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‘Navegando pelas Origens’ fortalece vínculo com a história de Porto Velho 

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Passeio de barco resgata uma tradição e aproxima moradores e visitantes das origens da capital de Rondônia, Porto Velho. Foto: José Carlos/ Semcom Porto Velho

O passeio Navegando pelas Origens voltou a integrar a programação do Complexo Turístico da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, devolvendo aos porto-velhenses uma experiência presente na história da cidade desde 1982 e interrompida em 2018. Retomada em janeiro deste ano, a atividade une patrimônio histórico, cultura e o Rio Madeira em um roteiro que aproxima moradores e turistas das origens da cidade.

passeio de barco no rio madeira em porto velho Foto José Carlos Prefeitura de Porto Velho
Foto: José Carlos/Prefeitura de PVH

Com cerca de uma hora de duração, o passeio percorre o trecho do Rio Madeira que acompanhou o surgimento da capital. Durante o trajeto, o público conhece curiosidades sobre a história da cidade enquanto acompanha apresentações culturais, música regional e o pôr do sol, um dos cenários mais conhecidos da região. Os passeios acontecem no fim da tarde durante a semana e, aos finais de semana, ao longo do dia.

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A retomada do roteiro também marca um novo momento do Complexo Madeira-Mamoré. Entre as melhorias realizadas pela atual gestão está a construção da nova escadaria de acesso ao rio, que facilita o embarque dos visitantes e reforça a integração entre o patrimônio histórico e o Rio Madeira.

O secretário nacional de Políticas de Turismo, Augusto Lira da Rocha. Foto: José Carlos/ Semcom Porto Velho

E quem esteve conhecendo esse roteiro turístico foi o secretário nacional de Políticas de Turismo, Augusto Lira da Rocha. A experiência foi apresentada como um dos principais atrativos regionais. Para ele, Porto Velho reúne elementos capazes de proporcionar uma vivência diferenciada aos visitantes. 

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“As experiências que Porto Velho proporciona são fantásticas. O passeio de barco, a gastronomia, os monumentos históricos e a cultura regional fazem da cidade um destino que tem muito a oferecer aos turistas brasileiros e estrangeiros”

O passeio também contou com apresentações promovidas pela Fundação Cultural de Porto Velho (Funcultural), reunindo música, dança indígena, grupos folclóricos e manifestações tradicionais da região.

“Trouxemos uma amostra da nossa cultura regional para que os visitantes conheçam um pouco da identidade de Porto Velho, por meio da música, da dança e das nossas tradições”, disse a presidente da Funcultural, Débora Figueiredo.

Navegando pelas Origens' fortalece vínculo com a história de Porto Velho
Segundo Aleks Palitot, o passeio representa um importante resgate cultural para a cidade. Foto: José Carlos/ Semcom Porto Velho

Segundo o secretário executivo de Turismo da Semtel, Aleks Palitot, o passeio representa um importante resgate cultural para a cidade. “Esse roteiro reúne o Rio Madeira, a cultura ribeirinha, o patrimônio histórico e as manifestações culturais da nossa região. Mais do que um passeio, é uma experiência que devolve à população uma tradição e apresenta ao turista a verdadeira identidade de Porto Velho”.

Para o prefeito Léo Moraes, investir em experiências ligadas à história da cidade também é uma forma de fortalecer o turismo e valorizar quem vive em Porto Velho. “Quando resgatamos um patrimônio como esse, fortalecemos nossa identidade e mostramos que Porto Velho tem uma história que merece ser vivida e compartilhada. Quem visita a cidade leva essa experiência na memória, e quem mora aqui reencontra parte das próprias origens.”

*Por Jhon Silva/ Semcom Porto Velho

Programa “Entrevistas”, do Amazon Sat, destaca atuação da OTCA com Vanessa Grazziotin

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A secretária executiva da OTCA Vanessa Grazziotin. Foto: Reprodução/ Rede Amazônica

O programa “Entrevistas”, exibido pelo canal Amazon Sat, iniciativa do Grupo Rede Amazônica voltada aos temas debatidos em Brasília que impactam diretamente a Amazônia, recebe neste episódio a secretária-executiva da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Vanessa Grazziotin.

A entrevista apresenta o papel desempenhado pela OTCA na promoção da cooperação entre os países amazônicos e explica como a secretaria-executiva atua para fortalecer políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável, à preservação da floresta e à integração regional.

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Programa “Entrevistas”, do Amazon Sat. Foto: Rede Amazônica

Comandado pelo jornalista Welliton Lopes, o programa aborda a atuação da organização no cenário internacional, os desafios da cooperação entre os oito países que integram o Tratado de Cooperação Amazônica e a importância do diálogo entre os governos para enfrentar temas comuns, como mudanças climáticas, proteção da biodiversidade, segurança, desenvolvimento sustentável e qualidade de vida das populações amazônicas.

Durante a conversa, Vanessa Grazziotin explica como funciona a estrutura da OTCA, o papel da secretaria-executiva e de que forma as decisões construídas em conjunto pelos países amazônicos contribuem para fortalecer políticas voltadas à região.

“A OTCA, que é a Organização de Tratado de Cooperação Amazônica, nasceu a partir da assinatura de um tratado de cooperação. Então em 1978, que foi exatamente a década em que o mundo começou a ter uma preocupação maior com o meio ambiente, iniciou-se globalmente uma campanha que tomou muita força de que países, desenvolvidos, os mais ricos, os imperialistas, diziam que era importante proteger essas florestas nativas e que os países amazônicos não tinham a condição de fazer essa gestão. E diziam que a Amazônia era um patrimônio da humanidade. Daí os países disseram não e decidiram se juntar, dizendo que cada país tem a soberania sobre o seu território e temos sim a capacidade de promover um desenvolvimento sustentável”

Programa "Entrevistas", do Amazon Sat. Foto: Rede Amazônica
Programa “Entrevistas”, do Amazon Sat. Foto: Rede Amazônica

A secretária-executiva também detalha como a organização atua na articulação entre os países membros e destaca a importância da cooperação internacional para ampliar projetos voltados à ciência, tecnologia, gestão dos recursos naturais, povos indígenas, combate aos crimes ambientais e desenvolvimento sustentável.

“Dentro do próprio tratado que é de 1978 se ver muitas das vezes escrito sobre a necessidade de os países cooperarem entre si, para desenvolverem a ciência e o conhecimento na região. E claro, o tempo todo, nós estamos buscando os países e vendo qual a melhor forma de cooperação e os caminhos estão sendo abertos.”

Cooperação para a Amazônia

Ao longo da entrevista, Vanessa Grazziotin também explica os principais projetos desenvolvidos pela OTCA e os mecanismos de cooperação adotados entre os governos da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.

