Povos indígenas no Pará recebem dossiê sobre direitos sequestrados

Cientistas de instituições envolvidas em pesquisas sobre direitos ‘sequestrados’ dos povos indígenas repassaram a publicação a lideranças e novas gerações dos povos Suruí do Pará e Gavião.

Foto: Reprodução/Unifesspa

Pesquisadoras de Universidades federais do Pará e do Sul e Sudeste do Pará  e de outras instituições, autores no Dossiê “Direitos ‘sequestrados’ aos povos indígenas”, publicado no Boletim de Ciências MPEG de Ciências Humanas Vol. 20 nº 3, lançado em dezembro de 2025, protagonizaram  evento inédito na história da revista científica do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Elas entregaram exemplares do Dossiê a lideranças dos povos indígenas Aikewara e Gavião, nas respectivas aldeias, no sudeste do estado do Pará. A entrega do material impresso ocorreu nos dias 9 e 11 de janeiro.

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Numa iniciativa comprometida com esses povos, fizeram a chamada “Devolução” em que os pesquisadores reconhecem a produção do conhecimento compartilhado pelos povos originários e entregam a  eles o conteúdo produzido conjuntamente.

Como parte do projeto de pesquisa e extensão “Nossa Escola, nossos traços”, coordenado pela antropóloga Luiza Mastop, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Estado do Pará (Unifesspa), em parceria com o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), e Universidade Federal do Pará (UFPA), pesquisadoras estiveram, no dia 9 de janeiro, à Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Indígena Sawarapy Suruí, na Aldeia Sororó, município de Brejo Grande do Araguaia.

Em mesa de diálogos com a participação de lideranças do povo Aikewara, pesquisadoras  e pesquisadores indígenas e não indígenas participaram o cacique Maira Surui; o vice-cacique Mahu Surui; o ancião/guerreiro Miho Surui; o diretor da escola, Sawarapi Surui; a historiadora Mirtes Manaças (MPPA); e as antropólogas Jane Beltrão (UFPA) e Luiza Mastop (Unifesspa).

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Foto: Reprodução/Unifesspa

Miho Surui representou Arihera Surui, porque adoentada não pôde participar do evento. Arihera e Luiza Mastop são autoras do artigo “Construindo memórias com Arihera: educação e identidade aikewara em foco”.

Na aldeia Sororó, foi providenciada a entrega de uma cópia impressa do Dossiê para a biblioteca da escola Sawarapy Surui e uma cópia para Arihera.

Da esquerda para a direita, os convidados para a mesa de diálogos: Mirtes Manaças (MPPA); Sawarapi Surui (Diretor da escola); cacique Maira Surui; vice-cacique Mahu Surui; Miho Surui (representando Arihera) e Jane Beltrão (UFPA). A professora Jane explica sobre o Dossiê e em seguida entrega uma cópia para o diretor da escola.

“A pesquisa científica é feita com muitas mãos, e, então, essa iniciativa de levar até as comunidades indígenas a publicação que tem como foco os saberes ancestrais delas e ainda a necessidade de serem preservados os seus direitos como cidadãos brasileiros, povos originários do Brasil, mostra-se significativa. É uma forma de continuar compartilhando conhecimentos e assim valorizar a cultura desses povos, algo fundamental na Amazônia”, destacou a professora Jane Beltrão.

A cópia do Dossiê para Arihera foi feita na casa dela pela coautora do artigo, Luiza Mastop.

Leia também: Dossiê evidencia protagonismo de povos tradicionais na luta contra direitos ‘sequestrados’

Como disse Luiza Mastop: “O Dossiê cumpre um importante papel político e epistemológico: o de fortalecer a luta e a resistência dos povos indígenas no Brasil; expressar a autonomia e o protagonismo deles em relação à produção de conhecimento intercultural, em que conhecimento científico e conhecimento tradicional têm o mesmo valor”.

Jane e outros pesquisadores assinam no Dossiê dois artigos: ‘Direitos ‘sequestrados’ aos povos tradicionais: possibilidades de compreensão” e “Territórios indígenas, conhecimentos tradicionais e sustentabilidade nas Amazônias”.

Na Aldeia Akrãtikatêjê, o Dossiê “Direitos ‘sequestrados’ aos povos indígenas” foi repassado à Kátia Tônkyre (Kátia Silene Valdenilson), a primeira mulher cacica em uma  aldeia dos Gavião, na Reserva Indígena Mãe Maria, na região de Marabá, sudeste do Pará. Ela é a protagonista do artigo “Kátia Tônkyre, a guerreira que se forjou na luta” em forma de ensaio fotográfico assinado pelo pesquisador indígena José Ubiratan Sompré (UFPA).

Após receber a cópia impressa do Dossiê, a cacica Kátia folheou a publicação, leu trechos de alguns artigos e teceu comentários sobre o conteúdo.

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Foto: Reprodução/Unifesspa

Autorias compartilhadas

Do dossiê vários artigos foram escritos por autores indígenas e quilombolas num exercício necessário, imprescindível mesmo, em respeito aos saberes que dominam e compartilham com a sociedade não-tradicional. A antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rosani Kamury Kaingang (Rosani de Fátima Fernandes), é autora de: “Educação Escolar Indígena e Educação Escolar Quilombola: movimentos de luta pelo direito à escola”.

Já Idjarrury Sompré e Putira Sacuena escreveram “Bem-viver psicoanimista como alternativa ao conceito de saúde mental: uma proposta a partir de cosmologias indígenas brasileiras”.

Dentre os autores quilombolas, Andrew Benjó e Celyne da Fonseca Soares são os autores de “A cartilha de letramento racial como forma de enfrentamento ao racismo

Confira o dossiê completo AQUI.

*Com informações da Unifesspa

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