‘Matança do Boi’: tradicional ato encerra temporada bovina do Garantido

Cumprindo mais uma tradição herdada de Lindolfo Monteverde, a 'Matança do Boi' encerra a temporada bovina do Garantido na Baixa do São José, em Parintins.

Caminhada histórica encerra temporada bovina do Garantido. Foto: Reprodução/Assessoria do Boi Garantido

Encerrando oficialmente a temporada bovina de 2026, a Associação Folclórica Boi-Bumbá Garantido realiza todo 17 de julho, a tradicional Matança do Boi, momento que marca simbolicamente o fim do ciclo anual do boi vermelho e branco. O evento reúne torcedores, brincantes e artistas em Parintins (AM).

A programação da tradição herdada pelo criador do Garantido, Lindolfo Monteverde, começa com uma apresentação dos bois mirins Ana e Tupi para o público infantil, em 2026, com direito a distribuição gratuita de kits em um gesto de “esperança e renovação” da brincadeira de boi-bumbá para as futuras gerações, segundo a organização do boi.

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Assim como na Ladainha, o Boi Garantido realiza uma caminhada pelas ruas da cidade, começando pela Baixa do São José ao som das suas toadas, até culminar na tradicional matança simbólica do boi.

Segundo a tradição, boi Garantido é lançado pelos vaqueiros e levado para o curral, onde é morto, encerrando os festejos da temporada bovina. Foto: Reprodução/Assessoria do Boi Bumbá Garantido

E o que é a Matança do Boi?

O ritual da Matança do Boi é uma encenação simbólica “carregada de fé, emoção e resistência cultural”, conforme descreve a associação folclórica, em que o boi percorre as ruas da Baixa para fugir dos vaqueiros, até ser laçado e levado de volta ao Curral, onde é morto, momento chamado de auto do boi.

De acordo com a tradição, a morte do boi simboliza o fim das apresentações do boi Garantido no ano, devendo ressuscitar no ano seguinte.

Durante a caminhada, o boi sai às ruas com os chifres enfeitados com palha de piririma, representando o boi fugitivo e camuflado na floresta. Segundo a família Monteverde, os enfeites relembram relatos de Lindolfo, o criador do boi, de que o Garantido tinha os chifres queimados e as palhas já estavam presas para facilitar a queimada.

Leia também: Tradição vermelha: conheça a história da ‘Alvorada do Boi Garantido’

Os vaqueiros perseguem e capturam o boi, laçando-o com cordas. Na dramatização, o boi é levado de volta para o curral, local em que o Pai Francisco encena a morte do boi, seguindo a tradicional narrativa.

Após a morte do Garantido, o boi só deve renascer no ano seguinte, tradição mantida até hoje pela família Monteverde e respeitada pela nação encarnada.

“A matança é uma tradição que vem desde o início do nosso boi. É quando a gente agradece, se despede da temporada com o coração cheio e se prepara para o que vem. É um momento forte, de fé, de saudade e de muita gratidão”, destacou Maria Monteverde, única filha viva do criador do Boi Garantido, Lindolfo Monteverde.

A Matança do Boi ocorre anualmente no dia 17 de julho, sempre um dia depois do arraial de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. Após a encenação, os moradores compartilham um banquete na Baixa da Xanda.

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