Foto: Divulgação
O Amazonas registra índice de leitos de UTI inferior à média nacional e abaixo do patamar geral observado no país. Apesar disso, o acesso ao cuidado intensivo é desigual entre usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e da rede suplementar. O levantamento foi realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), com base em dados do CNES, IBGE e ANS. O estado conta com 572 leitos de UTI para adultos nas redes pública e privada. O índice geral é de 13,24 leitos por 100 mil habitantes, considerando a população de 4.321.616 pessoas.
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Na rede suplementar, o índice chega a 43,53 leitos por 100 mil beneficiários. No SUS, é de 8,16 por 100 mil habitantes. Na prática, usuários de planos de saúde têm mais de cinco vezes mais acesso a leitos de UTI do que pacientes dependentes exclusivamente da rede pública. Os 270 leitos da rede privada atendem cerca de 620 mil beneficiários, enquanto os 302 leitos do SUS atendem mais de 3,7 milhões de pessoas. O desequilíbrio amplia a pressão sobre a rede pública e pode afetar o tempo de acesso a internações em casos graves.
As diferenças também aparecem entre regiões do país. No Norte, por exemplo, a oferta proporcional ficou em 8 leitos por 100 mil habitantes, abaixo do patamar mínimo recomendado internacionalmente. Os dados apontam, ainda, contrastes relevantes entre estados: enquanto usuários do SUS no Espírito Santo contam com 22,8 leitos de UTI por 100 mil habitantes, no Amapá o índice é de 3,6 por 100 mil.

Barreiras à população atendida pelo SUS
Raul Canal, presidente da Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética), destaca que o aumento do número de leitos representa um avanço importante, mas observa que a distribuição dos recursos ainda impõe barreiras significativas à população atendida exclusivamente pelo SUS.
“A ampliação estrutural precisa vir acompanhada de políticas públicas voltadas à organização da rede, regionalização da assistência e redução das desigualdades territoriais. Não basta ampliar a capacidade instalada sem garantir condições efetivas de acesso para quem depende da rede pública”, declara.
O advogado especializado em direito médico também ressalta que dificuldades de acesso ao cuidado intensivo produzem reflexos em toda a cadeia assistencial.
“A demora para a obtenção de um leito de UTI pode agravar quadros clínicos, aumentar o tempo de internação e elevar a pressão sobre profissionais e unidades de saúde. Trata-se de um problema que exige planejamento permanente, integração entre gestores e fortalecimento da estrutura pública de atendimento”, alerta.
