Projeto Terra Preta fortalece a autonomia digital de povos indígenas em Roraima 

Encontro reuniu integrantes da Comunidade Tabalascada com o objetivo de dividir conhecimentos sobre a integração das infovias do Programa Norte Conectado, do Governo Federal.

Jovens e comunicadores da aldeia aprenderam ferramentas digitais para uso consciente e produtivo da internet. Foto: Divulgação/EAF

O Projeto Terra Preta realiza, em Roraima, mais uma edição do Encontro de Cidadania Digital, fortalecendo o protagonismo indígena no uso consciente da internet e preparando comunicadores de territórios amazônicos para a chegada da conectividade de alta qualidade por meio das infovias.

A iniciativa, que chega à 9ª edição, faz parte do Programa Norte Conectado, coordenado pelo Ministério das Comunicações e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), sendo executado pela Entidade Administradora da Faixa (EAF).

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O evento ocorreu entre os dias 23 e 27 de fevereiro, com comunicadores populares, educadores, jovens e lideranças indígenas na Comunidade Tabalascada, região da Serra da Lua, no município de Cantá (RR). Esta foi a segunda vez que a iniciativa ocorreu em Roraima.

Em outubro do ano passado, a capital Boa Vista sediou o 6º encontro, que foi conduzido por uma equipe formada por educomunicadores amazônicos, que também atua em comunidades do Pará e do Amazonas.

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projeto terra preta
Uma das principais atividades do Projeto Terra Preta são as rodas de conversa para troca de saberes. Foto: Divulgação/EAF

Os encontros promovem a troca de saberes para que o aprendizado de ferramentas digitais impulsione a comunicação popular, a garantia de direitos e o desenvolvimento socioeconômico, sempre respeitando as culturas dos povos envolvidos.

Na Comunidade Tabalascada, os comunicadores participaram de oficinas práticas de produção de conteúdo, elaboração de roteiros para podcasts e videocasts e manuseio de drones. Também fez parte da programação a criação de uma Web Rádio para o Conselho Indígena de Roraima (CIR).

Um dos destaques foi a atividade Partilha de saberes ancestrais e o “Ajuri” para pensar a Terra Preta Digital, coordenada por Nayara Kambeba, integrante do Projeto Terra Preta em Tefé (AM). Ajuri é uma expressão indígena que significa mutirão e ajuda mútua.

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Foto: Divulgação/EAF

A capacitação abordou ainda temas como comunicação popular e indígena, uso seguro e crítico da internet e das redes sociais, combate à desinformação e às fake news, além de oficinas sobre plataformas digitais livres, ferramentas de participação social e utilização de serviços de governo digital (e-Gov).

Trajetória do Projeto Terra Preta

Iniciado em junho de 2025, o Projeto Terra Preta já promoveu encontros no Amazonas, Pará e Roraima. Participaram cerca de 300 integrantes de coletivos, comunidades ribeirinhas, quilombolas e povos indígenas de, ao menos, 12 etnias: Tikuna, Kambeba, Kokama, Mayoruna, Macuxi, Wai Wai, Taurepang, Wapichana, Yanomami, Baniwa, Galibi e Anajás.

As atividades ocorreram em Fonte Boa, Santo Antônio do Içá e Tefé (AM); Outeiro, Breves e Belém (PA); e Boa Vista (RR).

Foto: Divulgação

Conceito 

O Projeto Terra Preta é realizado pela Entidade Administradora da Faixa (EAF), em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A iniciativa se inspira no conceito da terra preta — solo fértil criado há séculos por povos indígenas a partir de práticas sustentáveis e de convivência harmoniosa com a natureza.

Assim como esse solo simboliza regeneração e abundância, o projeto fortalece saberes locais e estimula o florescimento de iniciativas digitais nos territórios amazônicos, promovendo autonomia e apropriação consciente das novas tecnologias.

Sobre a EAF 

A Entidade Administradora da Faixa (EAF) é uma instituição sem fins lucrativos criada por determinação da Anatel e vinculada ao Ministério das Comunicações. Entre suas atribuições estão a limpeza da faixa de 3,5 GHz, essencial para a operação do 5G no país; a execução dos programas Siga Antenado e Brasil Antenado; a implantação das infovias na Região Amazônica — para expandir a infraestrutura de telecomunicações no Norte do Brasil —; e a implementação de redes privativas de comunicação para o Governo Federal.

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