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Portal Amazônia responde: como funciona o CO₂ na atmosfera?

Imagem: Public Domain Pictures

A atmosfera terrestre é uma mistura complexa de gases que sustenta a vida e regula o clima do planeta. Entre seus componentes está o dióxido de carbono (CO₂), uma molécula fundamental para processos naturais, como a fotossíntese, mas que também se tornou um dos principais responsáveis pelas mudanças climáticas em curso.

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A concentração desse gás varia naturalmente ao longo dos ciclos geológicos, mas desde a Revolução Industrial o aumento foi acelerado pelo uso intensivo de combustíveis fósseis e pela destruição de florestas. Esse acúmulo altera o balanço energético da Terra, intensificando o chamado ‘efeito estufa’.

O CO₂, mesmo presente em menor quantidade na atmosfera em comparação ao nitrogênio e ao oxigênio, exerce um papel desproporcional em relação à sua abundância. Ele absorve parte da radiação infravermelha emitida pela superfície terrestre, dificultando que o calor escape para o espaço. Esse mecanismo, em excesso, é o que provoca o aquecimento global.

Especialistas afirma que entender como o CO₂ funciona na atmosfera é essencial para compreender a relação entre as atividades humanas, o clima e a preservação ambiental. Pesquisas mostram que além das emissões de origem humana, os ecossistemas naturais também participam desse equilíbrio, atuando como fontes e sumidouros de carbono.

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O papel do CO₂ na composição da atmosfera

A atmosfera é composta majoritariamente por nitrogênio (78%) e oxigênio (21%). Os demais gases representam cerca de 1% do total, e entre eles está o dióxido de carbono.

“Destaco a proporção padrão da atmosfera: 78% de nitrogênio, 21% de oxigénio e 1% de outros gases como argônio, CO₂ e vapor de água. Tem gente que pensa que tem que ter mais e mais oxigênio, mas também não é assim”, explica o bioquímico Rodrigo Colares ao Portal Amazônia.

Essa distribuição garante condições adequadas para os processos vitais e para a manutenção do clima em equilíbrio. Por isso, alterações na quantidade de CO₂, ainda que pequenas, podem levar à mudanças significativas na temperatura global e na dinâmica dos ecossistemas.

Os cientistas utilizam registros de gelo, sedimentos marinhos e medições atmosféricas para acompanhar a evolução das concentrações desse gás. E os dados mostram que os níveis atuais ultrapassaram as variações naturais observadas em centenas de milhares de anos.

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O efeito estufa e o acúmulo de CO₂

Como dito anteriormente, o CO₂ é um dos principais gases responsáveis pelo ‘efeito estufa’, processo natural que mantém a Terra aquecida o suficiente para sustentar a vida. Sem ele, a temperatura média do planeta seria muito mais baixa. No entanto, quando as concentrações aumentam além do equilíbrio natural, o calor retido se torna excessivo.

“O acúmulo de CO₂ é como ter uma casa sem janelas: podemos até não sentir logo o ar mais pesado, mas não há para onde abrir e ventilar. Desde a Revolução Industrial, a humanidade elevou esse gás muito além do equilíbrio natural da atmosfera — que depende de proporções estáveis de nitrogênio, oxigênio e carbono. A solução passa por proteger os grandes sumidouros, como oceanos e florestas tropicais, enquanto investimos em energias de baixo carbono, da nuclear à solar, e em eficiência no dia a dia, de edifícios bem ventilados a produção mais limpa. É um desafio global, mas cada escolha local conta”, destacou Rodrigo Colares.

Portal Amazônia responde: como funciona o CO₂ na atmosfera?
Desmatamento na Amazônia. Foto: Reprodução/Greenpeace

Segundo o bioquímico, os sumidouros de carbono desempenham papel essencial nesse processo. Oceanos, solos e florestas tropicais absorvem parte significativa do CO₂ emitido, ajudando a reduzir os impactos do aquecimento. Entretanto, o desmatamento e a degradação ambiental limitam a capacidade desses ecossistemas de cumprir essa função.

O excesso de CO₂ também pode alterar a química dos oceanos, causando acidificação marinha, que afeta corais, moluscos e outras espécies sensíveis às mudanças de pH. Isso demonstra como o acúmulo do gás na atmosfera não se restringe apenas ao clima, mas afeta toda a teia de vida do planeta.

O ciclo natural do carbono envolve trocas contínuas entre atmosfera, biosfera, oceanos e litosfera. A respiração dos seres vivos, os processos de decomposição e as atividades vulcânicas liberam naturalmente CO₂. Já a fotossíntese das plantas e a absorção pelos oceanos retiram parte dele do ar.

Assim, o que preocupa os cientistas é a interferência humana nesse ciclo. A queima de carvão, petróleo e gás natural adiciona grandes quantidades de carbono em curto espaço de tempo. Além disso, o desmatamento elimina áreas que funcionariam como filtros, reduzindo a capacidade de absorção.

Esse desequilíbrio pressiona os sistemas naturais, que não conseguem compensar o ritmo das emissões. Por isso, estratégias de mitigação e adaptação climática vêm sendo discutidas globalmente, desde acordos internacionais até iniciativas locais de manejo florestal e eficiência energética.

A importância de compreender o funcionamento do CO₂

O entendimento sobre o funcionamento do CO₂ na atmosfera vai além da ciência climática. Ele envolve saúde pública, agricultura, economia e segurança alimentar. As alterações no clima já impactam regimes de chuva, produção agrícola e a ocorrência de eventos extremos, como secas e enchentes.

Estudos como o do The Intergovernmental Panel On Climate Change (IPCC) indicam que manter o aquecimento global dentro de limites seguros exige reduzir drasticamente as emissões até meados do século. Isso inclui a substituição progressiva de fontes fósseis por energias renováveis, além de mudanças no consumo e no padrão de produção industrial.

“O conhecimento científico sobre o CO₂, portanto, se traduz em ferramenta essencial para guiar políticas públicas e decisões coletivas. A atmosfera, embora invisível no dia a dia, reflete diretamente cada escolha feita pelas sociedades humanas”, conclui Colares.

#Série – Atividades ao ar livre: 5 lugares para fazer atividade física em Rio Branco

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Rio Branco, capital do Acre, também é uma cidade marcada pela presença de áreas verdes e espaços que oferecem opções variadas para a prática de atividades físicas. Em meio ao clima amazônico, moradores e visitantes encontram ambientes que estimulam desde caminhadas e corridas até esportes coletivos e exercícios funcionais.

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A cidade, que se desenvolve às margens do Rio Acre, tem investido em espaços de convivência que aliam saúde e lazer. Esses locais atraem diariamente pessoas interessadas em melhorar a qualidade de vida por meio da prática regular de exercícios.

Leia também: #Série l A cara da Amazônia: 5 animais que são a cara do Acre

Pensando na busca por hábitos mais saudáveis e a valorização do contato com a natureza, o Portal Amazônia prepara uma série com foco em encontrar locais ideais nas capitais da Amazônia Legal para quem quer melhorar a qualidade de vida. Confira o que encontramos em Rio Branco:

Parque da Maternidade

O Parque da Maternidade é um dos principais cartões-postais de Rio Branco e um espaço bastante procurado por quem deseja praticar atividades físicas. Com extensão de aproximadamente 6 quilômetros, ele conecta diversas regiões da cidade e oferece pistas de caminhada, corrida e ciclovias.