Programa “Entrevistas”, do Amazon Sat. Foto: Rede Amazônica

Ela destaca ainda como a secretaria-executiva acompanha a implementação das decisões tomadas pelos países membros e atua na busca por recursos e parcerias internacionais para fortalecer iniciativas voltadas à proteção da maior floresta tropical do planeta.

“Não adianta, por exemplo, aqui do lado brasileiro aplicarmos o período de defesa para proteger espécies de peixe e outros países não. O rio que nasce lá tem ramificações em diversos outros países”, destaca.

A entrevista também aborda o papel estratégico da Amazônia nas discussões globais sobre mudanças climáticas, conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, além dos desafios de conciliar proteção da floresta, crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida das populações que vivem na região.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasceu com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília e dos debates que influenciam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, economia, meio ambiente, desenvolvimento regional e relações internacionais, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e autoridades.

Programa “Entrevistas”, do Amazon Sat. Foto: Rede Amazônica

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa busca aprofundar debates e mostrar os bastidores das decisões que impactam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica, transformando temas complexos em informações acessíveis ao público.

“Entrevistas” tem episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e reexibições às quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas-feiras, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus (GMT -4).

Amazonas é o 2º estado do país com maior risco ambiental e climático para crianças, diz Unicef

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Levantamento mostra riscos ambientais que impactam a infância no AM — Foto: Freepik

O Amazonas é o segundo estado do Brasil mais vulnerável a riscos ambientais e climáticos para a infância e a adolescência, aponta o estudo “Painel Painel Crianças e Meio Ambiente” publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em parceria com a organização Vital Strategies. O levantamento avalia a exposição de crianças a cenários de secas severas, ondas de calor, fumaça de queimadas e falta de saneamento básico.

No ranking nacional de vulnerabilidade, o Amazonas fica atrás apenas do Pará, compondo o bloco de emergência máxima no país. Segundo os dados, 42,4% dos municípios amazonenses apresentam 10 ou mais indicadores no nível crítico de alerta, o patamar mais alto de gravidade do indicador.

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el niño pode ocasionar secas mais severas na amazônia
Foto: Cimone Barros/Ascom Inpa

Entre as principais ameaças identificadas no interior do estado estão a oscilação extrema dos rios, que isola comunidades, paralisa o transporte escolar e dificulta o acesso à água potável, além da poluição do ar gerada pelas queimadas sazonais e o histórico déficit de esgotamento sanitário

Segundo a Unicef, vulnerabilidade do estado decorre da sobreposição de crises ambientais e estruturais que afetam diretamente a saúde e o desenvolvimento de meninos e meninas. No interior, a rápida e violenta oscilação nos níveis dos rios atinge em cheio as calhas do Rio Negro, Solimões e Juruá, onde o isolamento provocado pelas secas históricas paralisa o transporte escolar, interrompe o abastecimento de água potável e impede o acesso a serviços básicos de saúde.

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Esse cenário é agravado pela degradação da qualidade do ar provocada pelas queimadas sazonais, que atingem com severidade os municípios do sul e do oeste amazonense e disparam os índices de internações pediátricas por problemas respiratórios.

Ainda de acordo com o estudo, o cenário soma-se a crise climática um histórico déficit sanitário: a falta de saneamento básico e o esgotamento sanitário inadequado nas comunidades do interior mantêm a população infantil em constante exposição a Doenças de Veiculação Hídrica (DVH).

Situação em Manaus

Apesar de o interior registrar proporções mais severas de falta de infraestrutura básica, Manaus concentra o maior volume absoluto de crianças e adolescentes em situação de risco no estado. Cerca de 31,8% da população da capital tem entre 0 e 17 anos e vive sob alerta alto em metade dos indicadores ambientais analisados pela Unicef.

Fiocruz e University of Glasgow
Foto: Michel Mello

Em Manaus, o levantamento aponta que os riscos enfrentados por crianças e adolescentes são agravados por fatores urbanos. Segundo o mapeamento, cerca de metade das escolas e creches da capital está situada em áreas com alto estresse térmico e pouca ou nenhuma arborização, o que intensifica os efeitos das ilhas de calor.

Durante o período de estiagem, a fumaça das queimadas na Região Metropolitana também se concentra sobre a cidade, contribuindo para o aumento dos casos de problemas respiratórios infantis. Além disso, a ocorrência de chuvas intensas, que provocam alagamentos, somada ao adensamento populacional em áreas de risco, como encostas e margens de igarapés, amplia a exposição de crianças a acidentes e a doenças de veiculação hídrica.

Como funcionam os indicadores do estudo

O estudo da Unicef combina dados oficiais das áreas de saúde, meio ambiente e saneamento para medir a exposição dos municípios a riscos socioambientais que afetam a infância. A metodologia classifica os indicadores em três níveis de gravidade e considera mais crítica a situação dos municípios que concentram, de forma simultânea, um maior número de indicadores no nível 3.

Imagem colorida mostra mãe e crianças ribeirinhas em área de rios com poucas terras para falar sobre dados da Unicef
Moradores das comunidades ribeirinhas da região do Médio Solimões, na Amazônia Central, onde atua o Instituto Mamirauá — Foto: Bruno Barreto/Instituto Mamirauá

Nesse modelo, o nível 3 representa a necessidade de atenção imediata e priorizada; o nível 2 indica a recomendação de planejamento e adoção gradual de medidas no curto e médio prazo; enquanto o nível 1 corresponde à baixa prioridade, exigindo apenas monitoramento contínuo, sem necessidade de intervenções emergenciais.

Emergência na Região Norte

A Região Norte lidera os índices de vulnerabilidade no país. Além de Pará e Amazonas, o estado do Acre aparece na 3ª colocação nacional. Juntos, os três estados concentram as maiores taxas de municípios em que a sobreposição de crises ambientais e falta de serviços essenciais ameaça diretamente a saúde e o desenvolvimento de meninos e meninas.

Em nota, o Unicef ressalta a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à adaptação climática com foco na infância, priorizando investimentos em saneamento resiliente, arborização de espaços escolares e proteção social para famílias afetadas por eventos climáticos extremos.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica Amazonas

Teatro Amazonas e Theatro da Paz entram para lista de Patrimônio Mundial da Unesco

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Os dois teatros da Amazônia escolhidos pela Unesco foi o Teatro Amazonas (esquerda) e Theatro da Paz (direita). Fotos: Michael Dantas/Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas e Reprodução/Semas Pará

Os teatros que há séculos simbolizam a história e a riqueza cultural da Amazônia passaram a integrar oficialmente a Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. Em decisão anunciada nesta segunda-feira (27), durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, em Busan, na Coreia do Sul, o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, foram reconhecidos como um único bem cultural seriado, denominado “Teatros da Amazônia”. Com a inscrição, o conjunto se torna o primeiro patrimônio cultural da região Norte do Brasil a receber o título de Patrimônio Mundial da Unesco. 

