Estudo revela que quatro em cada 10 peixes no rio Ucayali, no Peru, têm plástico no estômago

Um estudo de 2025 do IIAP encontrou plástico no conteúdo estomacal de 39,11% dos peixes onívoros analisados ​​no rio Ucayali.

Foto: Reprodução/Agência Andina – Editora Perú

Um estudo de 2025 do Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP), órgão do Ministério do Meio Ambiente, encontrou plástico no conteúdo estomacal de 39,11% dos peixes onívoros analisados ​​no rio Ucayali. A equipe também detectou resíduos de plástico em peixes carnívoros e onívoros da lagoa Yarinacocha.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Entre os onívoros, plástico foi encontrado em 39,11% dos espécimes do rio Ucayali e em 19,11% dos do rio Yarinacocha. O oposto ocorreu entre os carnívoros: 33,56% dos peixes do rio Yarinacocha apresentaram vestígios de plástico, em comparação com 19,09% dos espécimes do rio Ucayali.

Para o estudo, o IIAP analisou o conteúdo estomacal de 728 peixes do rio Ucayali e da lagoa Yarinacocha, durante duas campanhas de amostragem, uma na época de seca e outra na época de cheia.

Estudo do IIAP revela que 4 em cada 10 peixes no rio Ucayali têm plástico no estômago
Foto: Reprodução/Agência Andina – Editora Perú

Leia também: Microplásticos são identificados em peixes do Parque do Tumucumaque, no Amapá

A bióloga Antonia Vela Díaz, chefe de projetos de aquicultura e pesca do IIAP Ucayali, explicou que a equipe avaliou espécies carnívoras como a corvina, o machete e a chambira, além de sardinhas onívoras. Os pesquisadores também compararam espécimes de áreas próximas a núcleos populacionais com aqueles de locais mais distantes.

Vela destacou que a presença de plástico longe de áreas povoadas pode estar relacionada às correntes de água. O lixo descartado perto de áreas povoadas pode ser levado pela correnteza e se acumular em outros trechos de rios e lagos, onde os peixes entram em contato com esses materiais e podem ingeri-los.

O problema não se limita à ingestão. Em uma investigação anterior, a equipe encontrou um peixe com estrutura corporal subdesenvolvida e o estômago quase completamente obstruído por um fragmento de bolsa. Segundo Vela, esses detritos podem afetar o crescimento e a reprodução do peixe.

Foto: Reprodução/Agência Andina – Editora Perú

Diante dessa situação, a pesquisadora propôs aprimorar a gestão de resíduos sólidos para evitar que cheguem aos cursos d’água. Ela também recomendou que as famílias separem o lixo em casa e que os governos locais garantam sistemas adequados de coleta e descarte.

Vela também recomendou o reforço dessas práticas nas comunidades e na população em geral. Ela afirmou que impedir que o plástico chegue a rios e lagos ajuda a reduzir seu impacto nos ecossistemas aquáticos da Amazônia.

*Com informações da Agência Andina.

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Negócio do Acre aposta na identidade amazônica e usa farinha regional em chocolate artesanal

Um empreendimento acreano desenvolveu um chocolate artesanal com farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul, do interior do estado.

Leia também

Publicidade