Foto: Divulgação/Agência Andina
As árvores são bandeiras do reino vegetal e fundamentais para o equilíbrio ambiental do nosso planeta. Eles são peças-chave contra as mudanças climáticas, o efeito estufa e a poluição, em que cada espécie oferece benefícios como purificação de água e ar, absorvendo gases poluentes.
Elas também retêm água da chuva e filtram aquíferos, regulam o clima, protegem as pessoas dos raios do sol, da chuva e do vento, além de serem ecossistemas ou refúgios vivos que abrigam diversas espécies. Da mesma forma, as árvores têm um valor econômico importante para a humanidade, pois nos fornecem alimento e espécies com propriedades terapêuticas.
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Nesse sentido, a gestão sustentável dessas empresas permite a implementação de empreendimentos ecológicos para melhorar a economia das comunidades locais. O Peru, por exemplo, é um país com uma diversidade de árvores e é considerado um das nações que mais contribui na composição da floresta que se estende por toda a Amazônia. Não é a toa que ocupa o segundo lugar em florestas amazônicas, quarto em florestas tropicais e o nono com a maior área florestal do planeta, com mais de 60% de seu território composto por elas.
A extensão total desses territórios é de 82.543.385 hectares, segundo informações do Serviço Nacional de Florestas e Vida Selvagem (Serfor), distribuídas em florestas amazônicas (94,2%), costeiras (4,7%) e andinas (1,1%).
Como o país celebra o Dia da Árvore no dia 1º de setembro, conheça algumas espécies de árvores que são consideradas importantes para a região peruana:

Cinchona
É uma espécie florestal presente em nosso Brasão Nacional como emblema do reino vegetal. A Cinchona pertence ao gênero Cinchona, da família Rubiaceae, e é principalmente conhecida como uma “planta medicinal” devido à sua importância histórica em escala global na cura de doenças como malária ou malária.
No século passado, a árvore da quina salvou a vida de milhões de pacientes com malária no mundo, graças ao uso de sua casca que contém um alcaloide chamado quinino. O poder curativo dessa espécie para reduzir febre e dor era conhecido e utilizado pelos antigos peruanos.

Molle (aroeira-salsa)
Espécie nativa que atinge de 8 a 10 metros de altura e cresce na costa a partir do nível do mar, e nos Andes até 3.500 metros de altitude. Seus frutos são usados desde a época pré-hispânica para fazer chicha, enquanto as sementes são usadas como condimento semelhante à pimenta.
Graças à folhagem da copa e à folhagem pendente, essa espécie também é usada para fornecer sombra e proteção contra o vento. Na província do Mariscal Nieto, na região de Moquegua, em 2015, foi localizado um molle centenário que foi reconhecido como árvore do patrimônio.
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Alfarroba

É uma espécie emblemática da costa norte do Peru, onde cresce de forma selvagem e em condições de escassez de água, em desertos onde outras plantas não prosperam. É caracterizado por sua altura variando de 8 a 20 metros, tronco grosso, galhos torcidos, coroa folhosa, folhas pequenas e pode se desenvolver até 1.500 metros acima do nível do mar.
Seus frutos são bainas com polpa doce e carnuda, que medem de 10 a 30 centímetros de comprimento, com os quais se produz um mel conhecido como alfãba, um adoçante natural com propriedades nutricionais.
Alder

Essa árvore nativa, conhecida como Ramrash na língua quéchua, cresce próxima aos rios dos Andes peruanos, entre 2.500 e 3.800 metros acima do nível do mar. Ele pode atingir até 30 metros de altura e seu tronco pode ter até um metro de espessura.
Sua presença é essencial como protetor das bacias hidrográficas, para prevenir a erosão e capturar dióxido de carbono. Suas folhas são usadas para obter ração para o gado e fertilizantes naturais para enriquecer o solo. Em seu dossel folhado, recebe uma grande variedade de aves selvagens.
Huarango

É uma árvore nativa do norte do Peru e pertence à família das leguminosas. Pode atingir em média 10 metros de altura. Graças às suas raízes grandes, sobrevive em áreas de grande seca. Possui flores verde-amareladas e longas leguminosas cheias de pequenas sementes marrons que são alimento de muitas aves.
Conhecida no Peru como “Cedro d’água” ou “Cedro de Huasca”, essa árvore representativa da floresta tropical cresce principalmente nas regiões amazônicas de Loreto, Ucayali, San Martín, Huánuco, Madre de Dios e Junín (província de Satipo) e pertence à família Meliáceae. Eles atingem até 40 metros de altura e um diâmetro médio de 2 metros. Elas têm uma copa larga e folhagem esparsa. Possui raízes extensas e superficiais.
Mogno

É uma das árvores mais emblemáticas da Amazônia peruana e altamente valorizada pela excelente qualidade de sua madeira. Cresce na floresta tropical úmida e sua altura ultrapassa 30 metros. Tende a formar agrupamentos e está localizada nos departamentos de Amazonas, Cusco, Huánuco, Junín, Loreto, Madre de Dios, Puno, San Martín e Ucayali.
O mogno está incluído no Apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES), da qual o Peru é membro desde 1975. Por isso, a extração de mogno requer uma licença chamada Opinião de Extração Não Prejudicial, para não ameaçar a sobrevivência da espécie ou do ecossistema onde ela vive.
Aguaje (buriti)