O reconhecimento é resultado de um processo iniciado oficialmente em janeiro de 2025, quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) apresentou à Unesco um dossiê elaborado em parceria com o Ministério da Cultura, Ministério das Relações Exteriores, governos estaduais e prefeituras de Manaus e Belém. Desde então, a candidatura passou por análises técnicas conduzidas pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), órgão consultivo responsável por avaliar bens culturais candidatos ao título. 

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Foto: Divulgação/Governo do Amazonas
Teatro Amazonas e Theatro da Paz entram para lista de Patrimônio Mundial da Unesco. Foto: Divulgação/Governo do Amazonas

Construídos durante o ciclo da borracha, entre o fim do século XIX e o início do século XX, os dois teatros foram apresentados à Unesco como um conjunto arquitetônico e histórico capaz de demonstrar como a riqueza produzida na Amazônia influenciou a formação urbana, cultural e artística da região. Embora localizados em estados diferentes, os edifícios compartilham características arquitetônicas, trajetórias históricas e um papel semelhante na consolidação da vida cultural amazônica. 

A candidatura também destacou que os espaços deixaram de representar apenas o período da Belle Époque para se consolidarem como centros permanentes de produção artística, abrigando festivais, concertos, espetáculos de dança, ópera, teatro e manifestações culturais contemporâneas.

Reconhecimento amplia projeção internacional da Amazônia

A inscrição na Lista do Patrimônio Mundial não altera a gestão dos teatros, que permanecem sob responsabilidade das instituições brasileiras. O Teatro Amazonas foi inaugurado em 1896 e é um dos principais cartões-postais de Manaus. Já o Theatro da Paz abriu as portas em 1878, em Belém, sendo considerado uma das mais importantes casas de espetáculos do país. Ambos já eram tombados pelo Iphan antes da candidatura internacional.

Teatro Amazonas e Theatro da Paz entram para lista de Patrimônio Mundial da Unesco. Foto: divulgação

Além da relevância arquitetônica, a Unesco considerou o valor histórico do conjunto por representar um período em que a Amazônia estava integrada às principais rotas econômicas globais, impulsionadas pela exportação da borracha. Os dois edifícios preservam elementos construtivos, artísticos e decorativos que refletem esse contexto e testemunham as transformações econômicas e culturais vividas pela região. 

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Para a superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro, o reconhecimento ultrapassa o valor arquitetônico dos edifícios e reforça a importância da história construída por diferentes gerações na região.

“Foi um trabalho árduo em conjunto que se conquista aqui com esse reconhecimento” disse Calheiro em um vídeo publicado da Coreia do Sul logo após o anúncio da Unesco.

Para o diretor do Theatro da Paz, Edyr Augusto Proença, o espaço localizado no centro de Belém esse reconhecimento porque reúne características que o tornam único. “Ser reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco é reconhecer a contribuição da Amazônia para a cultura e para a história da humanidade”, enfatizou o gestor do teatro em Belém.

Gripe Espanhola: a epidemia que paralisou Manaus no início do século XX

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Instituto Benjamin Constant, um dos últimos locais de Manaus atingidos pela Gripe Espanhola. Foto: Reprodução/ Blog do Gustavo Maia Gomes

Manaus (AM) viveu um dos períodos mais trágicos de sua história entre 1918 e 1919, quando a gripe espanhola atingiu a capital amazonense com intensidade. A epidemia, que se espalhou pelo mundo após a Primeira Guerra Mundial, chegou ao Norte do Brasil em meio a uma crise econômica e social provocada pela decadência do ciclo da borracha.

A cidade, que na virada do século XIX havia experimentado prosperidade e modernização, enfrentava dificuldades financeiras, escassez de alimentos e carência de serviços públicos. Nesse cenário, a gripe espanhola encontrou terreno fértil para se propagar, provocando medo, desorganização e milhares de mortes.

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De acordo com pesquisa realizada pela historiadora Rosineide de Melo Gama, a doença foi registrada nos jornais de Manaus com descrições que misturavam desespero, religiosidade e tentativas de explicação científica. As páginas dos periódicos locais, como A Imprensa, Gazeta da Tarde e Jornal do Commercio, noticiavam diariamente o avanço do contágio e o colapso dos serviços urbanos.

A epidemia, conhecida popularmente como “a Dansarina”, alterou profundamente o cotidiano da capital. Escolas, cinemas, igrejas e comércios foram fechados. As ruas ficaram desertas, enquanto hospitais e cemitérios não conseguiam atender à demanda por causa do grande número de mortos. Corpos se acumulavam em vias públicas e o medo da infecção era constante.

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Em meio ao caos, as autoridades públicas adotaram medidas emergenciais, mas a estrutura sanitária da cidade era insuficiente. A falta de médicos, medicamentos e locais adequados para o isolamento agravou a situação. A população mais pobre, concentrada nos subúrbios, foi a mais atingida pela gripe espanhola.

O inimigo invisível e a cidade do medo

Gripe Espanhola: a epidemia que paralisou Manaus no início do século XX
Imagem do Jornal Imparcial publicado em dezembro de 1918 em Manaus. Foto: Reprodução/ Dias mefistofélicos: a gripe espanhola nos jornais de Manaus – Rosineide de Melo Gana

A gripe espanhola foi considerada pela imprensa da época como um “inimigo invisível” que atravessava fronteiras e se espalhava rapidamente. Em Manaus, a doença chegou pelo porto, trazida por navios que vinham do Pará e de outras regiões. Logo, os primeiros casos se multiplicaram e a capital passou a viver sob um clima de pânico.

Os jornais relatavam o colapso dos serviços públicos e o fechamento de repartições, enquanto o governo tentava conter o avanço do vírus com campanhas de desinfecção e uso de desinfetantes como creolina. As autoridades sanitárias recomendaram o uso de máscaras e a suspensão de aglomerações, mas a falta de informação dificultava a adesão da população às medidas preventivas.

Devido, ainda, à chegada de enfermos do interior do Estado e do território do Acre, reapareceram, depois, em Manaus, alguns casos e a 8 de março irrompeu a moléstia no Instituto Benjamin Constant, que permanecera imune até aquele momento. Foram atacadas 143 educandas e sete irmãs religiosas, sem registro de morte.

