Farol de Soure, um dos faróis da Amazônia. Foto: Divulgação/Arquivo CHN-4
Você provavelmente já viu em filmes aquela grande torre iluminada, isolada em uma ilha, em um penhasco ou no meio do mar, que durante a noite, emite um feixe de luz que corta a escuridão e serve como referência para os navegantes que estão a quilômetros da costa. Mas será que existem estruturas assim na Amazônia? E será que elas funcionam da mesma maneira que esses famosos faróis retratados nos filmes?
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A resposta é: sim, existem faróis na Amazônia, mas não em toda a região. A classificação depende da área de jurisdição da Marinha do Brasil e das características de navegação de cada trecho.
Na Amazônia Ocidental, área de jurisdição do Centro de Hidrografia e Navegação do Noroeste (CHN-9), que abrange o Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, por exemplo, não existem estruturas classificadas tecnicamente como faróis, os equipamentos existentes são do tipo faroletes.
Já na Amazônia Oriental, área de jurisdição do Centro de Hidrografia e Navegação do Norte (CHN-4), que abrange o Amapá, o Pará e o Maranhão, existem diversas estruturas, incluindo 15 faróis e 33 faroletes.
A diferença entre os dois equipamentos não está apenas no tamanho. Ela envolve, principalmente, o alcance luminoso e a função desempenhada na navegação.

Segundo a NORMAN-601/DHN – Normas da Autoridade Marítima para Auxílios à Navegação, da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), os faróis são auxílios à navegação de estrutura fixa, instalados em posições geográficas conhecidas e com equipamentos luminosos com características predeterminadas e alcance luminoso superior a 10 milhas náuticas, (uma milha náutica corresponde a 1.852 metros). Já o farolete possui alcance luminoso igual ou inferior a 10 milhas náuticas
Na prática, portanto, aqueles equipamentos que os roteiros de Hollywood chamam simplesmente de “faróis” podem, tecnicamente, ser um farolete.
Nos rios amazônicos, esses equipamentos cumprem uma missão silenciosa: ajudar embarcações de diferentes tamanhos a encontrar o caminho seguro em regiões onde existem bancos de areia, pedras e outros obstáculos que podem representar riscos para a navegação.
Farol ou farolete: afinal, qual é a diferença?
Para entender a presença desses equipamentos na Amazônia, é preciso primeiro compreender o que a Marinha chama de auxílios à navegação.
A NORMAM-601/DHN estabelece conceitos e padrões para diferentes tipos de sinais utilizados para orientar os navegantes. Entre eles estão faróis, faroletes, balizas, boias luminosas, boias cegas, placas e outros equipamentos.
Como informado, a diferença mais básica entre os faróis e faroletes está no alcance luminoso. Isso significa que não é simplesmente a aparência da estrutura que determina sua classificação, já que uma torre muito alta, por exemplo, não necessariamente será um farol.
O que importa, entre outros critérios técnicos, é a função do sinal e suas características estabelecidas no projeto de sinalização.


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De acordo com o diretor do CHN-9, Fábio Luis Moreira Jacobucci Bambace, os faroletes são utilizados como auxílios de menor alcance, especialmente em áreas como entradas de canais, portos e estreitos.
O comandante explicou ao Portal Amazônia que a luz não é aleatória, visto que cada auxílio luminoso possui uma característica luminosa própria, formada por elementos como cor, ritmo e sequência de lampejos. Assim, o navegante pode consultar as publicações náuticas e identificar qual sinal está observando. É como se cada equipamento tivesse uma espécie de “assinatura”.
Um navegante que encontra uma determinada luz durante a noite não deve simplesmente olhar para ela e concluir que está em determinado ponto. A identificação precisa ser feita a partir das características apresentadas pelo equipamento e da consulta às informações náuticas correspondentes.
A Marinha mantém, para isso, a Lista de Faróis, publicação editada pela DHN e atualizada pelo Centro de Hidrografia da Marinha (CHM). O documento reúne informações sobre faróis, faroletes, balizas, boias luminosas e outros sinais que interessam à navegação.
Por que os faróis foram criados?
O comandante Bambace explica que os grandes faróis surgiram principalmente com a função que pode ser resumida pelo conceito de ‘farol de aterragem’. A ideia é simples: uma embarcação que está em alto-mar precisa identificar a distância e a proximidade de determinada região terrestre.
No mar aberto, o navegante tradicionalmente procurava manter distância da costa, justamente para evitar perigos como pedras, bancos de areia e outros acidentes geográficos. Quando avistava a luz de um farol, aquela referência indicava que estava se aproximando de determinado ponto do litoral.
Um exemplo histórico citado pelo comandante é o Farol de Alexandria, considerado o primeiro grande farol de que se tem registro. Construído na Antiguidade, ele orientava embarcações que se aproximavam da região de Alexandria, no Egito.

