uma história para contar”. Foto: IFMA
E realmente essa descoberta é espetacular. Por volta de 2018, depois de uma visita ao Laboratório do Paul [Sereno] para inventariar esse material – e de algumas conversas – o professor Rafael convenceu Sereno a vir ao Maranhão, para fazer uma nova escavação. “A gente tem observado novos elementos fósseis que nos permitirão compreender melhor esses ambientes do passado”, detalhou Lindoso.
A pesquisa é ímpar e traz um impacto ainda não vivenciado no país. “Nós temos um animal hoje na paleontologia que é motivo de grande debate: o espinossauro. Tem causado polêmica, porque – pela primeira vez – os paleontólogos têm se deparado com um animal que tem adaptações em torno de um animal semi-aquático, por vezes alguns paleontólogos debatendo se o animal seria um mergulhador de grandes profundidades e, talvez, esse nosso material, traga luz para essa questão tão amplamente debatida no mundo”, refletiu.
O professor do IFMA falou, ainda, sobre a rotina da equipe de pesquisadores. “A gente leva meses para se organizar. Através de mapas geológicos, a gente define os locais de coleta, a gente busca referências, estudos de descobertas prévias a respeito dessa família de animais”.
Reinício das escavações podem identificar os vestígios de um animal até então desconhecido. Foto: IFMA
“Tem todo um trabalho logístico. É muito complicado, que envolve desde a burocracia até a organização de aluguéis de carros e de botes, aferição da profundidade do rio, se está adequado ou não, e isso leva muito tempo. Foram várias reuniões ao longo desses últimos meses para que a gente pudesse então chegar em campo, montar um acampamento base, organizar os locais para a compra de combustível, para água, suficiente para manter uma equipe dessa por uma semana, às vezes duas semanas”, detalhou.
Umas das bolsistas no projeto da expedição e aluna do curso de Biologia do Campus São Luís – Monte Castelo, Thaiane Almeida, reconhece que o grupo, de certo modo, está fazendo história. “É muito importante para contribuir na história dessa construção evolutiva mesmo desses animais, para compreender melhor como eram eles aqui. Como era a morfologia (estudo da anatomia) deles e como isso afeta todos os aspectos do desenvolvimento evolutivo. Como estudante de Biologia, é extremamente gratificante estar aqui para poder contribuir com essa história, com esses achados. É extremamente extraordinário estar conseguindo trabalhar com toda essa equipe, que é uma equipe fantástica, conta com profissionais excelentíssimos, tanto brasileiros quanto estrangeiros”, concluiu.
*Com informações do Instituto Federal do Maranhão (IFMA)
O objetivo do projeto é que esses agentes biológicos melhorem a saúde do solo e das plantas desde a fase de viveiro. Fotos: Defarm
Uma Pesquisa desenvolvida pela Unidade Embrapii Instituto Senai de Inovação em Biomassa (ISI Biomassa), em Três Lagoas (MS), em parceria com a Natura e a Solubio, é pioneira na aplicação de bioinoculantes em culturas perenes amazônicas, dentro de um sistema agroflorestal.
O projeto Dêfarm desenvolveu e testou, em casa de vegetação, combinações de microrganismos benéficos (consórcio de bioinoculantes) para fortalecer o crescimento de mudas de dendê, cacau e açaí, no município de Tomé-Açu (PA).
O objetivo é que esses agentes biológicos melhorem a saúde do solo e das plantas desde a fase de viveiro. Fotos: Defarm
“O objetivo é que esses agentes biológicos melhorem a saúde do solo e das plantas desde a fase de viveiro, ajudando agricultores a adotar práticas mais sustentáveis e regenerativas, especialmente na região amazônica em Sistema Agroflorestal, que combina dendê com outras espécies como açaí e cacau”, explica a coordenadora da Unidade Embrapii e chefe de pesquisa do ISI Biomassa, Layssa Aline Okamura
Esses microrganismos foram multiplicados com tecnologia on farm, ou seja, produzidos localmente, em biofábrica instalada no ISI Biomassa. O uso de bioinsumos produzidos localmente é uma abordagem mais acessível, sustentável e de baixo carbono. A iniciativa une a produtividade sustentável, boas práticas e eficiência, gerando impacto positivo ao meio ambiente, nas comunidades locais e no desenvolvimento de produtos em sintonia com novas práticas de consumo mais responsáveis.