As farmácias e lojas da cidade aproveitaram o momento para divulgar produtos que prometiam imunidade ou cura. Entre os anúncios estavam “pastilhas Valda”, “ferro Bravais”, “rapé antisséptico” e “immunizantes da influenza”. As práticas de cura se dividiram entre a medicina científica, que tentava explicar a doença de forma racional, e os métodos populares baseados em chás, garrafadas e simpatias.

Segundo Gama, a imprensa teve papel decisivo na formação do imaginário coletivo sobre a gripe espanhola. O medo da morte, a busca por sentido diante da tragédia e a crença em punições divinas marcaram a experiência dos manauaras. Expressões como “hecatombe” e “fim dos tempos” eram usadas com frequência para descrever a gravidade da situação.

Epidemia, política e desigualdade

Além de um problema de saúde pública, a gripe espanhola também se tornou um tema político em Manaus. Grupos rivais utilizaram os jornais para culpar adversários e criticar a administração pública pela falta de medidas eficazes. A epidemia, portanto, foi usada como instrumento de disputa entre facções políticas.

A desigualdade social ficou evidente. Enquanto os bairros centrais receberam alguma atenção do poder público, as áreas periféricas permaneceram sem assistência. Nos subúrbios, famílias inteiras morreram sem atendimento médico. O número de mortos foi tão grande que muitos foram enterrados em valas comuns, e as autoridades recorreram a carroças para recolher os corpos.

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Em meio à tragédia, surgiram iniciativas de solidariedade. Entidades civis, religiosos e voluntários prestaram auxílio aos enfermos e às famílias que perderam seus entes queridos. A Cruz Vermelha e a maçonaria tiveram participação importante na organização de socorros e distribuição de alimentos.

Com o passar dos meses, o vírus começou a perder força. Aos poucos, a cidade retomou suas atividades, mas o impacto da gripe espanhola permaneceu na memória coletiva. As festas do Carnaval de 1919 foram vistas como um momento de alívio após o período de luto e medo. Os jornais da época destacaram que “a alegria voltou, mas o rastro da morte ainda se fazia presente”.

O aprendizado sobre gripe espanhola

A epidemia de 1918 revelou a fragilidade das políticas públicas de saúde e o abismo social existente em Manaus no início do século XX. A cidade, que buscava aparentar modernidade, mostrou-se vulnerável diante de um surto que afetou ricos e pobres, mas atingiu com mais força os que viviam à margem da urbanização.

Estima-se que milhares de pessoas morreram em Manaus durante o período da gripe espanhola, embora não existam números oficiais exatos. A falta de registros e a precariedade das condições sanitárias dificultaram a contagem das vítimas.

O estudo de Rosineide de Melo Gama, desenvolvido na Universidade Federal do Amazonas, reconstitui essa fase esquecida da história local a partir da análise de jornais e documentos públicos. A pesquisa mostra que a gripe espanhola não foi apenas uma crise de saúde, mas um fenômeno que expôs contradições políticas, econômicas e culturais de uma cidade em transformação.

Mais de um século depois, o episódio ainda serve como referência para compreender o impacto das epidemias sobre a sociedade. A gripe espanhola deixou marcas profundas na história de Manaus e permanece como um dos capítulos mais sombrios da trajetória da capital amazonense.

Artesãos do Amazonas assinam adereços usados por Anitta em EQUILIBRIVM II

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Anitta em seu novo clipe já publicado no Youtube. Foto: Reprodução/Youtube-Anitta

A presença de uma biojoia produzida no Amazonas no novo projeto audiovisual da cantora Anitta levou a criatividade amazônica para uma vitrine internacional mais uma vez. No clipe de “Abre Caminho”, música do álbum EQUILIBRIVM II, lançado na quinta-feira (23), a artista aparece usando o Colar Ginga, criado pela artesã Amanda Monteiro, fundadora do Estúdio Presepada, marca manauara especializada em acessórios inspirados na floresta e na identidade amazônica. Veja:

A escolha da peça aconteceu após a equipe responsável pelo styling da cantora entrar em contato com a artesã em busca de acessórios específicos para compor os figurinos do projeto. O convite, contou Amanda em suas redes sociais, chegou enquanto ela participava de uma feira durante o Festival Folclórico de Parintins, momento em que praticamente todo o acervo da marca estava na ilha tupinambarana.

A artesã contou que soube da seleção da peça para o clipe com surpresa e entusiasmo, mas precisou manter sigilo durante todo o processo.

“Eu soube bem antes. A equipe da Anitta entrou em contato pedindo peças específicas. Desde aquela primeira mensagem fiquei com o coração apertado esperando o lançamento. Eles não contam onde as peças vão ser usadas para evitar qualquer vazamento. Eu só sabia que ela tinha escolhido o colar e um brinco vermelho, que ainda deve aparecer em outro momento. Quando a peça finalmente chegou às mãos da equipe de styling em São Paulo, senti que estava vivendo a oportunidade da minha vida”, declarou.

Por coincidência, uma única peça do Colar Ginga estava disponível em Manaus. A peça havia retornado ao ateliê após uma cliente desistir da compra, tornando possível que fosse enviada para a produção da artista.

Corrida contra o tempo para entregar a peça

A maior dificuldade surgiu após a confirmação da escolha do acessório. Com um cronograma apertado e as limitações logísticas na região Norte, Amanda precisou buscar alternativas para fazer o colar chegar a São Paulo dentro do prazo exigido pela produção.

“Foi muito difícil. Eu estava em Parintins participando da feira, com praticamente todo o estoque da loja lá, e precisava fazer essa peça chegar até quarta-feira pela manhã. Tentei todas as formas de envio, pesquisei transportadoras, Sedex, entrega expressa, mas nada garantia que chegaria a tempo. No fim, consegui entregar o colar para um amigo que saiu de Manaus rumo a São Paulo e levou a peça na bagagem. Se isso não tivesse dado certo, eu já estava decidida a comprar uma passagem de avião para não perder essa oportunidade”.

O Colar Ginga foi desenvolvido durante a temporada do Festival de Parintins. A criação reúne madeira, fibras, franjas e elementos naturais em uma proposta contemporânea inspirada nos movimentos corporais e nas cores da cultura amazônica, características que dialogaram com o conceito visual do novo projeto musical da cantora.

Amanda afirma que ainda está assimilando a repercussão alcançada pela marca poucos meses após sua criação.

“Eu ainda estou processando tudo o que estou sentindo. É uma sensação de dever cumprido e de felicidade por ter acreditado naquilo que me move. Abri oficialmente o Estúdio Presepada em fevereiro, mas essa paixão vem desde a infância. Sempre gostei de criar com as mãos e encontrei nas biojoias uma forma de transformar criatividade em profissão. Ter uma peça minha eternizada em um trabalho de alcance mundial é um marco que vai ficar para sempre”, revelou.