A lógica permaneceu ao longo dos séculos. Antes das tecnologias atuais de posicionamento, essa referência tinha ainda mais importância, pois os navegantes dependiam de métodos como a observação do Sol, da Lua e das estrelas para estimar a posição da embarcação.
Hoje, o GPS e outros sistemas eletrônicos permitem determinar a posição com muito mais precisão. Isso, no entanto, não significa que os faróis tenham deixado de ser importantes.
Então os faróis ainda são necessários mesmo na era do GPS?
Como destaca o comandante Bambace, se um sistema eletrônico apresentar uma falha, os sinais físicos continuam funcionando como referências independentes. Além disso, nem todos os navegantes utilizam os mesmos recursos tecnológicos.
A tecnologia mudou a navegação, mas não eliminou a necessidade de sinalização. Grandes embarcações atualmente contam com sistemas eletrônicos e satélites para determinar sua posição, e mesmo assim, os faróis e faroletes permanecem como parte de uma estrutura de segurança que funciona de maneira complementar.
É semelhante a ter mais de uma forma de confirmar uma informação. O comandante Bambace destaca que, assim, mesmo com o GPS, um navegante pode utilizar os faróis e faroletes para confirmar que chegou ao ponto indicado pelos sistemas eletrônicos.
Essa redundância é especialmente importante quando se considera a dimensão das vias navegáveis da Amazônia. Em uma região em que os rios funcionam como estradas, os auxílios à navegação ajudam a organizar o deslocamento de embarcações e a reduzir riscos.
E não são apenas os grandes navios que importam. Pescadores, pequenas embarcações, comunidades ribeirinhas, transportadores e outros usuários dos rios também dependem de referências para se orientar.
As cartas náuticas produzidas e mantidas pela Marinha reúnem informações sobre profundidades, perigos à navegação, bancos de areia, pedras submersas, obstáculos, fundeadouros e os próprios auxílios à navegação.
Por isso, uma luz no meio da escuridão amazônica pode representar muito mais do que um ponto luminoso. Ela pode indicar que o navegante está próximo de uma entrada, de um canal, de um perigo ou de uma área que exige determinada manobra.
Quais são os faroletes da Amazônia Ocidental?
De acordo com o comandante Bambace, na área de jurisdição do Centro de Hidrografia e Navegação do Noroeste (CHN-9), existem atualmente cinco faroletes:
- Farolete Porto Equador, localizado no rio Amazonas, na comunidade da Ponta Grossa, nas proximidades do município de Urucurituba, no Amazonas.
- Farolete Moronas, localizado no rio Amazonas, próximo à região do Encontro das Águas, em Manaus.
- Farolete Jacaré, localizado no rio Amazonas, próximo à região do Encontro das Águas, em Manaus (paralelo ao Moronas).
- Farolete Manacapuru, instalado no rio Solimões, no município de Manacapuru.
- Farolete Barro Alto, localizado no rio Solimões, na comunidade do Barro Alto, entre os municípios de Coari e Tefé.
Ou seja, quem está navegando pelos rios da Amazônia Ocidental pode, sim, encontrar estruturas luminosas destinadas a orientar a navegação. Porém, tecnicamente, elas são classificadas como faroletes, e não como faróis.
O que um farolete está dizendo para quem navega?
Imagine uma embarcação navegando durante a noite por um trecho escuro do rio. A margem pode ser pouco visível, a profundidade pode variar, um banco de areia pode mudar de posição e pedras e outros obstáculos podem representar riscos.
De repente, o navegante avista uma luz. O que ela significa? A resposta depende do equipamento.
O comandante Bambace esclarece que as cores, os ritmos e as características luminosas dos sinais transmitem mensagens padronizadas. Eles podem delimitar os limites laterais de um canal, indicar bifurcações, apontar perigos isolados ou mostrar trechos de águas seguras.


