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Sábado, 02 Julho 2022

Conheça o tucano: famosa ave que chama a atenção devido sua principal característica, seu enorme e colorido bico

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Os tucanos são uma exclusividade das florestas da América do Sul e um dos símbolos mais marcantes das aves do Brasil. São animais muito sociais, andando em grupos na maior parte do tempo, e se alimentam principalmente de frutos, mas podem oportunamente se alimentar de insetos, lagartos e rãs e até mesmo filhotes de outras aves. 

Com relação ao comportamento reprodutivo, os tucanos são aves monogâmicas (coisa rara hoje em dia!) e com cuidado biparental, ou seja, tanto o macho quanto a fêmea são responsáveis igualmente pela criação dos filhotes.

O tucano-de-peito-branco (Ramphastos toco) é o maior dos tucanos, vivendo em todo o Brasil central e partes da Amazônia. Foto: Paul Donahue/Reprodução

São uma daquelas aves que todo que já viu um dia, consegue logo reconhecer. Isso porque é difícil passar despercebido quando se tem uma característica tão chamativa. De fato, um bico que pode chegar até 22 centímetros de comprimento, quase metade do tamanho de algumas espécies (como é o caso do tucano-toco ou tucano-de-peito-branco - Ramphastos toco), é uma característica e tanto!

O bico nessas aves já foi relacionado a diferentes funções, como ornamento sexual para acasalamento, como sinal de defesa territorial e adaptação para alimentação. Hoje, sabe-se também que o bico está relacionado com a regulação da temperatura destes animais. Apesar de seu tamanho, o bico do tucano é muito leve, devido à sua estrutura interna ser bastante porosa, ou seja, cheia de pequenos orifícios. Por entre esses orifícios existe uma rede complexa de vasos sanguíneos que aumenta ou diminui o fluxo de sangue para cada região do bico de forma independente, de acordo com a necessidade do animal.

É essa variação no fluxo de sangue, que também aumenta ou diminui a temperatura do animal. Esse controle da temperatura é importante para os momentos em que o metabolismo desses animais está muito elevado, como é o caso durante o voo.

Tucano e sua peculiar forma de dormir, escondendo o bico para evitar a perda de calor. Foto: Paolo De Marchi/Reprodução

Assim como pode ser uma característica vantajosa, ter uma superfície tão grande para regular a temperatura também pode ser ruim. Isso porque os tucanos podem também perder calor pelo bico quando a temperatura do ambiente diminui. Para evitar essa perda de calor, durante a noite, por exemplo, os tucanos desenvolveram uma forma de dormir realmente peculiar entre as aves. Tudo começa por uma modificação de várias vértebras da cauda, que permite que os tucanos possam virar a cauda para a frente até tocar a cabeça.

Além disso, os tucanos possuem pés zigodáctilos (zigo o quê?), o que quer dizer que dois dedos são direcionados para frente e dois para trás, típicos de animais que trepam em árvores. Agora, como poder encostar a cauda na cabeça e ter pés que permitem se manter trepados nas árvores ajudam os tucanos a não perderem calor pelo bico? 

Muito simples, com essas modificações os tucanos podem dormir praticamente de barriga para cima, numa posição enrolada, quase como uma bola estranha feita de penas e bico, sem cair do galho da árvore e ainda esconderem o bico entre as penas das asas e da cauda, de forma a cobrir o bico e mantê-lo quentinho! Não é mesmo um animal incrível?

Os tucanos se alimentam principalmente de frutos, mas também pode come flores, insetos, lagartos e rãs e até mesmo filhotes de outras aves. Foto: Bernard Dupont/Reprodução

Estima-se que existam 22 espécies de tucanos (família Ramphastidae) e a principal ameaça a existência desses animais é a perda do seu habitat, devido principalmente ao desmatamento e fragmentação das florestas onde habitam, incluindo a Amazônia.

É isso, pessoal! Espero que tenham gostado de conhecer um pouco mais sobre os tucanos. Abraços de sucuri para vocês e até ao próximo texto com informações sobre a nossa exuberante fauna da amazônica! 

Sobre a autora 

Luciana Frazão é pesquisadora na Universidade de Coimbra (Portugal), onde atua em estudos relacionados as Reservas da Biosfera da UNESCO, doutora em Biodiversidade e Conservação (Universidade Federal do Amazonas) e mestre em zoologia (Universidade Federal do Pará).

*O conteúdo é de responsabilidade da colunista

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