Biojoias podem ampliar a matriz econômica do Amazonas

Além da visibilidade conquistada pela marca, Amanda acredita que as biojoias representam uma oportunidade para ampliar a economia criativa no estado. Para ela, o Amazonas reúne matéria-prima, conhecimento tradicional e identidade cultural suficientes para transformar o segmento em uma importante matriz econômica regional, complementando atividades já consolidadas, como a Zona Franca de Manaus.

Segundo a artesã, ainda é necessário ampliar a divulgação do potencial criativo da região para o restante do país e do mundo, mostrando que a floresta também produz moda, design e arte de alto valor agregado.

“Eu acredito que as biojoias podem ser uma alternativa econômica muito importante para o Amazonas. O que precisa mudar é a forma como as pessoas enxergam a nossa região. O Amazonas é arte, é criatividade, é design. Precisamos colocar o estado na rota do turismo de arte, incentivar feiras e mostrar tudo o que é produzido aqui. Sempre que pessoas de fora conhecem as nossas biojoias ficam encantadas. Existe um potencial enorme que ainda precisa ser levado para o Brasil e para o mundo. O Amazonas não é só floresta”, defendeu.

Criado neste ano, o Estúdio Presepada nasceu da vontade de Amanda Monteiro de transformar uma paixão antiga em empreendimento. Antes disso, a artesã já produzia acessórios artesanalmente para complementar a renda, experiência que serviu de base para estruturar a marca.

A participação em um projeto de projeção internacional representa um dos primeiros grandes reconhecimentos do trabalho desenvolvido pela artista amazonense. Para ela, o momento também ajuda a abrir espaço para outros criadores da região e demonstra que produtos desenvolvidos com identidade amazônica podem alcançar mercados nacionais e internacionais sem abrir mão de sua origem.

Com o Colar Ginga integrando um dos figurinos de EQUILIBRIVM II, Amanda espera que a repercussão incentive novos olhares para o artesanato contemporâneo produzido na Amazônia e fortaleça o setor de biojoias como um segmento capaz de gerar renda, valorizar saberes tradicionais e diversificar a economia do estado.

Leia também: Arte indígena Karipuna do Amapá é usada por Anitta em novos clipes musicais

Foto: Amanda Rodrigues

Arte indígena amazonense também integra o figurino de Anitta

O protagonismo amazonense no novo trabalho de Anitta não ficou restrito às biojoias do Estúdio Presepada. A cantora também aparece utilizando um chapéu confeccionado em fibra de tucum no clipe ‘Eu não sou santa’. O chapéu é integrante da coleção Muiraquitã, criada pelo artista indígena Maurício Duarte, do povo Kaixana.

O acessório foi desenvolvido por mulheres indígenas por meio do projeto Parentas que Fazem, iniciativa da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com mentoria de Maurício Duarte. A coleção foi apresentada durante um desfile em Nova York em 2025 e reúne peças produzidas a partir de técnicas tradicionais e matérias-primas amazônicas.

Após o lançamento, Maurício Duarte comemorou a escolha da peça em suas redes sociais.

“Homem peixe” passa por Parintins a nado e busca chegar a foz do rio Amazonas

Wilber Honório Muñoz, o “homem-peixe”, em passagem por Manaus feita recentemente. Foto: Wilber Muñoz/Acervo pessoal

Atravessar o maior rio do mundo parece impossível, mas não para ele. Aos 45 anos de vida, o colombiano Wilber Honório Muñoz, conhecido como “homem peixe“, quer atingir um feito realizado apenas pelo nadador esloveno Martin Strel em 2007 ao atravessar o Rio Amazonas, da sua nascente, no Peru, quando recebe o nome de Apurímac (ou Apurímaque), até a sua foz no estado do Pará, onde deságua para o Oceano Atlântico. A mensagem é simples: É preciso preservar a nossa natureza e assim deixar vivo aquelas que habitam ao seu entorno.

O Portal Amazônia conversou com o “homem peixe” no caminho para a cidade de Parintins. Em uma parada para o descanço, antes de chegar a “ilha da magia” as vésperas do 59º Festival Folclórico de Parintins, um ato simbólico segundo ele próprio, já que em sua arte o Festival fala muito sobre a preservação da nossa biodiversidade.

Saiba mais: Em ação ambiental, ‘Homem-Peixe’ chega em Manaus após travessia de 5 mil quilômetros a nado pelos rios amazônicos

Da nascente a foz: o caminho do homem peixe

Wilber Muñoz na nascente do rio Amazonas, na cordilheira dos Andes, território peruano, quando começou o projeto de nadar todo o rio. Foto: Wilber Muñoz/Acervo pessoal

Nascido em Neiva, capital do departamento de Huila, na Colômbia, o “homem peixe” que também é conhecido como Super H na Colômbia, um personagem criado por ele para trazer uma mensagem sobre a importância do cuidado ao meio ambiente, embarcou em uma jornada que já dura mais de duzentos dias.

Ainda assim, Wílber Honorio Muñoz não usa apenas a sua imaginação ao nadar. Ele é graduado em Educação Física na Colômbia e com isso, conhece muito sobre o corpo humano e até onde é o seu limite.

O homem peixe explicou que houve uma preparação antes da viagem pelo rio Amazonas, e que também conta com uma equipe para alcançar este feito.

“Eu venho de uma cidade da Colômbia que é banhado pelo rio Magdalena onde fiz uma viagem de 1600 quilômetros em 31 dias e foi a partir daí que eu criei um personagem chamado “Super H”, um super-herói que ajuda as crianças a verem a realidade dos rios e assim começar a protejê-los. Então, digamos que sempre foi minha paixão nadar por rios ou andar pela selva, ou sair pelo campo, como dizemos lá na Colômbia. Eu gosto da natureza, amo a biodiversidade e quero protegê-la com minha profissão, com minhas reportagens, chamar atenção dos jovens e assim unir tudo”, explicou ao Portal Amazônia.

Com mais de 45 mil seguidores em uma rede social, Wilber Muñoz, o “homem peixe” tem relatado a sua rotina de viagem ao longo dos mais de 200 dias de viagem. Wilber fez um vídeo, com narração em português através do uso de inteligência artificial, onde chama a atenção da quantidade de lixo produzida pelas pessoas que estão no Festival de Parintins. Ele afirma que muito desse lixo vai parar nos rios e igarapés, o que prejudica animais e humanos.

“Eu sou um nadador. Sou um enviado do rio, do rio Amazonas, para cuidá-lo e proteje-lo. Para deixar uma mensagem aos nossos filhos, aos nossos netos, para que o nosso rio não morra.”, diz Wilber em parte do vídeo.