Ao longo do percurso, há áreas de descanso, espaços com equipamentos de ginástica e pontos que permitem alongamentos e treinos funcionais. O parque também é muito utilizado por ciclistas, especialmente nos finais de semana, quando o fluxo de frequentadores aumenta.

A iluminação noturna e a presença constante de pedestres tornam o Parque da Maternidade uma opção acessível tanto pela manhã quanto no período da noite, mas o espaço não disponibiliza bebedouros e banheiros públicos

Foto: Davi Sopchaki/Governo do Acre

Parque Tucumã

Localizado em um bairro residencial de Rio Branco, o Parque Tucumã se destaca pela tranquilidade e pela estrutura voltada ao lazer e à prática esportiva. Com pistas de caminhada e corrida, o espaço é bastante frequentado por moradores que buscam um ambiente arborizado para se exercitar.

O parque também conta com quadras esportivas e áreas destinadas a atividades recreativas, como jogos com bola e exercícios em grupo. O contato direto com a natureza faz do Parque Tucumã um ponto de encontro de famílias e esportistas.

Com espaço amplo e acessível, é um dos locais indicados para quem deseja iniciar rotinas de atividades físicas ao ar livre em Rio Branco. O local possui banheiros públicos, mas não há bebedouros disponibilizando água gratuitamente.

Imagem colorida mostra vias para corrida no Parque do Tucumão em Rio Branco
Foto: Reprodução/Prefeitura de Rio Branco

Calçadão da Gameleira

O Calçadão da Gameleira é um dos espaços mais tradicionais da capital acreana, localizado às margens do Rio Acre. O local é bastante frequentado por pessoas que procuram praticar caminhadas e corridas em um ambiente histórico e cultural.

Além da prática esportiva, o espaço permite contemplar a paisagem do rio e da região central da cidade. Ao longo do calçadão, também é possível encontrar áreas para descanso e atividades de lazer.

Por estar próximo a bares e restaurantes, o local se torna ponto de encontro não apenas para esportistas, mas também para famílias e visitantes que querem conciliar exercícios físicos com passeios culturais em Rio Branco. Porém também não possui banheiros e bebedouros públicos.

Leia também: Confira sete locais para conhecer em Rio Branco

Rio Acre em março de 2024, quando manancial avançou o Calçadão da Gameleira. Foto: Pedro Devani/Secom-AC

Parque Capitão Ciríaco

O Parque Capitão Ciríaco é um espaço que combina preservação ambiental e atividades ao ar livre. Situado em área de floresta urbana, o parque possui trilhas ecológicas utilizadas para caminhadas e corridas leves.

O ambiente é ideal para quem busca contato direto com a natureza durante a prática de atividades físicas. O parque ainda abriga áreas de convivência que recebem visitantes interessados em atividades de lazer e recreação.

Com fauna e flora diversificadas, o espaço contribui para a conscientização ambiental e ao mesmo tempo oferece oportunidade para exercícios em um cenário natural de Rio Branco. Possui banheiros públicos e disponibiliza água gratuitamente.

Foto: Reprodução/Instagram-Capitão Ciríaco

Passarela Joaquim Macedo

Ligando o centro da cidade ao bairro da Cadeia Velha, a Passarela Joaquim Macedo é um ponto bastante conhecido dos moradores de Rio Branco. A estrutura atravessa o Rio Acre e se tornou um espaço utilizado não apenas como passagem, mas também como local de prática de exercícios.

Durante o dia, é comum observar pessoas caminhando ou correndo pela passarela. O ambiente oferece vista privilegiada do rio e da cidade, tornando o exercício físico também uma experiência de contemplação.

À noite, a passarela recebe iluminação especial, o que amplia as possibilidades de uso para quem prefere realizar atividades físicas fora do horário comercial. Não possui bebedouros e banheiros gratuitos.

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Foto: Mauro Maciel

Confira outras cidades da série:

Escola Saldanha Marinho: prédio secular em Manaus permanece em transformação

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Foto: Alailson Santos

O Centro Histórico de Manaus (AM) conta com muitos prédios seculares que guardam a memória da construção da cidade. Um deles é o da Escola Estadual Saldanha Marinho, cuja história começa em 2 de janeiro de 1901 com a instalação da então ‘Escola Modelo’, criada para implantar um novo conceito de ensino primário na capital amazonense.

Esse estabelecimento de ensino foi fundado durante o governo de Silvério Nery e logo se tornou conhecido como ‘Escola Modelo’ da rua Saldanha Marinho. A instituição funcionou por pouco tempo, somente até 1904, quando foi extinta.

No último ano de atividade, dividiu suas instalações com a Escola Normal, atual Instituto de Educação do Amazonas (IEA), que permaneceu no local até 1907.

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Pouco depois, em 1908, a instituição voltou a abrir suas portas, já sob o nome de Grupo Escolar Saldanha Marinho, retomando suas atividades no mesmo endereço.

Primeiras décadas de funcionamento

O local ganhou os holofotes mais uma vez em 2025, reforçando a importância de sua história. O Grupo Escolar Saldanha Marinho foi dirigido inicialmente pela professora Júlia Bittencourt. Entre os anos de 1910 e 1913, o prédio também recebeu a Escola Universitária Livre de Manáos. Nesse período, as aulas das duas instituições eram realizadas em horários diferentes, de forma a possibilitar a utilização compartilhada do espaço.

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O prédio passou por diversas reformas ao longo do tempo, sendo praticamente reconstruído em 1957. Foi nesse ano que adquiriu grande parte das características arquitetônicas que mantém até os dias de hoje.

Três décadas mais tarde, em 1988, o edifício localizado na rua Saldanha Marinho, nº 717, recebeu o título de Monumento Histórico do Estado, conforme o Decreto nº 11.191, de 14 de junho daquele ano.

O tombamento do prédio da Escola Saldanha Marinho garantiu a preservação de uma parte relevante da história da educação no Amazonas. O reconhecimento oficial reforçou a importância da instituição, que por décadas atendeu alunos da região central de Manaus e se tornou referência no ensino primário.

Em fevereiro de 1998, já no governo de Gilberto Mestrinho, a escola foi reformada novamente. O prédio passou a contar com seis salas de aula, organizadas em apenas um pavimento, e oferecia exclusivamente o Ensino Fundamental.

Escola Saldanha Marinho em dia de aula no início do século XX. Foto: Reprodução/Centro Cultural dos Povos da Amazônia (CCPA)

Durante mais de um século, o espaço acompanhou diferentes fases da cidade, desde o ciclo da borracha até os períodos de modernização urbana. Sua arquitetura, marcada por reformas e adaptações, mantém elementos originais que remetem ao início do século XX.

Apesar de seu papel histórico e educacional, o Grupo Escolar foi desativado em 2017. A partir de setembro de 2021, a responsabilidade pelo prédio deixou de ser da Secretaria de Educação (Seduc) e passou para a Secretaria de Administração (Sead).

