Laboratório de universidade desenvolve soluções para cadeia produtiva do cacau no Pará

Coordenado pela professora Mayara Guedes, o laboratório transforma matérias-primas abundantes da região – como cacau, banana e frutas amazônicas – em inovação, sustentabilidade e oportunidade.

Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

O laboratório tem cheiro de chocolate. O aroma quente do cacau recém-processado atravessa o ambiente e se mistura ao som das explicações, ao barulho das panelas no fogo, ao cuidado com cada detalhe do processo. Estamos no Campus Universitário de Altamira da Universidade Federal do Pará (UFPA), no Laboratório de Processamento de Produtos de Origem Vegetal e Animal, um espaço em que o conhecimento acadêmico dialoga diretamente com a vida cotidiana Transamazônica.

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Coordenado pela professora Mayara Guedes, o laboratório transforma matérias-primas abundantes da região – como cacau, banana e frutas amazônicas – em inovação, sustentabilidade e oportunidade.

“No cacau, a gente procura aproveitar tudo. Nada se perde”, explica a professora. Polpa, semente, película e até a folha do cacaueiro entram no circuito da pesquisa. Do fruto, nascem os popularmente conhecidos néctares de cacau, versões com gengibre, geleias, chocolates e licores. Da película da amêndoa, surgem sabonetes esfoliantes. Da folha, após um cuidadoso processo de cozimento, tratamento e secagem, nasce uma embalagem ecológica, alternativa ao plástico.

“A folha dá trabalho, mas o resultado é uma embalagem resistente, maleável e sustentável. É pensar o cacau como um todo, do início ao fim”, resume Mayara Guedes.

Laboratório de universidade desenvolve soluções para cadeia produtiva do cacau no Pará
Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

Leia também: O que existe por trás de um chocolate? Entenda como funciona a cadeia produtiva do cacau brasileiro

Laboratório aproxima sociedade da produção

Oficinas, visitas técnicas e atividades práticas aproximam universidade e produtores rurais, reunindo estudantes, agricultores e famílias em um mesmo espaço de troca. “Aqui, a universidade não está distante do produtor. A gente aprende junto, o tempo inteiro”, afirma a docente.

Essa aproximação responde a desafios concretos do campo, como a oscilação do preço do cacau in natura. A saída está na agregação de valor. “Quando o produtor transforma o cacau, ele não depende só da matéria-prima. Ele passa a ter mais autonomia e segurança”, avalia.

O laboratório também é sala de aula viva. As atividades envolvem bolsistas, projetos de extensão e ações voltadas à comunidade, especialmente crianças.

“A educação começa cedo. Quando a criança entende de onde vem o alimento, ela muda a relação com o consumo e leva isso para casa”, destaca a professora.

Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

O futuro do espaço já está em construção. Um projeto aprovado em edital de fomento prevê a implantação de uma fábrica solidária, voltada ao atendimento de comunidades indígenas, associações e cooperativas. A proposta é oferecer infraestrutura adequada para produção, capacitação e inserção no mercado, fortalecendo iniciativas locais de forma sustentável.

“Por trás de cada produto, de cada embalagem e de cada novo resultado, existe um trabalho de pesquisa que aproxima universidade e sociedade, valoriza os recursos da Amazônia e demonstra que inovação também pode ser construída a partir dos saberes, dos sabores e das potencialidades da região”, finaliza a pesquisadora.

*Com informações da UFPA

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