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UFT registra desenho industrial do Tabuleiro Maia inspirado na matemática ancestral

Desenho industrial do Tabuleiro Maia inspirado na matemática ancestral. Foto: Reprodução/UFT

A Universidade Federal do Tocantins (UFT) registrou seu segundo desenho industrial, intitulado “Tabuleiro Maia”, criado pelos professores Adão Lincon Bezerra Montel, Warley Gramacho da Silva e Rafael de Oliveira Ribeiro, vinculados às áreas de Engenharia Civil e Ciência da Computação. O registro foi realizado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), sob o número BR 30 2025 005410-9.

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Claudia Auler, diretora de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFT, explica que o desenho industrial é a modalidade de proteção que assegura exclusividade sobre o aspecto visual e ornamental de um produto, resguardando sua forma estética, a disposição de seus elementos e sua identidade visual.

No caso do Tabuleiro Maia, o diferencial está na distribuição geométrica dos furos, concebida para reproduzir de forma fiel o sistema numérico do povo maia, permitindo a representação de números e a realização de operações matemáticas por meio de pontos, traços e símbolos.

O professor Adão Lincon contextualiza que, ao longo da história, diferentes povos desenvolveram sistemas matemáticos próprios. Entre eles, apenas dois apresentaram, de forma clara, a representação do valor nulo (zero) com símbolo específico:

  • o sistema indo-arábico, amplamente utilizado atualmente,
  • e o sistema numérico maia, desenvolvido por povos que habitavam a região correspondente ao atual México.

“Esse sistema sofisticado possibilitou avanços significativos em áreas como astronomia, arquitetura e engenharia”, afirmou.

Leia também: Matemática Pai D’égua: jogo de tabuleiro criado por alunos do Pará

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Desenho industrial do tabuleiro maia inspirado na matemática ancestral. Foto: Reprodução/UFT

Pensando no potencial pedagógico dessa matemática ancestral, os pesquisadores desenvolveram um tabuleiro capaz de realizar operações utilizando o sistema maia. Segundo Adão Lincon, a ferramenta amplia significativamente as possibilidades educacionais:

“Pensando no potencial de aplicação da matemática maia no ensino, desenvolvemos um tabuleiro que funciona como uma calculadora. Enquanto o ábaco permite apenas operações de soma e subtração, o Tabuleiro Maia possibilita realizar soma, subtração, multiplicação, divisão e até raiz quadrada para valores pequenos. Por possuir peças discerníveis ao tato, o tabuleiro também tem sido utilizado com sucesso por estudantes com deficiência visual. O registro desse tabuleiro pela UFT permitirá sua exploração econômica no campo educacional, especialmente na alfabetização matemática”.

Desenho industrial do tabuleiro maia inspirado na matemática ancestral. Foto: Reprodução/UFT

Leia também: Dança urbana é aliada à matemática em método educativo no Pará

O professor destaca ainda que, ao contrário do sistema indo-arábico, que apresenta maior nível de abstração, o sistema numérico maia é mais intuitivo, permitindo a obtenção de resultados por caminhos alternativos aos tradicionalmente utilizados. Ele é composto por apenas três símbolos: o ponto (unidade), o traço (cinco unidades) e um símbolo semelhante a uma concha, que representa o zero.

“O estudo da etnomatemática, que investiga os sistemas matemáticos desenvolvidos por diferentes culturas, contribui para ampliar a compreensão dos conceitos quantitativos e viabiliza práticas pedagógicas inclusivas, adequadas a distintos perfis de aprendizagem”, pontuou Adão Lincon.

Claudia Auler ressalta que, diferente do primeiro desenho industrial registrado pela UFT, voltado ao ensino da propriedade intelectual, o Tabuleiro Maia tem como principal diferencial a valorização de saberes ancestrais por meio do design, integrando matemática, engenharia, cultura e educação em uma solução visual inédita. O arranjo dos orifícios organiza-se em padrões de linhas e colunas que refletem a lógica da contagem maia, permitindo sua aplicação em atividades pedagógicas e experimentais.

Desenho industrial do tabuleiro maia inspirado na matemática ancestral. Foto: Reprodução/UFT

Para ela, do ponto de vista institucional, o registro reforça a estratégia de diversificação do portfólio de propriedade intelectual da UFT, ampliando o escopo de proteção para além de patentes e softwares:

“O registro do Tabuleiro Maia como desenho industrial representa um avanço importante na diversificação do portfólio de ativos de propriedade intelectual da UFT. Ao proteger soluções baseadas em design, a Universidade amplia suas possibilidades de transferência de tecnologia, fortalece a gestão estratégica da inovação e reconhece o valor de criações com potencial educacional, cultural e mercadológico”.

*Com informações da UFT

Pará se destaca no cenário agropecuário nacional em 2025

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Boletim Agropecuário Paraense 2025 consolida protagonismo do estado no cenário nacional do setor. Foto: Divulgação/Fapespa

Segundo maior produtor de bovinos do Brasil, o estado do Pará encerra o ano de 2025 reafirmando o protagonismo no setor agropecuário nacional. Com avanços significativos na pecuária bovina e bubalina, na aquicultura, na produção agrícola e nas exportações, o estado nortista manteve resultados expressivos no Boletim Agropecuário Paraense 2025.