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Também podem orientar o navegante sobre manobras. Em determinadas situações, o sinal pode indicar que a embarcação deve permanecer próxima de uma margem, cruzar para o outro lado ou navegar pelo centro do rio.
É por isso que é importante que o navegante consulte as informações oficiais. Não basta decorar a aparência de uma luz, é preciso combinar as informações entre a carta náutica, a Lista de Faróis, a característica luminosa e a posição geográfica que permite identificar o auxílio observado.
Faróis da Amazônia Oriental
Se na Amazônia Ocidental a resposta é “não há faróis, apenas faroletes”, a situação é diferente na Amazônia Oriental.
Na área de jurisdição do Comando do 4º Distrito Naval, o Centro de Hidrografia e Navegação do Norte (CHN-4) conduz, juntamente com outras Organizações Militares Responsáveis por Auxílios à Navegação, a manutenção e a operacionalidade da sinalização náutica.
De acordo com as informações fornecidas pelo CHN-4 ao Portal Amazônia, existem 15 faróis e 33 faroletes sob responsabilidade da Marinha do Brasil na Amazônia Oriental.
Além dos sinais operados diretamente pela Marinha, o CHN-4 também atua na fiscalização técnica de equipamentos mantidos por entidades privadas e órgãos externos à Marinha, como concessionárias portuárias, mineradoras e operadores hidroviários.
A fiscalização busca garantir que os faróis e faroletes sigam padrões de posicionamento, alcance e confiabilidade estabelecidos pelas normas da Autoridade Marítima.
Entre os 15 faróis estão equipamentos instalados em diferentes pontos do Pará, incluindo ilhas, municípios do litoral e áreas próximas a rios e baías.
A lista de faróis inclui:
- Farol Ilha Camaleão, ao norte da Ilha do Marajó;
- Farol Machadinho, na Ilha Machadinho;
- Farol Simão Grande, no Cabo Maguari;
- Farol Ponta da Tijoca, em Curuçá;
- Farol Taipu, na Ponta do Taipu, em São Caetano de Odivelas;
- Farol Ponta Maria Tereza, em Vigia;
- Farol Soure, na foz do rio Paracauari, na Ilha de Marajó;
- Farol Joanes, na Ponta da Guarita, na Vila de Joanes, em Salvaterra;
- Farol Chapéu Virado, na Ilha de Mosqueiro, em Belém;
- Farol Mandií, na Baía do Marapatá;
- Farol Curuçá, localizado no município de Curuçá-PA;
- Farol Algodoal, localizado no município de Algodoal-PA;
- Farol Salinópolis, localizado no município de Salinópolis-PA;
- Farol Caeté, em Bragança, localizado no município de Bragança-PA;
- e Farol Apeú, na vila Fernandes Belo, em Viseu.

A lista de faroletes mais que dobra em comparação a de faróis. São eles:
- Coroa das Gaivotas,
- Arrozal,
- Ilha das Araras,
- Salvaterra,
- Pedra da Manteiga,
- Buiuçu,
- Colares,
- Itaguarí,
- Floresta,
- Coroa Grande,
- Capim,
- Ponta Peregrino,
- Tatuoca,
- Atuá,
- Gutupatuba,
- Forte da Barra,
- Tucumanduba,
- Monte Alegre,
- Bujaru,
- Yacumana,
- Curuá,
- Arari,
- Ponta do Frechal,
- São Tomé nº 2,
- Cotijuba,
- Jararaquinha,
- Sucuruá nº 2,
- Carnapijó,
- Mucuras,
- Ilha do Patacho,
- Pedra do Machadinho,
- Camaleão
- e Cachoeri.
Esses equipamentos estão distribuídos por áreas como os rios Pará, Amazonas e Tapajós, além de baías, ilhas, estreitos e regiões costeiras.
Por que a quantidade de faróis e faroletes muda de um lugar para outro?
A Amazônia não é uma única via navegável. Cada rio apresenta características próprias, como a profundidade, o nível da água entre os períodos de cheia e seca e a correnteza que também interfere na navegação. Além disso, há diferenças no tamanho e no tipo das embarcações que utilizam cada trecho.
Segundo dados do CHN-4, a escolha do tipo, da quantidade e da localização dos sinais considera fatores como as condições hidrográficas e sazonais da via, profundidade mínima, variação da maré, características do tráfego, calado e dimensões das embarcações, folga abaixo da quilha (base que sustenta todo o casco), alcance luminoso e visibilidade.
Também são consideradas análises de risco, viabilidade das estruturas e contribuições técnicas de profissionais da navegação, como a praticagem e os próprios navegantes locais. Isso explica porquê uma região com maior fluxo de embarcações ou com obstáculos específicos pode precisar de uma quantidade maior de sinais.
Dinâmica dos sinalizadores durante a cheia e a vazante
Quem vive na Amazônia conhece bem a transformação provocada pelo ciclo dos rios. Em determinados períodos, áreas ficam alagadas. Em outros, surgem praias, bancos de areia e obstáculos que estavam submersos. Esses são períodos são conhecidos como cheias e vazantes respectivamente.
Para a navegação, essa dinâmica representa um desafio permanente. De acordo com o CHN-4, a cheia e a vazante interferem tanto no dimensionamento quanto na manutenção dos equipamentos.


