Jovens do Amapá desenvolvem cosméticos de ativos da Amazônia com tecnologia sul-coreana

Startup nascida na Universidade Federal do Amapá (Unifap) usa copaíba, murumuru e açaí para desenvolver cosméticos e produtos de skincare. Grupo já vende para todo o país.

Estudantes e recém-formados em Farmácia do Amapá criaram uma linha de cosméticos que une tecnologia coreana a ativos da floresta amazônica. Foto: Lenan Santos/Rede Amazônica AP

A rotina de cuidados com a pele (skincare) inspirada na indústria da Coreia do Sul virou tendência mundial. No Amapá, um grupo de estudantes e recém-formados no curso de Farmácia da Universidade Federal do Amapá (Unifap) resolveu utilizar a mesma tecnologia oriental, mas com um diferencial regional: ativos extraídos de plantas e frutos da floresta amazônica.

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A ideia da startup Tropicácia nasceu durante uma maratona de inovação universitária, o Amapá Startup, e ganhou força nos laboratórios da instituição.

O grupo, que começou a trajetória na empresa júnior do curso, decidiu transformar o conhecimento acadêmico em um negócio independente.

“As indústrias coreanas usam os nossos ativos para desenvolver os cosméticos delas. Então nada nos impede de utilizar a tecnologia de ponta para desenvolvermos os produtos aqui mesmo”, afirmou a farmacêutica e CEO da marca, Saile Lacerda.

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Valorização da matéria-prima local

A linha de produtos inclui itens como gloss labial, velas de massagem, blends de argila e a espuma de limpeza facial, carro-chefe da marca, desenvolvida com essência de açaí e propriedades calmantes para a pele.

Para garantir o fornecimento das matérias-primas, os estudantes compram óleos e manteigas vegetais diretamente de produtores e comunidades extrativistas do estado, como no arquipélago do Bailique e no município de Mazagão.

Com tecnologia inspirada na Coreia, jovens do AP criam linha de cosméticos com frutos da Amazônia. Foto: Lenan Santos/Rede Amazônica AP

Entenda os ativos amazônicos usados nos produtos:

  • Copaíba: óleo extraído do tronco da árvore, conhecido pela ação anti-inflamatória e cicatrizante.
  • Murumuru: manteiga tirada da semente da palmeira, com alto poder de hidratação.
  • Pracaxi: óleo típico de áreas de várzea, indicado para regeneração e proteção da pele.
  • Açaí e Cupuaçu: frutos regionais ricos em antioxidantes, usados para nutrição e aroma.

“É uma forma de devolver para a sociedade o que aprendemos na universidade. Priorizamos os fornecedores locais para movimentar a economia circular e valorizar a riqueza do Amapá”, ressaltou Saile.

Gloss labial da marca. Foto: Lenan Santos/Rede Amazônica AP

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Testes rigorosos e desafios do mercado além do Amapá

Antes de chegar ao consumidor, cada formulação passa por testes de estabilidade, avaliação sensorial (textura e aroma) e verificação de segurança em relação às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Apesar do crescimento e de premiações em editais de inovação, o grupo enfrenta gargalos comuns às pequenas empresas da região: a falta de infraestrutura industrial local para produção em larga escala. Por isso, os lotes ainda são manipulados de forma artesanal e manual.

Jovens do Amapá desenvolvem cosméticos de ativos da Amazônia com tecnologia sul-coreana
Grupo começou a trajetória na empresa júnior do curso. Foto: Lenan Santos/Rede Amazônica AP

Mesmo com os desafios de mercado, as vendas já ultrapassaram as fronteiras do estado por meio de plataformas digitais e do comércio eletrônico.

“Criamos a startup recentemente e ver que já estamos construindo um caminho tão sólido é emocionante. Saber que pessoas de fora valorizam um produto feito aqui com a nossa biodiversidade traz muito orgulho”, comemorou a estudante de Farmácia Yasmin Santos.

*Por Isadora Pereira e Gabriel Morais, da Rede Amazônica AP

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