O documento, lançado no último dia 18 de dezembro pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), confirma o fortalecimento do campo como um dos principais vetores da economia paraense. Os dados consolidaram o Pará como o segundo maior produtor de bovinos do país, com um rebanho de 25,6 milhões de cabeças em 2024, o equivalente a 10,7% do total nacional.

Em um cenário de retração geral no Brasil, o Pará registrou crescimento de 2,1%, impulsionado pela expansão da fronteira pecuária e a presença de grandes polos produtivos. Na criação de búfalos, o estado manteve a liderança nacional, concentrando 42,9% do rebanho brasileiro, com 775,1 mil cabeças, majoritariamente localizadas no arquipélago do Marajó. O município de Chaves se destacou como maior produtor do país.

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O setor aquícola também apresentou crescimento expressivo. A produção triplicou entre 2013 e 2024, atingindo 16,7 mil toneladas. O Pará manteve um ritmo de crescimento acima da média nacional, com destaque para o cultivo do tambaqui, responsável por cerca de 60% da produção estadual.

Agricultura diversificada e em expansão

Mesmo com apenas 1% da área agricultável do país, a agricultura paraense gerou R$ 35,9 bilhões em valor de produção em 2024, um crescimento médio de 8% ao ano desde 2000. Com isso, o estado saltou da 17ª para a 8ª posição no ranking nacional de valor da produção agrícola, aumentando sua participação de 2,4% para 4,6%.

Na lavoura permanente, o valor total chegou a R$ 20,6 bilhões em 2024, um aumento de 39,7% em relação ao ano anterior. Cinco culturas responderam por aproximadamente 95% do valor total: cacau (37,4%), açaí (36,1%), dendê (10,8%), pimenta-do-reino (6,1%) e banana (5,2%). Os destaques foram o salto do cacau, com crescimento de 259,3%, e da pimenta-do-reino, com 147,4% de aumento em valor.

Já a lavoura temporária somou R$ 15,3 bilhões, com leve retração de -2,9%. A soja liderou com R$ 7,2 bilhões (47,7%), seguida pela mandioca, com R$ 4,7 bilhões (30,3%). Houve queda expressiva no valor do milho, de -25,9%. A produção está concentrada: 10 municípios respondem por mais da metade do valor da lavoura temporária, com Paragominas na liderança, representando 11,9% do total.

Leia também: Pará teve melhor desempenho com exportações do agro na Região Norte

Ranking dos municípios com produção efetiva

Quatro municípios paraenses estão entre os dez maiores produtores de bovinos do Brasil: São Félix do Xingu, Marabá, Novo Repartimento e Altamira. São Félix do Xingu lidera o ranking nacional, com 2,5 milhões de cabeças (1,1% do rebanho brasileiro). Altamira e o próprio São Félix apresentaram crescimento em 2024, enquanto Marabá e Novo Repartimento registraram leve retração.

Ao todo, dez municípios concentram 41,1% do rebanho bovino estadual, com destaque para São Félix do Xingu (9,9%), Marabá (5,1%) e Novo Repartimento (4,9%). Outros municípios como Cumaru do Norte (2,9%), Santana do Araguaia (2,6%) e Altamira (1,3%) também apresentaram crescimento expressivo.

O conjunto dos demais municípios, que representam 58,9% do efetivo estadual, teve crescimento de 3,3%, desempenho superior ao dos municípios ranqueados e principal responsável pelo aumento total do rebanho paraense.

A evolução histórica do rebanho bovino em São Félix do Xingu revela um avanço notável a partir dos anos 2000, com um crescimento exponencial da atividade. O município ultrapassou Corumbá (MS) e se consolidou como o maior produtor de bovinos do país.

Criação animal

A diversidade da pecuária paraense também se reflete em outras criações. Em 2024:

  • São Félix do Xingu liderou o rebanho equino (29,5 mil cabeças) e ovino (18 mil cabeças);
  • Cametá se destacou na suinocultura, com 31,5 mil cabeças;
  • Chaves liderou na criação de caprinos, com 4,8 mil cabeças;
  • Santa Izabel do Pará concentrou a maior produção de galináceos, com 7,6 milhões de aves.

O boletim aponta que a agropecuária ocupa 18,4% do território paraense, majoritariamente com áreas de pastagens. Cerca de 70% dessas áreas foram desmatadas antes de 2008, o que reforça o papel da intensificação produtiva e da recuperação de áreas já abertas como estratégias para o desenvolvimento sustentável.

Em 2024, o Pará exportou 160,5 mil toneladas de carnes, um aumento de 51,1% em relação a 2023. O pescado também se manteve como item relevante da pauta exportadora, com o estado ampliando sua participação nas exportações brasileiras nos últimos anos.

Empregos no setor

No cenário nacional, o setor agropecuário manteve-se com mais de 8 milhões de trabalhadores. No Pará, o número de ocupados chegou a cerca de 500 mil pessoas em 2024, após pico superior a 700 mil em 2021. O estudo destaca que o emprego rural apresenta variações sazonais e conjunturais, afetadas por fatores econômicos, climáticos e mercadológicos.