Transformação em núcleo do Hemoam

Em outubro de 2021, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) divulgou que o prédio da escola passaria para a Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam). Em janeiro de 2024, foi anunciado que o prédio seria adaptado para sediar uma nova unidade da Fundação.

De acordo com informações divulgadas à época, o espaço receberia o nome de ‘Hemoam Saldanha Marinho’. O local passaria a funcionar como um núcleo descentralizado de coleta de sangue, além de oferecer serviços de coleta para exames laboratoriais. A expectativa inicial era que o espaço fosse entregue ainda no primeiro trimestre de 2024.

Foto: Alex Pazuello

Casarão de Ideias

No entanto, em fevereiro de 2025, o Centro Cultural Casarão de Ideias (CCCI) anunciou o restauro e reforma do local. A ação foi concretizada por meio de um convênio com a Secretaria de Administração (Sead) do Amazonas.

Segundo o diretor do Casarão de Ideias, João Fernandes, a proposta da instituição, de caráter privado, já era um desejo antigo e concretizá-lo se tornou parte da comemoração de 15 anos de existência do CCCI.

O diretor explicou que o interesse pelo prédio vinha desde 2021, quando o espaço ainda estava cedido ao Hemoam, mas sem avanços no projeto de utilização.

“O Casarão já tinha interesse desde 2021 e, naquela época, o prédio estava cedido para uma ação que seria do Hemoam. Só que, nesses casos de concessão do poder público, a instituição beneficiada precisa apresentar um planejamento de ações em até dois anos — as etapas, o andamento da obra, tudo. O Hemoam não cumpriu esse prazo. Como já tínhamos uma carta de intenção, o prédio voltou a ser nos oferecido e reafirmamos nosso interesse. Qualquer instituição da sociedade organizada pode pleitear uma edificação do poder público que esteja sem utilização”, explicou Fernandes ao Portal Amazônia.

Foto: Alailson Santos

Fernandes conta que, ao receber o prédio, a equipe do Casarão encontrou uma estrutura bastante deteriorada. “O prédio estava bem danificado. Foram mais de dez anos desocupado, e nesse período houve roubos de materiais. Mexeram no telhado, e com as chuvas todo o assoalho e o piso ficaram danificados. Como se trata de um prédio histórico, parte das grades, adornos, portas e fios também foram levados. Então, quando nos foi repassado, a situação era bem difícil nesse sentido”, disse.

Sobre o andamento da obra, Fernandes informou que não há um mês definido para a conclusão, mas confirmou que a inauguração está prevista para ocorrer já em 2026.

“A obra já está bem avançada, mas ainda não temos um mês certo. O que podemos afirmar é que 2026 será o ano de inauguração do espaço. Durante a reforma, descobrimos modificações feitas ao longo da história do prédio e estamos devolvendo alguns aspectos originais, como o tamanho das janelas. Também mantivemos partes estruturais de madeira e telha para que as pessoas possam ver. Fizemos janelas de tempo no piso, mostrando como a estrutura era em outros momentos. Tudo isso está sendo feito com cuidado”, completou o diretor do Casarão de Ideias.

O Portal Amazônia também procurou o Governo do Amazonas em busca de um posicionamento atualizado sobre a situação do prédio e aguarda retorno.

#Série – Atividades ao ar livre: 5 lugares para fazer atividade física em Boa Vista

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Boa Vista, capital de Roraima, é uma cidade marcada pela presença de orlas, parques, praças e espaços públicos que oferecem alternativas variadas para a prática de atividades físicas. Em meio ao clima amazônico, moradores encontram ambientes onde podem caminhar, correr, pedalar ou praticar exercícios ao ar livre em contato direto com a natureza.

A cidade tem investido em infraestrutura que alia saúde, lazer e convivência, atraindo diariamente pessoas interessadas em melhorar a qualidade de vida por meio da prática regular de exercícios.

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Além da estrutura física, Boa Vista também conta com iniciativas como o projeto Academia Aberta, que oferece aulas gratuitas de ginástica, alongamento, dança, localizada e step em 11 polos da cidade, distribuídos entre praças e espaços públicos. O programa estimula moradores de diferentes bairros a se exercitarem com acompanhamento profissional em ambientes ao ar livre.

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Pensando na busca por hábitos mais saudáveis e a valorização do contato com a natureza, o Portal Amazônia prepara uma série com foco em encontrar locais ideais nas capitais da Amazônia Legal para quem quer melhorar a qualidade de vida. Confira o que encontramos em Boa Vista:

Parque Anauá

O Parque Anauá é o principal parque urbano de Boa Vista e referência para quem gosta de correr ou caminhar. Ele oferece pistas para caminhada e corrida, amplas áreas verdes, lago, além de quadras esportivas e infraestrutura básica para lazer.

Moradores utilizam o parque em vários horários, especialmente nos períodos mais frescos do dia, para evitar o calor intenso. Apesar de boa parte dos circuitos ser plano, algumas áreas têm sombra limitada. O parque possui banheiros públicos, mas não disponibiliza bebedouros gratuitos.

Foto: Reprodução/Governo de Roraima

Orla Taumanan

A Orla Taumanan, localizada no centro de Boa Vista às margens do rio Branco, é um espaço revitalizado que combina passeio, contemplação e atividade física.

Há calçadões para caminhada, bancos, quiosques e iluminação ao longo do percurso. O local conta com duas plataformas chamadas Weikepá (“Nascer do Sol”) e Meiremê (“Arco-Íris”), que ampliam a área para o público. A Orla Taumanan possui banheiros públicos, mas não há bebedouros disponíveis.

Foto: Richard Messias/PMBV

Parque do Rio Branco

O Parque do Rio Branco é um complexo urbano projetado para oferecer múltiplas opções de convivência, lazer e exercício físico. Ele conta com ciclovias, calçadões, mirante, espelho d’água, espaços de contemplação, quadras esportivas e área de praia.

O parque está interligado à Orla Taumanan por uma passarela, facilitando o acesso entre os dois pontos. O espaço dispõe de banheiros públicos e bebedouros, oferecendo mais comodidade aos frequentadores.

Leia também: Saiba como agendar uma visita no Mirante Edileusa Lóz em Boa Vista

Imagem colorida mostra o Mirante Edlileusa Lóz e em segundo plano o Parque do Rio Branco em Boa Vista
Foto: Divulgação/Governo de Roraima

Praça Linear Chico do Carneiro

A Praça Linear Chico do Carneiro é um espaço público com calçadas amplas, ciclovia e equipamentos de academia ao ar livre.

O local foi criado para atender diferentes faixas etárias, estimulando caminhadas, exercícios funcionais e o convívio comunitário. A praça possui banheiros públicos e conta com bebedouros para hidratação durante os treinos.

Imagem colorida mostra pessoas caminhando na Praça Linear em Boa Vista
Foto: Andrezza Mariot/PMBV

Parque Ecológico Bosque dos Papagaios

Localizado no bairro Paraviana, o Parque Ecológico Bosque dos Papagaios é indicado para quem busca atividade ao ar livre em ambiente de mata urbana. O espaço serve para caminhadas, contato com a natureza e lazer nos finais de semana.

Com área de floresta preservada, é bastante usado por famílias que procuram sombra e ar fresco. O parque possui banheiros públicos, mas não disponibiliza bebedouros.