A iniciativa une a produtividade sustentável, boas práticas e eficiência, gerando impacto positivo ao meio ambiente. Fotos: Defarm
“Projetos Embrapii permitem a criação de uma rede interdisciplinar de desenvolvimento de novas tecnologias , acelerando o processo através do networking entre empresas e pesquisadores. Quando se tem diferentes especialistas de referência em cada área envolvida no processo, podemos mitigar os riscos da inovação, expandir oportunidades, além de levar ao mercado uma tecnologia com alta confiabilidade”, afirma Simone Vieira, gerente de desenvolvimento técnico na Solubio.
A pesquisa teve o investimento de R$ 1.411.312,00, sendo 50% (R$ 570.437,00) de recursos não-reembolsáveis aportados pela Embrapii. O estudo envolveu nove pesquisadores de diferentes áreas de atuação: bioprocessos, biotecnologia, microbiologia, enzimologia, estatística e fisiologia vegetal. A iniciativa também gerou dados inéditos sobre a resposta de mudas em fase de estufa à aplicação de consórcios microbianos.
Inovação sustentável
Para a indústria, o projeto demonstra a viabilidade de soluções biológicas e sustentáveis que podem ser replicadas e escaladas em diferentes contextos. Já para a sociedade e o meio ambiente, o projeto contribui com a redução do uso de insumos químicos, com o fortalecimento da agricultura regenerativa, com o incentivo à conservação da biodiversidade e do solo, além de promover geração de renda e autonomia para agricultores na região amazônica. Em 2025, a iniciativa foi vencedora da categoria Projetos de Valor – P&D, da Prêmio Embrace da Natura
Sobre a Embrapii
A Embrapii é uma organização social que atua em cooperação com instituições de pesquisa, públicas ou privadas, para atender ao setor empresarial, com o objetivo de fomentar a inovação na indústria. Para isso, conecta pesquisa e empresas, e divide riscos, ao aportar recursos não reembolsáveis em projetos que levem à introdução de novos produtos e processos no mercado. Para ter acesso ao modelo, a empresa deve apresentar seu desafio tecnológico à Unidade com a competência técnica que se enquadra às necessidades de seu projeto. A Embrapii possui contrato de gestão com o Governo Federal, por meio dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Educação, da Saúde e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Pesca manejada de pirarucu. Foto: Bernardo Oliveira
Os pescadores da Comunidade Nova Jerusalém do Acará, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã, em Maraã (AM), assistidos pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), receberão, ainda em setembro, autorização para atuarem na pesca manejada de pirarucu no complexo de lagos do Acará e Atapi 2.
O plano de manejo, elaborado pela equipe técnica da Unidade Local (UnLoc) Idam/Tefé, em parceria com o Programa Manejo de Pesca, do Instituto Mamirauá e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), visa beneficiar 41 famílias com uma produção de 8 toneladas já na primeira pesca, o que representará um faturamento bruto de R$ 41 mil.
“Esta autorização de pesca do pirarucu foi emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sendo a consolidação de um trabalho de cinco anos consecutivos de contagens de pirarucus nos lagos”, explicou a engenheira de pesca da UnLoc Idam/Tefé, Maria José Mendonça.
Segundo a técnica, o plano de manejo foi concluído este ano pela equipe e, posteriormente, foi encaminhado à Sema, gestora da Unidade de Conservação, para análise e prosseguimento na emissão da anuência do plano.
“Após a anuência, a Sema encaminhou ao Ibama para análise e emissão da primeira autorização de pesca do pirarucu, com uma cota experimental de 160 unidades a serem capturadas até novembro, como é previsto pela legislação vigente”, explicou.
A técnica ressaltou que a equipe irá, este mês, a RDS Amanã para entregar a autorização aos beneficiários e informou que, na ocasião, será realizada a Oficina de Monitoramento e Boas Práticas de Manipulação do Pescado para capacitar os pescadores.