Entre 2002 e 2022, o Valor Adicionado Bruto (VAB) da agropecuária no Produto Interno Bruto (PIB) do Pará apresentou crescimento expressivo, com aceleração a partir de 2019 e pico histórico em 2021. Esse desempenho superou a média nacional e reflete ganhos de produtividade, expansão das atividades e diversificação da base produtiva agropecuária no estado.

Boletim Agropecuário Paraense

Boletim agropecuário
Boletim Agropecuário está disponível no site da Fapespa. Foto: Divulgação

Produzido pela Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural (Diepsac), o Boletim Agropecuário Paraense 2025 utiliza bases de dados oficiais como IBGE (PPM, PAM, PEVS), PNAD Contínua, RAIS, Banco Central, COMEX STAT, entre outras.

“O estudo mostra claramente o grande potencial do setor agropecuário do Pará, que vem avançando com base na ciência, tecnologia e inovação, promovendo aumento da produtividade, valorização dos produtos e sustentabilidade. Esse desempenho é resultado de um esforço coletivo e de políticas públicas estaduais, fomentadas pela Fapespa”, diz Marcel Botelho, presidente da Fapespa.

A última atualização do Boletim revela que o setor agropecuário tem desempenhado um papel estratégico na consolidação do desenvolvimento econômico do Pará, sendo um dos principais vetores de geração de renda, emprego e sustentabilidade regional. A diversidade de biomas, a vasta disponibilidade de recursos hídricos e a extensão territorial conferem ao estado condições favoráveis para a expansão de atividades como a pecuária, a agricultura familiar e o cultivo de grãos, além do fortalecimento de cadeias produtivas como as do cacau, açaí e dendê.

O boletim completo está disponível AQUI.

*Com informações da Fapespa

Organizações lançam coleção didática sobre peixes do Tapajós

Disponibilizado para fins educativos, ambientais e científicos, material de coleção gratuito reúne informações sobre as espécies da bacia de Tapajós. Foto: Divulgação/Sapopema

Uma Coleção Educativa de Peixes do Tapajós foi oficialmente lançada no início de dezembro durante evento internacional promovido pela Aliança Águas Amazônicas, reunindo universidades, organizações comunitárias, representantes governamentais e instituições de conservação da Pan-Amazônia com tradução simultânea. O conjunto de seis produtos didático-pedagógicos foi desenvolvido a partir da coleção ictiológica da UFOPA e PPGSND, com o propósito de regionalizar o ensino de Ciências e fortalecer iniciativas de popularização da ciência em contextos ribeirinhos.

A mesa de abertura contou com a participação de Frank Ribeiro (UFOPA); Antônio José Bentes (SAPOPEMA); Gina Leite (AAA/WCS); Socorro Pena (Governo Brasileiro); Manoel Pinheiro (MOPEBAM); e Lucilene Amaral (The Nature Conservancy – TNC), reforçando a importância da iniciativa para a educação, a conservação e o protagonismo comunitário nos territórios do Tapajós.

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Durante a abertura, o professor Frank Ribeiro contextualizou a dimensão científica e ictiológica do território, destacando que a estimativa é que o rio Tapajós possua cerca de 900 espécies de peixes, o que evidencia a relevância da bacia para a ictiofauna amazônica.

Ele também chamou atenção para a lacuna histórica de visibilidade do rio na produção científica mais difundida: “o rio Tapajós foi um rio muito negligenciado no contexto do conhecimento da sociedade oficial durante muito tempo”.

Coleção foi oficialmente lançada de forma virtual promovido pela Aliança Águas Amazônicas. Foto: Divuigação/Sapopema

Ao falar sobre a importância da coleção como estratégia de educação ambiental, ressaltou a conexão entre ciência e conhecimento local: “a população local conhece perfeitamente a fauna de peixes” e, ainda assim, “não se tem tipicamente registrado” esse saber em mecanismos formais de monitoramento, reforçando a necessidade de materiais que aproximem a escola e a pesquisa da realidade dos territórios.

Leia também: Conheça curiosidades sobre nove peixes da Amazônia

Contribuições

Representando a Aliança Águas Amazônicas, Gina Leite enquadrou o lançamento como resultado de uma construção coletiva em rede e de longo prazo: “a Aliança de Águas Amazônicas conta com 203 organizações aliadas e seis países”, apontando Santarém como um polo de articulação e prática colaborativa. Segundo ela, a iniciativa apresentada no webinar é “um grande exemplo de como podemos operar” e de como “podemos potencializar ainda mais essa articulação” entre universidade, organizações e comunidades.

A professora Socorro Pena enfatizou o valor da proposta como devolutiva prática do conhecimento científico e como ferramenta aplicável à escola. Para ela, trata-se de “uma experiência de educação ambiental numa nova dinâmica”, capaz de articular “comunicação, novas tecnologias, ciência e educação” em um mesmo conjunto pedagógico. Socorro também ressaltou que o material ajuda a “trazer do laboratório da ciência” um conteúdo que, muitas vezes, permanece restrito.