Poluição

A Amazônia abriga a maior bacia hidrográfica do planeta, mas enfrenta um problema crescente: a poluição dos seus rios. Os rios amazônicos tem apresentado grandes concentrações de resíduos plásticos, colocando em risco a biodiversidade, a qualidade da água e a saúde das populações ribeirinhas.

Em Manaus, estas pesquisas já apontam que o Rio Negro, por exemplo, sofre com o descarte irregular de lixo, esgoto sem tratamento e resíduos levados pelos igarapés. Durante os períodos de vazante, toneladas de lixo ficam expostas nas margens, evidenciando um problema ambiental que se repete todos os anos.

“A mensagem que eu gostaria de deixar com isso durante esse projeto, ao terminar esse projeto que estou fazendo, é alertar sobre a importância do descarte de plásticos que vão para os rios e que as pessoas façam o mínimo, que é não jogar plásticos nos rios. Então eu tenho sempre falado com as crianças, nos colégios que dou palestras e sei que isso não é culpa daqueles que vivem na floresta [ribeirinhos]”, conta.

Eu não tenho dinheiro, todos que me acompanham trabalham voluntariamente, mas quando eu vou chegando nas comunidades do entorno do rio tenho recebido ajuda, inclusive para alimentar um gato e um cachorro que viajam comigo e os meus companheiros que tem registrado todo esse trabalho e a mensagem que eu quero passar”, completa.

A bordo do barco Homem Peixe, Wilber Munõz já no Brasil cuidando dos seus pets em uma comunidade no Amazonas. Foto: Wilber Muñoz/Acervo pessoal

Roraima vai às urnas em eleições suplementares diretas para o Governo em junho; entenda por quê

Eleitores de Roraima vão as urnas escolher governador e vice-governador para os próximos seis meses. Foto: Reprodução/TRE-Roraima

Mais de 384 mil eleitores roraimenses vão às urnas no dia 21 de junho de 2026 para escolher o novo governador e vice-governador do estado em um pleito suplementar de votação direta. A decisão foi confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RR) em cumprimento às diretrizes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que invalidou em definitivo a chapa vencedora da eleição de 2022 por abuso de poder político e econômico, provocando a vacância dos cargos máximos do Executivo local.

Atualmente, a administração estadual é conduzida de forma interina pelo presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), Soldado Sampaio (Republicanos), que assumiu o posto em 30 de abril de 2026 e atua na chefia do estado até que os novos representantes eleitos pelo voto popular tomem posse para cumprir o mandato-tampão até dezembro de 2026, quando os ocupantes dos cargos serão definidos por meio da Eleição prevista para outubro.

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A princípio, com o avanço do cronograma oficial, as urnas eletrônicas já passam pelos procedimentos de carga, lacre e distribuição para as seções de votação nos 15 municípios do estado de Roraima. A operação logística e de segurança contará com o suporte das Forças Armadas para garantir que o material chegue às localidades isoladas e comunidades indígenas.

As chapas registradas

O prazo regulamentar estabelecido pelo calendário eleitoral para que os partidos, coligações e federações fizessem o registro formal de suas candidaturas encerrou-se às 19 horas do dia 20 de maio. Naquela data, quatro chapas protocolaram suas intenções de concorrer ao comando do Executivo de Roraima.

A coligação governista ‘Roraima Segue em Frente’ registrou o próprio governador interino, Soldado Sampaio, tendo como candidata a vice a deputada estadual Tayla Peres, ambos do Republicanos.

Pela oposição, a Federação Brasil da Esperança apresentou inicialmente a chapa com a professora Antonia Pedrosa (PT) e o artista plástico Bartô Macuxi (PSOL). Posteriormente, a chapa do PT sofreu alteração com a substituição de Antonia Pedrosa por Nelita Frank devido a critérios de prazos de desincompatibilização.

O Partido Liberal (PL) lançou uma chapa pura com o prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique, acompanhado do Subtenente Velton.

Já o Democracia Cristã (DC) havia oficializado o nome do produtor Paulo César Quartiero, que, no entanto, retirou formalmente sua postulação no mesmo dia 20 de maio devido a reformulações internas da legenda.

Leia também: Renúncias iniciam mudanças nos estados da Amazônia Legal para Eleições 2026; veja lista

Composição: Hector Muniz/ Portal Amazônia

Por que a votação é direta?

A realização de uma eleição direta em Roraima obedece rigidamente aos critérios diferenciados previstos pela jurisprudência e pelo Código Eleitoral brasileiro para a vacância de cargos majoritários.

O modelo difere do que ocorreu em um estado vizinho, o Amazonas, que este ano teve de recorrer a eleições indiretas efetuadas exclusivamente pelos deputados da Assembleia Legislativa porque o ex-governador Wilson Lima (União Brasil) e o ex-governador Tadeu de Souza (Avante) renunciaram ao mandato para concorrer a outros cargos nas eleições deste ano, obedecendo as legislações vigentes sobre a desincopatibilização de cargos (Lei de Inelegibilidade (LC nº 64/1990) e o afastamento de seis meses do padrão estabelecido pela Lei Complementar nº 219/2025), conforme explica o advogado e analista político Helso Ribeiro.

“A legislação eleitoral determina que, com exceção dos casos de reeleição, ocupantes de cargos no Executivo ou em funções administrativas precisam se desincompatibilizar para disputar outro cargo eletivo. Isso significa que prefeitos, governadores e outros gestores públicos devem deixar seus cargos até seis meses antes da eleição para concorrerem a outro posto que não seja o cargo que ele está até aquele momento. A medida busca evitar que o exercício de funções na administração pública influencie o eleitorado durante o processo eleitoral.”, explicou Ribeiro ao Portal Amazônia.

Em suma, a diferença crucial em Roraima reside no motivo jurídico do afastamento dos mandatários. No caso do Amazonas, a transição ocorreu por vacância civil ou administrativa sem correlação direta com a cassação da validade do pleito original pela Justiça Eleitoral no período final do mandato.

Em Roraima, a perda dos cargos do ex-governador e de seu vice decorre de uma decisão judicial de natureza estritamente eleitoral que anulou o resultado das urnas de 2022. Segundo o artigo 224 do Código Eleitoral, sempre que houver a nulidade de votos em decorrência de cassação por ilícitos de campanha, independentemente do ano do mandato em que a decisão transitar em julgado, a soberania popular exige que novos representantes sejam escolhidos de forma direta pelo eleitorado nas urnas.