Leia também: Conheça o Bosque dos Papagaios, uma imersão na natureza em Boa Vista

Foto: Diane Sampaio/PMBV

Bônus – Praças nos Bairros

Boa Vista possui dezenas de praças distribuídas por diversos bairros. Esses espaços são utilizados para caminhada, corrida, alongamentos e exercícios leves. Em muitos deles há academias ao ar livre e áreas recreativas.

O projeto Academia Aberta, realizado em algumas dessas praças, amplia o acesso da população às atividades físicas orientadas. De modo geral, as praças contam com banheiros públicos, mas a maioria não dispõe de bebedouros para uso coletivo.

Sendo uma cidade planejada, Boa Vista tem várias praças espalhadas pelos bairros. Foto: Divulgação/Prefeitura de Boa Vista

Confira outras cidades da série:

#Série – Atividades ao ar livre: 7 lugares para fazer atividade física em Belém

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Belém, capital do Pará, é uma cidade marcada pela forte presença da natureza e pela convivência histórica entre os espaços urbanos e os rios amazônicos. Com temperaturas elevadas durante grande parte do ano, a prática de atividades ao ar livre se tornou uma alternativa não apenas para manter a saúde em dia, mas também para aproveitar os ambientes que unem lazer, cultura e paisagem natural.

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De manhã cedo e no final da tarde, é comum ver moradores e visitantes ocupando parques, orlas e praças em busca de bem-estar físico e momentos de socialização.

Nos últimos anos, a cidade investiu na revitalização de áreas públicas, criando ou requalificando espaços que hoje são referência para quem deseja correr, caminhar, pedalar ou realizar treinos funcionais.

Locais como o Parque do Utinga, o Mangal das Garças e o Portal da Amazônia exemplificam essa transformação ao se consolidarem como opções para diferentes públicos, desde famílias que buscam passeios tranquilos até esportistas em busca de percursos mais desafiadores.

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Pensando na busca por hábitos mais saudáveis e a valorização do contato com a natureza, o Portal Amazônia prepara uma série com foco em encontrar locais ideais nas capitais da Amazônia Legal para quem quer melhorar a qualidade de vida. Confira o que encontramos em Belém:

Parque Estadual do Utinga “Camillo Vianna”

Parque Estadual do Utinga é um dos locais mais conhecidos em Belém
Parque é muito utilizado para caminhadas de moradores de Belém. Foto: David Alves/ Agência Pará

O Parque Estadual do Utinga “Camillo Vianna” é uma das principais referências de espaço verde para prática esportiva em Belém. A unidade de conservação oferece uma pista de cerca de 4 quilômetros que pode ser utilizada para caminhadas, corridas e passeios de bicicleta. O horário de funcionamento é de quarta a segunda-feira, das 6h às 17h, ficando fechado às terças para manutenção.

O parque conta com banheiros e também bebedouros públicos. O roteiro mais procurado é chegar cedo, entre 6h e 8h, percorrer a pista principal, fazer pausas em pontos como o Recanto da Volta e finalizar a atividade na área administrativa, onde há espaços de apoio.

Simulação de passos no Parque Estadual da Utinga “Camilo Vianna” feita pelo aplicativo Pacer Walking App. Foto: Reprodução/ Pacer Walking App

Bosque Rodrigues Alves — Jardim Botânico da Amazônia

Outro ponto de destaque é o Bosque Rodrigues Alves – Jardim Botânico da Amazônia, localizado no bairro do Marco. Em seus 15 hectares de área verde, é possível realizar caminhadas em circuitos internos que chegam a até 2 quilômetros, cercados por vegetação amazônica e espécies da fauna local.

O bosque funciona de terça a domingo, durante o dia, e dispõe de banheiros para os visitantes. Os frequentadores costumam aproveitar as primeiras horas da manhã para realizar caminhada leve, fazer alongamentos nas áreas de descanso e utilizar a estrutura do centro de visitantes antes da saída.

Bosque Rodrigues Alves possui escadarias desafiadoras em meio a um paisagem natural. Foto: Divulgação/ Semma-Pará

Parque Urbano Belém Porto Futuro

Mais recente na paisagem urbana, o Parque Urbano Belém Porto Futuro foi projetado como um espaço moderno de lazer e atividade física. O percurso de aproximadamente 1,5 quilômetro em calçadões e pistas é usado para caminhadas, corridas leves e treinos funcionais.

O parque funciona diariamente, das 6h às 22h, com banheiros disponíveis no complexo. O roteiro sugerido é iniciar as atividades nas primeiras horas da manhã, utilizar os espaços abertos para exercícios coletivos e encerrar com alongamentos nas áreas de convivência.

O percurso de calçadões e pistas é usado para caminhadas, corridas leves e treinos funcionais. Foto: Divulgação/Semas PA

Portal da Amazônia

O Portal da Amazônia também se consolidou como uma das orlas mais procuradas pelos praticantes de esportes ao ar livre em Belém. São cerca de 2,2 quilômetros de extensão em um calçadão à beira do rio, com espaço para corrida, caminhada e uso de bicicletas.

O local tem acesso livre e conta com iluminação noturna, o que favorece a prática em diferentes horários. Há pontos de apoio em quiosques e estruturas públicas, mas os banheiros gratuitos são limitados. A sugestão é aproveitar o nascer do sol ou o entardecer, realizar uma corrida de ida e volta no calçadão e fazer pausas nos pontos com vista para o rio.

Portal da Amazônia. Foto: Márcio Nagano

Mangal das Garças

Outro espaço muito visitado é o Mangal das Garças, localizado no bairro da Cidade Velha. O parque reúne trilhas internas que somam até 2 quilômetros de percurso, entre jardins, viveiros e mirantes. Funciona de terça a domingo, das 8h às 18h, e possui banheiros para o público.

O roteiro mais indicado é chegar logo na abertura, realizar caminhada leve pelos jardins, incluir uma pausa no mirante para contemplação da paisagem e retornar pelos viveiros até a saída.

Mangal das garças oferece vista aérea do complexo. Foto: Divulgação/ Agência Pará

Complexo Ver-o-Rio

O Complexo Ver-o-Rio é mais uma opção de espaço público para prática esportiva em Belém. Localizado na orla da Baía do Guajará, conta com cerca de 1,5 quilômetro de calçadão principal. O acesso é livre e o movimento maior acontece no final da tarde.

Leia também: Ver-o-Rio: uma das melhores vistas de Belém

O espaço dispõe de quiosques e pontos culturais que oferecem apoio ao visitante, embora a disponibilidade de banheiros gratuitos varie conforme a programação do local. O roteiro mais comum é caminhar ao entardecer, alternar corrida leve com pausas nos pontos de descanso e aproveitar os eventos culturais que acontecem na orla.

Vista aérea do Complexo Ver-o-rio
Complexo Ver-o-rio tem um dos por do sol mais bonitos da cidade de Belém Foto: Divulgação/ Prefeitura de Belém – Arquivo

Parque da Residência

Por fim, o Parque da Residência, situado no bairro de São Brás, oferece um percurso interno de aproximadamente 1 quilômetro em meio a jardins históricos e trilhas arborizadas. Com funcionamento em horário comercial e entrada gratuita, o local possui banheiros disponíveis.

