Foto: Reprodução/Imaflora
No município de São Félix do Xingu, no sudeste do Pará, uma família de agricultores transformou um sonho em realidade: converter uma antiga área degradada em uma propriedade com capacidade para produzir até 12 mil mudas de árvores florestais e frutíferas. Denominada Sítio Fé na Vida, a propriedade funcionava como uma fazenda de gado marcada pelo desgaste do solo, até que a implementação de um Sistema Agroflorestal (SAF) começou a redesenhar a paisagem local.
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A história de sucesso do Sítio Fé na Vida nasceu da determinação do casal Diandson Santiago e Daiane Feitosa. Há cinco anos, eles decidiram mudar os rumos da propriedade de cinco hectares, recebida como doação do pai de Diandson, para apostar na agricultura de baixo impacto ambiental.
“A gente buscou trabalhar o SAF integrado com cacau, açaí, banana e cajá. Com isso, conseguimos iniciar também a recuperação das nascentes”, conta Daiane, com um sorriso de satisfação.
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Localizado na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável com mais de 1,6 milhão de hectares, o Sítio Fé na Vida produz hoje mudas de cacau, cupuaçu, açaí, ipê-roxo, jatobá, cumaru, castanha-do-brasil, além de outras essências, além de diversas outras essências florestais.
A trajetória, no entanto, exigiu resiliência. “Quando começamos, não tínhamos estrutura nenhuma. Produzíamos nossas mudas e os vizinhos vinham procurar, mas não tínhamos volume para vender. Começamos com uma estrutura pequena coberta de palha e era um grande sacrifício para regar”, recorda Dianderson, orgulhoso do caminho percorrido ao lado da esposa.
Assistência técnica e restauração ambiental no Pará

A virada de chave veio com a assistência técnica do Programa Florestas, do Imaflora. A assistência permitiu aos agricultores escreverem um novo capítulo. Primeiro, veio a implementação do SAF Cacau, focada na recuperação e proteção do solo, na diversificação da produção, na segurança alimentar e na geração de renda.
“Conseguimos perceber de perto a forte vocação deles para a produção de mudas e, a partir dessa realidade, concluímos a ampliação do viveiro, fortalecendo a produção de espécies florestais e frutíferas. Hoje, o espaço tem capacidade média para produzir de 10 a 12 mil mudas por ciclo, ampliando as oportunidades e valorizando um trabalho que já faz parte da vida e da dedicação desse casal.”, explica Jefferson Campos, analista técnico do Imaflora.
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Produção de mudas envolve tecnologia, futuro e mercado sustentável


De um solo exaurido a uma propriedade diversificada e rentável, o casal prova que o desenvolvimento sustentável na Amazônia é possível. “Hoje o viveiro está todo estruturado e conta com irrigação automatizada. Em apenas 10 minutos fazemos a rega de todas as mudas, processo que antes levava horas. Para o futuro, nossa proposta é introduzir novas espécies para criar um banco de sementes. O Imaflora tem sido fundamental, nos apoiando desde as técnicas de plantio, seleção de sementes até a comercialização das mudas”, finaliza Diandson.
A experiência do Sítio Fé na Vida mostra que recuperar áreas degradadas também pode significar criar oportunidades para quem vive e produz na Amazônia. Ao transformar a produção de mudas em fonte de renda, Diandson e Daiane contribuem para ampliar a oferta de espécies nativas e frutíferas, fortalecer a agricultura familiar e estimular a recuperação de áreas degradadas.
Iniciativas como essa ajudam a construir uma relação mais equilibrada entre produção e conservação, gerando benefícios que ultrapassam os limites da propriedade: cada muda produzida pode representar uma nova árvore no território, mais biodiversidade, proteção do solo e das nascentes e melhores condições de vida para as famílias que dependem da floresta.
É um exemplo de que investir nas pessoas e na natureza pode ser, ao mesmo tempo, uma estratégia de desenvolvimento para a Amazônia e um caminho para construir um futuro mais sustentável.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imaflora
