Iniciativa investe no enfrentamento à violência de gênero no Marajó e no território Yanomami

Iniciativa de cooperação internacional terá duração de 36 meses, com investimento de R$ 6 milhões, para fortalecer redes locais e qualificar a produção e o uso de dados nos dois territórios.

Ilha do Marajó. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério das Mulheres e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) iniciam um novo programa de enfrentamento à violência de gênero e de qualificação da produção e do uso de dados em territórios prioritários do país. A iniciativa será implementada ao longo de 36 meses, entre janeiro de 2026 e dezembro de 2028, com investimento total de R$ 6 milhões, e conta com o apoio da Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE).

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A iniciativa tem como objetivo fortalecer as capacidades institucionais do Ministério das Mulheres e das redes locais de atendimento para prevenir, enfrentar e responder à violência contra mulheres e meninas, com foco especial em contextos de alta vulnerabilidade social e territorial. A parceria prioriza dois territórios estratégicos: a Ilha do Marajó, no Pará, e o território Yanomami, nos estados do Amazonas e de Roraima.

A iniciativa aposta no aprimoramento da produção, sistematização e uso de dados desagregados sobre a situação de mulheres e meninas como ferramenta central para subsidiar políticas públicas baseadas em evidências. Também prevê a adaptação de boas práticas internacionais ao contexto brasileiro, o fortalecimento de metodologias de trabalho culturalmente sensíveis e a ampliação da capacidade técnica de instituições públicas, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias.

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Iniciativa investe no enfrentamento à violência de gênero no Marajó e no território Yanomami
A iniciativa será implementada ao longo de 36 meses. Na foto, comunidade indígena na Terra Yanomami. Foto: Bruno Mancinelle/Arquivo Casa de Governo

Iniciativa prioriza territórios com cenários críticos

Os territórios priorizados concentram alguns dos indicadores mais críticos do país. Na Ilha do Marajó, onde vivem cerca de 557 mil pessoas distribuídas em 17 municípios, quase 70% da população reside em comunidades ribeirinhas de difícil acesso e enfrenta graves vazios assistenciais. A região apresenta altas taxas de gravidez na adolescência, sub-registro civil, exploração sexual de crianças e adolescentes e escassez de serviços especializados para mulheres em situação de violência.

Já no território Yanomami, que abriga mais de 27 mil indígenas em 384 aldeias, a violência baseada em gênero se agrava em um contexto de crise humanitária, insegurança alimentar, impactos do garimpo ilegal e barreiras de acesso a serviços públicos culturalmente adequados.

Entre os resultados esperados da iniciativa estão:

  • o fortalecimento da capacidade decisória do Ministério das Mulheres para formular, implementar e monitorar políticas de enfrentamento à violência baseada em gênero;
  • o desenvolvimento de capacidades técnicas para a coleta, análise e disseminação segura de dados sociodemográficos;
  • o fortalecimento das redes locais de atendimento nos dois territórios;
  • e o apoio ao protagonismo e à organização de mulheres e lideranças comunitárias.

Ao unir o mandato e a expertise técnica do UNFPA à atuação do Ministério das Mulheres, a iniciativa busca contribuir para respostas mais articuladas, intersetoriais e culturalmente sensíveis, promovendo a redução das desigualdades de acesso a serviços, o fortalecimento da cidadania e a construção de políticas públicas que garantam a mulheres e meninas o direito de viver uma vida livre de violência.

*Com informações do Ministério das Mulheres

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