Na mesma linha, Antônio José Bentes, da Sapopema, apontou o potencial do material para apoiar processos formativos e de mobilização social no longo prazo. Ele defendeu que é “fundamental fazer um trabalho profundo, sistemático, pedagógico, de envolvimento da juventude”, e avaliou que iniciativas como essa têm força para criar “novas energias, novas sinergias” nos territórios. Para Antônio, a coleção pode contribuir para uma “revolução pedagógica” voltada ao engajamento de jovens e adolescentes com temas ambientais e com a gestão dos bens comuns.

Coleção de peixes de Tapajós
Coleção contribui para a prática do conhecimento científico e ferramenta aplicável à escola. Foto: Divulgação/Sapopema

Pela The Nature Conservancy, Lucilene Amaral destacou que a coleção contribui para aproximar resultados de pesquisa das comunidades: “como fazer que esses resultados cheguem realmente nas comunidades”, não apenas como devolutiva, mas como subsídio para discussões sobre “gestão dos recursos naturais, dos recursos aquáticos e dos recursos hídricos”. Ela avaliou que a iniciativa representa “um passo muito importante que a academia dá em termos de retorno para a comunidade”, com potencial de ser fortalecida por políticas públicas em parceria com escolas.

A pesquisadora e criadora da coleção, Samela Bonfim (UFOPA/Sapopema), apresentou os seis produtos: caderno de atividades multisséries, guia ilustrado, jogo da memória, livro para colorir, quebra-cabeça e mapa interativo, construídos ao longo de três anos de investigação, oficinas pedagógicas e diálogos com professores, pescadores, jovens e lideranças comunitárias.

Segundo Samela, a coleção representa a devolutiva da ciência para os territórios que inspiraram sua criação:

“Este trabalho nasce nas comunidades e volta para elas. Ele não seria possível sem a contribuição dos territórios, das escolas e dos parceiros que acreditam em uma educação que dialogue com a vida real. Tornar esse material acessível e gratuito é uma forma de retribuir e fortalecer quem vive e ensina na Amazônia”.

Acesso à coleção

A coleção está disponível no site da Sapopema e também na plataforma da Alianza Águas Amazônicas. Para acessar, é necessário preencher o formulário online. Após responder às perguntas que servem para fins de registro, acompanhamento da pesquisa e garantia de uso adequado, o usuário recebe automaticamente o link para download completo do material.

O processo de acesso controlado garante que a coleção seja utilizada exclusivamente para fins educativos, comunitários, ambientais, pedagógicos e científicos, conforme previsto na pesquisa e nos termos de uso.

Todos os produtos podem ser impressos gratuitamente pelos usuários, seguindo as recomendações descritas nos arquivos:

  • Materiais como jogo da memória, cartas, fichas e peças didáticas devem ser impressos em papel de maior gramatura para garantir durabilidade;
  • Livros, guias e cadernos podem ser impressos em formato A4 ou A3, conforme o tipo de uso pedagógico;
  • A comercialização dos arquivos não é permitida;
  • A manutenção da identidade visual e dos créditos institucionais são orientados nos termos de uso.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Sapopema

Lei reconhece obra do violonista paraense Sebastião Tapajós como manifestação da cultura nacional

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O violonista Sebastião Tapajós lançou mais de 50 discos. Foto: Reprodução/Instagram – Sebastião Tapajós

A obra musical do violonista paraense Sebastião Tapajós agora é oficialmente reconhecida como manifestação da cultura nacional. A Lei 15.319, de 2025, foi publicada nesta segunda-feira (29) no Diário Oficial da União, após sanção da Presidência da República no dia 26 de dezembro.

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O músico lançou mais de 50 discos e se consagrou principalmente na Europa, onde revelou ao público internacional ritmos musicais do carimbó e do lundu — manifestações culturais indígena e afro-brasileira, respectivamente —, além do baião.

A informação é do senador Humberto Costa (PT-PE), relator do Projeto de Lei (PL) 2.577/2022 no Senado, que deu origem à lei.

A proposta, da Câmara dos Deputados, foi aprovada em votação final na Comissão de Educação (CE) do Senado em novembro.

Leia também: Conheça 14 ritmos musicais que fazem sucesso na Amazônia

Legado de Sebastião Tapajós

Sebastião Tapajós teve uma carreira que durou décadas e que transitou entre a música erudita e a popular, segundo Humberto. O senador também aponta que o artista foi um educador da cultura, na medida em que participou de projetos sociais voltados à formação de jovens músicos na Amazônia.

“[O texto] não apenas honra um mestre do violão, mas também reafirma o valor da arte como instrumento de desenvolvimento humano. Trata-se de reconhecer que, em cada acorde de Tapajós, ecoa a força criadora da Amazônia”, defende Humberto no relatório.

sebastião tapajós
Foto: Paulo Henrique Lima, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

*Com informações da Agência Senado

Rio Acre não transbordava em dezembro há 50 anos na capital acreana, diz Defesa Civil

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Foto: Alefson Domingos/Secom Acre

Desde 1975, o Rio Acre não transbordava no mês de dezembro na capital acreana. A informação foi confirmada ao Grupo Rede Amazônica pelo coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão. O levantamento, mais detalhado foi informado na manhã desta segunda-feira (29).

Apesar de chover apenas 7 mm nas últimas 24 horas em Rio Branco, o rio continua subindo e, neste domingo (28), chegou aos 14,94 metros na medição das 9h.