A caminhada leve pelos jardins, seguida de pausas no orquidário ou no teatro de arena para alongamento, é uma das atividades mais realizadas pelos visitantes que buscam um ambiente tranquilo para exercícios de baixa intensidade.

A caminhada leve pelos jardins é uma das atividades mais realizadas. Foto: Divulgação/Ascom Secult PA

Confira outras cidades da série:

Cobra Sofia, a lenda que faz parte do desenvolvimento cultural do Amapá

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Imagem criada por IA

A Amazônia é conhecida por sua imensa biodiversidade e por seus rios de proporções grandiosas, mas também por seu vasto repertório de mitos e lendas que atravessam gerações. Entre essas histórias, uma das mais famosas no estado do Amapá é a da Cobra Sofia, uma serpente lendária que, segundo o imaginário popular, habita o Rio Amazonas e teria proporções colossais.

A origem da lenda é antiga e se confunde com o próprio desenvolvimento cultural da região. Relatos orais transmitidos ao longo do tempo falam sobre uma cobra de tamanho descomunal que viveria submersa nas águas, capaz de emergir e causar grandes transformações na paisagem.

Leia também: Lendas amazônicas: Onde estão as cobras grandes da Amazônia?

As narrativas sobre a Cobra Sofia são variadas, mas todas convergem para a representação de um ser temido, cuja presença estaria associada a eventos extraordinários. Em comunidades ribeirinhas, há registros de moradores que garantem ter ouvido ou encontrado com a criatura.

A lenda se fortalece à medida que se entrelaça com a vivência cotidiana dos povos amazônidas, reforçando a ideia de que a natureza da região guarda segredos ainda não revelados pelo homem. A Cobra Sofia, nesse contexto, não é apenas um personagem do folclore, mas também símbolo de mistério e respeito à grandiosidade do Rio Amazonas.

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A presença da Cobra Sofia no imaginário popular

A lenda da Cobra Sofia está presente em festas, manifestações culturais e até mesmo na literatura regional. Poetas e escritores locais já fizeram referências à serpente em suas obras, mantendo viva a memória dessa figura folclórica, afinal, quem nunca ouviu uma história sobre as “cobras grandes” da Amazônia?

Moradores da região próxima ao rio Amazonas dizem que Cobra Sofia seria tão grande que seu corpo poderia dar voltas inteiras em torno de ilhas. Alguns relatos afirmam que seus movimentos poderiam causar redemoinhos capazes de afundar embarcações. Esses elementos alimentam o caráter fantástico da narrativa, reforçando a ligação entre a lenda e o temor da natureza

Em sua página no Instagram, o pescador Felipe Parker encontrou no interior do estado uma grande cobra e ele afirma que esta pode ser a Cobra Sofia:

A lendária cobra também tem relação com explicações populares para fenômenos naturais. Movimentos fortes nas águas, mudanças súbitas na correnteza ou o desaparecimento de embarcações mais frágeis são, muitas vezes, atribuídos à ação da Cobra Sofia.

Pesquisadores de cultura popular ressaltam que esses mitos cumprem a função de transmitir ensinamentos e de fortalecer laços comunitários. Estas afirmações funcionam como advertências, principalmente para as novas gerações, sobre os perigos dos rios e a importância do cuidado ao navegar pelas águas amazônicas.

Leia também: De jiboia à ‘anaconda’, conheça as cinco maiores cobras da região amazônica

A Cobra Sofia como parte do patrimônio cultural

No Amapá, a Cobra Sofia é considerada parte integrante do patrimônio cultural imaterial. O mito transcende a esfera do medo e se torna elemento de identidade coletiva.

A cobre é lembrada em músicas, histórias contadas em escolas e até em produções artísticas que utilizam a imagem da cobra como representação simbólica da força da Amazônia.

O professor da Universidade Federal do Amapá e músico Rafael Senra, já usou a história como tema para uma música.

A narrativa também serve como fonte de inspiração para produções audiovisuais e para o turismo cultural. Guias locais incluem a lenda em roteiros de passeios pelos rios, despertando o interesse de visitantes pela riqueza do folclore amazônico.

Apesar de não haver registros científicos que comprovem a existência da criatura, a permanência da lenda demonstra como a tradição oral e o imaginário popular têm papel fundamental na construção das identidades regionais. A Cobra Sofia continua sendo contada, reinventada e transmitida, garantindo sua presença viva na memória coletiva do Amapá e da Amazônia.

Há 20 anos: cinco curiosidades sobre a passagem de The White Stripes por Manaus

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Foto: Divulgação/The White Stripes

No dia 1º de junho de 2005, The White Stripes realizou um concerto memorável no Teatro Amazonas, em Manaus (AM). Trata‐se de uma das raras ocasiões em que a dupla norte-americana se apresentou em ambiente clássico de ópera no Brasil, e, 20 anos depois, o evento segue como marco na agenda cultural da capital amazônica.

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O evento, em junho de 2005, para muitos, “parece que foi ontem”, de tão marcante que se tornou no cenário musical amazonense. O Portal Amazônia buscou por algumas curiosidades que envolvem a passagem da banda por Manaus:

A primeira vinda ao Brasil e o teatro singular

Embora o The White Stripes já tivesse turnês internacionais, a passagem por Manaus em 2005 foi parte de uma extensão brasileira durante a turnê ‘Get Behind Me Satan‘.

O Teatro Amazonas, com capacidade para cerca de 701 espectadores distribuídos entre plateia e camarotes, foi escolhido como palco singular para esse show — segundo registros, era um dos locais “pequenos” em que a banda já havia se apresentado.

Foto: Reprodução

O cenário de um teatro erguido no coração da Amazônia conferiu à ocasião um caráter simbólico de encontro entre rock contemporâneo e um patrimônio arquitetônico regional.

Setlist e gravações oficiais

O repertório do show no Teatro Amazonas incluiu faixas populares da dupla, como ‘Blue Orchid’, ‘Dead Leaves and the Dirty Ground’, ‘Hotel Yorba’, ‘Fell in Love With a Girl’ e, claro, ‘Seven Nation Army’, esta última um dos hinos da banda.

A apresentação foi posteriormente lançada oficialmente no formato de álbum duplo e DVD sob o título ‘Under Amazonian Lights‘, pela Third Man Records, mantendo vivo o registro daquela noite.

Foto: Divulgação/ The White Stripes

Casamento

No mesmo dia do show, segundo relatos da imprensa internacional, o vocalista Jack White teria realizado uma cerimônia simbólica de casamento com a modelo Kate Elson às margens do encontro das águas, dos rios Negro e Solimões, com bênção de um pajé local.

Parte da turnê chegou a incluir um passeio de barco pelos rios amazônicos, com incursões por hospedagens sobre palafitas e contato com aspectos simbólicos da floresta tropical — ação de promotores e da logística da turnê procuraram inserir elementos regionais no contexto da passagem da banda.

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A cerimônia do casal não teve o registro divulgado. Das fotos do momento, a única foi publicada por algumas revistas e jornais da época. O casal teve dois filhos e se divorciou em 2011.