No caso de estruturas fixas, a altura do foco luminoso precisa considerar os diferentes níveis do rio. O comandante Bambace explica que o regime de cheia e vazante interfere principalmente no acesso aos sinais, e que por esse motivo, as atividades de manutenção são planejadas de acordo com as condições do rio, buscando garantir a segurança das equipes e das embarcações empregadas, bem como assegurar o funcionamento adequado dos sinais náuticos.
A própria equipe responsável pelos faroletes do CHN-9 aponta o regime hídrico dos rios e as dificuldades de acesso como alguns dos principais desafios.
A eles se somam chuvas, temperaturas elevadas, alta umidade, insetos e animais peçonhentos, que também fazem parte da realidade enfrentada pelas equipes de manutenção.
Faróis e faroletes possuem estruturas diferentes das vistas nos filmes
As imagens clássicas dos faróis, principalmente em filmes, costuma envolver uma torre grande, geralmente de alvenaria, instalada em uma ilha ou em uma área costeira isolada.
Na Amazônia, a realidade é diferente.
Adaptadas à realidade local, segundo informações do CHN-4, predominam estruturas funcionais de acordo com o ambiente, como torres e tubos metálicos de aço galvanizado, instalados em áreas de mata, margens de rios e pontas de praia.
De acordo com o CHN-9, na Amazônia Ocidental, os faroletes utilizam lanternas compactas com células fotovoltaicas incorporadas, e o equipamento é dimensionado de acordo com o alcance necessário e com as características da navegação naquele trecho.
Isso significa que não há necessidade de reproduzir aquelas grandes estruturas cinematográficas e que até existem em outras regiões no mundo. O objetivo não é criar uma construção monumental, e sim fazer com que o sinal seja visível, confiável e adequado à realidade daquele trecho navegável.
Outra imagem bastante popular em filmes é a do ‘faroleiro’: uma pessoa que vive isolada dentro de um desses faróis e passa os dias cuidando do equipamento.
A NORMAM-601 prevê a classificação de faróis guarnecidos, que são aqueles que possuem pessoal permanentemente nas instalações para garantir seu funcionamento contínuo. Mas essa não é a realidade dos faroletes da Amazônia Ocidental.
De acordo com o comandante Bambace, os equipamentos não são permanentemente guarnecidos por militares, e a manutenção é realizada por equipes que realizam inspeções e serviços técnicos.
Existe, entretanto, um detalhe que aproxima esses equipamentos das comunidades que vivem às margens dos rios. O Farolete Porto Equador, próximo a Urucurituba, conta há anos com a colaboração voluntária de um morador da comunidade da Ponta Grossa, identificado pela Marinha como ‘senhor Antônio’.

O comandante explica que, na medida do possível, ele mantém o local livre de vegetação que possa prejudicar a visibilidade do sinal até a chegada das equipes responsáveis pela manutenção completa.
“Atitudes como essa demonstram o reconhecimento, por parte das comunidades, da importância dos auxílios à navegação para todos aqueles que utilizam os rios amazônicos e contribuem para a preservação de um patrimônio essencial à segurança da navegação”, destaca o diretor do CHN-9.
O naufrágio que deu o nome a um farolete na Amazônia
Entre os equipamentos da Amazônia Ocidental, um dos que carregam uma história curiosa é o Farolete Moronas, localizado próximo à região do Encontro das Águas, em Manaus.
O nome está relacionado ao vapor peruano Morona. Segundo o comandante, em 1862, a embarcação peruana subiu o rio Amazonas sem autorização brasileira, seguindo em direção a Iquitos.
O episódio levou o então Capitão-Tenente José da Costa Azevedo, que posteriormente seria conhecido como Barão de Ladário, a partir no vapor Inca com a missão de interceptar o Morona. Durante o episódio, o Morona bateu e encalhou nas pedras de Puraquequara.
O local do acidente ficou associado à história da região e, posteriormente, ao nome do farolete que hoje auxilia a sinalização das pedras existentes naquela área.