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Ainda conforme a Defesa Civil, 15 bairros já foram afetados e cerca de 300 residências ficaram alagadas. O número de atingidos de alguma forma pelas águas aumentou para cerca de 2 mil pessoas.

Falcão detalhou neste domingo que 237 famílias precisaram ser retiradas de suas casas com a ajuda da Defesa Civil, sendo 34 levadas para abrigos e 39 para casa de parentes e amigos.

As fortes chuvas que atingiram a capital acreana entre a última quinta-feira (25) e sexta-feira (26) causaram estragos em diferentes regiões e continuam repercutindo na vida de quem mora próximo ao rio e igarapés.

Ainda segundo o órgão, o prejuízo para essas pessoas foi em decorrência da enxurrada, uma vez que o manancial que corta a cidade transbordou no início deste sábado (27). “Já estamos montando um abrigo no Parque de Exposições para atender novas ocorrências”, explicou Falcão.

De acordo com a Prefeitura de Rio Branco três escolas foram abertas como abrigos:

  • Escola Álvaro Rocha – Bairro: Conquista
  • Escola Anice Jatene – Bairro Geraldo Fleming
  • Escola Maria Lúcia – Bairro Morada do Sol

As chuvas, que somaram 171 milímetros de sexta para sábado, provocaram o transbordamento de igarapés, alagamentos em bairros da parte alta e baixa da cidade e outros danos à infraestrutura urbana. Também foram observados o rompimento de vias públicas, isolamento de ruas e deslizamentos de terra.

A cota alerta máximo é fixada em 14 metros. Isto significa que a partir desta marca, o manancial pode começar a inundar os bairros próximos às margens. Este é o segundo registro de transbordo em menos de um ano, uma vez que o rio também ultrapassou a marca em março.

Cheia do Rio Acre - dezembro de 2025 - Rio Branco, AC — Foto: Walcimar Júnior/Arquivo pessoal
Enchente do Rio Acre em dezembro de 2025, na capital Rio Branco (AC). Foto: Walcimar Júnior/Arquivo pessoal

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Consequências das chuvas e do transbordamento do Rio Acre

Até este sábado, os estragos das chuvas foram registrados em diferentes regiões de Rio Branco. No Portal da Amazônia, na Rua Rio Negro, um buraco se abriu no asfalto após um bueiro não suportar o grande volume de água, o que provocou a interdição do trecho. O local fica sobre um córrego, extensão do Igarapé Batista, e moradores improvisaram a sinalização para evitar acidentes.

No Bairro Conquista, as chuvas causaram um desbarrancamento que resultou na queda de um poste, agravada pela cheia do Igarapé São Francisco. Já nos bairros da Paz, Parque das Palmeiras e Belo Jardim II, o transbordamento do Igarapé Batista provocou alagamentos em quintais de moradores.

Também houve registros de alagamento na entrada do Bairro Ouricuri, pela Estrada Jarbas Passarinho, com forte correnteza e presença de balseiros, além de danos no Bairro Aeroporto Velho, onde o muro de uma residência caiu.

No Bairro Preventório, o Corpo de Bombeiros constatou uma movimentação de massa após acionamento para um possível desabamento.

*Por Hellen Monteiro e Quésia Melo, da Rede Amazônica AC

Forte São Joaquim do Rio Branco representa história e incentiva cultura roraimense

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Forte São Joaquim do Rio Branco vista de cima. Foto: Divulgação

Construções que chamam atenção na Amazônia são os Fortes. Locais que antes eram usados por exploradores, exército, etc, hoje são espaços históricos e culturais. Um deles, é o Forte São Joaquim do Rio Branco, construído na margem esquerda da junção do rio Uraricoera com o rio Tacutu, onde se forma o rio Branco, a cerca de 32 quilômetros ao norte da atual capital de Roraima, Boa Vista. 

Ele foi construído em 1775 para defender a área portuguesa na região da Amazônia contra os espanhóis e holandeses que buscavam invadir o vale do rio Branco devido às especiarias e a mão-de-obra escrava dos povos indígenas. 

Leia também: Conheça os fortes da Amazônia que existiram entre os séculos XVII e XVIII

A construção do forte pela coroa portuguesa

No século XVII, a Coroa Portuguesa se instalava na Amazônia e, com isso, foi necessário criar estratégias que protegessem e garantissem a posse da área ocupada. Os inimigos diretos da corte, Espanha e Holanda, pensavam em maneiras de invadir o vale do rio Branco, onde os portugueses estavam se instalando.

A Amazônia era vista com destaque para os países que buscavam colonizar, principalmente na região perto do rio roraimense, devido aos seus recursos naturais, com o fornecimento de itens como madeiras, resinas, baunilha, salsaparrilha e, de forma significativa, de cacau. Até mesmo a mão-de-obra escrava dos povos indígenas era um ponto que instigava os exploradores da Amazônia.

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Segundo o cronista Ribeiro de Sampaio, em “Relação Geográfica e Histórica do Rio Branco da América Portuguesa” de 1777, o conhecimento desse rio data da expedição exploratória realizada por Pedro Teixeira ao rio Negro em 1639 e que, nesse mesmo ano, já sabiam que através do Branco teriam a chance de acessar as colônias holandesas. O descobrimento dessa área se processou inteiramente em 1670-71, ao mesmo tempo em que empreendiam o reconhecimento do rio Negro.