Registro do casamento de Jack White e Kate Elson em Manaus. A única do momento do casal. Foto: Divulgação

Interação com o público fora do teatro

Antes e depois do show, registraram-se momentos de interação entre os integrantes e o público local fora dos limites do Teatro Amazonas. Durante a passagem pelo Largo de São Sebastião, Jack e Meg White interagiram com a multidão para executar uma versão acústica de ‘We Are Going to Be Friends‘ para aqueles que não haviam conseguido ingressos.

A mobilização de fãs do lado de fora do teatro chegou a provocar tensão, com tentativas de invadir o espaço, necessitando de reforço de segurança.

Legado midiático e repercussão

A presença do The White Stripes em Manaus gerou repercussão nacional e internacional. O show foi transmitido pela MTV em edições especiais e foi citado em diversas matérias sobre música e turismo cultural no Amazonas.

A Third Man Records aproveitou o décimo aniversário da apresentação para reeditar o registro ‘Under Amazonian Lights‘, incluindo material exclusivo e memorabilia para fãs. Em Manaus, a lembrança do espetáculo também permanece presente em memórias como a da designer Suellen Fonseca.

“Eu não conhecia tanto os White Stripes, mas de tanto passar os clipes na MTV eu comecei a me familiarizar e ouvir. Depois eu comprei o álbum Get Behind Me Satan e adorei a estética que aquela dupla tinha, usando apenas cores vermelha, preta e branco e apenas dois instrumentos, no caso uma guitarra e uma bateria”, contou ao Portal Amazônia.

Outra pessoa que lembra com grande afeto a passagem deles por Manaus é a musicista Trícia Lima: “Eu era adolescente na época e amava os White Stripes. Lembro que não consegui ingresso na época, mas quando eles foram até uma sacada do Teatro Amazonas foi incrível e eu estava lá”, destacou.

Como Humaitá se tornou foco do garimpo? Entenda a atuação da Polícia Federal

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Balsas sendo explodidas na orla de Humaitá, cidade amazonense. Foto: Reprodução/PF

O município de Humaitá, localizado às margens do rio Madeira, no sul do Amazonas, tornou-se ao longo das décadas um dos principais polos da atividade garimpeira na região Norte do país. A abundância de depósitos auríferos no leito do rio, somada às condições geográficas favoráveis e ao acesso fluvial facilitado, contribuiu para que a cidade fosse vista como ponto estratégico para a mineração.

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As características do rio Madeira, que apresenta áreas rasas e bancos de sedimentos ricos em ouro, atraíram sucessivas levas de trabalhadores em busca de oportunidades. Esse movimento impulsionou a formação de acampamentos e balsas de garimpo nas proximidades da cidade, modificando a dinâmica populacional. Em diferentes períodos, o município registrou aumentos repentinos no fluxo migratório, com a instalação de dragas e balsas que, muitas vezes, ultrapassaram a capacidade de fiscalização local.

Reportagens e estudos sobre a ocupação garimpeira no Amazonas destacam que Humaitá se consolidou como um ponto de referência para o garimpo artesanal e mecanizado. Essa realidade está diretamente ligada às questões sociais e econômicas da região, onde parte significativa da população passou a depender da atividade para garantir renda e subsistência.

Um artigo científico publicado em 2015 já falava sobre os impactos ambientais na população de Humaitá por conta das atividades mineradoras. O estudo identificou diversas cooperativas que facilitam o trabalho de garimpo na região, o que normaliza ainda mais a atividade que tanto degrada o ecossistema como um todo.

A atuação da Polícia Federal no combate ao garimpo

Nos últimos anos, a Polícia Federal intensificou operações de repressão ao garimpo ilegal em Humaitá e em outros municípios vizinhos. As ações têm como foco a inutilização de balsas, dragas e equipamentos utilizados para a extração mineral clandestina. Segundo comunicados oficiais, o objetivo é desarticular a infraestrutura responsável por impulsionar a atividade irregular e mitigar os danos ambientais causados pela exploração desenfreada.

As operações são realizadas com apoio de embarcações, equipes em terra e monitoramento aéreo, garantindo maior alcance na fiscalização. A PF também atua de forma integrada com órgãos ambientais como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Em algumas etapas, a Força Nacional é acionada para assegurar a ordem pública e a proteção das equipes durante a execução das medidas.

Uma ação da PF realizada em 15 de setembro interditou a orla do município. Vídeos mostram dragas sendo explodidas na região.

Vídeo mostra explosão de dragas na manhã desta segunda (15) na orla de Humaitá. Autor desconhecido

A ação gerou críticas locais, onde a Polícia Federal reafirmou que a destruição de balsas e dragas faz parte da estratégia de combate ao garimpo ilegal na Amazônia. Segundo o diretor de Amazônia e Meio Ambiente da PF, delegado Humberto Freire, as operações têm o objetivo de “salvar vidas”, ao proteger comunidades ribeirinhas e povos indígenas que sofrem com os impactos da atividade criminosa.

Em entrevista coletiva pela manhã, Freire destacou que o garimpo ilegal não apenas contamina rios e solos com mercúrio, como também aumenta a vulnerabilidade social de comunidades amazônicas, muitas vezes cooptadas por facções criminosas. Ele citou como exemplo a Terra Yanomami, onde, segundo a PF, ações emergenciais em 2023 reduziram em 96% as áreas de exploração clandestina.

O delegado explicou que a PF atua em duas frentes: operações imediatas em áreas de garimpo e investigações para identificar financiadores e redes de apoio logístico. Entre os alvos estão desde operadores de aeronaves ilegais até pessoas envolvidas em lavagem de dinheiro e exploração sexual em garimpos.

Freire defendeu ainda que o enfrentamento ao garimpo precisa vir acompanhado de políticas de desenvolvimento social: “Não é esmola, é levar riqueza efetiva para essas populações”, afirmou, defendendo projetos de geração de renda para ribeirinhos e indígenas.

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Reações locais e episódios de tensão

As operações da Polícia Federal em Humaitá, entretanto, não ocorrem sem resistência. Em diferentes momentos, a cidade e seus arredores registraram episódios de tensão quando balsas foram destruídas ou equipamentos apreendidos. Garimpeiros organizados chegaram a protestar contra a inutilização das embarcações, o que resultou em confrontos e manifestações na orla da cidade.

Em operações anteriores, houve relatos de bloqueios temporários de vias e mobilização de grupos que buscavam impedir a atuação dos agentes. Em algumas ocasiões, dragas foram destruídas em larga escala, em operações que duraram dias e mobilizaram centenas de servidores. Esses episódios chamaram a atenção não apenas das comunidades locais, mas também de autoridades estaduais e municipais, que acompanharam de perto os desdobramentos.

Na ação de 15 de setembro, a Prefeitura e a Câmara Municipal de Humaitá também se posicionaram de forma contrária à destruição de balsas e dragas na orla do município. Assim como em Manicoré, as autoridades locais destacaram que a operação da Polícia Federal afetou diretamente famílias que dependem da atividade de extração mineral para sobreviver.

O comunicado ressaltou que as explosões trouxeram riscos à segurança de comunidades ribeirinhas e geraram apreensão entre os moradores. A Prefeitura e a Câmara de Humaitá pediram mais diálogo e planejamento por parte das autoridades federais, reforçando que a fiscalização ambiental precisa ocorrer de forma que não coloque em risco vidas humanas.