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O auxílio à navegação mais antigo da Amazônia Ocidental
Se o Farolete Moronas chama atenção pela história de seu nome, outro equipamento se destaca pelo tempo de funcionamento.
O Farolete Jacaré, na região do Encontro das Águas, foi inaugurado em 1924. Segundo a Marinha, é o auxílio à navegação mais antigo em funcionamento na área Ocidental: são mais de cem anos de história ligados à navegação amazônica.
Faróis mais imponentes do Pará
Na Amazônia Oriental, um dos faróis de mais destaque é o Farol de Salinópolis, no Pará.
Localizado no Salgado Paraense, o equipamento possui uma estrutura metálica de grande porte e integra uma cadeia de sinalização responsável por orientar a navegação ao longo da Costa Norte brasileira.
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Segundo o CHN-4, o farol possui 39 metros de altura e é sustentado por oito colunas de aço fixadas em blocos de concreto armado. A estrutura chama atenção pela arquitetura e pela importância histórica para a comunidade local.
O Farol de Salinópolis é tombado em nível estadual pelo Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Pará (DPHAC) desde 1994 e possui processo de tombamento federal aberto no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2018.
Outro exemplo é o Farol de Soure, localizado na Ilha do Marajó, no município de Soure, próximo à foz do rio Paracauari. A estrutura é um dos marcos mais conhecidos da paisagem local.

Com sua pintura em vermelho e branco, o farol cumpre uma função ligada à segurança da navegação na região da Baía de Marajó e, ao mesmo tempo, tornou-se um ponto de observação e contemplação para moradores e visitantes.
Faróis dentro da Floresta Amazônica
Essa talvez seja uma das diferenças mais interessantes entre os faróis dos filmes e a realidade amazônica.
Na Amazônia Oriental, existem estruturas instaladas em áreas cercadas por floresta, rios, ilhas e trechos de difícil acesso. O CHN-4 destaca, entre os exemplos, os faroletes Jararaquinha e Ilha das Araras e o Farol Ponta Maria Tereza.
São equipamentos que mostram que a sinalização náutica precisa se adaptar ao ambiente onde será utilizada.
No litoral, a estrutura pode estar em um costão rochoso, já em um rio amazônico, pode estar no meio de uma paisagem dominada por floresta e água. A função, porém, permanece a mesma: fornecer uma referência confiável para o navegante.
Por que os faróis e faroletes são tão importantes na Amazônia?
Na Amazônia, a importância da sinalização náutica vai além do transporte de passageiros.
Os rios funcionam como grandes corredores de circulação. Por eles passam embarcações que transportam pessoas, alimentos, combustíveis, mercadorias e outros produtos essenciais para municípios e comunidades.
Em muitos lugares, o rio é a via principal e, em determinados períodos, praticamente a única ligação entre comunidades. Um acidente de navegação pode, portanto, provocar consequências que ultrapassam a própria embarcação.
Pode interromper o transporte, comprometer o abastecimento e colocar vidas em risco. É por isso que os auxílios à navegação fazem parte de uma estrutura maior de segurança.
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Na Amazônia Ocidental, o CHN-9 ressalta que os faroletes auxiliam desde pequenos navegantes e comunidades ribeirinhas até grandes embarcações responsáveis pelo transporte de pessoas, cargas, gêneros e combustíveis.


Mesmo em uma época em que satélites e sistemas eletrônicos conseguem indicar a posição de uma embarcação com enorme precisão, os sinais físicos continuam sendo uma camada adicional de segurança. Na Amazônia, onde rios extensos atravessam uma das maiores áreas florestais do planeta, essa função ganha uma dimensão ainda maior.
Na escuridão da noite, quando o horizonte desaparece e a floresta se transforma em uma massa escura às margens do rio, uma pequena luz pode ser suficiente para transmitir uma mensagem. Pode dizer: “aqui está um canal”, ou “aqui há um perigo”, ou “aqui começa uma mudança de rumo”, ou “aqui está a entrada”, ou simplesmente “você está no lugar certo”.
É por isso que, apesar de toda a tecnologia, os faróis, faroletes e demais auxílios à navegação continuam fazendo parte da paisagem amazônica, alguns visíveis a quilômetros de distância, outros discretos em meio à floresta, mas todos cumprindo uma função essencial para quem transforma os rios em caminho.