É uma das palmeiras mais importantes da Amazônia peruana, pois tem múltiplos usos como alimento, indústria, construção civil e artesanato. Sua fruta é considerada um superalimento devido ao seu grande valor nutricional.
Cresce em áreas pantanosas permanentemente inundadas, cobrindo mais de 6 milhões de hectares, com uma densidade que ultrapassa 250 palmeiras por hectare. O aguaje é tão importante para os habitantes amazônicos que tem uma conotação cultural completa. Os povos indígenas do grupo étnico Yagua a chamam de mãe da floresta e da árvore da vida, sendo um símbolo de imortalidade.
Shihuahuaco

O shihuahuaco (Dipteryx spp.) é uma árvore emblemática da Amazônia peruana. As árvores desse gênero crescem lentamente, atingindo 40 metros de altura e possuem um longo ciclo de vida. Elas estão emergindo na floresta e cumprem um importante papel ecológico; e fazem parte do habitat de várias espécies de flora e fauna selvagem.
De acordo com os estudos disponíveis, existem três espécies do gênero Dipteryx no Peru, que são Dipteryx micrantha, D. ferrea e D. charapilla, conhecidas como shihuahuaco e charapilla. No Peru, sua presença é registrada em florestas de produção permanente, terras de comunidades nativas, bem como em áreas sob diferentes modalidades de acesso à floresta. Da mesma forma, sua presença em áreas naturais protegidas é registrada.
Em novembro de 2022, foi aprovada a inclusão do shihuahuaco no Apêndice II da Convenção Internacional sobre Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES). A inclusão das espécies de shihuahuaco no Apêndice II da CITES contribui para fortalecer as regulamentações para garantir o comércio internacional que não afete sua sobrevivência, sob dois pilares fundamentais: sustentabilidade e legalidade.
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Importância do plantio e conservação das árvores
A importância do plantio, reflorestamento e conservação de árvores no território peruano e no planeta responde às seguintes razões: elas são essenciais para proteger as bacias hidrográficas e o solo, prevenindo sua erosão e desconforto. Eles também fornecem sombra, pois refrescam o ar e o umedecem.
Essas plantas fixam o dióxido de carbono (CO2) atmosférico e o transformam em oxigênio, sendo fundamentais para mitigar o efeito estufa e as mudanças climáticas. Além disso, retêm partículas de poeira que se acumulam no ar. Da mesma forma, as árvores funcionam como amortecedores de ruído, reduzindo a poluição sonora nas cidades.
Árvores históricas
Uma árvore histórica é um exemplar considerado excepcional por razões como sua longevidade, seu grande tamanho, sua beleza, originalidade de suas formas, sua ligação com uma paisagem ou sua importância cultural. Os critérios para reconhecer uma árvore patrimonial:
Monumentais: são árvores grandes que se destacam pelo tamanho, altura, largura da copa e largura do tronco. Eles se destacam entre os outros e são fáceis de reconhecer em seu ambiente.
Longevidade: são árvores que são biológica, ecológica, histórica e/ou culturalmente importantes devido à sua idade. Eles estão em estágios avançados de vida e podem ser centenários ou millennials.
Simbólico: são árvores representativas da tradição e história de uma localidade ou comunidade e são geradoras de identidade cultural.
Vulneráveis: são árvores encontradas em habitats limitados ou escassos. Eles possuem alto valor ecológico e destacam espécies endêmicas e nativas, portanto sua conservação é necessária.
Até o momento, o Peru possui 228 exemplares de nossa biodiversidade reconhecidos como Árvores do Patrimônio em várias regiões, graças à iniciativa promovida pelo Ministério do Meio Ambiente (Minam) em escala nacional.
Desse total, 36 são espécies endêmicas e/ou nativas do Peru, como o huarango (Prosopis limensis), reconhecido pelo Município Distrital de Changuillo, na região de Nasca, Ica; o cedro (Cedrela angustifolia), reconhecido pelo Município Provincial de Víctor Fajardo, em Ayacucho; e a Lupuna (Ceiba pentandra), reconhecida pelo Município Provincial de Tahuamanu de Madre de Dios, entre outras e em diferentes jurisdições.
Em março de 2026, o Município Provincial de Huaraz declarou dois exemplares de sobreira ou sobreiro (Quercus suber) como árvores patrimoniais, na província de Huaraz, região de Ancash.
As duas árvores estão localizadas no campus da Direção Regional de Agricultura de Ancash, uma mede aproximadamente 12 metros e a segunda tem 14 metros de altura, destacando-se por ter uma copa larga e ter 49 anos. Além disso, segundo as investigações realizadas, esses seriam os únicos desse tipo na região.
Visualizador de Árvores do Patrimônio
Em abril de 2022, o Ministério do Meio Ambiente (Minam) implementou o Visualizador de Reconhecimento de Árvores Patrimoniais (VRAP), disponível para todos os cidadãos na plataforma do Sistema Nacional de Informação Ambiental (Sinia). Neste espaço virtual, você pode consultar informações sobre os 228 espécimes, em todo o país, que até o momento receberam esse reconhecimento oficial. Para acessar o VRAP, clique aqui.
No VRAP você pode encontrar dados sobre os resultados da iniciativa nacional; assim como a localização, espécie e família botânica; endemismo, portaria municipal e data de reconhecimento dos exemplares distinguidos como árvores patrimoniais.
Isso fortalece o conhecimento sobre o patrimônio florestal das cidades e seus arredores, bem como a promoção da conservação, gestão e valorização de árvores e florestas urbanas e periurbanas, além de valorizar a diversidade florística como um indicador da saúde ambiental em nossas cidades.
*Com informações da Agência Andina/Editora Perú
