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Sábado, 21 Mai 2022

Cobra com até 20 centímetros é uma das menores encontradas na Amazônia

Muitas pessoas temem as cobras por conta do tamanho, como no caso da sucuri. Mas não são só cobras gigantes que vivem na Amazônia. Uma das menores cobras da região é popularmente conhecida como cobra-cega (Epictia tenella).

"Ela pode medir entre quinze e vinte centímetros quando adulta", conta o biólogo do Projeto Suaçuboia e aluno de doutorado em Ecologia no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Igor Yuri Fernandes. "As que já encontrei aqui na Amazônia mediam entre dez e doze centímetros, adultas", relata Igor.

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De acordo com o pesquisador, ela vive escondida embaixo da terra e, por ter limitações em função do tamanho, sua alimentação é composta basicamente por formigas e cupins.

"E ela é inofensiva, não possui veneno. Nem se ela quisesse, estivesse muito brava, conseguiria morder alguém, de tão pequena que ela é", 

afirma.
Epictia tenella. Foto: Igor Yuri Fernandes

Hábitos

Essa espécie pode aparecer com mais frequência no período chuvoso, quando o solo encharca e os túneis onde elas vivem costumam ficar alagados. "Ela é encontrada normalmente em áreas florestais, mas como elas são animais fossoriais [que se deslocam e vivem embaixo da terra], elas podem estar em uma infinidade de lugares e podem ocorrer em toda Manaus, por exemplo", comenta o biólogo.

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Outra curiosidade sobre essa cobra é como ela faz para escapar quando se sente em perigo. "A estratégia de defesa dessa cobrinha é que, como ela não tem mordida para ajudar, a pontinha da cauda dela é amarela e ela tem uma escama chamada espinho caudal, que ela espeta no predador, para trazer a sensação que ela está mordendo, mas na verdade é só a cauda dela espetando para assustar", explica Igor Fernandes.
Foto: Igor Yuri Fernandes

Descrição

De acordo com o 'Guia de Cobras da região de Manaus - Amazônia Central', dos pesquisadores Rafael de Fraga, Albertina Pimentel, Ana Lúcia Prudente e William Magnusson, publicado pelo Inpa, na região de Manaus apenas a Epictia tenella (Klauber,1939) é conhecida dessas cobras que fazem parte da família Leptotyphlopidae.

"A família Leptotyphlopidae atualmente é representada por 12 gêneros, dos quais três ocorrem no Brasil, e aproximadamente 115 espécies, das quais 18 ocorrem no Brasil. Estão distribuídas do sudeste dos Estados Unidos até a Argentina, exceto nos Andes. No Velho Mundo são conhecidas para o Oriente Médio e norte da África. Esta família está inserida na infraordem Scolecophidia, um agrupamento formado por cobras que não conseguem deslocar os ossos da estrutura mandibular e por isso se alimentam apenas de presas pequenas, como cupins e formigas", descrevem no guia.

Foto: Igor Yuri Fernandes
E são justamente as espécies dessa família as que são consideradas as menores cobras do mundo, pois, em geral, medem menos de 30 centímetros.

O guia também descreve que a "extremidade da cauda possui uma escama enrolada e pontiaguda, que é frequentemente utilizada em um comportamento defensivo no qual as pequenas cobras simulam um ferrão" e, por isso, passou a existir a lenda de que elas "picam" com a cauda. 

Espécies semelhantes

A Typhlophis squamosus e a Typhlops reticulatus são parecidas com a Epictia tenella, mas não possuem manchas amarelas na cabeça e na cauda. "Elas fazem parte da família Typhlopidae (infraordem Scolecophidia), representada por 11 gêneros e 264 espécies, distribuídas nas regiões tropicais das Américas e da África, Madagascar, Ásia, Oriente Médio e Austrália, incluindo ilhas oceânicas como as Filipinas", segundo o livro.

Apenas um gênero, Typhlops, é conhecido para o Brasil, representado por seis espécies. A Typhlops reticulatus (Wagler, 1824) pode chegar até pouco mais de 50 centímetros. Ela possui algumas diferenças se comparada com a Typhlophis squamosus (Schlegel, 1839), pois possui placas grandes sobre a cabeça, maiores que as escamas do corpo e a Typhlophis squamosus chega somente até 26 centímetros.

E há também a família Anomalepididae (Scolecophidia), "representada por quatro gêneros e 18 espécies, distribuídos pela América do Sul e Central. No Brasil, estão presentes dois gêneros e sete espécies. São semelhantes aos membros das famílias Leptoyphlopidae e Typhlopidae, mas diferem por possuírem um único dente no osso dentário e cabeça coberta por escamas pequenas, não diferenciadas das escamas do resto do corpo". Ela pode chegar, no máximo, em torno de 30 centímetros.

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