De todas as presenças preocupantes, a da Espanha causava mais alarde no território português, pois se tratava de uma expedição com a finalidade de ocupação territorial. De acordo com o cronista Ribeiro, os espanhóis justificaram sua presença na região a partir do mito do El Dourado, que imaginaram que iam encontrar uma terra cheia de tesouros e ouro. 

Leia também: Cidades perdidas da Amazônia: conheça as histórias de 5 cidades lendárias da região

Planta do Forte São Joaquim. Foto: Reprodução/Universidade Federal de Roraima

A presença espanhola no vale do Rio Branco fez com que Portugal criasse estratégias de proteção territorial. Uma dessas estratégias é a construção do Forte São Joaquim a partir de 1775 e que havia sido estipulada 23 anos antes.

Com isso, foi nomeado o capitão e engenheiro Felippe Frederico Sturm, que comandou a expedição que, no dia 3 de outubro de 1775, sai de Barcelos, capital do Rio Negro, para expulsar os espanhóis do rio Branco, os quais não ofereceram muita resistência, de acordo com Sampaio. 

Segundo o artigo ‘Forte São Joaquim: Patrimônio Cultural do Brasil, de Paulina Onofre Ramalho e Carla Onofre Carvalho’, a construção do forte foi rápida. Foram utilizadas pedras avermelhadas e barro da região, com acabamento de cal e areia. 

O forte se apresentava da seguinte forma por dentro: à direita da entrada localizava-se o quartel do comandante, composto de dois camarins, a capela à esquerda e o quartel da guarnição ao fundo do forte. Ao longo da capela encontrava-se disposta a cozinha particular do comandante. Duas outras casas serviam como depósito para munições de armas e de boca, além de um calabouço e da cozinha. A casa de pólvora encostava-se na muralha do lado leste. 

O Forte São Joaquim do Rio Branco atualmente

O Forte de São Joaquim do Rio Branco tornou-se um patrimônio histórico e cultural do estado de Roraima, no que diz o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) cabe mencionar que o forte é tombado pelo governo do estado de Roraima desde 22 de abril de 2001, através do Decreto nº 4.241, como um sítio histórico, arqueológico e arquitetônico, cuja área perfaz um total de 25.738,47m².

‘Cobra-de-duas-cabeças’ anda em duas direções e passa quase toda a vida escondido

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Espécie não é venenosa e não oferece risco grave aos humanos. Foto: Danilo Degra/Acervo pessoal

Uma criatura que mais parece saída de uma lenda chamou a atenção em uma chácara de Cacoal (RO) nesta semana. Conhecida popularmente como “cobra-cega” ou “cobra-de-duas-cabeças”, a anfisbena foi encontrada pelo biólogo Danilo Degra. Apesar da aparência, o animal não é de fato uma cobra: trata-se de um réptil diferente, inofensivo e pouco conhecido pela maioria das pessoas.

cobra de duas cabeças
Foto: Danilo Degra/Acervo pessoal

Segundo o biólogo, as anfisbenas são comuns na Amazônia, no Cerrado e em outras regiões do Brasil, mas raramente são vistas. Isso acontece porque passam praticamente toda a vida enterradas no solo. Embora se pareça com uma cobra, o animal é, na verdade, mais próxima do lagarto.

“Ela pertence a um grupo dos répteis e está mais próxima evolutivamente dos lagartos, embora não possua patas”, explicou o biólogo.

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Outra curiosidade é que apesar de ser conhecida como “cobra-de-duas-cabeças”, a anfisbena só tem uma.

“A confusão ocorre porque a cauda é arredondada e muito parecida com a cabeça, o que funciona como estratégia de defesa contra predadores”, disse o biólogo.

Além disso, por causa do formato do corpo e da musculatura diferenciada, a anfisbena consegue se locomover tanto para frente quanto para trás com facilidade. Esse movimento incomum reforça ainda mais a impressão de que o animal teria “duas cabeças”.

Anfisbena, a cobra que não é cobra

A anfisbena mede, em média, entre 20 e 40 centímetros, mas algumas espécies podem chegar a 50 ou até 60 centímetros de comprimento. Ela possui pele lisa e bastante resistente, uma adaptação essencial para a vida subterrânea.

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Apesar da aparência peculiar, a espécie não é venenosa e não oferece risco grave aos humanos. Segundo o biólogo, a mordida é rara e só acontece quando o animal é manipulado. Caso isso ocorra, a orientação é simples:

  • Lavar o local com água e sabão
  • Fazer a antissepsia
  • Observar a região, normalmente não há complicações
  • Procurar atendimento médico apenas se surgirem sinais de infecção

De acordo com Degra, a anfisbena tem um papel fundamental no equilíbrio do solo, ajudando no controle de insetos e na aeração da terra. Por isso, o biólogo alerta para a importância de não matar o animal caso ele seja encontrado em quintais ou áreas rurais.

“Ela não deve ser morta, e o ideal é deixá-la seguir seu caminho ou realocá-la com cuidado para uma área de solo natural”, disse.

