Tambaqui classificado como vulnerável: pesquisadora alerta para queda na população

A pesquisadora no Inpa Cristhiana Röpke esclarece o que significa a nova classificação do tambaqui como espécie vulnerável.

Foto: Siglia Souza/Embrapa

A pesquisadora adjunta e coordenadora do Laboratório de Dinâmica de Populações de Peixes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Cristhiana Röpke, esclarece o que significa a nova classificação do tambaqui como espécie vulnerável, análise realizada e publicada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO).

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Segundo ela, que atua com ecologia de peixes tanto em pesquisa básica quanto voltada para conservação, a categoria não significa extinção.

“Indica que, com base no que sabemos hoje, existe uma forte pressão sobre a espécie e o tamanho da população tem reduzido de forma acentuada e contínua ao longo do tempo”, explica. É, portanto, um alerta para frear essa tendência.

Saiba mais: Tambaqui está ameaçado de extinção? Entenda classificação do peixe típico da Amazônia

O cenário do tambaqui na Amazônia

Cristhiana destaca que o caso é complexo e comum a muitas espécies com ampla distribuição e exploradas pela pesca. Enquanto em unidades de conservação e áreas distantes dos grandes centros urbanos ainda há abundância e indivíduos grandes, fora dessas áreas o quadro é diferente.

No eixo central do rio Solimões-Amazonas, por exemplo, os tambaquis capturados são principalmente pequenos, abaixo do tamanho em que a maioria das fêmeas começa a reproduzir. Isso compromete a renovação da população.

Produção de tambaqui. Foto: Raquel Maia/Rede Amazônica
Produção de tambaqui. Foto: Raquel Maia/Rede Amazônica

Outro ponto crítico é a ausência de monitoramento pesqueiro. Apesar de existir regra de tamanho mínimo de captura, não há acompanhamento para avaliar se ela é cumprida e se é efetiva.

“A classificação como vulnerável acaba exigindo que seja feito um plano de recuperação. Isso envolve obter dados e propor formas de aplicar as regras vigentes, se elas já são suficientes, ou pensar em novas regras de pesca para a espécie”, sugere a pesquisadora.

Para Cristhiana, o ponto-chave é recuperar o tamanho dos indivíduos fora das unidades de conservação e aumentar o número de fêmeas adultas reproduzindo nessas áreas. “Esse é um fator decisivo para que as populações se recuperem fora das UCs”, completa.

O alerta é claro: a classificação serve para agir antes que a situação do tambaqui, uma das espécies mais importantes para a alimentação e economia da região, piore.

*Com informações do Inpa

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