As autoridades de Humaitá também defenderam a necessidade de alternativas sustentáveis para garantir o sustento das famílias locais, conciliando preservação ambiental e desenvolvimento social.

Impactos ambientais e justificativas legais

A repressão ao garimpo ilegal em Humaitá está ligada aos impactos socioambientais da atividade. Estudos e relatórios de órgãos ambientais mostram que a mineração clandestina provoca erosão das margens, assoreamento de canais e poluição por mercúrio, afetando diretamente os ecossistemas aquáticos do rio Madeira.

Esses danos também atingem comunidades ribeirinhas que dependem do rio para pesca, abastecimento e transporte. A contaminação por metais pesados é um dos pontos mais críticos, com riscos para a saúde humana e para a fauna local. Além disso, a atividade ilegal ameaça territórios indígenas e áreas de conservação, o que reforça a necessidade de fiscalização federal.

Humaitá deve ganhar delegacia da PF

Após receber a Operação Boiúna, foi anunciado que o município deve ganhar uma delegacia própria para repressão de crimes ambientais. A informação foi confirmada ao Grupo Rede Amazônica pelo coordenador do Centro de Cooperação de Polícia Internacional da Amazônia (CCPI/Amazônia), Paulo Henrique Oliveira, no dia 19 de setembro.

A nova unidade já recebeu autorização para ser instalada na cidade e atualmente passa pela fase de implantação. A previsão é de que a delegacia seja inaugurada no primeiro semestre de 2026.

O objetivo da nova delegacia é fazer com que ações de repressão a crimes ambientais na região deixem de ser pontuais e ocorram regularmente.

Portal Amazônia responde: quais os tipos de rios que existem na Amazônia?

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Encontro dos rios Negro e Solimões em Manaus. Foto: Reprodução/Setur-Amazonas

A Amazônia abriga a maior rede hidrográfica do planeta, formada por milhares de cursos d’água que se estendem por diferentes paisagens e ecossistemas. Esses rios não são apenas vias de transporte ou fontes de alimento para as populações ribeirinhas, mas também elementos que moldam a biodiversidade, influenciam o clima e determinam o modo de vida de milhões de pessoas.

A variedade de cores, transparências e características químicas da água resulta em classificações específicas que distinguem os tipos presentes na região.

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A diversidade amazônica se reflete também nas águas que percorrem sua imensidão. Dependendo da origem, da geologia das cabeceiras, da quantidade de sedimentos transportados e da matéria orgânica dissolvida, os rios podem se apresentar como de águas brancas, negras ou claras.

Além dessa divisão clássica, pesquisas recentes mostram que existem categorias intermediárias, que ampliam o entendimento científico sobre os ecossistemas aquáticos da região. Essa classificação é fundamental para compreender a dinâmica ecológica, a distribuição de espécies e até questões relacionadas à saúde pública.

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Rios de águas brancas, negras e claras: definições e exemplos

Os rios de águas brancas têm origem em áreas montanhosas, especialmente nos Andes. São ricos em sedimentos em suspensão, como argila e limo, que deixam a água com aspecto barrento e turvo. Eles apresentam pH próximo ao neutro e possuem concentração significativa de nutrientes, o que favorece a produtividade aquática. Exemplos incluem o Rio Solimões, o Madeira, o Purus e o Juruá, que formam extensas várzeas utilizadas tanto pela fauna como pelas populações humanas para agricultura e pesca.

Já os rios de águas negras têm como característica a presença de compostos orgânicos dissolvidos, oriundos da decomposição de matéria vegetal. Essas substâncias, conhecidas como ácidos húmicos e fúlvicos, conferem à água uma coloração escura, semelhante a um “chá forte”. O pH costuma ser ácido, em torno de 4 a 6, o que limita a quantidade de nutrientes disponíveis. O exemplo mais conhecido é o Rio Negro, cujas águas contrastam de forma marcante com as do Rio Solimões no fenômeno do Encontro das Águas, próximo a Manaus.

Os rios de águas claras apresentam coloração transparente ou levemente esverdeada. São formados em áreas de solos cristalinos antigos, com baixa quantidade de sedimentos em suspensão. Possuem pH próximo ao neutro e águas menos férteis em termos de nutrientes. Destacam-se nessa categoria o Tapajós e o Xingu, ambos com grande importância ambiental e cultural para as populações que vivem em suas margens.

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Rios
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Outras categorias e variabilidades entre os rios

Além das três classificações principais, algumas pesquisas identificaram categorias intermediárias que ajudam a detalhar ainda mais a diversidade hídrica da Amazônia. É o que aborda, por exemplo, o estudo ‘Classificação dos rios da Amazônia: uma estratégia para preservação desses recursos‘, publicado na revista Holos Environment em 2013.

Os autores – Maria do Socorro Rocha da Silva; Sebastião Átila Fonseca Miranda; Roberto Naves Domingos; Sergio Luiz Rodrigues da Silva; e Genilson Pereira Santana – destacam que, por exemplo, há subtipos de águas claras que apresentam variações químicas específicas, bem como rios com características situadas entre as águas brancas e as negras.

Outra categoria é a das águas salobres, que possuem maior quantidade de íons dissolvidos e podem ocorrer em áreas de transição ou em trechos próximos à foz dos grandes rios.

“As águas dos rios na região apresentam na sua maioria composição bem diferenciada, sendo águas ácidas (pH variando de 3,60 a 6,59), ou de levemente ácida a próximo à região de neutralidade, bem como levemente alcalina (6,43-7,9). Nas águas do rio Amazonas e tributários da margem direita, devido a maior carga iônica, são elevados os teores de turbidez, material em suspensão e condutividade elétrica. Já os tributários da margem esquerda do rio Amazonas, que nascem no Planalto das Guianas (…) são baixos os teores de eletrólitos (…) e águas mais ácidas (pH de 3,6 a 6,59)”, explica o estudo.

Essa ampliação das classificações segundo os pesquisadores permite uma compreensão mais precisa sobre rios de menor porte, como igarapés, que desempenham papel essencial no equilíbrio ecológico da floresta.

Também auxilia na formulação de políticas de conservação e no manejo sustentável dos recursos naturais, já que cada tipo de rio apresenta particularidades que afetam tanto a fauna quanto o uso humano.

Importância ambiental dos diferentes tipos de rios

Há estudos que ainda destacam que há diferentes tipos de rios exercem influência direta sobre a biodiversidade da Amazônia. As águas brancas, ricas em nutrientes, alimentam extensas áreas de várzea que se tornam berçários naturais de peixes e de outras espécies aquáticas.

Já os rios de águas negras, apesar de menos férteis, oferecem habitats específicos para espécies adaptadas à baixa disponibilidade de nutrientes. Os rios de águas claras, por sua vez, abrigam ecossistemas singulares, em que a transparência da água favorece certos tipos de peixes e plantas aquáticas.