*Por Amanda Oliveira e Luciana Kuster, da Rede Amazônica RO

ICMBio e Funai firmam acordo para gestão integrada de Unidades de Conservação e Terras Indígenas

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Foto: Mário Vilela/Funai

Marco de uma nova etapa das políticas socioambiental e indigenista brasileiras, o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), no dia 19 de dezembro, consolida um modelo de governança territorial integrada.

Um modelo baseado na segurança jurídica, no respeito aos direitos dos povos indígenas e no fortalecimento das Unidades de Conservação (UCs) federais como patrimônio público estratégico do Estado brasileiro. Na abertura da cerimônia, na sede da Funai, em Brasília (DF), o presidente do ICMBio, Mauro Pires, e a presidenta da Fundação, Joenia Wapichana, destacaram a cooperação institucional como instrumento central para a gestão integrada e compartilhada de UCs e Terras Indígenas (TIs), especialmente em territórios de sobreposição interface. 

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“O fortalecimento das Terras Indígenas, em articulação com as Unidades de Conservação, os territórios quilombolas e os territórios de povos e comunidades tradicionais, compõe a base estrutural da proteção da biodiversidade, da natureza e dos recursos naturais do nosso país”, celebra o presidente do ICMBio. 

Celebrado no contexto dos 58 anos da Funai, o acordo consolida, em nível federal, uma agenda estruturante de nação. Conforme destaca a presidenta Joenia Wapichana, trata-se de avanço concreto na superação de conflitos históricos. Ela ressalta que “muitas situações de sobreposição territorial não decorrem da presença indígena em áreas protegidas, mas de um passivo histórico do Estado brasileiro, marcado pela ausência de celeridade e efetividade na regularização fundiária das Terras Indígenas”. 

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Nesse sentido, o Acordo reafirma o compromisso institucional em enfrentar um dos temas mais complexos da política socioambiental brasileira: a compatibilização de direitos constitucionais em territórios de sobreposição, por meio do diálogo permanente, da cooperação interinstitucional e da construção de soluções técnicas, jurídicas e administrativas. 

Mudança de paradigma na gestão territorial 

O Plano de Trabalho que operacionaliza o acordo estabelece eixos claros de atuação, com metas verificáveis, indicadores, responsabilidades definidas e horizonte temporal até 2030. Ele posiciona o ICMBio como garantidor do interesse público, ao articular a proteção do meio ambiente ecologicamente equilibrado com os direitos indígenas, em consonância com o mote institucional da autarquia: Cuidar da Natureza com as Pessoas. 

“Se o Brasil não tivesse Terras Indígenas, seria um país muito mais estéril. Esses territórios contribuem decisivamente para a manutenção dos serviços ecossistêmicos e, ao mesmo tempo, são a base de vida de inúmeros povos e comunidades. É isso que constitui a nossa biodiversidade e a nossa sociobiodiversidade”, afirma Mauro Pires. 

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Imagem colorida mostra ICMbio e Funai firmando acordo com líderes mostrando papeis assinados
Foto: Mário Vilela/Funai
  • O Plano de Trabalho define metas objetivas, como:
  • a redução dos prazos para autorizações de pesquisa em áreas de sobreposição entre UCs e Tis;
  • o tratamento conjunto e prioritário de conflitos fundiários, com normativas específicas e salas de situação interinstitucionais;
  • a consolidação de uma base nacional de dados sobre sobreposições territoriais e instrumentos de gestão compartilhada;
  • a implementação de ações integradas de proteção territorial, monitoramento da biodiversidade, manejo integrado do fogo e fiscalização;
  • além do ordenamento da visitação, da restauração ecológica e do fortalecimento das economias da sociobiodiversidade, com protagonismo indígena e segurança jurídica. 

Turismo, visitação e economia da sociobiodiversidade como política pública 

Entre os eixos estratégicos do acordo, o Ordenamento da Visitação assume papel central na política pública. Esse eixo implementa a Instrução Normativa Conjunta ICMBio/Funai nº 1/2025, que organiza o turismo em áreas duplamente protegidas, fortalece iniciativas de visitação com protagonismo indígena e associa conservação ambiental, geração de renda e governança territorial. 

Nesse contexto, o ICMBio reafirma seu papel na estruturação do turismo em territórios sensíveis, com responsabilidade ambiental, respeito às dimensões culturais e benefícios diretos às comunidades locais, consolidando a visitação como instrumento de valorização destes espaços. 

O Acordo também reforça os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, em especial no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata sobre Povos Indígenas e Tribais, alinhando a política ambiental e indigenista nacional às melhores práticas internacionais de proteção territorial, direitos humanos e desenvolvimento sustentável. 

*Com informações do ICMBio

Academia Amazonense de Letras: jornalista e historiador Abrahim Baze é eleito novo presidente

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A Academia Amazonense de Letras elegeu, neste sábado (27), o jornalista e historiador Abrahim Baze como novo presidente para o biênio 2026-2027. Nascido em Manaus, no dia 27 de agosto de 1949, Abrahim Baze é uma referência quando o assunto é história no Amazonas, com mais de 40 livros publicados.

