Startup licencia tecnologia desenvolvida por universidade de Tocantins para combate à dengue

A tecnologia licenciada refere-se ao uso do extrato de uma planta com efeito antiviral contra o vírus da dengue, resultado de pesquisa desenvolvida na UFT e protegida por patente concedida em 2023.

Tecnologia da UFT consiste no uso de planta com efeito antiviral contra o vírus da dengue. Foto: Divulgação/Acervo Inovato

A Universidade Federal do Tocantins (UFT) celebrou um licenciamento com exclusividade de tecnologia com patente concedida junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), marcando um novo capítulo na consolidação do ecossistema de inovação do estado.

A tecnologia licenciada refere-se ao uso de extrato da planta Chiococca alba (L.) com efeito antiviral contra o vírus da dengue, resultado de pesquisa científica desenvolvida no Campus de Gurupi da UFT e protegida pela patente BR 10 2018 071298-5, concedida em outubro de 2023.

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O licenciamento foi formalizado com a empresa Inovafhytos Cerrado Ltda, startup de base biotecnológica sediada em Gurupi (TO), selecionada por meio de oferta tecnológica pública nº 01/2025/INOVATO/UFT, conforme previsto no Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação e na política de Inovação da UFT.

O contrato garante à empresa o direito exclusivo de uso e exploração comercial da tecnologia em território nacional, respeitando critérios técnicos, jurídicos e econômicos estabelecidos em edital, assegurando transparência e interesse público no processo.

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Inovação

A Inovafhytos Cerrado pode ser caracterizada como uma spin-off acadêmica da Universidade Federal do Tocantins, uma vez que conta em seu quadro societário com Jaqueline Cibene Moreira Borges, egressa da UFT e autora da pesquisa que originou a tecnologia licenciada, bem como com o Prof. Dr. Raimundo Wagner de Souza Aguiar, docente da Universidade, que atua como cofundador da empresa e diretor de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

A tecnologia licenciada é resultado de pesquisa desenvolvida no âmbito do doutorado da Rede Bionorte, conduzida por Jaqueline Cibene Moreira Borges sob a orientação do Prof. Dr. Raimundo Wagner de Souza Aguiar, no Laboratório de Biologia Molecular da UFT, no Câmpus de Gurupi, evidenciando a integração virtuosa entre a pós-graduação stricto sensu, a pesquisa científica e a inovação tecnológica.

Tecnologia é resultado de pesquisa desenvolvida no campus de Gurupi da Universidade Federal de Tocantins. Foto: Poliana Macedo/UFT

Esse modelo de transferência reforça o papel estratégico da universidade não apenas como geradora de conhecimento, mas como indutora do empreendedorismo científico, promovendo a transformação de resultados acadêmicos em soluções tecnológicas com potencial de impacto real na sociedade.

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Impacto regional, biotecnologia e saúde pública

Segundo Camila Oliveira Borges, representante legal da Inovafhytos Cerrado, o licenciamento representa um avanço significativo para a empresa e para o estado.

“Este licenciamento representa um marco para a Inovafhytos Cerrado e para o Tocantins, ao consolidar uma empresa de base biotecnológica local no desenvolvimento de fitoterápicos inovadores a partir de tecnologia gerada na universidade.”

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A tecnologia licenciada possui aplicação voltada ao desenvolvimento de formulações farmacêuticas antivirais, como cápsulas e comprimidos, com potencial contribuição para o enfrentamento da dengue, um dos principais desafios de saúde pública no país. Ao mesmo tempo, a iniciativa valoriza o uso sustentável da biodiversidade, promovendo soluções alinhadas à bioeconomia e à inovação responsável.

Startup licenciou tecnologia voltada para o enfrentamento da dengue. Foto: Divulgação

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Conhecimento com impacto social e econômico

O licenciamento exclusivo reafirma a atuação da Agência de Inovação da UFT (Inovato), por meio da Diretoria de Inovação e Transferência de Tecnologia (Ditt), na estruturação de processos maduros de valorização e transferência de ativos de propriedade intelectual. A operação segue integralmente as diretrizes institucionais e legais, garantindo segurança jurídica tanto para a universidade quanto para a empresa licenciada.

Segundo Claudia Cristina Auler do Amaral Santos, diretora de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFT, o licenciamento representa um marco institucional relevante:

“Este licenciamento com exclusividade de uma patente concedida consolida a UFT como uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação madura e estratégica no fornecimento de tecnologias ao setor produtivo. A Universidade possui um portfólio diversificado e qualificado de ativos de propriedade intelectual, resultado de pesquisas desenvolvidas em diferentes áreas do conhecimento, e tem avançado de forma consistente na sua missão de transformar ciência em inovação com impacto social e econômico. Trata-se de um passo fundamental para o fortalecimento da transferência de tecnologia como política institucional e para a ampliação da inserção da UFT no ecossistema nacional de inovação.”

Além de fortalecer a bioeconomia regional, a iniciativa estimula o surgimento de empresas intensivas em conhecimento, amplia as oportunidades de inovação no interior do estado e posiciona o Tocantins como um território promissor para o desenvolvimento de biotecnologia aplicada a fitoterápicos.

Este é o segundo processo de transferência de tecnologia formalizado pela UFT. A primeira experiência ocorreu por meio de um licenciamento oneroso sem exclusividade, envolvendo uma tecnologia não patenteada e não patenteável, estruturada a partir da transferência de know-how.

O atual licenciamento, por sua vez, diferencia-se por envolver uma patente concedida, com licença exclusiva, evidenciando o amadurecimento institucional da UFT na gestão de ativos de propriedade intelectual e na condução de negociações tecnológicas mais complexas e estratégicas.

Mais informações sobre a tecnologia licenciada e outros ativos de propriedade intelectual da UFT estão disponíveis na Vitrine Tecnológica da Inovato.

*Com informações da UFT

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