Comunidades ribeirinhas de Rondônia recebem primeiro núcleo comunitário da Defesa Civil

Comunidades ribeirinhas recebem núcleo comunitário da Defesa Civil. Foto: José Carlos

Quem vive às margens do rio Madeira aprende cedo que a vida muda com as águas. Elizete Mota, moradora da comunidade Bom Será, em Rondônia, lembra que a seca não é apenas um período do ano, é um tempo de aperto no coração. Ela conta que, quando o rio começa a baixar, a água fica escassa, os peixes desaparecem e a comunidade se vê obrigada a mudar a rotina para conseguir o básico. Já na cheia, o medo vem com a força da correnteza, que pode subir de um dia para o outro e tomar casas, plantações e principalmente histórias.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

“A gente fica sempre com o coração apertado. Eu sou moradora da comunidade há 20 anos e nossa maior dificuldade é no inverno, porque a gente perde as plantações, perde nossos animais e tudo que construímos com suor do nosso trabalho. Mesmo sabendo que não podemos controlar a força da natureza, esse é um local que escolhemos para viver”, disse a moradora.

Comunidades ribeirinhas de Rondônia recebem primeiro núcleo comunitário da Defesa Civil
Comunidades ribeirinhas recebem núcleo comunitário da Defesa Civil. Foto: José Carlos

A realidade dos moradores de comunidades que convivem com a dureza da seca e o temor da cheia do rio Madeira começa a ganhar um novo horizonte com o apoio da Prefeitura de Porto Velho, por meio da Superintendência Municipal de Defesa Civil (SMDC), com a criação do Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil (Nupdec). A iniciativa representa não apenas um reforço na segurança, mas a sensação de que, finalmente, não enfrentarão esses desafios sozinhos.

Leia também: Ciclos da água têm impacto direto na segurança alimentar de comunidades ribeirinhas da Amazônia

“Essa é uma iniciativa inédita em Porto Velho. Estamos montando a primeira equipe do Nupdec aqui no médio madeira. Por exemplo se acontecer alguma situação de perigo, esses voluntários serão nossos olhos nessas comunidades. Ou seja, a partir de agora estão mais perto da Defesa Civil e ajudando nosso trabalho”, disse o superintendente da SMDC, Marcos Berti.

Capacitação

Moradores voluntários das comunidades ribeirinhas participaram de uma capacitação na Escola Municipal Professora Maria Angélica Queiroz, na comunidade Nova Aliança, para integrar o núcleo. Durante o treinamento, eles receberam orientações sobre prevenção de desastres, primeiros atendimentos, percepção de risco, papel da comunidade, primeiros socorros, prevenção de queimadas e procedimentos de segurança em situações de emergência.

Marcos Berti disse que se acontecer alguma situação de perigo, esses voluntários serão olhos da Defesa Civil Minicipal nessas comunidades ribeirinhas. Foto: José Carlos

Participaram representantes de diversas localidades, entre elas, Brasileira, Ramal 45, Caldeirita e Aliança. A formação fortaleceu o vínculo entre a Defesa Civil e a população, preparando os voluntários para atuar como pontos de apoio e informação dentro de suas localidades, capacitando voluntários para identificar riscos, atuar em situações de emergência e disseminar informações de segurança.

Leia também: Pesquisa investiga fatores responsáveis pela mudança nos hábitos alimentares em comunidades ribeirinhas

Multiplicadores de informações

Para muitos moradores, o curso oferecido pela Defesa Civil proporcionou algo totalmente novo: pela primeira vez, tiveram a oportunidade de aprender de forma prática como agir em situações de risco e organizar a própria comunidade.

“Eu fiquei surpresa em saber, porque nunca tinha acontecido isso aqui pra gente e isso é muito satisfatório. Eu sei o que minha comunidade realmente precisa e agora posso passar todas as informações para a Defesa Civil”, disse Simone Alves moradora da comunidade de Brasileira.

Comunidades ribeirinhas recebem núcleo comunitário da Defesa Civil. Foto: José Carlos

Após a formação, os voluntários atuarão como multiplicadores de informações, auxiliando tanto na prevenção quanto no atendimento inicial em situações de emergência. Para a voluntária Elkes Monteiro, que vive na comunidade Vila do Jacú, a formação oferecida pela Defesa Civil foi uma experiência inédita e transformadora.

“Acho que vai melhorar muito, porque vamos ter esse apoio e sabemos que podemos contar com a defesa civil. Antigamente era uma comunidade ajudando a outra e a agora a partir da gestão do prefeito Léo Moraes estamos tendo esse apoio”, finaliza a moradora.

Comunidades ribeirinhas recebem núcleo comunitário da Defesa Civil. Foto: José Carlos

Com a criação do Nupdec, o município de Porto Velho dá um passo importante para tornar as comunidades mais preparadas, seguras e organizadas, reforçando o compromisso com a proteção e a defesa civil. A expectativa é que a capacitação também aconteça em outras localidades do alto e baixo madeira. Os voluntários receberão certificados e coletes com identificação da Defesa Civil Municipal.

*Com informação da Secretaria Municipal de Comunicação de Porto Velho

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Cerâmica ancestral Japuna ganha nova vida pelas mãos de mulheres do Amazonas

Em Tefé, no interior do estado, mulheres ceramistas auxiliam no resgate ancestral da cerâmica Japuna, em projeto idealizado pelo Instituto Mamirauá.

Leia também

Publicidade