O que torna o boto cor-de-rosa especial e quais outros nomes ele possui na Amazônia?

Conheça curiosidades sobre este mamífero aquático que chama a atenção por sua coloração única e que se encontra em situação vulnerável.

Foto: Divulgação/Agência Andina-Editora Perú

Os golfinhos são mamíferos aquáticos pertencentes à família dos cetáceos, conhecidos por sua alta inteligência, seus corpos adaptados para natação rápida e seu comportamento social muito ativo. Entre as variedades dessa espécie, destaca-se o boto cor-de-rosa (ou boto-vermelho), cujas características únicas nos convidam a aprender mais sobre ele.

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O dia 12 de setembro é marcado como Dia Mundial do Golfinho, em alusão à importância da preservação da espécie. Confira alguns fatos importantes sobre o boto cor-de-rosa, o que o torna tão especial e por quais outros nomes ele é conhecido na Amazônia:

Descrição do boto amazônico

O boto cor-de-rosa (Inia geoffrensis) é uma espécie de golfinho que, ao contrário dos que vivem no mar, habita exclusivamente rios, lagos e lagoas de água doce nas bacias dos rios Amazonas (Peru, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana) e Orinoco (Venezuela).

O que torna o boto cor-de-rosa especial e quais outros nomes ele possui na Amazônia?
Foto: ANDINA / Editora Perú

É a maior espécie de golfinho de rio e lago. Seu corpo tem formato de torpedo, mede cerca de 2,5 metros de comprimento, pesa em média 160 quilos e pode viver até 30 anos.

Assim como todos os golfinhos, essa espécie também não possui nariz. Ela usa um orifício no topo da cabeça, chamado espiráculo, para respirar quando vem à superfície.

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Essa variedade de golfinho possui uma anatomia flexível, já que tem vértebras cervicais não fundidas que lhe permitem girar a cabeça 90 graus, ideal para nadar, transpor troncos, rochas e outros obstáculos, além de procurar alimento entre as árvores das florestas alagadas.

Sua dieta é diversificada, especialmente durante a estação chuvosa, e é composta por mais de 53 espécies, incluindo piranhas. Além disso, é geralmente uma espécie solitária, embora as mães possam ser encontradas com seus filhotes e em grupos de até quatro indivíduos. 

A fêmea dá à luz um único filhote após 11 a 12 meses de gestação, e esse filhote permanece com a mãe até completar dois anos de idade. 

Por que ele é rosa?

A coloração rosada dos botos amazônicos pode ser influenciada pela localização dos capilares sanguíneos sob a pele, pela dieta e pela exposição à luz solar. Embora sejam comumente chamados de botos cor-de-rosa, os adultos podem ser rosados ​​ou cinzas, e os filhotes são sempre cinzas. Golfinhos com uma tonalidade rosa mais vibrante atraem mais a atenção das fêmeas, facilitando o acasalamento e a reprodução.

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Foto: Divulgação/Agência Andina-Editora Perú

Nomes do boto cor-de-rosa pela Amazônia

Presente em países amazônicos que abrigam os rios em que esses animais vivem, a espécie ganha outros nomes. Por isso, também é chamado apenas de boto, de golfinho, de bufeo colorado e até tonina, pelas comunidades nativas das bacias do Amazonas e do Orinoco.

Espécies consideradas mitológicas

O boto cor-de-rosa é protagonista de inúmeras lendas entre os povos amazônicos da América do Sul. Uma dessas lendas afirma que eles se transformam em belos homens conhecidos como bufeo – daí o bufeo colorado – ou boto encantado, para seduzir e engravidar mulheres à noite.

Outra história contada no Peru diz que, se uma pessoa nadar sozinha, eles podem levá-la a uma cidade subaquática mágica, o que gerou um medo local de se aproximar da água entre o amanhecer e o anoitecer, ou de entrar em rios, lagos e lagoas sozinho. 

Foto: Divulgação/Agência Andina-Editora Perú

Algumas pessoas também acreditam que os botos são os guardiões dos peixes-boi da Amazônia, então quem deseja ver um peixe-boi precisa primeiro fazer as pazes com o boto cor-de-rosa. Machucá-los é considerado azar e comê-los é ainda pior.

Na Amazônia peruana, o status do boto cor-de-rosa como um ser quase mágico pode ter contribuído para sua proteção, incentivando as comunidades locais a tratá-lo bem e preservar sua população.

Espécies vulneráveis

O boto cor-de-rosa está listado como espécie ameaçada de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). A maior ameaça a essa espécie é a poluição de rios, lagos e lagoas causada por diversas atividades nocivas, como derramamentos de petróleo, mineração e extração ilegal de madeira, e o despejo de poluentes hídricos como mercúrio, arsênio, cádmio e outros metais pesados.

*Com informações da Agência Andina

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