O processo judicial que resultou na cassação total

A destituição do comando político do estado é o desfecho de uma série de investigações que apontaram o uso indevido da máquina administrativa com propósitos eleitorais. O ex-governador Antonio Denarium (Republicanos) e o vice-governador Edilson Damião (União Brasil) foram alvo de representações movidas por partidos de oposição e referendadas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que culminaram na cassação definitiva da chapa no TSE. Denarium já havia renunciado em março de 2026 buscando uma vaga ao Senado, deixando Damião na titularidade do cargo, mas o julgamento de cassação atingiu a chapa em sua totalidade.

Os magistrados da Corte Superior de Roraima consideraram comprovadas condutas vedadas aos agentes públicos no ano de 2022, que desequilibraram a igualdade da disputa partidária. Entre as ações listadas no processo judicial que embasaram a cassação estão o abuso de poder econômico por meio do programa de reformas residenciais “Morar Melhor”, o desvio de finalidade na distribuição maciça de cestas básicas em ano de votação e o repasse atípico de cerca de R$ 70 milhões do tesouro estadual para prefeituras aliadas às vésperas do período proibido pela legislação.

A condenação determinou o afastamento de Edilson Damião e declarou a inelegibilidade de Antonio Denarium por um período de oito anos, já aplicada as eleições deste ano, o que não permitirá a Denarium concorrer ao Senado Federal, algo que já havia sido anunciado por ele quando se desincopatibilizou do cargo em abril.

Eleitorado de Roraima

A maior parte do eleitorado está concentrada na capital Boa Vista, com 229.509 (59,67%), distribuídos entre a 1ª e 5ª Zonas Eleitorais. O segundo maior colégio eleitoral fica em Rorainópolis, com 22.606 eleitores. Na sequência aparecem Cantá (17.254), Caracaraí (14.783), e Mucajaí (14.096). São João da Baliza é a cidade com o menor número de eleitores, 5.556.

MunicípioEleitores Aptos
ALTO ALEGRE12.960
AMAJARI7.472
BOA VISTA229.509
BONFIM12.030
CANTÁ17.254
CARACARAÍ14.783
CAROEBE7.305
IRACEMA7.454
MUCAJAÍ14.096
NORMANDIA9.494
PACARAIMA9.403
RORAINÓPOLIS22.606
SÃO JOÃO DA BALIZA5.556
SÃO LUIZ5.903
UIRAMUTÃ8.757

Amapá, Tocantins e Roraima lideram redução da violência letal na Amazônia Legal, aponta Anuário

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Anuário da Segurança Pública no Brasil traz dados importantes sobre a Amazônia. Foto: Divulgação/Arquivo/Polícia Federal

Oito dos nove estados da Amazônia Legal registraram queda nas Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2024, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. Os maiores avanços foram observados no Amapá, Tocantins e Roraima, que figuram entre os estados brasileiros com as reduções mais expressivas da violência letal no período.

As Mortes Violentas Intencionais englobam homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial. Em nível nacional, a taxa caiu 5,4%, passando de 21,9 para 20,8 mortes por 100 mil habitantes.

Entre os estados da Amazônia Legal, o destaque foi o Amapá. Apesar de continuar com a maior taxa de violência letal do país, o estado reduziu o índice de 64,9 para 45,1 mortes por 100 mil habitantes, uma queda de 30,6%, a maior registrada entre todas as unidades da federação.

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O Tocantins apresentou a segunda melhor redução da região e a segunda maior do Brasil, com recuo de 27,9%, passando de 27,4 para 19,8 mortes por 100 mil habitantes. Já Roraima registrou queda de 27,1%, reduzindo a taxa de 25,5 para 18,6.

O Amazonas também apresentou resultado expressivo. A taxa caiu de 33,2 para 27,4 mortes por 100 mil habitantes, representando redução de 17,4%, desempenho mais de três vezes superior à média nacional. O número absoluto de vítimas passou de 1.406 para 1.173.

Outros estados da Amazônia Legal também registraram melhora nos indicadores: Acre reduziu sua taxa de 24,4 para 20,3 mortes por 100 mil habitantes, queda de 16,8%. O Pará passou de 34,2 para 29,5, recuo de 13,7%. Mato Grosso registrou redução de 8,5%, enquanto Rondônia apresentou estabilidade, com leve queda de 0,3% na taxa.

Leia também: Número de crimes violentos no Amazonas diminui em 2024, aponta Anuário Brasileiro de Segurança Pública

Maranhão é exceção

Na contramão da tendência observada na região e no país, o Maranhão foi o único estado da Amazônia Legal a registrar aumento da violência letal em 2024. A taxa de Mortes Violentas Intencionais subiu 12,1%, passando de 27,1 para 30,4 mortes por 100 mil habitantes. O número absoluto de vítimas aumentou de 1.897 para 2.129.

De acordo com o Anuário, apenas quatro estados brasileiros apresentaram aumento da taxa de MVI em 2024: Maranhão, Ceará, São Paulo e Minas Gerais. Todos os demais registraram redução ou estabilidade.

Ranking da Amazônia Legal

Considerando a variação da taxa de Mortes Violentas Intencionais entre 2023 e 2024, o desempenho dos estados da Amazônia Legal ficou assim:

Apesar das reduções observadas em grande parte da região, os estados amazônicos ainda concentram algumas das maiores taxas de violência letal do país. Em 2024, Amapá (45,1), Maranhão (30,4), Mato Grosso (29,8), Pará (29,5) e Amazonas (27,4) permaneceram acima da média nacional de 20,8 mortes por 100 mil habitantes.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com base em informações fornecidas pelas secretarias estaduais de segurança, polícias civis e militares, órgãos federais e demais instituições oficiais. A publicação é considerada o principal levantamento estatístico sobre segurança pública do país.

Feminicídios e homicídios de mulheres apresentam queda na Amazônia Legal

Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 mostram que a redução da violência letal observada em estados da Amazônia Legal também foi registrada nos crimes contra mulheres. Em estados como Amazonas, Amapá, Tocantins e Roraima, houve diminuição nos índices de homicídios femininos e feminicídios em comparação com 2023, acompanhando a tendência de queda das Mortes Violentas Intencionais.

No Amazonas, por exemplo, os homicídios de mulheres, incluindo os feminicídios, apresentaram redução de 25,2% em 2024, percentual superior à média nacional. O resultado contribuiu para a diminuição geral da violência letal no estado, que registrou uma das maiores quedas da região no período analisado.

Roubo de celulares recua e Manaus deixa ranking nacional

Em 2024 Governo do Amazonas lançou um programa de Recuperação de Telefones roubados em Manaus. Foto: Arthur Castro/ Secom Amazonas

Além da redução das mortes violentas, os indicadores de crimes patrimoniais também apresentaram melhora em parte da Amazônia Legal. Um dos destaques apontados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública foi a queda nos roubos de celulares em Manaus. Após figurar entre as cidades brasileiras com os maiores índices desse tipo de crime em anos anteriores, a capital amazonense deixou de aparecer entre as 20 cidades com as maiores taxas de roubos e furtos de aparelhos.