Foto: Divulgação/IDAM
Legislação
O decreto estadual 36.083/2015, que regulamenta a pesca manejada do peixs no estado do Amazonas, permite a pesca manejada do pirarucu em Unidades de Conservação Estaduais, em áreas de Acordo de Pesca.
A Portaria IBAMA nº 22, de 20 de fevereiro de 2025, instituiu o Programa Arapaima, com o objetivo de promover o manejo sustentável do pirarucu (Arapaima gigas) e conservar os ecossistemas de várzea no estado do Amazonas, visando o fortalecimento do manejo, a rastreabilidade, a conservação ambiental, a bioeconomia e o apoio à vigilância comunitária.
A espécie é protegida pela Instrução Normativa nº 34 de 2004, que proíbe a pesca anual do pirarucu na Bacia Amazônica, no período de 1º de dezembro a 31 de maio. Já a Instrução Normativa nº 1, de junho de 2005, proíbe a pesca, o transporte, a armazenagem e a comercialização do pirarucu em todo o estado, durante o período de 1º de junho de a 30 de novembro. A mesma Instrução Normativa autoriza a pesca em áreas manejadas situadas em Unidades de Conservação.
A startup amapaense Bactolac vai representar o país na Web Summit, que será realizada no mês de novembro, em Portugal. A empresa participou em agosto deste ano, em Florianópolis (SC), do Prêmio Sebrae Startups 2025 e venceu na categoria Agro e Negócios do Campo.
Durante o evento no Brasil, foi apresentado o SisBactolac, que é uma plataforma integrada onde é possível saber – através de análise de imagem – o peso e crescimento de peixes.
A plataforma funciona como solução para a Aquicultura na Amazônia, pois identificou que é possível diminuir os principais problemas enfrentados pelo setor atualmente.
O sistema foi criado para evitar problemas que acabavam gerando perdas na produção, como a falta de digitalização e automação, tomada de decisão ineficiente e a baixa adoção de tecnologias. A plataforma integrada une três pilares centrais:
Gestão inteligente via WhatsApp: democratiza o acesso à tecnologia mesmo para produtores com pouca familiaridade digital;
Hardware de análise de água: fornece dados em tempo real e aumenta a precisão no manejo;
Biometria por análise de imagem: permite avaliar o crescimento dos peixes sem causar estresse, garantindo maior produtividade.
Uso de Inteligência artificial
Foto: Divulgação/Bactolac
A empresa usa uma espécie de biometria automatizada em peixes. Por meio de uma análise computacional de imagens, os técnicos da empresa conseguem captar dados dos animais sem precisar fazer o manuseio direto.
A tecnologia gera o fortalecimento da indústria pesqueira e da saúde dos organismos aquáticos. Para isso, é necessário fazer biometrias em um intervalo de 15 dias ou de 30 dias. A análise produz dados do desempenho dos peixes e a quantidade de ração que ele precisa ingerir.
Prêmio Sebrae Startups 2025
Foto: Divulgação/Bactolac
Startup amapaense vai representar o Brasil em evento internacional — Foto: Bactolac/divulgação
O Prêmio Sebrae Startups 2025 foi realizado no mês de agosto em Florianópolis e reuniu várias startups do país. No evento, foi citado o quanto o mercado da aquicultura apresenta crescimento nacional e internacional. A startup amapaense está entre as 10 mais conceituadas empresas com potencial inovador, venceu em 1º lugar na categoria Agro e Negócios do Campo, foi premiada com R$ 50 mil e a viagem para o Web Summit em Portugal.
O CEO da Bactolac, Antônio Carlos Freitas Souza, explicou que a conquista é fruto da busca por qualidade e confiança de que a startup pode contribuir e muito com o desenvolvimento da Aquicultura.
“Saímos do Amapá com a convicção de que poderíamos transformar a aquicultura brasileira. Hoje, essa conquista nacional é fruto de uma parceria estratégica com o HUB CNA, que acreditou no nosso potencial desde o início. Juntos, estamos provando que inovação de qualidade pode nascer em qualquer lugar do Brasil”, disse.