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Abrahim ocupa a cadeira de número 13 da academia, originalmente patrocinada por Escragnole Taunay, depois transferida para Tobias Barreto e em 1968 por Estelita Tapajós.

A trajetória de Abrahim Baze na Academia

O historiador e jornalista foi eleito para a Academia Amazonense de Letras em 21 de julho de 2010, sendo empossado no dia 5 de agosto do mesmo ano, na sucessão de Jauary Guimarães de Souza Marinho.

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Abrahim Baze é um dos apresentadores do canal Amazon Sat e colunista no Portal Amazônia. Foto: Reproduçãp/Amazon Sat
Baze é um dos apresentadores do canal Amazon Sat e colunista no Portal Amazônia. Foto: Reproduçãp/Amazon Sat

Entre os anos de 2014 e 2025, ocupou o posto de Secretário Geral, Tesoureiro e, atualmente, estava vice-presidente. Esta é a primeira vez que ele assume a presidência da academia.

Confira um episódio do videocast Igarapod, do Portal Amazônia, com o historiador:

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O Natal e o Ano Novo do Papa Leão XIV: “da simplicidade e da humildade, ao estilo da igreja em todas as suas expressões”

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Foto: Reprodução/Vatican News

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Vetusta prece judaico-portuguesa assim profetiza: “o que você quer que o próximo ano te traga ? Nada, não quero que me traga nada. A única coisa que quero é que não leve. Que não leve o teto que me protege, o prato que me alimenta, a manta que me aquece, a luz que me ilumina, o sorriso dos meus amados, a saúde como um tesouro, o trabalho como sustento, a amizade, a companhia, os abraços e os beijos. Que não leve os sonhos, nem os pedaços dos corações, formados por pessoas, que carrego dentro de mim”. Bem a propósito, quando do encontro do Papa Leão XIV na segunda-feira, 22, com os funcionários da Santa Sé, do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano e do Vicariato de Roma, com suas famílias, por ocasião das felicitações de Natal, clamou: “o Menino Jesus com sua presença mansa e humilde espalha a ternura de Deus por toda parte”.

Sobre o presépio, doado pela Costa Rica, ele afirmou: “o imaginário popular frequentemente inclui muitas figuras da vida cotidiana, que povoam o espaço ao redor da gruta. Assim, além dos inevitáveis pastores, protagonistas do evento segundo o Evangelho, podemos encontrar figuras representando diversas profissões: o ferreiro, o hospedeiro, a lavadeira, o amolador de facas, e assim por diante. Naturalmente, são profissões antigas: algumas desapareceram ou se transformaram completamente. Contudo, elas conservam seu significado dentro do presépio. Elas nos lembram que todas as nossas atividades, nossas ocupações diárias adquirem seu pleno significado no plano de Deus, que tem seu centro em Jesus Cristo”.

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Às vezes, entretanto, ao que enfatizou Leão XIV, “estamos tão absorvidos pelas tarefas que não pensamos no Senhor ou na Igreja, mas no próprio ato de trabalhar com dedicação, esforçando-nos para dar o melhor aos leigos — com amor pela família, pelos filhos, isso glorifica o Senhor”. Ao finalizar, em mensagem “urbi et orbis”, à cidade de Roma e ao mundo, rogou: “Queridos irmãos, aprendamos com o Natal de Jesus o estilo da simplicidade e da humildade, e façamos, todos juntos, que este se torne cada vez mais o estilo da Igreja, em todas as suas expressões. Transmitem também as minhas saudações aos seus entes queridos em casa; especialmente aos idosos ou doentes, digam-lhes que o Papa está rezando por eles. Desejo-vos um santo Natal, na alegria e serenidade que Jesus nos dá”.

Numa correlação entre o estado de alma de Leão XIV e a realidade brasileira nestes anos tão conturbados política, econômica e socialmente, observa-se realisticamente, ao que se propaga na mídia e nas redes sociais, perigoso e grave esforço de deterioração das conquistas democráticas consolidadas na Constituição de 1988, a “Constituição Cidadã”, que legitimou direitos e liberdades civis e sociais. Não obstante a exortação papal, entretanto, lamentavelmente radicalismos ideológicos vêm transformando o Brasil num imenso caldeirão eleitoreiro no qual ninguém se entende mesmo considerando algumas hipóteses, como um civilizado, mas inviável “gentleman’s agreement” ou uma reprodução do Pacto de Moncloa (1977), que venceu o ódio e o separatismo predominantes na Espanha subjugada à ditadura de Franco ao tempo da sangrenta Guerra Civil que praticamente faliu o país.

Então, a questão fundamental: que futuro estamos construindo? Vamos continuar indefinidamente destilando ódios estocados desde o regime militar? Mesmo que alguns apaniguados, sectários do poder público venham recebendo indenizações e pensões milionárias justo por terem se beneficiado em 1979 da lei da Anistia – ampla, geral e irrestrita – hoje agressivamente negada pelas esquerdas no poder. Tais insuportáveis níveis de contradições, fanatismo ideológico, intolerância, insanidade e hipocrisia nunca vão ter fim? Bem a propósito, ao que diz a sabedoria chinesa: enquanto ignorância gera caos, sabedoria produz ordem, disciplina, respeito e progresso.

Feliz Ano Novo!

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Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista