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Nova espécie de rã da Amazônia tem voz de passarinho

A descoberta, publicada no periódico American Museum Novitates, inclui uma descrição detalhada da anatomia e canto do animal

Portal Amazônia, com informações do Museu Paraense Emílio Goeldi


Muitos animais são prontamente reconhecidos pelos sons que emitem, mas os cientistas também podem se confundir de vez em quando. Pesquisadores anunciaram recentemente a descoberta de uma nova espécie de rã que possui o canto mais parecido com o de um grupo de aves (popularmente chamadas de “marias”, do gênero Hemitriccus) do que com outras espécies de sapos relacionadas a ela.

A descoberta, publicada no periódico American Museum Novitates, inclui uma descrição detalhada da anatomia e canto do animal, além de uma análise genética que ajudou os pesquisadores a identificar a que grupo de sapinhos a nova espécie pertence. Thiago de Carvalho, pesquisador da Universidade Estadual Paulista e líder do estudo, explica: “Para descrever a espécie adequadamente, tivemos que comparar seu canto, morfologia e genética com diversas espécies semelhantes da América do Sul”.


O sapinho pertence ao gênero Adenomera, que inclui diversas outras espécies distribuídas em quase toda a América do Sul. A diversidade do grupo ainda é subestimada e muitas espécies têm sido reveladas a partir de estudos genéticos e bioacústicos (área da biologia que estuda os sons emitidos pelos animais).


Carvalho destaca que o canto da nova espécie é único quando comparado ao das outras espécies do grupo: “A maioria das espécies do gênero Adenomera possui cantos bem curtos, sem a formação de pulsos completos, ou seja, com intervalos silenciosos entre os pulsos. A Adenomera phonotriccus surpreende por possuir esse canto mais longo, no qual é fácil diferenciar os pulsos”, acrescenta.


   
Foto: Pedro Veloso/Divulgação
 
  Descrição da espécie

Pedro Peloso, pesquisador colaborador do Museu Paraense Emílio Goeldi e professor de Zoologia da Universidade Federal do Pará, conta que a espécie foi descoberta em 2010 durante um estudo da diversidade na região. “Foi uma enorme surpresa quando confirmei que o canto que ouvia dentro da mata vinha deste pequeno sapinho. Imediatamente soube que se tratava de uma espécie não documentada para a região”, afirma Peloso. A vocalização da espécie é semelhante ao de uma outra do gênero Adenomera, ainda sem nome, existente no Peru.


O pesquisador explica que para descrever a espécie foi preciso retornar ao local onde ela tinha sido inicialmente descoberta, no município de Palestina do Pará, no sudeste do estado. “Em 2010, o nosso estudo não era direcionado a essa espécie, estávamos tentando estudar toda a fauna de uma só vez. Quando voltamos ao mesmo local no início de 2018, pudemos focar na coleta de novos dados sobre o canto e ecologia da espécie”, explica.  

O nome da espécie é uma alusão ao seu canto. Os pesquisadores explicam que o nome ‘phonotriccus’ quer dizer aquele que tem “voz” de “triccus”, onde triccus geralmente identifica um grupo de passarinhos que inclui diversas espécies de papa-moscas e maria-sebinha. Um dos biólogos do Museu Goeldi especialista em aves, Pablo Cerqueira também acompanhou a expedição realizada em 2018. “Quando ouvi o som do sapinho que eles buscavam, imediatamente me lembrei de uma voz da maria-sebinha-do-acre [Hemitriccus cohnhafti]”, relata o ornitólogo.


Ouça o canto da nova espécie de rã da Amazônia (Adenomera phonotriccus):




Desmatamento



A rãzinha Adenomera phonotriccus foi descoberta em 2010 num fragmento florestal próximo ao rio Araguaia, na região do município de Palestina do Pará, divisa dos estados do Pará e Tocantins. A segunda expedição, realizada em 2018 no mesmo local, revelou que a região é fortemente afetada pelo desmatamento.

O biólogo Pedro Peloso esteve presente nas duas expedições e alerta que essa é uma espécie florestal e a destruição do ambiente pode ameaçar a sua existência.
  

“Boa parte da floresta em que caminhávamos foi derrubada”, lamenta Pedro. “O ponto onde a espécie foi originalmente descoberta, que ficava dentro da floresta, hoje está na borda da mata e já não foi tão fácil encontrar o animal”, acrescenta. A situação da região é preocupante, os fragmentos restantes de floresta são muito pequenos e desconectados em sua maioria.
Meio Ambiente

Nova espécie de rã da Amazônia tem voz de passarinho

A descoberta, publicada no periódico American Museum Novitates, inclui uma descrição detalhada da anatomia e canto do animal

Portal Amazônia, com informações do Museu Paraense Emílio Goeldi


Muitos animais são prontamente reconhecidos pelos sons que emitem, mas os cientistas também podem se confundir de vez em quando. Pesquisadores anunciaram recentemente a descoberta de uma nova espécie de rã que possui o canto mais parecido com o de um grupo de aves (popularmente chamadas de “marias”, do gênero Hemitriccus) do que com outras espécies de sapos relacionadas a ela.

A descoberta, publicada no periódico American Museum Novitates, inclui uma descrição detalhada da anatomia e canto do animal, além de uma análise genética que ajudou os pesquisadores a identificar a que grupo de sapinhos a nova espécie pertence. Thiago de Carvalho, pesquisador da Universidade Estadual Paulista e líder do estudo, explica: “Para descrever a espécie adequadamente, tivemos que comparar seu canto, morfologia e genética com diversas espécies semelhantes da América do Sul”.


O sapinho pertence ao gênero Adenomera, que inclui diversas outras espécies distribuídas em quase toda a América do Sul. A diversidade do grupo ainda é subestimada e muitas espécies têm sido reveladas a partir de estudos genéticos e bioacústicos (área da biologia que estuda os sons emitidos pelos animais).


Carvalho destaca que o canto da nova espécie é único quando comparado ao das outras espécies do grupo: “A maioria das espécies do gênero Adenomera possui cantos bem curtos, sem a formação de pulsos completos, ou seja, com intervalos silenciosos entre os pulsos. A Adenomera phonotriccus surpreende por possuir esse canto mais longo, no qual é fácil diferenciar os pulsos”, acrescenta.


   
Foto: Pedro Veloso/Divulgação
 
  Descrição da espécie

Pedro Peloso, pesquisador colaborador do Museu Paraense Emílio Goeldi e professor de Zoologia da Universidade Federal do Pará, conta que a espécie foi descoberta em 2010 durante um estudo da diversidade na região. “Foi uma enorme surpresa quando confirmei que o canto que ouvia dentro da mata vinha deste pequeno sapinho. Imediatamente soube que se tratava de uma espécie não documentada para a região”, afirma Peloso. A vocalização da espécie é semelhante ao de uma outra do gênero Adenomera, ainda sem nome, existente no Peru.


O pesquisador explica que para descrever a espécie foi preciso retornar ao local onde ela tinha sido inicialmente descoberta, no município de Palestina do Pará, no sudeste do estado. “Em 2010, o nosso estudo não era direcionado a essa espécie, estávamos tentando estudar toda a fauna de uma só vez. Quando voltamos ao mesmo local no início de 2018, pudemos focar na coleta de novos dados sobre o canto e ecologia da espécie”, explica.  

O nome da espécie é uma alusão ao seu canto. Os pesquisadores explicam que o nome ‘phonotriccus’ quer dizer aquele que tem “voz” de “triccus”, onde triccus geralmente identifica um grupo de passarinhos que inclui diversas espécies de papa-moscas e maria-sebinha. Um dos biólogos do Museu Goeldi especialista em aves, Pablo Cerqueira também acompanhou a expedição realizada em 2018. “Quando ouvi o som do sapinho que eles buscavam, imediatamente me lembrei de uma voz da maria-sebinha-do-acre [Hemitriccus cohnhafti]”, relata o ornitólogo.


Ouça o canto da nova espécie de rã da Amazônia (Adenomera phonotriccus):




Desmatamento



A rãzinha Adenomera phonotriccus foi descoberta em 2010 num fragmento florestal próximo ao rio Araguaia, na região do município de Palestina do Pará, divisa dos estados do Pará e Tocantins. A segunda expedição, realizada em 2018 no mesmo local, revelou que a região é fortemente afetada pelo desmatamento.

O biólogo Pedro Peloso esteve presente nas duas expedições e alerta que essa é uma espécie florestal e a destruição do ambiente pode ameaçar a sua existência.
  

“Boa parte da floresta em que caminhávamos foi derrubada”, lamenta Pedro. “O ponto onde a espécie foi originalmente descoberta, que ficava dentro da floresta, hoje está na borda da mata e já não foi tão fácil encontrar o animal”, acrescenta. A situação da região é preocupante, os fragmentos restantes de floresta são muito pequenos e desconectados em sua maioria.

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