O Anuário também registra avanços em indicadores como roubos de veículos, roubos a estabelecimentos comerciais e roubos de carga em estados amazônicos. Embora os desafios permaneçam elevados em áreas urbanas e em regiões de fronteira, os números mostram que a redução da violência na Amazônia Legal não se limitou aos homicídios, alcançando também crimes que impactam diretamente o cotidiano da população.

Veja o anuário completo clicando aqui.

Professora amazonense se destaca na internet com humor e adaptações de expressões locais para o inglês

Professora Clareana Campos leva o seu bom humor, do dia-a-dia, para o seu trabalho como professora de inglês. Foto: Clareana Campos/Acervo pessoal

Nascida em Manaus (AM) e com quase vinte anos de experiência como professora de inglês, Clareana Campos tem se destacado na internet com sua forma irreverente de ensinar, adaptando expressões e gírias comuns no Amazonas para atrair a atenção de pessoas que querem aprender inglês de uma forma didática e divertida. A metodologia já tem até nome: “Amazonglês”, termo criado para explicar a mistura do “Amazonês” com o idioma inglês.

Em conversa com a equipe do Portal Amazônia, Clareana falou sobre sua carreira como professora e como a criação de conteúdo lhe levou a marca de mais de 78 mil seguidores em uma rede social, número este que tem crescido cada vez mais.

Leia também: Amazonês: aprenda 30 gírias e expressões que são a cara de Manaus

Paixão por lecionar

Desde o início do trabalho como professora, quando tinha apenas 22 anos, Clareana Campos sabia que tinha como missão de vida lecionar. Em 2013, quando se formou em Licenciatura – Língua Inglesa, ela ouviu de seus pais que deveria cursar Direito e até chegou a se formar na área, mas mantendo o foco na carreira de professora de inglês.

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“Já tem um longo tempo que eu faço isso. Eu sou formada em inglês e também sou formada em Direito. Mas isso foi mais por influência da família, porque eu vim de uma família de médicos, que estudou muito e conquistou seus bens com muito estudo e trabalho”, explica.

Porém, para ela, a área da educação foi mais atrativa. “Até hoje eu penso que a educação ainda é muito desvalorizada, ainda mais para professores de inglês que ensinam em escolas tradicionais. Eu sou muito grata pela base que eu tive de escolas tradicionais, mas eu vejo como os professores são desvalorizados. Então eu formei em Direito, mas eu acredito que a paixão que nós temos é que faz o diferencial e a minha paixão é lecionar. Eu deixei inclusive isso muito claro para os meus pais, que eu fiz Direito porque eu queria lecionar e não para advogar. Eu nasci para lecionar”, detalha Clareana ao Portal Amazônia.

E foi em meio a essa paixão por lecionar e com o seu humor afiado que Clareana se diferenciou em meio a tantos métodos de ensino.

“Eu sempre dava muita risada de tudo. Mas quando veio a pandemia de Covid-19 em 2020 e 2021 todos nós tivemos que nos adaptar. Na época eu dava aula e era coordenadora em uma dessas escolas tradicionais de inglês com sede em outro estado. E foi lá que eu comecei a gravar vídeos para a escola, sempre com conteúdo voltado para o ensino da língua inglesa”.

Redes sociais

Clareana Campos explica que, com o tempo, seus conteúdos foram chegando a diversas pessoas e lhe dando visibilidade. Os vídeos para as redes sociais da escola chamaram a atenção também para ela e a procura dos alunos pelo seu trabalho aconteceu de forma orgânica.

“Eu tinha um perfil pessoal no Instagram, que tinha ali por volta de mil seguidores mais ou menos. Mas tinha o Instagram da escola de inglês que eu trabalhei. Eles me pagavam um valor a mais porque diziam que eu tinha muito jeito para me comunicar e sempre gostei mesmo de me comunicar e de gravar. E muito aluno começou a chegar para a escola também através dos vídeos que eu fazia. Com isso, muitas pessoas achavam o meu perfil pessoal e me procuravam para aulas particulares mesmo”, relata. Segundo a professora, após problemas de saúde e ainda com a pandemia da covid-19 acontecendo, optou por seguir apenas com aulas particulares. “Foi uma virada de chave pra minha carreira”.

E foi então que Clareana começou a se dedicar a produção de conteúdo com foco na rede social Instagram, onde passou a produzir vídeos rápidos e que tinham um grande alcance.

“Eu comecei mesmo dando dicas, lá durante a pandemia mesmo, sobre como usar seu inglês em momentos específicos da vida. Teve vídeos que fiz sobre significado das músicas e ali fui ganhando de pouco em pouco seguidores. E tem umas palavras típicas, usadas aqui no Amazonas, até palavrões, que eu comecei a fazer vídeos e viralizou muito rápido. Um deles também foi dos bairros de Manaus, sobre como seriam eles em inglês. É claro que é tudo uma grande brincadeira, porque nome não se traduz, mas de alguma forma isso me deu uma visibilidade muito grande com o tempo”, revelou, sobre a construção do “Amazonglês”.

Mudança de vida

Os vídeos feitos pela professora, com o tempo, ajudaram a aumentar a procura por suas aulas. Ao mesmo tempo que ela também se dedicava a sua família, outras oportunidades surguram. E, com o tempo, Clareana percebeu que “poderia ser dona do seu próprio negócio”.

“Os vídeos foram viralizando. Começaram a me chamar também para muitos podcasts e eu fui ficando conhecida. Foi ali que eu comecei a perceber que o mercado na minha área é saturado só para realmente quem não faz algo original. Para quem faz algo único, algo especial, vai conseguir se destacar. Foi o que aconteceu comigo”, assegura.

Entre os alunos que Clareana tem está o jornalista e deputado estadual Mário César Filho e o “pequeno gênio”, Luam Gabriel Gama, que se destacou em um programa de TV da Rede Globo. Foto: Arquivo/ Clareana Campos

A profissional afirma que, hoje, a certeza de ter escolhido o caminho que seu coração pediu é clara.

“Hoje eu sei que alcancei um grande momento profissional da minha vida e eu sou muito grata principalmente a minha família e meu marido que me ajudou muito a chegar onde eu cheguei, ao segurar as atividades da casa, os cuidados com os filhos. Hoje eu também estou em uma escola de professores de inglês voltada a influenciadores, e eu quis muito chegar onde estou. Inclusive da Região Norte só tem eu e outro professor. Mas sei que não é meu limite e posso chegar ainda mais longe”, agradeceu.