Benedito Ruy Barbosa: a conexão entre a ficção e a história de Rondônia

O autor, falecido aos 95 anos, eternizou a epopeia da Ferrovia Madeira-Mamoré; o título de uma de suas novelas também deu nome a um bairro em Porto Velho.

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Cena de ‘Mad Maria’. Foto: Divulgação/Memória Globo

Benedito Ruy Barbosa, que faleceu nesta terça-feira, 7, em São Paulo, deixa um legado inestimável para a teledramaturgia brasileira. Com uma trajetória iniciada há 60 anos na TV Tupi, consolidou-se como um dos maiores nomes da televisão nacional, acumulando uma obra que soma 31 novelas, cinco filmes e uma minissérie. Entre seus maiores sucessos — aclamados por público e crítica —, destacam-se produções como Pantanal, Renascer e Terra Nostra, marcadas por sua essência rural e um olhar profundo sobre o interior do Brasil.

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A obra de Benedito Ruy Barbosa possui laços com a história de Rondônia, manifestados de duas formas distintas:

A epopeia de Mad Maria

Em 2005, o autor assinou a minissérie Mad Maria, produzida pela TV Globo e baseada no livro homônimo do escritor amazonense Márcio Souza. Em 35 capítulos, a produção retratou a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, trecho que liga Porto Velho a Guajará-Mirim.

A narrativa, com elenco estelar, destacou a grandiosidade de uma obra que, entre 1907 e 1912, reuniu mais de 20 mil trabalhadores de 50 nacionalidades diferentes, enfrentando desafios extremos em plena floresta amazônica.

Meu Pedacinho de Chão: do sucesso na TV ao mapa de Porto Velho

A relação do autor com a capital rondoniense também se deu por meio da trama Meu Pedacinho de Chão. Lançada originalmente em 1971 — e revisitada em um remake de 2014 —, a novela foi tão impactante que, em 1976, seu título tornou-se o nome de um bairro em Porto Velho.

A escolha do nome ocorreu após uma cheia do Rio Madeira, que deixou inúmeras famílias ribeirinhas desabrigadas. Gilsa Auvray Guedes, então primeira-dama do território e esposa do coronel Humberto da Silva Guedes, contribuiu com o projeto de reassentamento dessas famílias em áreas de terra firme.

O nome “Meu Pedacinho de Chão” foi escolhido como um símbolo de esperança e garantia: a promessa de um lar legalizado, documentado e seguro para cada uma daquelas famílias.

Leia também: O sueco-americano e a fundação da Igreja Batista em Porto Velho

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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