Estudantes criaram um sabonete esfoliante sustentável a partir de caroços de açaí. Foto: Jeferson Gonçalves/Rede Amazônica AP
Estudantes de Macapá (AP) desenvolveram o projeto ‘EcoAçaí‘, uma iniciativa sustentável que reutiliza caroços de açaí para criar sabonetes esfoliantes. A proposta reaproveita os resíduos gerados por batedeiras de açaí em Macapá e Santana, transformando o impacto ambiental do descarte incorreto em uma opção de cosmético natural.
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Do descarte à fórmula
O processo de fabricação começa com a coleta do material nas batedeiras e passa por lavagem e secagem ao sol por sete dias. As etapas seguintes envolvem separação da fibra, trituração e peneiragem, até a mistura com a base glicerinada, óleo e extrato de coco.
A estudante Ana Clara Coelho, de 16 anos, explica a dinâmica para chegar ao produto final:
“Nós começamos primeiramente com a coleta dos caroços de açaí, tanto nas batedeiras de Santana quanto de Macapá. Após isso, nós lavamos os caroços e levamos para o processo de secagem, que é durante sete dias no sol. As três peneiras são para a gente garantir que aquele pó que chegou no sabonete não seja algo tão agressivo”.

Ajustes na textura e proteção à pele
Durante os primeiros testes, a equipe enfrentou desafios com a textura do caroço e a reação na pele. A aluna Evelyn Miranda, de 17 anos, relembrou os ajustes necessários para garantir a segurança do sabonete:
“Nos protótipos iniciais, a gente decidiu entrar em contato com a pele e causava algumas alterações. Percebemos que o caroço tem uma parte muito amolada dentro e, na trituração, ela ficava ainda mais amolada. Por esse motivo, decidimos separar esse resíduo e pegar somente a casca que envolve a parte de dentro do caroço”.

Evelyn acrescentou ainda que a escolha do ingrediente se deu pela abundância do fruto na Região Amazônica.
“O açaí é um produto muito regional da Amazônia. Foi um resíduo muito fácil de encontrar nas batedeiras do município de Macapá e Santana. Decidimos trabalhar com ele justamente para pegar um descarte abundante na região e transformar em um cosmético de valor”, afirmou.
Planos de expansão e foco comunitário
Além do formato em barra, os estudantes já planejam expandir o projeto para versões líquidas e testes com outras matérias-primas regionais.

Para o aluno Eric Maurício, de 16 anos, a iniciativa vai além da sala de aula. “Nosso objetivo final é ajudar comunidades locais a reutilizar esses resíduos que estavam sendo descartados de forma inadequada no meio ambiente. Acho que tem muito potencial para ajudar não só o meio ambiente, como nós mesmos”, concluiu.
*Por Isadora Pereira e Mayra Carvalho, da Rede Amazônica Amapá.