O estudo publicado em 2022 na Revista Science Advances, intitulado ‘Rearranjos da rede fluvial promovem especiação em aves das terras baixas Amazônicas’ -de autoria da pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), a bióloga Camila Ribas, e pesquisadores do Museu Americano de História Natural (AMNH), da qual Ribas é pesquisadora associada desde 2008 -, mostrou que até as aves são influenciadas pelos rios.

De acordo com Ribas, as aves se tornam “ótimos marcadores” da evolução das paisagens, por serem grupos especializados em diferentes ambientes Amazônicos, como sub-bosque de floresta de terra firme, várzeas, igapós, campinas e savanas. 

“Aqui podemos testar hipóteses sobre como mudanças nas paisagens afetaram a distribuição das espécies de aves em cada ambiente amazônico no passado e com isso entender melhor tanto a formação da biodiversidade amazônica como a conhecemos hoje quanto o que pode acontecer com essa diversidade frente ás mudanças futuras, mais rápidas, causadas pelo homem”, explica Camila Ribas.

A diversidade de rios também tem implicações para a saúde pública. Vários estudos apontam que a acidez e a composição da água dos rios podem influenciar a proliferação de mosquitos transmissores de doenças, como a malária.

Além disso, o transporte de sedimentos em grandes volumes modifica os leitos, margens e áreas de inundação, impactando tanto os ecossistemas quanto as comunidades humanas que vivem em regiões de cheias sazonais.

Fatores que determinam o tipo de rios na Amazônia

Entre os principais fatores que determinam o tipo de rio estão a origem geológica das cabeceiras, a topografia, a composição do solo e os processos hidrológicos sazonais. Rios que nascem em regiões montanhosas tendem a arrastar grandes quantidades de sedimentos, formando águas brancas.

Já os que se originam em áreas de solos antigos e cristalinos, pobres em sedimentos, formam águas claras. Em áreas planas e alagadas, com acúmulo de matéria orgânica em decomposição, predominam rios de águas negras.

Além disso, a sazonalidade desempenha papel fundamental: durante as cheias, aumenta o transporte de sedimentos e matéria orgânica, alterando temporariamente a cor e a composição da água. Esses fatores tornam os rios da Amazônia sistemas dinâmicos e complexos, que variam não apenas de um curso para outro, mas também ao longo do próprio ciclo anual.

Suriname: um país amazônico pouco conhecido, mas ameaçado

Foto: Oleksandr Ryzhkov/Freepik

O Suriname é um país localizado no nordeste da América do Sul, banhado pelo Oceano Atlântico ao norte e limitado pela Guiana a oeste, pela Guiana Francesa a leste e pelo Brasil ao sul. Essa localização o faz também ser parte da Amazônia, em função da presença do bioma no país.

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Situado pouco ao norte da linha do Equador, mais de 94% do território do país é coberto por florestas segundo um relatório da Food and Agriculture Organization (FAO) de 2015, o que representa o maior percentual de cobertura florestal do mundo em um único país.

Grande parte dessa floresta permanece praticamente intacta, em especial nas regiões mais remotas e de difícil acesso, o que contribui para a preservação da vida silvestre e dos recursos naturais.

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Desmatamento e concessões ilegais no Suriname

Mas o país enfrenta uma série de crimes ambientais recorrentes, que incluem principalmente o desmatamento ilegal, a mineração aurífera informal e o tráfico de vida selvagem, todos com sérios impactos ecológicos e sociais e reconhecidos pelo governo do Suriname.

De acordo com dados recentes informados pela Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 32% do território dos Saamaka, povo quilombola que vive no país, o que equivale a 447 mil hectares, já foi concedido sem o consentimento livre, prévio e informado de suas comunidades.

Esse processo resultou em mais de 60 mil hectares de floresta degradada ou desmatada. É o que aponta um relatório da Land Coalition:

“Novos dados revelam que a exploração madeireira ilegal está devastando as florestas do Suriname O governo concedeu ilegalmente 32% do território Saamaka, causando mais de 60.000 hectares de floresta danificada ou degradada”.

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Flora e fauna da Amazônia do Suriname

A floresta amazônica do Suriname exibe uma diversidade impressionante. Estima-se que mais de 5.000 espécies de plantas ocorram na Reserva Natural do Suriname Central, uma das principais áreas de conservação reconhecidas internacionalmente.

Nas florestas de dossel, árvores que chegam a 50 metros de altura formam copas densas, criando um ambiente sombreado onde prosperam inúmeras espécies vegetais.

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Voltzberg, montanha localizada na reserva natural do Suriname Central. Foto: Andre Gregory

No que se refere à fauna, esses ecossistemas abrigam grandes mamíferos como jaguares (onças-pintadas), preguiças e a lontra gigante do rio. O país também é habitat de oito espécies de primatas e cerca de 400 espécies de aves, incluindo a harpia, o galo-da-serra e a arara canga. Em áreas específicas, como a savana de Sipaliwini, foi descoberta a rã-dardo-azul, uma espécie endêmica.

Nos arredores da capital, Paramaribo, encontram-se florestas pantanosas costeiras com vegetação adaptada às inundações, que fazem transição para manguezais e florestas submontanas. Nesses ambientes vivem aves especializadas, como o íbis-scarlet e outras espécies aquáticas.

Comunidades na Amazônia surinamesa

A Amazônia do Suriname não se resume à fauna e flora. Ela também é habitada por comunidades tradicionais que mantêm modos de vida estreitamente ligados ao território. As comunidades indígenas Christiaankondre e Langamankondre, do povo Kali’na, desenvolvem práticas de gestão sustentável, incluindo manejo de resíduos, como forma de preservar o equilíbrio da floresta ao longo de gerações.

Outro grupo de grande relevância é o dos saramacanos, descendentes de africanos que escaparam da escravidão e formaram comunidades quilombolas na floresta. Atualmente, cerca de 90 mil saramacanos vivem em mais de sessenta vilarejos espalhados pelo interior do país.

Eles mantêm organização social própria, idioma distinto e tradições religiosas e culturais preservadas. Grande parte dessas comunidades se distribui ao longo dos rios, utilizando as águas como via de transporte, sustento e parte essencial da vida cotidiana.

O vídeo a seguir, publicado no canal ‘Histórias Vivas – Gente, vida, documentales’, no Youtube, destaca a rotina de parte do povo surinamês, que encontra na natureza não apenas recursos de subsistência, mas também elementos fundamentais que moldam a identidade cultural:

Conservação e desafios ambientais

A busca pela preservação do ambiente amazônico no Suriname é realizada por meio de unidades de conservação como a Reserva Natural do Suriname Central. A reserva, com cerca de 1,6 milhão de hectares, é um dos maiores exemplos de áreas protegidas do país. Nela estão nascentes de rios e ecossistemas fundamentais para a biodiversidade regional.

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Ainda assim, apesar da elevada cobertura florestal, o país segue enfrentando pressões ambientais. Documentos recentes emitidos pelo governo do Suriname e alertados por diversas agências de notícias apontam que o governo avalia liberar centenas de milhares de hectares para agricultura, pecuária e aquicultura.

Caso todos os projetos sejam implementados, isso poderia significar a perda de, pelo menos, aproximadamente 2% da cobertura florestal. Essa possibilidade traz atenção para a necessidade de equilíbrio entre desenvolvimento econômico e conservação ambiental no país.