Foto: Arquivo pessoal/Luiz Villares
A relação entre crescimento econômico e degradação ambiental, os impactos cada vez mais intensos das mudanças climáticas e os caminhos possíveis para um desenvolvimento sustentável na Amazônia são temas centrais do livro ‘Ecos do Antropoceno – Legados, interesses e caminhos’.
A obra escrita pelo ambientalista Luiz Villares foi lançado no dia 26 de março na sede da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em Manaus (AM).
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Lançado pela Editora Casa Matinas, o livro é resultado de mais de duas décadas de atuação de Villares na área socioambiental, reunindo experiências, dados e reflexões construídas ao longo de sua trajetória.
Nesse período, o autor passou por instituições estratégicas para a agenda ambiental no Brasil, notadamente na FAS, onde colaborou desde o seu início, por mais de 15 anos, como Superintendente Administrativo Financeiro.
O livro apresenta um panorama atualizado do bioma amazônico em conexão com o cenário global, incluindo os desdobramentos da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada ano passado em Belém (PA).
Para o autor, a crise climática não pode ser analisada de forma isolada, mas sim como consequência direta do atual modelo de crescimento econômico global. Segundo ele, sem mudanças estruturais nesse modelo, a transição para um futuro sustentável não será possível.
“Este é o paradoxo contemporâneo: quanto mais cresce o PIB global, mais crescem os desastres ambientais e ecológicos — e pior: em velocidade maior do que as soluções que poderiam mitigar os problemas”, afirma Villares.
Villares também destaca no texto que esse desequilíbrio ambiental contribui para o agravamento da desigualdade social. Pois as populações mais vulneráveis são as que mais sofrem seus impactos. Ao mesmo tempo, o ambientalista defende a Amazônia como um ativo estratégico fundamental para o equilíbrio climático, a regulação hídrica e a preservação da biodiversidade. Como caminho viável, o autor aponta a bioeconomia e suas cadeias produtivas, como açaí, castanha e cacau, capazes de gerar renda sem comprometer a floresta.
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Além disso, vê com otimismo ideias como sistemas agroflorestais (SAFs) e créditos de carbono, aliados à participação das populações tradicionais e de políticas públicas mais eficazes, são essenciais para essa transição.
“Manter a floresta em pé depende de cooperação internacional, vontade política, justiça social, pensamento científico e financiamento contínuo. É um caminho que exige muito, mas comprovadamente mais inteligente e valioso do que qualquer modelo baseado em sua destruição”, afirma.
Panorama global

A partir de dados qualificados, Villares indica que a prevenção de desastres ecológicos tende a ser mais eficiente do que as ações de reparação. Nesse sentido, ele aponta que a revisão de prioridades nos investimentos globais contribuiria significativamente para o avanço de soluções ligadas à transição energética e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
A publicação também observa movimentos internacionais, como a reorientação de políticas ambientais na China, com iniciativas voltadas à ampliação do uso de energias renováveis e à recuperação de áreas degradadas, além de conceitos e discussões que ajudam a compreender a crise ambiental contemporânea.
Sustentabilidade Editorial
Ecos do Antropoceno é o primeiro livro lançado pela Editora Casa Matinas, que se dedica à reedição de livros imperecíveis no sistema de impressão sob demanda (POD). A editora modificou seu projeto editorial pelas afinidades com as ideias defendidas no livro de Luiz Villares.
Além de evitar desperdício de papel e de combustível fóssil na distribuição com o print-on-demand, é usado o papel Polén Natural e a impressão é em tinta a base de água. O livro pode ser encontrado aqui e também está disponível pela plataforma Amazon.
*Com informações da Fundação Amazônia Sustentável
