Tecnologia LiDAR pode tornar mensuração de carbono na Amazônia mais precisa, diz estudo

Estudo do Imaflora aponta que tecnologia de sensoriamento remoto pode ampliar a precisão e eficiência do carbono na região amazônica.

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

Medir biomassa florestal e converter esse dado em estimativas confiáveis de carbono ainda é um dos grandes desafios para quem atua com restauração, manejo, monitoramento e projetos climáticos. É nesse contexto que o LiDAR (Light Detection and Ranging) vem ganhando espaço como uma tecnologia capaz de ampliar a precisão e a eficiência do monitoramento florestal

Publicação visa tornar a mensuração de carbono mais precisa e confiável.Foto: Divulgação/Imaflora

Para contribuir com esse debate, o Imaflora lança a publicação ‘LiDAR & Carbono: Inovação na Quantificação de Biomassa Florestal‘, elaborada com apoio do Instituto Clima e Sociedade e em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) e a ForLidar.

O material mostra, de forma aplicada, como o sensoriamento remoto pode fortalecer processos de mensuração de carbono com mais rastreabilidade, robustez estatística e eficiência operacional. 

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A publicação parte de um problema concreto: monitorar florestas com qualidade técnica suficiente para atender às exigências de mensuração, reporte e verificação de carbono sem tornar o processo excessivamente caro, demorado ou limitado em escala.

O LiDAR aparece nesse cenário como uma ferramenta capaz de “ler” a estrutura tridimensional da vegetação e apoiar inventários híbridos, nos quais o campo continua essencial, mas passa a ser usado de forma mais estratégica. 

Para sair do plano conceitual, o documento se ancora na experiência de restauração conduzida pelo ISA no corredor do rio Xingu, em Mato Grosso, e na atuação do Carbon on Track, iniciativa de mensuração e verificação de carbono desenvolvida pelo Imaflora. A análise compara abordagens e apresenta a aplicação de inventário integrado com LiDAR embarcado em drone e amostragem dupla estratificada em 741 hectares de áreas restauradas. 

Mensuração de carbono 

Os resultados sistematizados na publicação indicam ganhos concretos. O uso do LiDAR foi associado à redução de 81% do esforço em campo, 76% do custo por hectare e 67% do erro percentual, além de contribuir para maior precisão estatística e espacial no monitoramento de áreas extensas.

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Além de reunir evidências práticas, a publicação também chama atenção para barreiras ainda presentes nos sistemas de verificação e nos padrões internacionais. O material argumenta que parte das regras hoje adotadas não incorpora adequadamente as especificidades das florestas tropicais, o que pode elevar custos, criar entraves e dificultar a adoção de tecnologias já consolidadas no avanço dos inventários florestais. Por isso, a publicação se propõe também como contribuição técnica para atualizar práticas e fortalecer metodologias mais aderentes à realidade brasileira. 

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O Carbon on Track, solução de quantificação e verificação de carbono em plantios de restauração desenvolvido pelo Imaflora, ofereceu uma redução do custo por hectare de R$ 1.440,02 para R$ 336,44, enquanto o tempo corrido do processo passou de 540 dias para 385 dias em comparação ao monitoramento e verificação da principal certificadora do mercado no projeto analisado.   Esses resultados são frutos do uso de tecnologias e soluções adaptadas a realidade nacional. A comparação completa você acompanha na publicação.

Amazônia é considerada fonte de carbono. Foto: climatepolicyinitiative
Amazônia é considerada fonte de carbono. Foto: climatepolicyinitiative

Público

Voltada a um público técnico e transversal, a publicação interessa a equipes de restauração e manejo, organizações da sociedade civil, auditorias, certificadoras, financiadores, empresas e gestores públicos que precisam de métricas mais consistentes, transparentes e verificáveis para acompanhar desempenho ecológico e carbono. O objetivo é apoiar decisões práticas, orientar protocolos de MRV e ampliar a capacidade de monitorar com qualidade e credibilidade. 

Esta leitura é especialmente útil para: equipes de restauração; organizações e projetos territoriais que atuam com carbono; auditorias, certificadoras e verificadores; financiadores e investidores interessados em MRV robusto; gestores públicos e formuladores de protocolos.  

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imaflora

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